E o que será que as pessoas se tornam dependentes emocionalmente de outras? Essa é uma pergunta de uma pessoa da minha lista de transmissão. Ela disse que assiste aos meus vídeos e me escuta sempre falar sobre dependência emocional, e ela tem uma pergunta interessante: como é que a gente se vê dependente emocional?
Como é que isso é construído? Por que algumas pessoas são e outras não são? E é sobre isso que eu vou falar hoje.
Meu nome é Janta Siqueira, eu sou psicóloga, e hoje eu vou te dar dicas de como você pode entender, na sua história, de onde veio sua dependência emocional e como tratá-la. Se você não é inscrito no meu canal, já te peço para se inscrever agora, que já me ajuda muito, e você sempre vai receber a notificação aí de que vídeos novos estão lá. Eu coloco, geralmente, um ou dois vídeos por semana; então, não deixe de acompanhar, tá bom?
Tem sempre temas sobre autoconhecimento, relacionamentos amorosos, relacionamentos familiares, autoestima. Então, se você gosta, se inscreva agora. Bom, vamos lá.
Um dependente emocional não virou dependente emocional do dia para a noite. Com seu perfil de pessoas que são dependentes emocionalmente das outras, essa pessoa adulta que é dependente emocional foi estimulada desde a infância a ser um dependente emocional. E eu vou explicar como.
Existem dois caminhos que levam alguém a ter esse perfil na vida adulta. Quando você é criança, precisa que suas necessidades básicas sejam satisfeitas: suas necessidades de amor, de segurança, de afeto, de elogio, de cuidados, de reconhecimento e de valorização. Toda criança precisa disso.
A criança não sabe quem ela é, então precisa que os pais, que são as figuras de referência — mas eu digo 'pessoas que fazem essa função', que podem ser um avô ou qualquer pessoa útil — mostrem para ela o quanto ela é amada, quanto contribui positivamente para aquela família. O que isso significa? Implica que os pais precisam dar todas essas necessidades — segurança, afeto — sem que eles tirem dela a liberdade de se expressar, a liberdade de diferenciar coisas, a liberdade de ir para o mundo, a liberdade de se expressar nesse mundo.
Ou seja, eles oferecem segurança, mas também criam um cenário seguro para que esse filho explore outras relações, se conecte com amigos, vá para a casa de outras famílias, tenha uma relação legal com os primos, conheça lugares diferentes e tenha a possibilidade de falar sobre o que eles pensam, expressar a opinião deles. Porque uma coisa que gera um retraimento na criança é acreditar que tudo o que precisam fazer com ela é oferecer regras e limites. Se você coloca regras muito rígidas, se você oferece limites muito, muito, muito rígidos ao seu filho e seu filho fica sem espaço para se expressar, ele fica sem espaço para perguntar o porquê daquela regra, ele fica sem espaço para negociar com você, ele fica sem espaço para discordar de você em alguma coisa.
E aí você começa a mostrar para aquele filho que ele só é amado quando está te deixando feliz, quando está atendendo às suas expectativas, quando não está desobedecendo, quando não está te questionando em nada. Bom, então, se você foi criado numa família em que o maior objetivo daquela criação era que você "entrasse nos eixos", que você fosse exatamente como eles queriam, se você tem uma tendência à dependência emocional, pode viver isso de duas formas. Ou você teve pais que eram muito rígidos e superprotetores — aqueles pais que não te deixam fazer quase nada, que não te deixam nem sair para a rua direito, que não te deixam explorar outras relações.
Você cria essa impossibilidade de se sentir autônomo, porque foi tão superprotegido que nem sabe o que é a vida. Você está o tempo inteiro conectado com esses pais, porque quem dita as regras são eles. Então, você começa a viver sempre buscando o olhar de aprovação, porque o que diz que você está indo bem ou mal é o olhar dos seus pais.
Então, você fica o tempo inteiro voltando para eles, querendo uma confirmação de que está agindo bem, de que está recebendo ali a estrelinha. Esse é um caminho. O outro caminho que também gera dependência emocional é quando você tem pais que são ausentes, que não fazem aquela função de cuidar dos filhos: pais negligentes, pais abusivos, pais que agridem demais seus filhos, pais que não são amorosos e que, às vezes, são ausentes até emocionalmente.
Eles estão ali, mas praticamente não oferecem nenhum tipo de afeto, não têm uma relação, não se envolvem muito com aquele filho; é como se aquele filho se sentisse um pouco solto. Então, nesse caso, você não tem uma figura de referência para te dizer o que é certo e o que é errado. O que é certo e o que é errado fica muito confuso, porque é como se tudo fosse errado.
Então você não tem uma figura em quem possa confiar, porque essa figura ou não está ali — tanto emocional quanto fisicamente — ou está ali só para julgar, só para agredir, só para te punir. Então, você fica sem essa referência. Quando você vai para a vida, vai para a vida sem saber o que você representa para as pessoas, sem saber o que é certo e o que é errado.
Pelo contrário, você vai sempre com a sensação de inadequação. Quando você vai com essa sensação de inadequação, você vai para a vida adulta sempre buscando aprovação. Você quer ser bem-visto pelas pessoas; você quer que as pessoas gostem de você, porque você aprendeu lá na sua.
. . Infância, que todas as vezes que você errava, ou aparentemente você nem sabe o que estava fazendo de errado exatamente, você qualquer coisa que você quisesse, você receber uma comissão.
Você aprende que, para que você não seja punido, não seja abandonado, não seja agredido, você sempre tem que estar nos moldes do outro. Você sempre tem que estar fazendo aquilo que o outro espera, e aí você vai para a vida adulta sempre muito conectado com o olho do outro, ali que o olho do outro é que te diz se você está indo bem ou se você está indo mal. Então, você acaba não tendo liberdade interna para poder desagradar, para poder se expressar, para poder discordar, para poder questionar alguma regra, porque você foi estimulado tanto que, quando você vem de um lar de pais ausentes ou de pais muito agressivos, quanto quando você vem de um lar muito superprotegido, não existe espaço para essa negociação, para essa argumentação.
O que define se você está indo bem ou mal é a aprovação do outro, e aí, quando você está lá na sua vida adulta se relacionando, você vira um grande candidato a estar em relações que abusam de você. Pessoas podem até nem sempre você estar em relações abusivas, mas você tem uma grande chance de se conectar com pessoas abusivas, porque você não tem coragem de desagradar ninguém, você não tem coragem de colocar seus limites. E aquelas pessoas que são abusivas adoram esse perfil, então elas se unem a você, se utilizam desse seu mecanismo de defesa para ser amado o tempo inteiro, agradar.
E aí a relação se complementa: o narcisista, que é alguém que não tem necessidade própria, que não tem coragem de desagradar, e você quer alguém que continue te dizendo se está indo bem, seu Tonho do Mal. Então, apesar de ser sofrido, porque é claro que você está numa relação dessa, você não acha gostoso estar ali desse jeito, você não sabe estar de outro jeito, porque não aprendeu a estar numa relação de forma livre, de forma em que você possa ser você mesmo. Você só aprendeu a estar na relação para o outro.
Então, se você tem que trabalhar para que você pare de ser dependente emocional e pare de atrair perfis dessa forma, é trabalhar sua autoestima, entender essas feridas que você teve, entender essas lacunas que deixaram ali na sua infância, ou de abandono, ou de superproteção, ou de abusos físicos e psicológicos, para que você se sinta mais inteiro, e para tomar a liberdade de se relacionar se estiver bom para você. Porque você se relaciona a qualquer custo, seu objetivo é agradar, não ficar sozinho; é agradar para que o outro não pense mal de você. Isso sempre vai te deixar em uma relação de dependência.
Eu dependo da aprovação, eu dependo desse afeto, para que eu me sinta bem, reconhecido, indo pelo caminho certo. Aí você não cria suas próprias referências do que é certo ou errado, que você quer para você. Quais são suas necessidades?
Você nunca foi estimulado a olhar para suas necessidades, a pedir para que as pessoas respeitem, a expressar como você quer ser tratado. Então, cuide disso em você, procure terapia. Não deixe que isso vire um padrão para sua vida inteira, ainda que você já esteja há muitos anos vivenciando esse tipo de relacionamento, vivenciando a vida desta forma.
Sempre há tempo de voo. Além disso, não tenha medo de perder aqueles que não respeitam seus limites, porque senão você sempre vai ser refém de pessoas que abusam de você. Está bom?
Então, esse é um recado para você hoje. Se você achar que tem gente precisando, na verdade, eu nem querendo, precisando ouvir essa mensagem de libertação, aquelas parem de ser dependentes emocionais, manda para elas. Não é fácil sair desse perfil, mas é possível sim, tá?
E quem não consegue sair sozinho causa extremo sofrimento. Se você não trata disso, se você não cuida disso, você sempre vai se relacionar com as pessoas por meio da dor. Tá bom?
Então eu fico por aqui. Se inscreve no canal, se você gostou, curta, compartilhe, e eu fico até a próxima.