bom professora então a gente está né olhando para esses dados e vendo que as mulheres tão apresentando índices de transtornos mentais maiores do que os homens isso até se agravou na pandemia né E o nosso olhar é para tentar entender é Quais estruturas sociais que impõem esse sofrimento né para na saúde das mulheres né sobretudo é a saúde mental como é que você avalia aí né que estruturas do patriarcado e na sociedade hoje que a gente pode identificar que podem impor esse sofrimento então olhando para os dados que vocês enviaram né que tem tem os
dados de depressão que estão desagregados por raça né a gente tem pouco dado desagregar o que que esses dados mostram que as mulheres têm mais transtornos mentais do tipo depressão e ansiedade que os homens e que os homens têm mais tentativas de suicídio né o suicídio não está desagregado por tentativa e ideação mas é e que os homens procuram menos ajuda e que os homens tem mais abuso de substâncias né álcool e Outras Drogas e aí eu não consigo olhar para isso senão por uma perspectiva mais interseccional apesar da gente todos aqui desagregado por classe
mas a gente tem dados agregados por raça né então o meu olhar para isso né pensando como é que as desigualdades de gênero articuladas a outras diferenças vão impactar essas questões de saúde mental então entre as mulheres a gente tem maiores prevalências né de sintomas depressivos e de ansiedade de depressões diagnosticadas e também de sintomas de ansiedade reportados e isso aumenta quando a gente tem as mulheres negras é mais alto entre as mulheres negras e aí a gente pode até pensar que esses dados das mulheres negras podem estar subnotificados assim como estão para questões de
violência por exemplo né a gente teve o lançamento dos dados do Fórum de segurança do Fórum Brasileiro de Segurança Pública né na semana passada que também vão mostrando aí uma possibilidade de subnotificação né de dados de violência para mulheres é mas a gente não pode olhar isso também né além de não de não olhar as mulheres como um bloco único né Nós temos as várias mulheres né e as várias estruturas sociais de poder né que vão afetar Diferentemente a vida as vidas diferentes mulheres a gente não pode olhar isso separado do que acontece com os
homens né porque porque a gente tem socialmente uma atribuição da tarefa de cuidado para as mulheres e o que a gente vê em pesquisas de saúde mental e mesmo em consultório é que esse cuidado com relação aos homens que procuram menos ajuda médica né mas cujo cuidado recai sobre as mulheres no cotidiano familiar ele tem um impacto também no sofrimento das mulheres porque a gente está falando aqui de Sofrimentos né de Sofrimentos que são Sofrimentos sociais Então a gente tem expectativas de cuidado expectativas com relação à sexualidade expectativas com relação a trabalho que ainda exigem
aí né uma maior quantidade de horas dedicadas a trabalho fora de casa e trabalho doméstico para as mulheres e essa articulação entre o trabalho para o trabalho remunerado né o trabalho não remunerado no lar e essas tarefas de cuidado da família que não são só de marido de filho são também de outros familiares que recai sobre as mulheres então não dá para olhar uma coisa separada da outra né então eu diria que a gente tem várias estruturas de poder né se articulando de raça de Classe A questão das deficiências a gente pode não tem dado
desagregado aqui mas questões regionais né questões todas essas desigualdades sociais né Elas vão fazer esse Impacto potencialmente diferente na vida de diferentes mulheres né e também por conta das atividades de cuidado né tudo que acontece com os homens também acaba recaindo sobre as mulheres como bloco único e daí quando a gente pensa nessa atribuição né do trabalho de cuidado para as mulheres como é que a gente pode então pensar de que forma que ela essa atribuição do Cuidado empata mulheres diferentes né ainda mais num contexto Brasileiro né como é que funciona né porque as mulheres
brancas podem ter terceirizar esse cuidado mulheres classes mais baixos pode não conseguir fazer isso como é que é essa diferença é aí acho que a gente tem que olhar em separado para questões de raça e questões de classe tá historicamente a gente tem as pessoas negras né relegadas aí há uma posição ainda mais difícil né do ponto de vista socioeconômico Mas isso não quer dizer que a gente não tem mulheres brancas pobres também né é mais a pobreza recai mais sobre as mulheres negras mas não é uma exclusividade das mulheres negras Então são questões que
é melhor olhar de modo separado agora quem sendo branca ou negra né que são as que são a maioria das mulheres que tem menos recursos econômicos para sobreviver isso com certeza a gente vai ter as tarefas de cuidado né recaindo de uma maneira muito diferente sobre essas mulheres que tem menos recursos para sobreviver pensando aqui ainda né nas questões que a gente vem pesquisas e no consultório né impactando a saúde mental das mulheres eu diria que a insegurança alimentar a falta de perspectivas econômicas o cuidado com a família de modo geral né e o cuidado
com os homens a violência né violência de gênero mas também a violência sexual mas também a violência racista mas também a violência vai ter vômito elas vão aparecendo aí de modo importante articulada com as questões de Sofrimento mental que a gente que a gente vê nas pesquisas e também situações de consultório né então eu diria que a situação né das mulheres por conta dessa demanda diferencial que se faz para as mulheres em relação ao cuidado é uma das várias questões né que emergem aí relacionadas à saúde mental Ela não é uma questão pouco importante ela
é bastante importante porque aí o sofrimento que aumentou para todo mundo né aqui a pesquisa da pns diz que entre 2013 e 2019 né os sintomas depressivos aumentaram e a gente sabe pelos dados globais que durante a pandemia aumentou mais ainda né aumenta para mulher e aumenta para as pessoas com as quais ela exerce uma atividade de cuidado né então é algo meio vai crescendo exponencialmente né essas dificuldades sobretudo durante a pandemia né Eu acho que de fato tantas situações econômicas quanto à restrição em ambiente doméstico quanto essa essa tensão pela adoecimento das pessoas a
falta de recursos para o cuidado a falta de recursos econômicos a violência né que aumentou durante a pandemia a insegurança Econômica que aumentou durante a pandemia né a gente tem um grande aumento aí das questões que impactam a saúde mental e a violência sexual também né porque a gente sabe que a violência sexual ela se dá bastante em âmbito doméstico ela não é algo que se dá fora de casa e os dados da semana passada né do Fórum Brasileiro de Segurança Pública vai nos chamando atenção de como essa violência sexual também ela é sobretudo uma
violência contra crianças e adolescentes mais uma questão que recai aí sobre as mulheres adultas né claro impacta enormemente a vida da pessoa que foi alvo direto da violência mas impacta também né a das pessoas que estão com a tarefa do cuidado a gente tinha até colocado aqui uma hipótese de que esse esforço de conciliação né das mulheres sobre as diversas da lentes da intersexualidade né então o impactando mulheres de maneiras diferentes é mas essa conciliação né das múltiplas jornadas com essa produtividade exigida pelo capitalismo poderiam ser esse epicentro da crise de saúde mental das mulheres
mas não é só isso né Tem uma coisa mais multifatorial na sua visão eu acho que precisa de precisa de mais dados do que o que vocês trouxeram né e de dados desagregados para a gente olhar para isso né Porque sim essas múltiplas jornadas né Essa exigência de produtividade essa atribuição da tarefa de cuidado para as mulheres ela explica uma parte né mas as questões de violência e de violência sexual sobre tudo né que atinge majoritariamente as mulheres em diferentes fases da vida e que tem impactos muito grandes né repercussões muito importantes né ao longo
da vida das pessoas não pode ser desprezada sabe eu acho que a gente tem várias várias questões aí não dá para colocar tudo todas as fichas aí na questão do trabalho e do trabalho doméstico e desse esforço de conciliação claro isso torna a vida das mulheres muito mais cheia muito mais interessante né mas a gente Além disso tem outros fatores né Eu acho que a questão da violência aí é algo muito importante né pensando também naqueles dados que dizem que as mulheres produzem maiores força para se formar para se colocar no mercado de trabalho e
elas acabam trabalhando mais horas juntando né Essas várias jornadas né mas elas também recebem menores salários né Eu acho que tem tem isso do econômico mas também tem aquilo que a gente não conseguiu controlar ainda né que também causa os menores salários que também causa a maior jornada mas que também causa violência não dá para desprezar violência e você falou professora que essa violência pode ter impactos aí ao longo da vida né como é que é esse Impacto de uma pessoa que sofreu né violência sobre toda violência sexual na saúde mental assim como é que
fica esse Impacto Então deixa eu pegar aqui minha colinha de ontem que facilita um pouco né porque o próprio relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública disse que é pensando na violência sexual né é que os efeitos mais imediatos né é a gravidez desejada lesões físicas ou possibilidade de infecções sexualmente transmissíveis mas que a gente vai ter ao longo da vida transtorno de estresse pós-traumático depressão transtornos alimentares ansiedade distúrbio sexual a maior é o abuso de álcool e de outras substâncias um comprometimento da satisfação com a vida com o corpo com atividade sexual com relacionamentos
interpessoais um maior risco de suicídio também né Para as outras violências né a gente pode ter algumas alguns desses elementos né resposta automática depressão ansiedade também atuando né E tudo que depressão e ansiedade traz por isso eu não acho nada nada desprezível né os efeitos da violência além de tudo isso que é a organização Econômica né com a atribuição da tarefa de cuidado para as mulheres combinado assim nessas nesses fatores Aí sim e que podem atuar de modo Diferentes né na vida das diferentes mulheres porque para as mulheres negras né a gente teria que pensar
aí também a questão do racismo também como racismo sobre as várias formas de violência sobre a inserção no mercado de trabalho sobre a possibilidade né da Constituição de uma família com mais divisão de tarefas ou não e quando a gente olha para essa lente também pensando em pessoas LGBT também a gente também tem diferenças ainda dessa violência desse Impacto tem e a gente aí entra Aquele momento em que a gente não tem dados a gente tem pesquisas né pontuais que vão sendo realizadas e que vão nos trazendo algumas informações né para mulheres lésbicas né a
gente tem a invisibilidade dessas mulheres né socialmente a invisibilidade da violência que ela sofre né porque essa violência ela se dá majoritariamente em relações interpessoais Então são relações dentro da família são relações na vizinhança no trabalho um ambiente de estudo né e que são tanto mal mais difíceis de denunciar quanto elas são mais cotidianas se você tem uma maior ocorrência né relato aí de violência para as pessoas do sexo masculino né que se dá na rua que se dá por desconhecidos né para as mulheres lésbicas e bissexuais e tem esse caráter que é mais das
relações interpessoais portanto mais cotidiano portanto mais difícil de denunciar para as mulheres bissexuais a gente tem uma pesquisa aí eu não vou ter aqui agora de pronto para passar mas eu posso passar referência na pesquisa internacional que não chama bastante atenção de que os índices de violência contra mulheres bissexuais são maiores do que para mulheres heterossexuais e para mulheres lésbicas a violência sexual ela é muito mais presente com todos aqueles efeitos né que a gente disse para mulheres bissexuais do que para mulheres lésbicas e para mulheres heterossexuais e tudo isso é também né é bem
importante e muito invisibilizado porque tem todo uma invisibilização muito específica uma negação da existência né É mesmo né da bissexualidade com as lésbicas a gente não tem uma negação da existência a gente tem uma invisibilização social das mulheres mas não se nega que existem lésbicas com relação a bissexualidade a gente tem uma negação da existência e tem uma sobre exposição as situações de violência dessas mulheres né É como se dizer que alguém é bissexual dissesse que essa mulher é automaticamente moralmente condenada né O que vai nos remeter aquela moral dupla né da mulher direita mulher
para casar e a outra né então é como se auto mulheres bissexuais fossem alocadas a esse lugar e consequentemente desumanizadas né O que O que explica esse esse aumento da violência e com relação às pessoas trans E aí eu não diria só as mulheres né diria as mulheres e os homens trans a gente tem os dados de violência a respeito de violência eles são absolutamente maiores né se para LGBT pegando dados das pesquisas de paradas porque brasileiras da década passada porque eles são bem consistentes 10 lgbts que estavam nas paradas um terço deles né cerca
de três já havia passado por alguma situação de agressão onde a discriminação ao longo da vida por conta de sua orientação sexual né quando a gente vai olhar para as pessoas TRANS e subir para 90% 90 90 e pouco por cento né é como se fosse praticamente impossível viver uma vida sendo uma pessoa trans sem passar por situações de discriminação de violência né a gente tem dados de pesquisa que vão mostrando para a gente que essa violência foi subindo paulatinamente ao longo da última década tá E também a gente tem pesquisas realizadas perto daquele período
eleitoral de 2018 que nos diziam de uma agudização né então se você tinha um percentual de 30 e poucos por cento eu tô passando dado errado gente era um texto Eu acho que eu tô não sei se é um terço se é três partes eu já tô confundindo as proporções mas se você tem uma proporção que foi identificada ao longo da vida nas pesquisas de parada quando chega no período eleitoral Você tem uma proporção maior e focada só naquele período e a gente sabe de tudo que aconteceu depois a gente sabe que houve uma incitação
a lgbtifobia uma estação a partir de autoridades públicas né então no cotidiano a gente conversa com as pessoas e as pessoas dizem não tava tudo tranquilo lá em casa meus pais já tava aceitando e depois disso não depois disso eles acharam que houve um reforço né para não houve um reforço para intolerância e um reforço por uma figura de autoridade né portanto é muito grave que a gente não tenha dados com relação à vida profissional já que a gente tava né Vamos fazer um paralelo aqui é para mulheres lésbicas e bissexuais as pesquisas iam mostrando
que isso se comporta de modo muito parecido que para as outras mulheres tá agora para as pessoas trans não há uma diferença muito importante tanto na inserção em contextos educacionais que eu acho que já mudou bastante nesse período que nos separa ali é de 2005 2006 2007 quando foram feitas essas pesquisas porque a inserção né a possibilidade de inserção do nome social e agora a possibilidade de alteração de pronome fazem muita diferença nisso né e a gente hoje começa a ter mesmo né políticas de ação afirmativa em alguns espaços para inserção de pessoas trans nos
Espaços educacionais claro que a gente ainda não tem avaliação do impacto do que foram é esses anos de discurso lgbtfobico e transfóbico acontecendo né então ao mesmo tempo que a gente tinha uma política sendo desenvolvida aí para inserção dessas pessoas né nos ambientes educacionais a gente também tinha de outro lado uma política que partia do executivo mas também do Legislativo com uma série de projetos de lei muitos projetos de lei mesmo querendo retroagir direitos impedir que se desse soluções locais a questões como o uso do banheiro por exemplo querendo impedir que as pessoas trans pudessem
alterar o seu nome de acordo com que foi previsto né pelo STF tem uma série de questões aí contra políticas que foram que foram sendo implementadas no período e que a gente ainda não sabe né o efeito disso para essas para essas pessoas né que sim vai incidir sobre a possibilidade de acesso a escolarização em trabalho e tudo isso no final das contas vai ter um impacto sobre a saúde mental né porque a gente pensa que a saúde mental tem a ver com toda a integridade da vida né então assim tudo isso vai ter vai
ter esse esse Impacto lá na frente Eu acho que o Conselho Federal de Psicologia fez três normativas né para orientar os psicólogos né uma primeira pensando nas pessoas gays lésbicas mais diretamente a segunda para as pessoas TRANS e reconhecendo aí que tem questões importantes para a saúde mental de pessoas trans né porque muitas vezes também e eu acho que isso é algo que a gente precisa falar quando fala de saúde mental de pessoas trans é que o cuidado em Saúde Mental né a terapia ela ficou também para as pessoas trans muito ligada a questão da
transição acompanhada por profissionais de saúde porque ela eram pré-requisito né Você precisava do laudo e você precisava de um tempo de acompanhamento para fazer para que outros profissionais pudessem entrar né orientando ou produzindo outras mudanças corporais então para muitas pessoas trans o cuidado em Saúde Mental ficou meio que como algo que está pré-estabelecido e como um pré-requisito isso desloca um pouco né O que seria isso que qualquer pessoa se tem e que aí a gente percebe que acaba sendo um privilégio de poder e é um profissional de saúde mental para tratar das suas questões integralmente
né E por livre espontânea vontade né não porque tem ali algo dizendo que você porque é uma pessoa trans precisa necessariamente passar por esse procedimentos e o conselho também fez uma narrativa especial é pensando nas pessoas bissexuais já considerando esses dados né internacionais que vão falando aí de uma incidência diferenciada de violência né dessa invisibilização né dessa impossibilidade de pensar um futuro feliz e viável porque na medida em que você não né você diz ah não bissexualidade não existe bom se não existe como é que eu vou ter modelos para pensar minha vida como uma
vida feliz e viável acho que para pessoas LGBT pensando né nas pessoas lésbicas bissexuais e trans é um pouco por aí assim né E como a gente falou de violência é impossível não falar aqui né esse fantasma que ronda os homens transa em torno da violência especialmente da violência sexual e das mulheres lésbicas também sexuais também essa ideia de um estupro coletivo que também é algo presente é algo que pode funcionar também né como um fantasma né Que medidas pessoas não vão querer acionar uma aproximação sexual uma perspectiva corretiva sexualidade assim e também quanto mais
a gente lembra tem as pesquisas isso é importantíssimo É sobre o aumento das tentativas de correção da orientação sexual e da identidade de gênero Instituto matizes fez uma pesquisa lançou o ano passado né a gente tem uma pesquisa também realizada que tá num livro né do Conselho Federal de Psicologia lançado antes da pandemia que é tentativas de aniquilamento da subjetividades né E que traz Várias Vários depoimentos né de pessoas que passaram por essas tentativas que não se dão só no âmbito da igreja se dão no âmbito das famílias né se não no âmbito de atividades
sociais de grupos religiosos ou mais espiritualizados ou até de atividades físicas assim tem relato de gente que faz meditação e yoga e também tenta corrigir sexualidade das pessoas tudo isso se tornou muito mais grave na medida em que a gente tem um desmonte das políticas de saúde mental no país né Então as políticas de saúde mental que começam a ser desmontadas ali no final do Governo da Dilma isso se agrava muito né no governo temer e se agrava mais ainda né ao longo do governo bolsonaro a gente tem uma política de reforma psiquiátrica que com
o estabelecimento dos escapes e já da rede de atenção psicossocial né que vai aos poucos sendo desmontada com novamente né recursos para hospitais psiquiátricos para coisas como terapias envolvendo Eletro com vosso terapia né e com as comunidades terapêuticas que quando a gente ouve o Conselho Federal de Psicologia falando né eles dizem não são nem terapêuticas né nem estabelecimentos de saúde né com denúncias importantes que de que são lugares em que as pessoas têm uma vida religiosa intensa e trabalhos forçados como terapêutica né mas para além dessa dessa questão direta das Comunidades terapêuticas essas tentativas de
conversão da sexualidade com danos Aí sim né Muito importante não é a tua Conselho Federal de Psicologia chama de tentativas de aniquilamento subjetivo né Elas estão muito presentes sim tem algo que eu queria dizer ainda sobre essa questão das várias relações sociais de poder e como elas incidem sobre a subjetividade a constituição subjetiva das pessoas né E como isso pode desencadear Sofrimentos vou partir aqui da psicanálise que é a minha a minha área de atuação né e de uma articulação aí pensando as questões das diferenças e desigualdades sociais né a gente sabe que quando as
pessoas nascem elas ainda não tem é um ego constituído né Então a primeira coisa é que as pessoas têm funções né bebezinho tem pulsões ele ainda não tem um ego desenvolvido aí aos poucos ele vai desenvolvendo esse ego né E mais tarde vai se desenvolver o super ego né e o que que é o super-herói o superego são aquelas orientações que a sociedade nos dá Quais são os ideais que a gente tem que atingir na vida tá E esse super ego ele tá todo atravessado por essas relações sociais de poder daí assim quando a gente
tem atribuição do cuidado quando a gente tem aquelas orientações não se esforça estuda você vai conseguir superar né essa ideia então de que você vai esperar você vai cuidar né que estão é tão forte para as mulheres não você vai encontrar um parceiro né ou parceira essa essa questão do lugar que o amor né ocupa na vida das pessoas a questão racial né o ideal social é de que as pessoas sejam brancas né como é possível ser uma pessoa negra como é possível ser uma mulher negra numa sociedade que vai dizer que você tem que
ser branco que o sucesso é branco que a racionalidade é branca que a beleza é branca né a mesma coisa para pessoas lésbicas ou bis ou trans né o ideal é o ideal heterossexual né a gente conta os momentos da vida né Por uma história que tem a ver com as ocorrências preconizadas socialmente para a vida afetiva sexual de pessoas sexuais as pessoas trans ficam quase como que uma impossibilidade longe Então como é que você se constitui socialmente com tantas pressões sociais encontrarem possibilidades de poder se afirmar como um sujeito né Negra lésbica bissexual trans
né Sem contar todas essas questões né do Sucesso econômico de essa ideia meritocrática né de que você vai conseguir contra todas as estruturas sociais e você vai conseguir superação né então um pouco dizendo né como é que essas estruturas sociais de poder também vão conformando subjetividade e sofrimento social assim de um jeito bem resumido não sei se ajuda com certeza ajuda sim e aí assim né encaminhando para aquele papo que a gente estava ali falando um pouco né de como que isso é como que as pessoas cuidam né como que as pessoas lidam com esse
sofrimento como elas cuidam da própria saúde mental né hoje a gente tem uma estrutura de cuidado mas essa estrutura de cuidado como política pública não dá conta né disso mais assim hoje né assim e aí como é que como é que são essas saídas utilizadas hoje e o que que a gente precisava melhorar para que mais pessoas tivessem acesso ao cuidado em Saúde Mental essa é uma questão muito séria né porque saúde a gente não dá conta na política pública a gente tem o SUS que é maravilhoso sim é muito importante ter os SUS porque
quando eu era criança ainda não tinha Jesus né e pessoas que não tinham carteira de trabalho registrada não podiam ir a um serviço público de saúde e era muito triste era a gente tentando pegar documento emprestado né para poder ter essa serviço de saúde né algo muito triste mesmo então o SUS ele é muito importante mas ele tem estado longe né de conseguir dar conta das demandas de saúde física tá aí a gente tem a política de saúde mental a política de saúde mental ela passou por um processo de reforma psiquiátrica né O que a
gente tinha antes eram grandes hospitais que eram depósitos de pessoas que eram recusadas socialmente né então Aqueles eram depósitos humanos né a gente tem vários livros falando né dos Absurdos que aconteciam estavam longe de serem lugares de tratamento eles eram lugares de confinamento e de violação de direitos então você tem o início da construção né de uma outra estrutura de saúde mental que nunca chegou a ser capilarizar o suficiente porque sempre houve a pressão de quem tem outros interesses né na saúde mental essa disputa é muito forte né e também no âmbito dos cabos aí
você tem articulação das redes de atenção psicossocial que vão tentando fazer essa articulação com outros serviços dentro do SUS aí você tem alguns Caps de maior complexidade alguns de menor complexidade os Capes de maior complexidade eles nunca chegaram a ser uma quantidade suficiente para substituir as necessidades que os hospitais também não sofriam os hospitais psiquiátricos E aí né por pressão desses setores econômicos e tem esses interesses no modelo hospital no Centro de Saúde Mental a gente tem naquele momento de maior vulnerabilidade dos governos né que a gente tem no final do governo Dilma Ela acabou
né colocando ali uma pessoa que tinha esse tipo de interesses na saúde mental e não dá para dizer aí a culpa era de né você tem são setores sociais que estão ali o tempo todo a intenção é a partir dali como eu já tinha dito antes né você começa a ter mudanças legislativas que vão enfraquecendo esse modelo dos da rede de atenção psicossocial né E que começam a fortalecer o modelo de hospital e as comunidades terapêuticas como modelo de cuidar tá lembrando que a comunidade terapêutica não necessariamente de saúde Tá é tá mais próximo onde
um dispositivo manicomial né do que é de um da ideia de um serviço de saúde né então hoje a gente tem grande sofrimento mental inclusive entre os profissionais que trabalham nos serviços de saúde mental e sim a gente precisa investir nessa política de saúde mental uma política de saúde mental que não seja pautada no modelo manicomial num reforço dessas redes de atenção psicossocial numa retomada desses modelos de cuidado em Saúde Mental público que não estejam pautados no modelo de manicômio né que não tenho como sempre a ideia de Patologia né que pensam assim como a
gente está falando aqui né que o sofrimento psíquico ele é também sofrimento social ele é sofrimento psicossocial essa é uma noção muito cara né É para essa pressaposta né num cuidado que não é manicomial quando você fala em reforma psiquiátrica em luta de manicomial a gente está pensando o tempo inteiro que o sofrimento ele é ao mesmo tempo psíquico e social e que não dá para desarticular as duas coisas e portanto a política para melhorar a saúde mental ela também não é só política de saúde mental Então se a gente precisa de uma retomada do
foco nas políticas anti manicomiais né nas redes de atenção psicossocial na articulação no fortalecimento dos Caps e da rapes e de toda a rede né a gente também precisa de políticas econômicas e redestrutivas para enfrentar os problemas de saúde mental de políticas anti-racistas de políticas de segurança que não sejam só baseadas que também por exemplo consigam dar conta de algo que a gente não deu até hoje que é das pessoas não notificar em situações de violência por medo da revitização na denúncia isso acontece com racismo isso acontece com a violência sexual isso acontece com o
feminicídio né a gente precisa de uma política de segurança que cuide das pessoas né que não esteja nesse foco da punição da ideia de que a o criminoso né E esse criminoso a gente sabe que muitas vezes ele é olhado como ele estiver como se ele estivesse por classe sexo idade né eu não falei de idade até agora mas também né nos dados aqui a gente nos dados sobre nos dados desagregados que vocês apresentaram sobre saúde mental também tem algo muito importante né com relação a juventude a gente precisa de políticas de educação né porque
porque a política de educação ela é capaz de ao longo do tempo né incidindo sobre as desigualdades de gênero ela é capaz de ao longo do tempo incidindo sobre as desigualdades raciais sobre a lgbtifobia né E sobre outras desigualdades sociais ela também é capaz de fazer com que crianças e adolescentes reconheçam que a violência sexual por exemplo né e possam estar mais Preparadas para reconhecer e para procurar ajuda né e a gente sabe que as políticas de educação foram duramente né atacadas durante o período de governo bolsonaro né a gente sabe o que foi aquele
factóide da ideologia de gênero como isso incidiu numa desvalorização das escolas e dos profissionais de educação como isso colocou as famílias de carinhoso né aquelas diversas que a gente tem muitas vezes com medo do espaço da escola né E que tudo isso tinha um objetivo Claro de uma regimentação política de um aumento de um setor conservador mas com efeitos muito danosos aí sobre um instrumento que o relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública lançado na semana passada traz como muito estratégico para enfrentar situações de violência né E aí eles falam na violência sexual mas assim
todas essas estruturas de poder né se elas podem ser transformadas ao longo do tempo a educação e a escola é um espaço estratégico para isso as políticas de saúde as políticas de saúde mental Claro mas políticas de saúde também né porque é uma política de saúde ineficaz vai aumentar o peso dessa tarefa de cuidado que recai sobre as mulheres então políticas de saúde eficazes elas também vão aliviar um pouco nessa situação das mulheres políticas de Cultura também né É porque as políticas de Cultura elas são elas agem de modo bastante complementar aí críticas de que
elas podem trazer reconhecimento de situações de violência elas podem trazer mudanças né podem ir promovendo mudanças significativas né na visão de mundo das pessoas e naquele lembra que eu falei para vocês né de que superego depende de um ideal social que é colocado né então políticas de educação e políticas de Cultura elas podem e produzindo paulatinamente né algumas mudanças nesse ideal social que se coloca para o sujeitos né E aí incidindo sobre racismo machismo lgbtfobia classicismo né adutocentrismo capacitismo as estruturas todas né que a gente vê aí atuando socialmente e que sim né elas incidem
todas junto com as relações sociais né que promovem as desigualdades de gênero e tem a saídas comunitárias né que tem sido feitas a gente viu crescer bastante os coletivos né Eu como psicanalista convivo e vejo vários coletivos de psicanalistas se organizando para fazer clínicas públicas ou projetos sociais sabe que a demanda é muito maior do que a gente pode oferecer com a nossa ação né a gente promove As Nossas ações a gente sabe que é pouquinho né mas a gente sabe que é um enorme esse ano de demandas sabe que a gente nunca vai dar
conta que né que a ideia é que o estado e as políticas públicas são absolutamente necessários e por fim e não menos importante né a produção de dados a gente só pode incidir sobre uma realidade que a gente conhece a gente teve também nesse período da gestão Federal anterior uma desvalorização muito grande via escola sem partido via a questão da ideologia de gênero de um anti intelectualismo muito forte né o nosso senso tá atrasado o nosso senso não tá né não tá funcionando há tempo como é que a gente consegue ter dados sobre qual é
o nosso a nossa realidade no Brasil hoje Se a gente não tem pesquisas oficiais e isso contando que a gente tem dados oficiais já né para questões de classe para questões de raça para questões de gênero para as questões de LGBT a gente ainda não conseguiu chegar nem no nível em que uma pesquisa né a gente teve a pns pela primeira vez a gente teve o sexto em 2010 que colocou aquela questão ficou bastante era meio que experimental colocar né que perguntava se aquele casal era um casal composto por homem ou por mulher na casa
foi um passo importante mas bastante subnotificado claro né aí a PMs em 2019 Colocou também uma pergunta se a pessoa se identificava como hétero ou bissexual né que também é um passo importantíssimo mas também foi a gente vê que os dados são minúsculos depois a gente teve uma pesquisa que foi feito acho que foi folha Havaianas se eu não me engano e que não sendo uma pesquisa oficial parece que as pessoas se sentiram mais à vontade de falar sobre a sua sexualidade e isso nos bota um outro problema aí né Para a gente pensar que
é o quanto as pessoas lgbtqia+ hoje tem receio de dizer que elas são lgbtqia mais uma pesquisa oficial O que dificulta muitas coisas né a gente já não tem a vontade política de conhecer a realidade dessas pessoas agora a gente também tem resistências da população e eu acho que a questão das pessoas LGBT né são questão mais grave da falta de dados mas é tudo muito grave porque a gente não ter o senso realizado em 2020 como ele deveria ter sido feito né a gente tá em 2023 a gente tá enfrentando problemas processo que era
uma coisa que a gente fazia de 10 em 10 anos automaticamente é muito grave é isso quer dizer que a gente tem muita coisa para caminhar né E sempre pensando aí que sofrimento psíquico é sofrimento psicossocial né que você pode ter uma propensão genética para quem né para quem acredita na ideia de que você tem fenômenos psíquicos que tem aí algo de genético nos seus componentes mas é a atualização ambiental digamos assim né é o modo como as pessoas vivem cotidianamente que vai fazer com que esse sofrimento é lerdo esse sofrimento apareça na vida daquelas
pessoas E é disso que a gente tá falando já algo muito sensível e dependente em relação as iniquidades sociais né E para isso é fundamental né Eu acho que a gente teve no período anterior aí uma coisa que a gente chamou no livro que o Isadora Lins França organizamos de disputa em torno de direitos a gente partiu do lugar do que aconteceu com LGBT para pensar o que estava acontecendo politicamente nesse período de crescimento de um conservadorismo da Extrema direita no Brasil e houve uma disputa do Campo dos direitos meio que confundindo a cabeça das
pessoas na direção de que Direito pode ser privilégio a gente precisa retomar a ideia bem cuidada de que aquelas pessoas que estão menos né bem colocadas na vida social é aquelas pessoas que sofrem mais que tem mais dificuldades para poder se alimentar para poder morar para poder viver com saúde física e mental para poder estudar para poder desenvolver plenamente né as suas potencialidades que essas pessoas precisam de um apoio para que elas possam ter as mesmas chances né essa ideia foi fortemente disputada ao longo do último período e é uma tarefa fundamental para recuperar a
Médio prazo é curto prazo a situação tá bem dramática mas assim pelo menos a Médio prazo a gente poder recuperando né a saúde mental das pessoas porque se as políticas públicas elas precisam ser políticas públicas articuladas de múltiplos setores né elas precisam ser políticas transversais né e multi setoriais a gente precisa como base para isso primeiro acabar com essa ideia de que direito é privilégio né recuperar a ideia de equidade e recuperar também os nossos sujeitos de direitos com base na ideia de Equidade porque o que aconteceu no último período foi uma substituição de sujeitos
de direitos que são concretos tá mulheres negras mulheres jovens mulheres quilombolas mulheres do Campo por uma ideia abstrata de a mulher a gente substituiu aquelas crianças né que muitas vezes são provedoras de família né provedoras ou apoiam né provedoras não a provedora não mas muitas vezes são chamadas né ao trabalho infantil pelas necessidades familiares aquelas crianças que são vítimas de violência sexual são vítimas de violência doméstica a gente meio que apagou tudo isso e criou uma criança abstrata né a criança aquela que precisa ser defendida geralmente de questões sexuais né não dizendo que elas não
precisam porque afinal de contas a violência sexual como a gente viu nos dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública é uma violência contra criança e adolescência mas ela acontece em casa né E essas políticas anteriores elas vinham falando de uma família também como uma entidade um sujeito de direitos abstrato então a gente precisa retomar a ideia do sujeito de direitos com base numa noção de promoção da equidade isso é fundamental para a gente conseguir avançar nessas políticas né interligadas e muitos setoriais que precisam ser reconstruídos Obrigada professora acho que vamos encerrar aqui agora que já
demos a nossa hora mas foi ótimo papo muito obrigada pelas duas observações e visões aí acho que esse final foi muito legal da gente falar mesmo assim da importância dessas políticas todas também né quando você foi falando de todas as políticas que eram necessárias para a gente promover ou resgatar essa saúde mental ficava na minha cabeça também essa sua frase da saúde psicossocial né assim da promoção que é sofrimento é psicossocial não é só psíquico né então é isso é uma construção de anos anos né foram décadas de luta do movimento de manicomial né para
construir essa ideia de que sofrimento é psicossocial