[Música] [Música] Olá seja bem-vindo a mais uma entrevista aqui do tempo e dinheiro hoje vamos falar sobre o café o clima perspectivas para safra 25 já que 24 praticamente posta né foi colhida e tanto que a preocupação agora é em relação à aquilo que vem pela frente principalmente com relação ao clima e o mercado segue climático e é sobre esse assunto que nós vamos agora até Belo Horizonte para poder conversar com a Ana Carolina Gomes que é analista de Agronegócios do sistema Feng senar a quem eu agradeço a participação conosco é um prazer tê-lo aqui
tê-lo aqui no tempo e dinheiro Ana Prazer todo meu Sérgio bom Ana eu começo perguntando exatamente sobre essa questão dos preços do café no mercado internacional ele dispararam continuam sinalizando novos recordes O que que significa isso pro cafeicultor aqui no Brasil Ô Sérgio a questão do preço é basicamente uma questão econômica e a sinalização dessa elevação principalmente no mercado internacional é justamente o retrato de que a oferta de café está comprometida tivemos aí uma safra 2024 com quebras produtivas justamente por condições climáticas né onde ondas de calor deixaram o grão mais miúdo e a gente
teve quebra significativa principalmente aqui em Minas Gerais onde a produção é majoritariamente arábica eh e a gente vê o futuro aí não tão positivo uma vez que a gente encontra municípios em regiões produtivas eh com déficit hídrico acima de 150 dias ou seja mais de 150 dias que não chove e isso acende o sinal de alerta uma vez que estamos entrando em momentos de florada né E aí fica a pergunta como que vai ficar a safra de 2025 se não chover né então a gente vem passando por momentos bem delicados na CAF e cultura porque
de nada adianta o preço tá bom o preço tá em elevação se você tem problemas na produção principalmente pro lado do Produtor se eu não tenho produto para vender de que que adianta o preço mais elevado né então o preço alto é é bom mas o problema na produção nos deixa preocupado bom é aquela questão toda olhar pelo retrovisor você mesmo vai citar essa essa situação né que a gente observa safra desse ano 2024 Então nesse sentido até pergunto o clima de 2024 foi pior ou igual a 2023 E a expectativa em relação ao clima
para 2025 não é muito favorável é isso isso mesmo Sérgio infelizmente a as notícias não são as melhores a gente vem vivenciando aí ondas de calor desde 2023 que prejudicou a safra de 2024 e a gente vem notando aí temperaturas Acima da Média histórica durante todo o período de colheita que deixaram as plantas muito depal peradas muito sensíveis e frágeis E aí a gente eh eh eh vendo essa situação eh questiona como que vai ser como que essas plantas vão suportar eh a carga da florada e do pegamento pra próxima saf então a gente tem
notado aí que as condições climáticas deste ano que vão refletir na safra de 2025 são piores do que a do ano passado né uma vez que a gente tem essas ondas de calor essas altas temperaturas e um agravante o déficit hídrico no ano passado ainda tivemos algumas chuvas no final do ano janeiro fevereiro chuvoso que que permitiu e o impacto ser menor pra safra de 2024 mas paraas 2025 a gente tá com sinal de alerta ligado uma vez que as chuvas estão demorando a cair e a sinalização é que as chuvas venham a partir de
outubro e novembro em maior intensidade Então Ainda temos no Setembro bem seco bem frágil e um outubro que não vai ser tão molhado assim como em anos anteriores então isso ISO nos preocupa demais bom nós temos aí um período de floradas em algumas regiões Araguari e outras regiões praticamente eh em todas as regiões produtoras de de café eh florada chegou mas muitas flores já estão caindo por causa do calor né Quanto mais ainda o pegamento dessa desse café um prejuízo que certamente deve ser muito grande né já emos uma peneira bem menor agora né se
houver e continuar a situação como tá ocorrendo agora a produtividade deve cair muito também na safra que vem e lógico até mesmo as condições do solo né os recursos hídricos ali né a quantidade de água no solo deve comprometer também a safra 25 e daí para diante com certeza Sérgio a questão das chuvas que estão vindo por agora em setembro elas estão vindo muito espaçadas e com solo muito deficitário eh de água isso acaba não sustentando a necessidade que a planta precisa para ela produzir Então ela acaba não tendo forças para segurar aquela florada aquela
flor aquele fruto né que que futuramente vai virar fruto então se não chover em abundância é com frequência e na medida em que a planta precisa eh de fato a gente pode ter um um comprometimento aí da safra de 2025 e é o que a gente não espera né se Deus quiser a gente já já tá aí e visualizando chuvas próximas e a gente espera que essas chuvas melhorem esse cenário pra CAF cultura e principalmente pro produtor de café agora pergunta que se faz a gente já pode contar com uma quebra da sfara de café
no estado de Minas por exemplo olha a gente percebeu uma quebra na sfara atual né safra de 2024 e com números bem expressivos o sistema faen fez um levantamento inclusive onde estima-se uma perda superior a 20% na média obviamente que tem produtores que perdeu mais produtores que perderam menos mas a gente já visualizou essa perda em 2024 Ainda é muito cedo para se falar em perdas de 2025 porque muita água pode rolar né Então até a safra se vingar então chuva pode acontecer chuva não pode acontecer calor pode ser excessivo como foi em 2023 isso
tudo é uma série de condicionantes que vão de fato resultar na safra de 2025 Então Ainda é muito cedo para falar se vai ter quebra ou não mas o cenário que tá posto atualmente ele é preocupante uma vez que a gente vem passando por essas condições climáticas negativas dentro da café cultura agora Ana eh É lógico vocês trabalham com todos esses dados quando foi a produção 2023 2024 diferença entre uma e outra Você acaba de citar exatamente que ainda é cedo para falar sobre os números para 2025 Ahã agora o que tudo indica não são
muito favoráveis né se essa se a chuva não chegar a ultrapassar se lá talvez 100 mm isso que Arnaldo botrel inclusive cafeicultor conversava conosco ele falou Olha tem que ter no mínimo 100 mm para poder dar uma respirada pra planta ter um pouquinho de vigor eh dá para falar sobre esses números 23 em 24 e comparar uma safara para outra quanto foi perdido aí no estado de Minas Gerais você tem em mãos se não tiver em mãos não tem problema nenhum mas os números são bem discrepantes não é isso há uma diferença muito grande de
produção ou não sim eh dados da da fundação procafé né que eles têm Estações meteorológicas espalhadas nas principais regiões produtoras elas sinalizaram aí uma seca e um déficit hídrico equivalente ao que tivemos em 2013 14 ou seja uma das piores secas que a cafec cultura vivenciou e próximo ao que a gente vivenciou em 2020 né na safra de 2021 no qual também tivemos perdas produtivas em relação ao calor excessivo e falta de chuvas eu não tenho os números aqui em mãos mas eu tenho essa essa esse comparativo né e posso afirmar que é é um
número que preocupa porque ele vem mostrando eh a curva bem próxima ao que a gente já vivenciou no passado e que a gente sabe que o cenário não foi tão Positivo né uma vez que a gente teve uma quebra bem significativa em 20131 eh e e naquela época os preços do café ainda não eram compensadores esse ano diferente daquele cenário vivido há 10 anos atrás é que os preços ainda estão se mantendo num patamar eh favorável né em em cifras jamais na cafeicultura em toda sua história então a gente nota aí por exemplo o preço
do do próprio Conilon robusta ultrapassando em vários momentos o preço do arábica quem já viu isso anteriormente no passado eu nunca vivenciei isso então é é uma é um fato histórico e justamente reflexo no preço é Reflexo do do problema produtivo e problema vivenciados aí pelas condições climáticas bom uma outra questão só é lógico toda essa esse problema essa preocupação com o clima não tem por não se preocupar porque realmente atinge outros setores né agricultura agropecuária o Brasil como um todo a caficultura né que tem aí né cada vez mais um consumo maior do café
produzido aqui no Brasil principalmente chineses né que TM o interesse em comprar cada vez mais caiu no gosto dos chineses o café e o Brasil tá aí para poder abastecer esse mercado né Eh mas por outro lado tem as restrições em em relação à própria exportação paraa União Europeia determinações em relação a a à área não ou áreas de produção não desmatadas enfim como é que a faeng o SENAT você vê essa situação toda primeiro de restrições da União Europeia que deve entrar em vigor a partir de 2025 agora e essa a alta no consumo
mundial né na principalmente vindo da China como é que você avalia Tod essas esses dois aspectos o positivo e um outro que seria é mais uma barreira comercial aí por dizer assim bom vamos falar do negativo primeiro que do Positivo é fácil né Eh em relação a essa nova normativa que a União Europeia vem impondo para o Mercado Global né não é uma exclusividade para o Brasil mas inclui o Brasil porque somos um dos maiores players eh exportadores de produtos para a união europeia eh existe alguns trâmites governamentais para que isso possa ser prorrogado uma
vez que o prazo tá curto e ainda não foi definida uma ferramenta válida que faça esse atestamento né Essa certificação essa acreditação de que os produtos são livres de desmatamento junto aqui a Federação o senar e todo o corpo técnico nós temos uma gerência de sustentabilidade que vem monitorando eh todas as ferramentas e Tod todas as discussões eh relacionadas à temática e o que a gente visualizou junto ao governo de minas que existe uma plataforma denominada Selo Verde em que ela acredita que mais de 99% da caficultura do Parque Mineiro ele está em condicionantes conformes
para atendimento desse novo normativo o que é preciso agora é fazer essa validação da ferramenta e a União Europeia fazer a a validação né aceitar essa ferramenta esse Selo Verde como forma eh de cumprimento esse normativo então é um passo que a gente tem acompanhado aqui por meio das nossas gerências e a gente tem o governo de Minas aqui muito próximo da da Federação trabalhamos conjuntamente e principalmente nessa defesa do Produtor e dos produtos que para lá são exportados né no que tange a parte do consumo nessa nessa ampliação do consumo principalmente por parte do
chinês eh o sistema fing senar também desenvolve ações em prol a ao produtor que queira est adentrando nesse tipo de mercado nós temos por exemplo o programa agr que capacita orienta e auxilia o produtor a acessar diferentes tipos de mercado temos inclusive escritórios internacionais dentro da China que o que fazem toda a varredura e e e condicionando Antes desse tipo de mercado que é bem complexo e diferente do tradicional que estamos acostumados a comercializar né então são são desafios e Mas eu também vejo como bastante oportunidade porque se cada um dos chineses tomar uma xicrinha
de café por dia a gente já tem aí um aumento significativo na demanda pelo cafezinho brasileiro e mineiro né É principalmente Minas Gerais principalmente né agora Lógico que consumidor já tá sentindo né esses preços um pouco mais elevados nas prateleiras isso chama muita atenção né Mas vai ter uma hora que o mercado vai ter que se equilibrar aí porque vai virar um já é um produto entre aspas de luxo lá pros chineses uma cafeteria praticamente aberta toda semana talvez todos os dias né e o preço do café que a gente tem que ter né condições
aí de de tomar um cafezinho também de Minas Gerais especiais principalmente do serrado Mineiro fantásticos uma TIM Tima informação tua participação a quem quero quero agradecer mais uma vez mas uma eh consideração final nesse sentido alguns veículos de comunicação eh inclusive com base no na própria faeng né com pesquisa de vocês falam de 25% de quebra nessa safra né que vem por aí esses números batem com aquilo que vocês estão divulgando são bem acima do que a própria Conab tem estimado né porque ainda tem são estimativas Por enquanto né Vocês trabalham com esses números uma
estimativa inicial de no mínimo aí 25% de quebra de café olha Sérgio eh a pesquisa que nós eh fizemos recentemente em menos de 20 dias entre final de agosto e início de setembro elas foram correspondente a safre de 2024 é o retrovisor que a gente tá olhando infelizmente a de 2025 a gente conseguirá mensurar somente a partir de novembro dezembro a gente precisa esperar um pouco desse cenário que estamos vivenciando para poder começar a fazer alguns levantamentos mas temos aqui dentro da da nossa instituição o programa de assistência técnica e gerencial que assiste mais de
4.000 produtores de café em Minas Gerais Então essa pesquisa foi feita com esse público que sinalizou essa perda em torno de 23% em média né Eh Ou seja desses eh 1700 quase 2000 produtores que responderam essa pesquisa 71 sinalizaram perdas produtivas em relação a 2024 E aí na média deu esses 23% alguns para mais outros para menos mas o que eh Gostaria de reforçar é que essa perda ela foi sinalizada em todas as regiões produtoras né tanto nos no Sul na Chapada de Minas nas matas de Minas e também no serrado é diferente de algumas
estimativas que sinalizam perda somente no cerrado então a gente nota que a gente precisa cada vez mais melhorar as nossas estimativas de Safra melhorar essa divulgação e o trabalho que a gente fez foi um trabalho de campo ou seja que os olhos dos técnicos junto com com Os relatos produtivos dos produtores sinalizaram esses números que tem muita credibilidade e muita importância então a gente precisa cada vez mais expandir isso e trazer números mais realistas aí da nossa café e cultura é é como você mesma disse né olhando o retrovisor ciclo 25 Começou agora em ag
em em setembro vai até praticamente final de agosto do ano que vem tem muita água para rolar Tomara que role essa água né que chegue essa chuva no bom sentido né não apenas figurado Ana Carolina Muito obrigado pela tua participação quer deixar algum recado pro produtor de Minas Gerais pro produtor de café que nos acompanha nesse momento em todo o Brasil bom Sérgio eh eu acho que seria mais fazer esse monitoramento fazer esse acompanhamento nas lavouras produtores que foram afetados aí na safra que passou eh nós temos algumas ferramentas aqui de apoio podem contar conosco
pra gente poder auxiliá-los eh nesse momento difícil eh e para a safra futura acho que vale monitoramento os produtores não deixarem de realizar oos os manejos necessários principalmente no que tante a parte nutricional e fitossanitária isso tudo precisa tá em dia com chuva sem chuva a gente precisa ter das plantas nutridas e protegidas porque sen não fica ainda mais difícil então acho que seria esse o recado os produtores terem esperança que as chuvas virão É isso aí Tomara é o que a gente torce né para que todos possam ser beneficiados com as abençoadas chuvas né
pelo menos essa expectativa né de Todo Mundo Foi um prazer falar contigo até uma próxima disponha aqui do tempo e dinheiro para outras informações um abraço a toda a equipe um abraço muito obrigada fiquem com Deus até mais bom e a todos que estiveram conosco mais uma vez eu lembro que nossas entrevistas e nossos bate-papos estão disponíveis nas mídias sociais do tempo dinheiro vá lá curta comente compartilhe se inscreva Faça parte também do clube de assinantes do tempo e dinheiro Avis os amigos que existe o clube com os melhores analistas do mercado as principais informações
para que você seja o produtor brasileiro mais bem informado a todos que estiveram conosco mais uma vez meu muito obrigado e até uma próxima [Música]