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Criptomoedas, criptoativos, blockchain. Todas essas palavras passaram a fazer parte do nosso vocabulário nos últimos anos. Mas como os países têm lidado com a essas tecnologias e qual o impacto delas na política internacional?
Esse é o tema do vídeo de hoje. Bora saber mais! Os primeiros registros do uso de dinheiro datam de milhares de anos atrás.
Mas o que diferencia o que nós chamamos de dinheiro, como as moedas e as cédulas, de um pedaço qualquer de metal ou de papel? A palavra-chave é CONFIANÇA. Quando fazemos transações com dinheiro, nós confiamos que aquele papel ou metal tem algum valor e aceitamos receber isso em troca do nosso trabalho, dos nossos serviços ou produtos.
Com o avanço da Internet, ficou mais fácil fazer grandes pagamentos ou enviar dinheiro para o outro lado do mundo de maneira mais segura, mas ainda há algumas limitações. Quando você faz uma transferência bancária ou um pagamento com cartão, seu dinheiro percorre uma série de intermediários financeiros até chegar à conta do destinatário. Essa transação pode demorar vários dias para ser processada e gera uma série de custos.
Mas e se houvesse outro sistema de transações financeiras que não dependesse de autoridades centrais, em que uma pessoa pudesse simplesmente enviar ativos para outra sem tantos intermediários? A partir de questionamentos como esse, programadores desenvolveram um novo sistema de pagamentos usando um tipo de moeda eletrônica, que trocou a confiança no dinheiro físico pela criptografia e substituiu todos aqueles intermediários por um banco de dados compartilhado e descentralizado chamado “blockchain”. Em 2008, um artigo assinado pelo pseudônimo Satoshi Nakamoto propôs a criação de um sistema de pagamentos com essas características, permitindo o envio de recursos de um usuário para o outro, sem intermediários.
Valendo-se de avanços nas telecomunicações, na informática, nas técnicas de criptografia e na capacidade computacional, em 2009 foi lançado o protocolo do bitcoin, uma moeda digital que ficou conhecida como a primeira criptomoeda. O uso do bitcoin se ampliou, e logo surgiram milhares de outras criptomoedas. No início de 2021, todas as criptomoedas somadas ultrapassaram, pela primeira vez, a barreira de 1 trilhão de dólares em valor total de mercado.
Com o crescimento no uso de criptomoedas em todo o mundo, alguns países identificaram o surgimento de uma oportunidade. Em 2021, El Salvador, na América Central, foi o primeiro país a adotar oficialmente o bitcoin como moeda legal. Logo em seguida, a Ucrânia legalizou e regulamentou os ativos financeiros virtuais, incluindo as criptomoedas.
Por outro lado, os governos de países como a China, a Bolívia, o Egito e o Marrocos proibiram as transações com criptomoedas, e vários outros Estados têm debatido essa questão e adotado restrições ao uso dessas tecnologias. Quem critica as criptomoedas afirma, por exemplo, que a eliminação dos intermediários financeiros nas transações pode apresentar riscos e favorecer grupos criminosos envolvidos em crimes cibernéticos e ilícitos transnacionais, como golpes, roubos, tráfico, contrabando, ataques virtuais, lavagem de dinheiro e terrorismo. Por outro lado, os defensores das criptomoedas argumentam que o financiamento das atividades ilícitas não é uma exclusividade do dinheiro digital - afinal de contas, elas já existiam antes mesmo da criação das criptomoedas.
Estimativas recentes apontam que as transações criminosas feitas com criptomoedas ainda representam uma parcela muito pequena das negociações desses ativos e também das atividades ilícitas em geral. Além disso, diferentemente das movimentações financeiras convencionais, que podem ser difíceis de monitorar, todas as transações realizadas com criptomoedas ficam publicamente registradas na “blockchain” e não podem ser alteradas, o que permite seu rastreamento em investigações criminais. Em todo o mundo, as autoridades policiais têm fortalecido o combate ao crime cibernético e aos usos criminosos de criptomoedas.
Além disso, instituições como o Fundo Monetário Internacional, o Conselho de Estabilidade Financeira e o Comitê da Basileia de Supervisão Bancária têm monitorado de perto os criptoativos e elaborado diretrizes para combater seu uso em atividades ilícitas. Os países do G20, grupo que reúne as maiores economias do mundo, já afirmaram que os criptoativos não representam uma ameaça para a estabilidade financeira global neste momento, mas seus governos seguem atentos a possíveis riscos dessas novas tecnologias. Mas não se trata só de dinheiro.
Os criptoativos também provocam debates acalorados sobre questões como a soberania dos Estados, o poder e o papel dos governos e, por outro lado, a liberdade dos indivíduos e sua capacidade de usar a tecnologia em seu benefício. Recentemente, os presidentes dos Estados partes do MERCOSUL reconheceram a importância da tecnologia da blockchain para a inovação, as políticas públicas e a troca segura de informações. As múltiplas possibilidades de uso da blockchain podem transformar a maneira como nós vivemos.
Ela permite o desenvolvimento de tecnologias como os tokens não fungíveis, a programação de contratos inteligentes e os protocolos de finanças descentralizadas, conhecidos pela sigla em inglês DeFi. E os países também precisarão lidar com essas novas tecnologias, que estarão cada vez mais presentes em nosso cotidiano. Quer saber mais sobre outros assuntos de relações internacionais?
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