Oi, gente! Tudo bem? Então, eu sou a Flav Vespera, tô aqui e hoje a Sara Mago tá aqui com a gente para fazer o oráculo desta semana com as histórias das deusas.
Então, vou colocar o link do grupo de WhatsApp aqui na descrição. Então, vamos lá: essa semana saíram três deusas, como sempre, muito especiais. A primeira é uma queridinha minha, T.
É uma deusa que é até bastante conhecida: Perséfone, também conhecida como Coré. A gente vai falar disso daqui a pouquinho. Perséfone é uma deusa grega, né?
E ela não tem como falar de Perséfone sem falar de Deméter e de Hades, ou Plutão. Deméter tinha uma filha chamada Coré, que vivia de uma forma muito simbiótica com a mãe, em um paraíso, né? Que gargalhava!
Deméter, a deusa dos cereais, por isso Ceres também é o nome, né? E elas eram muito unidas, tanto que na cidade de Eleusis tinha uma religião que era da deusa mãe e da deusa filha, Deméter e Coré. Elas tinham ali uma simbiose, e era como se ela estivesse vivendo naquele mundo paradisíaco, né?
Como uma menina, ali, com tudo bem, sorrindo, correndo pelos campos e, enfim, em paz com sua mãe. Só que, em determinado momento, acontece uma situação que muda isso. Então, o que que acontece?
De um outro lado da história, Hades, ou Plutão, o senhor dos infernos, o deus do submundo, das sombras, de tudo que fica oculto. . .
O inferno na mitologia grega não tem essa conotação católica de sofrimento, de tortura, de nada disso, tá? Era um lugar para onde iam os mortos, era o lugar das sombras, era um lugar de onde não se podia voltar. Enfim, mas não tinha essa ideia de castigo.
Bom, Afrodite, a deusa do amor, queria que Hades se apaixonasse e diz para Eros, seu filho, Cupido, conhecido como Cupido, flechar Hades. Enfim, Coré está lá, como sempre, dançando com suas amigas, cantando, muito feliz naquele paraíso, e Hades, ao caminhar, escuta aquela risada e vai ver do que se trata. E é nesse momento que Eros, com sua flecha, atinge Hades, e ele se apaixona perdidamente por Coré.
Ele tenta falar com Zeus para ver se pode levar Coré e casar-se com ela, mas não é possível. E aí, ele toma a atitude que ele resolve tomar: raptar Coré. Então, Coré era uma menina inocente, vivia ali feliz nos braços da mãe, nunca tinha passado por nada complicado, vivia no mundo da luz, e, de repente, ela é tragada.
Abre-se um buraco no chão, ela é raptada para o inferno e o buraco se fecha. Deméter fica louca com isso e ela sai em busca da filha, tentando descobrir. Enquanto isso, Coré está lá no submundo, no inferno, e fica muito deprimida porque ela não está acostumada com aquilo e porque ela sente falta da mãe e da vida que ela tinha.
Não quer beber nada, não quer comer nada, e existe uma regra que é interessante. Que existe na cultura grega, mas existe também no mundo das fadas, na cultura celta, que é: não se pode comer nem beber nada nesse mundo, senão você não volta dele. E aí, o que acontece?
Ela não quer comer nem beber, e Hades tenta fazer isso para ver se ela fica ali para sempre. E ele deixa, então, que ela vagueie pelos infernos para se acostumar com a nova vida, para conhecer o lugar. E ela vai!
Só que Hades, muito esperto, se transforma — não me lembro se ele se transforma ou se faz alguém ir lá, transformado em um velhinho — e leva para ela romã, e ela, com fome, acaba aceitando comer uma semente da romã. E é o suficiente! Quando ela toma a decisão de comer a semente da romã, teoricamente, nunca mais ela vai poder voltar do mundo das sombras para o mundo da luz e da claridade.
Só que nesse meio tempo, Deméter tá louca, furiosa, correndo atrás da filha por todos os mundos, descobre o que aconteceu e vai até Zeus, o senhor do Olimpo. Enfim, muitas coisas acontecem até que se cria um acordo entre Hades e Deméter, porque Deméter, furiosa e triste com a perda da filha, tinha feito com que todos os cereais da face da Terra murchem. Ela não cuidava mais, não nutria mais energia das plantas e as pessoas começaram a passar fome.
Então, Zeus consegue fazer um acordo entre Hades e Deméter, de que na primavera, Coré voltaria para a mãe e ficaria ali vivendo com a mãe, e depois, no outono, ela se despediria da mãe e voltaria para o inferno. E com isso, criam-se as estações do ano na mitologia grega: a primavera e o verão, quando ela está com a mãe, e depois o outono, quando ela se despede, e o inverno, quando ela está ali mesmo no submundo. Só que o que acontece?
Coré, quando ela passa por esse processo e vai para o inferno, se apropria daquele lugar, descobre ali o seu lugar e se torna rainha e senhora do inferno, junto com seu marido Hades. Ela recebe o nome de Perséfone. Essa história de Perséfone tem uma série de camadas, como toda história mitológica, mas essa mais ainda, né?
E a gente aqui não vai falar de todas elas porque não vai dar tempo, mas ela fala muito de algumas questões que são importantes. Uma delas é como, quando a gente vive no mundo paradisíaco, que é, de repente, até o que o bebê experimenta quando nasce, né? Que tá ali, que ainda não tem muita consciência do mundo.
. . Existe alguma coisa — pode ser um trauma, pode ser uma ruptura, pode ser não sei.
. . — existe alguma coisa, e de repente rompe com esse paraíso e traz a gente, empurra a gente para baixo.
E aí que a gente é convidado ou obrigado a olhar para questões difíceis, para a dor, para o sofrimento, para as nossas sombras. que tá oculto porque tá no inferno, no submundo, né? E aí, é muitas vezes a gente descreve isso até com uma expressão no Brasil, de que tem até a ver com o que acontece com essa história, né?
Que abre um buraco no chão e ela cai. Perdi o chão, fiquei sem chão, né? São situações que nos deixam sem chão e a gente, às vezes, uraca.
Pode ser uma depressão, como ela acaba tendo, pode ser um luto, pode ser só um dar-se conta de coisas que a gente jamais tinha pensado, mas nos leva para um lugar. E, geralmente, isso acontece como um rapto, né? Como um sequestro, como um grande empurrão, como um chão que se abre.
A gente entra ali, ninguém vai sair de uma vida muito feliz, muito tranquila para, "Ah, quero procurar problemas, dor e sofrimento". Geralmente, a gente é levado para isso, para entrar em contato com certas partes nossas, com partes mais sombrias, mais dolorosas, através de algum tipo de rato, né? De buraco que se abre.
A gente cai nele. Então, esse mito de Coré, Perséfone, tem muito a ver também com esses momentos em que a gente é convidado ou forçado a entrar em contato com coisas difíceis, né? Com as sombras, com as coisas que a gente jogou para debaixo do tapete ou que estão escondidas ou que a gente não quer olhar, né?
E como é que a gente lida com isso? Então, Coré se deprime, sofre um luto por essa perda, e isso é natural e faz parte do processo, né? Toda perda, toda dor gera um luto, mas, num segundo momento, ela come a romã, ela decide estar ali de alguma forma e ela se torna rainha do submundo, ganha o nome de Perséfone e se torna a Senhora dos Infernos.
Ela consegue, no Tarô mitológico, por exemplo, ela é a carta da sacerdotisa, que domina a intuição, o que está para dentro, o profundo e muitas outras coisas do feminino. E o que acontece? Ela consegue se apropriar, entrar em contato, viver nesse mundo, encontrar o lugar dela nesse mundo.
Mas, por conta desse acordo dos deuses, ela também volta. Então, ela consegue transitar entre os dois mundos: entre o mundo do dia, da luz, de agir, da vida, de rir, de celebrar e também o mundo de entrar em contato com as sombras, né? Uma coisa interessante é que é só depois que ela entra em contato com as sombras, se separa um pouco da mãe e entra em contato consigo mesma que ela pode se tornar Perséfone, que ela pode se tornar uma mulher e não mais uma menina, independente da mãe, com um caminho próprio e Deusa forte, rainha do submundo, que podia ajudar os outros, né?
Então, isso tem muito a ver tanto com o processo de individuação de qualquer um, de entrar em contato com as sombras, com aquilo que a gente esconde, para ir, sim, a gente integrar, quanto com o do feminino mesmo, né? Mas isso é para um outro vídeo. De um outro lado, esse trânsito de Perséfone entre a luz e as sombras, entre os dois mundos, nos fala muito sobre a necessidade, sim, da gente mergulhar nas sombras, porque a gente só cresce quando a gente consegue olhar para tudo que está também debaixo do tapete, para tudo que a gente não quer olhar, né?
Não adianta olhar só a beleza do mundo, isso vai para um lugar de positividade tóxica que não existe, né? Todas as emoções são importantes. Tem aí agora o filme "Divertidamente" falando disso mais uma vez.
Todas as emoções, T função, são importantes, têm seu lugar, né? As memórias ruins também têm seu lugar, mas, com esse trânsito, ela não fica também só nas sombras, porque ficar só nas sombras é provavelmente ficar numa depressão, é não funcionar no mundo, é não conseguir trazer as coisas pro mundo. E já teve uma deusa na semana passada que falou um pouquinho disso, né?
Então, a importância que existe da gente poder fazer esse movimento de ir às sombras, de buscar o autoconhecimento, de olhar para o que é difícil, mas de também integrar isso com a luz, com a alegria e com vir para o mundo e trazer essa força para construir coisas e para se vertir também, né? Que o processo de crescimento da gente ele passa pelos dois lugares. Ficar só na luz e fingindo que nada de mal existe, uma hora vai estourar, e geralmente estoura no corpo como uma doença, né?
Muitas das vezes. Que aí obriga a pessoa a parar e olhar para dentro. Ou, do outro lado, ficar também só nas sombras acaba levando para ficar preso num trauma ou numa depressão e não conseguir funcionar, né, aqui no mundo.
Então, quem escolheu essa carta seria interessante olhar, né? Em que momento você tá? Tá conseguindo equilibrar, né?
O mergulho, e esse mergulho não precisa ser um rapto. Às vezes acontece com uma situação inevitável da vida, mas o mergulho pode ser acompanhado, né? A terapia tá aí para isso, para que esse mergulho não vire um trambolhão eterno, né?
Em que fase você tá? Tá conseguindo olhar para o que é difícil? Tá conseguindo olhar ali para as questões e trazer sua força e funcionar aqui no mundo ou tá muito na luz, fingindo que nada de mal tá acontecendo?
Ou tá muito o tempo inteiro num autoconhecimento, num trabalho de traumas, isso e aquilo, e não tá conseguindo funcionar aqui no mundo? Que, às vezes, o autoconhecimento, principalmente nas terapias holísticas, né? A gente vê muito isso.
A pessoa faz uma terapia pontual, depois outra, depois outra e fica ali mexendo e abrindo um monte de caixinhas, mas tá fazendo o que com isso? Não sou contra terapia holística, não, vocês sabem que eu sou terapeuta holística, mas a gente tem. .
. Que tomar um cuidado para não entrar num vício terapêutico de abrir caixinhas, de entrar em contato com coisas ou entrar numa catarse ou algo do gênero, e não fazer nada com aquilo, né? Às vezes, mais vale um processo mais lento e contínuo do que um milhão de processos sem sequência.
Então, se você escolheu essa carta, é bom olhar pra sua vida e perceber de que forma o contato com as suas dores, e os seus lados ocultos, o autoconhecimento das suas sombras, está te ajudando a funcionar melhor no mundo. Está te dando mais força, está te amadurecendo ou, se do contrário, está tirando a sua força, está te deprimindo e está te impedindo de seguir em frente. Porque, se esse for o caso, é preciso olhar para isso e cuidar disso, né?
De um outro lado, também quando a gente fala do feminino – e agora vou falar de uma forma muito superficial, porque essa história tem camadas e camadas sobre o feminino – é importante perceber que a gente só se torna realmente mulher quando a gente sai da idealização, sai de uma relação simbiótica com a mãe, sai de uma ideia de conto de fadas. Ela não é sequestrada ou atada por um príncipe; ela é sequestrada pelo senhor dos infernos, né, que a leva para um universo escuro. É o oposto de um conto de fadas, vamos dizer assim.
E aí é que a gente entra em contato com as dores, mas também com a intuição. Perceber que as coisas não são perfeitas, perceber que o mundo não é um conto de fadas, perceber que as pessoas muitas vezes estão tão machucadas que fazem coisas cruéis é importante. A intuição apurada e aguçada também nos protege.
Não é para ter uma visão negativa, enxergar maldade em tudo, e não confiar em mais ninguém, não. Mas é para enxergar que, às vezes, aquela pessoa é uma pessoa machucada ou traumatizada, ou, seja lá o que for. E, ao perceber isso, eu posso tomar meu caminho diferente de alguém extremamente inocente, né, que não enxerga a maldade do mundo e que não escuta sua intuição.
Tá ali protegida e pode ser raptada ou pode ser sequestrada por pessoas que não espera, né? O rapto às vezes é inevitável, mas é importante perceber quando a gente entrou numa relação, ou num trabalho, ou numa situação, e perceber que aquilo não é bom, e achar estratégias para sair. Isso é maturidade.
Nem sempre a gente vai conseguir evitar os tombos ou mesmo os relacionamentos abusivos, mas a gente vai conseguindo perceber cada vez mais rápido o que tem de errado ali e os caminhos, recursos para sair dali, né? Então, quando a gente fala também do feminino, essa inocência demasiada também não é saudável, né? Essa princesa completamente inocente que dorme à espera do beijo para acordar também não é algo saudável, né?
Então, se você escolheu essa carta, as reflexões todas para você, essa semana, têm a ver com isso: com o estudo que foi falado sobre tudo feminino, da inocência, de como você olha para as coisas e para as pessoas. Qual é a ideia que você tem de intuição, ou de ver o negativo nas outras pessoas? E, principalmente, sobre essa questão de entrar em contato com as nossas sombras.
Para que a gente possa estar inteiro, a gente precisa olhar para todos os nossos cantinhos. Ninguém se apropria inteiramente da sua casa; você não olha no sótão e no porão. Você não sabe o que tem em cada canto, não sabe quem mora lá, se tem um bichinho morando lá ou não, né?
Então, para integrar, a gente precisa olhar para as sombras, mas precisa também trazer das dores e das sombras a força para funcionar no mundo, para também ter alegria e para também vir aqui para a luz. Tá bem? Então, essa foi a nossa primeira deusa.
Bom, vou falar mais uma vez: quem puder seguir o canal, compartilhar, curtir, essas coisas me ajudam muito e ajudam também para que apareça para mais pessoas. E, a partir da semana que vem, entrem no link que eu vou deixar aqui na descrição, o link do WhatsApp, que é por lá que eu vou mandar a foto das cartinhas. Vai ser até melhor porque eu vou mandar a foto das cartinhas para vocês escolherem e depois eu vou deixar ali também a foto de cada uma das deusas para vocês olharem com mais calma, as imagens, que aqui no vídeo é muito rápido.
E o vídeo de cada carta separado, assim vocês podem ver todas, se quiserem. Mas podem ver só o vídeo da deusa que vocês escolheram, tá bem? Por favor, comentem, me digam se fez sentido, se não fez, para eu saber se funciona assim para vocês.
E espero vocês lá no grupo do WhatsApp. Um beijo, até!