[Música] isso aconteceu faz uns anos quando eu ainda morava na casa da minha avó numa cidadezinha pequena do interior aqui o povo é bem religioso e tem muito respeito por essas coisas de quaresma e sexta-feira Santa minha avó sempre me dizia para não sair na véspera da sexta-feira santa que era tempo de respeito de recolhimento porque era uma noite em que as almas penadas e outras Criaturas andavam soltas mas eu teimoso Não dei bola era quinta-feira à noite e uns amigos me chamaram para ir num boteco que ficava umas três ruas depois da praça principal
era um lugar pequeno meio caído mas servia cerveja barata e o dono nem ligava se a gente ficava lá até mais tarde eu inventei uma desculpa paraa minha avó disse que ia dormir cedo porque tava cansado mas esperei ela se trancar no quarto e saí de fininho a cidade já estava quieta e o vento Soprava frio daquele jeito que faz os cabelos do braço arrepiar mas eu não me importei só queria encontrar os amigos e tomar umas lá no Boteco a gente ficou conversando rindo bebendo o tempo passou rápido e quando dei por mim já
era quase 3 da manhã os outros Começaram a ir embora aos poucos e eu acabei ficando sozinho por um tempo meio zonzo olhando pro copo vazio Foi aí que resolvi ir para casa saí do bar e senti um arrepio assim que Pus o pé na rua não era só o frio era uma sensação estranha como se o ar estivesse pesado parado as ruas estavam desertas e só se ouvia o barulho dos Grilos e o vento balançando as árvores comecei a andar meio rápido tentando ignorar aquela sensação ruim meu caminho passava por um beco que cortava
caminho até minha casa eu já tinha passado por ali um monte de vezes mas naquela noite o lugar parecia diferente o silêncio era pesado demais nem cachorro latia nem Bicho fazia barulho no mato só dava para ouvir meus passos ecoando no chão de pedra foi então que eu escutei um barulho estranho como se algo grande tivesse se movendo mais adiante no beco parei na mesma hora tentando enxergar na escuridão a única luz vinha de um poste mais afastado mas mesmo assim eu vi algo tinha uma sombra ali perto do Muro era grande muito maior do
que um homem e parecia estar agachada meu coração começou a bater forte e eu pensei que Talvez fosse só um cachorro grande mas quando dei mais um passo aquilo mexeu a cabeça e eu vi os olhos brilhando não era reflexo de luz não os olhos daquela coisa brilhavam por conta própria num Amarelo forte queimando na escuridão meu corpo congelou eu queria correr queria gritar mas só consegui ficar parado olhando aquela coisa se levantar e aí eu vi era enorme com um corpo coberto de pelos escuros mas não era um lobo normal a postura era errada
o jeito que se Movia era quase humano mas ao mesmo tempo completamente bestial as garras arranhavam um chão de pedra e a respiração era pesada quase como um rosnado baixo eu não esperei para ver mais virei nos calcanhares e corri com tudo que eu tinha o problema é que eu ouvi quando aquilo veio atrás as patas batiam forte no chão muito mais rápido do que um cachorro ou qualquer bicho normal eu sentia o chão tremer a cada passada daquela coisa eu virei à esquina Tão rápido que quase caí meu coração tava disparado e eu sabia
que se olhasse para trás ia ver aquilo me alcançando minha casa não tava longe mas parecia que a rua nunca acabava o suor escorre no meu rosto e minha respiração vinha cortada de tanto medo então escutei um uivo mas não era um uivo comum como os de cachorro ou Lobo era um som profundo quase humano como se estivesse sofrendo e Furioso ao mesmo tempo o som entrou na minha cabeça fez Meus ossos vibrarem e naquele momento eu soube que não era uma Alucinação não era coisa da minha cabeça aquilo era real meus pulmões queimavam minhas
pernas estavam ficando pesadas mas eu não podia parar a rua parecia mais longa do que nunca como se cada passo que eu dava não me levasse mais perto de casa a única coisa que eu conseguia ouvir era meu coração martelando no peito e aquele barulho atrás de mim as patas daquela coisa batendo no chão cada vez mais Perto meu corpo inteiro gritava para eu não olhar para trás mas eu não consegui evitar virei o rosto por um segundo e meu sangue gelou aquela coisa tava vindo na minha direção numa velocidade absurda agora a luz fraca
do poste eu conseguia ver melhor e eu queria não ter visto era um monstro os pelos eram grossos e escuros mas o rosto o rosto era o pior tinha traços que pareciam humanos mas ao mesmo tempo a mandíbula era muito maior do que qu qualquer coisa que eu já vi os Dentes eram compridos afiados pingando baba e os olhos os olhos ainda brilhavam naquele Amarelo intenso só que agora eu via uma coisa diferente neles fome ele queria me pegar eu soltei um grito sufocado e me joguei pra frente forçando meu corpo a correr ainda mais
rápido minhas pernas já estavam quase cedendo mas eu não podia parar eu sabia que se caísse ali não ia levantar mais a minha casa tava ali na frente eu já conseguia ver o portão O problema é que a chave Estava no meu bolso meu cérebro estava funcionando no puro desespero eu já comecei a puxar a chave do bolso enquanto corria meus dedos tremiam tanto que quase deixei cair o barulho das patas da coisa atrás de mim ficou mais alto ele tava perto muito perto foi quando senti uma rajada de V forte passou por mim como
se alguma coisa enorme tivesse se movendo rápido demais no mesmo instante eu senti um calor horrível nas costas era o bafo daquela Coisa ela tava do meu lado me joguei pra frente tropeçando nos degraus da entrada de casa minha mão mal conseguiu segurar a chave e na pressa Errei o buraco da fechadura duas vezes antes de finalmente conseguir enfiar a chave e girar o clique da fechadura nunca foi tão alto eu me joguei para dentro de casa e Bati a porta com toda a força que eu tinha trancando na mesma hora silêncio eu estava arfando
meu peito subindo e descendo rápido o suor escorria pelo meu Rosto minhas mãos tremiam tanto que eu nem conseguia tirar a chave da fechadura Foi aí que veio o primeiro baque pá a porta tremeu meu coração quase parou eu não queria acreditar no que eu tava ouvindo Mas sabia que não tinha me enganado pá de novo agora mais forte a coisa tava ali do outro lado eu não sabia o que fazer minha mente só gritava para eu correr mas correr para onde eu tava dentro de casa não tinha para onde fugir Foi então que ouvi
um som que me Fez arrepiar inteiro arranhões a coisa começou a passar as garras na madeira da porta arranhando devagar como se estivesse testando a resistência o barulho era Agudo fazia meu estômago revirar eu recuei andando de costas Até bater na parede a coisa soltou um grunido grave quase como um rosnado frustrado depois silêncio Mas eu sabia que não tinha acabado Eu sabia que ele ainda tava ali e eu não fazia ideia do que fazer fiquei ali encostado na na Parede tentando controlar a respiração meu peito subia e descia rápido e cada segundo que passava
parecia uma eternidade o silêncio lá fora me deixava ainda mais apavorado a coisa ainda estava ali minhas mãos tremiam tanto que eu mal conseguia pensar direito o único som dentro da casa era o tic-tac do relógio pendurado na parede da sala o tempo parecia arrastar e eu só conseguia fixar os olhos na porta esperando esperando alguma coisa acontecer foi Quando ouvi de novo não era mais arranhão era algo mais sinistro um fungar um som úmido pesado como se alguma coisa estivesse cheirando ao redor da porta tentando sentir o cheiro do que estava do outro lado
o ar dentro da casa parecia ficar mais denso o cheiro de madeira velha misturado com o frio no meu corpo me dava náusea eu queria correr me esconder fazer qualquer coisa Mas minhas pernas estavam presas ao chão então veio o pior a maçaneta Girou eu congelei era impossível aquele monstro não tinha mãos humanas como ele estava tentando abrir a porta a maçaneta se meu de novo sacudindo devagar como se como se tivesse aprendendo meu estômago revirou O tempo parou foi quando eu escutei a coisa riu baixo rouco distorcido mas era uma risada e foi aí
que eu soube aquele monstro sabia o que estava fazendo eu queria gritar queria correr queria sumir dali mas tudo que consegui fazer foi prender a respiração E rezar para que aquilo fosse embora a risada sumiu e a casa voltou a ficar em silêncio Mas eu sabia que ele ainda estava ali meu corpo finalmente reagiu eu comecei a me arrastar devagar pela parede até alcançar o móvel perto da porta ali minha avó guardava um terço velas e umas imagens de santo meus dedos passaram tremendo pelas contas do terço enquanto eu murmurava uma prece Foi então que
A coisa bateu na porta de novo dessa vez foi forte pá a madeira estalou Eu pulei de susto quase deixando o terço cair meu coração estava disparado minha mente só gritava para eu me esconder mas antes que eu pudesse me mexer o barulho mudou agora vinha do lado da casa elava se movendo eu ouvi Passos pesados indo até a lateral depois para os Fundos meu quarto ficava ali meu sangue gelou corri pelo corredor e com toda a força que eu tinha bati a porta do quarto e tranquei mal deu tempo de respirar o vidro da
janela tremeu a coisa tava do outro lado Vi a sombra se projetando contra a cortina grande agachada as garras deslizaram pelo vidro fazendo um barulho horrível como unhas arranhando uma lousa eu já estava tremendo inteiro foi aí que aconteceu a coisa deu um tranco tão forte na janela que o vidro Rachou o medo tomou conta de mim eu me joguei no chão me arrastando até a cama apertando o terço contra o peito a única coisa que eu podia fazer era rezar e foi o que eu fiz eu nunca fui de rezar muito mas Naquele momento
Eu rezei como se minha vida dependesse daquilo eu apertei os olhos e comecei a murmurar qualquer oração que minha avó já tinha me ensinado minhas mãos estavam suadas minha boca seca lá fora o barulho continuava Passos pesados no quintal arranhões na parede aquele fungar horrível perto da janela mas quanto mais eu rezava mais a coisa parecia inquieta Foi então que ouvi um grunhido forte quase um rosnado de raiva e depois Silêncio fiquei ali encolhido no chão segurando o terço com medo de abrir os olhos o tempo passou minutos talvez horas mas eu eu não ouvi
mais nada quando finalmente tive coragem de olhar pra janela não tinha mais sombra nenhuma ali lá fora a madrugada começava a sumir e o céu ganhava um tom mais claro o monstro tinha ido embora eu não dormi naquela noite nem na outra Quando contei para minha avó no outro dia ela ficou pálida disse que eu nunca devia ter Saído Naquela noite que na Quaresma e na sexta-feira Santa essas coisas andam e que eu tive sorte de ter escapado desde então eu nunca mais fui o mesmo e nunca mais saí de casa na véspera da sexta-feira
Santa na minha família sempre seguimos as tradições da semana santa minha avó fazia questão de lembrar todo mundo que era um período sagrado de respeito e silêncio na sexta-feira Santa nada de música alta nada de carne na comida e Principalmente todas as imagens de Santos precisavam ser cobertas com um pano branco ou roxo ela dizia que nesse dia as imagens ficavam adormecidas porque Jesus estava morto e que não podíamos deixá-las descobertas caso contrário podíamos ver ou ouvir coisas que não deveríamos eu nunca levei isso muito a sério achava que era só mais uma superstição igual
tantas outras que minha avó contava mas naquela sexta-feira Santa eu aprendi do Pior jeito que certas tradições não devem ser quebradas o dia passou normal dentro do que era esperado a casa estava mais silenciosa do que o habitual minha mãe e minha tia cozinhavam pratos sem carne e minha avó rezava o terço como sempre fazia a única coisa estranha foi a atmosfera da casa desde o começo do dia o ar parecia mais pesado eu não sei explicar bem mas era como se a casa estivesse diferente O silêncio não era um silêncio comum era um silêncio
Carregado os cachorros da rua estavam inquietos desde cedo ouvi latidos e choros como se estivessem sentindo algo no ar quando a noite chegou um vento frio começou a soprar do nada nem era época de vento forte mas as árvores balançavam lá fora como se uma tempestade estivesse chegando mas não choveu só ventava naquele dia depois do jantar minha avó pegou os panos e começou a cobrir as imagens pela casa eu ajudei sem muita paciência mas fiz Pegamos todas a nossa senhora na sala o São José no quarto dela até o pequeno crucifixo na cozinha Mas
esquecemos uma e isso foi o nosso erro a noite passou devagar eu fui dormir cedo como de costume mas não consegui pregar os olhos o vento continuava soprando lá fora fazendo os galhos das Árvores baterem na janela eu escutava tudo cada rangido da casa cada barulho da rua e então pouco antes da meia-noite houvi algo diferente era um baixo mas distinto um arrastar de Madeira na hora pensei que fosse minha voz se levantando para ir ao banheiro mas então ouvi de novo arrastado lento era dentro de casa meus olhos arregalaram no escuro e eu prendi
a respiração o barulho parou por um momento mas então veio outra coisa um estalo seco como se algo tivesse se mexido meu estômago gelou Fiquei parado na cama tentando escutar melhor mas o silêncio voltou respirei fundo e tentei me convencer de que era Coisa da minha cabeça mas aí houvi Passos não eram passos normais eram arrastados lentos como se alguém estivesse Caminhando com dificuldade e Vinham da sala meu coração começou a martelar no peito meu quarto ficava no final do corredor e a sala era logo na entrada da casa qualquer um que passasse por ali
teria que cruzar na frente do meu quarto a porta estava encostada eu podia ver um pequeno feixe de luz vindo do Corredor os passos Pararam o silêncio Voltou mas então algo me arrepiou até a alma o feixe de luz mudou como se algo ou alguém estivesse parado ali na frente da porta eu parei de respirar o feixe de luz da fresta da porta estava interrompido por alguma coisa alguém estava parado ali mas eu não ouvi ninguém abrir a porta do quarto da minha avó nem o da minha mãe então quem era minha pele se arrepiou
inteira meu coração martelava tão forte que eu achei que fosse desmaiar eu queria levantar Acender a luz mas meu corpo não respondia a sombra Ficou ali imóvel por um momento eu pensei que fosse só um jogo de luz uma ilusão causada pelo medo mas então ela se mexeu lentamente a sombra se inclinou como se estivesse espiando para dentro do meu quarto meu sangue gelou não era um jogo de luz tinha alguém ali eu apertei os olhos e prendi a respiração tentando me fazer desaparecer minha mente gritava para eu correr gritar fazer qualquer coisa mas Eu
não conseguia era como se algo me segurasse ali me obrigando a ver aquilo a sombra Ficou ali por mais alguns segundos e então desapareceu eu só consegui respirar de novo quando o feixe de luz voltou ao normal mas o silêncio Não durou muito o barulho veio de novo aquele mesmo som de madeira arrastando e vinha da sala agora eu sabia que não era coisa da minha cabeça alguém Ou alguma coisa estava mexendo em algo lá fora juntei toda a coragem que eu não tinha e levantei devagar da cama meus pés tocaram chão gelado e eu
tentei não fazer barulho fui até a porta e empurrei um pouco mais o suficiente para ver o corredor vazio mas o barulho ainda estava lá Olhei pro quarto da minha avó a porta estava fechada o da minha mãe tamb Então quem estava na sala meu coração parecia que ia sair pela boca mas eu continuei cada passo no chão de Madeira parecia alto demais o vento lá fora ainda uivava e os cachorros da rua estavam mais inquietos do que nunca cheguei na porta da sala o barulho tinha parado o único som era do vento soprando lá
fora e do relógio de parede marcando quase meia-noite meu olhar percorreu a sala inteira e foi quando eu vi a imagem era uma imagem de um santo colocada num pequeno altar de madeira na estante eu nunca tinha prestado muita atenção nela mas agora ela estava virada para a Parede meu sangue sumiu do corpo eu sabia que ninguém tinha mexido nela eu mesmo ajudei minha avó a cobrir todas as imagens mas essa essa tinha sido esquecida e agora ela tinha se movido sozinha meu corpo parou ali travado o ar Parecia ter ficado mais denso ao redor
eu senti uma pressão Estranha como se alguém estivesse bem perto de mim mas não dava para ver nada a imagem estava virada para a parede isso não fazia sentido minha mente tentava achar Explicações lógicas talvez alguém tivesse mexido e Esquecido assim talvez o vento não o vento não giraria uma imagem pesada daquela maneira e eu sabia que ninguém da casa tinha tocado nela engoli seco um arrepio percorreu minha nuca e a sensação de estar sendo observado só aumentou o relógio na parede marcou meia-noite no mesmo instante um som seco ecoou pela sala tum vinha da
cozinha meu estômago revirou Eu Me virei devagar olhando para O corredor escuro que levava até lá o som tinha sido forte como se alguma coisa tivesse caído mas ninguém da casa estava acordado eu queria voltar correndo pro quarto me esconder debaixo das cobertas e fingir que nada daquilo estava acontecendo mas algo dentro de mim dizia que se eu corresse aquela coisa saberia que eu estava com medo e se soubesse talvez não parasse por ali respirei fundo Tentando controlar o tremor das minhas mãos Meu Coração batia tão rápido que eu sentia no peito um passo depois
do outro fui andando devagar pelo corredor a casa estava escura só a luz fraca da lua entrando pelas frestas da janela iluminava o caminho quando cheguei na cozinha tudo parecia normal mas então meus olhos pararam na mesa o saleiro estava deitado de lado foi ele que tinha caído a resposta veio no instante seguinte um barulho seco ecoou atrás de Mim tumi na hora a imagem ela estava no chão meu corpo congelou ela tinha se movido de novo sozinha o medo tomou conta de mim meu primeiro impulso foi sair correndo para o quarto da minha avó
eu não queria ficar ali nem mais um segundo mas quando me virei para o corredor vi uma sombra não era minha ela estava parada ali imóvel como se estivesse me observando meu corpo inteiro arrepiou eu queria correr eu queria gritar mas minha Voz não saía a sombra não se mexia Foi aí que eu ouvi baixinho um sussurro o som veio do nada como se tivesse surgido bem perto do meu ouvido frio arrastado eu não entendia as palavras mas não precisava aquela coisa queria que eu soubesse que ela estava ali e que eu tinha feito algo
que não devia meus pés finalmente se mexeram eu disparei pelo corredor sentindo meu peito queimar de medo Entrei no quarto da minha avó sem nem pensar batendo a porta atrás de mim Ela acordou assustada O que foi menino eu tentei falar mas a respiração vinha curta cortada pelo pavor apontei pro lado de fora ainda tremendo el entendeu e naquele instante o olhar dela mudou minha avz se levantou pegou um pano branco no armário e saiu do quarto sem hesitar eu queria segurá-la impedir que fosse lá fora mas não consegui ela andou até a sala e
parou diante da imagem caída respirou fundo e cobriu a imagem com o pano num instante que ela fez isso A casa inteira pareceu soltar um suspiro o ar pesado sumiu o silêncio voltou ao normal e a sombra desapareceu minha voz se virou devagar olhando para mim com aquele olhar sério de sempre eu avisei desde aquele dia Nunca mais esquecemos de cobrir as imagens na sexta-feira Santa era uma noite fria de sexta-feira santa lá na casa onde moro na zona rural O silêncio que tomava conta do lugar sempre parecia mais pesado nessa data a Gente sabia
que era só mais uma data qualquer mas ainda assim o clima parecia diferente mais denso como se o próprio ar carregasse alguma coisa eu já estava acostumada com silêncio mas naquela noite parecia que ele estava mais grosso mais palpável sabe acho que era só impressão minha mas o silêncio me dava calafrios eu tava deitada na cama tentando dormir mas não conseguia não sei se era a sensação estranha no ar ou se era só porque o sono não tava vindo Mesmo a luz da lua entrava pela janela e a casa como sempre ficava quieta o som
do vento balançando as árvores lá fora e só Mas de repente algo quebrou aquele silêncio algo que me fez congelar eu acordei no meio da madrugada completamente Alerta sem saber o que me tirou daquele sono a princípio achei que fosse o som da casa rangendo como sempre acontece quando o vento bate forte nas telhas Mas então houvi algo que me fez ficar em pânico uma voz uma voz Suave Mas nitidamente Clara chamando meu nome Ana Ana eu fiquei ali imó tentando entender se aquilo era real ou se minha mente estava me pregando alguma peça não
tinha ninguém Ali era impossível eu sabia disso o som vinha de fora da casa na hora pensei que fosse algum vizinho ou alguém conhecido Às vezes o pessoal da rua até brinca de madrugada mas aquilo não parecia ser algo normal a voz foi ficando mais próxima mais urgente Ana Ana vem cá Eu não sei como explicar mas o jeito que ela chamou o meu nome parecia tão familiar era a voz de alguém que eu conhecia era como se estivesse me chamando de uma forma íntima como se estivesse esperando que eu saísse para ir até lá
como se fosse normal mas ao mesmo tempo algo naquelas palavras me fez tremer de medo eu me levantei da cama e fui até a janela que ficava do lado da cabeceira era sempre ali que eu olhava para ver o que estava acontecendo Quando algo estranho acontecia mas nesse caso eu hesitei o medo me paralisava Uma sensação ruim me dominou algo dentro de mim dizia que eu não deveria abrir a janela que eu não deveria responder aquilo eu tava confusa mas ao mesmo tempo uma parte de mim queria saber quem estava me chamando queria entender o
que tava acendo a voz continuava mas parecia vir de mais longe Agora quase como se estivesse indo embora mas ainda me chamando Ana Ana Por que você não vem Estou esperando meu coração disparou não tinha ninguém ali não tinha como ter eu sabia que não era um vizinho nem ninguém da rua Nenhum de Nós da região ia fazer isso no meio da madrugada muito menos em um dia como aquele eu tentei convencer a mim mesma de que poderia ser uma ilusão uma brincadeira de alguém mas a sensação de que aquilo não era normal crescia e
logo veio uma outra coisa o frio um frio intenso tomou conta do meu corpo não era O frio da noite aquele que geralmente vinha por causa da Brisa era um frio diferente que parecia vir de dentro de mim como se algo tivesse Tom o controle do meu corpo a garganta se fechou os olhos ficaram pesados e eu não sabia se o medo era tanto que eu tava começando a alucinar ou se realmente havia algo ali algo que eu não podia ver a voz chamou novamente agora com uma força quase imperceptível Ana eu sei que você
me ouve não tenha Medo mas eu tinha medo e muito algo me dizia para não responder para não sair dali mas ainda assim a vontade de saber o que era estava me consumindo eu olhei para a janela e foi aí que eu percebi que o vento tinha parado o silêncio agora era absoluto mas a voz ainda ecoava na minha cabeça não sei como explicar mas parecia que mesmo sem som ela tava lá me chamando como se estivesse em algum lugar onde eu não podia chegar Dizia para eu me afastar da janela mas eu não consegui
me mover não sabia se deveria gritar ou se deveria esperar que o que quer que fosse saísse mas a única coisa que consegui fazer foi ficar ali parada com o cora quase saindo pela boca ouvindo aquela voz que me chamava cada vez mais perto e então sem eu perceber algo aconteceu o silêncio voltou a tomar conta da casa o vento não soprava mais e tudo estava completamente parado só o meu coração batendo forte tentando se Fazer ouvir em meio à tensão parecia ser o único som naquelas horas eu não sabia o que fazer tentei convencer
a mim mesma de que aquilo era apenas um sonho uma Alucinação causada pela madrugada fria e pela escuridão mas por mais que tentasse não conseguia me livrar da sensação de que AL estava errado algo muito errado a voz que antes parecia tão próxima agora estava mais distante mas ainda presente e foi então que quando pensei que tudo já tinha passado ouvi algo que me fez Quase cair para Trás uma batida suave na janela não era um barulho de vento ou de árvore batendo nas paredes era uma batida firme como se alguém estivesse tentando chamar minha
atenção a porta mas de uma forma ainda mais estranha como se a janela fosse uma porta eu gelei na hora o medo tomou cont de mim e não consegui me mover por um bom tempo esta com os olhos fixos na janela esperando que algo mais aconte que a voz voltasse ou Que explicação Surg para o Esta acontecendo o que eu sentia não era mais só medo era pavor um pavor de algo que eu não conseguia entender a batida na janela continuou agora mais forte eu quase gritei mas algo dentro de mim aquele instinto de sobrevivência
me fez calar eu não sabia se devia abrir a janela responder ou simplesmente me esconder mas antes que eu pudesse decidir o que fazer a voz voltou mas dessa vez não estava chamando meu nome não era mais aquela voz suave e Acolhedora não era mais familiar a voz parecia vir de dentro de mim de um lugar profundo e escuro ela falou com uma clareza e frieza que me fez estremecer por inteiro não adianta fugir eu sei onde você está meu corpo estremeceu e um calor estranho subiu pela minha espinha eu não conseguia mais pensar com
clareza Tentei me afastar da janela mas o meu corpo estava paralisado como se uma força invisível me prendesse ali me impedindo de me mover eu olhei para o Lado tentando procurar alguma coisa que me fizesse entender o que estava acontecendo e foi aí que vi lá no canto escuro do meu quarto havia algo algo que não estava ali antes era uma sombra mas uma sombra que parecia ter forma eu não conseguia distinguir o que era mas sabia que não era normal ela estava se movendo lentamente como se observasse cada movimento meu eu olhei fixamente para
aquela sombra tentando entender se meus olhos estavam me enganando mas não ela Estava ali e eu podia sentir sua presença o medo tomou conta de mim de uma forma que eu nunca tinha experimentado antes era como se a sombra Estivesse se aproximando devagar como se estivesse tentando me engolir me fazer desaparecer naquele breu de repente a sombra deu um passo em direção à minha cama eu senti o ar gelado que se formava ao redor dela uma sensação de mau-estar tomou conta do meu estômago a visão dela se intensificou e uma dor aguda surgiu Na minha
cabeça como se uma pressão imensa tivesse se formado ali eu queria gritar correr mas não conseguia me mover eu estava completamente paralisada como se tivesse sido tomada por algum tipo de feitiço E então a voz voltou mas não foi mais aquela que me chamava pelo nome foi uma risada uma risada baixa quase um sussurro vinda de dentro daquela sombra ela parecia estar se divertindo com meu medo Você deveria ter me ouvido Ana agora é tarde demais a sombra se Aproximou ainda mais e eu pude sentir um frio intenso ao redor dela como se estivesse congelando
a própria atmosfera a sensação de sufocamento era tão forte que eu mal conseguia respirar parecia que o ar estava se tornando mais denso a cada segundo como se estivesse sendo comprimida dentro de uma caixa escura e apertada Foi então que eu percebi que a janela ainda estava aberta e que a voz não estava mais do lado de fora ela estava bem ali na minha cabeça na minha Sala me cercando eu Finalmente consegui me mover mas o medo era tão grande que eu mal conseguia raciocinar Eu Pulei da cama e corri para o corredor sem olhar
para trás sem pensar em mais nada além de escapar daquela sensação aterrorizante quando saí do quarto tudo ficou em silêncio novamente Não havia mais batidas Não havia mais risadas e a sombra sumiu a sensação de que algo maligno ainda me seguia no entanto ficou eu corri até a sala onde as luzes Estavam acesas Mas apesar disso algo ainda não parecia certo o ar estava pesado e frio as paredes pareciam me observar e a casa parecia estar cheia de ecos de algo que não era visível olhei para trás em direção ao meu quarto e oou vi
o que antes parecia ser um reflexo agora estava mais claro a sombra a aquela mesma sombra que me havia perseguido estava agora no fundo do Corredor estava mais nítida mais definida e me encarava com uma presença Que não era humana naquele momento eu não pensei em mais nada só corri para fora de casa sem olhar para trás Eu sabia que precisava sair dali que aquilo não era mais um simples susto algo estava errado muito errado algo seguido algo estava dentro da minha casa e eu não sabia como liar com aquilo hoje olhando para trás ainda
não consigo entend o que aconte naquela mugada não consig entend o que me chamou ou o que era aquela sombra Mas o que eu sei é Queé hoje eu Nuna mais consegi ficar em pentro daqua não naquela sexta-feir santa e nem em nenhuma outra noite a casa ficou vazia depois disso a noite de sexta-feira Santa sempre foi motivo de apreensão na minha casa minha mãe principalmente sempre dizia que era um dia pra gente ficar em casa tranquilo respeitando as tradições da nossa família ela sempre falava sobre o respeito à data dizia que não era bom
sair à noite que coisas estranhas Aconteciam que o clima parecia di eu NC dei muita BOL ISO até naquela época eu era bem mais jovem e a vontade de explorar a região onde moro sempre foi maior que qualquer superstição naquela noite eu estava mais entediado do que o normal a cidade estava Deserta lá na zona rural onde eu moro não tem muita movimenta naqua noing de coisa que me restava era caminhar a Mãe claro tinha me dito para não sair ela sempre dizia que as coisas ficavam estranhas na sexta-feira Santa fica em casa filho não
vai dar mole não lá fora é perigoso ela me falava mas eu não ligava não acreditava nessas coisas eu queria sentir a tranquilidade da noite e caminhar por aí mesmo sabendo que ninguém mais estava na rua só eu a lua cheia e o silêncio a casa estava quieta e a única coisa que se ouvia era o som do vento balançando As árvores aquelas Sombras da Noite pareciam fazer o lugar todo parecer um cenário de filme mas eu estava decidido a ir mesmo assim coloquei uma jaqueta peguei as chaves de casa e saí a rua estava
Deserta mas eu não me sentia realmente incomodado afinal tudo parecia tão calmo a luz da lua batia no chão e refletia as poças da estrada de terra e a única coisa que me dava companhia era o som das minhas botas batendo no chão fui caminhando sem destino com a mente Cheia de pensamentos bobos como sempre as árvores as pedras e os postes eram meus únicos amigos naquela noite passei por um campo e fui me aproximando de uma Encruzilhada conhecida sempre Achei ela meio estranha talvez porque fosse um lugar isolado on de poucos passavam A Encruzilhada
tinha aquele ar Sombrio com árvores mais velhas e com raízes grandes que se entrelaçavam como se quisessem esconder algo Eu nunca soube exatamente o que Tinha ali mas sempre soube que era um ponto meio pesado minha mãe sempre falava para eu não ir até lá que era melhor evitar eu só ia dar uma olhada eu pensava não tinha nenhum motivo real para ficar com medo né Eu estava acostumado a andar por ali sempre sabia que o risco maior eram os animais selvagens e talvez Uns poucos carros de vez em quando mas aquela noite parecia mais
pesada o ar estava mais quente do que o normal e o vento estava quase Parado como se o tempo tivesse congelado por algum motivo cheguei na encruzilhada e fiquei parado por um momento aquele lugar parecia Ainda mais esquisito na noite de sexta-feira Santa não sei bem explicar mas tinha uma sensação de vazio como se o local estivesse aguardando algo foi quando ouvi um barulho baixo como Passos atrás de mim eu congelei olhei para trás mas não vi nada só o vazio da estrada Deserta iluminada pela lua Mas então ouvi novamente dessa vez Mais próximo eu
não sou de me assustar a de que havia errado naquele momento foi tão forte que comecei a olhar a redor com mais atenção o som era de passos lentos como se alguém Estivesse se aproximando de mim com muita calma eu olhei para todos os lados mas o que eu vi me fez gelar de medo um homem velho com roupas rasgadas e uma expressão que eu não consigo descrever muito bem apareceu na minha frente ele tinha uma longa capa escura que parecia não ser de Tecido comum e seu rosto estava coberto por uma barba espeça e
grisalha Seus olhos eram fundos de um tom que parecia quase preto e ele me observava fixamente eu congelei na hora não sei se por medo ou por estar sem saber o que fazer eu estava parado sem reação ele se aproximou lentamente sem fazer nenhum som e parou bem na minha frente o que me impressionou foi a calmaria que ele emanava o velho não parecia apressado parecia completamente Tranquilo quando ele me olhou nos olhos eu senti como se estivesse sendo lido por ele não era um olhar comum parecia que ele estava vendo algo em mim que
nem eu mesmo sabia você não deveria estar aqui garoto disse ele com uma voz grave quase arrastada era como se ele já soubesse tudo sobre mim tudo o que eu estava fazendo ali eu fiquei sem saber o que dizer a sensação de que ele já sabia tudo sobre minha vida me deixou sem palavras Eu Tentei responder mas a minha Boca estava seca e as palavras não saíam o velho não Pareci ter pressa de ir embora ele apenas Ficou ali me olhando como se Esperasse uma reação minha eu queria sair correndo mas algo me prendia ali
algo que me fazia ficar imóvel ele não se movia e o silêncio da noite parecia se arrastar como se o próprio tempo tivesse parado eu ainda sentia o vento parado e a Lua estava ali observando tudo a sensação de que algo estava acontecendo que eu não podia Entender aumentava e então o velho deu um passo em minha direção mais perto tão perto que eu podia sentir o cheiro de terra e Algo amargo vindo dele o velho deu um passo à frente mais de m eu estava tão paralisado pelo medo que nem consegui me mexer aquele
cheiro a mistura de terra úmida e Algo amargo me envolveu como se tivesse sugado o ar ao redor ele não se apressava cada movimento seu era lento calculado como se estivesse me estudando Seus olhos escuros Que pareciam tão profos quant a própr noite observando com uma intensidade que me fazia sentir pequeno como se fosse apenas um espectador no palco de algo muito maior você não deveria estar aqui garoto ele repetiu dessa vez com mais firmeza na voz já ouviu falar da Encruzilhada né eu tentei falar mas minha garganta estava seca e as palavras não saíam
como ele sabia que eu estava ali como ele sabia o que eu estava Fazendo eu Oli para os lados tentando procurar uma saída uma maneira de escapar mas parecia que o Mundo ao Meu Redor havia se tornado um lugar ainda mais isolado eu estava na encruzilhada no coração de algo desconhecido e me senti completamente vulnerável aquela sensação de Presságio que eu tinha ignorado antes agora estava tomando conta de mim de forma avassaladora eu sabia que algo ruim estava prestes a acontecer mas não sabia O qu o velho com sua postura calma parecia aguardar algo não
estava me ameaçando mas suas palavras sua presença me deixavam em um estado de alerta Como se eu fosse parte de um jogo que eu não entendia ele então deu outro passo mas dessa vez ele estava tão perto que eu podia ouvir o som do ar se movendo enquanto ele se aproximava ele parcia ter pressa de falar ou de se mover seus olhos estavam fixos em mim e eu sentia como se estivesse sendo testado de Alguma forma você já ouviu as histórias disse o velho como se falasse de algo trivial as histórias sobre o que acontece
quando alguém se atreve a passar por aqui eu sou o último a te avisar eu não sabia o que responder tentei abrir a boca mas nenhuma palavra saía eu sabia que estava em perigo mas algo dentro de mim me dizia que não devia correr não podia correr eu precisava ficar ali enfrentar aquilo por algum motivo que eu ainda não entendia o Velho parecia esperar que eu dissesse algo como se ele tivesse me dado a chance de compreender a gravidade da situação não H volta garoto se passar por aqui será levado e o caminho não é
mais o mesmo ele continuou quase como se tivesse me contando uma história antiga algo que ele já soubesse de cor sua voz estava ficando mais sombria mais profunda como se cada palavra tivesse mais peso do que a anterior mas manana se você quiser saber vou te acompanhar Eu não sabia o que ele queria dizer com acompanhá-lo ele parecia tão calmo tão sereno como se ele soubesse exatamente o que estava acontecendo mas ao mesmo tempo algo na sua postura me dizia que ele não era simplesmente um homem velho perdido na noite ele era parte daquele lugar
da Encruzilhada como se fosse a própria Encruzilhada ganhando forma e vida um frio percorreu minha espinha mas eu não podia me mover ele continuava a olhar para mim e eu só Senti aquela sensação de que ele não estava ali por acaso eu vou te mostrar o velho disse com um sorriso fraco quase imperceptível ele deu um passo para o lado afastando-se levemente mas ainda me observando como se Esperasse que eu o seguisse algo dentro de mim dizia para ficar para não seguir mas o que ele disse vou te mostrar as palavras ecoavam na minha cabeça
a curiosidade venceu o medo mesmo sabendo que não era sensato seguir esse estranho com um suspiro Profundo eu dei um passo atrás não sabia o que estava acontecendo mas uma força estranha me empurrava para a frente eu comecei a caminhar ao lado dele sem saber por estava fazendo isso o velho andava devagar como se não tivesse pressa Sem pressa de ir a lugar algum ele parecia tão tranquilo enquanto eu estava apavorado tentando entender o que estava acontecendo caminhamos por uma boa parte da estrada mas a cada passo parecia que a paisagem Estava mudando as árvores
ao redor da Encruzilhada começaram a parecer mais distorcidas mais altas como se estivessem se curvando para nos observar o caminho que antes era simples agora parecia mais apertado como se a estrada Estivesse se fechando à nossa volta eu olhei para o velho seus passos não faziam o menor som e ele não parecia se importar com o tempo ou com o fato de que estávamos andando por um lugar isolado no meio da Madrugada mas de alguma forma eu sentia que ele estava me levando para longe de onde eu sabia que era seguro a sensação de estar
sendo guiado por Ele para um destino desconhecido me fez arrepiar da cabeça aos pés a cada passo mais inquietante ficava O silêncio não se ouvia mais o som dos animais nem o vento nas folhas o ambiente Parecia ter sido engolido pela Escuridão e eu só conseguia ouvir a batida do meu próprio coração o velho Implacável não falava Mais nada ele caminhava na frente me levando mais para dentro da floresta cada vez mais fundo eu tentei falar algo perguntar o que ele queria mas a minha voz sumia na noite como se tivesse sido engolida pela escuridão
ao nosso redor foi quando de repente elou Eu também parei sem saber o que fazer o velho virou-se para mim e nesse momento eu percebi que algo havia mudado ele não estava mais com aquele semblante calmo e Sereno seus olhos estavam mais Intensos como se um fogo estranho os tivesse iluminado e o sorriso dele se alargou de forma macabra é H ele disse com uma voz que agora pare de toos os c da Escuridão e com essas palavras ele desapareceu diante de mim não foi como se ele tivesse ido embora Ele simplesmente sumiu como se
tivesse se desfeito no ar eu fiquei ali Sozinho no meio da floresta sem entender nada o medo tomou conta de mim como uma onda o chão parecia tremer e as sombras ao meu Redor começaram a se mover como se estivessem me observando Eu sabia que tinha algo errado algo muito errado mas não sabia como escapar eu corri o mais rápido que pude sem olhar para trás sentindo que algo invisível estava me perseguindo finalmente depois de o que pareceu uma eternidade eu cheguei em casa mas desde aquela noite eu nunca mais fui o mesmo sempre que
passo por aquela encruzilhada a sensação de que algo está lá esperando me faz Estrem eu sempre fui daqueles que não ligavam muito para a tradição cresci em uma cidade pequena onde as pessoas seguiam as festas os rituais e os costumes de maneira quase cega como se nada pudesse dar errado se você apenas seguisse tudo pertinho a quaresma era sempre uma época de muita reclusão não se falava em festas não se via ninguém andando pelas ruas à noite tudo ficava mais sombrio como se o silêncio tomasse conta da cidade mas para mim era só mais Uma
dessas histórias que as pessoas contavam para assustar os mais jovens naquela noite meus amigos e eu decidimos dar uma quebrada na rotina Estávamos cansados de ficar trancados em casa e queríamos ver o que realmente acontecia na rua quando ninguém estava olhando havia algo na Quietude daquela época que nos fazia sentir como se a cidade Estivesse se preparando para algo mas o qu ninguém sabia e Era exatamente isso que fazia a curiosidade crescer Eram umas 11 da noite já estava bem tarde e o ar da cidade estava mais denso do que o normal talvez fosse pela
umidade já que chovia um pouco mas não era só isso era como se a própria atmosfera estivesse carregada como se algo estivesse a espreita a cidade que normalmente era tranquila agora Parecia um lugar onde algo estava prestes a acontecer o medo ainda não tinha me dominado mas uma sensação de desconforto se espalhava por meu corpo Conforme os minutos passavam eu o Marcos o João e a Luana Estávamos na esquina da Praça no centro da cidade a praça sempre foi um lugar vazio à noite sem movimento mas naquele momento ela parecia ainda mais sombria o barulho
da chuva batendo no chão de pedra ecoava nas paredes das casas antigas as ruas estavam praticamente desertas e a única luz que havia vinha das lâmpadas amareladas dos postes as poucas pessoas que se atreviam a sair pareciam apressadas com pressa de Chegar a algum lugar mas de alguma forma aquele cenário quieto nos atraiu nos fez ficar ainda mais curiosos Vamos dar uma volta no centro e ver o que está acontecendo sindo sugeriu Marcos com um tom de provocação ele estavao desafiar as regras e eu estava na mesma onda a Luana e o João hesitaram por
um momento mas acabaram concordando Ninguém queria o Covarde e foi assim que saímos sem nenuma razão além da vontade de fazer Algo quebrasse o tédio da noite fomos caminhar pelas ras desertas ignorando qualquer sensação de desconforto que já estava começando a se formar em mim caminhamos por uns bons minutos fazendo um percurso que normalmente faríamos em menos de meia hora porque a sensação de algo errado no ar não nos deixava relaxar passamos pela praça e começamos a subir uma das ruas que leva para a parte mais antiga da cidade uma área que ninguém costumava frequentar
À noite as Casas ali são antigas com janelas de madeira e portas pesadas e elas pareciam absorver toda a luz da Rua fazendo o caminho ainda mais escuro cada passo parecia ecoar no silêncio da noite foi aí que em uma das esquinas mais distantes algo chamou nossa atenção uma fila de pessoas todas vestindo capuzes escuros e longas túnicas apareceu súbitamente como se tivessem surgido Do nada eles estavam em silêncio caminhando em fila única com as cabeças abaixadas Como se estivessem indo a algum lugar específico eu nunca tinha visto nada parecido a princípio pensei que fossem
parte de alguma cerimônia religiosa talvez algo relacionado à Quaresma mas algo na maneira como estavam marchando como se estivessem em Trance fez o clima ficar estranho aquela sensação de desconforto que vinha crescendo em mim agora parecia insuportável isso não está certo disse o João com a voz baixa mas audível ele Tinha razão aquela fila não era normal as pessoas estavam andando de maneira Estranha como se não tivessem nenhuma expressão o pior de tudo no entanto foi o que eu percebi em seguida os capuzes não havia nada por baixo deles as pessoas que à primeira vista
pareciam ser apenas figuras encapuzadas estavam sem rosto era como se a capa fosse parte de suas próprias peles como se seus rostos tivessem sido apagados a sensação de que algo estava profundamente errado Aumentou Ainda mais eu me senti gelado por dentro mas a curiosidade mais forte do que o medo me fez querer ver mais de perto vamos ficar só mais um pouco e ver o que é isso sugeriu a Luana que estava tão assustada quanto eu mas como todos nós sentia que não podíamos simplesmente virar as costas aquela fila que parecia interminável continuava a passar
diante dos nossos olhos era como se não houvesse fim olhei para os meus amigos e todos estavam em um silêncio absoluto Como se estivessem esperando que algo acontecesse o pior era que à medida que a procissão passava o som da chuva parecia desaparecer e o silêncio derrepente ficou mais profundo como se o próprio tempo tivesse parado ficamos ali imóvel observando as figuras encapuzadas se moverem na direção de uma pequena Capela que ficava no fim da rua eu não sabia o que fazer queria correr mas ao mesmo tempo não conseguia as pessoas estavam tão próximas agora
Que eu podia ouvir um sussurro baixo como se estivessem falando umas com as outras mas o som era tão abafado que mal dava para entender as palavras quando o último membro da procissão passou algo estranho aconteceu uma figura que parecia ser o líder da marcha mais alto e com uma capa mais elaborada parou e virou em nossa direção seu olhos ou onde seriam seus olhos brilharam por um segundo e uma sensação de terror absoluto tomou conta de mim ele não Tinha rosto apenas uma superfície lisa sem traços humanos mas quando Ele olhou para mim eu
soube que ele sabia exatamente onde estávamos não é para você disse uma voz rouca vinda de dentro do capuz não sei como ele sabia que estávamos ali que ele estava nos avisando sua voz parecia vir de todos os lados ao mesmo tempo como um Eco e seu Tom era grave carregado de algo sinistro vão embora agora eu não conseguia me mover foi o Marcos quem por fim quebrou o feitiço Ele puxou o meu braço com força e foi como se um pesadelo tivesse terminado nós começamos a correr sem olhar para trás a até alcançar a
rua principal onde finalmente o som da chuva voltou a se fazer presente mas não conseguíamos parar de olhar para trás como se esperássemos ver aquelas figuras encapuzadas nos seguindo nós corremos pelas ruas escuras da cidade tentando não olhar para trás mas algo dentro de Mim me dizia que estávamos sendo seguidos o som dos nossos passos parecia ecoar de forma ensurdecedora e por mais que tentássemos correr o mais rápido possível sentíamos como se o tempo estivesse desacelerando como se a cidade estivesse nos engolindo devagar pedindo para que parássemos e olhássemos novamente para aquela procissão eu senti
a respiração pesada o peito apertado como se a pressão de algo Invisível estivesse nos esmagando cada esquina que virá parecia que a cidade se fechava mais tornando a fuga mais difícil o medo nos consumia mas por algum motivo os meus pés continuavam se movendo me afastando cada vez mais daquele lugar e ao mesmo tempo parecia que uma força invisível nos impelia a ir em direção ao centro da cidade onde tudo começara eu sabia que devia ser a sensação do Pânico mas a de que não Estávamos sozinhos de que algo nos observava foi crescendo em mim
a cada segundo a Luana estava ofegante ao meu lado e o João que normalmente não era de se assustar estava completamente em silêncio com a cara pálida e os olhos fixos à frente o Marcos que estava mais à frente também parecia nervoso mas com um olhar que tentava disfarçar o pavor finalmente Chegamos na praça principal onde os postes de luz iluminavam de maneira fraca e a sensação de estar de Volta à normalidade se instalou mas o que quer que tivesse acontecido o que quer que tivéssemos visto não estava lá não havia sinais da procissão não
havia nada além do silêncio da noite com a chuva caindo lentamente como se tivesse sido feita para limpar tudo o que havíamos presenciado o normal tinha voltado mas ainda havia uma inquietação estranha no ar ficamos todos parados sem saber o que fazer o que acabamos de ver como aqueles encapuzados desapareceram De repente como conseguimos correr até ali sem olhar para trás e ainda assim não sermos pegos eu estava em choque ainda tentando processar a visão do líder da procissão aquele ser sem rosto que parecia saber de tudo ele sabia onde estávamos sabia que estávamos olhando
e ele disse claramente para se fôssemos embora mas por quê isso isso não pode ser real disse a Luana com a voz trêmula Quebrando o Silêncio que havia se instalado entre nós eu sei mas eu vi Respondeu Marcos ainda com a respiração alterada nós todos vimos aquela coisa aqueles rostos sem rosto Eles não eram humanos ficamos ali na praça olhando um para o outro e por um momento todos pensávamos a mesma coisa será que realmente vimos o que pensamos que vimos Será que aquela Procissão de almas ou seja lá o que fosse era algo real
ou tínhamos ficado tão assustados que nossa mente havia nos pregado uma peça A sensação de que algo estava errado não passou não havia como esquecer as imagens das pessoas marchando em silêncio sem rosto com suas capas escuras que pareciam se fundir com a própria noite mesmo quando tentamos mudar de assunto e falar sobre coisas mais simples como um jeito de justificar aquilo tudo a ideia de que havia algo mais acontecendo naquelas ruas ficou na minha mente quando finalmente decidimos ir embora o caminho de volta parecia Muito mais longo cada Rua parecia mais sombria do que
quando saímos e as casas que antes pareciam familiares agora estavam muito mais ameaçadoras o silêncio da cidade parecia apertar contra nós como se ela estivesse esperando por algo cada sombra nas esquinas parecia observar nossos passos e o som de nossas vozes sussurrando parecia ser abafado como se estivéssemos em um lugar onde as palavras não podiam mais alcançar quando chegamos à minha Casa ninguém queria ir embora Ninguém queria estar sozinho nós nos sentamos na sala sem falar por um bom tempo cada um de nós estava lidando com o que aconteceu à sua maneira tentando entender o
que de fato era real e o que tinha sido apenas fruto do nosso medo mas mais do que isso havia uma sensação persistente de que o que vimos naquela noite não foi apenas um pesadelo nos dias que se seguiram As Memórias daquela procissão se tornaram mais vívidas eu Não conseguia mais sair de casa depois do escurecer sem sentir que algo me observava sem sentir que aquelas figuras sem rosto estavam me seguindo como Se Tudo fosse uma espécie de teste um aviso de algo que ainda estava por vir o silêncio na cidade agora era mais pesado
como se algo estivesse esperando pela próxima oportunidade de aparecer algo que eu sabia não ia nos deixar esquecer nos meses que se passaram a cidade Voltou ao seu ritmo normal mas a Sensação de desconforto não se dissipou sempre que passávamos pela rua onde Vimos a processão a sensação de ser observado tomava conta de mim eu olhava para os postes de luz as sombras nas fachadas das casas esperando ver aqueles capuzes se movendo de novo mas eles nunca apareceram E no entanto eu sabia que estavam lá a espreita aguardando o momento certo Eu nunca mais falei
com os meus amigos sobre o cada um de nós seguiu em frente com sua Vida mas sempre que nos encontrávamos aquela noite ficava entre nós às vezes o Marcos ainda me olhava com um olhar preocupado e eu sabia que ele também sentia a mesma coisa a coisa que vimos o que quer que fosse ainda estava por aí às vezes eu sentia que ela estava só esperando o momento certo para voltar eu sabia que que um dia ela voltaria mas a dúvida sempre ficava Será que a procissão era real ou será que foi a nossa mente
dominada pelo medo e pela Noite escura que criou tudo aquilo uma parte de mim queria acreditar que não que era apenas um pesadelo coletivo mas no fundo uma outra parte sabia que a verdade estava lá fora oculta nas sombras da cidade e se um dia eu tivesse Talvez eu fosse até lá novamente para ver o que realmente havia acontecido naquela noite mas por enquanto a única coisa que eu sabia era que ao passar pel aquelas ruas à noite eu nunca mais me sentiria Sozinho a minha história começa há muitos anos atrás numa pequena Vila do
interior eu era ainda muito jovem talvez uns 16 anos quando minha família se mudou para lá na época a gente mal sabia o que estava por vir a Vila era pacata com poucas casas todo mundo se conhecia e o ritmo de vida era bem tranquilo naquele lugar as Ruas de Terra batida eram tão vazias à noite que se você ouvisse um som poderia jurar que o mundo inteiro estava em silêncio Mas foi justamente Esse silêncio que nos fez perceber algo muito estranho naquela noite era uma sexta-feira e a minha família já estava morando na vila
há algumas semanas o dia tinha sido comum sem nada de especial o calor do verão ainda estava forte e a noite chegou lentamente com aquele céu limpo e estrelado típico do Campo quando anoiteceu fomos todos para casa como de costume e nos preparamos para uma noite tranquila a casa em que morávamos ficava No final da rua principal era uma casa simples de madeira com um quintal grande que parecia não ter fim o único barulho que se ouvia à noite eram os grilos e o vento que mexia nas árvores mas naquela noite algo estava diferente eu
estava na minha cama já deitado tentando dormir a casa estava bem quieta Todos estavam em silêncio só o som do vento e da madeira da casa rangendo um pouco era uma dessas Noites em que o sono não vinha fácil e eu fiquei virando de um lado para o Outro tentando achar uma posição confortável foi quando ouvi pela primeira vez batidas batidas leves mas suficientes para me acordar eu parei atentei e fiquei em silêncio esperando as batidas não eram fortes mas eram nítidas vinha da porta da frente fiquei ali deitado tentando entender o que estava acontecendo
talvez fosse o vento pensei mas não tinha vento suficiente para fazer aquela porta bater daquele jeito eu me levantei e fui até a janela Do meu quarto que dava para o lado de fora da casa olhei mas não vi nada a rua estava Deserta como sempre voltei para a cama tentando ignorar o que acabara de ouvir mas não deu as batidas começaram novamente desta vez mais fortes como se alguém estivesse batendo com o punho fechado eu não sabia o que fazer fiquei em silêncio ouvindo e esperava que fosse algo passageiro mas não era pai mãe
chamei baixo sem querer assustar ainda mais os outros não sei exatamente o que Me fez chamar por eles talvez fosse só para confirmar que eu não estava ouvindo coisas ou talvez fosse porque eu realmente sentia que havia algo errado Eles não responderam então eu me levantei e fui até o quarto deles a porta estava fechada Mas eu vi que estava um pouco entreaberta entrei e acendi a luz meus pais estavam deit mas pareciam tão calmos que por um momento fiquei até mais tranquilo pai você ouviu isso Perguntei meio sem jeito ele acordou com um susto
mas logo se recompôs como se não fosse nada demais ah filho deve ser o vento não se preocupe vai passar disse meu pai virando para o outro lado como se já tivesse ouvido aquilo antes acostumado eu voltei para o meu quarto mas a sensação de inquietação não passava o silêncio voltou mas não o silêncio normal era um silêncio tenso como se a casa estivesse esperando algo olhei para o relógio já passava da Meia-noite Mas eu ainda não conseguia dormir foi então que as batidas começaram de novo não eram mais apenas na porta agora eu as
ouvia nas janelas também como se alguém estivesse batendo nas paredes da casa o som era Claro e inconfundível eu estava quase congelado de medo mas ainda assim me levantei novamente e fui até a janela que ficava do lado oposto à porta quando olhei Vi apenas o escuro da noite com as árvores balançando lentamente a casa estava Trancada não havia como alguém estar lá fora batendo assim sem que a gente visse eu olhei de novo para a porta e percebi que ela também estava trancada por dentro não dava para entender o que estava acontecendo eu voltei
para a cama mas o medo já tinha tomado conta de mim e então lá estava de novo batidas batidas e mais batidas mas agora algo estava diferente elas eram mais rápidas mais insistentemente fortes comecei a sentir um peso no peito como Se algo estivesse me observando como se as batidas estivessem vindo de algum lugar além da porta além da janela era como se algo estivesse dentro da casa mas eu sabia que isso não era possível sentei-me na cama tentando entender o que fazer e foi quando ouvi uma voz baixa quase um sussurro não dava para
entender o que estava dizendo mas a que se espalhou em meu corpo foi de puro terror a sensação era tão real que parecia como se a voz estivesse dentro De mim me dizendo para não abrir a porta para não olhar para fora algo dentro de mim me dizia que aquilo não era normal que aquilo não era só o vento eu não sabia o que fazer então me levantei novamente e fui até o quarto dos meus pais dessa vez bati forte na porta acordei os dois estavam visivelmente assustados mas tentaram não demonstrar está tudo bem filho
não se preocupe disse minha mãe pegando na minha mão mas sua voz parecia mais tensa do que o Normal eu sabia que ela estava tentando acalmar a mim mas eu via no rosto dela o mesmo medo que sentia ficamos ali os três em silêncio esperando eu já estava começando a achar que estava ficando louco até que minha mãe se levantou vou até a janela ver o que é isso disse fique aqui eu a observei ir até a janela e quando ela olhou para fora ela parou ficou em silêncio por alguns segundos quando se virou para
nós sua expressão era pálida não tem ninguém Lá fora disse mas sua voz estava trêmula mas mãe então o que são essas batidas perguntei tentando não demonstrar o medo eu sabia que algo estava errado eu sabia que o medo que estávamos sentindo não era só coisa da nossa cabeça algo estava ali tentando nos atingir de alguma maneira foi quando ouvimos o barulho vindo novamente mas dessa vez estava vindo de dentro da casa de algum lugar no corredor o som das batidas vinha agora de dentro da casa como se alguém Estivesse batendo na parede do Corredor
mas isso era impossível porque não havia ninguém ali a casa estava completamente trancada e mais importante nós estávamos todos na sala de estar eu olhei para os meus pais e o medo em seus olhos refletia o que eu estava sentindo nunca vi minha mãe tão pálida nunca vi meu pai tão t ele tentou se levantar Mas foi como se o peso do Medo tivesse paralisado fique aqui meu pai disse Tentando assumir uma postura firme ele foi até o corredor devagar com o rosto Sombrio e os olhos fixos na direção do som ele parou na entrada
do corredor e Ficou ali imóvel escutando por um momento aa inteir ter ficado em mas não era um silêncio reconfortante era um silêncio opressor pesado e mesmo assim não consegui deixar de sentir que algo estava se aproximando como se estivéssemos sendo observados de algum lugar papai não vai lá eu gritei mas ele Me ignorou e continuou avançando para o corredor ele estava muito calmo muito controlado mas de algum modo aqu Aquilo me assustava Ainda mais eu não conseguia entender como ele podia ser tão corajoso diante de algo que estava além da nossa compreensão quando ele
chegou ao fim do Corredor o som das batidas retornou mas agora parecia vir de algum lugar mais profundo como se estivesse vindo das paredes do chão do próprio ar era uma sensação muito estranha algo de Sobrenatural não deveria existir papai volta implorei minha voz soava desesperada mas eu não conseguia mais controlar o medo ele finalmente virou-se para nos olhar seus olhos estavam arregalados e ele parecia muito mais velho muito mais cansado do que antes sem dizer uma palavra ele deu um passo para atrás e voltou correndo até a sala a porta do Corredor bateu com
tanta força que fez a casa tremer quando ele chegou de volta a porta estava Trancada e as batidas pararam de imediato mas não houve alívio o ar parecia mais denso como se a casa tivesse ficado mais pesada eu sentia como se algo tivesse nos marcado como se estivéssemos sendo vigiados por alguma coisa invisível as janelas estavam todas fechadas as portas todas trancadas mas de algum umaa forma parecia que estávamos a mercê de algo que não podíamos controlar nós temos que fazer Alguma coisa disse minha mãe Quebrando o Silêncio com uma voz tensa ela parecia não
saber o que mais fazer eu vou chamar o padre ela foi até o telefone que na época Ainda era fixo e discou o número da igreja eu escutava ela conversando com o padre que parecia tão calmo quanto possível mas o que ele disse foi algo que nos arrepiou até os ossos eu acho que é o que chamamos de almas penadas Pode ser que algo tenha ficado preso na casa algo muito antigo algo que não Consegue descansar quando a minha mãe terminou a ligação ela parecia mais pálida ainda não conseguia esconder a preocupação Eu sabia que
ela estava tentando ser forte para nos tranquilizar mas a presença do Medo estava Clara a casa estava cheia de uma energia estranha que ninguém conseguia explicar e aquele velho Padre não parecia nada surpreso para ele aquilo era algo que já fazia parte de sua realidade ele disse que não tem muito o que fazer além de Rezar rezar muito e tentar manter a calma minha mãe disse Mas mesmo depois de suas palavras o ambiente continuava denso eu não sentia mais que estávamos sozinhos na casa não de uma maneira normal e foi então que a porta da
frente que havia sido trancada com tanto Cuidado se abriu lentamente com um rangido pesado eu me levantei na hora assustado e fui correndo até a porta mas quando olhei não havia ninguém nada o vento que antes soprava calmo agora Parecia mais forte quase como se estivesse nos desafiando a sair não havia sinais de vida ali fora mas a sensação de que algo tinha se afastado da porta era inegável o que quer que estivesse nos assombrando parecia se divertir com o nosso medo era como se estivesse testando os nossos limites como se estivesse nos provocando mas
o mais estranho era o fato de que a pela janela nada Parecia ter mudado nenhuma sombra nenhum movimento a casa embora Ainda estivesse trancada e segura estava diferente havia uma pressão invisível sobre ela como se cada cômodo fosse observado por algo que não podia ser explicado na manhã seguinte as batidas cessaram de repente como se nada tivesse acontecido mas o silêncio que tomou conta da casa não era mais o mesmo estava cheio de tensão como se uma coisa estava ali esperando observando a sensação de estar sendo vigiado continuava mas não havia mais barulhos Por um
momento parecia que tudo estava bem mas não estava sabíamos que o que quer que tivesse se manifestado naquela noite ainda estava por aí a espreita quando o padre veio à nossa casa no dia seguinte Ele trouxe um pequeno kit de exorcismo com orações e incensos ele fez uma oração em cada quarto rezando em voz baixa mas eu ainda sentia o peso no ar quando ele terminou me olhou com uma expressão de quem já havia visto muito mais do que Gostaria sei que é difícil de entender mas vocês precisam de paz essa casa não é boa
para ninguém tem algo aqui que não vai descansar eles são Almas Perdidas almas que não podem seguir em frente talvez essa casa tenha sido construída sobre um local sagrado ou talvez algum mal antigo tenha sido despertado nós fizemos o que ele pediu tentamos manter a calma mas a casa nunca mais foi a mesma as noites eram mais longas o medo Nunca mais nos deixou de verdade os Barulhos de batidas nas portas e janelas nunca mais voltaram mas o sentimento de que algo estava ali na escuridão continuou nos acompanhando e hoje anos depois eu ainda passo
por aquela casa de vez em quando quando olho para ela vejo as janelas trancadas as portas fechadas e sei que de alguma forma o que quer que tenha acontecido ainda está ali esperando aguardando o momento certo para voltar eu não sei se as almas que o Padre falou são Verdadeiras ou se tudo não passou de uma coincidência mas sei que o medo que eu senti naquela noite nunca mais me deixou esse relato aconteceu em uma sexta-feira santa há muitos anos numa vila distante bem no interior era uma daquelas regiões onde a noite cai como uma
capa escura sem luz alguma a não ser as estrelas e o silêncio é quase absoluto não há muita gente por ali e por isso a gente acaba se acostumando com o vazio e com as coisas que se Passam em nossa mente mas a história que eu vou contar não tem explicação racional tem como justificar o que vi nem como isso pode ter acontecido eu estava sozinho naquela noite a minha família como sempre fazíamos durante a quaresma tinha ido para a igreja às 9 da noite para rezar o terço eu por outro lado sempre fui um
pouco cético quanto a essas coisas então resolvi ficar em casa sozinho cuidando do nosso sítio a noite estava tranquila Como eu já falei o vento frio da noite de sexta-feira passava pelas árvores e o som das Folhas balançando fazia aquele barulho abafado que é comum na região Eu estava sentado na varanda vendo o movimento da estrada que passava distante as casas no vilarejo estavam praticamente todas apagadas o único som que vinha da casa era o estalar da Madeira velha que sempre se ouvia na aquelas noites mais frias era por volta de 11:30 e a Lua
Estava cheia brilhando forte no céu quando eu comecei a ouvir algo estranho vindo da Mata era um uivo não era um uivo comum comoos de um cachorro perdido ou de algum animal qualquer era algo profundo selvagem como se viesse de dentro da terra algo que gelou a minha espinha e me fez parar na cadeira a princípio pensei que fosse algum cachorro grande daqueles selvagens que rondam o mato à noite mas não era um som normal e isso me fez ficar alerta eu Levantei da cadeira e fui até a beira do terreno onde a mata começava
o som vinha de lá ao longe entre as árvores parcia que o uivo se misturava com o vento tornando-se ainda mais estranho e perturbador me dei conta de que o vento não estava mais soprando e só o uivo estava quebrando o silêncio da noite eu não sabia se ia ou se ficava mas o medo estava tomando conta de mim e Algo me dizia para ir até lá para ver o que Estava acontecendo eu decidi pegar uma lanterna e sair de casa Minha Curiosidade estava mais forte que o meu medo a mata parecia ainda mais escura
à medida que me afastava da luz da casa a lanterna iluminava somente o que estava bem na minha frente deixando o resto da floresta completamente em Sombras o cheiro de terra molhada misturado com o cheiro forte das plantas era baf e a única coisa que eu conseguia ouvir era o som da minha respiração e o uivo cada Vez mais próximo o caminho até o lugar de onde vinha o som não era longo mas me pareceu uma eternidade o silêncio da noite estava me engolindo e o uivo que antes parecia distante agora estava tão perto que
parecia estar ao meu lado meu corpo se arrepiava a cada passo que eu dava quando finalmente cheguei a um clareira na mata o que eu vi me fez quase perder a razão havia algo ali algo enorme eu olhei para a frente e lá estava ele um cão mas não um cão Qualquer era algo imenso maior que qualquer cachorro que eu já tinha visto ele estava parado no meio da clareira com os olhos fixos em mim e os olhos esses olhos vermelhos não eram vermelhos como os de um cachorro quando a luz bate nelas não eram
vermelhos como o fogo como se brilhassem de dentro para fora eles me encaravam fixamente eu tentei me mover tentei correr mas as pernas não respondiam estava tão paralisado pelo medo que mal conseguia Respirar o cão estava ali quieto mas sua presença era tão ameaçadora que eu sabia que algo muito errado estava acontecendo ele não se mexia mas eu podia sentir que ele estava me observando me avaliando como se soubesse exatamente o que eu estava pensando o uivo que eu havia escutado antes agora Parecia ter parado o silêncio tomou conta da clareira mas o peso daquilo
que estava ali com os olhos vermelhos parecia ser mais pesado do que qualquer Barulho que eu poderia ouvir a sensação de que eu não estava mais no controle da situação que não estava mais em um lugar seguro me fez começar a suar frio foi então que oão se moveu não foi uma corrida rápida mas um passo pesado como se cada movimento fosse calculado como se ele soubesse que eu não poderia fazer nada ele veio na minha direção mas de uma forma estranha como se flutuasse sobre o chão eu sentia o chão tremer a cada passo
dele e o medo que tomou conta De mim foi maior do que qualquer outro medo que eu já tinha sentido na vida a lanterna que Eu segurava piscou e se apagou e no mesmo momento em que a luz se foi os olhos vermelhos do cão brilharam mais intensamente eu fiquei completamente no escuro mas algo dentro de mim sabia que ele ainda estava lá que ele estava muito perto o cheiro que vinha dele era terrível como se fosse algo podre algo que não era natural eu se sentia um Arrepio profundo que vinha de dentro e algo
que fazia o meu corpo se contrair eu estava prestes a desmaiar de tanto medo mas não conseguia tirar os olhos dele era como se estivesse hipnotizado como se aquele cão tivesse algum tipo de poder sobre mim cada segundo parecia uma eternidade mas no fundo eu sabia que não podia ficar ali eu precisava sair dali minha mente estava gritando para que eu fugisse mas meu corpo não respondia o cão fez outro passo na minha direção e Nesse momento algo inesperado aconteceu Ele parou de repente como se tivesse ouvido algo como se tivesse sentido algo que o
fez hesitar seus olhos vermelhos brilharam uma última vez e foi nesse momento que ele sumiu não foi uma fuga apressada mas um desaparecer gradual como se fosse engolido pela escuridão da Mata eu fiquei ali no meio da clareira em estado de choque o medo estava tão forte que parecia que minha alma tinha sido retirada de mim o uivo que eu tinha Ouvido antes voltou a ser ouvido ao longe mas agora estava mais baixo mais distante Eu sabia que algo havia terminado mas ao mesmo tempo sabia que aquele encontro tinha mudado tudo eu não sabia o
que era aquele ser nem o que ele queria mas uma coisa eu sabia ele não era deste mundo eu não sei exatamente o que aconteceu naquela noite o que sei é que ao ver aquele cão desaparecer na escuridão da Mata algo dentro de mim quebrou o medo me paralisou tanto que eu Fiquei ali por um bom tempo sem conseguir me mover o uivo ainda ecoava longe mas a sensação de que ele não estava mais ali naquele exato momento fez com que um pouco do Peso se levantasse dos meus ombros depois do que parecia uma eternidade
consegui me mover com os pés Tremendo e o coração batendo descompassado comecei a correr de volta para casa eu não queria olhar para trás não queria dar uma última olhada naquelas árvores escuras onde o cão Havia desaparecido só queria chegar na minha casa e trancar as portas e principalmente esquecer aquilo tudo quando cheguei em casa tranquei todas as janelas as portas e até as pequenas frestas das paredes a noite ainda parecia muito silenciosa mas agora o silêncio me incomodava ele não era mais tranquilo não era mais a Quietude comum de uma noite de sexta-feira Santa
o silêncio estava carregado como se algo estivesse observando esperando até a Lua Lá fora parecia mais distante mais fria como se soubesse do que havia acontecido não consegui dormir aquela noite passei horas deitado na cama ouvindo o som da minha própria respiração e me lembrando dos olhos vermelhos lembro-me de sentir uma sensação de vazio no estômago como se aquela experiência se tivesse me deixado algo de mal algo que não me permitiria descansar a manhã Finalmente chegou mas não trouxe a paz que eu esperava o que Acontecera naquela noite não parecia ser algo de um pesadelo
não aquilo era real eu sabia que era real o medo ainda estava em mim o que quer que fosse aquele ser eu sabia que não havia sido uma coincidência e que não era algo que eu pudesse simplesmente esquecer nos dias seguintes a cidade estava tranquila mas algo tinha mudado em mim não conseguia olhar para a mata da mesma maneira cada vez que passava perto dela sentia aquele calafrio aquela sensação De estar sendo observado os outros da Vila Falavam sobre o que aconteceu naquela sexta-feira santa mas ninguém sabia realmente o que eu tinha visto eu não
falava sobre os olhos vermelhos nem sobre a criatura que havia me observado naquela noite o tempo foi passando mas sempre que olhava para o horizonte ou ouvia um uivo distante algo dentro de mim se apertava e o medo voltava à tona e mesmo assim eu sabia que não poderia Voltar lá Nunca mais alguns Dizem que o cão dos infernos é um espírito perdido um ser que vaga em busca de almas outros dizem que é uma entidade que aparece nas noites mais escuras quando o mal está mais forte eu nunca soube ao certo o que era
mas uma coisa é certa ele não era um simples cachorro e eu jamais vou esquecer aqueles olhos vermelhos se você gostou desses relatos não se esqueça de deixar seu like comentar o que achou e se inscrever no Canal para não perder nenhuma história Ah e se você assistiu até o final deixe um emoji de fantasma nos comentários assim eu saberei que você é um dos Corajosos que enfrentaram as histórias até o fim e se quiser fazer parte da nossa comunidade e ter acesso a benefícios exclusivos torne-se membro do canal