Estamos aqui com a Raquel Rocha Domingues, e ela está participando, então, da AMM. Vai fazer alguns depoimentos, contar um pouco dessa história aqui para nós da narrativa compartilhada. E concorda, né Raquel?
Coloque depois, né, na rede social, né? Então, a Raquel vai. .
. Ela é aluna de Letras. Na verdade, acabou de se formar agora há pouco tempo e ela tem uma série de histórias para nos contar a respeito da passagem dela pela escola, né?
Desde a formação inicial até hoje. Hoje você está fazendo o quê? Bom, eu acabei de me formar, ainda vou receber o diploma e estou me preparando para ir para o exterior.
Vou estudar um pouco de inglês lá, aprimorar a língua, e depois eu volto para cá dar continuidade na minha carreira. Ótimo! Conta pra nós aqui: onde você nasceu e como foi essa sua formação inicial?
Conta um pouco da sua família e da sua formação dentro da escola. Meu nome é Rafael Mas Domingues, eu tenho 26 anos, eu nasci aqui em Sorocaba, mas eu cresci e ainda moro em Capela do Alto, uma cidade pequena de 20 mil habitantes, perto aqui de Sorocaba. Mas é um município com costumes ainda interioranos.
Bom, eu comecei a minha vida escolar pela creche mesmo, aos cinco anos. Eu saía da creche para a 1ª série, já logo nesse início de trajetória. Assim que eu saí da creche e entrei na 1ª série, alfabetizada, meus pais perceberam o meu interesse e minha facilidade com a escrita e com a leitura.
Então, desde esse período, eles já me incentivavam muito. Como eles me incentivavam? Eu sempre estudei em escola pública.
Eles costumavam comprar almanaques da Turma da Mônica. Não sei se ainda tem, hoje eu sei que temos de bebê, mas almanaques eram bem mais grossos, assim, tinham várias atividades e bastante histórias. Então, sempre, através da leitura, com "Sítio do Pica-Pau Amarelo", "Num Pato" e pela escrita na escola, meus pais sempre me incentivando.
Eles sempre tiveram um contato com os meus professores para saber como estava o meu desenvolvimento. Como eu disse, sempre estudei em escola pública, sempre tive aqueles professores que marcaram mais, por não só me incentivar, mas hoje eu sou extremamente grato a cada um que passou pela minha trajetória. Olha, a minha professora da 1ª série.
. . Assim deu-se o início da minha trajetória escolar.
Aos 17 anos, assim que eu terminei o ensino médio, eu entrei direto para a faculdade. Eu entrei fazendo Jornalismo. Aí, tranquila.
. . E aí você entrou para fazer Jornalismo?
É, assim que terminei o ensino médio eu já entrei para fazer Jornalismo. Infelizmente, eu tive alguns problemas de saúde ao longo dessa trajetória. Fui diagnosticada com síndrome do pânico e, posteriormente, com depressão.
E, infelizmente, eu precisei me afastar da faculdade e do meu trabalho. Foi um período muito difícil porque eu gostava de estar na faculdade, eu gostava de estar aprendendo alguma coisa. Era uma forma de eu me sentir útil.
E como eu precisei me afastar, eu achava que ia sumir da vida e de fato aconteceu. Porque já foi um período muito complicado e muito triste, mas que passou. Como um todo, sempre passa.
Quando decidi voltar a estudar, decidi voltar para fazer Letras. Porque eu decidi voltar para Letras. O jornalismo, na parte de comunicação, que é algo que eu gosto até hoje, era muito bom, muito boa a comunicação social, o jornalismo.
Mas, na parte da escrita, ele acabava ficando engessado na questão de notícias mesmo, que é a ênfase que o jornalismo dá na parte da escrita. E Letras não. Letras têm a literatura, que é uma grande paixão, e tem a questão de termos até uma certa liberdade poética em Letras.
Não só com a escrita, mas com todas as outras atividades que a gente acaba desenvolvendo na faculdade. E é nisso que eu me formei agora: Letras, português e inglês. Durante todo esse período de curso, aqui nós desenvolvemos atividades teatrais.
Nós tivemos o sarau, a semana de Letras e todas essas atividades sempre atreladas à escrita, à leitura, que sempre foi o que eu gostei de fazer. Acabou me dando uma bagagem e um suporte muito mais firme, profissionalmente e pessoalmente falando. Por exemplo, a questão do teatro.
O teatro é uma via de mão dupla. Você tem que desenvolver um trabalho em equipe, mas você tem que ficar atento e se aprimorar no seu serviço também, né? Eu acho que isso, pra carreira e pessoalmente falando, foi algo muito construtivo para mim porque o trabalho em equipe a gente sabe que é difícil, né?
Então, o que cada um gosta de fazer, o que cada um vai fazer, quem vai dar a missão de cada um, quem gosta de aparecer e quem não gosta de aparecer. Eu fui um dos teatros, em uma das peças que nós desenvolvemos, no mesmo, eu fui uma personagem. Então eu aparecia, eu estive no palco.
Então, ao mesmo tempo que eu me preocupava com o trabalho em equipe, eu também tinha que se atentar ao meu papel, ao meu desenvolvimento, à minha oralidade, à minha postura. E a gente sabe que hoje, profissionalmente falando, no mercado, cobra isso da gente, essa postura, essa comunicação, essa desenvoltura. E até mesmo pra você dar aula, em qualquer licenciatura que você faça, como você vai se portar diante dos alunos, não é?
Como você vai explicar. Então, para mim, todas essas atividades foram fundamentais e continuam sendo o reflexo que elas têm na minha vida. Eu sei que elas vão se prolongar ainda durante muito tempo, né?
E o teatro também, apesar de ter surgido na minha vida ainda nova, eu consigo notar. . .
Que ele vem refletindo sobre os benefícios da carreira profissional. Então, por exemplo, ainda pequena, eu reuni as minhas primas em casa e nós fazíamos uns teatros de brincadeira. A gente não tinha nada assim, a gente improvisava uma roupa só.
Só que a nossa alegria era juntar a minha mãe e o meu irmão na sala para assistir, e o meu pai filmava. Para a gente, era um teatro. A gente ensaiava eu, a minha mãe, minhas primas; várias, várias.
A gente fazia e a gente inventava. Ele filmava. A nossa alegria era assistir depois.
Isso foi há 10 anos. Posteriormente, eu tive o prazer de estar presente em muitas peças do meu pai, ele como diretor de teatro. Então, até mesmo quando eu não queria ou não me interessava por determinados temas, eu, como filho, falava: "Não, vou lá, eu vou acompanhar.
" E não era tempo perdido. Então, também fui acompanhando, por meio dele, esse caminho, ele fazendo as peças dele, desenvolvendo tudo. E depois, eu tive o prazer, o privilégio, de estar participando aqui na faculdade.
É engraçado porque o descaso; a gente via que, às vezes, o pessoal não gostava de ver goianenses no teatro. Mas por quê? Então, estou falando porque não precisa necessariamente você ser uma personagem, estar em cima do palco apresentando.
Mas quem está lá atrás importa bastante. Então, eu digo e repito: no aspecto profissional e pessoal, isso refletiu muito pra mim. O pessoal às vezes brinca: "Raquel, você fala bem, você tem uma postura, você conversa bem.
" Mas olha o meu histórico! Meu histórico de incentivo dentro de casa. Meus pais sempre, além de me incentivar dentro de casa, me incentivavam a estudar fora, a frequentar, a entrar na faculdade, a valorizar os professores.
E, chegando aqui na universidade, também tive professores que me apoiaram. Mesmo agora, não estando na faculdade, com tudo encerrado, esses professores que me apoiaram para continuar a carreira, seja aqui ou seja lá fora. Então, além dessas atividades da universidade, eu acho que essa questão da educação também é familiar.
Pelo menos pra mim, eu sinto isso. O apoio que tive para chegar até aqui. Depois de dez anos, entre paradas e retomadas por conta da síndrome do pânico e da depressão, eu consegui um diploma.
Agora, depois de quase dez anos, eu consegui um diploma. É uma vitória. Mas é uma vitória que eu consigo sentir ainda mais orgulho, porque, justamente por toda essa dificuldade, eu sei que a gente não precisa de um diploma para ser alguém, mas que isso vai seguir com a gente o resto da nossa vida e ajudar na carreira profissional, no mercado de trabalho, e principalmente de forma pessoal.
A universidade me ajuda na carreira, mas, principalmente, de forma pessoal, por estar em convívio com outras pessoas, com professores, pessoas mais experientes, dividindo atividades, fazendo atividades em grupo ou sozinha. Então, é bem mais que um diploma profissional; é um crescimento pessoal que a gente consegue nessa trajetória. Muito bem, aqui, e conta pra nós, você participou de quais atividades aqui dentro?
Começou com poemas e essas coisas. Como foi isso? Na parte de literatura, nós tínhamos análises de obras; a gente lia, assistia filmes, fazia análise de cada escola.
Nós começamos a concluir análises de obras. Inclusive, eu lembro da "Alice no País das Maravilhas," que todo mundo conhece, todo mundo já ouviu falar ou assistiu a um filme, mas eu mesma não tinha lido a obra. Então, para a gente fazer uma análise legal, essa análise tinha a parte técnica, mas ela também tinha o lado pessoal, o lado interpretativo do aluno.
E isso é muito importante tratando-se de literatura, porque ela acaba dando muitas vertentes pra gente, né? Então, ele não deixava só a análise; não deixava só o aluno dizer: "É certo isso, é errado isso. " Ele me dava liberdade para colocar a interpretação dele.
Então, nessa atividade com literatura, nós tivemos o sarau. No sarau, nós podemos recitar poemas, cantar, fazer apresentações teatrais. O aluno tem essa liberdade de escolher o que ele quer desenvolver e escolher também a obra que ele quer apresentar.
Então, isso é muito bom. A universidade é um espaço para o aluno mostrar seu talento. "Ah, mas eu não tenho talento, mas eu quero ler alguma coisa.
" Você pode ler, você pode interpretar. O sarau, a peça teatral também. Me recordo agora que eu desenvolvi, em grupo, duas peças teatrais.
Nas duas, eu fui personagem. E na atividade de literatura americana, também tivemos um trabalho para recitar. Então, você vê que todas essas atividades dão liberdade para o aluno se conhecer melhor, mostrar algo que ele goste, mas que acaba desenvolvendo também a nossa postura como profissional e como aluno, mesclando as duas coisas.
Bem, você também fez o papel de mestre de cerimônias na semana de letras. Conta também sobre essa experiência. Isso começa dizendo: "O mais legal dessa atividade é realmente o processo.
" A gente pega do começo. Então, vai desenvolver o roteiro para a leitura, vai conhecer o cronograma, quem vem e quem não vem, o que vai ter. Apresentar mesmo é o "fim sininho," aquela pontinha do fio, depois que o professor, em conjunto com os alunos, já desenvolveu todo o cronograma.
Aí você vai apresentar. É difícil! É difícil porque você vê um monte de gente olhando pra você.
É uma novidade diferente do teatro, que às vezes é mais ensaiado. Já, quando você vai apresentar, você tem aquela preocupação em não ficar muito engessada e, ao mesmo tempo, ficar um pouco descontraída, mas apresentar de forma correta. É trabalhar o português, a oralidade; a gente tem dificuldade.
Mas a gente vai preservar e, aprimorando, nós temos muitos vícios de linguagem. Mas, no decorrer da faculdade, essas atividades vão nos ajudando a ficar atentos. Então, essa atividade de estar apresentando a semana de Letras, eu acho que foram dois anos, se não me engano, ou três.
E, para mim, foi bastante gratificante. Foi bem bacana. Muito bem, sobre a sua produção de textos: você produz textos e coloca no Facebook, não é isso?
O meu amor pela escrita e pela literatura continua. Eu acho que vai ser assim pelo resto da minha vida. E o meu TCC foi voltado para a literatura, nesta obra, "As Aventuras de Pee, Narrador não Havel".
Eu vejo, ao contrário do que muitas pessoas podem pensar, que, às vezes, a gente vê o livro como uma fuga da realidade; na verdade, não é isso. Na verdade, você lê, você conhece o personagem, você pratica sua empatia e acaba tendo aprendizados sem sair do lugar. Pode soar até clichê, né, pessoal, falar que a gente viaja sem sair do lugar, mas a literatura é isso.
A literatura é colocar você em diversas situações que você não vive de fato, mas que permite você ter aquele aprendizado, né? Você amplia a sua visão de mundo, você adquire conhecimento. Então, o meu contato, esse contato com a literatura, esse amor pela literatura, eu acho que vai perdurar durante muito tempo ainda.
E, consequentemente, ela acaba refletindo na escrita. Para mim, a comunicação de uma forma geral, tanto a escrita quanto a falada, é primordial para o desenvolvimento do ser humano, por meio do entendimento humano e da comunicação interpessoal. Eu acho fundamental.
E a escrita é uma dessas formas. Então, quando eu escrevo, para mim, particularmente, não faz sentido eu escrever algo que só eu goste. Não é que a gente tenha que escrever para agradar os outros, mas eu escrevo com o intuito de saber que outras pessoas já passaram por esse momento, por essa mesma situação, e têm esse mesmo sentimento que eu tô sentindo quando eu escrevo.
Então, se uma pessoa já se sente atingida por aquilo que eu coloquei, para mim, a minha missão já foi cumprida. Então, se eu coloco algo no Facebook, seja na minha página pessoal ou na minha fan page, entre aspas, se eu coloco qualquer coisa lá e alguém fala "gostei, já passei por isso, me identifico", para mim, a minha missão já foi cumprida. Porque, para mim, isso é para escrever.
Eu escrevi lá no meu caderninho também, treino, eu guardo e depois releio. Mas a leitura, o texto e a literatura compartilhada são peças fundamentais hoje para o desenvolvimento educacional de todo mundo, principalmente quando a rede social, às vezes, acaba sendo usada. Ela pode ser usada de maneira tão boa e, por outro lado, nada, de maneira tão ruim.
Então, por isso, eu gosto de utilizar bastante.