Olá, meus amigos do Adventismo Vivo. Sejam muito bem-vindos a mais um estudo da Bíblia, por meio da lição da Escola Sabatina. O meu guia de estudos está aqui. Nós estamos estudando sobre apologética e agora na lição de número dois nós temos o título Missão Areópago. Vamos estudar o discurso de Paulo aos atenienses no Areópago. Então, para você ver o estudo todo estruturado, convém que eu diminua agora e o mapa mental cresça. Qual é a visão geral do estudo desta semana? Nós vamos estudar como o discurso de Paulo no Areópago ensina um modelo de evangelismo para
um público sem a cultura judaico cristã ou mesmo um público que já teve essa cultura, mas se secularizou, se relativizou e precisa ser alcançado pelo evangelho. E o nosso método de estudo será exatamente ir aqui ao nosso texto chave. Atos 17 versos 16 a 34. Nós vamos ler todos esses versos e comentar verso por verso, expressão por expressão. Então vamos começar aqui no verso 16 que diz o seguinte: "Enquanto Paulos esperava em Atenas, o seu espírito se revoltava em face da idolatria dominante na cidade, por isso, dissertava na sinagoga entre os judeus e os gentios
piedosos. também na praça. Preste atenção, na praça, todos os dias entre os que se encontravam ali. Quando nós lemos esse texto, precisamos fazer algumas perguntas para contextualização. Por que Paulo estava em Atenas? Se você recuar versos anteriores, no capítulo 17, você vai ver que houve uma perseguição dos judeus de Tessalônica, enquanto Paulo estava em Beria. Portanto, Paulo foge de Beria e vai para Atenas. Então ele estava em Atenas para fugir da perseguição dos judeus de Tessalônica. E Atenas também seria o ponto de encontro com Silas e Timóteo. É por isso que o verso inicial diz
assim: "Enquanto Paulos esperava em Atenas, esperava quem? esperava Silas e Timóteo. Então, Paulo estava lá temporariamente e enquanto ele esperava, ele não ficava de braços cruzados, ele aproveitava a oportunidade. Por isso, dissertava na sinagoga entre os judeus e os gentios piedosos e também na praça. Agora, o texto dá ênfase a uma forte emoção de Paulo. Olha aqui, o seu espírito se revoltava em face da idolatria dominante na cidade. E para nós entendermos o que esse texto diz, como assim Paulo se revoltava com a idolatria? Não tinha idolatria em todos os lugares por Paulo passava? Porque
ele só se revoltou ali em Atenas, porque Atenas tinha uma condição especial. E para você entender essa condição especial de Atena, você tem que entender o formato da cidade, a geografia. E é isso que nós vamos ver agora por meio de dois recursos. Primeiro recurso que nós vamos usar é uma reconstrução em 3D da cidade de Atenas. está disponível aqui nesse link e depois nós vamos para o Google Earth e vamos ver imagens de satélite, imagens atuais contemporâneas de como é essa região da cidade de Atenas. Tudo bem? Então aqui nós temos uma vista aérea
da grandiosa cidade de Atenas. Grandiosa não necessariamente em extensão, mas grandiosa em riqueza. Grandiosa também porque por ser um símbolo da filosofia, da sabedoria. aqui passaram os grandes filósofos da antiguidade. Eu quero chamar a sua atenção para a estrutura da cidade de Atenas. Aqui ao centro, nessa parte mais elevada, nós temos a Acrópole, que é um complexo de templos. E ali nós temos então a a o centro da vida religiosa. Aqui você pode ver, deixa eu pegar aqui a seta indicativa, que existe uma montanha, uma pequena colina chamada colina de Áries. Essa colina de Áries,
veja aqui, ó, essa formação rochosa na parte de baixo, é exatamente o areópago a que o texto vai fazer referência. E aqui do lado nós temos uma área com algumas edificações. Essa aqui é a ágora. Então, quando o texto que nós lemos diz que Paulo ficava na praça, está se referindo à ágora, o local público das deliberações. A ágora era composta por prédios públicos, a ágora era composta por tribunais, a ágora era local de comercialização. E é nesta ágora aqui que Paulo vai ver um grande número de imagens de escultura, de estátuas, de altares. Ele
está num lugar de ampla idolatria. Agora vamos ver aqui algumas outras partes para nós termos uma melhor noção. Vamos lá para a Acrópole. Veja que majestoso, como é rico isso aqui. Quais eram os prédios que nós temos aqui na Acrópole? Logo na entrada nós temos o templo de Atena Niqué. É um santuário consagrado à deusa Atena da Vitória. Essa Atena Niqué foi a deusa que inspirou então a marca de esportes Nike, né? vem exatamente dessa dessa palavra aqui. O que que nós temos mais aqui? Nós temos a calcoteca, que era o o local de armazenar
as ofertas que eram trazidas à deusa Atena. Nós temos o Brauron, que é um santuário consagrado à Artemisa, a deusa da caça. Nós temos aqui uma grande estátua de Atena no centro da Acrópole. E vamos ver aqui, por exemplo, o Partenon, essa grande estrutura aqui. O que que nos interessa é a grande estátua de Diana, ou perdão, a grande estátua de Atena que existia dentro do Partenon. Uma estátua de 12 m de altura aqui dentro dessa estrutura. Veja, uma estrutura bem complexa. E aqui ao centro nós temos a grande estátua de Atena. O que que
mais? Vamos mudar aqui, ó, para outra parte. Temos aqui um outro santuário. Veja que até mesmo as colunas possuem a a formas humanas, formas de ninfas, de deuses. E nós podemos ver também a outra estátua de Atena aqui. Então, repare o seguinte. Paulo está pregando muito próximo daqui e ele tem um complexo idolátrico a poucos metros de si. Por que que eu digo a poucos metros? Vamos olhar aqui da Acrópole para baixo. Quando nós olhamos aqui, percebe que aqui da Acrópole nós estamos vendo a ágora, a praça aqui para baixo. E é exatamente aqui que
Paulo pregava. Então, quando Paulo estava aqui na ágora, ele estava pregando e vendo diretamente todo esse sistema idolátrico. Agora, saindo da Atenas em 3D, nós vamos ver imagens de satélite da Atenas atual, pra gente entender aqui no mundo real a paisagem que Paulo viu também. Então, estamos aqui na América do Sul. Vamos girar o nosso globo, passar pela África, subir aqui até a Europa. Então veja que nós temos a Itália na forma de Bota, a Grécia está logo aqui do lado e a área que nos interessa, que é o areópago, já está marcada aqui. Eu
só vou precisar fazer um ajuste aqui para melhorar nossa visualização. Olha, vou vou girar aqui o mapa colocando o norte para o sul, porque assim fica mais fácil de nós nos localizarmos. Então, note isso aqui, ó. Essa parte aqui cheia de ruínas é exatamente a acrópole que nós vimos no arquivo 3D anterior. Aqui estava um complexo de templos. Aqui era o ápice da vida religiosa de Atenas. E note que aqui nós temos uma pedra. Esse aqui que é o areópago. É aqui onde onde Paulo pregou a sua mensagem principal de Atos 17. Veja, é uma
estrutura simples, é apenas pedra, é apenas rocha. Não tem nenhuma edificação aqui, mas o formato dessa rocha é interessante porque ela é um aclive. Então é muito parecido com uma estrutura de de um teatro, por exemplo, de um auditório, em que você tem um lugar, um palco mais elevado para quem vai se apresentar, para quem vai falar e você tem outro lugar para a os ouvintes se acomodarem. Bem, então aqui nós temos o areópago e onde é a praça em que Paulo estava? Onde é a ágora? Exatamente. Aqui nós temos essa estrutura aqui como a
águora rom a águora grega, a águora ateniense, a praça pública das deliberações. Então é neste local aqui que Paulo pregava. E veja, vamos colocar um medidor aqui. Vou habilitar essa régua pra gente traçar uma linha e vou colocar aqui em metros. Então veja, da ágora até o areópago dá quanto? Cerca de 300 m. Vamos limpar do Areópago. Deixa eu posicionar aqui melhor. Do Areópago até a Acrópole, nós temos também 200 e poucos metros, menos de 300 m. Então, veja, esses locais de pregação aqui de Paulo, eles estão muito próximos do centro da idolatria. Olha que
interessante. Que que mais nós podemos ver aqui, ó? Aqui é o centro da água de Atenas. E a pouquíssimos metros vou habilitar a régua novamente. Aqui o centro da ágora e vamos medir outro ponto. Nós temos aqui o templo de Efesto a menos de 100 m. Aqui o templo de Efesto, o Deus do fogo. Então veja, enquanto Paulo está aqui na água pregando, existe todo esse complexo de idolatria ao redor dele. Vamos ver aqui algumas imagens. Vou colocar aqui, por exemplo, ó, pra gente ter uma imagem do chão, como seria, ó. Essa é a paisagem
que Paulo viu. Foi exatamente aqui que Paulo pregou, ó. Aqui é o chão da ágora. E note que interessante, enquanto Paulo está aqui no chão, na praça, ele está vendo o que aqui em cima? Acrópole, o centro de toda idolatria. E ele também aqui está rodeado de idolatria, de altares. Claro, aqui nós temos só ruínas, mas nós podemos imaginar com centenas e milhares de altares e estátuas aqui em todo esse entorno. Veja só, a título de comparação, aqui nós estamos no centro da água e se nós aqui baixarmos uns poucos metros, veja aqui, ó. Aqui
é o templo de Efesto e aqui na esquina nós temos a estátua de Tezeu. Vamos dar uma olhada ali. Olha aqui. Essa estátua aqui, pessoal, é uma estátua moderna, tá? Isso não é da antiguidade. Paulo não viu isso aqui, não. Mas isso aqui ilustra como era o ambiente. O ambiente era cheio de altares. Esse ambiente era cheio de estátuas. E é exatamente nessa localidade cheia de imagens de escultura que Paulo está pregando. Quando nós entendemos essa geografia, nós percebemos aquela descrição do texto bíblico de dizer que o seu espírito se revoltou dentro de si, porque
Paulo estava exatamente cercado de idolatria. E para confirmar isso, nós temos um testemunho histórico de um sujeito chamado Pausânias. Pausânias era um geógrafo do segundo século. E algumas décadas depois que Paulo esteve lá, Pausânias visita a cidade de Atenas e ele faz a seguinte descrição. Olha, o o nome do livro de Pausânias é descrição da Grécia. E ele diz o seguinte, falando de Atenas, ali do centro de Atenas, do lugar que a gente acabou de ver, Acrópole, Ágora e Areópago. Ele diz assim: "Esta é uma sociedade que se distingue não só pela filantropia, mas também
mais do que outras, pela piedade para com os deuses." Assim, tem um altar dedicado ao pudor, outro à fama e outro ainda ao valor. E sabe o que que é interessante nessa obra de Pausânias? é que ele percorre todo esse caminho da ágora, do Areópago e chega na acrópole e desce por outra estrada. E a cada parágrafo do livro dele, ele narra uma estátua diferente, ele narra um culto diferente, ele narra um Deus diferente. Então, a impressão que nós temos quando lemos aqui esses escritos de Pausânias é que para uma pessoa que estava andando a
pé ali, ela se deparava aqui como uma estátua, andava mais 10 m e tinha outra estátua, andava mais 10 m e tinha um altar. Ou seja, o ambiente era totalmente preenchido por estátuas e altares. E aqui, se você quiser ler essa descrição de Pausâneas, é um texto rápido, fácil, eu deixei o link aqui de um material muito bem traduzido em português. Então, nós fizemos toda essa introdução para entendermos esses dois versos iniciais. Enquanto Paulos esperava em Atenas e esperava quem? Esperava Silas e Timóteo, o seu espírito se revoltava em face da idolatria dominante na cidade.
Nós entendemos isso agora. Por isso, dissertava na sinagoga entre os judeus e os gentios piedosos e também na praça, ou seja, na ágora ateniense, a poucos metros do Areópago, todos os dias entre os que ali se encontravam. Bem, visto isso aí, o que que você acha? O vídeo já merece o seu like? Se você acha que sim, então clique aí no botão gostei. E eu também eh eh aproveito esse momento para alertar. Nós já vamos continuar com o conteúdo que tudo que nós estamos falando aqui está na descrição. Nós temos ali na descrição o link
do mapa mental e de todos os outros recursos que nós usarmos. Eu também quero pedir para que você deixe seu comentário, fale assim: "Olha, entendi isso, gostei disso ou não gostei ou não entendi essa parte, me esclareça e assim nós vamos interagindo." Você também pode falar nos comentários qual, até qual parte do vídeo você assistiu, porque o YouTube informa aqui que a maior parte do nosso público vê apenas os 18 ou 19 primeiros minutos do vídeo. Então, eu quero saber até qual parte você viu. Talvez você fale assim, ó: "Vi todo o vídeo". Deixe lá
nos comentários. Ou senão você pode escrever via até o minuto 18. Daqui a pouco, amanhã eu volto para ver o restante. Quero saber como é que vocês estão fazendo, tá certo? Voltando agora ao nosso estudo, vamos avançar para o próximo verso. Atos 17:18 diz assim: "Alguns dos filósofos epicureus e estóicos contendiam com ele e com Paulo, havendo quem perguntasse: "Que quer dizer esse tagarela?" e outros. Parece pregador de deuses estranhos, pois pregava Jesus e a ressurreição. Vamos entender isso aqui. Quem são esses filósofos epicureus e estóicos? A lição tratou disso na parte de terça-feira. E
agora eu quero eh eh complementar, aprofundar isso aqui um pouquinho para o nosso crescimento. A filosofia dos epicureus e dos históicos, ela gira em torno de um ponto bem específico da filosofia que é chamado de eudaimonia. O que que quer dizer essa palavra eudaimonia? É a vida boa. Alguns traduzem por felicidade, não é tão interessante. Eu gosto de falar eudaimonia como a vida que vale a pena ser vivida, aquela vida que você queria repetir, aquela vida que te trouxe satisfação. Isso é eudaimonia. Então, a discussão principal dos filósofos epicureus históicos é exatamente essa. Como eu
consigo viver uma vida que vale a pena ser vivida? A lição colocou isso da seguinte maneira. Olha aqui na parte de de terça-feira, a lição diz que eh eles apresentavam ideias sobre a existência e sobre o caminho para alcançar a felicidade. É o da imonia. E como cada um apresentava esse caminho, o que que os epicureus diziam? Ora, a vida que vale a pena ser vivida, a felicidade é encontrada na ausência de dor e na ausência de perturbação mental. Como assim? Como filósofo epicureu, nós vamos alcançar ausência de dor e ausência de perturbação mental. E
eles vão dar duas respostas principais. Você deve classificar os desejos que você vai atender e você deve ter uma postura crítica aos deuses para você não se angustiar. Como assim? Os epicureus vão estabelecer uma classificação de desejos. Eles vão falar que existem os desejos que são naturais e necessários, os desejos que são naturais, mas não são necessários, e os desejos não naturais e não necessários. Quais desses desejos você vai atender? Você vai atender apenas os desejos que são naturais e necessários. Esse é o caminho para a felicidade. Então, qual é um do um desejo natural
e necessário que eu tenho? Eu tenho o desejo de beber água, porque eu tenho sede. Então, eu posso saciar esse desejo bebendo água. Por quê? Porque ele é um desejo natural e necessário. Agora, a minha sede, o meu desejo por saciar a minha sede é natural, mas pode ser que eu queira saciá-lo por um meio não necessário. O que que é um meio não necessário para saciar o meu desejo natural? Por por matar a sede. Eu posso querer matar a sede com uma bebida sofisticada, um vinho fino. E que que os epicureus vão dizer? Ora,
o desejo é natural, mas esse meio de saciá-lo é um meio não necessário. E também existem os desejos não naturais e não necessários. O desejo por riqueza, o desejo por poder, por acumular a riquezas, por ter fama. Isso é não natural e não é necessário. Então, para os epicureus, o caminho para a felicidade, para a vida boa, é focar apenas nos desejos naturais e necessários, satisfazendo a eles de modo simples, evitando excessos que levam ao sofrimento. Esse é o primeiro passo dos epicureus para a felicidade. Só que eles vão ainda dar um segundo passo e
vão fazer uma crítica aos deuses. Eles vão dizer assim: "Os deuses não se interessam pelos assuntos dos homens. Os deuses vivem num mundo à parte". É irrelevante o que os homens fazem ou deixam de fazer. Portanto, se os deuses estão num mundo à parte e não possuem relação com o ser humano, por que viver com medo dos deuses? Por que viver angustiado pensando que os deuses eh eh vão fazer julgamentos, que os deuses têm que ser agradados? Vamos viver independentemente dos deuses. E assim, unindo aqui uma uma classificação dos nossos desejos e essa crítica aos
deuses e a religião, nós vamos atingir a vida boa, a vida eudaimônica. Esses são os epicureus que faziam parte do auditório do apóstolo Paulo. Mas nós também podemos falar do estoicismo, dos filósofos estoicos. O estoicismo tá muito em moda no Brasil hoje. No YouTube tem muito conteúdo sobre estoicismo. Os podcasts falam constantemente de estoicismo. Qual que é a visão geral dessa filosofia? Os estoóicos, eles viam o universo como cosmos, ou seja, como um projeto ordenado. E o que que significa dizer que o universo é ordenado? Veja como o universo se baseia em ciclos, tem a
parte clara e tem a parte escura. Tem o tempo da chuva e tem o tempo da estiagem. Tudo é um ciclo bem feito, um ciclo bem engedrado. Os planetas têm as suas órbitas, eles rodam e as estações se repetem. Parece que tá tudo bem ajustado, como se o mundo, o universo fosse ali um um relógio analógico cheio de engrenagens bem organizadas e bem coordenadas. Essa é a visão históica sobre o universo. Ora, se o universo é assim bem ordenado, então os pensamentos, desejos e ações humanas devem estar alinhados a essa estrutura racional, cósmica e bem
ordenada. Ou seja, aquela ordenação que é exterior a mim deve se verificar no meu interior. Os meus pensamentos, as minhas emoções devem estar organizadas e sob controle. E daí os estoóicos vão focar muito na aceitação do destino. Por quê? Porque existe uma ordem cósmica que é exterior a mim. Existem coisas que eu consigo mudar e coisas que eu não consigo mudar. Essas que eu não consigo mudar, eu vou aceitar serenamente. Eu vou aceitar o destino, porque faz parte da engrenagem do cosmos. E os históicos também focam muito em domínio próprio. Eu preciso controlar impulsos internos
para espelhar a providência história externa. Ou seja, a ordem do cosmos que é externa, mim tem que ser internalizada, porque eu vou me tornar sábio se eu for como um cosmos, um universo bem ordenado em miniatura. Então esse aí é um resumo, uma síntese dos filósofos que estão ali a ouvindo Paulo falar. E você vai perceber que existem ali muitos pontos de contato com o cristianismo, mas também existe ali muitos pontos de conflito com o cristianismo. O que que é interessante? Paulo está no meio de grupos que estão discutindo sobre a eudaimonia, qual é a
vida boa, qual é a vida que vale a pena ser vivida. E Paulo vai falar um discurso eudaimônico exatamente para esses grupos. Olha aqui que interessante. Paulo desce a mesma categoria deles. E para Paulo, qual é a vida que vale a pena ser vivida? Qual é a vida boa? Para Paulo, a eudaimonia é a reconciliação com Deus. Daí sim eu vou ter alegria, daí eu vou ter paz, daí eu vou ter propósito para a vida. Então veja que o discurso de Paulo, ele é apresentado na mesma categoria dos discursos dos filósofos que compunham o seu
público. Isso é muito interessante. Foi a parte de terça-feira. Visto isso, nós vamos avançar agora para os versos 19 a 21, que dizem assim: "Então, tomando consigo," ou seja, esses filósofos tomaram Paulo consigo, tiraram ele da ágora, ou seja, da praça pública e levaram ao Areópago, dizendo: "Podemos saber que nova doutrina é esta que?" O que que era o areópago? O areópago era um local muito famoso, muito conceituado para julgamento de causas judiciais complexas ou muito importantes. Então, veja a simbologia que está envolvida aqui. Para você, Paulo, que está trazendo assuntos novos, assuntos importantes, nós
vamos levar você até o mesmo lugar em que são feitos julgamentos, porque nós queremos julgar o que você tem para dizer, porque é uma doutrina nova que nós desconhecemos. E por isso nós vamos levar você ao local mais nobre de julgamento. Nós não vamos julgar um criminoso, nós vamos julgar as suas ideias, o que você tem para nos apresentar. E é por isso que eles falam: "Poderemos saber que nova doutrina é essa que ensinas, posto que nos trazes aos ouvidos coisas estranhas? Queremos saber o que vem a ser isso, pois todos os de Atenas e
os estrangeiros residentes de outra coisa não cuidavam senão de dizer ouvir as últimas novidades. O que eu chamo atenção aqui nesse verso são essas expressões aqui, ó. Que nova doutrina é essa que ensinas? Outra coisa, não cuidavam senão de ouvir as últimas novidades. Então, pela leitura desse verso, você percebe que você está numa sociedade que dá muito atenção à discussão de ideias, o debate de novas doutrinas, as novidades do saber que estão circulando. Esse tipo de sociedade só era possível por ter uma base escravagista. Veja aqui, numa cidade, numa cidade escravista como Atenas, a elite
cidadã tinha o privilégio de não trabalhar com as mãos e de gastar seu tempo em política e filosofia. Por quê? É, quem tá cuidando da agricultura? Os escravos. Quem tá cuidando da pecuária? Os escravos. Quem está escavando as minas para conseguir os metais? Os escravos. Quem está fazendo o serviço doméstico? Os escravos. E os homens, então, os homens ricos, os donos de escravos, estão onde? Eles estão na ágora, eles estão na acrópole, eles estão no Areópago falando de política, falando de comércio, falando de filosofia. Então esta é a cena que a mensagem que Paulo está
pregando lá na Ágora gera um alvoro e as pessoas falam assim: "Não, vamos organizar isso aqui, vamos propiciar para Paulo um momento para ele explicar para nós, amantes da filosofia, amantes do debate, quais são essas novas ideias que ele tem para apresentar." E agora nós chegamos no coração da nossa lição, versos 22 e 23. Eles retiraram Paulo da água e o levaram ao Areópago, naquele naquela colina, naquele naquela formação rochosa. Então Paulo, levantando-se no meio do Areópago, disse: "Senhores atenienses, em tudo vos vejo acentuadamente religiosos." Note como essa essa fala de Paulo é muito parecida
com a fala de Pausânias, que visitou Atenas décadas depois. Pausânias diz assim dos atenienses: eh esta é uma sociedade que se distingue não só pela filantropia, mas também mais do que as outras, pela piedade para com os deuses. Pausânia chama de piedade para com os deuses. E Paulo vai dizer assim: "Em tudo vos vejo acentuadamente religiosos, o mesmo testemunho de Pausânias. Porque passando e observando os objetos de vosso culto, encontrei também um altar no qual está escrito ao Deus desconhecido. Nós já vimos que havia o altar e o templo, a deusa Atena, havia o altar
e o templo a Ártemis. Havia o altar e o templo ao deus do fogo e a tantos outros deuses. Ali podemos pensar em Poseidon, vários deuses da mitologia grega. E havia também um altar ao Deus desconhecido. E olha como Paulo é criativo, é sofisticado. Pois esse que adorais sem conhecer é precisamente aquele que eu vos anuncio. Isso é de uma inteligência, de uma criatividade muito admirável. Porque Paulo aqui no início, olha, ele é acusado de ser um pregador de deuses estranhos. Mas aqui na hora de apresentar Jesus Cristo como Deus e como criador de todas
as coisas, ele diz: "Eu não quero apresentar um Deus estranho, eu quero apresentar aquele que vocês adoram sem conhecer. é esse que eu vos anuncio. Então aqui Paulo, em vez de começar criticando, ele começa estabelecendo uma ponte de contato entre o que ele iria falar e a cultura dos atenienses. É sobre esse tópico que a lição de segunda-feira vai se concentrar. E a ideia de segunda-feira é que o discurso de Paulo no Areópago é uma aula de apologética. E a lição de segunda-feira vai olhar para esse discurso e vai tirar quatro pontos que nós podemos
imitar, que nós devemos repetir como se fosse um roteiro para as nossas abordagens apologéticas. Então aqui está numerado 1 2 3 4. Vamos passar um por um. O primeiro ponto é: tenha sensibilidade cultural. Foi isso que Paulo fez. Paulo começa olhando paraa cultura e abordando as pessoas a partir da cultura delas. Olha, em tudo eu vejo que vocês são muito religiosos e existe um altar aqui ao Deus desconhecido. Eu quero falar disso. Eu quero falar de um elemento da sua cultura. Então é isso que a lição nos ensina. Procure entender o que a outra pessoa
pensa e use isso como base para se conectar com ela. Nós já aprendemos na lição da semana passada como descobrir o que a outra pessoa pensa. Eu preciso fazer perguntas para ela e a partir do momento que eu entendo o que o outro pensa, eu vou usar esse elemento da cultura dele para me conectar. Número dois, apresente a grandeza de Deus. Mostre a soberania de Deus. Ele não é pequeno nem frágil. É o criador e o governante de todas as coisas. É isso que Paulo vai fazer aqui nos versos seguintes. Olha, verso 24. O Deus
que fez o mundo e tudo que nele existe, sendo ele senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas. Pegou um elemento da cultura, introduziu o tema de Deus, do Deus verdadeiro, e mostrou como esse Deus é grandioso. Então aqui, ó, temos a estrutura exata do discurso de Paulo. Número três, torne a mensagem pessoal. Mostre que Deus deseja um relacionamento próximo e pessoal. Paulo também fez isso. Veja aqui, ó, no mais aqui no verso 27, Paulo diz: "Para buscarem a Deus se porventura tateando possam achar, bem que não está longe
de cada um de nós." Paulo apresenta um Deus que é grandioso, é criador do universo, é um Deus transcendente, mas é um Deus que está perto de nós. Ele pode ser buscado, ele pode ser encontrado por cada indivíduo. E aqui nós vamos para o número quatro. Anuncie o evangelho completo. Isso aqui é muito interessante porque nós queremos falar só da parte do evangelho que todo mundo concorda. Jesus morreu por você. Jesus ama você. E a pessoa ouve isso e fala: "Olha, minha mãe me ama. Eu me amo e agora Jesus me ama. Que coisa boa.
Todo mundo me ama. Todo mundo gosta de mim. Agora, o evangelho não é só isso. O evangelho tem partes difíceis e que, por serem difíceis, nós queremos assim varrer para debaixo do tapete. Quais partes são essas? As pessoas precisam ouvir sobre o arrependimento, sobre salvação, sobre ressurreição. Eu acrescentaria aqui na lista da lição, as pessoas precisam ouvir sobre o juízo, sobre a ira de Deus. Sabe por quê? Porque essa mensagem que Jesus te ama e morreu por você, ela fica deslocada. Se a mensagem da ira e do juízo não for apresentada, por que Jesus morreu
por mim? Porque a ira de Deus deveria cair sobre mim e não sobre ele, mas caiu sobre ele para que eu tivesse uma segunda oportunidade de ser perdoado e de viver em novidade da de vida. Então, a morte de Jesus, que é o centro do evangelho, só faz sentido se eu apresentar também a realidade da ira e do juízo. E Paulo faz exatamente isso. Olha aqui, Paulo vai terminar aqui o seu discurso, ó, verso 31. porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça. Paulo vai falar do juízo também, que é
uma parte desafiadora na pregação do evangelho. Então está aqui o esquema: façamos como Paulo fez. E com base nesses passos, eu queria aqui passar alguns exemplos práticos com você. Como nós vamos aplicar essa estratégia apologética de Paulo num contexto mais atual como nosso. Eu separei dois exemplos. O primeiro deles é o seguinte. Imagina que você esteja lidando com uma pessoa que diga, que fale assim: "Olha, eu não preciso de Deus e nem preciso de religião para fazer o bem, para viver corretamente. Eu sou uma pessoa boa, eu sou uma pessoa justa, mesmo sem acreditar em
Deus, mesmo sem frequentar igreja, mesmo sem ter religião. Como é que você vai lidar com essa pessoa? Você vai chegar para ela e vai falar assim: "Olha, você é hipócrita. O seu coração está cheio de justiça própria. Você não conhece a justiça de Deus, você é orgulhoso." Você vai falar dessa maneira? Não, você não vai falar dessa maneira porque você vai estar a a destruindo a boa disposição da pessoa em ouvir. Você vai começar como Paulo, como Paulo começou com elogio. Varões atenienses, em tudo vejo que vocês são muito religiosos. Você também vai começar com
um elogio a partir da cultura da pessoa. Como seria isso na prática? Comece elogiando o que a pessoa vê. Então você poderia dizer para essa pessoa: "Olha, você está correto ao buscar fazer o bem e viver corretamente? Isso é sabedoria da sua parte. Mas então você vai aprofundar a questão da mesma forma que Deus que Paulo aprofundou a questão falando altar a Deus desconhecido. Você poderia falar assim: "Olha, você quer viver bem, quer fazer o certo, mas qual é a sua base de moralidade? Por que você dá valor a ser correto? Se Deus não existe
e existe apenas a matéria, por que alguém deveria se preocupar em fazer o bem? Você não deveria apenas viver aí com base na matéria, satisfazendo os seus desejos, ainda que os seus desejos possam fazer mal às outras pessoas. Se Deus não existe, qual é a fonte da sua moralidade? Aliás, como você pode classificar uma coisa como boa ou como má? Perceba que diante então de um assunto difícil, você não ficou tentando se justificar. Você fez uma pergunta para outra pessoa, como nós vimos na semana passada. Construiu então uma ponte da cultura com o assunto que
você vai falar, é a hora de conectar o tema religioso. Conecte a fé cristã dizendo o seguinte: "Olha, a fé cristã oferece um fundamento para a moral em que você acredita. Você é um defensor que nós devemos fazer o que é certo, mas quem define o que é certo? Por que fazer o que é certo? De onde vem o certo e o errado?" A fé cristã oferece um fundamento para isso. O certo e o errado vem da ordem que Deus instituiu ao criar o universo. Pronto. A partir de um ponto da cultura do outro, você
já introduziu o tema da fé cristã, da Bíblia, da religião de Jesus Cristo. E você vai aprofundar aqui. Nós seguimos a mesma estrutura que Paulo usou. Vamos ver aqui mais um exemplo. Imagine que você esteja lidando com uma pessoa que diga assim: "Eu só acredito na ciência. Se não é científico, então é superstição. E eu acho que religião é superstição também, porque a ciência não prova nada dessa coisa de religião. A ciência não prova que Deus existe. A ciência não prova que existe vida após a morte. Nada disso é científico. Então, religião é uma superstição.
Como é que você vai lidar com isso? Você vai apontar o dedo para ele e vai falar: "Seu ateu incrédulo, arrependa-se". Não, você vai fazer uma uma abordagem de construir pontes. E como é que você vai construir uma ponte? Vai começar com elogio. Lembre-se, Paulo começou com elogio. Varões atenienses, em tudo vejo que vocês são muito religiosos. Você vai elogiar o rigor que ele valoriza, o rigor de informações, o rigor técnico. E você pode falar: "Vejo que você gosta de analisar tudo criteriosamente, isso é muito bom. Isso é uma virtude, isso é uma qualidade. E
daí você vai aprofundar da mesma forma que Paulo aprofundou com o altar do Deus desconhecido. Mas você já reparou que há várias realidades que estão fora do domínio da ciência? Por exemplo, como explicar o amor ou o ódio? A ciência pode medir a ocitocina e o cortisol, que são o os hormônios é ligados ao amor e ao ódio. A ciência pode medir isso, você pode pegar o sangue, levar pro laboratório, examinar isso, mas a ciência não explica o sentimento de quem ama e o sentimento de quem odeia. Não dá para levar um sentimento ao laboratório.
O mesmo acontece com a beleza. Cientificamente, é possível descrever as relações matemáticas de uma música. Mas como explicar a emoção que uma sinfonia produz? Então fica claro que a ciência descreve o mundo físico, mas ela não oferece uma resposta para questões que são metafísicas, para questões que estão acima e além daquilo que pode ser levado para um laboratório e descrito e narrado e quantificado. Então você pegou um elemento da fala e da cultura do outro, você aprofundou e agora é hora de conectar com o assunto da fé cristã. Veja bem, a Bíblia apresenta respostas para
questões que estão fora do limite da ciência. Questões como: por existe algo em vez de nada? Porque as leis físicas têm a forma que tem? Porque a consciência emerge se nós somos apenas matéria, como é que surge a consciência? Porque algo é certo ou errado? E daí você vai, olha aqui, ó, olha o passo que a lição descreveu. Torne a mensagem pessoal. E olha aqui como é que você vai eh ir para o final do argumento. Em Jesus Cristo, nós encontramos a síntese perfeita do conhecimento como criador de todas as coisas. É nele que está
a origem do mundo físico que o cientista, que o cientificista tanto gosta. Mas em Jesus também está a metafísica. Aquelas questões que a ciência não pode levar para o laboratório e observar, elas estão reveladas em Jesus Cristo. Então, para essa pessoa que apresentou o conhecimento científico como algo superior, dessa maneira aqui você vai estar conduzindo para que ele veja que o conhecimento científico é incompleto. O conhecimento científico precisa estar ligado ao conhecimento metafísico. E o conhecimento metafísico está na Bíblia, está revelado na pessoa de Jesus Cristo, em quem estão ocultos todos os mistérios da ciência,
como escreveu também o apóstolo Paulo. Então aqui nós acabamos de ver dois exemplos que seguem a mesma estrutura que Paulo usou no seu sermão no Areópago. Visto isso, nós vamos ir para o restante dos versos aqui. Temos poucas coisas para comentar agora. Vamos passar mais rapidamente. Bem, depois que Paulo falou do altar ao Deus desconhecido, ele está aprofundando agora a sua explicação. E ele diz assim: "O Deus que fez o mundo e tudo que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas." E é muito interessante
Paulo falar isso. Por quê? Porque nós vimos minutos atrás ali no gráfico 3D, ali no na imagem de satélite que Paulo está no meio de um complexo religioso. Enquanto ele está falando isso no no Areópago, atrás dele está o grande complexo da acrópole e abaixo dele está os templos, as estátuas e os altares da ágora. Então aqui o que ele fala faz muito sentido, porque há poucos metros deles estão santuários feitos por mãos humanas. Que que mais nós podemos eh eh destacar aqui? Paulo também diz, olha aqui, o Deus que fez o mundo. E se
Deus fez o mundo, Paulo está aqui contrariando ao mesmo tempo os filósofos epicureus estóicos. Por que os filósofos epicureus? Porque para os filósofos epicureus, ah, o mundo não foi criado por um deus. Tanto os deuses como o mundo são expressão da natureza. Primeiro vem a natureza e depois surgem os deuses. Da mesma forma, os históricos também viam assim: o cosmos, esse todo ordenado, primeiro ele existe, depois os os deuses procedem da natureza, né? Então essa fala de Paulo, ela aqui já apresenta uma contradição à filosofia que eles acreditavam, mas eles ouvem isso e continuam ouvindo
com atenção a Paulo. Não é esse ponto que desperta a oposição. E também Paulo fala: "Não habita em santuários feito por mãos humanas. O local estava cercado pelo templo. Nós já vimos isso aqui. O que que mais Paulo fala? Deus também não é servido por mãos humanas como se de alguma coisa precisasse, pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais. de um só fez toda a raça humana para habitar sobre a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação para buscarem a Deus se
porventura tateando o possam achar, bem que não está longe de nós. Aqui novamente Paulo está conectando a sua mensagem à prática da filosofia. O que que é a filosofia? é a busca pelo conhecimento. Se fazia filosofia na Ágora, no Areópago. Ali havia os filósofos que traziam seus alunos para discutir. Eles estavam discutindo, tateando, buscando conhecimento. Um fala uma coisa, o outro complementa e assim o saber vai se aprimorando. Paulo pega essa figura das escolas filosóficas e diz que Deus está operando com a humanidade da mesma forma. Deus se revelou e os homens vão buscando conhecê-lo.
Só que alguns têm um conhecimento imperfeito. É como um cego que está andando num local desconhecido e ele vai apalpando para tentar eh descobrir a localidade. É assim que Paulo eh traça os gentios. Mas embora Deus eh eh seja buscado como alguém que tateia no escuro, ele não está longe de cada um de nós. E agora Paulo vai complementar essa figura de um Deus pessoal com a obra dos poetas gregos. Vamos ver aqui o verso 28. Por que Deus não está longe de nós? Atos 17:28. Pois nele vivemos e nos movemos e existimos, como alguns
dos vossos poetas têm dito, porque dele também somos geração. Quais são os poetas que são citados aqui? A primeira parte vem de uma obra chamada Crética de Epimênides. Então, Epimedes está aí mais de 500 anos antes de Paulo. E ele escreve esse poema chamado Crética, essa obra chamada Crética, onde está o poema. E o poema é assim, o poema faz parte do culto a Zeus. E diz o seguinte: "Construíram uma sepultura para ti, ó Santo e Altíssimo." Está falando de Zeus aqui. Os cretenses sempre mentirosos, feras terríveis, ventres preguiçosos. Mas tu não estás morto. Vives
e habitas para sempre, pois em ti vivemos e nos movemos e existimos. Então Paulo está citando parte aqui desse poema para mostrar que Deus é um Deus pessoal, está perto de nós. Apenas a título de de informação e curiosidade, na carta a título, Paulo usa outra parte desse poema aqui. Olha aqui, os cretenses sempre mentirosos, feras terríveis, ventres preguiçosos. Veja aqui Tito capítulo 1 versos 12 e 13 diz assim: "Foi mesmo dentre eles um seu profeta que disse: Cretenses, sempre mentirosos, feras terríveis, ventres preguiçosos". Então aqui em Tito, Paulo também faz uma citação desse mesmo
poema. Agora vamos para essa parte final aqui, quando Paulo diz: "Porque dele também somos geração." Esse aqui é um poema de Arato de Sol chamado Fenôena. é um poema que fala aí dos dos fenômenos cósmicos, planetários, da astronomia. Tá ali cerca de 200 anos antes de Paulo. E o poema é assim: "Com os Zeus comecemos, ele nós mortais, nunca o deixamos anônimo. Cheias de Zeus estão todas as ruas e todos os mercados dos homens. Cheios estão mar e os céus acima. Todos sempre necessitamos de Deus. Esse Deus aqui é Zeus, porque dele também somos geração.
Então Paulo está se apropriando desses poemas aqui e dizendo o seguinte: "Olha, o que eu estou apresentando pode parecer novidade para vocês, mas mesmo a sabedoria dos seus poetas, dos seus filósofos, já antecipou algumas verdades que eu estou anunciando aqui. O problema é que vocês pegaram essas verdades e atribuíram aos deuses pagãos. Mas é esse Deus desconhecido aqui que eu estou revelando agora para vocês, que é o Deus eh em torno da qual em torno do qual orbitam todas essas verdades que eu estou revelando. Verso 29. Sendo, pois, geração de Deus, como era dito no
poema, feito a Zeus, não devemos pensar que a divindade é semelhante ao ouro, a prata ou a pedra, trabalhados pela arte e imaginação do homem. E aqui parece que Paulo está fazendo uma referência à estátua da deusa Atena, poucos metros de onde ele estava, uma estátua de ouro. Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância. Agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte se arrependam. Veja esse ponto aqui de transição. Antes Paulo estava fazendo uma ponte com a cultura e aprofundando o argumento aqui, a partir do verso 30, fica bem em
tom de pregação cristã. Olha, eu apresentei o Deus desconhecido para vocês. A mensagem do Deus desconhecido, ela encontra eco em algumas obras culturais de vocês. E o que que o Deus desconhecido quer de vocês agora? Ele quer que vocês se arrependam, porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dos mortos. E aqui o assunto ficou impactante. Como assim, Paulo? Juízo e ressurreição dos mortos. Não podemos acreditar nisso. E os epicureus se indignaram. Paulo, juízo. Os deuses não estão
nem aí para nós. Quem vive com medo do juízo não atinge a eudaimonia. Paulo, nós não queremos ouvir isso. E os históicos, como assim me arrepender? Por que que eu vou me arrepender? Porque eu já me domino. A minha vida é bem ordenada como cosmos. Por que eu vou me arrepender? E mais do que isso, ressurreição. Ressurreição, Paulo, tornar a viver alguém que morreu, isso é quebrar a ordem do cosmos. Isso eu também não posso aceitar. É por isso que o desfecho do relato é o seguinte: quando ouviram falar de ressurreição dos mortos, uns escarneceram
e outros disseram: "Ah, a respeito disso, te ouviremos noutra ocasião". A essa altura, Paulo se retirou do meio deles. Houve, porém, alguns homens que se agregaram a ele e creram. Entre eles estava Dionísio, o areopagita, uma mulher chamada Damares e com eles outros mais. O resultado da pregação de Paulo em Atenas não foi muito expressivo no sentido de números, mas aqui nós temos Dionísio, o areopagita, ou seja, um membro do conselho do Areópago, uma pessoa rica, uma pessoa influente, uma pessoa muito importante, também uma mulher chamada Damares, talvez a mulher de Dionísio, e com eles
outros mais. E a lição de quinta-feira, ela vai pegar e levantar uma questão, na verdade duas questões aqui. Ela vai dizer o seguinte: Por que a pregação de Paulo teve pouco êxito e também o sucesso da pregação é medido por números? Como é que nós respondemos isso aqui? Porque a pregação de Paulo teve pouco êxito. E eu quero responder aqui citando o livro Atos dos Apóstolos, página 128, diz assim: "Em sua sabedoria humana e orgulho intelectual". Por que orgulho intelectual? Porque Atenas recebeu os maiores filósofos de todas as épocas, Tales de Mileto, Sócrates, Platão, Aristóteles.
Então, ali era o centro do saber. Em sua sabedoria humana e orgulho intelectual se encontrava a razão porque a mensagem do evangelho teve comparativamente pouco êxito entre os atenienses. O sábio segundo o mundo, que vem a Cristo como pobres e perdidos pecadores, tornar-seão sábios para a salvação. Mas os que a ele vem como pessoas de importância, gabando-se de sua própria sabedoria, deixarão de receber a luz e o conhecimento que só ele pode dar. Então, o que que nós retiramos daqui? Você pode ser um Paulo instruído com muito conhecimento, com muita habilidade, mas existe um limite
no coração humano. Se você estiver falando para pessoas orgulhosas, cheias de si, o resultado será precário, porque o orgulho impede que o coração seja preenchido, seja convencido pelo evangelho. Primeiro, o orgulho precisa ser quebrado para então o evangelho ter uma penetração. A próxima questão que a lição nos coloca é nessa mesma linha. O sucesso da pregação é medido por números? E a resposta é não. Eu aqui coloquei o texto de Mateus 10 24 a 25, que são palavras de Jesus em que ele diz assim: "O discípulo não está acima do seu mestre, nem o servo
acima do seu senhor. Basta ao discípulo ser como seu mestre e ao servo como seu senhor." Por que que esse verso está aqui nesse contexto? Porque Jesus veio dos céus para ser o Salvador, mas ele foi rejeitado pela maioria. Então, se Jesus, que é o mestre, foi rejeitado, o que há de ser de nós, que somos os seus discípulos? Número um, nós seremos rejeitados também frequentemente na nossa pregação. Número dois, essa rejeição não deve gerar em nós angústia. Por quê? Porque o discípulo não está acima do seu mestre. Basta o discípulo ser como seu mestre.
Então, devemos imitar Paulo, devemos imitar Jesus, devemos fazer a nossa parte, levar o evangelho para as pessoas da maneira mais preparada, melhor apresentada possível, mas temos que ter em mente que frequentemente a rejeição será a resposta. Foi assim com Paulo? Foi assim com Jesus? será assim conosco. Agora, terminamos aqui a parte de análise do texto. Eu quero terminar com o estudo que a lição propôs na quarta-feira. Na qu a parte de quarta-feira fala assim: "Filosofias humanas, por mais sofisticadas que pareçam, são incompletas sem Jesus". E eu resumi essa frase da seguinte maneira: "fisticação técnica é
incompleta sem Jesus". O que que eu quero dizer aqui? Quando nós estudamos esse tipo de assunto, apologética, filosofia, muitas pessoas, especialmente os jovens, eles ficam assim animados. Agora eu vou ler bastante, vou estudar bastante, vou me tornar um intelectual, vou estudar filosofia, vou aprender ali raciocínio lógico, vou aprender método socrático e vou então me tornar um apologista, um apologeta como Paulo. Vou enfrentar ali os infiéis oferecendo eh respostas muito bem elaboradas para eles. Tudo bem, ótimo. incentivo você, mas frequentemente quem quer andar por esse caminho padece de um vício, incide no erro, que é o
de elevar a técnica acima da piedade, acima da religião prática, acima da santificação. E daí acontece como nós vemos frequentemente pessoas muito bem instruídas, grandes intelectuais, detentoras de um conhecimento muito vasto, mas que não manifestam a piedade prática, não manifestam amor, são frias, são ríspidas. Não pode ser assim. A sofisticação técnica é incompleta sem Jesus. Veja o que que nós estamos estudando aqui. Para eu alcançar pessoas sem uma cultura judaica cristã, eu preciso sim de técnica. Eu preciso saber a as técnicas da apologética, mas existe um risco de a minha vida ser apenas uma vida
de técnica destituída da essência da religião, que é a comunhão com Jesus, que é a santificação. É por isso que o texto aqui, que a lição de quarta-feira nos sugere, primeiro Coríntios, capítulo 2, versos 4 e 5. É tão importante. Veja aqui o que que esse texto diz, parte de quarta-feira. Vamos, vamos ler primeiro Coríntios 2, desde o verso 1. Eu, irmãos, é Paulo falando, eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Jesus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. Veja isso. Pregar o evangelho não é manifestar ostentação de linguagem,
de sabedoria. Não é falar difícil, porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. O foco da nossa pregação é Jesus, é contemplar o cordeiro de Deus pendurado na cruz. É isso queoove o coração. Argumentos filosóficos, raciocínio lógico, não são o centro da mensagem, são as arestas. Porque decidi nada saber entre vós senão a Jesus Cristo e este crucificado. E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do espírito e de
poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, sim no poder de Deus. É esse trecho final aqui que eu quero destacar. Você que está estudando a lição, que quer ser um intelectual, que quer ser um apologeta, você está com bom desejo, siga por esse caminho. Mas lembre-se que a sua fé não pode se apoiar em sabedoria humana. A sua fé precisa se apoiar no poder de Deus. Saber de filosofia, saber de raciocínio lógico, saber de técnicas de apologética é bom, é importante, mas cuidado para essas coisas não se tornarem o centro
da sua vida religiosa e o poder de Deus, a demonstração do espírito, o fruto do espírito ficar em segundo lugar. Então aqui para nós fecharmos o nosso estudo, sua maior preocupação deve ser com [música] a piedade prática e com o fruto do espírito. Deixe-me eh exemplificar isso de uma maneira mais prática. Diante do público de pessoas incrédulas e secularizadas que vem você e convivem com você. é mais importante, é um argumento mais forte, que as pessoas vejam em você uma pureza e que, portanto, quando passa uma moça bonita e mal vestida, você não quebra o
pescoço para observar a silhueta dela. Esse argumento da sua pureza, da sua castidade, é um argumento muito mais forte e efetivo do que, se você souber, expor com fluidez o argumento ontológico da existência de Deus. Não. A sua pureza convence muito mais do que a sua habilidade filosófica e lógica. Se diante de um sofrimento, de uma decepção, dos problemas da vida, você se comporta como Jó, o Senhor deu, o Senhor tomou. Bendito seja o Senhor. Recebemos tantas coisas boas de Deus, não receberíamos também o mal? [música] Se diante do sofrimento, da turbulência, da decepção, você
mostra serenidade, você mostra contentamento, você mostra fé em Deus, isso é mais importante, isso é mais convincente para um ateu do que se você conseguir expor com fluência o argumento do design inteligente que nós vamos estudar na semana que vem. Então eu chamo sua atenção para esse ponto, para que a sua fé não se apoie em sabedoria humana, sim no poder de Deus. O argumento mais forte, mais convincente que os outros poderão ver em você é uma vida de pureza, uma vida de santidade, uma vida de interesse abnegado em prol do bem dos outros. E
nesse propósito Deus nos ajude, Deus abençoe você. Foi um prazer estudar na sua companhia esses assuntos e nos vemos então na semana que vem. Até lá. >> [música]