vem de uma cultura patriarcal né a gente erda essa cultura com o processo Colonial que trata durante muitos séculos a mulher como propriedade do seu pai primeiro e depois do seu marido né então isso Inclusive era previsto em lei era normatizado de que as mulheres eram propriedade de uma outra pessoa que era esse homem da família né E aí a gente também vem de uma cultura que vem da escravidão da da escravização de pessoas negras sobretudo que constrói uma cultura racista que por muito tempo tratou pessoas negras como propriedade dos seus senhores então esse entroncamento
de considerar mulheres negras como propriedade faz com que se construa uma normatização simbólica de que esses sujeitos né de que nós mulheres negras Sempre Seremos propriedade de um outro e nossas avós nossas mães vão repassando isso e isso às vezes aparece de forma tão Sutil que como Educadora via muito isso nas escolas até através do ato de brincar o lúdico também ele pode romper ou reproduzir esse padrão a menina brinca com a boneca com a panelinha com o fogãozinho porque espera-se dela esse papel dentro de um aspecto geral da sociedade o menino é a bola
é o carrinho É a coisa do Poder então o menino é da rua a mulher do privado é do Lar e o menino essa construção histórica para fora então isso não ficou preso num tempo histórico que acabou né o patriarcado ele continua aqui a mulher negra aquela que tem um Borogodó e não sei o que que tem mais lá então e vai passando por essa construção né a construção do pertencimento a construção da hipersexualização da exploração sexual coisas muito importantes que aconteceram para que essa luta ela pudesse avançar né a chegada das mulheres negras na
Universidade a mudança da Lei das leis né então isso vai criando um ambiente hoje a gente olha para coletivos de adolescentes que já debatem a questão do racismo e do gênero como uma coisa que estrutura a sociedade e que conseguem verbalizar essas violências que antes eram consideradas naturais Então hoje você vê eh nas escolas a pratileira Maria da Penha possibilitando esse debate de gênero trazendo essa questão do racismo a questão da violência gente tudo passa pela educação se a gente não tiver uma educação antirracista que aborde essa diversidade de de de de tópicos fica mais
difícil porque a escola é um local onde também acontece a violência de gênero onde acontece o racismo então ela não é uma bolha que está diferenciada do que acontece na sociedade ao contrário é lá onde as crianças passam parte do seu tempo onde essas coisas acabam vindo à tona primeira coisa que eu fiz foi retornar aos meus estudos né Eh eu tive uma tia muito querida uma tia-avó branca né e que todos os seus irmãos eram retintos né a família do meu pai e ela eh e a ela foi dado o direito de estudar naquela
época né então ela trouxe para dentro da família dela a alfabetização né o direito de se alfabetizar né então eu sou filha né Eu sou neta bisneta né essa família né que teve a educação como o maior escudo né contra o racismo E aí depois eh após a educação algo muito importante também pra questão de gênero e principalmente da mulher negra é a valorização uma das eh questões né que também eh umas das violências né que que eu fui né vítima foi essa desvalorização né porque eu sendo essa pessoa criada a estudar né para me
formar ser um potencial né na família neta mais velha filha mais velha né muito mimada né de todos os jeitos Então a primeira coisa que me ocorreu enquanto violência né doméstica foi a minha desvalorização [Música]