Conselho precioso para a convivência. Cada vez que eu vou tomar uma decisão, eu penso, será que essa decisão é a [música] que beneficia o maior número de pessoas ou beneficia só a minha pele? Será que não dá para eu mudar a decisão de tal maneira que mais gente seja beneficiária?
Todas as tuas decisões pensar desse jeito. Será que não dá para incluir mais gente além da minha própria pele? Imaginou tentar incluir mais [música] gente em todas as tuas decisões.
Sabe o que que significa isso? falando em português, claro, combater o egoísmo, aquilo que na Índia eles chamam, na Índia não, no Tibet, eles chamam de heresia da separatividade, que é o pior mal do mundo. O egoísmo tá escondido por trás de todos os problemas do mundo, quer pessoais, quer coletivos.
O egoísmo está acabando com o mundo. E a gente tem que tomar consciência disso. Como é que vamos conviver se só pensamos em nós?
Como é que vamos conviver se não estamos nem aí pra dor do outro, pra necessidade do outro, para nada do outro? Eu estive agora em Dubai. Vai, vocês vão pensar: "Nossa, ela esteve em Dubai".
Na verdade, eu passei por Dubai, [música] né? Porque tava indo pro Japão. Piorou, né?
Mas tudo bem. Parei em Dubai no meio do caminho. Aí pessoal, a gente já tá em Dubai, vamos lá fazer turismo.
Vamos, vamos. Entrei no tal do museu do futuro. Quando você entra, que é negócio portentoso, enorme, [música] tem escrito assim na frente: "É a competição é a chave do êxito da humanidade.
" Fal, vamos embora, vou voltar pro aeroporto. Ô louco, como é que alguém fala uma besteira dessa? Como fala?
A humanidade tá acabando com essa questão de competição. Tá se acabando. Todo mundo querendo subir nas [música] costas um do outro.
Somos incentivados. Às vezes até os nossos pais que [música] nos amam, nos querem bem, mas que também foram educados da mesma maneira, planejam isso pra gente. Eu quero que meu filho seja o mais bem-sucedido, o que ganhe melhor.
Nosso êxito sempre tem que ser construído sobre o fracasso dos demais, não é assim? Lembram daquele exemplo que eu usei para vocês que eu dizia: "Você participa de uma maratona de rua? " Aí chega pro seu amigo de trabalho e diz: "Tirei em primeiro lugar.
Que beleza, meus parabéns. Quantos concorrentes tinha? " 1000 concorrentes.
Quantos tiraram em primeiro lugar? Todos. Todo mundo tirou em primeiro lugar.
Acabou a graça, rapaz. Você não merece nem parabéns. Ainda que a marca de tempo tenha sido a mesma, não tem graça nenhuma ser todo mundo ganhou.
Só tem graça a tua vitória se ela foi conquistada sobre as costas de 999 fracassados. Aí tem graça. Ou seja, todo o teu sucesso tem que ser construído em cima do fracasso dos outros e depois você quer ter convivência nesses termos.
Ou seja, nós não conseguimos pensar em ganhar juntos. Pense nisso. Eu ganhei uma promoção no meu trabalho.
Puxa, que legal. Todo o meu departamento ganhou essa promoção. Eu fico feliz do mesmo jeito.
Todo o meu trabalho ganhou essa promoção. Eu fico feliz do mesmo jeito. Deveria.
Se vocês sonham algum dia com fraternidade. Nós somos um. Essa que é o fato.
A humanidade é uma só, é um grande organismo. Se é verdade que a humanidade é um, a maior parte de você são os outros. Um pouco de você tá espalhado em todo mundo.
Um pouco de você tá lá nos campos de refugiados. [música] Um pouco de você tá lá no meio da guerra. Um pouco de você tá em todos os cantos do mundo.
Porque nós somos um. E se não pararmos para pensar dessa maneira, não curaremos [música] os mares da humanidade, as feridas da humanidade. Temos que caminhar para abolir o egoísmo.
Aí eu passei o exercício para vocês. [música] Agora vocês vão lembrar desse. Ela ali, eu sei que vai lembrar.
Vocês me diriam: "É muito difícil abolir o egoísmo, lutar contra o egoísmo o dia inteiro em todas as atitudes. Tolerância zero contra o egoísmo [música] é muito difícil. Aí, qual foi o exemplo que eu dei para vocês?
Imagine que nesse momento haja um inseto no seu braço. E esse inseto é uma barata, cascuda, voadora. Você olha para ela e diz: "Daqui a pouco eu tiro".
Que que é que você faz? Tem até uma palavra para isso, né? Ah, joga ela contra a parede.
Não é assim. Tolerância zero com a pobre da barata. Deixa eu te contar.
O egoísmo te faz um mal muito maior do que a barata e você não joga ele na parede. Você não é capaz de tolerância zero. [limpando a garganta] Se a gente pode fazer com a barata, a gente pode fazer com tudo.
A pobre da barata é o menor mal que você é o menor risco que você corre na vida. O egoísmo te faz muito mais mal. [música] Tolerância zero, viu?
Corta na hora. Começar a lutar positivamente contra o egoísmo, [música] tá? É um exercício maravilhoso.
Vim, cortei na hora. Assim eu tenho chance de superando isso. Caiu no meu campo de consciência, corto na hora, tá?
[música] Como me sinto assim? Em tudo que faço, procuro beneficiar outras pessoas além de de mim [música] mesmo. Qual é o efeito em minha vida da prática da fraternidade e da empatia?
[música] Tem uma história que eu conto num dos meus livros que talvez vocês conheçam também. [música] Ela conhece com certeza. que é uma história que de fato aconteceu lá em Brasília, está num livro, um empresário conta essa história, [música] que ele estava na época de Natal e ele tinha várias lojas comerciais, ele tava neurótico, como todo mundo tá na época de Natal, porque trabalha nesse ramo, né?
Aí ele parou num sinaleiro lá no eixo monumental da cidade, [música] irritado, mal humorado. Aí veio um garotinho com uma caixa de sapato, pedia uma doação de Natal. Ele olhou assim meio de esgueira e viu que dentro da caixa de sapato tinha uma manga.
O menininho veio pedir uma doação para ele, menino pequeno, menino, [música] de uns 7 anos, uma coisa assim. Ele mal humorado olhou assim e falou: "Não tenho nada para te dar. Aliás, eu tô passando fome, não tenho nada".
Aí o menino virou para ele, gente, falou [música] assim: "Não, moço, o senhor não vai passar fome não. Toma aqui essa manga. Eu também tô com fome, mas eu ajudo o senhor, Deus me ajuda.
Se depender de mim, o senhor não vai passar fome. Toma aqui essa manga pro senhor. " Ele saiu com carro, teve que estacionar no próximo quarteirão para chorar.
E essa atitude desse menino mudou a vida dele. Abandonou tudo que ele tá fazendo, virou empreendedor social. Se depender de mim, fome o Senhor não vai passar.
Eu também tô com fome e só tenho essa manga. Mas ajudo o Senhor. Deus me ajuda.
Um menino de 7 anos, uma atitude capaz de mudar a vida de uma de muitas [música] pessoas. Uma atitude de fraternidade, tá? Como isso é poderoso.
Isso é poderosíssimo. [música] Se a gente soubesse usar, tá? Isso muda o mundo efetivamente.