[Música] está começando mais preta com Adriana [Música] Couto pedindo licença aos que vieram antes tá no ar mais preta o podcast para você entrar na roda pra gente usar a música Brasileira de pretexto que pretexto hein música preta feita no Brasil para puxar conversas com personalidades negras que estão aqui para cruzar histórias e você tá convidado para entrar na roda com a gente vem nessa gira que a música brasileira leva a gente para muitos caminhos hoje eu tenho o prazer de receber aqui no mais preta uma cineasta brasileira que tá fazendo história Juliana Vicente e
a Juliana já chega com uma com uma novidade pra gente que é um filme premiado que entra em cartaz nos cinemas nessa em maio maio de 2024 eu não sei quando você tá vendo o nosso podcast mas diálogos com Rute de Souza dirigido por ela tá no cinemão e é importante que a gente possa acompanhar a história e a vida de uma das grandes atrizes brasileiras uma das grandes artistas brasileiras e a Juliana tem no currículo também o documentário sobre os Racionais MCs e o currículo é extenso a gente vai conversar sobre isso antes ela
tem que dar um oi para todo mundo não é não Ju bem-vinda obrigada muito obrigada pelo convite falar de música acho que é a melhor coisa é que se pode fazer Olha eu tô nessa hein eu tô nessa pelo menos entre as melhores coisas para fazer é falar sobre música Com certeza bom você mergulhou por exemplo eh eh na história dos Racionais teve que mergulhar também na música brasileira a gente vai falar um pouco sobre isso também e vai falar da sua trajetória que é uma trajetória de de de construção de direção que é que
é sua porque você teve que abrir espaço né você teve inclusive faz pouco tempo uma experiência em direção de novela também que também já já já traz você também para para para uma outra experiência para um outro lugar e eu quero começar falando um pouco por aí você vai pra televisão fazer novela na TV Globo direção em 2022 né foi ou 21 22 né foi 22 e você encontra uma TV com muita gente preta como é que é cara esse é uma é uma questão assim porque sim você encontra mais gente preta do que a
gente via antes mas ainda no na no lugar que eu tava que eu tava dirigindo ainda muito pouca gente né então assim Eu Tenho pensado sobre isso e falado sobre isso porque de certa maneira a gente avançou bastante em representatividade na frente da tela né E aí eu acho que a parte estrutural ainda da que é onde a gente precisa mexer que é quais são essas histórias que estão sendo contadas né então a gente tinha uma naela a gente tinha um núcleo né a gente tinha uma protagonista preta que era Bárbara Reis e tal mas
que de cara ela tinha tipo um romance com dois caras brancos enfim tinha várias questões né Eh desses desses relacionamentos que são sempre interraciais eh eu acho que ainda tem bastante questão sobretudo de estrutura de narrativa sabe e para mudar isso você precisa ter mais autores autores presos tem mais diretores você precisa ter uma estrutura que efetivamente tá atrás da câmera criando o que vai ser interpretado eh para dar mais profundidade também para essas coisas né claro você desde o início da carreira traz pra gente Esse questionamento essa reflexão do que é ser negro no
Brasil do que é ser negra no Brasil das complexidades da da nossa identidade o seu o curta que chega primeiro pra gente que é o seu primeiro corta né Fala inclusive D dessa das de uma menina negra que assiste a Xuxa e as Paquitas e sonha em ser paquita e não tem nenhum e e é uma menina negra e sofre né é a nossa é nossa primeira nosso primeiro embate com essa falta de representatividade eu assim eu acho que quando fiz uma faculdade de cinema inteira tentando entender onde é que estavam minhas referências ali né
que que daquelas conversas todas falavam comigo e muito pouca coisa falava comigo então quando eu fui fazer o meu primeiro exercício Eu já fui levei todo todo mundo no terreiro que eu ia então foi tipo naquela época né não tava essa essa enfim eu cresci falando de dentro quee dentro perto de terreiro e dentro de terreiro e naquela época a gente chamava de Lelê porque não podia falar que a gente estava indo no terreiro quando eu era criança isso não era naturalizado como é agora E como tá num outro momento eu vou fazer eu tenho
39 Olha aí S então então e nesse começar a entender que eu podia por coisas que falavam sobre a minha própria vida fez uma [ __ ] diferença que eu falei nossa agora de repente eu consigo construir uma coisa que eu não tô vendo entendeu então procurar esse espaço e aí enfim a preta porte nass dissse também né porque também é minha produtora preta porta filmes que é era a tentativa de olhar para para esse mercado e falar cara não vou ter espaço para fazer minhas coisas aqui eu tô vendo como os caras me tratam
e não era muito bom muito bom boa a maneira que eles me tratavam e eu fala cara eu não tenho shape para assistente de direção eh como que eu começo para onde eu vou e aí quando eu compreendi que a estrutura era muito mais complexa eu falei cara vou ter que montar minha produtora não tem eu não tenho outra opção a não ser ir pelo caminho de me aprender a me produzir né E aí isso foi importantíssimo para mim assim que é eu sou produtora dos meus filmes até hoje uau isso é muito legal bom
essa a introdução pra gente começar a nossa viagem musical eu queria que vocês entendessem mais a importância da Juliana dentro do mercado do audiovisual dentro dessa discussão sobre a representatividade sobre a representação e sobre contar as nossas histórias então estamos com uma uma pessoa aqui que conta muitas histórias do nosso povo e a música também conta muito as histórias do nosso povo e eu quero você pode começar você pode escolher a música inicial Você lembra das músicas que você escolheu nossa música inicial Me ajuda aí gii Ah não precisa também não é nada tão Ah
então vou começar com eu vou começar com algo que me deixou muito eh me remeteu a Minha Juventude vamos no Aché brasileiro porque é muito bom isso a gente sempre pede pro nosso convidado Nossa convidada trazer 10 músicas pretas brasileiras Juliana não conseguiu como muitas das pessoas ficam ali nervosas mas trouxe uma lista deliciosa e uma dessas músicas é uma música que você samba e que você também reflete e protesta é tudo junto gosto assim Deus é Brasileiro Terra Samba Que beleza Nossa então eu tenho uma relação com meu pai baiano né então eu já
tenho uma relação com a Bahia de de sempre assim então e aí a gente sempre eu sempre passei carnaval em salvador sempre sempre passei carnaval em salvador desde pequena assim era tipo vamos para Salvador passar esse carnaval então não eram todos mas a gente ia ia na adolescência aí realmente firmou né meus irmãos era assim ia chegando perto a gente já ia preparando o carro a gente ia várias vezes ia de carro para Salvador e aí era isso era essa experiência coletiva de vivenciar muito pequena assim meus pais também eram meio tranquilos nesse sentido então
a gente com 13 14 anos já ia pra galera lá e tal então para mim me marcou muito e aí essa experiência coletiva quando me atravessava com uma questão que me que conseguia falar comigo era uma coisa era formador alum em alguma maneira entendeu era nossa era isso era sambá era protestar era entender era compreender o Brasil que a gente tava vendo nesse trânsito também né nesse trânsito de circular Brasil minha família é uma família preta meu meu pai tem sete irmãos e eles são todos espalhados pelo Brasil então eles vieram todos de a história
é bem clássica assim brasileira vieram todos de pau de arara para São Paulo e aí depois daqui eles eles viraram empreendedores assim tem uma tem uma história bem específica até porque toda a família virou empreendedora E aí a partir disso eles se espalharam assim com negócios que são negócios Independentes mas cada um com com a sua com a sua com a sua história né foram buscar um espaço dentro desse um espaço dentro desse Brasil E aí Ali virava também um ponto de encontro sabe a gente tipo era encontrava todos os primos nesse lugar então tinha
uma coisa da memória afetiva da música para mim Eh eu tenho uma memória familiar assim de de desse momento de Total alegria assim sabe que bom e é bom a gente poder retornar à infância e e e e poder habitar esses momentos de de coletividade de alegria que a família preta traz pra gente e que a música preta traz pra gente né é eu me eu agora fazendo essa essa pesquisa aí quando você me pediu as músicas eu cheguei nesse disco do ao vivo no ao vivo no Rio de Janeiro do George Ben de 91
Uhum E aí cara eu ouvi ele eu falei Cara parecia que eu tava na sala da minha casa assim sabe tipo vem num sábado assim de casa muito alta ou no carro com a minha mãe então tipo um um um Estado de Espírito Mesmo que às vezes você até perde né porque é isso todo mundo adulto cada um com a sua família a gente se encontra muito menos meu irmão mora fora do Brasil o outro enfim e aí eu mandei no grupo da família é o w Brasil é ah que legal que vem dessa que
vem dessa música assim então era tipo uma música muito presente na minha Jorge era muito muito presente na minha família assim Jorge B Maia eles eram tipo ouvíamos o tempo todo e depois teve a fase quando eu tinha 14 anos eu era tipo meu crush da vida era de Javan Ah quem não quem não eu vou eu vou nessa eu achei super interessante você trazer W Brasil porque muita gente traz Jorge Ben tô aqui e recebendo muitos pretos e pretas é claro que os nossos a nossa Realeza vem sempre porque eles realmente constituem a gente
mas dessa fase do Jorge e nunca ninguém traz e eu adorei que eu falei não a gente também precisa reverenciar esse Jorge Ben do W Brasil Car que tin era uma coisa mais pop né sei lá era um negócio sei lá não sei é é uma volta dele sabe depois de um tempo sem gravar de um ocaso não sei o que aí ele volta apaixonada por esse disco meu porque esse disco esse disco é o disco da minha da minha infância mesmo assim e aí no meu meu colégio também Colégio engraçado que meu colégio tinha
uma C casa de shows do lado bom vai Vinhedo né de a casa de shows do lado e aí em determinado momento eu lembro de ter ido e ter conhecido George Ben e tal e enfim ter ter tido essa experiência de de algum grau de troca ali assim mas muito jovenzinha assim sim é uma família de muito irmãos e você tem e essa família era uma família que discutia racismo discutia essas questões não não não não nós somos em quatro irmãos eh eu sou a terceira dos quatro e aí é isso aí acho que é
um pouco parte da minha pesquisa assim que eu eu penso muito sobre isso porque minha família não foi uma família que discutia racialidade mas eu eu brinco e falo e Tô investigando que eu acho que eu fui a portadora da ma notícia entendeu porque tinha uma uma coisa de ser uma família que era periférica eh que foi para Campinas e a gente vivia Ainda num numa periferia de Campinas e depois Em algum momento eh empreendendo meus pais começam a prosperar ali economicamente e a gente muda para dentro de um condomínio fechado em Vinhedo numa cidade
super parece Suíça E aí a parada chega pra gente de um jeito muito radical E aí eu eu entendo que essa construção por exemplo dos meus pais eu acho que tinha uma coisa de você imaginar que essa prosperar era também te tirar desse lugar de sofrer racismo e tal que era um pouco do que se vendia no Brasil né Uhum E aí eu muito pequena eu comecei a a a a a sofrer ataques racistas então eu chegava em casa quebrada e aí eu tenho essa eu tenho essa memória assim de uma mudança inclusive porque é
isso foi esse momento de eu confrontar os meus pais falando sim eu estou sofrendo racismo eles não reage e tal mas eles não iam para me proteger era tipo se vira entendeu Tipo isso aqui a gente não vai lidar com isso você tá tudo não vamos lidar com isso e não acho que por maldade nem nada era só uma não entender e talvez uma inabilidade mesmo de lidar com talvez a pior notícia que eles estavam recebendo naquele momento que eles falaram meu deu tudo certo a gente prosperou botando nossos filhos num super colégio e agora
vamos vamos viver legal E aí de repente chega eu muito quebrada por causa disso né E aí eu tive que aprender a lidar com isso sozinha e isso foi uma questão é uma questão né então acho que a partir do meu trabalho eh essas questões todas foram postas na mesa de uma forma radical né é você você realmente mergulhou nessa investigação se a gente pensar não toda a sua trajetória mas Pando mais alguns elementos até bom essa série que é super super importante afronta que a gente tem contato com pessoas negras as suas trajetórias e
também a partir de uma linguagem que você cria e experimenta também é né também faz parte dessa investigação de entender essas negritudes brasileiras assim no plural Então acho que também tem tem a ver com com essa reflexão que eu faço tô fazendo um longo agora sobre isso né que é a continuação do cores e botas que é essa família que tá nesse ambiente que é um ambiente de condomínio e etc e tentando não duelar com isso mas isso vindo agudamente Porque justamente você é o estrangeiro dentro daquele daquele ambiente né e sem nenhum tipo de
letramento e sem encontrar muitos pares né então que te dá um sentido de isolamento enorme você tá falando de uma ficção é isso que você tá Uau que ótimo então o que eu tô falando é assim que o que eu minha reflexão é por exemplo meus pais que eles foram criados na peria eles têm muito muito certo para onde voltar quando eles se sentem perdidos e a gente tem uma identidade muito partida eu acho então para mim o o a busca do meu trabalho tem a ver com reconstituição da minha própria identidade e encontrar minha
raiz porque dessa maneira trocando com os meus pares eu vou reconstituindo uma coisa que me faz sentido que me dá tonus que me dá pé no chão que me dá sabe a encontrar com a rut a encontrar com Racionais A encontrar com essa galera do afronta que são contemporâneos meus e muitos com histórias parecidas e tal que foram coisas que me não existiu para mim durante um longo tempo da minha vida e aí ess a produção do efeito disso que é essa essa é uma discussão que me interessa muito que é ascensão do preto no
Brasil qual o efeito que isso provoca se ele acontece em isolamento né Uhum uhum então Eh para mim o retorno a busca de entender e me reconectar com a minha raiz que tem atravessamento espiritual por exemplo se tem uma coisa que a minha família nunca perdeu foi um atravessamento espiritual eh de matriz africana é isso dá uma base Dá Um fundamento importante né examente então e a música também sempre fez fez esse papel sabe foi sempre foi um lugar da gente se apoiar e se entender como preto Independente de falar sobre isso essa música era
nossa sempre foi Nossa sempre nos pertenceu e isso era um lugar onde o conflito vinha eu falava meu você só escuta a gente cala a [Risadas] boca Que ótimo você falou que na sua casa vocês ouviam muito o Tim Maia e aqui você colocou primeiro eu amo você é lindo é lindo né é lindo e é de era era de cantar alto em casa essa eu amo você era de cantar alto he Que delícia Que delícia então Tim era também tocava todo o tempo assim é e você colocou bom senso também é que era e
esse Na verdade acho que essa música talvez eu lembro menos dessa dessa situação família mas acho que foi um momento também de de ah sei lá quando você tá entendendo sua liberdade sei lá tem um tem um tem tem um gruve ali que você você fala agora eu vou Entendeu agora esse mundo é meu vou embora assim Acho que tem uma coisa do do do próprio ah da Musicalidade mesmo né que te leva para um lugar onde você quer experimentar coisas e as e você deixa de ter tanto limite e enfim é a música vai
marcando esses esses momentos né você tava dizendo que o de Javan foi o seu primeiro Crush Nossa e é por isso que você colocou tipo só músicas assim de amor aqui do Apesar que ele tem a maior parte da da das músicas dele a gente pode dizer que ele fala sobre isso amor puro que é até de um disco ao vivo do Djavan de 90 eu pus aqui cadê ah 99 e era um disco de é uma coletânea mas tinha duas músicas inéditas e uma delas era amor puro e é bem bonita essa música é
muito linda é muito linda é então você tá nessa idade né 1400 eu ia tanto no show do DI que ele já sabia quem eu era entendeu E já dava paleta assim eu ia muito todas as oportunidades que eu tinha eu ia E aí tinha essa coisa de tipo falar cara eu quero ir eu quero ir tava sempre ali f e enfim eu fui muito engraçado né porque era essa época por exemplo que meus irmãos estavam vindo sobrevivendo no inferno entendeu Entendi agora para mim faz todo sentido todas as suas histórias aqui as coisas vão
fazendo sentido mas você não ouvia eu achava a música deles essas músicas são deles eu tava numa época que eu tava ouvindo muito eu era eu tava nessa vibe dejvan Bob Marley sempre uma coisa mais mais love love love ó do d Javan você também pôs avião ja foi pra minha trilha sempre assim sempre você já falou isso para ele eu não não sei acho que ele tá meio cansado de ouvir isso de não falar porque você já encontrou com ele né então não eu encontrei nessa fase depois nunca mais encontrei o di Javan Olha
então isso aí é uma eu até pergunto Sempre falei quem tá fazendo esse filme do Javan sempre pergunto para alguém que eu sei que conhece falei quem tá fazendo esse filme aí né Poderia bem fazer ess esse filme Você tem contato então com os Racionais MCs a partir da da sua família também dos seus irmãos da minha família dos meus irmãos que eles ouviam e a gente fazia uma disputa assim eles eles ligavam o Brown cantando bem alto e eu ligava o Bob Marley cantando do outro lado pô mas é uma boa disputa era uma
super disputa assim que legal você escolheu aqui um um um o clássico clássico nego drama eh e o nego drama é essa voz a maior parte também das das músicas do Brau ele tá falando em primeira pessoa do o Ed Rock o é bom o rap é isso né você falar o seu discurso Uhum mas é forte quando Ed Rock e né e e o manu braal tipo se assumem como neg drama Isso mudou a vida de muita gente muita gente é essa música é uma música que dá um tonos né Você tá indo para
uma batalha qualquer você tipo você ouve você vai ficando forte assim se falar não tudo bem pode ver o que for vamos lá tipo tô pronta sabe important então durante muito tempo eu ia tem um qualquer coisa assim que eu tinha que eu achava que que eu precisava est muito inteira em mim eu tipo ouvindo muito alto assim até chegar no lugar e aí tudo bem Tô pronto vamos lá qualquer tipo de de questão assim não sei também atravessa tem a letra obviamente mas também acho que tem uma coisa do bit mesmo de como isso
é construído que é vai te dando tonos né vai te dando força assim isso é impressionante assim na construção do documentário eu tipo o BR esteve em muitos lugares eu falava Cara isso aí é pro final não tem como entendeu não não tem como aí toda hora eu falava não não tem a força que tem não não não tem chegar para lá não tá não não não não tá com a força que tem aí então eu fui tentando construir esse lugar porque também acho que Versa ainda sobre essa mesma questão que a gente tá falando
também que que lugar que essa questão da da Ascensão que faz parte da minha discussão e tinha um lugar que a minha discussão pessoal atravessava esse lugar né que eu uma vez eu botei meu pai para ouvir de fone assim que ele nunca tinha escutado só ouvido assim mas nunca tinha E aí eu só via ver dele subindo assim sabe ele falou nossa dá vontade de sair sabe E aí eu achei foi muito foi muito legal assim ver isso e entender como isso era isso de alguma maneira eu entendi que que se conectava muito com
a nossa própria história assim e ser cineasta e ser diretor é isso né você tá fazendo um filme sobre eles mas você tem uma ideia você tem uma investigação tem que ter uma algo que te atravesse e para você fazer a história dos Racionais que é uma história tão grande e conseguir fazer com que você conseguisse também ter a sua voz eh demorou para você encontrar esse lugar Nossa muito acho que a gente teve uma primeira versão do filme que era muito legal também mas que ela tinha isso ela tinha menos atravessamentos poéticos assim que
eu acho que no final a gente conseguiu construir assim porque em algum lugar eu tinha uma coisa que eu sentia de conviver com Racionais e e Muitos shows e tá E ver como aquilo batia nas pessoas que eu falava cara tem um um atravessamento espiritual enorme É uma gira meu o o show é uma Gira né um processo de cura assim enorme e aí eh isso eu queria que isso tivesse em de alguma maneira a pessoa assistisse sentisse se sentisse tivesse essa possibilidade de ter essa sensação também através do filme né que era um desafio
porque [ __ ] difícil para caramba você tentar espelhar alguma coisa do que é o Racionais dentro de outra outra linguagem né Eh Enfim no final eu fiquei feliz assim como que as pessoas sentiram o filme sabe ficar tipo com o corpo com filme no corpo assim querer tipo é isso né você a gente fica fic buscando isso né como é que mesmo fazendo porque música Entra no corpo né E aí às vezes é isso como é que você não deixa coisa engessar tanto no na no audiovisual que a imagem ela te distancie D sensação
sabe não sei se tô não sei sabe que como que também a gente a gente pensa os som os atravessamentos de som o momento porque é isso né No final a gente também Tenho pensado sobre isso quanto mais a gente conseguir produzir imagens de cura né vamos produzir imagens de cura de de de um desejo de uma transformação mesmo genuína né histórias que inspiram né então é isso é eh pensando nessa dimensão de cura na eu olho pra sua lista e penso no Nana Vasconcelos por exemplo uhum sou do bem Cara essa música Ela foi
uma música que ela me acompanhou ali num num mais ou menos 2016 foi muito quando eu quando eu me conectei com essa galera do afronta veio meio nesse momento Foi um momento meio mágico para mim assim um encontro eu lembro que eu conheci tipo sei lá como vamos dizer o primeiro lugar que eu fui que eu que eu encontrei essa galera foi no afrr transcendência que era o evento que a Diane fazia você lembra no Red Bull Station E aí e aquilo a ele foi incrível tipo Benjamim Abras fazendo tipo me ele fazia uma coisa
de movimento de corpo e tal e aí eu falei nossa caramba estamos aqui e aí essa música de alguma maneira ela veio daí eu ouvi com alguém ali e aí isso E aí me marcou nesse nesse lugar assim bem coletivo assim sabe de um fortalecimento coletivo Sabe sim o afronta essa e esse retrato dessa geração que que é pé na porta Acho que sim mas aí esses dias a gente fez a gente mostrou um videozinho da rut e a gente até colocou no formato do afronta porque ela é uma afrontosa ancestral assim sabe uma mega
afrontosa eu acho que acho que sim eu acho que lá ela talvez fosse uma frontosa mais isolada né a gente operando com coletivo Acho que sim e é é isso assim para mim foi foi muito importante né E tinha muita gente de música também né na no afronta Shenia linicker tácia Inclusive a Taia a Trace que não não cantavam ainda olha é verdade nessa época Elas Não elas estavam mais ligadas à moda é eu lembro que ela elas falaram assim ah você vai perguntar profissão se você for perguntar isso a gente não sabe aí eu
achei meio maravilhoso Aí elas começaram a falando assim a gente é digital influencer sem internet tipo E a entrevista é maravilhosa assim com elas eu eu sou apaixonada assim pelo trabalho delas e elas é isso voaram né E você também tem ó eh lembrei também da direção que você fez de uma temporada do espelho do Lázaro Ramos que também foi essa possibilidade né de ouvir mais gente preta mais é isso tudo isso vai deixando você é muito dentro da sua do seu caminho é isso sabe hoje em dia eu reparo eu falo Nossa realmente é
é é muito legal a tem eu tenho convivido com essa geração preta contemporânea de muitas idades inclusive Diferentes né e tendo essa possibilidade de trocar com essas pessoas a gente tá fazendo agora uma série de música preta Olha aí agora exatamente agora estamos fazendo duas temporadas pro PR PR pro Canal m show e Bis que demais e e temamos assim Vamos entrevistar o Bira Presidente entendeu Fundo de Quintal é só é só só hits por isso foi mais difícil ainda para eu escolher porque eu tô num momento onde tipo a gente tá atravessando ritmos a
gente começa no fundo de quintal e vai até o Trap então Eh tava mais difícil porque eu já eu fiz esse trabalho recentemente de ficar ouvindo os nossos né são muitos muitos ritmos muitas ramificações muitas possibilidades sonoras E durante tanto tempo tipo os nossos artistas tiveram que é tá sei lá colocados numa caixinha né sendo que eles são tão inovadores né É muita diversidade né muita diversidade a gente tem na lista aqui essa diversidade toda e já que a gente falou de samba eu vou puxar um clássico do Cartola autonomia que você colocou aqui por
isso a galera me chama de jil drama é por isso depois reclama no eu olhei a lista eu falei nossa como eu sou dramática meu Deus do céu é muito drama para pessoa só muito romance e muito drama aí todo mundo Olha resolvendo me fitas too fala não Nossa fens acionais deve ser tiro porrada de bomba falá Não meu mep amor ah se eu tivesse autonomia Que lindo né é muito lindo é muito lindo é muito lindo e você tem razão mesmo a sua lista tá muito do amor né é que legal vou aqui as
dores do mundo essa música essa música é e Nossa hildon é isso né você se apaixona e fica ouvindo em loop mas só fluindo assim na paixão ouvindo a mesma música p p p a gente se ressente muito da de de tantos talentos negros de repente perderem espaço né É É e você que tá pesquisando sobre isso é algo muito impressionante né como há alguém que chega que vira a chave que coloca a música em outro patamar depois totalmente esquecido ou não tem o reconhecimento que merecia né exatamente na música brasileira eu acho que você
deve estar percebendo isso na sua pesquisa também né além da da cura né imag Caciano meu cara como a gente não sabe né isso eu tenho curiosidade de saber assim sei lá nesse tempo todo que a Ivete cantou coleção se nesses Mega shows se em algum momento ela falou que essa música Era do Cassiano eu não sei é só uma Pergunta assim entendi porque é um papel enorme né que pode ter uma força enorme falar né contar éa o compositor dessa música é esse cara que tem um trabalho maior né sim tem essa responsabilidade né
tipo do legado talvez a gente tem que ter essa responsabilidade do legado exatamente então assim é isso assim quando você vai vendo os compositores né você vê tem muita gente importante que a gente nem sabe que as músicas são deles cantado por um monte de gente Branca por exemplo hinos né muitos que a gente não sabe que que foi foram feitos por pessoas pretas que tem seus trabalhos que são maravilhosos mas talvez não não bombaram tanto quanto essa galera bombou porque tava na boca deles né então seria né uma oportunidade de vocês podiam fazer um
programa com isso vamos tá anotando Tô anotando algumas coisas que você tá falando minha cabeça que Tá acendendo Esse é bem interessante na sua aqui nessa essa lista para inspirar a gente tem a Ludmila do Maldivas e eu pensei nela nesse momento porque é uma artista grande preta que é que tá fazendo algumas fusões muito interessantes então quando ela começa a cantar pagode Eu também gosto porque eu acho que também é você trazer um pouco da tua casa né do teu teu teu Barro teu ambiente assim você trazendo você traz esse molho aí de de
sei lá de memória afetiva parece também né nesse lugar é é então e aí isso fica sentido né é isso no Maná bombando bombando então quando eu vejo a Ludmila e outras e outros artistas eh olhando pra cultura periférica e dizendo Olha isso aqui me constitui e é muito legal é isso é é é muito bom de ver é muito grande de ver E aí dessa geração você também traz linic eu e os caramelos é o primeiro disco dela esse né é o primeiro disco del Ach é sem nome mas com endereço gostei também que
você trouxe uma lin que ninguém traz Eu amo meu Porque isso assim né é eu tenho uma amiga Carla que ela fala que minhas músicas são meio feeling adolescente mas não que de forma nenhuma Ach essa música uma música de adolescente mas ela é encantamento de amor né esse momento o brilho né desse momento não a lini é uma é é uma jovem composit quando ela compos é uma jovem também uma forma muito mais né mas eu acho maravilhoso bom eu sou apaixonada pela Line tudo que ela faz assim acho das nossas artistas tem muita
gente incrível assim mas é uma das minhas preferidas assim no no que ela tá construindo que ela é também de pessoa e tudo mais né acho que é um um conjunto da obra conjunto da obra eh já que a gente tá falando dessas nossas referências que antes eram renegadas vou voltar pra Bahia com Mimar Você é então tá vendo vai tudo para esse lugar né que é tudo uma idealização né eu tenho Vênus em libra você explica Juli eu tenho Vênus em libra Então as cois é maravilhoso e TIM balada essa é é uma música
do da do terceiro álbum da da TIM balada uhum Tim balada já tinha feito muito sucesso em dois álbuns anteriores um grupo pop brasileiro né incrível né incrível né sim não e aí essa Essa época né da música baiana ela foi tipo araqueto ó falei meu não tem um araqueto aqui não tô acreditando tudo bem Você trouxe o Terra Sama agora tinha embalada tem um Olodum aqui deusa deusa do amor deusa do amor também é então esse Universo de de conseguir também é isso né Didi acho que tem um momento que assim por exemplo eu
falo de muitas questões políticas e tal então tipo meu momento e particular CL é muito Onde eu acesso minhas meus desejos mais íntimos as coisas que eu acho mais importante efetivamente sabe então eh é isso por exemplo eu gosto de rap mas não é a música que eu mais escuto porque eu é isso acho que o meu trabalho já tem muito rap no meu trabalho sabe já tem muito essa essa energia do Rap ela tá muito presente no meu trabalho mesmo sendo outra linguagem eu entendo que que essa então eu acho que esse esse outro
outro do universo assim da música para mim sempre foi eu eu cantava né eu então eu fiquei um tempo cantando e tal e era muito nesse lugar cantava de Javan para caramba cantava enfim eh muito nesse lugar hiper romântico assim talvez né E então é Onde eu acesso outras coisas outras fragilidades assim né porque no cinema também tem uma coisa né eu ele é outro tempo de das coisas acontecerem e tal e tem um lado do Business muito pesado do do cinema para além do que você tá fazendo então é isso Você tem momentos que
você consegue emergir no que que tá sendo dito a partir do do seu Heart total e tem um outro momento que você tá resolvendo coisas não que a música não tenha isso também Talvez eu tenha um olhar mais romântico pra música sabe pode ser ou você ou você é através dela que você acessa algo algum sentimento ali que você precisa acessar mas que só chega à tona através dessa dessa isso eu acho que me me me bota me joga para um lugar mais sensível e quase sempre então por exemplo essas essas imagens que você tava
comentando do do meu filme do diálogos com rut de Souza que são imagens mais poéticas ela veio através de uma música da Virginia Rodrigues Então a partir de ouvir a música a música Me jogou para esse universo é parte com rut de Souza que ela tá declamando o poema para ser lama é preciso ser é é isso Ah então quando quando essa música chegou para mim eu ouvi e me deu uma sensação por dentro assim ouvindo da música E Aí eu dormi e aí eu fui para esse lugar imagético né não foi um processo fácil
para mim fazer o filme da rut não foi como você não é ai que delícia tô indo lá não tinha dia que era bem difícil assim porque tinha um Fronte de você se olhar também e se olhar na complexidade na beleza e na dureza também do que você tá enxergando sabe você quer ser artista não tem artista Preto vai ter Quase Um século de talento uma dama do pau mais de 30 filmes uma novela A primeira atriz negra a construir uma carreira no cinema no teatro e na televisão começaram as atrizes brancas reclamar que meu
nome estava na frente ficou marcado que a atriz Negra tem que fazer esse tipo de papel e eu vivo sempre lutando com atra ISO eh então Tinha alguns Alguns Momentos não era para mim muito fácil não assim ela me ligar falar cadê você não eu vou aí eu vou aí então tinha um momento que era difícil internamente mesmo que você fala tem que pegar uma energia ali para eu porque é isso né tipo ela também tava no começo com muitos atravessamentos de solidão ela tava falando sobre isso e não falando sobre isso sabe mas não
quero falar sobre isso mas ela tava falando sobre isso então é isso né a ru tinha uma coisa que ela tava com alguma questão no olho dela que na verdade mas aqui simbolicamente era muito eh muito impactante que era o olho dela ficava chorando no final da vida o olho ficava chorando sozinho assim e ela até fala isso né não não tô chorando né meu olho que chora sozinho é E aí tipo cara ISS aí me atravessava num lugar que eu falava meu Deus meu Deus sabe e ao mesmo tempo é isso a gente tá
falando sobre é a gente olha o tempo inteiro para esse lugar né de que que Como estão as nossas mulheres pretas sim sendo amadas cuidadas eh e aí era muito difícil sim sabe olhar para ela ali e é uma força muito grande mas o que eu gostei muito gostei de muit os aspectos mas você colocou a Rute como dona da história dela é isso a única pessoa que fala dela no filme é o grande hotelo é isso é Eu até queria saber porque é só o grande hotelo porque é assim eu queria é que ali
tinha uma relação que eu entendia que para ela era importante ele falar sobre ela sabe que era essa relação deles ficar marcada na na história deles porque realmente foram amigos e uma dupla e uma relação com a mãe dela que que ele tinha e tal uma relação de cuidado mú de duas pessoas muito amigas assim então Eh e também era isso talvez de um lugar que ela falou de uma relação de sensibilidade para ela de afeto para mim me chamava atenção do jeito que ela falava afetivamente do hotelo mais do que ela falava das outras
pessoas um pouco mais afetivo fraternal mesmo sabe de um lugar muito admirado e e e consonantes ali muito forte para mim mas mas ao mesmo tempo tinha esse lugar de tipo eu não queria trazer outras vozes eu até entrevistei na verdade entrevistei um monte de gente inclusive conversando com ela eu tenho esse material Tenho material do Pitanga conversando com ela A Lea conversando com ela o Lázaro conversando com ela e depois no final eu fiz uma opção mesmo de falar não calma aí esse é o momento dela falar sabe acho que é isso ela tá
com 98 anos e eu e a escolha que eu posso fazer agora é a gente escutar tudo que ela tem para falar em algum outro momento a gente pode ouvir o que as pessoas TM para falar com ela sobre ela ela enfim o material tá aí enfim isso pode ser feito inclusive até hoje a gente pode fazer e entrevistar pessoas enquanto eu tava lá na Globo eu perguntava pras pessoas quando eu conheci algum ator mais velho você trabalho com a Rute não sei o que e aí como era almoçava continuando fazendo documentário na minha cabeça
sabe sabendo Não para né querendo saber mais coisas assim então eu postei esses dias aí a Glória Pires me escreveu ela falou Ai eu a Rute foi uma grande referência para mim aí eu fiquei curiosa que lugar né não consegui ainda encontrar com ela para perguntar mas eu quero saber porque é muito é isso é é um trabalho eterno mas esse momento era um momento especial que ela podia falar sobre ela que ela tava ela tava viva gente fazend documentário de gente viva é uma uma coisa né porque é uma oportunidade também de você falar
não aqui a pessoa vocaliza sua própria história depois a gente vê o resto né e mas J uma medida eu senti essa necessidade de trazer outros elementos né a gente tem naná também na trilha do do do filme Sim né tem é tem outros elementos tem um pouco de tem uma Xênia também né E aí você coloca o Candomblé no filme Coloca essa mitologia africana lado a lado na trajetória da rut e e apresenta pra gente algumas questões cruciais da vivência de um corpo negro aqui no Brasil né É então até a ideia até foi
assim tipo ah não não vamos deixar nada assim tão marcado religioso é mais mitológico mesmo sabe você não necessariamente PR saber que orixá que é aquele ou para você entender a história então Eh o silêncio também o silêncio chegou né porque algum momento loucamente eu achava que aquilo ali porque a rut ia fazer na verdade a rut faria o o Parte dessas cenas ficcionais mas aí foi justamente quando ela foi pro hospital e ela faleceu então a gente estava prestes a filmar Ah é tipo um dia antes ela viu o teaser do filme de antes
de ir para hospital então foi tipo ela ela ficou no hospital o tempo inteiro falando eh eu eu nunca falhei nenhum contrato ela falava PR os médicos eu nunca falhei nenhum contrato vou falhar logo no meu ela tava E aí ela perguntava para mim o tempo todo tem material para montar o filme tem material falei tem Rute a gente tá muito tempo te filmando tô 10 anos Te Filmando Isso é só mais uma coisa entendeu mas assim tô 10 anos Te Filmando assim tem muito material para montar o filme mas era foi foi bem impactante
pra gente a gente também tava com certeza que ela ia voltar e beleza e que ia ficar tudo bem e não ficou né assim quer dizer tipo ela ela faleceu assim mas ela parecia que ela tava o tempo inteiro Também esperando entender se tinha material se não tinha muito preocupada com a memória dela né Eu já achava ela uma grande artista brasileira mas depois que eu vi o documentário eu acho eu tive certeza que ela era uma mulher extraordinária é ela viveu Coisas extraordinárias que seriam extraordinárias hoje imagina na época dela Exatamente é impressionante né
É E aí e é isso também e para mim me chocava um pouco Porque conforme eu fui descobrindo essa história eu fui entendendo que também as pessoas não sabiam dessa história não era só eu que tava perdida no calaari tinha mais gente perdido no calá que não tinha a menor ideia dessa história da Rute que eu tinha ido pros Estados Unidos que eu tinha ganhado uma bolsa que tinha não sei que que tinha Sabe concorrido ao leão de ouro que tinha tinha uma série de histórias ali muito fundas pro Teatro Experimental do Negro por exemplo
n e assim fundamental como uma criadora como uma diretora como uma idealizadora uma produtora não é exatamente é totalmente aí você vai entendendo isso né tanto que ela reivindica para ela né você fala e aí esse esse lugar foi legal de chegar com a rut sabe porque é isso no começo ela tinha uma coisa de Ah minha carreira correta e tal que eu ficava meu que correta Como assim que correta não tem como sem altos e baixos eu sem altos e baixos pera aí tipo aí eu fiz uma timeline cheia de alto e baixo sabe
is vamos conversar melhor sobre isso assim que processo agora você é dos processos longos né Eu sou né eu fui fazer uma novela morrendo de medo eu falei meu eu demoro 10 anos para fazer um filme vocês estão querendo que eu faça uma novela assim mas são esses filmes A V dando sustentação né e a gente fica atrás de você perguntando o tempo todo e aí quando vai ser e quando vai ser quando vai ser o jornalista perguntando mais Racionais também demorou um tempo demorou mais ou menos a mesmo tempo foi quase concomitante tudo assim
também também era isso gente para entender tudo isso tem que entender essas pessoas é porque poxa tem que ter empatia comigo você você tem que entender esses caras entendeu a gente tá falando de ru a gente tá falando de Racionais meu como é não é simples não é simples não é chegar lá põe a câmera beleza foi é isso de culpa aí bele não é isso é você PR entender aqu entender essa Essência como é que essa Essência se se traduz entendeu Entendi tipo eu fiquei muito feliz assim quando chegar nessas imagens do rut assim
porque eu falei realmente o filme da rut tinha que ser um filme de cinema mesmo que é um filme legal de ver em cinema né porque tem Unos pões e tem coisas de sensação e tal e a rut é uma mulher do cinema ela óbvio que esse documentar não é um documentário desenhado para streaming ele é um desenhado para cinema ele pode ser visto no streaming mas ele era ele precisava mesmo ser pensado PR para cinema mesmo com as limitações todas que a gente tinha de espaço e tal né Essa mulher e que nos anos
50 já tinha sido indicada para pro pro leão de de ouro em Veneza e que faz uma residência artística em Nova York acho que ela ela conseguiu entendeu eu entendo assim ela conseguiu assim a gente pensa nela como uma pessoa que tudo isso que aconteceu e é isso ela a memória dela o legado dela é indiscutível assim eu acho que isso é um grande feito né entendi com tantas formas possíveis de apagamento né e é por isso tem tanta dor né também é que ela tem de esconder um pouco né Tent esconder eu acho que
ela Tent esconder eu t todas nós tentamos eu acho que no final das contas é por isso que o o filme me emocionou tanto porque em muitos momentos você é confrontada com essas dores e com esse lugar eh vou voltar pra lista tinha até esquecido dela já mas vou voltar com outra mulher brasileira que dá nome que ajuda a gente Alcione não ah Alcione bom é bom porque no final das contas a lista ela vai se embrenhando na nossa conversa não tem jeito falando dessa força feminina nessa mulher que chega acione tá aqui você me
vira a cabeça porque nós já sabemos que Juliana Vicente gosta você me vira a cabeça diz aí Ju é isso né esses amores complexos que a gente tem né Que beleza e Alcione hein Alcione é amor complexo é bem amor complexo eu gosto dela profundo e complexo tem um amor bem complexo na nossa vida também que é a maternidade né Uhum eh você tem uma filha de 2 anos eu o que eu acho interessante em tudo isso eu queria fazer essa ligação é que no documentário dos Racionais você traz pra gente a vida deles a
história a importância deles mas tem essa perspectiva das Mães dentro da vida desses uhum meninos e depois astros da gente da música uh e também da presença da mulher e da mãe na periferia paraa construção dessas histórias uhum para que eles estivessem aqui né então Eh como agora a mãe também eu queria que você falasse dessa escolha e colocar luz nessa nessa dimensão importante então é de percepção mesmo sabe você vai conversando entendendo as histórias e aí você fala nossa meu a mãe desses caras são as as minas da história são essas mulheres então pera
aí vamos entender da onde que isso tudo vem e que todo mundo acha incrível e tal e aí mas essa raiz ela era para mim ficou muito latente Eu também enfim eu montei o filme grávida né eu tipo eu filmei grávida eu montei o filme com a Amora tinha acabado de nascer eu tava montando filme Então para mim também essa relação tava muito latente ali tipo Eles conviveram comigo com bebê montando o tempo inteiro eu lavei aí pegava a Mora eu lembro o Blue com aora aí tip petinha não sei que tal tipo assim que
também era engraçado porque me apresentava outras camadas deles assim tipo num contato com um bebê né e enfim quando eu achava que eu conhecia tudo vinha mais uma nova camada que era BL Então para mim foi isso foi foi foi entendendo a importância dessas mulheres aí que estavam em volta né Elan Meire também que era que que enfim que tin tiveram papéis fundamentais ali no nessa construção e tal e que sofrem com esse com apagamento né ah são são Geniais são Geniais Mas e aí as outras histórias que estão né circulando em volta é isso
dava para fazer um outro documentário só na Perspectiva delas e qual é a perspectiva delas assim pensando assim meu elas são a contenção da coisa toda né é muito não só sua contenção é proposição mesmo eu lembro quando eu conheci o Racionais por exemplo a gente queria tipo um canal do YouTube para estrear O Mariguela não tinha meu Como assim não tem aí a gente estreou no nosso canal Tipo tinha uma coisa aí quando a Elane logo na sequência Elane entrou Elane entrou organizando as redes sociais dos caras não sei que e tal então tipo
eu vi isso eu fui testemunha eu vi isso acontecendo entendeu Entendi tipo a potência musical tudo tá tá tudo tava lá mas teve um trabalho de organização ali que foi muito fundamental E aí foi um foi um salto para eles né Foi um salto que inclusive na primeiraa versão do filme A gente até falava mais sobre esse salto só que quando a gente foi realmente fechar o filme aquela discussão já tava meio superado racional já tava cantando em casas grandes já tava então assim podia dar espaço para outras discussões mais permanentes sabe mais mais a
longo prazo do que aquela questão que tava ali ão naquele naquela primeira versão do filme assim mas é isso eu para mim eu vi sabe o dia que eu descobri que a Meira existia meu era foi maravilhoso porque tipo ah fechei com o brau Mariguela beleza aí tipo a tip falava brau tal dia tal e aí falou tiha falar com ele para ele me pagar né meu eu ficava [ __ ] que pariu como que eu vou falar isso ligar para ele para avisar que aí ele tipo um dia assim sei lá depois de dois
meses ele então tem a Meire eu falei nossa obrigada senhor a [Risadas] Meire e aí a mey é maravilhosa assim sou dem parceira assim sabe B essa ligação com eles eu achei interessante essa história de você e vendo mais camadas né e o filme A gente já você você desvenda algumas dessas camadas mas que eles têm uma imagem tão forte e o rap tem uma imagem dessa de uma masculinidade por vezes bem tóxica mas esse E e essa e essa braveza né E essa cara fechada diante do mundo né e de alguma forma você consegue
também mostrar out Então teve aquele dia que foi um dia maravilhoso quem quem viveu quem viveu viveu que foi o dia daquele Samba na beira da Represa assim porque foi tipo um dia que a gente filmou o o pessoal do o os primos né o di e a galera lá que era do terreiro do seu Isaac Uhum Então e a gente eles não perguntavam muito o que que ia acontecer a gente só falava meu vai vem de branco vai não sei que eles não perguntavam o que que ia acontecer é uma cena do filme que
vocês não sabem vão lá ver é uma uma parte que eles estavam na beira da R é eles não perguntavam muito assim eles sabiam a locação e não perguntavam muito o que que ia rolar chegava lá E aí Ju que que vai rolar eu Ah tá vai ser isso aqui Blue né E aí eh foi isso a gente levou esses os os primos para tocar né para fazer um um um xire Zinho ali e aí eles contavam aa história Ah não terminava O Xirê e virava um samba E aí aconteceu mesmo ele terminou de tocar
beleza eles sentaram ali e aí a gente não teve tempo de falar não vai ser mais para cá ou vai ser mais para lá eu falei meu agora só falava pros câmeras falara se vira meu a gente não vai cortar isso de jeito nenhum entendeu vai tirando as G deixa só os copos tira as garrafas mas deixa acontecer esse essa música porque era E aí de repente tava todo mundo a gente tava se divertindo muito a gente se divertiu muito sabe foi um dia que eles estavam efetivamente todo mundo feliz porque eles não sabiam que
eles I encontrar os primos que iam rolar esse samba e que ia rolar uma cerveja na beira do negócio num dia que eles que eles não sabiam realmente o que que ia acontecer Entendeu é E aí foi bom assim que a gente encontrou momentos bem genuínos assim de alegria de encontro sabe para mim foi muito legal nossa eu achava fiquei achando um Aché eu ficava muito eu acho que eu era a pessoa que estava mais feliz no set eu olhava aquela alegria acontecendo falava cara é sobre isso né eu fiquei fic falando sobre isso Racionais
é sobre amor é sobre amor é sobre amor E quanto mais eu via mais eu mais eu fui entendendo que era sobre isso né ai ai passou aqui ó você foi e Que bom que a gente pode terminar falando dessa justamente dessa possibilidade da gente tá juntos em roda em família falando de amor e cantando também e batendo um tamborzinho que faz bem não esse dá o maior Aché Poxa muito obrigada pelo papo pela conversa de fazer a lista de e de continuar aí na luta porque a gente precisa de você Vu Obrigada viu muitos
beijos beijo até a próxima valeu ai não dava vontade de terminar Tô terminando aqui meio contrariada espero que vocês tenham gostado mais um episódio mais preta vozes negras cantando histórias contando histórias pra gente não se esqueça toda quarta-feira 10 da noite tem mais preta na Nova Brasil FM São vozes negras ecoando pelo Brasil inteiro e aí você espalha tá Dá para ouvir Nas plataformas de áudio É assim que você tá ouvindo ou tá com a gente no YouTube espalha aí vamos fazer essa roda crescer Muitos beijos e até mais [Música] você ouviu mas preta Adriana
Couto [Música]