E aí [Música] E aí [Música] E aí [Música] o Olá professor Olá professora esse programa veremos Uma Breve História das ideias sobre alfabetização historiadores filósofos e poetas Já disseram que eram passado que encontramos muito o que pode nos fazer compreender o presente e é isso mesmo todo cidadão tem direito de conhecer a história e como profissional tem direito de conhecer a história da sua profissão e das ideias que influenciaram o trabalho que nela se realiza isso pode ajudá-lo a compreender melhor o que ele próprio faz esse conhecimento aliado a consciência da própria história de formação
profissional pode contribuir e muito para um trabalho mais adequado mais reflexivo mais autônomo O que é hoje uma necessidade crescente no caso do magistério autonomia intelectual EA prática reflexiva são Na verdade uma condição para o exercício responsável da profissão a proposta desse programa é apresentar Uma Breve História das ideias sobre alfabetização falaremos aqui apenas o que a o século 20 no mundo ocidental Panorama que vamos apresentar se dividir em três grandes períodos o primeiro corresponde a primeira metade do século 20 e teve como centro a Europa o segundo em torno dos anos 60 relaciona-se com
os movimentos pelos direitos civis com as lutas dos negros contra o preconceito nos Estados Unidos e e finalmente no terceiro momento que teve início em meados dos anos 70 as ideias sobre alfabetização passaram a ser discutidas em todo mundo isso deu voz também a América Latina onde foram desenvolvidos importantes estudos sobre o tema o primeiro período aconteceu entre as duas grandes guerras mundiais a discussão sobre alfabetização estava inteiramente focada Nas questões do ensino esse período foi marcado basicamente pela discussão de qual seria o melhor método para alfabetizar com sucesso suponha-se que a qualidade da alfabetização
depende única e exclusivamente do método de ensino é e essa discussão aconteceu principalmente na Europa ela lá que nessa época estava no centro e os pensadores envolvidos com a reflexão sobre as questões da aprendizagem e da alfabetização a guerra dos métodos saiu de cena quando teve início o outra guerra de proporções muito maiores a Segunda Guerra Mundial e [Música] E aí E aí e o pós-guerra trouxe uma transformação muito grande nos Estados Unidos países que despontava como grande potência mundial o acontecimento muito importante desse período foi um movimento de integração dos negros americanos que aconteceu
na sociedade e nas escolas a luta contra a segregação abre o terreno para uma reação ao sistemático fracasso escolar das crianças negras começaram a ser buscadas explicações para esse fracasso no começo dos anos 60 houve um empenho muito grande para tentar compreender e reverter o fracasso escolar das chamadas minorias étnicas que não por acaso eram também os grupos mais pobres da sociedade Americana a produção de conhecimento sobre alfabetização nesse período buscavam um aluno a razão do seu insucesso muito dinheiro e trabalho foram investidos Na tentativa de entender o que havia de errado com as crianças
que não atendiam a discussão então tornou-se mais abrangente e o desafio passou a ser compra um dos motivos do fracasso escolar de um modo geral as pesquisas realizadas nessa época deram origem a um conjunto de ideias que se tornou conhecido como teorias do Déficit a hipótese que sustentavam essas teorias era a ideia de pré-requisitos acreditava-se que para aprender o aluno precisava possuir previamente um conjunto de habilidades sem as quais a aprendizagem não aconteceria no caso da alfabetização os pesquisadores definiram um conjunto de habilidades cuja principal característica é a serem relacionadas a percepção EA motricidade e
e [Música] na minha experiência como professora quando uma criança ingressava na primeira série nos três primeiros meses trabalhávamos com que chamávamos de período preparatório para alfabetização nessa época era proposto para as crianças exercícios de discriminação visual coordenação visomotora e análise simples porque acreditávamos que esses eram os pré-requisitos para que os alunos pudessem se alfabetizar o pouco desenvolvimento de habilidades era caracterizado como um défice isso justificava o fracasso escolar eliminando a responsabilidade da escola e tratando a suposta dificuldade de aprender do aluno como uma deficiência e para tratar o que se acreditava ser um déficit uma
deficiência foram elaboradas as baterias de atividades com o objetivo de estimular a percepção EA motricidade das crianças no Brasil Essas atividades receberam o nome de prontidão para a alfabetização porém parte dos educadores e pesquisadores da época não aceitava a ideia de Déficit entre outras questões eles não admitiu o fato de que a deficiência estivesse concentrada nas crianças mais pobres que estatisticamente eram as que apresentavam altos índices de fracasso escolar em diferentes lugares do mundo a ideia do défice foi questionada e repensada a o meu final dos anos 70 a desconfiança e posteriormente a recusa das
teorias do Déficit deram origem ao 3º período das ideias sobre alfabetização no século 20 os estudos produzidos nesse período foram sustentados pelo avanço do conhecimento em áreas como psicolinguística EA sociolinguística as pesquisas realizadas na década de 70 mudaram completamente de enfoque em lugar de tentar imaginar o que faltavam os que não aprendiam o desafio agora era entender como é que se aprendia a ler e escrever as pesquisas assim ficou linguística mostraram que as crianças tinham ideias sobre a escrita que nem os professores nem os estudiosos do assunto imaginavam bom então escreve aí para mim marimbondo
E aí a ver com dedinho fica Oi bom dia muito bem o rinoceronte Você conhece esse Bial e dinossauro Então escreve Dinossauro em e nem comendo importante de tudo bem e agora eu quero que se inscreva formiga E aí é muito bem né com dedinho formiga e agora escreve camelo é muito bem é interessante observar aqui nas palavras onde ela usa exclusivamente consoantes desde que se saiba que é uma lista de nome de animais é perfeitamente possível deduzir o que ela escreveu Roberta está escrevendo dentro das regras de um sistema silábico sua hipótese é que
a cada segmento de escrita Ou seja a cada letra deve corresponder um segmento da fala segmento este que ela como toda criança que recém descobriu que a escrita representa pensa que deve ser a sílaba formiga Roberta apesar de atribuir um valor silab com as letras do alfabeto usas de forma muito precisa as letras que utiliza são sempre as que realmente fazem parte da sílaba representada a partir daí foi possível compreender um fato que não era nada raro havia pessoas que aprendiam a ler tu tá na escola e sem qualquer tipo de ensino direto uma parte
importante dessas pesquisas foi realizada na América Latina onde o fracasso escolar já tinha se tornado um grave problema social os educadores brasileiros tomaram conhecimento do resultado dessas pesquisas quando foram publicadas em português sob o título psicogênese da língua escrita porque quando eu chegar aí vou tomar as tendências além de buscar entender o processo pelo qual alguém compreende o funcionamento do sistema de escrita investigações desse terceiro período mostraram que os alunos bem-sucedidos na escola saber muitas outras coisas não apenas decifrar mecanicamente a escrita para ilustrar o que estamos falando vamos acompanhar uma atividade e será melhor
estudada em outros programas nesse nosso curso você vai ver como crianças que ainda não sabem escrever são capazes de editar e revisar uma carta em mim e hoje eu trouxe a casa da Maria Angélica dos alunos da Maria Angélica que a gente escreveu vocês lembram eu vou ler essa carta para vocês para ver se vocês acham que tem que arrumar alguma coisa ou não para a gente poder colocar no correio Tá bom então Paulo 17 de Agosto de2001 alunos da Maria Angélica Recebemos a sua carta com muito carinho e queremos conhecer vocês a gente estuda
na creche central da USP somos alunos da clériga e da Ana Lúcia Algumas crianças tem 7 anos e outras tem seis a gente brinca na areia joga bola pega-pega duro ou mole esconde-esconde pega-pega americano trepa-trepa pula pneu vira de cabeça para baixo brincar de casinha tem jogos pula corda e muito mais agora eu vou ler pedaço por pedaço da carta para vocês acharam o que que tá legal ou não você tem que mudar ou não Tá bom vou começar alunos da Maria Angélica Recebemos a sua carta com muito carinho e querendo conhecer vocês até aqui
tudo bem agora eu vou ler esse daqui ó o que estuda na creche central da USP somos alunos da clériga na lista espera um pouquinho E porque é que não tem a gente estuda na creche central da USP estamos com eles porque é errado não não tá errado a gente também certo porque senão fica a gente nós não pode misturar os dois tá então aqui como ficaria no começo a gente da gente então a gente vai [Música] ficar muito feio o e Então como que eu escrevo aqui olha tá assim a gente estuda na creche
um pouquinho deixa eu arrumar aqui ó nossa estudamos para Praça Central dá um somos alunos a clica na Lúcia Algumas crianças tem 7 anos e outras tentei a gente brinca na areia joga bola nós brinca brincando na areia brinca nós brinca então o o pega-pega duro ou mole esconde-esconde pega-pega americano trepa-trepa pula pneu vira de cabeça para baixo não essa atividade mostra como uma criança é capaz de produzir um texto mesmo antes de saber como escrever no de próprio punho descobrindo como se aprende foi possível compreender porque o processo de alfabetização para alguns é fácil
para outros tão difícil e veja se buscar o porquê do fracasso dos que apresentavam dificuldade para aprender nesse período tenta-se compreender como aprendem os que conseguem aprender a ler e escrever e principalmente o que pensam sobre a escrita os que ainda não se alfabetizaram e Hoje sabemos que o fracasso escolar não tem como motivo deve-se mas o desconhecimento de como a criança pensa o que é ler e escrever e como podem ser organizadas boas situações de aprendizagem o desenvolvimento das ideias desse terceiro período mostra que as dificuldades na alfabetização de crianças que fraca sabão estavam
relacionadas ao fato de terem poucas oportunidades de pensar sobre a escrita e sobre seu funcionamento e outras palavras podemos dizer que as crianças e também os jovens e adultos aprendem participando de práticas sociais mediados pela escrita E aí e ao contrário do que aconteceu nos dois períodos que vimos antes em que a relação são grafia era considerada a aprendizagem mais importante na alfabetização hoje se tem Claro que aprender a ler EA escrever é um processo muito mais complexo E aí E aí e quando alguém aprende a ler está aprendendo também uma quantidade enorme de outras
coisas essenciais para o sucesso escolar tanto os adultos como as crianças aprendem a ler e escrever ao mesmo tempo em que aprendem para que servem os textos e como eles são usados apêndice a língua fazendo-se uso prático dela o que queria distância angular entre as crianças que vende famílias onde a escrita é um hábito e das que vende famílias onde a escrita é uma experiência pouco comum é a possibilidade maior ou menor que elas têm de estar em contato com experiências extraescolares em práticas sociais que utilizam a leitura EA escrita quando estas práticas não são
frequentes na família na comunidade onde a criança vive Ela depende apenas da escola para aprender nesse caso Cabe à escola oferecer os meios para que todas as crianças tenham as mesmas oportunidades a condição de aluno pelo qual todo o professor passou por muitos anos de sua vida faz com que ele aprenda a profissão pelo convívio diário com seus professores a história de sua vida mistura-se muito com o exercício do magistério vamos ver agora um pouco dessas histórias de vidas de professor para professor II [Música] Essa é a minha vida escolar foi todinha numa escolas do
estado a minha primeira série que foi aonde eu tentei me alfabetizar eu tive um problema eu tive várias professoras pelo que eu me lembre que minha mãe tá meio conta eu tive em média seis professoras do ano só então é o que eu lembro de ter saído da primeira série escrevendo era só o meu nome e lembro também que tinha uma cartilha e morreu de medo dela porque achava que era tudo muito difícil na verdade a minha compensação se dando uma segunda série e que a professora eu me lembro hoje a dona Jamila lá contava
muitas histórias e aquilo me fez ficar apaixonada pelo livro que no entanto não era mais a cartilha era um livro de segunda série um livro adotado pela escola mas que tinha assim várias histórias histórias grandes até algum contexto algum sentido não não de cartilha que eram frases soltas Foi aí que eu consegui me alfabetizar atende a ver a escrever e também é produzir textos dá para escola não me lembro nada porque lembra assim que eu só brincava não lembro de momentos em sala fazendo nenhuma atividade só lembro de estar brincando e da primeira sede Foi
uma muito dramático Então na verdade vai poder descer na segunda série e Tenho muito orgulho de ter sido a vida inteira em colégio público né do Estado então a primeira série eu me lembro da cartilha que é Caminho Suave que era a única coisa permitida de Se Ler na Escola isso me chateava muito porque eu gostava dele e na minha casa eu tinha livros o meu pai Lia bastante a minha mãe liga para mim e eu gostava de ler na minha casa gostava dos meus livrinhos eu adorava fazer de conta que eu ia que eu
dava aula desde já de menininha já dava aula para tudo contra a bichinho boneca mas eu não podia participar isso Nenhum momento na escola então isso que era muito chato para ver é ter que ler e ela cartilha E além disso os textos da Caatinga eu me lembro quero muito muito chato eu fiquei um ano inteiro tentando entender o que quer usado já bunda né Sei lá eu quando que eu fui saber o que significava aquela aquela combinação é o bebê baba ele então é um coisas que eu aprendi a hora que eu aprendi aí
eu tinha que decorar eu tinha que me virar com aquilo sem saber por que então eu não me lembro quando eu comecei a ler e escrever porque eu realmente passei o primeiro a série inteira estava trancada com medo sentadinha lá quietinha sem perguntar sem nada então eu não me lembro mesmo eu acho que se eu pudesse escolher Se eu pudesse voltar atrás eu gostaria de ter sido alfabetizada dentro de um trabalho que é igual ao que eu faço ou melhor eu ia ter muito orgulho de ter sido profetizada desse jeito eu e eu não esqueço
um dia que a professora disse que se do relógio e perguntou para a classe esse a gente achava que ele era do Recreio e eu apesar de ser tímida disse para ela o seguinte professora eu acho que já é que nós vai mostra nessa hora em casa a professora levantou foi minha direção e disse o seguinte menina não é a mostra que se fala se fala almoça é partir desse dia nunca mais abrir a boca eu já era tímida E aí eu parei de falar até o final do ano na sala em casa aí eu
meus pais nessa estão sempre foram pessoas meu pai é uma pessoa muito curta minha mãe ia muito para para gente eu lembro da minha mãe comprando livros e lendo a noite histórias é o meu pai também lendo as coisas para gente tal um hoje eu fui para o primeiro ano mas eu me lembro que eu tinha uma excelente professora na considerada excelente professora mais assim extremamente tradicional e eu lembro de alguns exercícios que eu fazia de coordenação motora que eu fazia folhas e folhas de exercício meu caderno era lindo e o meu pai é na
verdade assim o trauma que não tinha da professora mas tinha do do meu pai bravo brigando porque tinha que ser perfeito porque eu tinha que fazer bonito e e era nesse nesse sentido assim que ele achava que a letra tinha que ser maravilhosa né A minha mãe me levou na escola esse primeiro dia com vestido branco com esses de aniversário e parece um bolo aí quando eu cheguei todas as crianças de uniforme todas sentadas em carteiras normais e a professora me colocou numa carteira de criança eu acredito que essa pequenininha cadeira pequenininha a primeira lá
da frente lá da classe eu não sabia nada eu fiquei afim de ficar desesperada né não não conhecer nada morrendo de medo ele era a única ali a palhacinha da classe porque aquela roupa que já dizia tudo né então foi muito difícil esse meu primeiro dia eu tenho uma situação assim muito triste porque ela chegou para mim falou assim você vai a louça escrever uma palavra com m eu não sabia sabia ela falou assim você eu vou até eu vou sair um pouco quando eu chegar eu quero que você que essa palavra esteja na outra
e se você não gritar para mim escreve mais escreve mais mas mas eu não sei escrever né ficava a minha mão suava hoje ficou todo molhado e a professora tava xingando nela saiu e me deu esse tema para escrever aí um aluno acho que tô com tanta dor de mim ele chegou pros escrever o m o ar e acreditando para mim eu tremendo escrevendo na louça aí a professora chegou falar muito bem você escreveu isso mesmo é só tenho certeza que não foi você que escreveu sozinha se alguém te ajudou então eu passei assim algumas
situações assim de eu não vou dizer de discriminação eu acho que situações que me deixaram assim do constrangida então eu sempre tive assim muito medo de ler muito e ler assim voz alta medo de escrever eu tinha pavor e tem até hoje né Então essas situações assim que ocorreram na minha primeira série achei que gravou mais nessa primeira série me deixando assim uma adulta né que buscasse hoje no meus alunos a questão da escrita e da Leitura o tempo todo porque eu não tive isso tá apesar da minha família uma família assim que ele é
muito meus pais amigos minhas irmãs mas e esse pavor o G1 ah ah ah e o que estão pensando Além disso miúdo não pensa um pouco mais ele bota um corpo Nossa Senhora é um lugar para nós a gente fez uma roda de pouca serventia mas que depois de comer o ano inteiro responder da virgem a vida da gente vai mudar Nossa bonita muito meio muito feijão parto e substância para os meninos se criar como ter vida nova sem carecer da conta do Gado a cidade lá no mato feito a peste depois a dentro do
Paraná cidade grande faz ter tanta coisa para gente ver esse zóio só conhece a desgraça os meninos vão para a escola aprender tudo ter saber mesmo livro fazer conta no mapa que nem solto mais grandes coisas e eu tô mais sabia muito certo mas quando botou o pé no mundo se acabou no caminho a leitura Civil para alguma coisa civil não serviu para ele aguentar nem Duas Léguas e quem é que vai andar sempre no mato escondido que não bicho Olá bom dia tenho que vir a gente o tempo continuar vivendo que nem bicho escondido
no mato o Breno E aí nós não podemos não E aí [Música] G1 Ah tá [Música] e a cena que vimos é do filme Vidas Secas de Nelson Pereira dos Santos que foi baseado no livro de Graciliano Ramos aprender a ler e escrever é importante para a vida de todas as pessoas e Cabe à escola Prof se ar oportunidades iguais para todos nesse curso estaremos acompanhando juntos algumas atividades que oferecem a todos os alunos a participação em práticas sociais letradas você vai poder fazer uma leitura de todas as mudanças em curso a gente se encontra
no próximo programa de lá e E aí E aí [Música] E aí [Música]