Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, amém. Meus queridos irmãos e irmã, no evangelho de hoje, Jesus é rejeitado em sua própria terra, Nazaré, e assim como lido em Isaías, diante da rejeição do seu próprio povo, Ele diz: "Nenhum profeta é aceito na sua própria terra. " Qual é a verdade que está por trás disto?
O que o evangelho quer nos ensinar? Veja, Deus fala, mas Ele não fala somente de forma espetacular e clamorosa; Ele fala também no dia a dia, nas coisas corriqueiras e ordinárias da nossa vida. E é para isto que Jesus está chamando atenção: para o fato de que Deus nos visita.
Ali, aquele povo de Nazaré teve a visita de Deus durante 30 anos e não a reconheceram. Por quê? Por que os nazarenos não reconheceram Jesus?
Porque Jesus era um homem comum, normal; sim, vivia a sua vida ordinária, escondida, no trabalho da carpintaria, servindo aos outros e amando a Deus nesta vida do dia a dia. Deus estava ali. O povo de Nazaré esperava que, se Deus vai se manifestar, Ele deve se manifestar de forma extraordinária, com alguma espécie de espetáculo hollywoodiano, uma coisa assim bem clamorosa.
E, no entanto, Deus estava lá, escondido, lado a lado com eles. Deus os visitou e eles não o reconheceram. Esse trecho do evangelho de São Lucas pode ser colocado em paralelo com o mesmo trecho deste evangelho quando Jesus finalmente chega a Jerusalém e Ele chora sobre a cidade santa de Jerusalém, dizendo: "Por que não reconheceste o tempo em que foste visitada?
Não reconheceste o Cairo, o tempo oportuno, o tempo da graça, em que houve a visita de Deus, a episcope de Deus, o fato de Deus estar conosco. " Pois bem, ali nós vemos verdadeiramente que precisamos estar atentos. Portanto, nessa Quaresma, o evangelho de hoje pode ser, digamos assim, iluminado por uma frase de Santo Agostinho: "Deum trans, eu tenho medo do Deus que passa e não volta mais.
" De nós perdermos o Cairo, de perdermos o tempo da graça, o tempo em que Deus nos visita. E nos visita de forma ordinária, de forma comum, diria até banal, ou seja, Deus não faz barulho. No silêncio de Nazaré, na timidez de Nazaré, no escondimento de Nazaré, na simplicidade de Nazaré, estava ali Deus.
E Deus conviveu com aquela gente, com aquele povo, assim como na sua Nazaré, no seu dia a dia. Sim, você trabalha, você tem suas preocupações, tem suas dificuldades. Quantas e quantas vezes a cruz visita você, as inquietações!
Talvez essa Quaresma não esteja sendo nada fácil para você. Pois bem, nessas dificuldades, nessas lutas, ali há uma presença de Deus, mas não é uma presença que grita; é uma presença suave, como aquela brisa do profeta Elias. Deus fala numa brisa suave, no encanto do dia a dia.
Pessoas até que nem conhecem Deus podem ser, às vezes, instrumento de Deus para você. Sim, é importante estar atentos para que não incorramos na miséria do povo de Nazaré, visitados, amados, tocados por Deus, não foram capazes de reconhecer o toque da graça. Nesta Quaresma, estejamos atentos: é o Cairo, é o tempo oportuno da visita de Deus.
Deus abençoe você! Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, amém.