A pior sensação que existe é a de viver uma vida sempre no limite, que é quando você sente constantemente que tá a um problema de distância, de perder a cabeça, quando você fica o tempo todo repetindo para si mesmo: "Eu não aguento mais". E mesmo assim, continua aguentando para, infelizmente, descobrir na prática exatamente qual é o seu ponto de quebra, o quanto você realmente consegue aguentar antes de enlouquecer. Só que essa situação é uma bomba relógio, porque é uma soma de problemas não resolvidos que com o tempo se acumulam e fazem um coquetel perfeito pro desastre.
E o resultado disso é que a chance é gigantesca de você explodir no momento errado, com a pessoa errada ou com a coisa errada, pois a hora que o seu pavio se esgota, e eu não me refiro literalmente a uma reação agressiva ou um ataque psicótico, você vai acabar reagindo de forma desproporcional a coisas relativamente simples da vida, ou descontando e culpando pessoas que não tm nada a ver com o problema real que você tem. Quando uma pessoa chega no famoso limite, as consequências são muito maiores do que se ela tivesse lidado com os problemas antes de chegar nesse limite. Porque nessa hora a gente reage à situação sem pensar claramente no que tá fazendo.
Então, se você tá perto do seu limite, sabe o que pode acontecer? Você pode fazer coisas e tomar decisões que você bem provavelmente vai acabar se arrependendo lá na frente. E eu vou te dar alguns exemplos em diversos aspectos da vida para você analisar o que tem mais a ver com o seu momento atual.
Primeiro, pode ser que você esteja no limite com a sua vida profissional, insatisfeito com o seu emprego ou com a sua carreira. talvez com clientes que você atenda, talvez com seu chefe ou com algum colega de trabalho. Às vezes pode ser até que o trabalho em si nem seja ruim, mas sim que você simplesmente passa tempo demais trabalhando e isso acaba pesando na sua vida pessoal.
Pode ser também que o seu limite esteja num relacionamento. E olha, talvez esse seja o mais perigoso de todos, porque quando a gente ama alguém, a gente tem a tendência de aguentar muito mais do que deveria. Você releva uma coisa aqui, engole um desrespeito ali, finge que não viu algo que te incomoda e vai empurrando com a barriga, porque no fundo tem medo do que vai acontecer se parar de aceitar tudo calado.
Talvez você esteja num relacionamento onde você dá muito mais do que recebe, onde você é sempre a pessoa que cede, o que pede desculpa primeiro, o que engole o choro e faz de conta que tá tudo bem. Talvez a pessoa não te valoriza como deveria, ou pior, talvez ela te diminua, te critique constantemente, controle o que você faz, onde você vai, com quem você fala e mesmo assim você continua ali porque se convenceu de que amar é aguentar, mas não é. E sabe o que acontece quando você estora dentro de um relacionamento?
Você fala coisas que não deveria e toma decisões impulsivas que destróem tudo de uma vez só. coisas que talvez não precisassem acontecer desse jeito se você tivesse enfrentado o problema antes, quando ainda dava para resolver com uma simples conversa e não com uma explosão. E ainda tem também um outro aspecto que quase ninguém fala, que é quando o seu limite é com você mesmo, quando você está no limite com seu próprio autocuidado, com a forma como você se trata.
Você dorme mal há meses e finge que tá normal. Se alimenta de qualquer jeito porque não tem tempo, não faz nada por você, não descansa de verdade, não tem um momento de lazer que seja verdadeiramente seu e vive no piloto automático, funcionando, mas não vivendo. E nesse caso, o perigo é diferente, porque você não explode com alguém de fora, você explode para dentro de si mesmo.
Isso vira ansiedade, insônia, crises de choro do nada, aquela sensação de que você tá desmoronando por dentro. Mas por fora continua sorrindo e dizendo que tá tudo bem. Você se cobra demais, se compara demais, exige demais de si mesmo e nunca se dá o mínimo de compaixão.
É como se você fosse a última pessoa da sua própria lista de prioridades, cuidando de todo mundo, de tudo ao seu redor, menos de si mesmo. Mas eu preciso que você entenda uma coisa. Se você não cuidar de você mesmo, uma hora o seu corpo vai te obrigar a parar.
E quando o corpo te obriga, não é no seu tempo, não é do seu jeito e geralmente é da pior forma possível. Então agora eu preciso ser bem direto com você. Por favor, eu te peço, pare tudo antes de explodir e lide com a situação.
Porque se você esperar explodir para ter que resolver, você vai ter que lidar com uma mudança de vida enquanto está emocionalmente quebrado. E eu sei porque eu já passei por isso. E para resolver, eu tive que abrir mão de todas as situações e circunstâncias que me deixavam no limite.
Só que tem um problema, fazer isso enquanto você já passou desse limite é muito difícil. É como tentar trabalhar ou treinar enquanto você tá gripado. Você não tem força para nada, a sua mente não funciona e tudo fica 500 vezes mais difícil.
Mas eu sei que isso dá medo. Sei que parece mais fácil só continuar aguentando. Só que aguentar não é um sinal de força.
Você não se torna um super homem, uma super mulher por ficar aguentando palhaçada dos outros. A vida não é um filme. Na vida real, ou você para e muda, ou você quebra.
Então, aguentar é só simplesmente ficar adiando o inevitável. Então, agora vem a parte mais importante. Como que você resolve essas coisas antes de explodir?
Como é que você lida com tudo isso de forma madura, sem destruir tudo ao seu redor? A primeira coisa que você precisa fazer, e talvez a mais difícil de todas, é ser honesto consigo mesmo. Para de se enganar, para de dizer que tá tudo bem quando não tá.
Para de fingir que aquilo não te incomoda quando tá te destruindo por dentro. Enquanto você não admitir para si mesmo que alguma coisa precisa mudar, nada vai mudar, porque é impossível resolver um problema que você finge que não existe. Para agora e senta em silêncio e pergunta para si mesmo: "O que exatamente tá me levando ao meu limite?
Coloca nome nas coisas. Porque quando o problema tem um nome, ele tem solução e quando ele fica vago, ele só cresce com o tempo. A segunda coisa é aprender a se comunicar antes de explodir.
E isso vale para todas as áreas da sua vida. No trabalho, por exemplo, isso significa ter a coragem de falar pro seu chefe que você tá sobrecarregado, de dizer não para mais uma tarefa quando você já tá no limite, de colocar limites no horário, na carga, nas cobranças. E eu sei que você pode pensar agora: "Ah, mas Pinho, assim eu vou perder meu emprego.
" Mas me responde uma coisa, do que adianta manter o emprego que tá te destruindo? Você tá trocando a sua saúde por um salário e nenhum salário nesse mundo paga o preço de uma mente destruída? Por isso que muita gente vê o dinheiro sumir mesmo ganhando bem, porque todo o dinheiro que ganha é usado em pacificadores e remédios e distrações para tentar aliviar a pressão de um trabalho que te arrebenta.
No relacionamento é a mesma lógica. Você precisa falar o que te incomoda, sem gritar, sem acusar, sem ficar jogando na cara do outro, mas com clareza. Você precisa falar: "Olha só, isso aqui me machuca, isso aqui não tá funcionando para mim.
Assim não funciona. A gente precisa mudar tal coisa. E se a pessoa não te ouve quando você fala com calma, isso já é a resposta que você precisa sobre esse relacionamento.
Porque uma pessoa que te ama de verdade vai querer ouvir o que tá te doendo e não te fazer engolir tudo calado. Se você só consegue ser ouvido quando explode, o problema não é você, é a dinâmica que vocês criaram. E talvez seja a hora de mudar essa dinâmica ou mudar de relacionamento.
E já consigo mesmo, a comunicação é ainda mais importante, porque a conversa que ninguém vê é aquela voz interna que te cobra, que te critica, que te diminui. Começa a prestar atenção no que você diz para si mesmo todos os dias, porque se você fala consigo mesmo de um jeito que nunca falaria com alguém que você ama, tem alguma coisa muito errada aí. Você precisa ser o seu melhor amigo, não o seu maior inimigo.
Já a terceira coisa, eu acho que é a que mais mudou a minha própria vida, é parar de se sentir culpado por se colocar em primeiro lugar. Eu sei que a gente foi criado numa cultura que romantiza o sacrifício, que diz que quem ama aguenta tudo, que bom profissional é quem se mata de trabalhar, que pessoa forte é quem não reclama. Mas isso é mentira.
É uma mentira que adoece as pessoas. Se colocar em primeiro lugar não é egoísmo, é sobrevivência. Você não consegue cuidar de ninguém, de nenhum emprego, de nenhum relacionamento, de nada se você estiver destruído por dentro.
Então, quando você decidir sair dessa situação que te sufoca, quando você decidir dizer não, quando você decidir que a sua paz vale mais do que agradar os outros, não se sinta culpado, se sinta orgulhoso, porque essa é a decisão mais corajosa que você pode tomar. A quarta coisa é aceitar que mudar dói e que tá tudo bem doer. Sair de um emprego que te maltrata dá medo.
Terminar um relacionamento que te faz mal dá medo. Mudar uma rotina autodestrutiva também dá medo. E tudo isso dói.
Mas dói de verdade. Porém, sabe o que que dói mais ainda? Continuar onde você tá, fingindo que tá bem até o dia que você simplesmente não aguenta mais.
E o lado bom é que a dor da mudança é temporária. Já essa dor de continuar se destruindo, ela é crônica. Então você só precisa escolher qual dor você prefere carregar.
E a última coisa que eu quero te dizer é que você não precisa resolver tudo de uma vez. Eu sei que quando você tá no limite, parece que tudo precisa mudar agora, nesse segundo. Só que não precisa.
Começa por uma coisa, a que mais tá te pesando, a que mais te tira o sono. Resolve essa primeiro e só depois vai pra próxima e depois pra próxima, resolvendo um problema de cada vez, criando um limite de cada vez, vivendo um dia de cada vez. Porque a pessoa que explode normalmente é a que tentou resolver tudo ao mesmo tempo e não conseguiu resolver nada.
Mas a pessoa que muda de verdade é a que teve coragem de começar por algum lugar, mesmo com medo e sem saber direito como começar. Então, se você aguentou chegar até aqui nesse vídeo, eu quero que você entenda uma coisa. O fato de você estar assistindo isso já mostra que você sabe que alguma coisa precisa mudar.
Então não ignora esse sentimento, não empurra ele para debaixo do tapete de novo. Dessa vez faz diferente, começa a agir antes de você explodir. Eu sei que você pode sentir que a sua vida vai ser sempre assim, que já até desistiu de algo melhor, de que talvez esse seja o seu destino.
Eu mesmo já pensei assim, mas eu descobri que não, esse não era o meu destino e eu não merecia isso. Por isso eu te digo, você merece uma vida onde você não esteja constantemente no limite. Você merece sim acordar sem sentir aquele aperto no peito.
Você merece um relacionamento onde você não precisa engolir tudo quietinho. Você merece um trabalho que não destrua quem você é. Mas acima de tudo isso, você merece se tratar com o mesmo cuidado que dá aos outros.
Então, pelo amor de Deus, para de ficar se sabotando, achando que aguentar é ser forte. Forte é quem reconhece que precisa mudar e muda antes que o limite tome alguma decisão por você. Mas então, a gente se fala na próxima e valeu.