eu sou o Tiago Rogério e seu podcast do projeto Quirino produzido pela rádio novelo [Música] Episódio 8 democracia [Música] e aqui Aqui já é a casa principal né esse conto que você tá vendo aqui ó era o famoso quartinho escuro da casa aí aonde o pessoal tem a capela Os Barões participar da missa e os escravos ficavam aqui para participar da missa essa Fazenda foi fundada em 1784 fica perto de uma cidade do interior de Minas Gerais chamada Cruzília esse que tava conversando comigo é o atual gerente da Fazenda o audivan da Silva no passado
a fazenda pertencia aos Junqueira uma família tradicional mineira gente muito rica o nome da fazenda é Bela Cruz e na família antiga o que que era esses ambientes por exemplo o quarto principal ficava para lá para cá eu não sei falar exato mas conta a história que o homem foi assassinado nesse quarto que tá aqui que tem lá não sei se você já leu lá que quando fizeram a revolta de Carrancas E aí eles vieram os escravos falecido matou todo mundo que tá aqui na casa e inclusive o filho que é chamar o José Francisco
junquer que ele se trancou no quarto e eles um dos escravos cortou a porta a golpe de Machado e o Cavaleiro catou a garrucha e matou ele na garrucha um dia em 1833 na hora em que o senhor chegou a roça para monitorar o trabalho ele foi assassinado morto pelos escravizados dele esse homem era um juiz de paz e também era filho de um deputado federal o deputado é que era o dono das fazendas Ele só não tava lá na hora da Revolta porque tava na corte no Rio de Janeiro o nome do deputado era
Gabriel Francisco Junqueira ao todo os escravizados mataram nove pessoas da família dele entre elas três crianças o caso ficou conhecido como a revolta de Carrancas que era o nome dessa região de Minas Gerais na época bom eu sou Rogério Pádua nakano sou aqui hoje eu sou o proprietário aqui da Fazenda Bela Cruz a família do Rogério não tem nada a ver com a revolta eles compraram A Fazenda em meados dos anos 2000 de um descendente dos Junqueira e foi muito interessante porque meu pai gosta de fuçar né Essa parte histórica daí ele achou um inquérito
policial na época lá da revolta de Carrancas é um inquérito policial acho bem grande e bem detalhista de como eles encontraram a região e daí a gente começou a ficar muito curioso pela história da Fazenda por conta disso porque foi uma revolta bem marcante e violenta e ela foi violenta porque tinha uma razão né aqui e daí isso acaba explicando muito como as coisas eram aqui né Os relatos históricos demonstram que era uma situação muito difícil para os escravos e tudo mais a revolta só foi abafada quando os escravizados foram mortos o líder do movimento
o nome dele era Ventura mina e outros quatro escravizados Isso tudo foi num Treze de Maio 13 de Maio [Música] outros 31 escravizados que sobreviveram foram acusados de participar do levante 16 deles foram executados depois de terem sido condenados a pena de morte e isso era algo muito fora da curva para casos assim essa quantidade de gente condenada a pena capital é que o período da escravidão tinha essa dicotomia muito louca por mais que pessoas escravizadas não fossem tratadas nem como seres humanos elas eram um bem valioso demais para o senhor Rebelde de um dia
é preso punido e no outro dia Este é o João José Reis Eu sou professor da Universidade Federal da Bahia isso Historiador escritor e ele tá lembrando que o senhor de escravos preferia mil vezes castigar do que simplesmente matar embora às vezes o castigo era tanto que acabava levando a morte também era uma muito preciosa para estar sendo presa cumprir pena ser castigada e muito menos executado E no caso da revolta de Carrancas Como você ouviu não foi um escravizado que foi executado foram 16 fora os cinco que já tinham morrido no dia do confronto
o historiador Marcos Ferreira de Andrade estudioso da revolta de Carrancas Já escreveu que a explicação mais razoável para essa quantidade de condenações à morte é o fato de terem assassinado vários membros de uma família senhorial ligada a elite política Liberal moderada do império que dava as cartas do jogo político naquele contexto o massacre que se abateu sobre o junqueiras trouxe Pânico as elites regionais ao Parlamento e a regência aquele era o período das regências né a década de 1830 O Dom Pedro I tinha abdicado do Trono em 31 o filho dele ainda era só uma
criança e o governo estava sendo revezado nas mãos da classe política era um momento de tensão em todo o país né De novo aqui o João José Reis um período em que pipocaram revoltas regionais em diversos pontos do país agora é muito importante que esse é um período que há um acúmulo digamos assim de uma onda muito grande de importação de escravizados africanos e a gente falou sobre isso nos dois primeiros episódios na Euforia da independência na gana na ambição desenfreada os escravistas trouxeram muito mais gente escravizada para o Brasil quando começaram os tratados com
a Inglaterra para proibir o tráfico os senhores compraram ainda mais para poder fortalecer o estoque foi um volume tão grande que pressiona as tensões entre os escravos tanto que nesse período que vai entre 1826 e 1831 ocorre em 16 revoltas ou conspirações e isso só na Bahia Teve muita Insurreição na Bahia nesse período a maior e mais famosa delas foi em 1835 A Revolta dos Malês foi uma revolta de Africanos tanto africanos escravizados como africanos libertos a revolta 1835 foi a trigésima primeira alguma coisa assim né das revoltas então havia uma tradição Rebelde importante o
João José Reis escreveu um livro incrível sobre a Revolta rebelião escrava no Brasil a história do levante dos Malês em 1835 ela foi organizada por negros Malês uma leis eram os africanos de origem iorubá portanto na Goes e que vinham da região da Costa da mina é um litoral que hoje em dia pertence ao povo República do benim e Nigéria era a forma como eram chamados os africanos que eram muçulmanos e a Revolta dos Malês ganhou esse nome porque foi organizada por muçulmanos [Música] porque houve uma denúncia e a polícia saiu batendo na porta daqueles
lugares apontados como sendo locais de reunião de africanos e a polícia chega realmente num local onde havia um grande grupo reunido e quando a polícia dentro desse local os africanos que lá estavam reunidos saem né armados e tem uma primeira pequena Batalha entre cerca de 60 Rebeldes e a polícia Então a partir daí há uma dispersão desses Rebeldes ele se dispersaram pela cidade por Salvador levantar e outros africanos foram aderindo eles percorrem uma área muito grande da cidade de Salvador e o que se ouviu ser gritado nas ruas da cidade é foi morte aos brancos
viva na Globo só que no meio do caminho ficava o quartel da cavalaria os soldados montados atacaram esses Rebeldes que estavam saindo da cidade e quando houve uma última batalha ali né que foi a mais sangrenta morreram cerca de 70 talvez mais africanos e a revolta basicamente foi terminou aí centenas de pessoas foram presas e 15 foram condenadas à morte mas houve a comutação da Maioria dessas penas foi transformada em outras penas como chibatada ou até absolvição no segundo júri que houve e quatro pessoas foram executadas foram fuziladas deveriam ter sido enforcadas mas não se
encontrou ninguém que pudesse servir que aceitasse servir como Carrasco outras dezenas de pessoas foram expulsas do Brasil Mas só pessoas que já eram livres nenhum escravizado [Música] porque é prejudicar os senhores mas as pessoas que foram expulsas eram ex escravos libertos africanos e foram expulsos de volta para E essas duas revoltas a de Carrancas e a dos males acabaram tendo um impacto enorme na legislação do período houve uma consequência muito grande em leis locais sobretudo na corte mas também todas as províncias de modo geral que enrijeceram o controle não apenas dos escravizados mas também dos
libertos africanos reforçaram o controle e a repressão a população negra de um modo geral e obviamente não eram as pessoas negras que faziam essas leis tinha um outro caso de algum político afrodescendente que a época podia ser lido como mulato como Pardo mas a classe política era majoritariamente Branca rica e comprometida com a escravidão boa parte dos deputados e senadores eram senhores de escravos Dom Pedro tinha caído muita gente tentou radicalizar o momento indo para o confronto agonico inclusive os escravizados e este é o Thames parron Historiador e professor que a gente ouviu no segundo
episódio essa polarização Popular ela empurra os conservadores para um eixo comum ela pura o senso de coesão solidariedade e alto preservação entre os donos do dinheiro e do patrimônio das riquezas privadas você tem aquele momento de mobilização no Brasil mas a Coligação das forças joga a favor da reação e não da realização dos anseios das classes e populares esse pessoal apostou no momento da escravidão e reabrir o tráfico ela fez tudo isso ao mesmo tempo e aí a gente chega naquele momento do total desrespeito a lei de 1831 quando o tráfico de escravizados estava proibido
Mas continuou com força total num grande acordo nacional [Música] foram mais 19 anos de tráfico ilegal de um dos maiores casos se não o maior caso de corrupção sistêmica da história do Brasil até que uma nova lei em 1850 a lei Eusébio de Queiroz finalmente pois fim ao tráfico quase 20 anos depois da lei de 31 houve um alinhamento muito especial de forças para que essa lei passasse e por trás disso tava de novo a Inglaterra o principal Império do mundo naquele momento que nas décadas anteriores já tinha lucrado muito com a escravidão e com
o tráfico mas que continuava com objetivos econômicos atuando pelo fim do Comércio Negreiro a Inglaterra já estava participando da negociação de uma série de tratados que acabaram com tráfico em vários dos nossos países vizinhos Chile Venezuela Uruguai México isso foi deixando o Brasil cada vez mais isolado no cenário internacional daí em 45 O parlamento britânico subiu o Tom e aprovou uma lei e a gente aprende ela na escola é a bio a Berlim que considerou o tráfico marítimo de escravizados e deu autorização para marinha britânica apreender esses navios ela patrulhou as águas territoriais brasileiras ela
desembarcou Thiago marinheiro em Terra Brasileira sem permissão do governo brasileiro ela fez um semi bloqueio do porto do Rio de Janeiro deixou os navios de guerra alinhados deixando passar só navio que era obviamente destinado a Europa e parando todos os outros em 1849,50 a grã-bretanha já tinha tomado ou destruído pelo menos 10 navios brasileiros todos em Águas territoriais brasileiras e alguns até ancorados nos portos aí o Brasil declarou guerra não a grã-bretanha porque não é bobo é o tráfico em fevereiro de 1850 os políticos brasileiros concluíram que a única maneira de contornar a situação e
de evitar uma guerra era acabando de vez com tráfico cortando na própria carne Quem assinou o parecer foi o ministro da Justiça o Eusébio de Queiroz por isso que a lei tem o nome dele sem o perigo permanente de uma guerra contra a grã-bretanha o maior poder marítimo e Militar da época as elites do Brasil não teriam largado o osso literalmente os ossos o sangue os músculos daquelas pessoas Livres trazidas como escravizadas e legalmente por país não teria largado então se você tirar a grã-bretanha dessa equação esquece não tem fim do tráfico ninguém Mas uma
coisa que a gente não pode esquecer é o impacto que Todas aquelas revoltas de escravizados já estavam tendo sobre a classe política sobre a população que os africanos depois da revolta de 35 como se não já bastasse as outras revoltas começaram a ser vistos e definidos como bárbaros né que qualquer momento podia se levantar matar as famílias e assim por diante e quando o João José Reis fala nessas outras revoltas a gente pode pensar não só nas da Bahia ou nadicarancas em Minas mas também nas outras tantas que estavam acontecendo em outras partes do Brasil
em 38 por exemplo na região de Vassouras no rio estourou a revolta liderada pelo Manuel Congo centenas de escravizados fugiram de duas fazendas e se aquilombaram a guarda nacional precisou intervir seis escravizados foram mortos e o Manuel foi condenado a forca 10 anos depois na mesma região a polícia Descobriu um plano gigantesco de Insurreição que ficou conhecido como A Conspiração de 48 A ideia era matar todos os senhores e tomar o poder e isso tudo há menos de 150 km da corte por isso que pouco depois de assinar a lei de 50 o Eusébio de
Queiroz disse que alguns acontecimentos de natureza gravíssima produziram um terror que chamarei salutar porque deu lugar a que se desenvolvesse e se fizesse sentir a opinião contrária ao tráfico os mesmos fazendeiros que até ali apregoavam a necessidade do tráfico eram os primeiros a contestar que era chegado o momento de Dever Ser reprimido ou seja mesmo impedidas de participar das tomadas de decisão muito longe do controle do processo político as pessoas negras influenciaram essas decisões e nas décadas seguintes tudo isso seria determinante para conquista da Liberdade a constituição do império do Brasil de 1824 por essa
constituição aí se você nascesse no Brasil livre ou se você tendo nascido no Brasil conquistar-se a liberdade você podia ser considerado cidadão Isso significa que você tinha direitos civis garantidos os direitos são aqueles de produção da propriedade ter a sua casa como um espaço Inviolável poder ir e vir mas olha só você só era investido dos direitos políticos se você tivesse dinheiro para você votar para você ser eleito você precisava ter dinheiro precisava comprovar renda e como eu falei mais cedo não é que não tinha parlamentar negro nessa época até tinha uns poucos você tem
uma presença de pardos vou usar a terminologia da época né pardos e mulatos no Parlamento um de renome era o Antônio Pereira Rebouças era o que se chamava de um homem mestiço filho de uma ex-es escravizada e de um português Hoje ele é mais conhecido pelos filhos dele por seu pai dos irmãos Rebouças mas ele era uma figura política influente do império e como ele tinha outros você tem esses indivíduos inseridos no Parlamento Mas eles são vozes individuais eles não representam movimentos civis coletivos baseado na cor da pele será necessário surgimento de um movimento abolicionista
reunindo pessoas de diversas cores de pele será necessário lutar dentro da escravidão contra a escravidão para que essas vozes que você identifica isoladas importantes muito importantes mas isoladas no Parlamento da década de 1930 40 60 se tornem vozes com impacto político mais profundo no fim do Império antes de começar a falar do movimento abolicionista é importante entender o que que estava acontecendo no mundo naquele momento depois que o Brasil finalmente acabou com o tráfico de escravizados só quatro lugares nas Américas ainda não tinham abolido a escravidão os Estados Unidos e o Brasil que eram independentes
e Duas colônias da Espanha Cuba e Porto Rico em 1861 começou a guerra civil nos Estados Unidos e um dos principais motivos foi que um ano antes tinha sido eleito presidente um candidato do norte do país e que já tinha se mostrado favorável à Abolição era o Abraham Lincoln daí os estados do Sul que eram escravocratas começaram a declarar sua secessão a sua separação da União eram os estados confederados e a Guerra Começou porque eles queriam de qualquer jeito manter a escravidão daí aqui no Brasil em 63 o Presidente do Instituto dos Advogados brasileiros apresentou
para o congresso uma proposta de lei do ventre livre que os filhos das mulheres escravizadas nascessem livres a partir daquele momento isso foi 63 os parlamentares não deram a menor Pelota para ele lá nos Estados Unidos o norte venceu a guerra e a escravidão acabou por lá em 65 daí Ficaram só Brasil Cuba e Porto Rico ainda com escravidão e o Brasil como a única nação independente né vergonha Mundial nessa época o imperador Dom Pedro II que assumiu depois do golpe da maioridade já tava mais de 20 anos no poder aí em 65 Ele encomendou
um estudo sobre medidas legislativas para a emancipação dois anos depois o Imperador levou Esse estudo para os ministros dele um monte de Deputado Senador e tudo mais era a proposta de uma lei do ventre livre mas com o tempo de serviços prestados para servir como indenização as meninas que nascessem ficariam Livres quando completassem 16 anos e os meninos aos 21 Os ministros disseram que não achavam conveniente a ideia e o projeto foi engavetado daí Estourou uma revolução em Cuba em 68 contra o domínio espanhol alguns senhores chegaram a libertar seus escravizados para lutar pela independência
da ilha a Espanha ficou com medo de que o resto dos escravizados fosse recrutado pelos Rebeldes e para acalmar os ânimos aprovou uma lei de Abolição gradual da escravidão uma mistura de ventre livre com lei do sexagenários estavam livres os bebês e também os escravizados com mais de 60 anos com pagamento de indenização para os senhores e isso deixou o Brasil com as calças na mão o único país das Américas que não tava nem se preparando para abolição e É nesse contexto que toma força o movimento abolicionista por aqui [Música] nos anos 50 tem já
três associações abolicionistas que aparecem Mas é só isso são membros delite política da Elite social que tão preocupados em abolir a escravidão antigamente e a Ângela Alonso historiadora e professora Mas isso também não vai adiante porque não tem apoio Popular então eu começo a contar essa história em 1868 porque eu acho que é aí que realmente começa uma articulação que dá origem ao que se torna o movimento abolicionista ao mesmo tempo em que há um empenho de uma aula de Elite política dentro das instituições políticas para fazer o processo andar e uma figura Central nesse
processo Foi um engenheiro André Rebouças o filho mais famoso do Antonio Pereira Rebouças muito interessante porque ele pode dar um nó na cabeça das pessoas o Rebouças não é simples ele é negro ele é de uma família obviamente Negra mas o pai dele prestou serviços ao império durante o processo de consolidação do segundo reinado e o André Rebouças o filho ele tem um projeto de escravidão que é Vin lado com projeto de modernização do país porque ele é um engenheiro mas na casa dele tem escravos sim na casa do André Rebouças o intelectual negro um
dos principais nomes do nosso abolicionismo a casa dele tinha escravizados logo que Ele Decide entrar na campanha ele liberta outros abolicionistas importantes inclusive com Joaquim encerra o Rui Barbosa só libertam seus escravos bem mais para frente na campanha Então também não era visto como uma contradição você defender ideias abolicionistas E você ainda possui escravo esses fenômenos são todos sempre muito mais complexos do que o bem contra o mal também né e a gente já falou sobre isso o Brasil era uma sociedade escravista tudo gerava em torno disso para ter dinheiro para ter poder para ter
liberdade política as pessoas tinham escravizados o que não quer dizer que precisava ser assim para sempre o Rebouças tomou consciência disso O que vai fazer a cabeça do Rebouças girar é um momento em que ele entende que ele é negro Isso só vai acontecer mais tarde já nos anos 70 quando ele vai para os Estados Unidos ele não pode se hospedar em nenhum Hotel de Elite ele não pode assistir a ópera e daí ele percebe que lá não adianta ele ser um homem curto termos conexões sociais etc que ele inclusive tem mas que ele vai
ser tratado sempre a partir da cor da pele e aí é que ele realmente se transforma no abolicionista assim não só de mente mas de coração e aí é o momento em que ele vai fazer alianças com José do Patrocínio com Vicente de Souza dois grandes abolicionistas dois grandes abolicionistas negros o José do Patrocínio e o Vicente de Souza a esposa do Vicente também foi bem importante a Cacilda francione de Souza ela é considerada a primeira mulher a participar abertamente das conferências abolicionistas que eram eventos com Participação Popular que aconteciam por todo o país um
outro abolicionista negro de destaque era o Ferreira de Menezes e é óbvio que também tinham pessoas brancas entre os abolicionistas um nome bem importante por exemplo é o do Joaquim Nabuco mas espera que tenha um outro protagonista desse movimento que ainda não apareceu aqui o Luiz Gama é negro como reforço Mas eles são absolutamente diferentes porque o Luiz Gama é o único abolicionista que a gente tem assim uma narrativa formal que alguém que tenha passado por um processo de escravização ele não tem acesso à corte do Imperador então ele é um homem que vai se
vincular a oposição política do império não existe ninguém com uma história tão incrível como o Luiz Gama eu vou resumir rapidinho porque Imagino que você já conheça Ele nasceu livre em Salvador Filho de uma africana liberta a Luísa Main o Luiz foi separado da mãe ainda criança e quando tinha só 10 anos foi vendido pelo pai que era branco mas o Luiz tinha nascido livre né Não podia ser escravizado e nem podia ser vendido ainda assim ele foi mantido em cativeiro a adolescência inteira até que ele aprendeu a ler e a escrever descobriu que o
que tinha sido feito com ele era ilegal e conseguiu a própria libertação e a partir daí ele foi muita coisa mas principalmente jornalista e advogado e um ativista pela causa abolicionista e assim como se não bastasse tudo que ele já tinha feito é aí que entra para mim a parte mais incrível na trajetória do Luiz Gama ele usava aquela lei de 31 a lei da sacanagem a lei para inglês ver para libertar no judiciário pessoas que estavam sendo escravizadas porque é isso lembra daquilo que o historiador Luiz Felipe de Alencar chama de o pecado original
da sociedade e da ordem jurídica brasileira desde 1818 tava proibido o tráfico de pessoas sequestradas acima da linha do Equador depois em 31 foi proibido tráfico de todas as pessoas africanas cada uma dessas quase 800 mil pessoas que chegaram desde então mais os seus descendentes cada uma dessas pessoas foi escravizada ilegalmente aí quando teve a lei Eusébio de Queirós em 50 o governo o judiciário e a sociedade brasileira poderiam ter feito justiça e finalmente libertado essas pessoas mas escolheram não fazer isso o nosso pecado original então quando a gente está falando de pessoas ainda escravizadas
no Brasil nessa época nas décadas finais de escravidão quando o Brasil era o único país das Américas que não estava nem discutindo a abolição a gente está falando de uma massa de pessoas ilegalmente escravizadas e esse era o foco do trabalho do Luiz Gama no judiciário foi assim que ele conseguiu a libertação de centenas de pessoas e tudo isso como um membro ativo do movimento abolicionista que não parava de crescer e contava cada vez mais com integrante também da parcela rica da população uma parte da elite política fala bom nós vamos ficar aqui sozinhos como
os escravistas da América no limite do mundo né e uma outra parte teme a guerra civil se a gente não fizer alguma coisa a gente pode acabar no desfecho americano e uma outra ameaça que pai era sobre todo mundo é o que até ganhou um nome na época que é o haitianismo que é um medo de uma revolução escrava afinal de contas os escravos são maiorias se resolverem fazer uma revolução Acabou então a Lei do Ventre Livre ela é uma consequência desse jogo aí A Lei do Ventre Livre essa gente aprende na escola também né
Essa Ideia de que a abolição foi meio que gradual aos pouquinhos só em 71 que a classe política brasileira concordou com uma lei que concedesse alguma forma de libertação mas ainda assim eles resistiram defendiam que o senhor precisavam ser ressarcidos daí quando a lei finalmente foi aprovada tinham duas opções o dono poderia libertar a criança quando ela completasse oito anos e aí ele receberia uma indenização ou então o dono manteria o jovem escravizado até que ele completasse 21 anos em 95% dos casos os senhores escolheram a segunda opção ou seja como Todas aquelas crianças continuariam
escravizadas por mais duas décadas o impacto era quase zero essa lei não é aplicada é todo mundo imagina sempre que as leis para inglês ver são só lá no final do tráfico Mas não é verdade então de fato a lei do ventre livre não é uma lei que liberta ela liberta pouquíssima gente mas as pessoas negras também usaram essa lei a favor delas houve vários casos de mulheres negras de mães que entraram com ações no judiciário para garantir a liberdade dos filhos com base na lei do ventre livre alegando que os senhores não estavam cumprindo
a parte deles no Cuidado daquelas crianças e uma outra coisa é que entre os seus artigos a lei autorizava o escravizado a formar pecúlio a juntar dinheiro para poder comprar a própria carta de alforria Isso vai ser utilizado pelas associações abolicionistas para libertar escravos as associações abolicionistas agiam na prática mas também trabalhavam a mente da população porque a escravidão era considerada um fenômeno é a vontade de Deus então uma parte muito importante da campanhabolicionista foi produzir uma nova sensibilidade em relação à escravidão e mostrar que ela era tanto de um lado assim um fenômeno ilegal
porque o Brasil já tinha lei desde os anos 30 proibindo como ela era desumana o outro argumento deles era do Progresso a gente não pode avançar com uma instituição que arcaica incompatível com trabalho Livre e tudo isso foi Preparando o terreno para o que acabou acontecendo no Ceará a campanha abolicionista ganha força na hora em que a Lei do Ventre Livre mostra que não vai ser aplicado Então se abolicionistas começam a fazer pressão e daí isso tá acontecendo quase que no país inteiro mas em alguns lugares a organização local dos abrupcionistas é mais forte o
Ceará é um desses casos o José do Patrocínio e o André Rebouças tinham começado uma articulação Nacional pela abolição e o que eles fazem é fazer um experimento ali deve usar do Patrocínio viaja para lá e eles fazem uma campanha de libertação de território então eles falam bom precisamos então criar um território livre no país e o Ceará é isso porque o Ceará tem essa combinação política favorável o presidente da província era um abolicionista e tem uma outra grande vantagem o Ceará tem poucos escravos o Ceará tá vivendo uma crise econômica violenta também tá todo
mundo vendendo do Sul então a operação é mais fácil de fazer e a última vantagem que também é bem significativa é que como tá longe do Rio de Janeiro que é a capital demora de chegar a repressão os escravizados do Ceará estavam sendo vendidos para as regiões Sudeste e sul do Brasil eles eram levados até a praia embarcados em jangadas e levados para os navios em 1881 os Jangadeiros que eram homens livres e majoritariamente negros se recusaram a fazer o embarque dos escravizados o líder deles era o Chico da Matilde um homem negro que entrou
para a história como o dragão do mar e a partir daí os abolicionistas começaram a libertar cidade por cidade do Ceará [Música] no rio vão publicando uma cronologia assim né faltam tanta cidades para serem libertar eles também faziam muito bom o uso da Imprensa então O resultado é que em 84 o Ceará se declara a primeira província livre do país isso já era uma grande crise política para tentar acalmar os ânimos o primeiro-ministro do império enviou para a câmara um projeto de lei para alforriar os escravizados com mais de 60 anos é uma lei para
que não haja a abolição mais do que para libertar era para tentar postergar ainda mais a abolição Só que ainda assim deu um que propor nada além do Ventre Livre aquela de 71 tinha criado também a obrigação de que o senhores matriculassem seus escravizados registrassem eles muitos donos de escravos quando tinha matriculado seus escravos eles matriculavam como mais velhos do que eles eram de fato para dizer que eles tinham entrado antes no país antes da vigência da lei da lei de 31 da lei para inglês e já essa outra lei que estava sendo discutida ficava
60 anos estava na verdade libertando escravos muito mais jovens de fato E é isso que dá grande reação que vem através dos clubes da lavoura uma grande reação escravista a mesma classe política que ditou os rumos do Brasil desde a independência daí o ministro que propôs essa lei Caiu foi derrubado assumiu um novo primeiro ministro e passou uma lei do sexagenários e na prática ele Estendeu o prazo a título de indenização os escravizados com mais de 60 anos deveriam ainda prestar mais três anos de serviço e ainda ele colocou um penduricalho para que tudo isso
começasse a valer só a partir de 87 daí para os abolicionistas aquilo foi o Estopim então quando chega em 88 na verdade não estão vigindo nem a Lei do Ventre Livre nem a Lei do sexagenários então muita gente também diz assim ah quando chega em 88 e tem Abolição já não tinha mais escravo para libertar não é bem verdade formalmente você tinha 700 e poucos mil escravos Mas de fato você tinha muito mais essa história que a gente conta normalmente que você vai abolir na escravidão gradualmente não é verdade esse foi um processo que sem
mobilização política do movimento abolicionista nenhuma dessas leis teria libertado a escravidão por si mesmo porque elas não estavam sendo efetivadas então sem a pressão abolicionista continua ali sabe-se lá quando é que isso teria sido aprovado que tinha projeto aprovando o fim da escravidão até para 1930 e as pessoas negras não iriam esperar mais 40 anos pela Liberdade elas foram lá e derrubaram a escravidão [Música] esse primeiro-ministro que assumiu indicado pelo Dom Pedro II era o Barão de Cotegipe um escravista Baiano no meio da Ascensão é abolicionista com o país tomado de eventos abolicionistas associações abolicionista
você nomeia um escravista então abolicionistas falam bom Agora não vai dar para continuar fazendo só o que a gente vinha fazendo eles tentam mas as conferências públicas são desbaratados por milícias às vezes pela própria polícia abolicionista são perseguidos bom agora é realmente a hora de fazer já tem o Ceará livre mesmo então vamos incentivar os escravos a fazer o que na verdade os escravos por si mesmo Sempre fizeram que é fugir né em toda a oportunidade Então o que acaba acontecendo agora é o que eu chamo de Fugas coletivas orientadas não é que os abolicionistas
inventam fenômeno mas é que eles organizam A Fuga a estratégia bem sucedida no Ceará de libertação da província acontece também no Amazonas e quase acontecem várias outras províncias que libertam declaram libertados várias outras cidades no Rio Grande do Sul em Goiás e aí tem relatos de Fugas em que daí os próprios escravos recebendo essa informação eles também começam a organizar as próprias fugas Então você tem um momento de desorganização da ordem escravista isso é importante também para mostrar esse caráter popular do movimento abolicionista brasileiro paralelamente a política tida como oficial a dos espaços de poder
havia toda essa ação política Popular que acontecia nas ruas nas fazendas nas matas no interior de São Paulo na região de Itu teve um grupo de fugitivos que saiu de diversas fazendas da região e vai ganhando adeões vai atravessando cidades é uma massa velho as crianças homens mulheres que vai indo vai ficando todo mundo de cabelo em pé impressa vai noticiando e quando chega na Serra do Mar o governo Imperial do Barão de Cotegipe manda fuzilar né atira é um ursinho do qual o próprio exército em seguida sem vergonha ela vai vendo esse exemplo que
choca o país mas também porque o próprio exército daí o para deixar o Deodoro manda uma carta para Isabel o Pedro Segundo tava doente e foi para Europa se tratar a filha mais velha dele a Princesa Isabel tinha assumido a regência E ela recebeu essa carta do comandante do exército informando que o exército não vai mais caçar fugido nós não vamos participar disso então o que que acontece nessa hora a monarquia perde o apoio das forças armadas para continuar mantendo a escravidão tinha uma corrente dentro do exército que se recusava a cumprir o papel de
Capitão do Mato por achar uma função em glória ao mesmo tempo a igreja também vendo que a coisa tá acirrada vários bispos começam a declarar apoio a abolição daí em Itapira no interior de São Paulo o inglês e um americano que tinham lutado na guerra civil dos Estados Unidos os dois eram confederados eram escravistas eles incitaram a população local ali de Itapira a lincharam um delegado de polícia que era abolicionista o delegado Bateram nele até a morte Isso foi em fevereiro de 88 então é também um evento assim né de grande proporção e que dá
essa notícia acho que sobretudo para Isabel que é quem tá querendo herdar o trono de que não vai dar para segurar não vai dar para segurar tem um exército sem a igreja e com os conflitos correndo é o que que tá acontecendo os abolicionistas estão se Armando e os escravistas estão se Armando tá invésperas vésperas de uma guerra civil o Barão de Cotegipe pediu demissão e a Princesa Isabel nomeou outro conservador mas agora com a incumbência de abolir a escravidão não tinha mais jeito os deputados e senadores se reuniram em regime de urgência para votar
a lei da Abolição durante lá a semana de tramitação em que eles ficaram negociando qual seria o texto da Lei Rebouças é que escreveu a lei Rebouças é o André Rebouças que era muito próximo da família imperial então ele foi lá nos ministros embora fossem inimigos anteriores dele foi na princesa com as ideias dele foi uma linha que tira uma linha ali ele tinha um projeto tudo que ele chamava de democracia Rural porque era isso era dividir a terra e tinha um projeto de concessão de direitos plenos para os registrados projeto dos abolicionistas eram um
projeto que incluía uma reforma do funcionamento da vida social incorporação do proletário escravo a nação brasileira converter de fato uma pessoa que tinha sido criada sob escravidão não cidadão capaz de ler escrever trabalhar é a sua própria terra até os seus próprios direitos a negociação continuou e o projeto enfim foi para votação e ainda teve Deputado e Senador que votou contra entre eles o Barão de Cotegipe mas a maioria foi a favor e a Lei enfim foi aprovada num domingo num Treze de Maio de 1888 a Princesa Isabel sancionou a lei Áurea o texto dizia
assim a Princesa Imperial Regente em nome de Sua Majestade o Imperador o senhor Dom Pedro II faz saber a todos os súditos do império que a assembleia geral decretou e ela sancionou a lei seguinte chego primeiro é declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil artigo segundo revogam-se as disposições em contrário e era só isso que dizia essa lei umas 50 palavras essa opção da coroa É uma opção que de certa maneira salvou uma parte do escravismo porque o que eles fizeram não foi aprovar o projeto do Rebouças nada nada passou a
única coisa que pode ser consensuada é que estava acabada a escravidão no Brasil não se dizia como se implementar isso não se dizia o que ia acontecer com os escravos não se dizia como seriam os contratos do trabalho por diante nada você deveria ter tido uma série de digamos disposições transitórias para dizer juridicamente o que acontece com cada coisa não houve nada o que é monarquia fez no fim foi deixar que cada proprietário no limite gerencia sua própria transição para o trabalho Livre por isso que os movimentos negros chamam o que aconteceu de Abolição inconclusão
porque os abolicionistas queriam muito mais queria um fim da escravidão Claro mas um fim que fosse acompanhado de projeto de medidas compensatórias aliás em muito lugar no Brasil Demorou a chegar a notícia da Abolição teve senhor que simplesmente impediu que os trabalhadores soubessem da novidade e Manteve enquanto pôde aquelas pessoas escravizadas mesmo de forma ilegal e a igualdade de direitos como a gente ver os jornais todos os dias até hoje não aconteceu no Brasil Então nesse sentido o projeto Rebouças até hoje é um projeto que não se realizou mas nem por isso a gente tem
de menosprezar o Treze de Maio por mais que não tenha sido tudo que poderia ter sido Teve muita luta muita luta Negra muito sangue negro derramado para que esse momento finalmente acontecesse para que o Brasil enfim se tornasse o último país do ocidente a tornar a escravidão ilegal como Angela Alonso já disse se não fosse pelo movimento abolicionista teria demorado ainda mais Pode não ter sido da forma completa mas muita gente foi libertada uma liberdade que como tá no samba da Mangueira de 2019 não veio do céu e nem das mãos da Isabel monarquia Não
Abriu Mão da defesa da escravidão por bondade por bom coração por decisão política ela abriu mão por Total incapacidade insuficiência de manter porque as duas instituições de fato estavam coladas no dia da votação da lei o Cotegipe faz um discurso assim Profético né mas é uma profecia que Qualquer um podia fazer naquele dia quer dizer a monarquia tá baseada na escravidão então caindo a escravidão a monarquia vai cair junto também ela não tem onde se apoiar ela era baseada no apoio do Senhor eles de escravos os grandes proprietários de terra ela tá abandonando os proprietários
ela vai também cair e foi isso que aconteceu revoltados com a abolição os representantes dos escravistas no Congresso começaram a defender indenização para as perdas financeiras que eles tiveram com o fim do trabalho escravo pouco mais de um ano depois da Lei Áurea os escravistas eram a base de apoio do golpe num 15 de Novembro que derrubou o império e instituiu a república e o projeto de exterminar a parcela negra da população tomou forma um dos primeiros atos do novo governo provisório só quatro dias depois do golpe foi fazer um decreto mantendo a proibição de
direito ao voto para os analfabetos isso tinha sido instituído nos anos finais do império só podia votar Quem soubesse ler e escrever e menos de um terço da população brasileira sabia ler e escrever Agora pensa numa sociedade que por mais de três séculos dificultou e por vezes chegou até abarrar o acesso de pessoas negras ao ensino quem que você acha que estava sendo aleijado de novo do seu direitos políticos essa proibição só foi cair junto com a ditadura militar no período da abertura política em 1985 e no período Republicano a lógica era essa já que
não dava mais para escravizar as pessoas negras o foco era a eliminação começaram a ser implementadas uma série de leis antienes e a gente já falou sobre algumas delas nos outros episódios como as de perseguição as religiões de matriz africana por exemplo tinha um ditado nessa época do começo da república que dizia assim a liberdade é negra mas a igualdade é branca mas se tem uma coisa que a essa altura você já sabe e a gente falou bastante sobre isso é que as pessoas negras não aceitaram tudo isso de braços cruzados eles queriam acabar com
a gente mas a gente tá aqui mais da metade da população desde que a primeira pessoa africana foi trazida para esse território indígena tantos séculos atrás foi o nós por nós que garantiu a nossa sobrevivência das pessoas negras dos nossos povos originários de todo mundo que não se encaixa no padrão dos detentores do Poder do padrão do homem branco foi o nós por nós que garantiu que a gente tivesse humanidade e liberdade e foi assim na saúde na educação em moradia no trabalho na cultura na Luta pelos Direitos Humanos na luta por um país melhor
para todos não só para as pessoas negras para todos se não fosse por nós não teria saúde pública para todo mundo não teria filho do porteiro e da trabalhadora doméstica de todas as cores de todas as raças entrando na universidade as pessoas negras não construíram só toda a riqueza do Brasil elas construíram a própria democracia do Brasil ainda que não seja nem de longe o Brasil que a gente sonhou o Brasil que a gente merece o fato de que a vida Negra Vale menos quando não vale nada vem se agravando ainda mais depois da própria
Abolição aqui de novo o João José Reis Historiador e professor porque pense bem antes da abolição o escravo era a propriedade então ele tinha um senhor que tinha interesse direto em preservar essa propriedade depois da Abolição não tem mais isso então é uma população realmente que tá entregue a sorte você pode dizer né Por mais que se denuncie é impressionante isso por mais que se esclareça por mais que os meios de comunicação hoje estar engajado no discurso de denúncia do racismo de promoção da inserção do negro na sociedade você tem lá o sargento da Marinha
que simplesmente vê o seu vizinho que era entendeu chegando em casa e ele acha que ele era um bandido porque ele tinha aberto a bolsa dele a mochila dele para pegar uma chave cara um sargento da Marinha matou um vizinho na porta de casa na região metropolitana do Rio de Janeiro O Atirador disse que confundiu a vítima um homem negro com bandido ele atira três vezes né uma não três vezes é óbvio se o cara fosse Branco ele não iria tirar é óbvio assim como se esse Imigrante fosse branco né fosse um português um espanhol
italiano ele não seria espancado daquela maneira brutal e os policiais municipais não iriam simplesmente das costas é o que tá acontecendo testemunhas do assassinato do jovem congolismo na praia da Barra da Tijuca no Rio disseram que guarda os municipais Não fizeram nada para evitar o crime mesmo isso é pior do que a época dos escraviza como a gente ouviu ao longo desses oito episódios Você tem uma política pública constante eficaz e longeva na história do Brasil é o racismo uma política de estado que ainda está em vigor [Música] embora este seja o último episódio do
podcast do projeto Quirino não é nem de longe o último capítulo desse projeto que está só começando o Quirino foi pensado como um projeto multipla da forma para refletir sobre a história do Brasil como tudo isso explica o Brasil atual mas também o futuro que país nós queremos ser podemos ser devemos ter e o podcast foi o ponto de partida para tudo mais o que o projeto vai se tornar por isso fique ligado em projeto querendo.com.br para continuar acompanhando essa jornada a gente começou o podcast lá no primeiro episódio com uma frase do Fotógrafo e
ativista Januário Garcia existe uma história do negro sem o Brasil o que não existe é uma história do Brasil sem o negro e eu quero terminar com o morte da campanha da colisão Negra por direitos o grupo que reúne organizações entidades e coletivos dos movimentos negros brasileiros a frase é Enquanto houver racismo não haverá democracia [Música] e já passou da hora do Brasil ser de fato uma democracia o projeto Quirino é apoiado pelo Instituto Ibirapitanga o podcast foi produzido pela rádio novela o nosso site projeto querino.com.br reúne todas as informações sobre o projeto e conteúdo
adicional o site foi desenvolvido pela aí eu te convido a conferir também todo o material do projeto Quirino que está sendo publicado pela revista Piauí nas bancas e no site da revista este Episódio teve pesquisa de Gilberto por Sidônio Rafael Domingos Oliveira e Angélica Paulo que também fez a produção a edição foi do Luca Mendes a sonorização da Júlia Matos e a finalização da pipoca estratégia de promoção Distribuição e conteúdo digital Bia Ribeiro a identidade visual é do Draco imagem Os transcritores das entrevistas foram Guilherme Póvoas e Rodolfo Viana a locução foi gravada no estúdio
da pipoca sound com trabalhos técnicos de Luis Rodrigues consultoria em roteiro de Mariana Jaspe Paula scarpin e Flora Thomson devo com revisão de Natália Silva consultoria em História e naê Lopes dos Santos produção executiva Guilherme Alpendre a execução financeira do projeto é do spiniz Instituto sincronicidade para interação social idealização reportagem roteiro apresentação e coordenação Thiago Rogério este Episódio usou áudios de TV Globo e SBT agradecimentos a Maria Alice Rezende de Carvalho da Silva A Luana carvas a Mayara Moreira e ao Mateus Coutinho e a você que nos ouviu até aqui muito obrigado