Atenção, porque começa em instantes a reconstituição da morte da jovem Vitória. Maon Sales dos Santos, de 23 anos, foi apontado como o único responsável pelo assassinato da adolescente de 17 anos. Mas ainda resta uma dúvida.
Será que ele realmente agiu sozinho? Nós vamos conversar com a Fernanda Trigueiro, que tá ao lado do advogado da família de Vitória. Fernandinha, bom dia novamente, mas bem-vinda ao nosso programa.
você tá do lado aí de um uma pessoa fantástica aí que é um grande advogado, que tá fazendo um trabalho maravilhoso, fazendo um trabalho maravilhoso e eu acho que ele pensa da mesma forma que eu. Eu acredito que esse canalha tenha eh outros aí comparsas nesse crime. Ele não teria agido sozinho.
Eu acredito que ele pensa da mesma forma e ele tá tentando segurar a bronca ali sozinho, mas ele contou com ajuda sim uma ou de mais outras duas pessoas para poder cometer um crime tão cruel e tão covarde como esse, viu, Fernandinha? É, Marcão, e a reconstituição de hoje tá marcada para começar. Daqui a pouco 10 horas da manhã, inclusive equipes já apostos, viu, Marcão?
Guarda Civil Municipal aqui de Cajamar, Canil, Grupo de Operações especiais da Polícia Civil já estão aqui em frente à delegacia e a qualquer momento essa reconstituição pode começar. O início será no shopping, local onde Vitória trabalhava e do local onde ela saiu. E aí esse passo a passo pode trazer essa e muitas outras respostas que ainda estão em aberta nessa história.
Vou conversar agora com o Dr Fábio Costa, advogado da família de Vitória. Doutor, essa reconstituição, ela é mesmo uma pressão da família, do senhor e também dos seus assistentes, porque a polícia não queria fazer, né? já tinha fechado, já tinha dado o caso como encerrado, como Michael sendo o principal e único suspeito.
É isso. Bom dia. Bom dia, Fernanda.
Bom dia, Marcão. Na realidade, é uma pressão. Eu não considero uma pressão, é um direito da família.
A família tem o direito de saber o que aconteceu com a Vitória desde o dia que ela sai do shopping às 22 horas até no momento que ela foi encontrada, morta numa região de mata naquela situação, né? Então isso e no primeiro momento a autoridade policial disse que não iria fazer a reconstituição porque acreditava que o Maico teria agido sozinho, que o caso estava praticamente encerrado. Foi nesse momento que o min surgi e disse: "Nós queremos a reconstituição".
É lógico, é uma discricionariedade, é uma faculdade. O delegado é quem decide se vai fazer ou não a reconstituição. Mas eu disse a ele que naquele momento eu estava fazendo um pedido informal para ele e eu gostaria muito que ele atendesse esse meu pedido, mas que se não fosse atendido, eu faria judicialmente o pedido para que a reconstituição do crime, a reprodução simulada dos fatos, ela acontecesse.
Por qual motivo, Marcão? Porque ninguém acredita que esse rapaz agiu sozinho. Ninguém.
Ele conta com a participação de uma outra pessoa, sim, em algum momento. Ou no momento que ela foi arrebatada, ou no momento que ela ficou num cativeiro, no momento que ela foi morta, ou ele contou com a participação de alguém para poder levar esse corpo até aquela região de mata. E essa reprodução simulada dos fatos que nós chamamos de reconstituição do crime é importantíssima, porque vai determinar que em algum momento a pessoa que vai se passar pelo Michael, o figurante que vai se passar pelo Michael, eles vão conseguir identificar que ele não agiu sozinho e que ele contou sim com a colaboração de uma ou mais pessoas.
O senhor avalia que é uma perda o Michael não participa hoje, doutor? Eu considero, eu considero, eu considero essa uma reconstituição sem a presença do Mike, eu acho era prejudicada, não acho inóqua, não acho que não deveria eh se fazer sem a presença dele. Não, não é isso.
Ele é uma peça fundamental e faltando uma peça fundamental num caso como esse, acaba prejudicando um pouco a situação. Mas a polícia tem, isso é um direito dele, tá, Marcão, vale ressaltar que a lei garante esse direito a ele. A própria Constituição Federal lá no seu artigo 5º diz que ele não é obrigado a produzir provas contra ele mesmo.
Então, nesse momento, ainda que a defesa dele quisesse que ele participasse, ele disse: "Não quero". e a lei assim o garante, mas eu acredito que com todo o aparato que a polícia tem, com todos os equipamentos, com todo esse contingente eh eh que está aqui hoje, com toda a investigação, uso de drones, de um scanner 3D, eu acredito que com todo esse aparato a polícia consiga fazer uma reprodução simulada dos fatos, consiga fazer essa reconstituição e mais próxima possível, como se o Michael estivesse aqui. Mas mesmo assim, Dr Fábio, o senhor falou muito bem e eu faço as suas palavras as minhas, mas do mesmo jeito que a lei garante isso para ele, a lei também vai garantir o que, doutor?
A lei vai garantir que ele não teve presente na reconstituição. Os advogados de defesa vão dizer que não foi daquele jeito que foi reconstituído pela polícia. Vão questionar e vai ser uma briga que vai durar muitos e muitos anos nos tribunais.
Infelizmente, essa é a nossa eh por mais que os policiais tenham fé pública, mas tinha que ser o juiz tinha que determinar que ele fosse participar para que depois a defesa dele não questionasse: "Ah, mas não foi desse jeito que ele falou, como fizeram e tal". Porque na realidade tudo que é feito nesse Brasil só defende bandido, só defende vagabundo. E eu também concordo com o senhor.
Eu acho que o caso daquela senhora que foi encontrada lá na cachoeira ainda não foi esclarecido, que eu acho que ele deve ter falar na realidade sobre aquele caso daquela senhora que foi encontrado na cachoeira, que até agora é o mistério e ninguém fala nada. Eu acredito que ele teve participação e teve ajuda de outras pessoas também. Então assim, o que eu percebo que a cada momento que passa com a com o que existe hoje na Constituição nossa brasileira, que a pessoa não deve gerar provas contra si mesmo, só beneficia criminosos, doutor, essa é a minha opinião.
Não sei se o senhor concorda. É, nesse momento ele é muito beneficiado eh por esse dispositivo de lei, né, da Constituição que garante que ele não participe. E e eu fui bem claro com a família, eu tô com a família é desde o dia do desaparecimento da vitória.
Então eu disse era que a reprodução simulada dos fatos, Marcão, essa reconstituição, ela é importante e ela pode em algum momento trazer a participação de uma outra pessoa, mas há sim uma grande probabilidade. possível que esse inquérito policial ele seja finalizado apenas com a presença do Michael sendo indiciado e preso e responder sozinho. Por mais que eu, como advogado, a família eh acredito eu que toda a imprensa e todas as pessoas com quem e eu falo, com quem eu tenho trabalhado em relação a esse crime, ninguém em hipótese alguma acredita que ele tenha agido sozinho.
Mas para que você coloque uma outra pessoa nessa cena é criminosa, você precisa de provas, de provas técnicas. E se a polícia não conseguir e eh trazer essas provas técnicas para esse inquérito policial, eu acho difícil você colocar uma segunda pessoa nessa participação, essa uma outra pessoa que tem ajudado o Michael. Então nós podemos sim ter a par eh temos podemos ter a participação de outra pessoa, podemos pode ser identificada, pode, mas nós podemos também não ter essa segunda pessoa ou essas outras pessoas, tá?
Mas doutor, é Dr Fábio, é o seguinte, eu não não não posso na realidade eh colocar elementos que na realidade não venham da polícia, não. Mas eu posso questionar, eu posso não concordar e eu posso, claro, abrir uma série aqui de dúvidas, que é o meu trabalho aqui no programa. Agora, uma dúvida que eu tenho é a rapidez da polícia, que eu achei muito rápido.
Respeito, admiro e concordo com tudo que a polícia fez até agora. Mas eu achei e e o momento assim fechar o caso muito rápido. Eu acho que é um caso que teria que demorar um pouco mais.
Houve mais pessoas. Eu achei que tão tentando fechar o assunto, fechar o caso com muita rapidez. é a minha interpretação, mas claro que eu respeito o trabalho da polícia, viu, doutor Marcão, eh, e neste ponto eu concordo contigo, faço sua também as minhas palavras, porque no momento que o Michael traz uma confissão, uma confissão, você me perdoe aqui o termo, uma confissão cínica, uma confissão que não eh que não eh corroborava com tudo aquilo.
que havia sido investigado. Então você tem uma confissão que não bate com absolutamente nada do quadro de investigação. E aí, posteriormente, no dia seguinte, você diz que o caso está praticamente encerrado, dando crédito a uma confissão que não faz o menor sentido.
Então eu acredito nesse ponto que você fala que houve uma pressa para fechar o caso, é nesse ponto específico. É no ponto em que o Michael traz uma confissão, uma confissão legal, foi feita tudo como manda o figurino, tudo como manda o Código de Processo Penal, mas não deveria ter sido feito daquela forma, sem a presença dos advogados dele, né, constituídos, o o horário. Então, muitos questionamentos eh começaram a ser feitos em relação ao modos operante, a maneira com que essa confissão foi colhida e aí posteriormente você quer fechar o caso.
Então, eu acho que essa questão de pressa que você citou, Marcão, é especificamente nesse ponto, que naquele momento com aquela confissão, não dava para você ter base para fechar o inquérito de um caso tão complexo quanto esse. É porque de repente a polícia, logo no início em que a polícia vem trazendo vários nomes, a polícia vem inclusive pedindo mandados aí de prisão aí para vários indivíduos, de repente já não existe mais esses mandados de prisão. Juiz não aceita e de repente a polícia consegue encontrar o assassino, que é esse canalha que nós estamos aí.
De repente tudo é jogado para pro fado, pro lado e tudo é colocado só nesse cara que nós estamos mostrando aí, que eu tenho certeza que ele não agiu sozinho, principalmente quando ele levou a jovem, durante o período que ele segue a jovem, do período em que ele leva ela para casa lá onde, segundo informações, a polícia acabou encontrando sangue lá na residência, depois coloca ela no carro, depois leva ela pra mata. uma pessoa sozinha, franzindo como ele, franzindo como ele. E para pegar um corpo de uma jovem, vamos colocar aqui, que uma pessoa desfalecida, ela pese, claro, bem mais.
Então, para ele ter agido sozinho, eu acho muito complicado tudo isso. E claro, o meu trabalho é questionar e eu vou continuar questionando aqui. Fernandinho, alguma outra pergunta pro nosso grande amigo Dr Fábio?
Não, Marcão, a gente tá acompanhando tudo. Dr Fábio Senac, o delegado responsável acabou de chegar, Marcão. Então, há uma grande expectativa de que tudo comece realmente pontualmente às 10 horas da manhã.
Doutor, por acaso o senhor sabe exatamente como é que vai funcionar essa reconstituição? O senhor disse que alguém e vai se passar como Maicon, eles vão fazer todo o passo a passo de todo esse caminho. O senhor imagina quanto tempo demora?
Porque é um trabalho bastante detalhado, né? É, exatamente. Nós teremos figurantes, né?
Eh, no normal, mesmo que o Maicoel estivesse aqui, nós teríamos figurantes, mas nós também teremos um outro que será passado pelo Maicel. Agora, a a a dinâmica, nós não temos informação. Se vai começar a partir do momento em que ela atravessa a rua e estava naquele ponto de ônibus, que ela manda até um áudio para uma amiga dizendo que um carro passou e mexeu com ela, ou se vai eh se o ponto inicial vai ser onde o corpo foi encontrado, né?
Eu acredito que é pelo que eu conversei agora aqui na delegacia, vai ser feita a partir do local onde o corpo foi encontrado, ou seja, na contramão do do do fato inicial que é do ponto de ônibus. A família da Vitória vai estar presente, doutor? É, inclusive acabei de falar com eles agora.
Eles me disseram que estão vindo para cá, né? Eu já tô aqui eh eh desde as 6 horas da manhã até para poder acompanhar toda essa movimentação. E eu faço sempre questão de ressaltar que o meu objetivo nesse inquérito policial é é é traduzir as informações de uma forma mais simplificada pra família, né?
E e além de representar a família. Então vim acompanhado hoje Dr Mateus, Dr Wilson, são os advogados que trabalham comigo, né? Que dão que dão suporte para que a gente possa prestar esse auxílio à família.
E nesse momento nós estamos esperando eles para poder seguir, acompanhar a a reconstituição. Doutor, só uma última pergunta. Sei que o senhor vai entrar na delegacia para falar com o delegado em relação ao local onde Vitória teria sido morta.
Michael, na confissão dele, disse que isso aconteceu dentro do carro dele, em que ele deu diversos golpes de faca. Mas é muito estranho porque dentro do veículo não foi encontrado manchas de sangue de alguém que teria sido eh violentamente eh golpeada ali com facas no pescoço, né? Então essa é uma questão também uma das outras respostas que precisam aparecer aí nessa reconstituição, né?
Olha, eu acho que esse é o ponto e é mais controverso da confissão dele. É humanamente impossível você golpear uma pessoa, principalmente na região da Jugular, dentro de um carro, e você conseguir limpar esse carro a ponto da perícia não encontrar absolutamente nada de sangue dentro desse carro. Você acreditar numa versão dessa é você descredibilizar a polícia científica.
é você descredibilizar uma polícia científica considerada, sem demérito aos demais, a melhor polícia científica do Brasil. Então, você acreditar que ele matou a vitória dentro do carro e que a polícia não encontrou, a polícia científica não encontrou nenhum vestido de sangue dentro desse carro, nós não acreditamos nisso. Por isso é que eu digo, quando o corpo foi encontrado, nós tínhamos a nós tivemos a informação de que ela havia sido morta há 5 dias, só que o desaparecimento já se dava em 7 dias.
Então, nós temos dois dias de lapso, dois dias de eh de tempo, que são os dois dias que nós acreditamos que ela ficou dentro de um cativeiro e nesse cativeiro sim, ela foi morta, não, como ele disse, dentro de um carro. Tá certo, doutor? Muito obrigada aí pelas suas respostas e é isso, Marcão.
Estamos aqui acompanhando grande movimentação. Realmente o Cad vai mostrar aqui para vocês. Policiais, guardas civis, todos já posicionados.
Marcão, tá? Manda um abraço pro Dr Fábio aí. Muito gentil, muito gentil mesmo.
Um baita de um advogado também. Muito obrigado por falar conosco aqui ao vivo.