Vai lá! Como vão? Conversar, sejam bem-vindos e bem-vindas neste nosso novo encontro, hoje aqui com a Nanaia de Simas, grande atriz aqui de Sorocaba, região e Brasil afora.
Então, eu vou apresentar primeiramente a Nanaia, mas antes, né, as boas-vindas a Nanaia. Nanaia, seja muito bem-vinda! O prazer é enorme ter você conosco.
Muito obrigada, Roberto! O prazer maior é meu. A nossa gratidão desde já.
Agora, vocês acreditem se quiser, a Nanaia de Simas, para quem não sabe, o nome dela é Marina Simas Esteves. Ela é professora, atriz, diretora, produtora e dramaturga, formada em Artes Cênicas lá pela Universidade do Rio de Janeiro (UNIRIO) em 1983, pós-graduada em Literatura Infantil e Juvenil pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1987. Vou falar algumas coisinhas rapidamente, né, porque o currículo da Naná é algo imétrico.
Ela viveu tantas coisas nessa vida que a gente nem acredita! Mas, dentro da parte de direção, tem "Lamento da Mula", de Henrique de Mota, contemplado pela Lei de Incentivo Cultural de Sorocaba em 2016; "O Burguês Fidalgo", de Molière, direção e interpretação da Senhora Jourdan, ensinado também pela Link em 2005, com o grupo Entreatos. O Entreatos, para quem não sabe, é o grupo de teatro que surgiu do Getúlio Vargas e foi encenado em 2005 no Teatro Pedro Salomão José e no Teatro Municipal Teotônio Vilela em 2006.
Ela é detentora de sete prêmios do Festival Livre de Teatro Sorocaba, direção cênica também da primeira ópera bufa, encenada em Sorocaba, "La Serva Padrona", também com o grupo Entreatos, tendo o libreto de Giovanni Battista Pergolesi e com a Orquestra Sinfônica de Sorocaba, sob a regência do maestro Jon Clíre Real. Depois, também fez a direção cênica da ópera bufa "L'École des Maris", de Jean-Jacques Rousseau, que também escreveu o libreto, com a regência do maestro Branco Bernardes e da Orquestra da Câmara Paulista, com a Orquestra Sinfônica de Sorocaba e preparação vocal do cantor lírico William Dolfini, em 2002. A Nanaia, dentro da parte de direção de atores, trabalhou em "Busca do Pássaro Azul", pela Link também em 2016, e com o grupo Mistura de Gente.
A direção geral foi do querido Ricardo Devito, nosso querido Ricardo Devito, e a trilha dos projetos também pela Link em 2012, desenvolvido também em 2013, com 16 apresentações com o grupo teatral Mistura de Gente, também sob a direção de Ricardo Devito. E alguns projetos especiais, como a performance "Fé é Morta", no Chalé Francês, que foi uma apresentação durante a vernissagem da artista plástica querida Lúcia Castanho, com direção coletiva lá na Marx Sorocaba em 2013. Depois, roteiro e direção do mistério do 58º Show M com a turma do 5º ano do curso de Medicina da PUC de Sorocaba em 2016, direção do espetáculo "Fêmeas", de Marcos Farias.
E durante o Festival do Teatro, também no Teatro Municipal Teotônio Vilela e na Fundec, apresentação dessa peça "Fêmeas". Ela também apresentou na Uniso em 2005. Esse grupo é da empresa "Ina", que foi a contratante.
Como atriz, a Nanaia participou de "Em Busca do Pássaro Azul", com a adaptação da Débora Brenga, aqui de Sorocaba. Depois, pela trilha do "Osque", também da Débora Brenga, uma peça encenada com recurso também da Link, e "Hamlet" de Shakespeare, Ofélia Morta e performance encenada no Max, também "O Burguês Fidalgo" de Molière, pela Link. Aí foi com o grupo Entreatos também, né?
O "Burguês Fidalgo" também fiz a direção cênica. Não, no burguês eu fiz a direção geral e também atuei como a Senhora Jordan. E isso, e o grupo Entreatos, para quem não lembra, né?
É lá o grupo do Marcelo e da Elete Martin, que surgiu lá no Festival de Teatro do Getúlio Vargas. Hoje eles têm o núcleo de teatro até hoje, fizeram 40 anos no final do ano passado. Daí, ela também apresentou "O Último Carro", texto e direção do João das Neves.
Vou contar para vocês, eu assisti essa apresentação em São Paulo, e ela fez o papel de uma mulher grávida. Acontece que eu assisti, mas não sabia que era a Nanaia que estava ali fazendo aquela interpretação. Tudo bem, aquela moça bonitinha, tal, grávida, e eu angustiado porque toda hora ela saía correndo e batia nas grades do trem, porque é num vagão de trem essa encenação, entende?
Então, nós assistindo, né, como se fosse um vagão de trem tirado uma lateral e toda a cena se passa ali dentro. E aí, ela toda hora batia a barriga. Eu falei: "Meu Deus do céu, essa mulher grávida fazendo essa apresentação dessa peça vai machucar essa criança!
" E eu angustiado toda hora. Bom, tudo bem, terminou a peça, linda, maravilhosa, todo mundo aplaudiu. Aí eu entro no ônibus para vir para Sorocaba, pego a famosa Cometa, né, o famoso Cometa.
Aí eu entro, quem que está ao meu lado? Senta-se ao meu lado a mulher da barriga, a mulher grávida, famosa, Nanaia de Simas, senta-se ao meu lado. Quando eu vi, assim, falei: "Nossa, você tá.
. . " olhei pra barriga dela.
Cadê a barriga dela? Bandida! Era falsa a barriga, ela não estava grávida coisa nenhuma!
Então, veja o que é saber atuar, né? Era ela lá que estava lá. “Mas eu fiz um laboratório para isso, né?
Eu sentava ali na Praça Coronel Fernando e ficava vendo as mulheres grávidas que passam, o jeito de andar, né? Porque aí você tem o eixo, né? Qual o ponto seu de equilíbrio, né, angulação da sua coluna?
Então, é todo um trabalho corporal que você pesquisa para passar essa credibilidade pro público. ” Depois, ela apresentou essa peça comadre no grupo opinião e também durante a benal de São Paulo. Patética a vida de Vladimir e de João Ribeiro Chaves Neto.
Depois, Ana, com pipocas de papiro e com a direção de Marcelo Marques, participou da parte audiovisual. Ela, como atriz, trabalhou em "A balada dos anjos e dos demônios", que foi um curta do querido diretor Marcelo Domingues. Depois, participou de "Memórias do teatro Sorocabano" nos anos 2000, um projeto da Link.
Aí, ela também participou de uma websérie, "Projeto Vanda", com a direção e roteiro da Ana Rei, atriz em "Um corpo no quintal", que também foi um curta de ficção de Sorocaba, com direção de Jucc. Depois, como professora na parte de docência, porque muita gente não sabe que ela é uma excelente professora, achando que ela só trabalha como atriz e diretora. Mas, na verdade, ela sempre deu muitos cursos.
Além disso, como professora mesmo, trabalhou no Senac durante 18, quase 20 anos, oferecendo vários cursos, como Cursos Técnicos em locução, guia de turismo, contabilidade e história na área de telaria e teatro. Ela também trabalhou em projetos próprios para aulas de interpretação e dramaturgia na oficina cultural Grande Hotel em Sorocaba, de 1992 até 2014. Como professora de teatro, trabalhou na escola Mundo Novo de 1989 a 1995 e no colégio Objetivo de 1997 a 1999.
Foi fundadora e diretora da Oficina das Artes de 1992 a 2006 e docente nos cursos livres de teatro, música, artes e oratória nessa mesma escola. No Sesc, ela ministrou oficinas de teatro da terceira idade, assim como na oficina cultural Grande Hotel. Na Prefeitura Municipal de Capão Bonito, foi coordenadora da oficina "Confissões" e "Adolescente pela primeira vez no palco", com indicação de iniciação teatral para adolescentes, ministrando aulas de expressão corporal, vocal, interpretação e análise.
Na oficina cultural Grande Hotel, também participou da montagem do "Rei da Vela", de Oswald de Andrade, em oficina de interpretação e apresentações no Teatro da Fundec. Durante esse período, foi a última peça em que Mantovani participou, logo antes de seu falecimento. Certo, agora, eu acabei de mencionar que foi na escola Mundo Novo e também no Colégio Objetivo.
Logo depois que falei da escola Mundo Novo, no Senac, fui coordenadora do primeiro curso profissionalizante para atores, que perdura até hoje, um trabalho muito bonito e sério de formação artística, onde os atores podem tirar o DRT. Esse foi um dos muitos cursos que dei no Senac e foi bem especial. Além de outras atividades, foi presidente da Associação Teatral de Sorocaba de 2008 a 2010.
Durante esse tempo, desenvolveu inúmeras atividades, como a Mostra de Drmaturgia e o Festival Regional Livre de Teatro, em parceria com a Prefeitura de Sorocaba. Também realizou a Mostra de Drmaturgia em parceria com a Oficina Cultural Grande Hotel, em 2009 e 2010. Participou do Clube da Escola, que é um projeto da Secretaria de Educação de Sorocaba, com a peça "Cantor e o Palhaço", que era um texto dela e do Fernando Dafner, com apresentações em todas as escolas municipais de primeiro grau da rede Municipal de Ensino de Sorocaba, quando apresentou a primeira revisão e adaptação do livro "Sensitivos", da Raquel.
Além disso, conduziu a oficina de análise comparativa do texto dramático "Auto da Compadecida", além da narração do vídeo "Por que lutamos? ", com a Fernanda Queiroz, atriz também no espetáculo "Edmunda", de Angelo Puan, que teve enfoque em treinamento pessoal. Ela fez muitas apresentações em diversas cidades e estados do Brasil, como Amazonas, Mato Grosso, Bahia e até Santa Catarina, preparando artistas para testes e capacitação para obtenção do DRT.
Como mencionado, também preparou muitos cantores e artistas para a Rede Globo e SBT, além de empresários, gerentes e professores para diversos fins na área de comunicação. Ela foi membro do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Sorocaba, representando grupos e coletivos, e coordenou o grupo de trabalho de literatura dentro desse mesmo conselho de 2018 a 2022. Aí é um pouquinho daquilo que eu tinha para falar para vocês, antes de fazermos uma série de perguntas e colocações.
Mas, vamos lá. Primeiro, Naná, eu quero que você conte: onde você nasceu? Nossa, eu nasci numa cidade chamada Lins, aqui do interior de São Paulo.
Mas eu só nasci e fui embora, né? Só voltei uma vez, quando eu tinha 5 anos, para visitar uns tios do meu pai, mas atualmente a gente não tem mais ligação com a cidade. E a sua formação escolar inicial, onde foi?
Foi no Rio de Janeiro. Depois que vim do Amazonas… Eu saí de Lins para o Amazonas, depois para o Rio de Janeiro. Morei em Manaus três anos e vim para o Rio de Janeiro.
Quantos anos você tinha quando estava no Rio e quando estava em Manaus? Eu cheguei em Manaus com 2 anos e meio, fiquei três anos e no Rio voltei com 5 anos e meio. Isso, 5 anos e meio.
E com 6 anos… Entrei na escola primária no Rio de Janeiro e fiquei lá até que idade? Até 16. Puxa vida!
Então você ficou bastante tempo. E aí, como foi sua formação escolar lá? Você teve alguma atividade teatral já ou não?
Olha, nos primeiros anos, não, né? Mas teve coisas muito marcantes na minha infância que eu acho que me levaram para isso. Quando eu estava com 5 anos, eu fui pela primeira vez ao teatro ver o musical da "Chapeuzinho Vermelho" no Teatro Amazônas, teatro monumental, né?
Lindo! Adorei! E então eram aquelas companhias que vinham de fora do Brasil; nós ainda estávamos no ciclo da borracha, era uma cidade muito rica e eu fiquei encantada, né?
Eu saí de lá dançando, cantando. . .
Nossa, eu falei: "é isso que eu quero fazer na minha vida! " com 5 anos. Mas aí passou.
. . Aí, quando eu estava na escola, tinha muito pouco teatro para criança naquela época.
Mas foi um mágico na minha escola e nós sentamos assim no pátio, e ele contou histórias. E aí, o que me encantou foi que ele fez um bonequinho na mão dele, assim, né? Ele passou batom aqui, pintou os olhinhos aqui, e segurava um pano aqui que era a roupinha, e ele era ventríloquo, né?
Sei! E eu falei: "gente, eu fiquei encantada com aquilo! " Eu não esqueço até hoje ele apresentando aquilo pra gente.
Foi muito marcante. Quando eu estava já no antigo ginásio, né? O que corresponde à sétima série hoje em dia, o professor Roberto Martins, que era o professor de história, resolveu fazer teatro na escola e montou Édipo Rei.
Épico, né? Quantos anos vocês tinham? Ah, 14!
Legal! E eu fui fazer a corifeia. É Sófocles, maravilhoso, né?
Então, o primeiro contato que eu tive mesmo com teatro foi numa peça de teatro muito legal porque essa idade eu dava pra turma de teoria de literatura na faculdade. Então, mas ele era um professor assim! Por exemplo, nós fazíamos prova com consulta.
Consultava a Bíblia, era uma prova de história, né? Atlas, toda a gente podia consultar. E pra gente aquilo era uma novidade porque, naquela época, você não podia ter nada, né?
Fiscalizava até a borracha para ver se não tinha escrito cola, né? Alguma coisa ali. E o dele era com consulta aberta, era uma pessoa assim, espetacular mesmo, né?
E antes disso, eu fiz teatro na minha infância com os meus vizinhos. Nós montamos o Clube do Guri, fizemos distintivos de feltro bordado e pegamos peças daquelas coleções do Mundo da Criança. Daquela enciclopédia famosa, "Delta" e "Tesouro da Juventude".
Isso, "Tesouro da Juventude". Nós achamos uma peça de teatro lá numa dessas enciclopédias, desses livros, e montamos. E foi muito interessante porque nós vendemos ingressos, né?
Para os vizinhos, para os pais de todos e os que não eram pais de ninguém da peça também. E eles tinham que levar uma cadeira, e nós fizemos na sala da minha amiga, né? E foi muito interessante que foi assim que eu comecei a produzir ali também, dirigir, né?
E adaptar. Então foi muito interessante, foi a minha experiência na infância com teatro. E como exemplo, tinha um programa aos domingos, na TV Tupi, chamado "Teatrinho Troll".
E esse "Teatrinho Troll", todo domingo, apresentava uma adaptação de algum conto famoso infantil, normalmente os clássicos, né? De contos de fadas ou histórias brasileiras também, de indígenas, de animais, né? E ali atuava.
. . Eu lembro bem do Roberto de Cleto, que era um ator da época, o galã, que fazia o mocinho.
Sempre a Norma Bloom, que fazia a princesa, né? E as mocinhas, a Zilka Salaberry, que fazia a bruxa ou a rainha e o Paulo Padilha, que fazia o rei. Ah, e o G, que fazia o bobo da corte, né?
Fazia os personagens mais engraçados. Eu lembro bem desses. E interessante é que o Roberto de Cleto, quando eu fui fazer a faculdade, foi ser meu professor na faculdade.
Quando eu vi, eu fiquei emocionada, né? E uma vez, também, eu andando em Top Cabana, lá no Largo do Líder, quem que vem vindo na minha direção? Zilka Salaberry!
Quando eu vi, eu fiquei tão emocionada porque a minha infância toda era ela, rainha! E aí eu corri, falei: "Zilka! " E eu abracei, e ela me abraçou também com uma generosidade.
Eu comecei a chorar de emoção e ela começou a chorar junto. E nós ficamos abraçadas ali, chorando de emoção, né? E eu fiquei pensando: "puxa, eu a conheço, né?
Eu vi durante anos, mas ela não me conhece. " E ela me recebeu com tanto carinho, né? Assim, tão feliz de ter uma fã, né?
20 anos depois do programa, né? Se emocionando tanto e encontrá-la. Então, foram essas referências, assim, né?
Um pouquinho aqui, um pouquinho ali que você vai construindo, né?