Bom dia eu sou Cristina docano e hoje vamos falar de um problema ou de um tema muito pertinente que é a resistência das bactérias aos antimicrobianos para além de focarmos o problema ou os os mecanismos de resistência aos vários fármacos convém também dar ou lançar vos um Panorama geral sobre o que é que é esta existência hoje em dia eh este problema é um problema Global não é um problema local nem nacional é um problema a nível mundial de tal maneira que a Organização Mundial de Saúde há uns anos atrás emitiu uma lista das principais
ameaças à saúde ameaças globais e um dos pontos dessa um dos pontos dessa lista é precisamente a resistência aos antimicrobianos e este problema é tão grave portanto a Organização Mundial de Saúde ao incluir estes problemas nesta lista implica que os vários países ou que todos os países necessitam de implementar medidas que tentem combater ou controlar estas ameaças na na na resistência aos antimicrobianos estima-se que pelo ano de 2050 portanto a cerca de 25 anos de daqui de agora portanto daqui para a frente portanto no intervalo de 25 anos esta resistência aumente grandemente e que igual
aquilo que é a mortalidade e por doenças como o cancro enquanto nos dias de hoje a mortalidade pelo cancro é muito superior à mortalidade causada por infeções que são resistentes aos fármacos tradicionais ou ou ou mesmo a outros que são fármacos pouco pouco utilizados daqui a 50 anos é estimado que essa mortalidade aumente até igualar a mortalidade associada às neoplasias portanto uma dimensão verdadeiramente grandiosa deste problema e quando falamos de antibióticos lembramos da penicilina como sendo o primeiro antibiótico de facto não foi antes dele já havia a salvar sã que era um antibiótico usado para
o tratamento de sífilis no entanto a penicilina foi aquele que eh teve um impacto maior no desenvolvimento de todo estes fármacos antibacterianos Ou pelo menos foi o primeiro a ser produzido em larga escala e a ser utilizado em larga escala de tal maneira que se considera que e na primeira guerra na segunda guerra mundial desculpem na segunda guerra mundial h a penicilina salvou muitas mortes porque tratou muitas feridas de guerra e a descoberta da penicilina aconteceu quase que por acaso não sei se conhecem a história mas eu vou contar a a penicilina é produzida por
um fungo que é um fungo do género penicillium e Aconteceu uma situação em que o Alexander Fleming numa placa de estafilococos alos que estava que tinha deixado eh algum tempo alguns dias sobre a bancada observou que eh numa determinada zona da placa havia um crescimento de um fungo e à roda desse fungo ao ao à roda dessa colónia não havia crescimento de microorganismos foi um acaso foi uma placa que se enquin que por este por este fungo no entanto ele observou essa situação estranha dos estafilococos alos não crescer no sítio onde o fungo existia e
foi a partir daí que começou a começou a investigação sobre qual seria o produto que este fungo produziria que inibiria o crescimento dos estafilococos aurios de facto esta descoberta foi Foi iniciada pelo pelo Alexander Fleming no entanto foram outros dois investigadores que conseguiram a purificação da molécula e a sua produção em larga escala que foram o Howard florey e o Ernest chane e os três Portanto o Fleming e estes dois investigadores recebem o Prémio Nobel da medicina em 1945 e ao longo dos anos outros prémios Nobel têm sido atribuídos a investigadores a médicos a cientistas
que descobriram capazes de atuar no tratamento destas infeções bacterianas mas os antibióticos ou as substâncias com propriedades antibacterianas são conhecidas desde a antiguidade existem produtos naturais com propriedades antibacterianas por exemplo nesta imagem está uma uma fotografia de uns solos vermelhos da Jordânia que têm propriedades antibacterianas eh portanto curativas de infecções cutâneas portanto os as moléculas ou as substâncias com estas propriedades são conhecidas Desde a antiguidade e esta era em que se utilizavam estas substâncias naturais conhe conhecemo pela era pré antibiótica a produção de moléculas específicas para esta infecção Isso é que é a fase ou
a época a antibiótica e é nessa que nos vamos centrar e o que é que pretendemos de uma molécula antibiótica o a situação ideal seria conseguir um fármaco que atingisse apenas aquele microrganismo que estaria a causar infecção e não atuasse em nenh em nenhum dos outros microorganismos que colonizam o nosso corpo em que não prejudicasse nenhuma umas células do nosso corpo que não tivesse efeitos secundários e que tivesse uma afinidade apenas para o microrganismo infectante no fundo esta era a definição que Paul elrich definiu que seria o objetivo do antibiótico ideal portanto e eh uma
bala mágica uma bala no sentido de uma uma arma tão perfeita que atingisse o al apenas e que não atingisse mais nada circundante essa capacidade ou essa molécula tão perfeita não existe e os antibióticos tê efeitos acessórios para lá daquele efeito que é a sua indicação terapeutica e são esses efeitos acessórios que obrig a que conheçamos muito bem ascas dos antibióticos para podermos saber prescrever E é isso que vamos falar ao longo da aula e quando falamos de antibióticos ou de antimicrobianos não podemos deixar de referir o enorme valor que estes fármacos tiveram na redução
da taxa de mortalidade por doença infecciosa portanto nessa redução ao longo dos anos e reparem como eh por exemplo nestes quadros a evolução da mortalidade como quando comparamos as primeiras décadas do do século passado com o final do século passado com viragem do miléo como as taxas de mortalidade diminuíram para doenças tão graves como a febre reumática abinit endocard abcesso pulmonar aborto cético que eram de facto doenças com uma enorme mortalidade no passado e não é só esta mortalidade em população adulta a mortalidade infantil também reduziu muitíssimo por efeito dos antibióticos Claro que não É
só pelo efeito não é só por um fator que esta estas taxas reduzem nesta proporção tão elevada há outros fatores até nomeadamente as vacinas as melhores condições de vida as melhores condições dos próprios hospitais Mas e a o o facto de haverem antimicrobianos para estas doenças infecciosas foi um tem sido um fator importante na redução da mortalidade ao longo dos anos ao longo dos tempos tendo os antibióticos trazido tanta melhoria à saúde pública naturalmente ao longo dos anos foram surgindo uma série de novos fármacos que a Indústria Farmacêutica foi desenvolvendo essa investimento foi muito grande
nas primeiros 20 anos a seguir a à à à introdução da penicilina depois houve ali um período de alguma estagnação sem novos fármacos no mercado mas depois Pois por altura da viragem do do Milénio surgiram também uma série de novos fármacos mas o que é muitíssimo curioso é que sempre que o antibiótico é introduzido no mercado ao fim de alguns anos e esse tempo pode ser curto ao longo de não se Sabendo porquê mas ao fim de alguns anos as bactérias começam a adquirir resistência a esse fármaco portanto bactérias que inicialmente eram sensíveis ao fármaco
que portanto eram inibidas por esse o seu crescimento era inibido ou ou ou parado mesmo por esse fármaco essas bactérias começam a não responder da mesma maneira ao fármaco portanto a conseguir multiplicar-se na presença do fármaco e esse período esse tempo que demora a surgir essa Resistência é muito variável pode ser poucos anos ou muitos anos varia de bactéria para bactéria varia dependendo do antibiótico do par bactéria antibiótico não é igual para todas as bactérias não é igual para todos os antibióticos e essa proporção de essa proporção essa proliferação dos Clones resistentes também não é
igual em todo o mundo portanto não sofremos todos portanto todos os países sofrem do mesmo problema mas a dimensão desse problema não é igual em todos os países portanto ela tem magnitudes diferentes e o que é que nós vemos neste exemplo aqui assim espelhado é que ao longo do tempo que é o que está representado na linha vermelha são as décadas ao longo do tempo assim que surge o antibiótico e a criação de novos antibióticos está marcada da parte de cima desta linha ao fim de alguns anos surge resistência a esse antibiótico e tomando como
exemplos a penicilina ou vancomicina o que é que nós podemos perceber enquanto na penicilina a penicilina é introduzida no mercado de uma forma eh com uma produção industrial Por volta do início de 1940 1941 1942 aquilo que se verificou é que em 1945 já existia resistência à penicilina portanto em 4 anos 4 C em 3 A 4 anos surgiu resistência à penicilina no estafilococos olos que era o principal alvo da penicilina mas se pensarmos noutro exemplo que é o que está azul que é a vancomicina a vancomicina as primeiras estirpes resistentes à vancomicina surgiram décadas
depois da introdução do fármaco no mercado Portanto o fármaco é introduzido por volta de 1955 eh 60 portanto em 55 e 60 e só surgem resistências já perto dos anos 90 portanto são quase 30 anos são 25 30 anos depois portanto isto para terem uma noção que o período que leva a desenvolver as resistências é variável eh e nós nunca percebemos nunca poderemos antecipar quando é que isso vai acontecer portanto a partir do momento em que um fármaco é introduzido nós sabemos que a resistência surgirá não sabemos será uma um surgimento que acontece um ano
depois ou 10 anos depois portanto é sempre um futuro previsível Mas não sabemos A que distância e como é que nós sabemos que a resistência aos antimicrobianos depende da da do uso da intensidade do uso de um antimicrobiano por gráficos como este em que eh no eixo do X nós temos a avaliação por país portanto por país está avaliado Qual é o consumo chamemos-lhe o consumo médio de do fármaco da penicilina e no eixo dos y temos a percentagem de estirpes que são resistentes a esse fármaco que é a penicilina e o que é que
nós vemos vemos que estas linhas de de tendência mostram que quando os ou mostram que os países que têm mais resistência à penicilina são aqueles que têm um consumo maior de penicilina estão aqui vários países Portugal está ali assim marcado pela seta cor de laranja e podem ver que nós temos uma taxa elevada de resistência à penicilina no trep cocos pneumonia portanto aqui avaliado numa bactéria específica e podem ver que somos o terceiro país o terceiro pior país da União da União Europeia só ultrapassados pela Espanha e por França portanto de facto existe uma relação
direta entre a quantidade de antibiótico a que estamos sujeitos e o desenvolvimento de resistências e isso é preocupante mas ao conhecermos esta situação também sabemos que se se reduzirmos o consumo também reduzimos a taxa de resistências e portanto toda a a educação médica é baseada neste facto e pretende que o a prescrição do antimicrobiano seja racional seja aplicada apenas nas situações em que é necessária e que haja uma forma um conhecimento profundo destes fármacos para que se saiba Qual é a via de administração certa Qual é o tempo de duração da prescr Qual é o
tempo em que o doente deve estar a fazer a medicação Qual é o fármaco mais adequado para a doença Qual é o fármaco mais adequado para o local onde a doença se manifesta Portanto tem que haver um conhecimento profundo para que toda esta terapêutica seja otimizada e que este efeito paradoxal seja reduzido como é que nós definimos a resistência a um fármaco para uma bactéria Ela será resistente a um antimicrobiano se esse fármaco não conseguir nem inibir a sua multiplicação nem conseguir provocar uma morte celular à bactéria portanto qualquer destas situações entra no conceito de
resistência portanto estamos a ver que vai haver dois tipos de mecanismos para fármacos portanto ó temos fármacos bactericidas que são aqueles que promovem ou que causam a morte celular da bactéria ou temos fármacos bacteriostáticos que são aqueles em que não há morte celular mas há uma inibição da multiplicação qualquer destas situações é uma resistência os estas estas resistências qualquer uma delas podem acontecer de uma forma natural daquilo que chamamos a resistência natural ou pode ser alg uma coisa que a bactéria não tinha não tinha essa resistência mas adquiriu essa capacidade Então o que é que
será uma resistência natural eu vou-vos dar um exemplo há bactérias que não têm parede T membrana celular mas não têm parede são os micoplasmas e há fármacos antimicrobianos que atuam na parede celular ora estes fármacos que atuam na parede se estão na presença de uma bactéria que não tem parede eles não vão ter qualquer eficácia portanto os os micoplasmas nunca poderão ser tratados com fármacos que tenham o mecanismo de ação de atuação na parede portanto isto é uma resistência natural todo e qualquer micoplasma tem Este mecanismo de resistência natural aos antibióticos que atuam na parede
é uma resistência natural já uma Resistência adquirida é diferente portanto na resistência adquirida determinada proporção a um determinado microrganismo de uma família ou de uma espécie altera o seu código genético ou por uma mutação do seu próprio Genoma ou por ou por aquisição por integração de um fragmento de Genoma no seu de um fragmento de cromossoma no seu no seu Genoma portanto ou mutação ou aquisição Portanto ele altera o seu Genoma e passa a ser resistente a um fármaco ou uma classe de fármacos e anteriormente não tinha essa resistência e toda a su toda todo
aquele clone do qual ele deriva não tinha essa resistência Mas a partir do momento em que ele adquiriu essa resistência todos toda a sua descendência passará a ter essa resistência portanto Isto é a resistência adquirida e é essa que nos preocupa porque é essa que tem vindo a aumentar e é nessa que nós podemos atuar na resistência natural nós não podemos atuar Isso faz parte do código de cada microrganismo e portanto é comum às espécies ou aos gênes nós não podemos atuar nessa resistência natural como vos disse a resistência natural é aquela que existe e
na bactéria faz parte da sua estrutura e aqui estão alguns exemplos eh por exemplo para os aminoglicosídeos e os anaeróbios são naturalmente resistentes aos aminoglicosídeos e porquê Porque um aminoglicosídeo para ser eficaz tem que atuar na no ribossoma e portanto tem que tem que ultrapassar a membrana citoplasmática e esse processo é um processo dependente do oxigénio um anaeróbio não tem capacidade de ter de utilizar esse oxigénio portanto não tem este transporte logo é resistente ao aminoglicosídeo e isto acontece para todos os anaeróbios todo e qualquer anaeróbio portanto é uma questão estrutural da bactéria não há
Como ultrapassar e acontece para todos é uma resistência natural outro exemplo o micoplasma as bactérias do GES micoplasma o exemplo é o micoplasma pneumonia todas elas todos os micoplasmas são resistentes aos betalactâmicos e porquê Porque o betalactâmico atua numa estrutura que está ausente no micoplasma Portanto o Alve é inesistente o antibiótico não tem qualquer ação portanto outro exemplo de resistência natural na resistência adquirida temos Então já uma uma uma uma situação diferente uma bactéria que era sensível adquire determinado gene que lhe confere resistência e esta aquisição e pode ser uma aquisição de um gene exterior
portanto há um fragmento que é inserido na bactéria que ele absorve que ele integra no seu Genoma e passa a ser resistente mas essa resistência também pode ser adida de uma forma diferente pode ser adquirida por mutação ou seja nas sucessivas divisões celulares pode haver uma mutação que confira essa característica de resistência portanto nós sabemos que nas divisões bacterianas Há muitos erros há vários erros alguns erros têm uma tradução outros não têm e nesses erros que têm tradução Alguns podem ser uma tradução numa resistência a um antimicrobiano esta resistência adquirida queera contena por mutação ou
por transferência de genes é uma situação que acontece numa bactéria ou numa população pequena de bactérias Então como é que esta situação adquire a proporção que ela tem quando esta população bacteriana em que existe uma ou outra que são resistentes quando esta população é sujeita ao antibiótico o que é que vai acontecer as bactérias suscetíveis vão todas morrer a bactéria resistente vai sobreviver e depois de se suspender o antibiótico ela está presente no local e vai multiplicar-se e portanto vai ser a predominante E é isto que se chama a pressão seletiva do antibiótico portanto uma
mutação ou uma aquisição de um gene uma só bactéria iria se não houvesse pressão antibiótica iria dar origem a a uma população minoritária dentro de um conjunto maior de bactérias que seriam sensíveis o grande problema é nós sujeitarmos este doente a antibióticos que vão aniquilar as bactérias sensíveis e assim permitir que a bactéria resistente se torne eh maioritária tome vantagem da sua da sua condição de ser resistente ao antibiótico e acaba por ser maioritária portanto colonizar o indivíduo e ele passar a ter muito mais bactérias resistentes do que bactérias sensíveis os mecanismos de resistência seja
resistência natural seja resistência adquirida podem traduzir-se em várias formas de resistência Como estão aqui assim discriminadas neste slide e como depois falaremos mais à frente mas geralmente acabam por cair numa destas nestas destas estratégias que a bactéria adquir para ultrapassar a ação do fármaco uma das formas muito eficazes é a bactéria produzir uma enzima que vai destruir o fármaco que o inibe que inibe a sua ação Esta é uma dos mecanismos mais frequentes e talvez o primeiro que surgiu quando na presença da penicilina foi um destes mecanismos de produção de uma enzima que destrói o
áf mas há muitos outros mas há vários outros mecanismos por exemplo alteração na estrutura da parede ou da membrana da célula bacteriana que impede que o fármaco atinja o seu alvo por exemplo a alteração da parede da bactéria pode impedir que determinado fármaco chegue ao interior da célula para atuar no ribossoma por exemplo ou também estas estratégias de pedir a entrada do fármaco na célula são aquilo que acontece nos biofilmes se bem que neste tipo de resistência por produção de biofilmes há mecanismos múltiplos envolvidos eh eh nesta nesta resistência outra forma de resistência haver enzimas
que com um transporte ativo removem o fármaco do interior para o exterior portanto no fundo diminuem a sua concentração no local onde ele deveria atuar e alteram a sua eficácia outro mecanismo é a modificação do Alf Isto é um tipo de mecanismo muito frequente nesta filococos auros por exemplo em que o fármaco tem uma afinidade por uma determinada proteína e quando a bactéria adquire uma resistência por este tipo de mecanismo aquilo que vai acontecer é que ela adquire a capacidade de produzir uma proteína diferente daquela que é o alvo e para o qual o fármaco
já não tem atividade Portanto o fármaco liga-se a uma proteína inútil que é aquela Para onde para o qual ele tem afinidade e a bactéria continua a produzir uma outra proteína e portanto não sofre a ação do fármaco depois um um mais um mecanismo que é a criação de bypasses ou seja há determinados fármacos que atuam em determinado eh ciclo de produção de uma determinada substância numa via de produção de algum metabolito e inibem essa via ora os microorganismos têm capacidade de criar alternativas a esses bypasses e desculpem de criar bypasses alternativos a esses circuitos
E assim continuarem a produzir os metabolitos em questão Sem a ação sem sofrerem a ação do fármaco e por último e muito complexo esta eh mecanismo de resistência pela produção de biofilmes que falaremos um pouco mais à frente neste exemplo de produção de uma enzima que destrói e o fármaco temos o clássico exemplo dos betalactâmicos se vocês se lembrarem da parede dos grampositivos eh os grampositivos têm uma espessura de parede bastante eh larga bastante intensa graças à produção de peptidoglicano Esse peptidoglicano é constituído por uma série de cadeias em que essas cadeias estão entrecruzadas e
esse cruzamento das cadeias dos dos dos pent péptidos das cadeias é sintetizada por enzimas e essas enzimas chamam-se transpeptidases são elas que PR move aquela estrutura forte e rígida dos Gran positivos do peptidoglicano e estas estas transpeptidases que promovem o cruzamento dos pent péptidos são precisamente o alvo dos fármacos betalactâmicos portanto estas enzimas que promovem esta estrutura tão rígida da parede são são o alvo do fármaco e o primeiro mecanismo de resistência do estafilococos ários as penicilinas foi precisamente produzirem uma enzima que destrói o fármaco que destrói as penicilinas portanto eles produziram penicilinases que destruíam
o fármaco antes de ele atingir antes dele se ligar ao à transpeptidase e portanto inibia H portanto já não havendo essa ligação ao alvo por a droga est destruída a transpeptidase continuaria a produzir a parede e portanto não haveria a morte celular um outro mecanismo de resistência é a limitação da entrada do farmaco na célula por exemplo na pomona erogenos existe Este mecanismo de resistência para os betalactâmicos em que por alteração das purinas os fármacos perdem o acesso ao interior às zonas onde precisam de de atingir as portanto Eles não conseguem ultrapassar aquela membrana externa
para chegarem às pbps que são as penicilin binding proteins Para poderem atuar e exercer a sua ação as bactérias também conseguem fugir ou escapar a ação de um fármaco criando ou rodeando de uma estrutura proteica que impede e o acesso do fármaco à bactéria essa essa estrutura é um biofilme que é uma matriz que envolve os microorganismos e que é composto por proteínas por ácidos nucleicos e dentro desse dentro dessa a estrutura dentro desse biofilme o fármaco não consegue chegar até às bactérias portanto não consegue chegar aos seus alvos por outro lado também as bactérias
acabam por estar protegidas do complemento e de outros fatores solúveis na corrente sanguínea portanto toda o acesso à bactéria está dificultade está dificultado fisicamente por esse biofil mas não é só assim que um biofilme atua estas comunidades em biofilme têm estratégias muito complexas de resistir aos antibióticos e aquilo que principalmente acontece portanto além desta barreira física é que dentro do biofilme as bactérias muito uma grande proporção de bactérias está num estado que cente portanto não está indem divisão ativa não está numa fase metabólica ativa está numa fase metabólica muito eh suspensa portanto quase parada e
isto faz com que os fármacos mesmo que atin uma bactéria acabam por não ter ação porque para atuarem estes fármacos precisam de uns alvos ativos por exemplo se um al se um fármaco que atua na parede celular se não há divisão celular se não há multiplicação celular não há construção de parede Portanto o fármaco Deixa de ser ativo um outro exemplo se o Fá se o fármaco atua na na divisão celular portanto na girase numa numa enzima da divisão do núcleo se não há divisão celular o fármaco é inativo porque o alvo não está a
funcionar Não há nada para inibir se não há síntese proteica os fármacos que atuam na síntese proteica também não t ação portanto dentro de um biofilme quando as comunidades bacterianas estão organizadas em biofilme a ação dos fármacos é muito diminuta ou pelo menos é muito inferior àquela ação que acontece quando as bactérias estão eh suspensas ou tão Livres da sua e não estão presas ou retidas nesta estrutura de biofilme nós encontramos estas estratégias de biofilme em muitíssimas situações mas isto está muito associado à presença de material protésico portanto quando existe material não self catéteres próteses
esses materiais e que não são do indivíduo são o local ideal para iniciar para se iniciar a produção de biofilme portanto as bactérias começam por aderir à superf desses materiais e a partir daí desenvolve-se toda esta estratégia de produção de biofilme que dificulta muitíssimo a ação dos fármacos de tal maneira assim é que em muitas destas infecções nós só conseguimos curá-las com a remoção do material protésico fazer antibióticos sem remoção do material protésico geralmente tem uma taxa de eficácia muito baixa também uma outra estratégia de resistência das bactérias aos fármacos é a produção de bombas
de fluxo que tem a simples função de remover a bactéria do interior da célula posterior impedindo que ela venha assim a atuar ou que ela atue no seu alvo Este mecanismo de ação por modificação do alvo também é relativamente frequente e como é que ele funciona portanto existe uma determinada ação de uma de um determinado passo na na na bactéria que o fármaco vai atuar portanto vai atuar num alvo vai impedir a sua a sua execução vai impedir que ele continue a fazer aquilo que era suposto fazer e o que é que a bactéria como
é que a bactéria consegue ultrapassar essa essa inibição do fármaco ela produz um ou outra um outro alvo com a mesma função do primeiro mas para o qual o fármaco não tem afinidade Então como acaba por acontecer é que o fármaco tem maior afinidade para o alvo inútil e portanto portanto inbio Mas esse não é Apesar esse está inibido da sua função mas existe um outro alvo que a bactéria produz que faz a função do primeiro que está inibido e para esse segundo alvo o fármaco não tem afinidade Este é o mecanismo de resistência muito
comum numa bactéria que vocês já ouviam falar que é o estafilococos ários E é este o mecanismo de resistência que confere resistência à meticilina portanto aquilo que acontece é que a meticilina que é foi um fármaco desenvolvido para ultrapassar aquela resistência que os C filococos aurios conseguiram criar de produzir uma betalactamase portanto a meticilina não é destruída pelas betalactamases e então ela atuava nos te filococos ários portanto conseguia ligar-se aos às Tais penicilin binding proteins que eram aquelas que faziam a o cruzamento das cadeias do peptidoglicano mas ao longo do tempo da utilização deste fármaco
o estafilococos conseguiu criar um alvo diferente uma segunda transpeptidase para o qual o fármaco não tem afinidade e que continua a fazer a síntese da da e o cruzamento do peptidoglicano portanto este novo este novo alvo sintetizado é uma pbp2 o fármaco liga-se exclusivamente à P2 que continua a fazer a função que teria tidda p bp1 e portanto é assim que o sist filococos ários se tornam resistentes à meticilina e é essa a expressão que nós dizemos filococos alos resistentes à meticilina mais uma forma de resistência que é utilizar uma estratégia de bypass para ultrapassar
uma fase de inibição que o fármaco estabelece numa determinada cadeia e na ência dos enterococos fcio à penicilina é isto que acontece este problema das resistências é conhecido desde longa data e desde a descoberta da penicilina que ele acontece logo quro anos depois da penicilina ter sido descoberta Começam a surgir as primeiras estirpes resistentes à p pilina e na e nesta nesta altura o mecanismo de resistência era a produção de uma enzima que destruí a penicilina a Indústria Farmacêutica reage a esta a esta e a esta resistência criando novos antibióticos que são resistentes a estas
penicilinases ou seja antibióticos que não são destruídos pelas penicilinases e estes antibióticos nós chamamos pertem ao grupo da meticilina estes antibióticos começam a ser produzidos em 1960 e um ano depois surge o primeiro a primeira bactéria o primeiro estafilococos resistente a este antibiótico e isto é aquilo que nós hoje Chamamos o estafilococos aos meticilina resistentes que em 10 anos difundem pelo mundo em surtos aparecem em Portugal nos anos 80 e que hoje são um problema grave em vários países do mundo a gravidade da Resistência não é igual em todos os países nem em todas as
zonas do mundo e depende de muitos fatores sendo o principal a forma como nós utilizamos os antibióticos a forma a quantidade que tipo de antibióticos utilizamos falando ainda dos estafilococos aurios e desta evolução de resistências H nesta altura em que Começam a surgir estes Clones meticilina resistentes estas isto significa que estes antibióticos que estes estafilococos não são tratados não podem ser tratados com nenhum antibiótico Beta lactâmico porque esta esta Resistência é extensível a todos os betalactâmicos e nesta altura estes antibióticos estes de filococos começam a ser tratados com vancomicina esta droga começa a ser usada
é uma droga endovenosa e acontece que alguns anos depois do seu uso nós começamos a verificar que UMS determinadas bactérias desta vez do género enterococos começam a apresentar uma resistência à vancomicina através de um gene que é um gene facilmente ível noutras espécies de bactérias nomeadamente nos estafilococos então alguns anos depois da Resistência à vancomicina surgir nos enterococos nós vemo-la aparecer nos estafilococos ela começa primeiro no Japão depois nos Estados Unidos e chega à Europa em 2013 e em que país em Portugal fomos o primeiro país europeu a detetar uma situação eh de resistência do
estafilococos alos medicina resistentes também resistentes à vancomicina isto acontece num doente diabético que teve um pé e um pé infetado com sucessivas infecções em que em determinado momento ele tem numa infecção desse pé da ferida do pé um estafilococos áureos meticilina resistente e um enterococos vancomicina resistente ao fim de algum tempo esse infecção continua e o estafilococos isolado é não só resistente aente ilina como também resistente à vancomicina portanto foi o primeiro caso e penso que único ainda detetado em Portugal e depois de ouvirmos esta história da evolução da Resistência no estafilococos se lermos aquilo
que está neste slide e que fez parte de uma aula de de do Prémio Nobel da Medicina o o Fleming e é curioso observar como é que ele teve tanta eh a tanta visão de como é que seria o futuro e como é que seria a evolução das bactérias em relação aos antimicrobianos portanto em 1945 já ele antecipava que estas fármacos não seriam os fármacos miraculosos que se pensava e que haveria seguramente a probabilidade ou a possibilidade de os microorganismos virem a criar resistências para estes fármacos e de facto assim aconteceu e assim tem vindo
a acontecer como vem a percentagem de de estafilococos resistente à meticilina não é igual em todos em todos os países a Dinamarca tem níveis baixíssimos portanto a maior parte dos estafilococos ários são sensíveis à meticilina e portanto podem ser tratados com vários betalactâmicos mas países como a Índia ou Portugal está no mesmo nível ou como os Estados Unidos Portanto há uma série de países onde a proporção de estafilococos ários que é resistente à meticilina é muito superior e para terem uma noção eh olhando para o mapa da Europa e das várias resistências que são reportadas
nós vemos que há países com taxas elevadíssimas e outras com taxas diferentes e isto vai mudando de país de de resistência para resistência e acontece também que geralmente os países nórdicos têm muito poucas resistências e os países do sul têm muitas resistências salvo uma ou outra exceção em que os países nórdicos poderão ter mais resistências mas são raras e não é só nos estafilococos orrios que nós temos vindo a assistir à evolução das resistências com o aumento das taxas de bactérias que são resistentes a determinadas classes de antibióticos portanto nos exemplos seguintes nos slides seguintes
vocês vão ver vários tipos de eh pares bactéria e respetiva classe de antibióticos para os quais as bactérias têm vindo a adquirir resistências ao longo do tempo e vão reparar que as taxas de resistência são variáveis de país para país e vão perceber que há sempre uma distinção entre o norte e o sul Ger da Europa entre o norte e sul da Europa geralmente com os países do sul da Europa com piores e taxas portanto com maiores taxas de resistência de que os países do norte da Europa isto Regra geral de tal maneira Isto assim
é eh este problema vai acontecendo que a Organização Mundial de Saúde também emitiu há poucos anos a lista das 10 bactérias mais preocupantes e para as quais deve haver uma particular atenção a nível dos governos das instituições de saúde de forma a que haja um controle da disseminação destes Clones em 2017 a Organização Mundial de Saúde emitiu uma lista de patogénicos prioritários portanto não só dos patogénicos Mas também de qual é a resistência que é prioritária em relação a esses patogénicos isto significa que tanto a indústria deve exercer os seus esforça o seu esforço para
investir em novos fármacos em em novas estratégias terapêuticas mas também os próprios governos a nível Nacional devem gerir políticas gerir e gerar políticas de saúde que levem a um investimento nas instituições não só de saúde como de investigação de forma a dar resposta também a estas necessidades e a tentar conter estas estes microorganismos e melhorar a forma de abordagem dos doentes que têm estas infecções há três níveis de gravidade há os patogénicos críticos os de prioridade elevada e prioridade média mas reparem que nos críticos são todos bacilos GR negativos de facto nesta érea das resistências
antibióticas os bacilos GR negativos têm levantado muitas preocupações se no início eram os estafilococos Hoje em dia as nossas maiores preocupações a nível hospitalar são com vacios Gran negativos e resist ências a carbapenemos reparem que todos eles O que é preocupante é a ligação é a resistência aos carbapenemos portanto pelo aquilo que vimos até aqui os antimicrobianos os antibióticos são os são fármacos fundamentais na terapia das doenças infecciosas têm e e têm tido uma importância enorme na redução das taxas de mortalidade na melhoria da qualidade de vida mas eles têm também o esta medalha porque
o seu uso abusivo leva inevitavelmente ao aumento das resistências portanto encontrar o balanço entre a boa prescrição e saber quando não prescrever é fundamental nós não podemos esquecer que quando prescrevemos o antimicrobiano a sua ação faz sentir em todas as células do corpo humano a sua ação faz sentir em todas ou em quase todas as bactérias do nosso corpo humano e quando estamos a h a a atuar com um fármaco numa determinada bactéria ou com um determinado objetivo sobre uma determinada infecção nós estamos também a reduzir toda a nossa Flora saprófita e essa Flora saprófita
é fundamental para a manutenção do nosso equilíbrio é exatamente a pressão seletiva que faz com que passemos a estar colonizados por bactérias com resistências muito mais alarmantes portanto selecionando os bons ficam os mutantes que incapacidade de se multiplicar num ambiente que foi já destrutivo para a nossa Flora eh de bactérias eh selvagens e portanto eu termino com este slide dizendo que nós precisamos das bactérias que nos colonizam nós só devemos utilizar e prescrever os antimicrobianos quando está comprovadamente eh eh explícito na literatura que eles são eficazes e quando os prescrevemos devemos reconhecer devemos conhecer precisamente
Quais são as suas características Quais são as doses quais são todas as situações envolventes da daquela doença para poderos ter a mais correta opção portanto tratar quando necessário não tratar quando isso não tem melhoria e é muito importante conhecer qualquer uma duas destas atuações ter o bom senso de atuar quando é preciso e ter o bom senso de não atuar quando não há prova de que seja eficaz à administração do antibiótico portanto Para o Futuro Espero que consigam fazer as melhores opções e espero que possam contribuir a nível individual e individualmente cada atitude conta para
o grupo para que possam ter uma prescrição Consciente e que conheçam estes problemas para que não contribuam para o seu para o seu agravamento l