[Música] E se a gente olhar pra história da arqueologia brasileira uma das áreas onde a gente tem pesquisa desde o século X é a região Amazônica e essa pesquisa na região Amazônica ela tá essencialmente ligada a dois museus importantes aqui do Brasil importantíssimos né que são o Museu Nacional do Rio de Janeiro que pegou fogo infelizmente em 2018 e o Museu Emílio guu de lá de Belém que é um museu que tem quase 160 anos de idade a gente tem aqui em São Paulo quando o museu do Ipiranga que hoje em dia a gente chama
de Museu Paulista foi criado a gente começa a ter uma atividade de Pesquisas também principalmente a partir dos anos 50 de pesquisa arqueológica na Amazônia reunindo coleções né existe existia um antropólogo arqueólogo chamado Harold shuts que era um gaúcho de origem alemão que trabalhou fez pesquisas importantes em diferentes lugares da Amazônia mas é basicamente no museu Gu e no Museu Nacional e sobretudo no museu guild depois da segunda guerra mundial é natural que seja assim porque o museu guild tá em Belém e como eu falei é um centro muito importante que as pesquisas arqueológicas se
centralizaram a gente tem outras instituições que fizeram realizaram pesquisas na Amazônia nos anos 70 e 80 mas a maior parte dessas coleções foram formadas e ficavam lá em Belém né então uma coisa interessante que aconteceu no meu caso foi a possibilidade de consolidar ao longo do tempo digamos assim uma área de pesquisa voltada paraa arqueologia da Amazônia aqui em São Paulo eu sou eu trabalho no museu de arqueologia e etnologia da Usp eu falei do Museu do Ipiranga né do Museu Paulista este museu onde eu trabalho hoje ele a noss a gente tem coleções arqueológicas
que que vieram do Museu do Ipiranga Então existe uma certa continuidade histórica nesse sentido já que o mai Esse museu de arqueologia e etnologia ele resulta da fusão de várias instituições ou departamentos que existiam aqui na úp o acervo plin Airosa do departamento de Antropologia o antigo museu de arqueologia e etnologia as coleções arqueológicas e etnológicas do museu eh do Ipiranga e tô esquecendo de alguma coisa não são essas instituições então assim o mais vem da fusão dessas antigas instituições então a gente recebeu as coleções do Museu do Ipiranga agora eu eu acho que houve
duas coisas importantes eu diria três coisas importantes que permitiram uma virada que meu ve tem sido fundamental na pesquisa arqueológica da Amazônia consolidando a gente eu fale isso sem não é o feso gente né mas hoje em dia a gente tem aqui na USP Talvez o principal centro de pesquisa arqueológica na Amazônia junto com o museu geld lá em Belém qualquer lugar do mundo eu acho que são três coisas importantes a primeira delas tem sido esses financiamentos da Fapesp desde 99 que tem apoiado constantemente as nossas pesquisas e as pesquisas de várias pessoas que passaram
pela pós-graduação aqui no museu a segunda é a pós-graduação que a gente consolidou a partir de 2004 em arqueologia aqui na USP então isso abriu a possibilidade e de de de de atração de jovens né de vários lugares do Brasil e até do exterior para trabalhar na Amazônia né uma coisa importante que aconteceu também foi nessa mesma época no começo né dos anos 2000 2010 foi a abertura de novas posições de ensino e pesquisa em arqueologia foram foram criados criadas criados novos programas de graduação em arqueologia pelo Brasil inclusive na Amazônia a gente tem quatro
programas de graduação em arqueologia da Amazônia e muitos desses programas absorveram esses jovens essas jovens doutoras e doutores que passaram por aqui e acho que eu falei três mas são quatro na verdade e a quarta coisa foi uma grande mudança teórica que aconteceu no campo da antropologia que interferiu na arqueologia também essa ideia não vem da arqueologia ela vem da antropologia Mas que que que que mudança teórica É essa a ideia de que os povos da floresta os povos indígenas ao longo dos milênios eles criaram a Amazônia que a gente conhece hoje em dia essa
hipótese ela vem a partir de contexto de Pesquisas com populações indígenas contemporâneas realizadas na década de 80 e ela demandava um teste dessa hipótese a partir da arqueologia a pessoal vi isso acontecer com populações do presente mas a questão é saber o quant antigas eram essas relações de transformação da natureza então isso deu pra arqueologia amazônica uma base teórica que foi muito importante e que até hoje funciona para para dar uma liga paraas pesquisas na região então assim é muito bacana ver essa história acontecer nesses últimos 30 e poucos anos né é desde a década
de 90 antes mesmo de de no meu caso por exemplo tive auxílio da ser pq para fazer doutorado no exterior o CNPQ tinha nos anos 90 decidiu final dos anos 80 que a arqueologia era uma área estratégica porque não havia programas de pós--graduação aqui no Brasil ainda e fez uma coisa chamada ação induzida algumas áreas foram escolhidas pelo CNPQ como áreas estratégicas e várias pessoas da minha geração receberam bolsas para fazer doutorados no exterior Esse foi o meu caso também então foi um investimento importante na formação da gente que eu acho que também traz consequências
positivas para para pro campo da arqueologia hoje em dia né são políticas públicas eu acho sobre vários aspectos né creação de novas áreas fomento da pós-graduação investimento na pósgraduação no exterior fomento a pesquisa pela Fapesp obviamente né mas que trazem resultados são muito positivos Hoje a minha opinião então até a década de 80 a gente tinha uma uma uma hipótese que era muito forte que ela resultava de pesquisas feitas né Por arqueólogos eh estrangeiros e mais mais brasileiros também aqui na Amazônia e e que estava ligada à ideia de que a amazônia era uma região
Marginal periférica no contexto dessa história antiga profunda da América do Sul todas as grandes inovações que aconteceram aqui porque a gente sabe que a América do Sul a gente tem emergência do Estado né a gente tem de maneira independente coisas que aconteceram aqui na América do Sul sem aparentemente nenhum estímulo externo né a gente tem um processo muito antigo de domesticação de plantas uma espécie de neolítico aqui da América do Sul a produção Independente de cerâmica foi uma invenção que aconteceu aqui de maneira independente nesse continente também e até a década de 80 a hipótese
que prevalecia ainda é que todas essas inovações elas aconteceram na região Andina nos Andes centrais e que a partir desse centro de inovação elas teriam se dispersado para outros lugares do continente essa ideia na verdade é uma ideia que vem desde do do do início do século XIX pelo menos né os os Viajantes alemães que passaram pela Amazônia então uma figura muito importante pra história da ciência do Brasil é o calfon marshals que era um Botânico né que veio na expedição veio quando a princesa eh eh Leopoldina se casou com Dom Pedro né veio se
casar com Dom Pedro ela trouxe com com ela uma uma comissão de sábios e de artistas e o f Maros fazia parte desse grupo de naturalistas E ele viajou pela Amazônia junto com SPS que era o colega dele nessa viagem marchos era Botânico spix era zoólogo e uma coisa que chamou muito a atenção deles andando pela Amazônia diversidade de línguas indígenas era muito grande eles não conseguiam explicar isso direito até porque eles vinam de um de um contexto político que era o da Alemanha Onde exatamente o oposto acontecia existiam várias formações políticas Independentes né educados
principados reinos né Eh mas que que eram politicamente Independentes entre si mas que tinham em comum o uso da língua alemã isso Serviu de base inclusive para justificar a unificação política da Alemanha que aconteceu posteriormente aqui não porque eles viram não havia estado não havia nenhuma forma mais mais visível de centralização política e uma diversidade de línguas muito grande e qual foi a hipótese que eles formularam a ideia de que Esses povos seriam descendentes de populações mais civilizadas ou mais avançadas que teriam vivido em outras partes do continente na região Andina e até na região
da América Central já se conhecia as ruínas dos povos Maia por exemplo de outras populações ali p da cidade no México né onde é hoje México e Guatemala e também na na na no que é hoje o peru né e qual que foi a hipótese que Ele propôs esses grupos saíram desses centros com esse padrão mais avançado de civilização chegaram aqui nas regiões tropicais não conseguiram não encontraram condições no meio ambiente para manter aqueles mesmo aquele mesmo padrão de civilização mais hierarquizada mais elaborado de acordo com essa perspectiva e acabaram decaindo para formas de vida
mais eh eh próximas da barbárie então Ide de ter de língua diferente queria dizer o quê era um registro no presente de várias levas de populações que vieram para cá no passado e acabaram que né degringolando digamos assim no contexto Tropical essa ideia ela fo ela foi S transformada ao longo do dos tempos mas ela prevaleceu não diria como uma unanimidade mas ela era muito forte ainda na década de 80 já havia algumas pessoas que discordavam disso né mas até por uma questão política por causa da ditadura militar e né de 64 até 85 era
muito difícil que autores que tivessem uma perspectiva diferente criítica essa hipótese p pudessem trabalhar aqui no Brasil eu não tô dizendo que os autores que defendiam essa hipótese eram necessariamente favoráveis à ditadura mas né existia uma consolidação contexto político que favorecia eh eh por uma série de razões que as pessoas que trabalhassem com essa hipótes continuassem atuando aqui na Amazônia e quem tinha uma visão crítica não tinha acesso à região isso começa a virar nos anos 80 né trabalhos feitos por uma arqueóloga norte-americana chamada Ana roosvelt que foi trabalhar na Ilha de Marajó depois a
região de santaré ela encontrou num sítio chamado taperinha por exemplo cerâmicas arqueológicas que ela datou em 7000 anos e que são as mais antigas de todo o continente americano Ela mostrou que tinha gente vivendo aqui na Amazônia há mais de 12.000 anos escavando um sítio chamado Caverna da pedra pintada Então ela ela ela digamos assim ela abriu uma porta né existe um outro arqueólogo muito importante acho que a contribuição intelectual mais importante na minha opinião é de um arqueólogo gaúcho chamado José Brochado que tá vivo ainda Inclusive a tese de doutorado dele que tá Talvez
seja um dos texos mais importantes da arqueologia brasileira que ele defendeu nos Estados Unidos de 84 acabou de ser traduzido pro português depois de 40 anos e esse trabalho do Brochado é maravilhoso ele é um mestre para todos nós porque ele fala na abertura da tese dele fala olha não dá pra gente separar o que a gente encontra no que a gente chama de registro Arqueológico esses Cacos de cerâmica né as amostras de solo das populações indígenas que vivem no Brasil até hoje a arqueologia no fundo a história dos povos indígenas e essa formulação que
aparentemente é meio Óbvio e meio simples mas que é muito sofisticada do ponto de vista teórico juntamente com essa ideia de que a natureza foi transformada pelos povos indígenas ela deu a conjunção dessas duas ideias Poderosas ela deu essa liga conceitual e teórica para minha geração de arqueólogos né No meu caso eu tive muita sorte de estar aqui em São Paulo ligado a um programa de pós-graduação e ter acesso aos recursos da fapespa Então essa possibilidade de né de de trabalhar dessa maneira ela foi muito muito interessante uma coisa que eu procurei fazer e que
deu muito certo e até hoje funciona bem com né com com com as bolsas Fest com os auxílios Alf pesp eu tentei trazer aqui pro Brasil um modelo de de prática de pesquisa que foi muito comum e é muito comum ainda em outros lugares do mundo né tem um projeto muito importante que foi feito nos anos 60 na região de oaca no México por um arqueólogo norte-americano chamado Kent flanery e que que o Kent flannery fez ele ele tinha algumas questões básicas né orig do Estado origens da agricultura e ele escolheu um vale lá em
oaca perto de um sítio muito importante chamado Monte alban delimitou esse Vale amarria grande e ele ele trouxe vários alunos de doutorado que foram orientan e orientan dele trabalharam com questões relativas à arqueologia de oaca então eles montaram uma base de pesquisa com muita troca de informação porque todo mundo fazia Campo junto tinha um guarda-chuva teórico conceitual que abrigava essas pesquisas individuais de doutorado eu tentei fazer a mesma coisa aqui eh na Amazônia central e também hoje em dia na região do al madeira os auxílios Fapesp dão esse guarda-chuva tem uma série de problemas teóricos
mais amplos e conceituais e as minhas orientan as e orientan vão para Campo a gente vai para Campo juntos cada um tem o seu projeto de pesquisa específico mas um alimenta o projeto do outro então isso isso permite um assim o o rendimento dos resultados ele é muito mais amplo e uma coisa importante também é o que trabalhar em equipe porque a arqueologia é trabalho em equipe então desde cedo ess essas pessoas elas são elas aprendem a fazer arqueologia A partir dessa prática que é colaborativa e essa coisa foi muito bacana Fapesp sempre me deu
essa liberdade de formatar meus projetos a partir dessa perspectiva é um modelo moderno assim eu sou eu sou aqui estudei na úp fiz história né que é muito legal mas assim é aquela coisa na antropologia também são maravilhosos é outro mas é a pesquisa individual tem áreas de conhecimento que tem que ser assim produção é mais solitária mais arqueologia coisa que envolve coleta de Campo como é o caso da zoologia né na área dele você põe todo mundo no barco vai o herpetólogo vai o ictiólogo né aí cada um pega o seu bicho é um
vai ajudando o outro um sai para coletar à noite outro de manhã né Isso é muito bacana a gente nunca teve um barco né já tive esse sonho mas mas teria sido legal mas acho que né tem umas coisas que acontecem que são a gente não prevê né só depois que a gente vê os resultados né No meu caso específico eu tive muita sorte porque eu me formei aqui em São Paulo fiz história aqui na USP meu primeiro emprego foi em Belém lá em em no museu gue fui para lá em 87 Mas a partir
de 86 eu jogava bastante para lá depois eu peguei hepatite fiquei doente Voltei para São Paulo e acabei entrando aqui na úp como técnico Mas isso é outra história mas lá em Belém no museu gue nessa época quem me levou para lá foi o Walter Neves que foi todo mundo conhece o Walter foi professor aqui da USP trabalha né com com aqueles sítios antigos de Lagoa Santa mas ele morou uma época em Belém eu trabalhei muito com o Walter nessa época né e uma coisa interessante naquela época em Belém havia dois professores dois antropólogos que
trabalhavam no museu geld dois norte-americanos que tavam ali eram recém doutores jovens doutores fazendo pesquisas a meu ver absolutamente revolucionárias o nome deles era darell posy o darell já morreu ele depois que de morar em Belém ele foi para Oxford foi professor em Oxford lá ele morreu morreu jovem com 55 anos e um outro que tá vivo até hoje que tá ativo até hoje que é o William balet Que nós conhecemos como Bill balet que é professor na universidade de tulen nos Estados Unidos e o darell e o Bill estavam falando algo de por caminhos
Paralelos estavão falando basicamente a mesma coisa que que é absolutamente revolucionário no caso do Bill O que que ele dizia ele tinha feito o doutorado dele com um grupo indígena que fala uma língua tupi guarani do da Amazônia maranhense o povo urubu capor e que que ele percebeu que existe um outro população indígena que vive na região que são os auag guajá os urubucam agricultura de mandioca derrubam a roça põe né põe fogo para plantar e o que acontece depois que as rossas são abandonadas a gente tem um surgimento de matas de Palmeira Babaçu e
os aag guajá que vivem na mesma região e que tem uma relação de conflito até com os capó não são agricultores eles são Caçadores e coletores Mas eles exploram essas matas de babaçu que são resultado das antigas roças dos urubu por então o que que ele dizia que a adaptação nessa época da antropologia era muito forte um debate sobre adaptação humana relação com o meio ambiente essa linha foi muito forte dentro do que a gente chama de Antropologia ecológica desde os anos 50 até a década de 90 o que que o Bill demonstrou que esse
povo ao ag guajá a adaptação deles ela ocorria não a partir de uma floresta natural Mas a partir de uma floresta que resultava das atividades de cultivo né e de manejo da floresta do Povo urubu capó então era uma adaptação a um a uma floresta que tinha uma origem histórica e não uma origem puramente natural e o der pos a mesma coisa trabalhando com os o povo Caiapó gorotire lá do Pará também ele mostrava como os Caiapós que vivam numa área de transição entre floresta e Cerrado plantavam ilhas de Floresta em meio ao Cerrado com
plantas medicinais plantas economicamente importantes plantas alimentícias Então como eles plantavam né os mudas de plantas ao longo das suas tridas pela Floresta ele começou a mostrar como a floresta na qual os Caiapó gorotire vivem até hoje ela era também modificada pelas atividades de manejo dessas populações então quando eu comecei Imaginem vocês as ideias que a gente tinha para pra Amazônia que nunca teve muita gente populações né Eh uma área Marginal elas estavam rapaziadas o quê no que a gente chama de determinismo ambiental a noção de que os ambientes Amazônicos eles eram tão eles tinham uma
influência tão forte né eles eram tão limitantes que colocariam um limite por exemplo né um A o crescimento demográfico ao tamanho da população e esses autores falam o seguinte para nós olha não não existe essa um ambiente amazônico ele não ele não é uma coisa que é fixa né a gente tem evidências no presente de que os povos contemporâneos modificam constantemente esses ambientes Então essas ideias do determinismo Ambiental de acordo com esses autores elas estão erradas elas não têm uma base conceitual isso levantava a bola pra gente dizendo Olha a gente vê isso acontecer no
presente né Será que no passado foi assim também então essa ideia de né trabalhar com o a gente chama de Ecologia histórica né ela ela deu para nós essa digamos assim essa grande base conceitual e vem paralelamente isso essa ideia tem uma outra uma coisa importante que aconteceu nessa época também foi que alguns autores começaram a reler os primeiros cronistas europeus que passaram pela Amazônia e esses primeiros Viajantes do séculos 16 e 17 eles falam eles descrevem uma Amazônia que tá cheia de gente por toda parte Então essa ideia de limitação ambiental impondo né um
teto pro crescimento demográfico a a documentação histórica do do iní do período colonial também não apoiava isso então tinha um monte de coisa que vinha mais ou menos na paralela digamos assim evidências né uma questão conceitual mas dados históricos também e essa questão de olhar paraa arqueologia como história dos povos indígen tudo isso Começou a né criou uma base muito interessante pra gente poder ir a Campo Imaginem vocês quando eu fiz meu doutorado na década Comecei em 89 na década de 90 era maravilhoso assim porque era uma coisa quase Messiânica né porque a gente tinha
um monte de questão de problema a gente tinha herdado uma série de questões de pesquisa que foram colocadas anteriormente até por pessoas com as quais a gente não concordava mas as pessoas formularam problemas de pesquisa hipóteses que demandavam um teste Arqueológico Então foi uma época muito legal ainda é até hoje mas eh até hoje acho que até mais legal vários mas era uma época muito interessante para se fazer arqueologia porque a gente tinha uma espécie de Missão Quase né uma coisa para problema para para resolver então foi uma uma outra coisa que eu acho falando
de maneira meio desordenada aqui né mas uma outra coisa que foi interessante foi o final da ditadura no Brasil né isso abriu a gente quem viveu esse eu peguei só o final desse processo né mas a reconquista da Democracia né tudo isso dava para nós uma ideia de que a gente estava também a gente podia reconquistar uma ciência né fazer uma ciência arqueológica com uma cara que fosse Bras mas muito bem basada Teoricamente que pudesse conversar de igual para igual com os nossos colegas né de outros lugares do mundo quer dizer essa essa ideia essa
ess essa perspectiva de de otimismo que a transição paraa democracia deu para nós que eu acho que é uma coisa que a gente tem que valorizar até hoje né Porque na minha área eu acho que a gente pode falar com boa uma boa morgem de segurança bom primeiro que a arqueologia no Brasil em geral não só na Amazônia Ela cresceu muito nos últimos 30 anos né e assim eu acho que esse crescimento uma boa parte resulta de políticas de fomento né no primeiramente né eu eu como eu já mencionei anteriormente né o CNPQ nos anos
90 identificou a arqueologia como uma área prioritária e concedeu bolsas de doutorado no exterior para um grupo de arqueólogos da minha geração arqueólogos E arqueólogas essas pessoas todas voltaram pro Brasil e foram formar gente fazer pesquisa e tão aí até hoje algumas infelizmente já faleceram mas assim tão ativas então isso teve um impacto muito importante aqui em São Paulo eu costumo até brincar com os meus orientan e orientan né porque muitos não são daqui ou depois que se formam vão trabalhar em outros lugares né E eles vivem durante os que tem a maioria tem bolsa
Naf pespe passam essa fase da da pós-graduação meio que eh meio mimados assim né porque tem dinheiro vai pro campo faz um monte de coisa tá dá para fazer tudo e aí depois quando saem daqui de São Paulo às vezes meio que cai cair na real Porque infelizmente a gente não tem uma estrutura de fomento no nível Estadual pelo menos nos outros estados da Federação tão sofisticada como da fapes a gente tem Fundações de Amparo a fapan por exemplo do Amazonas já trabalhei com recursos é uma fundação muito boa fapespa no Pará mas nenhum estado
do Brasil eu assim é eu queria que não fosse assim não tô dizendo eu acho que a gente tem que seria importante se se se isso se isso mudasse né mas por uma série de razões nenhum estado do Brasil tem uma fap que tem condições né tem autonomia para para para gerir os seus seus recursos e os Gere de maneira independente né Sem intervenção Direta do do Poder Executivo como a Fapesp faz eu trabalho muito por causa da minha formação lá no exterior né Eu sempre trabalho com colegas a vida inteira com colegas estrangeiros né
dos Estados Unidos da Europa e as pessoas não acreditam assim como eh né Elas Ficam quando elas entendem melhor como as coisas funcionam né o financiamento da da Fapesp elas todo mundo fica super bem impressionado Porque de fato o fapes é uma conquista para nós eu fiz essa conta pra conferência que eu dei lá eu acho que eu tenho 47 47 auxílios entre bolsas eh para né auxílios projetos temáticos postdocs essas coisas todas ao longo desse tempo eu ten eu tenho até hoje fontes de financiamento que vem de outros né de outras agências também além
da fapes Mas isso faz uma diferença muito grande né e o que eu tento fazer até hoje eu essa essa ess ideia de trabalhar em rede né eu cultivo essas redes de parceria com os os meus Orient ex orientandas e orientandos a gente trabalha muito juntos até hoje e muitas e muitos deles não estão mais aqui em São Paulo né mas eu procuro utilizar essa mesma lógica de trabalhar junto pensar num guarda-chuva conceitual e pesquisas mais focadas eu eu tento Reproduzir agora com elas e eles e suas alunas e alunos nos lugares onde eles vivem
então a né a gente consegue por exemplo tem eu tenho um ex orientando meu que hoje em dia é professor na Universidade do Estado do Rio de Janeiro n o Fernando Almeida fez doutorado e mestrado aqui bolsa Fapesp um excelente arqueólogo Fernando eu Fernando fez doutorado dele em Rondônia a gente continua trabalhando juntos em Rondônia fazemos Campus em Rondônia com o financiamento da Fapesp ele tem orientandos agora lá na uest que estão trabalhando com cerâmicas arqueológicas que a gente escavou desses sítios lá em Rondônia com recursos da pesp Então essas alunas e alunos estão fazendo
suas iniciações científicas Isso é uma maneira que a gente tem também de fomentar ajudar né ajudar não porque parece muito paternalista né mas construir laços de colaboração muito importantes com essas instituições irmãs da gente como é o caso da eg lá no Rio de Janeiro então eu tento sempre manter essa lógica funcionando usar no bom sentido essa possibilidade de contar com recursos da da da Fapesp e desenhar os projetos de tal maneira que essas parcerias que se construíram ao longo do tempo muito por causa da Fapesp elas reproduzam mesmo que essas pessoas já não estejam
mais aqui em São Paulo eu acho que isso funciona muito bem mas eu acho que a arqueologia hoje ela é muito eh ela nunca foi tão interessante com uma um campo de conhecimento como ela é hoje em dia e acho que é por duas razões isso não é só no Brasil nem na Amazônia acho que a amazônia faz parte desse diálogo mas é é um fenômeno meio Global né eu diria que por duas razões pensando já no caso aqui do Brasil mas isso vale né é um movimento internacional essa primeira a gente tem hoje em
dia que o aporte de técnicas analíticas muito sofisticadas que vem de outros Campos do conhecimento por exemplo DNA DNA antigo revolucionou a arqueologia tá rol estudando arqueologia uso de lidar que esse essa né possibilidade de usar né de fazer levantamentos usando uma espécie de radar em áreas cobertas por Floresta para ver estruturas arqueológicas embaixo da Copa das Árvores isso tá revolucionando a arqueologia uso de o que a gente chama de né de química isotópica isótopos de carbono oxigênio nitrogênio análise materiais retirados né do do dos dos fragmentos ossos que são microscópicos né nos falam sobre
dieta sobre mobilidade migrações no passado coisas que eram muito hipotéticas especulativas antes a gente tem uma resposta baseada no aporte dessas ciências né e da da dessas técnicas que vem das ciências naturais né E tem outros exemplos quer dizer essa combinação esse uso desse tipo de tecnologia ela tá revolucionando a arqueologia de uma maneira impressionante ao mesmo tempo tem uma outra coisa que é muito isso é uma coisa mais brasileira essa segunda parte que é o quê é a a presença cada vez mais na educação superior e na pós-graduação e acho que daqui a pouco
também no ensino na sala de aula de professoras e professores indígenas quilombolas né E de de coletivos que nunca tiveram acesso à educação superior TRS solamente aqui no Brasil esse movimento ele cria não é não é só uma questão de uma questão fundamental de Justiça eu acho né Eh de justiça social né mas ele também provoca uma mudança teórica né Eu acho epistemológica porque são populações coletivos que T uma outra vivência que vem de uma prática na sua vida que é anterior a arqueologia mas que tá muito ligado a que a gente chama de registro
Arqueológico e eu acho que essa isso tá começando a acontecer agora aqui no Brasil a gente tem a gente tá recebendo aqui na pós-graduação alunas e alunos indígenas que estão se formando em arqueologia isso acontece na UFMG também né e outras universidades brasileiras não é só aqui na USP né Daqui a pouco Essas pessoas vão terminar o doutorado e vão se apresentar para em concursos né a gente tem políticas de ação afirmativ que criam condições eh de competição que acho que são mais justas para essas candidatas e candidatos então assim a hora que essa isso
já tá acontecendo a gente já tem um pensamento filosófico e teórico indígena produzido por autores indígenas néon kenac né o Davi copena né tem a a France banila né Tem um monte de gente pensadores e pensadoras indígenas já estão fazendo uma contribuição filosófica né teórica conceitual e a arqueologia tá elas já ela já se benef ela já né ela se enriquece muito a partir do diálogo com essa tradição intelectual e o que eu acho que vai acontecer agora a próxima coisa que eu vejo acontecer que acho que vai ser muito interessante vai ser essas arqueólogas
e arqueólogos indígenas e kilobase cabocos ribeirinhos ocuparem espaços acadêmicos E e conseguirem fazer uma combinação que acho que pode ser muito interessante Entre esses procedimentos técnicos né que E aí de novo São Paulo é muito legal fap porque a gente tem né a gente tem um laboratório de DNA aqui no ma por exemplo né que acho que é o único que tem na América do Sul com recurso da fapes então isso né imagina a gente ter um arqueóloga uma bioar queóps cientista isso pode ser acho que isso vai ter consequências revolucionárias para arqueologia e eu
vejo isso que eu acho que a gente tá num Limiar desse momento agora e eu acho eu eu também vejo eu acho muito interessante eu vejo que a Fapesp ela ela a Fapesp ela talvez seja uma coisa boa né Ela é uma instituição conservadora no sentido de que ela ela tudo que ela faz é muito bem pensado discutido né por isso que ela consegue administrar bem seus recursos e ter bastante dinheiro em caixa né mas o sino que fapes tá se abrindo também para essas práticas de porção conhecimento menos hegemônicas né Mais mais horizontais né
E isso pode ser eu acho que isso vai ter uma consequência sequência muito muito favorável e muito importante para pra arqueologia então eu apesar do mundo tá a gente olhar pro mundo ficar meio pessimista né quando eu olho paraa ar geologia eu falo puxa a gente tá a gente ela nunca foi tão interessante como ela é agora e as possibilidades são maravilhosas eu acho pros próximos anos né E tem grupos indígenas que até hoje não querem arqueologia eles não querem que ninguém mexe nas coisas deles né então assim tudo isso são questões para assim concretas
né né que colocam desafios pra gente a gente vai ter que como é que a gente faz qual que vai ser a nossa prática Qual que é o nosso papel né Quais são as alianças que a gente vai construir é com a ciência com essa categoria com c maiúsculo é com com os povos com as populações tradicionais né Eu acho que esse essa conversa mais do que conversa né Essa abertura para dividir a autoria né com as populações tradicionais ela é fundamental Mas pode ser que ela por exemplo esse eu tenho um projeto que não
é financiado pela Fapesp né que é um dinheiro da National Geographic para fazer sobr voos de lier em áreas que estão ameaçadas da Amazônia brasileira e registrar sítios arqueológicos uma das áreas que a gente ia fazer sobrev era o Alto Xingu que tá cheio de sío Arqueológico tem um trabalho muito antigo né mas depois de vários meses conversando indo e voltando a gente achou melhor que não né e em parceria com os nossos companheiros osado Xingu dizendo ol talvez não seja melhor fazer ainda eles não sei se eles não sabem se eles querem que esse
tipo de informação que é tão importante para eles os lugares sagrados por exemplo seja divulgada né é muito comum Hoje em dia a gente tem esses editais né de fomento muit no exterior que fala assim olha acesso eh acesso público né tudo todo o material que for produzido vai ser de acesso público mas tem populações tradicionais que não querem que aquele conhecimento que aquele canto relacionado a produção sei lá né desse vaso de cerâmica tem um canto que tá relacionado e às vezes aquilo não é para ser divulgado Aquilo é conhecimento né exclusivo de quem
tá relacionado aquele processo criativo entendeu então de tornar o acesso público minha amiga Bruna Rocha fala isso Ela é professora lá em Santarém ela tem razão às vezes é uma ideia bem intencionada mas reforça uma vez mais uma perspectiva colonialista né porque aí você se você torna um acesso público o cara que mora lá no interior do Pará às vezes não tem acesso à internet ele não consegue ouvir aquele canto né às vezes é o descendente daquela pessoa que gravou aquilo enquanto que um estudante aqui em São Paulo filou nem no exterior tem internet aqui
na USP vai lá abre faz uma pesquisa para iado naquele tipo de informação às vezes cujo acesso por uma questão de deficiência falta de grana mesmo não é eh permitido a quem mora no local onde aquela aquele aquele dado foi coletado então assim são novas questões Às vezes a gente gente vem cheio de boas intenções mas percebe que é é exatamente o oposto do que a gente acha que é interessante ou não questões como autoria no processo de produção de conhecimento né compartilhamento tudo isso é um campo novo que a gente tem que explorar Eu
acredito que a gente tem que aprender tateando tentativa e Ero né para ver como é que a gente consegue construir essas novas práticas né mas isso eu acho que tudo isso é um processo de produção do conhecimento acho que não é tempo desperdiçado Eu acho que isso é conhecimento que tá sendo produzido que para para fazer uma ciência que pode ser mais justa né e mais significativa para todo mundo isso é importante na minha opinião a minha trajetória acadêmica ela ela é meio bem linear Assim na verdade né Eu eu eu tive a sorte quando
era eu sempre queis ser arqueólogo desde moleque a arqueóloga nied de guidon que é tão importante né ela é Ela é prima de um grande amigo do meu pai então quando eu era antes de entrar na faculdade eu já sabia Dan nied fui ver uma palestra dela na Aliança Francesa eu tava no segundo colegial em 81 então assim eu já sabia que existia arqueologia e que a arqueologia era uma possibilidade né e eu resolvi né Fiz história fiz um ano de direito também fazer história que na USP direito na P fez as duas durante um
ano eh né eu conversi esta com a minha família meu pai disia você é louco arqueologia imagina fiz um ano deito para tentar né mas eu vi que eu queria comecei a estagiar logo no primeiro ano do primeiro primeiro ano do primeiro mês da graduação com arqueologia foi em março de 83 e fiquei nessa até hoje né me formei aqui na USP é eu fui para tinha interesse em Amazônia o interesse que é era além da arqueologia né então quando eu era eu fui pra Amazônia de ônibus eu peguei um ônibus fui PR Belém quando
eu tinha 18 anos para conheci ele de Marajó Então tinha essa coisa de querer aí um dia eu percebi que dava fazer arqueologia na Amazônia que aí né fui aprendendo aí aí morei em Belém depois eu tive tive eh eu queria trabalhar em Rondônia no meu doutorado andei por rond 88 também fui de ônibus para Rondônia fiquei dois meses andando por Rondônia naquela época Rondônia era muito violento era aquela época da da Fronteira muita muita briga muito tiroteio né E essa Fronteira ela vai indo né hoje em dia Rondônia Tá mais calma assim e aí
falei não aqui é muito barra pesada para fazer doutorado acabei aí fui ganhei bolsa do cpq fui paraos Estados Unidos fiz meu Dorado no Alto Rio Negro né trabalhei Foi uma foi uma experiência maravilhosa no na região do Da Da Da né do do do Rio outro Rio Negro ali são ao norte para cima de São gabel da Cachoeira mesmo é isso as coisas eu conheci um grande amigo meu que até hoje a gente é muito amigo o Michael heckenberger que é um arqueólogo americano que trabalha aqui no Brasil desde 92 o micheel eu a
gente fazia doutorado na mesma época nos Estados Unidos em universidades diferentes a gente se conheceu um dia num congresso de arqueologia ficamos super amigos graças a ele eh a gente começou um projeto em 95 no Amazonas o projeto Amazonas Central em 97 a gente conseguiu dir em 95 97 e 99 eu consegui meu primeiro auxílio Fapesp para trabalhar nesse projeto aí eu tive vários auxílios tive temático um monte de auxílio um monte de bolsa de aluno trabalhei 15 anos nessa região e é isso assim né entrei na USP como técnico em 87 né eu tive
muita acho que o existia ainda né eu entrei no estudo de pré-história o ma foi criado e esse ma que a gente conhece hoje foi criado em 89 Na verdade eu acho que eu tive muita sorte em vários aspectos assim porque por exemplo quando eu ganhei minha bolsa de doutorado em 89 pro CNPQ eu já tinha um emprego como técnico né a USP me deu um afastamento acreditou na minha né na minha apostou em mim né e eu passei eh quase 3 anos fora estudando voltei para cá né escrevi meu doutorado aqui e depois voltei
para defender mas assim eu eu eu me beneficie muito da do do apoio que eu tive né da universidade pública e seja através né do do curso que eu fiz na graduação que né que é um curso gratuito e livre curso de história mas também trabalhando aqui na USP né eu fui contratado em 87 nós estamos em 2024 né são acho que 37 anos que que eu vou fazer que eu tô aqui já né Sempre tive uma base o mais sempre me deu essa base sempre me deu muita segur para poder viajar Ir para Campo
ao mesmo tempo nós seros um museu e não um departamento a gente tem que dar aula aqui também a gente tem uma pós-graduação Mas a nossa carga didática ela é um pouco menor a gente dá bastante aula aqui também mas a gente consegue organizar noa carga didática de maneira diferente dos nossos colegas que estão nos departamentos então sempre podia ir muito pro campo né passar longas Temporadas no campo Isso tudo foi muito tá aqui no museu no mai foi uma coisa que me deu muito essa liberdade ess segurança né de poder me dedicar porque assim
a arqueologia depende muito essas ciências que mas eh empíricas assim elas dependem muito ou de você tá no laboratório o tempo inteiro né ou no caso da arqueologia de você ir para Campo né é claro que a gente sempre coleta mais do que a gente pode a gente demora muito mais para analisar do que coletar mas é eu vejo às vezes é coisa mais você vê colegas que já não vão mais que tão em outra cada um na sua não tô julgando ninguém aqui mas eu acho que assim essa capacidade de voltar sempre ao campo
ela é muito importante ela dá uma ela dá essa ela a gente né ela vai refrescando digamos assim a nossa capacidade crítica né e de e tá no Mai tá na USP tá no mai e tfa pesp né isso uma isso me deu essa é uma é uma combinação muito muito feliz que me deu essa liberdade e me deu recursos né me deu condições de de manter viva essa essa presença no campo eu gosto muito de fazer trabalho de campo né Eu tava no campo agora em fevereiro eu o ano passado foi o primeiro ano
que eu não fui a campo em mais de 20 anos porque que eu tava com diretor aqui do museu e não pude por série de razões não pude me afastar mas eu eu acho que eu particularmente sou um arqueólogo que gosta muito de fazer pesquisa de campo e de novo tá aqui e ter esse apoio da Alf pesp tem sido muito importante por causa disso né então assim Acho que eu dei muita sorte eu tava ali né Tudo bem você tem que estar na frente do Gol para chutar a bola dentro né mas eu acho
que também por uma série de razões coisas que foram acontecendo que foram né que confiei também que as coisas iam acontecer você vai meio acreditando que vai dar certo e as coisas vão né Elas vão acontecer assim então é um né agradeço tenho muita gratidão a a Fapesp e a USP por ter tido essa essa liberdade para trabalhar aí e recurso para fazer o que eu quis fazer mesmo ao longo do tempo né quando a gente faz campo em arqueologia lá na Amazônia no meu caso é muito raro Você tá sozinho num lugar no meio
do mato né você geralmente tá em algum em alguma comunidade Eh agora por exemplo lá em Rondônia a gente tem um projeto que é apoiado pela fpesp onde a a gente mora num barco porque não tem nada perto e esse sítio ele fica numa área de de acesso difícil então a gente tem que alugar um barco e a gente fica morando num barco durante um mês eu já não consigo ficar um mês inteiro no campo mas pelo menos 15 dias Isso é uma estrutura super complexa porque você tem que alugar o barco são esses barcos
grandes né você bota 20 25 pessoas para viver nesse barco tem o cara que pilota o barco tem o mecânico tem a cozinheira né então é uma logística você tem que chegar até o barco né esse lugar por exemplo a gente vai até Porto Velho de avião a gente pega um ônibus são 12 horas de viagem até São Francisco do Guaporé a gente pega um caminhão em São Francisco vai até o Rio Guaporé no Guaporé a gente pega o barco e se você tiver de lancha você vai sei lá 6 horas de viagem na lancha
se você tiver no barco já para sair o barcão que tá todo mundo às vezes são dois dias de viagem não tem internet Não tem o Instagram WhatsApp nada disso então assim eu adoro fazer esse tipo de coisa né Eh porque você é um uma coisa legal do trabalho de campo Arqueológico é que ele é um trabalho braçal você tem que trabalhar mesmo né cavar segurar carregar Bound né Eu acho legal fazer isso eu tento dar o exemplo pros meus alunos e alunas quando eu tô no campo eu sou um cara que claro que eu
sou mais zéo que eles né Eh mas eu faço um monte de coisa que acho que a gente tem que fazer ser capaz de fazer a gente não pode pedir para alguém fazer alguma coisa se você tiver a capacidade de fazer você tem que fazer também né então acho importante isso eu gosto dessa questão dessa questão do trabalho braçal mas é muito legal também a questão é um trabalho intelectual também né porque quando você tá escavando um sítio Às vezes você se você não prestar atenção no que você estiver fazendo ali você vai destruir aquele
registro e ele vai est destruído para sempre Então você tem que tá ligado tem né é trabalho abração mas também é trabalho intelectual e e essa coisa dormir na rede à noite é uma delícia né 7:30 da noite esse campo do barco eu tinha vergonha de dormir às 7 da noite falar Gente vou ficar espar até à 7:30 Porque eu tenho vergonha de ir pra Rede às 7 da noite 7:30 você tá na rede assim aquele sono do justos assim pesado acorda cedo eu acho que isso é muito essa co agora tava no campo em
lá lá no Acre em Rondônia também num outro lugar de Rondônia Dea com o Acre pegamos um temporal andando na chuva no meio do mato é uma é Um Desafio né mas é um ass não quer não é nem a questão da Aventura mas é a questão de você sentir que você tá vivo o seu corpo tá lá tá respondendo né Isso é muito legal esse trabalho físico o trabalho intelectual eu gosto gosto muito eu acho que cada um é do seu jeito não é todo mundo que gosta nem acho que tem que ser assim
para todo mundo mas no meu caso eu trabalho na região Amazônica eu gosto de calor eu goo da comida me sinto bem no ambiente Tropical né úmido assim meu meu metabolismo funciona bem nesse tipo de contexto Então para mim não é um sacrifício assim né eu gosto dessa dessa experiência é uma experiência física mas sensorial também de fazer o trabalho de campo viceral isso é muito legal né Vai cada um do seu jeito né mas no meu caso então então o campo é fundamental eu acho e custa caro [Música] [Aplausos]