Era uma vez o fim da maior operação de combate à corrupção da história do Brasil. [música] Entre os anos de 2019 e 2021, a operação Lava-Jato, a força tarefa que fez Brasília destruir seu ciclo circadiano se enfraquecia dia após dia até seu inevitável e patético fim em primeiro de fevereiro de 2021. Foi justamente nessa mesma janela de 3 anos que o escândalo, cujo potencial de escalar pode fazer com que o petrolão pareça um esqueminha do interior da mapa, foi meticulosamente forjado pelo nosso protagonista, o mineiro Daniel Bueno Vorcaro.
Foi em 2019 que ele conseguiu a autorização do Bassen para adquirir o quase falido Banco Máxima por R$ 400 milhões deais. Começando pequeno, apenas 65 funcionários em uma sala na Avenida Paulista. Os anos que se seguiram foram um longo processo de reestruturação.
Em 2021, o Máxima foi rebatizado como banco master. Em apenas 5 anos, o patrimônio líquido saltou de 219 milhões para R 5 bilhões de reais, empregando mais de 2. 000 funcionários em vários pontos no país.
Mas a sua sede possuía quatro andares no ponto mais caro de São Paulo. Também pontos no exterior, como o escritório na avenida mais valorizada de Miami e outro no edifício comercial mais alto e mais caro do Reino Unido. caro, tinha pressa de crescer em sociedade com João Carlos Mansur, dono da Holding Reag, comprou o Wheel Bank e ambos passaram a ter parte na XP Investimentos, mas essa não foi a única compra.
O Vorcaro também adquiriu o banco Voit no início de 2024. Fora as requisições e participações em diversos fundos e empresas em recuperação, tudo comprado por meio da captação de recursos com a escalada mais absurda de emissão de CDBs da história financeira desse país. Paraorcaro, os mais de 12 milhões de clientes representavam só o início da jornada do Banco Master.
O maior escândalo de corrupção do Brasil começou paralelamente a derrocada da operação Lava-Jato. Uma das grandes coincidências da história recente do Brasil e definitivamente não é a última nessa história. Boa parte delas por motivos legais.
Os anos de vacas magras em Brasília geraram toda sorte de colaterais, desde a expansão sem precedentes dos poderes do judiciário, o renascimento do Partido dos Trabalhadores e o fortalecimento do central. Mas o principal colateral para essa história foi o florescimento de uma volúpia insaciável por dinheiro, sem os jacobinos no cangote. Era hora de encher os bolsos depois de quase 7 anos de atribulação.
[música] Segunda-feira, 17 de novembro de 2025, por volta das 17 horas, os mercados acabaram de fechar, mas o maior anúncio do terceiro trimestre da economia brasileira ainda estava por vir. A Victor Holding financeira, uma das maiores holdings do país, acabava de anunciar a compra do Banco Master em parceria com o Consórcio de Investidores dos Emirados Árabes Unidos. Encerrando, quem sabe, uma novela que já se arrastava há meses.
Qual novela você se pergunta? O Banco de Brasília ou simplesmente BRB havia entrado em negociações com o master, fechando um acordo de compra e anunciando ao mercado em 28 de março a 6 de maio, a justiça do Distrito Federal acata ação do Ministério Público do DF pedindo o impedimento da assinatura do contrato de compra pelo BRB, decisão que é rapidamente derrubada pela justiça em junho. A operação é aprovada pelo CAD.
Em 18 de agosto, o governador Ibanis Rocha do DF despacha para a Câmara Legislativa um projeto de lei que autoriza a compra do má pelo BRB. E então os deputados distritais analisaram minuciosamente o projeto. O Banco de Brasília iria comprar pelo valor de R$ 2 bilhões deais, lembre desse número, 58% do capital total do master, 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais.
Mesmo assim, o Banco Master seguiria operando como um banco independente e separado das operações do BRB. Os parlamentares do DF votaram a PL do governador em dois turnos no dia 19. Em 20 de agosto, a lei é sancionada por Ibanês.
Rápido, né? É. Mas em setembro a festa acabou.
O negócio foi barrado pelo Banco Central Gabriel Galípulo e mais oito diretores em votação unânime melam o negócio. Pois segundo eles essa negociação representava riscos excessivos. Os ativos detidos pelo master não se alinhavam com o perfil tanto do BRB quanto de seus correntistas.
O pedido de compra enviado ao Bassen não contemplava todos os requisitos necessários. Faltavam documentos que comprovassem a viabilidade econômico-financeira do Banco Master. Mais de meio ano de trabalho jogado pela janela em uma canetada.
Um contratempo brutal que muito rapidamente seria superado. Como já citado, o grupo Victor entrou na jogada e decidiu comprar o Banco Master por R$ 3 bilhões deais, que seria destinado ao fortalecimento da estrutura de capital do banco. Duas outras empresas de Vorcaro, a Willbank e o Banco Master de Investimentos, seriam vendidas separadamente do negócio firmado com o grupo Victor.
Um dos principais investimentos anunciados por Vorcaro seria a independência de plataformas como XP e BTG para a venda de produtos financeiros. O master iria distribuí-los por conta própria, além da criação de um serviço próprio para clientes corporativos, gestão de grandes fortunas familiares e investidores internacionais. Esse é o negócio que ambas as partes sairiam ganhando.
A Fictor opera mais de 30 empresas no Brasil, Estados Unidos e Europa, empregando mais de 6. 000 funcionários atuando principalmente nos setores alimentícios de energia e serviços financeiros. Sua maior empresa, a Victor Agro, vem faturando desde sua entrada na bolsa R milhões de reais por mês.
Mas com a compra do Banco Master, o grupo iria entrar de uma vez por todas no mercado financeiro brasileiro. >> Trata-se de uma transação privada com players complementares de alcance global. O banco Master, ao longo dos últimos meses, provou sua força e resiliência, superando desafios significativos.
A união dos atuais produtos com a capilaridade de distribuição da Fictor levará o novo banco, ao protagonismo no cenário brasileiro que tanto carece de novos players e de concorrência saudável. Quem sairá ganhando serão os clientes. >> A operação representa o passo de entrada da Fictor no mercado financeiro brasileiro.
Seguimos alinhados à melhores práticas de governança, com foco na distribuição de produtos sólidos e desenhados para responder com precisão às demandas do mercado nacional. Mantemos o que sempre guiou nossa trajetória, investir na economia real. >> Belíssimas palavras.
Dito isso, um dos objetivos da Victor com a compra do Master era tirar os olhos da comissão de valores mobiliários de cima de seus negócios. A Victor Agro, a maior empresa do grupo, estava captando recursos através de SCPs. O problema é que isso gerou uma investigação por parte da CVM que exigiu que essa prática fosse descontinuada.
A Victor deixou de anunciar esse produto no seu site e via na compra do Banco Master uma solução para esse problema. Essa compra ainda precisaria ser aprovada pelo CAD e o Banco Central. Mas como se tratava de uma operação 100% privada, diferente do caso com o BRB, a chance de sucesso era grande.
A primeira tentativa de venda em março havia levado em 70% o valor das ações do BRB na bolsa. A expectativa natural era de valorização de todas as empresas do banco Victor listadas. Após a aprovação da compra pelos órgãos de regulação brasileiros, o banco master passaria a se chamar Banco Victor.
Daniel Vorcaro, empresário extremamente ocupado, que era, decide não esperar para ver o impacto do anúncio da venda de seu banco no mercado brasileiro. Logo após a comunicação dessa operação, ele se dirige ao aeroporto de Guarulhos, onde pegaria um jatinho particular até Malta, com o objetivo de ir até Dubai para conversar pessoalmente com os compradores estrangeiros de seu banco. Só que por volta das 22 horas daquela segunda-feira, ao passar pelo raio X do aeroporto, Vorcaro é parado por 15 policiais federais.
Ele estava preso. A operação compliance zero havia começado.