Olá, José Cobores, seja bem-vindo ao N1. >> Bom dia, Roberta. Bom dia, William.
Bom dia, Demor. É um prazer estar aqui falando com a comunidade CL. >> Vamos lá, porque a guerra comercial entre Brasil e Trump, ela ganhou mais um capítulo.
Esse livro é daqueles que a gente não acaba de ler nunca, né? Aquele grosso da cabeceira. Pois é.
O governo Lula, ele enviou uma carta aos representantes do comércio dos Estados Unidos demonstrando indignação com a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Vamos ler um trechinho da carta. diz o seguinte: "Olha, o Brasil tem dialogado de boa fé com as autoridades norte-americanas em busca de alternativas para aprimorar o comércio bilateral, apesar de acumular com os Estados Unidos grandes déficites comerciais, tanto em bens quanto em serviços que somam nos últimos 15 anos quase 410 bilhões de dólares.
O Brasil solicitou em diversas ocasiões que os Estados Unidos identificassem áreas específicas de preocupação para o governo norte-americano. E aí eu já vou passar para você comor porque em outro trecho o governo diz que espera uma resposta da Casa Branca desde maio para o impasse. Vamos ver o que disse o governo.
O governo brasileiro apresentou em 16 de maio de 2025 minuta confidencial de proposta contendo áreas de negociação nas quais poderíamos explorar mais a fundo soluções mutuamente acordadas. O governo do Brasil reitera seu interesse em receber comentários do governo dos Estados Unidos sobre a proposta brasileira. E aí é o seguinte, Cobori, a carta ela deixa clara, né, que tem um lado nessa história, né, com uma grande, pelo menos eu vou dizer assim, má vontade em melhorar essa relação comercial.
Você não acha? >> É, na realidade, Roberta, o interesse dos Estados Unidos é diversionista, né? Isso é só um jogo de cena.
E essa carta do presidente Lula faz todo sentido, mas pros Estados Unidos, eh, existe um objetivo central, né? Eh, não à toa depois do final da reunião do Brick, com a declaração, né, do discurso lá oficial do presidente Lula, eh, iniciou-se os ataques, inclusive no dia do encerramento, né, iniciou-se os ataques. Então, o objetivo central dos Estados Unidos é atacar o Brick, até porque não faz nenhum sentido eh essa esse aumento de tarifa alegando o déficit comercial, já que o Brasil eh não tem eh esse não produz esse déficit com os Estados Unidos.
Os Estados Unidos tem um superá de comercial com o Brasil. Eh, então a carta dele, apesar de aparentar ser um Frankstein, né, ele começa ali, eh, fazendo uma defesa ali, atacando a soberania nacional ao defender o Bolsonaro. O miolo da carta é mais ou menos um control C, control V, das 21 cartas que ele tinha enviado até então, né, que agora já aumentou do Brasil foi a 22ª e no final sempre tem aquele veja bem, né, se você eh atender o que eu quero, eu posso voltar atrás.
Eh, mas o objetivo central, já que o Brasil não produz esse déficit paraos Estados Unidos, é atacar o Brix. Eh, ele vinha atacando outras três grandes potências, né, que fazem parte do Bricks, que é o Brasil, o que é a Rússia, o Irã e a China, e decidiu atacar o Brasil. Até que o Brasil tá muito mais próximo, né?
Eh, faz parte aqui do que eles mesmo, né? O secretário defesa, o Peter Hexet falou explicitamente e literalmente que o Brasil, que a América Latina seria o quintal dos Estados Unidos. Eh, então, eh, essa ameaça que o Bricks impõe aos Estados Unidos, né, enquanto um bloco contraegemônico, né, contra o sistema imperialista americano, é a grande ameaça que os Estados Unidos tá vendo.
Obviamente a China é quem é a maior economia do bloco e eh o objetivo final dos Estados Unidos é atacar a China, mas ele começou a atacar eh a Rússia, o Irã e agora o Brasil, né, como forma de desestabilizar eh esse movimento contraheemônico ao sistema imperialista americano. Então eu acho que essas cartas daqui e dali é só um jogo de cena, né? O objetivo final dos Estados Unidos é manter o Brasil como uma colônia dos Estados Unidos.
Afinal de contas, nós somos uma colônia. Quando se a gente fala em industrialização e capitalismo financeiro, né? O Brasil, se os Estados Unidos atingir o seu objetivo que não vai atingir, tá?
Mas que é tentar reindustrializar uma parte da economia americana, isso impõe ao Brasil continuarmos desindustrializados, né? Eh, se o Estados Unidos, inclusive, eu acho que o eh o que mais faz sentido aí nesse último movimento é o ataque que ele fez ao Pix, né? O ataque que ele fez ao Pix, na realidade é defender uma das bigs que ele sempre defende, que é a meta, eh, com a implementação do WhatsApp Pay, né?
Então, a existência do Pix no Brasil impede eh que a meta implemente o WhatsApp Pay e isso faz parte de um grande movimento do capitalismo financeiro americano, que é manter os países que ele tem influência. E o Brasil é um deles, né? já que a gente adotou a cartilha, o consenso de Washington, a cartilha neoliberal, eh, e a gente é colonizado financeiramente pelos Estados Unidos, né, pelo próprio modelo econômico que a gente mantém até hoje.
Então, o grande objetivo final dos Estados Unidos é atacar o Brick e desestabilizar o máximo o Brasil e manter eh o nosso país enquanto colônia. >> Agora, Cobor, bom dia, obrigado por pela participação aqui no N1. Então, a gente viu também, aliás, o Elon Musk no ano passado falou que ia tentar transformar o Twitter num super app, ou seja, ter método de pagamento lá dentro também.
E a gente esqueceu de comentar essa semana, tem o PayPal também, né, que roda nos Estados Unidos, que é gigantesco e que as pessoas usavam muito PayPal, eh, antes de existir o Pix, por exemplo, muita gente usava o PayPal para fazer compras, pequenas compras, transferências de dinheiro. Você tinha um amigo que morava em outro país, muita gente fez cadastro no PayPal e isso, claro, que o Pix acaba derrubando, né, a o uso dessas ferramentas ou até impedindo que elas sejam adotadas no caso do WhatsApp Pay, que quase praticamente ninguém no Brasil usa. Inclusive, demore, só fazer um adendo.
Um outro país que recebeu uma taxação maior do que a média, a Indonésia, 32%, também tem um sistema próprio de pagamento via Qode. E nas cartas que o Estados Unidos mandou, eh, a que ele mandou pra Indonésia, citava esse pagamento por Qcode também, que é mais ou menos o Pix do Brasil, é um sistema de pagamentos por QR code na Indonésia. >> Exato.
Agora, ô, ô, Cobor, queria ver como é que você entender como é que você tá vendo a questão da retalhação do Brasil, né? A gente tá em um momento aí que ontem eu conversando com o pessoal do MDIC lá, o o Alkmin é o cara que tá tem uma fila de empresários lá, tá recebendo todo mundo, né? CNA, FIESP, Confederação Nacional da Indústria, tá todo mundo fazendo uma fila, parece que as coisas estão alinhadas ali.
Eh, e há uma percepção dentro do ministério de que o Trump colocou o revólver em cima da mesa para negociar, mas que talvez antes do primeiro de agosto vai virar de novo a ampuleta. a gente vai ter mais prazo para ter essa conversa e eventualmente essa investigação que foi aberta ontem lá nos Estados Unidos, que vai ter um prazo para negociação também em relação a vários setores, pode ser uma saída pro Trump, uma saída, digamos assim, honrosa. Ele vai dizer: "Não, não vou colocar as tarifas, mas a gente vai fazer uma investigação setor a setor e vai ver onde é que tem problema.
A gente tá aí com problema no na importação de etanol, com problema na nas madeireiras, com questão disso, daquilo, das bigtecs, transferência de dados. Eles deram mais ou menos um mapa de onde eles vão tentar rapinar o Brasil de novo ontem, né? Naquela carta que eles publicaram na nessa investigação que tá acontecendo nos Estados Unidos.
Uma das formas de retalhação eh no passado que o Brasil usou não foi diretamente você aplicar uma taxa pros produtos dos Estados Unidos que vem pro Brasil, porque isso pode prejudicar, por exemplo, e outras empresas, né, porque também dependem de importação. A Embraer seria duplamente prejudicada, né, Cobori? Vai ser prejudicada na entrada e na saída, né?
Então, talvez não interesse ao Brasil isso, mas será que pode haver, por exemplo, uma contraofensiva em cima das patentes, patente de medicamento, patente de tecnologia? patente de sementes, né, que tão na mão muito dos Estados Unidos. Quer dizer, o Brasil paga bilhões por ano simplesmente pelo fato de usar coisas que foram intelectualmente concebidas nos Estados Unidos.
Lá no passado, o Brasil já fez isso em relação a uma disputa do algodão no começo dos anos 2000, que foi uma coisa que alguém me lembrou ontem. Olha, a gente foi para cima na OMC, tinha muito subsídio nos Estados Unidos em relação ao algodão e a a OMC autorizou o Brasil a quebrar patentes dos Estados Unidos no Brasil caso fosse necessário. O Brasil não acionou esse esse mecanismo, mas isso causou um pânico nos Estados Unidos, porque propriedade intelectual é um grande ativo, né, de dinheiro nos Estados Unidos.
Você acha que pode caminhar por aí também? Essa quebra de patentes pode ser uma alternativa ao invés de falar que vamos taxar os Estados Unidos na mesma medida? Sim, Demônio.
Primeiro um prazer estar falando aqui com você. Eh, isso faz tudo, faz parte tudo desse movimento que eu acho que tá por trás de tudo isso, né? Até essa essa negociação que você eh destrinchou aí faz parte do isso, que é a colonização eh da nossa economia.
A gente tem, você falou aí da patente dos medicamentos, né? A gente tem as grandes empresas do agronegócio, Cargil, eh de tecnologia, nem se fale, né? Todas as bigtechs estão aqui no Brasil.
eh a própria Imbraerna, o sistema de defesa. Então, o que os Estados Unidos quer no final é manter o Brasil como uma colônia economicamente, né, que eles nos colonizou e manter o capitalismo financeiro, pelo que a gente acabou de citar, se ele conseguir isso, ele conseguiu o seu objetivo e ele vai conseguir também afetar essa união que a gente tem agora com o BRIC. Eu acho que esse é um momento importante pro Brasil afirmar sua soberania.
Eh, e essa reunião que o Him teve com os com os empresários, talvez eh a senda um sinal aí eh otimista pro pro pro nosso campo progressista, porque eh a nossa burguesia, a burguesia nacional, eu sempre falo, a gente não tem uma burguesia nacional porque a gente foi desindustrializado, mas a nossa burguesia sempre se enganou, achando que tá eh firmemente aliada aos Estados Unidos e sempre vai se beneficiar com isso, né? Então, eh essa guerra tarifária que o Trump eh iniciou eh algo desde que ele tomou posse e intensificou agora com essa última carta, eh foi um alerta pra nossa burguesia que os americanos pensam somente neles, né? é o famoso, o maga lá vai fazer efeito.
E e talvez isso é um tiro no pé do Tarciso ter usado aquele boné, porque pra burguesia agora ficou claro que os Estados Unidos vai pensar somente nele e não tá muito preocupado com a nossa com o nosso empresariado aqui. Então os Estados Unidos quer manter o monopólio dele sobre a nossa economia quando a gente tá falando de todas essas empresas, né, da de tecnologia, do agronegócio, de defesa, o próprio petróleo, né, as empresas que têm parceria e participação aqui com a Petrobras. Eh, então esse é realmente o o motivo final dos Estados Unidos, é manter o Brasil enquanto uma colônia econômica, afastar o Brasil do bricks e assim enfraquecer eh a ascensão da China.
O que eu acho que é irreversível, né? Esse esse mundo multipolar é irreversível. E no final das contas, quando ele tá falando do capitalismo financeiro, o Estados Unidos quer manter a hegemonia do dólar, que é o principal pilar do poder americano, né?
é ele que financia todo o resto e do poder que os Estados Unidos tem no mundo, inclusive um militar. Então, eh quando a gente olha, né, na estratégia americana, é isso que ele tá querendo. Agora, eu acho que é um momento ímpar pro Brasil reafirmar sua soberania, porque se a gente olhar pra história, sempre que o Brasil tentou fazer algum movimento para se livrar eh dessa colonização americana, o Brasil sofreu um golpe.
Foi assim com o Getúlio em 45, né? E depois, inclusive no depois do suicídio dele em 54, foi assim com os com o golpe militar 64, eh, e depois até contra os próprios militares entre o ano 70, eh, os a década de 70 e 80, quando o Brasil tinha um projeto, eh, nacional de desenvolvimento, né, quando ele implementou lá os os dois PNDs, eh, nos militares, os Estados Unidos também tentaram boicotar e e e fazer algum tipo de mudança de regime. Foi assim agora, né, com com a presidenta Dilma em 2016.
Então, sempre que o Brasil tentou fazer algum movimento de soberania, eh, principalmente de se livrar do modelo neoliberal, né, econômico que os Estados Unidos implementou no resto do mundo e e assim ele exerce o seu domínio, eh os Estados Unidos sempre tem um movimento para tentar desestabilizar o regime. Então, voltando lá na carta, apesar de parecer um frankstein, ele tem um objetivo ali que sempre foi dos Estados Unidos, mudar os regimes do dos governos eh que não estão aliados ao capitalismo americano, né, aos interesses do capitalismo americano, eh desindustrializar, manter os países desindustrializados e colonizados, né, com os seus monopólios das suas empresas, eh, e agora também com o capitalismo financeiro, que é o que domina o resto do mundo, para tentar também manter a hegemonia do dólar. Então faz sentido, apesar de a gente achar o Don Trump meio louco, mas em algum momento a gente consegue ver algum sentido nos movimentos que ele tá fazendo.
Só que os Estados Unidos não tá comprando. Se a gente, eu acho que a gente poderia ficar preocupado se os Estados Unidos estivesse comprando a briga só com o Brasil. Na realidade, ele tá comprando briga com o resto do mundo todo, né?
Então eu acho que ele não consegue enfrentar batalha com todo mundo ao mesmo tempo. Eh, e aí acho que aquele aquele aquela siga que criaram para ir lá, o taco, né, o Trump sempre a regra, né? Se a gente fosse aqui traduzindo popular, eu acho que vai chegar, até porque ele já regou, né?
Ele tinha botado os 90 dias que que venceram no dia 9 de julho, dois dias antes ele começou a mandar carta pro resto do mundo, fazendo novas ameaças, mas arregando, né? que ele prorrogou pro dia primeiro de agosto, deu mais um prazo para ele manter esse cenário, né, esse esse ambiente que ele criou no mundo todo de imprevisibilidade, que também eh existem especialistas dizendo que é uma estratégia, essa imprevisibilidade estratégica, porque mantém todo mundo eh sem ter como fazer conta, né, sem ter como mensurar risco e de alguma forma dominada por essa estratégia de manter o mundo em caos eh pros Estados Unidos tentar eh protelar aí o que seria o declínio do Império. americano.