As narrativas compartilhadas têm o projeto de continuar ouvindo Rodrigo Cintra, que agora vai falar um pouquinho mais a respeito dele enquanto produtor cultural. E aí vai falar do momento em que ele entra na Unidos e vai chegar à atualidade. Rodrigo, você está com a palavra.
Estou falando bastante, né? Delícia! Está muito bom; parece que a gente não tem tanto tempo quanto gostaríamos de ter, né?
Pelo menos não, resumindo: você tem conteúdo para muitos blocos. Muitos blocos, obrigado. Bom, então, estava falando que eu estava envolvido no "Padre Amaro", né?
Eu entrei na produção e, depois, o próximo espetáculo, "Somada", já foi tendo esse olhar mais atento para esse novo ofício meu. Fizemos "Escola de Mulheres", "Feiticeiras de Salém". Aí a gente mudou de espaço e vamos para o "Mais Lasque" Escola Estadual, com Vanderlei.
Aqui hoje, o secretário de Educação abriu para a gente. Eu fui lá, encontrei o produtor, conversei com ele, e ele foi muito generoso ao abrir a escola para a gente dar uns teatros profissionais. Passeando pela escola, fizemos "A Febre Amarela", contando a história da febre amarela.
O texto e a pesquisa do Mário Pérsico foram maravilhosos. Depois, fizemos "Do Outro Lado do Rio", contando sobre os espanhóis, e se localiza também. Bom, e depois a gente foi funcionando, parece isso, né?
Que a gente fez. Daí, eu fiz "Os Mortos". Tia, se fosse um centavo, eu fico com essa.
É clássica, mas nesse caminho eu conheci muita gente lá. Grande Otelo, na Oficina Cultural Regional, grande Otelo ali no fórum. Infelizmente, hoje também está lá, com o prédio esperando essa reforma através do Estado, que não sai, e a gente perdeu esse grande fomento, esse grande prédio, essa grande identidade de fomento de inúmeros artistas de Sorocaba.
Infelizmente, informava muita gente, com oficineiros do Brasil inteiro, trazendo informações e olhares diversos que contribuíram demais para os artistas, de todas as áreas. Não estou falando só de Santiago, estou falando de dança, artes plásticas, e infelizmente, né. Inclusive, o Mantovani, que trabalhava ali, era o grande fomentador, que fazia toda lógica.
Enfim, conhecendo muitas pessoas na Grande Otelo, as amizades vão se formando. Eu encontrei um grande amigo, que hoje é o Ricardo Débito, que fez Getúlio. O Ricardo, ele não fazia teatro; ele foi entrar muito tempo depois.
Eu já era, entre aspas, alguém que conhecia Dinho no meio artístico, e todo mundo sabia quem era, mas a gente não sabia quem eram as pessoas. E o homem contraiu. Que legal!
Ele estava fazendo teatro total, e a gente vai se comunicando. O Ricardo tinha começado a fazer uniso aqui, onde estamos, né? Sim!
Acho que era a segunda ou terceira turma—acho que terceira turma do curso de Teatro Arte Educação da Unesco. O José Simões era o coordenador na época. E o Ricardo já estava fazendo uniso aqui.
Ele falou: "Viu, você não entra para fazer, falar? Porque eu nunca sei lá. " Parei para pensar, eu já trabalhava na área, mas acho importante fazer uma graduação.
Olha só, eu parei de fazer Direito lá atrás, não sabia que fazer e fui me retornar a uma possibilidade de universidade depois de anos de trabalho. E daí eu falei: "Mas não está fazendo coisas. " Mas ele: "Vai abrir vestibular no meio do ano e dá para entrar no meio da turma.
" Falei: "Sério? " Ele: "É! Eu falo, faça!
" Ele foi o grande incentivador para eu fazer a faculdade, né? E tinha uma galera fazendo faculdade que eu não conhecia. Conheci muito pouca gente.
E nessa turma, entraram a fazer o vestibular comigo, Hamilton Branagh, Chris Brow, Ebrahim, pessoas que estavam trabalhando comigo na época. Eu fiz o vestibular, passei, entrei na classe. Quando entrei na turma, eu não conhecia a maioria das pessoas, mas as pessoas conheciam muito a mim.
Eu me deparei ali com uma turma muito bacana de pessoas, não só de Sorocaba, mas de fora também. Tem consigo a Jane, que coordenava só para o grupo dela e sou uma pessoa que tinha uma certa experiência. E a gente fez uma universidade muito bacana, porque a turma era muito bacana.
Então, a gente tinha professores muito bons, mas a turma era muito envolvida. E a gente foi carregar. Eu não tinha muita identidade, e aí fomos produzindo muitas coisas bacanas.
A gente transformou essa uniso em uma grande balbúrdia boa, que a gente inclusive incomodou muitos cursos aqui. Viu, cruzou com a Ingrid? A Ingrid, com a Bela Ingrid, Ingrid dorme, Durango dela.
É, e mais o Nemo de muita gente. Me causou uma balbúrdia porque a gente produzia grandes coisas aqui, que a gente mexia com todos. Dois falam: "Lá vem a turma da bagunça.
" O reitor não gostava muito, né, porque queriam mexer tudo, mas gostavam das apresentações. Viu? Lembra da gente?
Fizemos um espetáculo muito bacana que era sobre a ditadura, e cada grupo, cada turma quis mostrar que era melhor que a outra, no sentido positivo. Uma das turmas alugou até uma van, que já pegamos para a jogando dentro da van, em V, dando como se fosse sendo oprimido, né, pelos ditadores, depois trazia pelos salões. Foi um trabalho assim muito bacana, envolveu toda a universidade em si e foi brilhante.
E nunca houve reclamação. Você estava falando que a reitoria, no momento, era. .
. O padrão acaba não tendo. Ela era só no sentido de cuidado para não atrapalhar as aulas dos outros, e foi bacana, viu?
É, inclusive, aí você falou da Ingrid, dorninho dela, que foi a encenadora nossa da turma. Na formatura, a gente fez "Chamas na Penugem", um espetáculo que tinha uma proposta estética pós-moderna. Pós é dramática e foi um trabalho muito bacana, com muita pesquisa.
O Joaquim Gama, que hoje está na SP Escola de Teatro, também estava envolvido com espetáculos. Esse espetáculo foi tão diferente, tão bacana, que a gente foi até Florianópolis apresentá-lo à Universidade Federal de Santa Catarina. Foi muito bacana!
A turma inteira foi no ônibus e, então, conseguimos também apresentar na universidade para os alunos. As apresentações no teatro foram experiências maravilhosas que a gente guarda com muito carinho até hoje. Isso traz uma sustentação bacana, já falando em nível universitário.
Aqui na Uniso, eu também me descobri um grande pesquisador. Logo que entrei, fui pedir bolsa para o seu Monte. “Pelo amor de Deus, me ajude!
Preciso pagar a faculdade e não tenho tanto poder financeiro atualmente. ” Ele me falou: “Tem os cursos aqui de extensão, de recursos do Probec, você não quer tentar fazer? ” Depois de seis meses, ele disse: “Abri o bolso no Probec, se inscreva.
” Era o Probec, que é o Projeto de Extensão Universitária. A gente oferecia oficinas de arte-educação e eu dava aula para a fundação, que atende adolescentes em liberdade assistida, na Fundação Casa. Era um projeto muito bacana que vinha de um ou dois outros alunos.
Eu modifiquei um pouco, pois queria melhorar o que já existia. Era um projeto bom, mas eu precisava olhar de outra forma. Junto com o curso, era um projeto que unia teatro com a tela.
Eu fazia as horas ali para entender e depois aplicar os jogos teatrais com os adolescentes. Era um projeto magnífico porque vinham pessoas em situações complicadas e, ao entrarem no jogo teatral, conseguiam se ver de outra forma. Eles ficavam maravilhados!
Eu fiz um e-mail Probec, foi muito bacana. Depois, quando acabou meu projeto do Probec, eu fui fazer iniciação científica, o PIBIC, que se envolveu com a minha pesquisa que virou espetáculo dentro do meu grupo, que foi "Maylasky, o Estrangeiro Misterioso". Eu realizei uma pesquisa muito aprofundada com o Simões, que depois foi para Portugal fazer o doutorado.
Ele me orientava de lá através de e-mail. Olha que loucura! Nós apresentamos "Os Sertões" e "A Terra, A Luta, O Homem".
Fomos juntos, com mais um texto da Marlene, representar a Uniso em Madri, no congresso internacional. Foi uma experiência incrível! Ele tinha um conhecimento teórico muito grande e tentou me puxar para ser um pesquisador universitário.
Ele disse: "Rodrigo, você escreve bem, faz projetos muito bons". Ele já conhecia minha carreira, já acompanhava muitas coisas que eu fazia. “Pensa em focar na pesquisa”, ele disse.
Mas eu tinha um grande dilema: eu adoro escrever e pesquisar, mas tenho uma paixão que me pegou há muito tempo, que é o palco. Não consigo ficar muito tempo longe dele. Ele me aconselhou a pensar com carinho no futuro e, mesmo assim, eu acabei não conseguindo, pois ainda precisava do palco.
Nesse meio tempo, na Uniso, com toda a sustentação teórica, eu acabei virando diretor, fundando meu grupo, que é o Barracão da Vó, em 2006. Eu pesquisei o universo marginal, que foi o Plínio Marcos. Estranhei com "Navalha na Carne", um projeto maravilhoso.
Eu morava em São Paulo na época e fiz uma grande oficina de "Otelo" com Fernando Faria. Ele gostou muito do meu trabalho e me convidou para me juntar ao grupo dele. Falei que sim!
O Fernando Faria, na época, não sei se até hoje, era o único mestrado que trabalhava com teatro em São Paulo. Ele desenvolveu um trabalho muito bacana com o grupo dele. Eu fiz um teatro simbolista lá e foi um processo maravilhoso.
A gente trabalhou no casarão do Belvedere, apresentando "Despertar", com uma estrutura muito legal. Fiquei um ano trabalhando com ele em São Paulo e depois voltei para Sorocaba. Mas assim que voltei, em 2006, criei meu grupo de teatro, o Barracão da Vó.
Cá, para fazer a universidade, onde eu contei aqui todo o processo, e daí eu comecei a me envolver diretamente só com meu grupo. Aí eu virei realmente um produtor, porque eu tinha que escrever os projetos das leis de incentivo, onde fiz o primeiro espetáculo, uma lei de incentivo pelo Barracão, que foi um espetáculo pós-dramático que a gente fez na Estação da Sorocabana. Foi inaugurada, na época, a sala de teatro; sabe se chegou a conhecer a sala?
Estação de hoje também não existe mais. A máquina nem estreou o espetáculo. Foi um espetáculo de muito sucesso, e daí a gente vai fazer um espetáculo.
Eu caí no popular, o que a gente fez, a história do historiador, que é um espetáculo caipira, onde eu ganhei um projeto da Funarte e viajou o Brasil inteiro, pela Paulistana, caipira, Goiás, Minas Gerais, Paraná, apresentando esse espetáculo. Também a Funarte, na época, que tinha incentivo à cultura, que hoje não tem mais nada de incentivo, infelizmente, no governo federal. Vamos torcer para voltar.
Bom dia! E ali a gente foi para o popular. Aí até onde a gente chegou na linguagem circense, né, através do caipira, porque a gente começou a estudar Cornélio Pires.
Cornélio Pires, mas vários nomes, né, do caipira. E dentro do Cornélio Pires, tinha um conto que falava sobre a história do circo no Brasil. E quando a gente começou a pesquisar e escrever um projeto no ProAC, Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo, nós fomos premiados.
O ProAC, aqui, foi uma forma de a gente construir espetáculo, e quando a gente se imergiu naquela situação, de olho, estamos aqui no ProAC. Aqui ganha, é bom pesquisar, beleza. Daí, nós começamos a ficar tão bem, só que o ponto principal era sobre um circo, que a gente falou ontem, fazer um circo de verdade.
Aí tinha um dos atores, que é o Erineu, no grupo, que já fazia ginástica na escola Dicico, em Sorocaba, na Bíblias, Gabriel. E a Bia é a minha prima, que eu já conhecia. Bia, porque tem uma vida, que eu dancei na Academia de Dança Isadora, Dança da Ilha.
Eu já tenho 16 anos dançando, que eu te adoro: picolé, clássico, contemporâneo, sapateado, tá bom? Uma delícia! E também teve essa.
Lembrei, fui bailarino do projeto que eu fiz. A irmã da Bia fez. E daí eu fui conversar com a Bia e, na hora, de prontidão, eles aceitaram o início do trabalho.
Uma coisa muito louca, como o teatro e a pesquisa, vão pôr sempre uma pesquisa, porque a pesquisa te leva para lugares que no momento você jamais iria considerar como uma opção dentro da sua estética. A imersão ali no projeto e nas pesquisas leva a lugares que são maravilhosos, que a pesquisa faz com a gente, né? E daí eu falei: "Bia, vamos lá, eu queria convidar você para fazer um número no espetáculo e você oferecer a unidade para nós ensaiarmos a parte circense que a gente consegue fazer uns números".
Beleza! Qualquer coisa, eu tomara um corpo tão grande, Roberto, que chegou. Ele falou ontem que ia fazer um circo de verdade.
Aí eu falei: "Ela vai ter que ser você, o Gabriel e alguns sites que você acha legal para fazer os números". E verdade, ele aconteceu! A gente ficou capaz de ser atral e convidou para fazer os números de circo de verdade.
E daí foi o Fio Grande Circo Caipira de Cornélio Pires, onde a gente fazia o circo à moda antiga, porém com um olhar completamente contemporâneo, misturando espetáculos e cenas de teatro junto com os números de circo. O que era, na primeira parte, os números de circo, e na segunda parte, com os espetáculos de atrás. E eu vou ensinar você a trabalhar.
Muitas delas são tantas coisas que a escola deles é o conselho, estão na comunidade. E agora eles abriram uma filial no YouTube. Atenção, é muito bom ouvir, e a gente vê muito bem.
Eu já conhecia e fui encontrar com ela depois. E a gente foi ao espetáculo que foi assim, sucesso de crítica e sucesso de público. A gente não só fez 20 e poucas apresentações com filas imensas.
Daí não podia parar, né? Porque eu gosto de trabalhar sempre com pesquisas, eu falei: "Acho que vai dar uma trilogia, no mínimo, isso aqui". Aí eu escrevi os 'Times com o Sorocabano', foi uma pesquisa dentro dos grupos de circo em Sorocaba.
Onde a gente contou um pouco dos artistas do extenso Sorocabana, dos circos que passaram, tendo como parceira, pela segunda vez, a Usinat, né? E daí eu já convidei a Iracema. Oi, gente!
Que é uma grande artista de circo, saúde Rocha, que abriu o palhaço de Gozo para ser Dengosa. Fizemos o segundo espetáculo, foi maravilhoso também. E depois fizemos a trilogia, que foi até o último espetáculo que foi no ano passado, em 2009, a trilogia 'Ou Depp Grande Circular Depp', né?
E descer Pedro Osório, onde Adair Osório, a filha do Depp, hoje está com quase 80 anos e participou. Nós tentamos, a Bia por ela, com a participação. E foi muito bacana que a gente contou a história do circo Depp, a seguradora Depp.
E ali até atirava facas, né? O índio atirador de facas. E dentro deste universo, surgiu uma outra coisa na minha vida, né?
Que eu casei e virei pai, meu amigo da família, que eu amo demais, o meu filho lindo, Conrado, que vira um artista também. E eu falo para todo mundo: não. É de brincadeira!
Eu não posso, ela assinada, mas o invento é um envolvimento desde a barriga da mãe. O primeiro modelo também é, não tem jeito, né? E amanhã entra a mãe, entra porque eu conheci a minha esposa, a Priscila, aqui.
Também é veterinária. No teatro, você falou do Fernando Prestes fazendo o "Concílio dos Mortos". A Priscila é aluna da Fundec, do curso primário.
Leva lá no fundo, é fininho. Ela é aluna. O Marco sempre convidou alunos para fazer elenco de apoio e para fazer participações.
A Priscila vem com o convite do mar. Ela integrou, ele foi quando eu conheci a Priscila no "Concílio dos Mortos", 2009. Já faz mais de dez anos que estou junto com ela.
A gente começou a se envolver, a amizade nossa foi virando um grande amor. E aí, quando eu estava no barracão, no grupo, eu convidei ela também para integrar o elenco, né? Não porque ela era minha esposa, muito pelo contrário, sempre foi muito democrático no barradão.
Eu avisei para todos que precisava de mais uma peça fundamental aqui e quem vocês indicam. Todo mundo conhecia o trabalho dela e convidou, falou: “Se a Priscila, seria o nome”. A gente vai fazer uma mulher e ela fazia a tataraneta, que é um personagem fictício do Márcio.
Ela veio a integrar o elenco e ela trabalha como veterinária, faz muita diária na profissão dela. Até ela reclama muito comigo, ela fala assim: "Ah, eu vou separar de você, sua esposa, você pega muito no meu pé como diretor. " Eu respondi: "Claro, né?
Eu tenho que pegar mais em você. Parece que eu estou te favorecendo. " Assim, eu pego mesmo pesado.
Ela fala que eu sou injusto porque eu pego muito na minha esposa, e eu já avisei que por ser minha esposa ia ser mais barato. Daí, meu filho começou a se envolver na parte circense e ele queria porque queria se integrar. A lista desse primeiro, você tá com a gente?
Foi uma performance na festa junina de Sorocaba onde fazíamos personagens caipiras e ele, junto com a gente, fazia brincando como se fosse um filho. Às vezes, dela, ou o personagem comigo. E daí no círculo, ele se envolveu muito profundamente, se apaixonou.
Ele fazia a claque, ele fazia a bateria dos números de palhaços, a gente fazia o palhaço e ele, o ataque do palhaço. Ele se apaixonou e virou trapezista roberto linda. O segundo espetáculo foi "Cinco Sorocabana".
Ele apresentou já no trapézio, com cinco anos, fez o número de trapézio junto com o André, outro trapezista. Então ele teve apresentações. Já como eu acho que não tinha ido.
Ele se apresentou e no último espetáculo, agora, ele trabalhou como ator. Chris, eu vou ter em mente, né? Votorantim também apresentou.
Durante a apresentação, ele se apresentou como ator nesse hospital. Ele fez uma comédia parte do "Agência Marinelli", que era o carro-chefe do DEP. Depois de tudo isso, eu fui fazer uma especialização em produção porque comecei a me apaixonar por isso.
Então, fiz uma especialização em gestão cultural, né? Cultura, desenvolvimento e mercado, para eu também dar uma UTIs, né? Então, hoje me encontro, além de tudo isso, envolvido com uma parte política de Sorocaba que eu acho que é de fundamental importância para nós, lutadores da arte.
Hoje sou o presidente do conselho municipal de política cultural, mas muito por acaso, porque entrei no conselho para tentar dar uma colaboração junto à classe artística, para junto ao poder público, exigir os nossos direitos, aquilo que consideramos importante para a classe. Foi um processo seletivo. Hoje é legal frisar que é um dos maiores que esse conselho já teve.
Porque a gente fez no MAX, ali no museu, que estava lotado de gente. Para quem não sabe, o conselho é um processo seletivo, assim como vereador. Você tem que apresentar o seu currículo e, se tiver mais um concorrente por cada cadeira, na minha cadeira, hoje, é de produtor cultural e tinha mais um concorrente.
Então tem que ter eleição e teve uma eleição que foi uma das mais disputadas. Eu fui popularmente eleito para a cadeira, assim como meus amigos só que, como conselheiro, na época da gestão do secretário, o secretário chegou, passou uns três meses e falou para todo mundo: "Eu não quero. " Ele era, porque nossa lei fala que o presidente é o secretário ou alguém por ele indicado.
Eu acho que tem que ser alguém de fora para dar um contraponto, ali que a secretaria de cultura. Eu acho que é mais democrático dessa forma. Mas ele falou: "É, mas eu não quero indicar ninguém.
Eu quero que você indique alguém. " E os conselheiros me indicaram, falaram: "O Rodrigo é um cara que está bem preparado. " A priori, eu recusei porque era uma bucha, né?
Falei: "Gente, desculpa, eu acho que não vou ter tempo. Eu tenho que colocar minhas ideias. " Eles insistiram.
Eu falei: "Se vocês me apoiar, eu vou junto com vocês. " E eu aceitei. Fui eleito presidente ali e estou até hoje.
Aqui não faz nem um ano, em março vai dar um ano, né? E eu posso dizer para todo mundo que é algo muito complicado, muito difícil, porque temos posições de todos os lados dentro da própria classe artística. Tem oposição, mas a gente tem a consciência limpa que está fazendo um trabalho muito justo para todo mundo, aberto e democrático.
A gente, nessa sexta-feira, fizemos e teremos um encontro para que a gente desse sugestões para melhorar o edital do Teatro Municipal de uma forma muito democrática, principalmente com quem usa o teatro, né? Então, é um processo difícil, complicado, que tem muita pressão, mas eu tenho certeza absoluta de que estamos fazendo um trabalho muito digno e eficiente. A gente cobra, a gente faz, a gente exige.
Agora, se o poder público não consegue levar à frente o que pedimos, é onde tem o nosso limite, ali, enquanto conselho, né? Mas a gente pega pesado e firme, inclusive criando algumas inimizades com o poder público, naquele negócio de ser cobrado, né? Não somos um conselho fiscalizador, né?
Mas acho que é isso. Rodrigo, fique à vontade para dar um complemento, alguma coisa final sobre a sua sensação que você tem hoje daquilo que você desenvolve, no contexto familiar, com os amigos, enfim, sinta como se você está se virando agora enquanto ser humano, enquanto pessoa, enquanto profissional. Não precisa perguntar se está realizado, não, né?
A gente percebe que você está muito feliz com tudo isso, mesmo sabendo das dificuldades financeiras que a profissão ocasiona, né? Que não é fácil em relação ao Brasil e em muitos países também. Aqui sobra de.
. . vamos ser sinceros, né?
Agora solto pra nós finalizarmos. Bom, como que eu me sinto hoje? Como você disse, eu me sinto realizado.
Esses dias, estava até conversando com a minha esposa e, olha, eu falei para ela: "Você sabe que, se eu parasse hoje de fazer teatro ou parasse de fazer artístico, eu me sentiria, em grande parte, realizado? " Porque eu acredito que consegui alcançar e fazer bastante coisa do que me propus a fazer, e eu me sinto feliz com isso. Acredito que dei uma pequena contribuição, confesso, pequena, porque a arte é imensa, e o que a gente precisa é muito mais do que isso.
Eu estou muito focado no local, em Sorocaba. Fui para São Paulo, como nem eu disse, voltei. Mas eu acredito que me vejo hoje numa situação, como todos os artistas brasileiros, muito difícil.
Onde a gente olha para frente e não consegue ver um futuro com muita clareza, porque a gente não tem políticas públicas culturais em funcionamento, a gente não consegue ver um incentivo. E vou ser sincero aqui: não só por parte do poder público, federal, estadual, municipal, mas também da população brasileira, hoje, que está em grande conflito, onde olha para artista e fala assim: "Eu nunca precisei de um artista na minha vida. Eu não preciso de um artista para viver.
" E a gente, indignado, olha para a cara deles e fala: "Como você nunca precisou de um artista? Quando você chega em casa cansado do seu trabalho, você não vai ligar sua TV? Não foi um artista que fez tudo aquilo?
Está fazendo aquilo que você está assistindo? Quando você deita na sua cama e põe o seu iPhone e liga para ouvir uma música, quem é que está cantando? É um artista!
Quando você entra no seu computador, no seu Facebook, na nossa internet, não foi um artista gráfico que fez tudo aquilo? Ou estou sentado aqui, do lado do professor, fazendo essa entrevista através de toda uma equipe lá por trás? Não são artistas que vão editar, que vão filmar?
Como uma população pode virar e falar que nunca precisem de um artista, se a arte está presente no dia a dia, no cotidiano de tudo que fazemos? Quando você compra uma calça, roupa, uma roupa não foi um figurinista que desenhou? E o meu cabelo?
Quando você anda no seu carro, não foi um desenhista que projetou aquele carro? Um grande artista! Um vaso, um vaso.
. . Aí você fala: "Gente, que ignorância!
" Perdão da palavra, mas que momento de ignorância que a população brasileira está vivendo quando quer ofender uma classe artística por ideais, ideais de filosofia de vida, de religião, só para ofender, porque não tem o mesmo pensamento? Virar e falar que o artista não precisa do poder público, do dinheiro do poder público para sobreviver. E a gente vive um momento muito complicado, Roberto, onde você tem que provar o óbvio para que a população se enxergue.
Olha no espelho, nossa, só falou uma grande besteira! Eu tenho certeza que esse momento vai passar. Pode ser que não venha desculpas, e muitas pessoas estão falando besteira, mas pode ter certeza que a consciência vai bater dentro, e eu falo assim: "Eu fiz muita burrada" e falei mal de algumas coisas que não entendia, né?
Porque você fala que um artista não precisa de poder público e não tem que incentivar a arte, se está na Constituição Federal de 1988 que o governo tem a obrigação de criar condições e incentivo para a arte e para os artistas, né? Porque a arte, se você for ver, em muitos países da Europa, faz parte da trilha principal, junto com a educação e a saúde. Por isso são países evoluídos, né?
Bom, então como é que a gente pode pensar no Brasil um futuro sem arte? Porque a educação faz parte da arte, assim como a arte faz parte da educação, né? É um envolvimento ali de caminho duplo e um viés que não tem como, né?
Então, assim, eu vejo um momento muito conturbado, muito difícil, muito complicado para que a gente consiga sobreviver. E eu falo: "O que será da arte no Brasil? " Não sei, essa é a minha resposta.
Estou muito preocupado, muito triste com o que está acontecendo com o nosso Brasil, e eu só peço para que isso passe o mais rápido possível, para que os artistas voltem a ter o seu lugar de protagonismo e sejam reconhecidos como sempre foram grandes artistas brasileiros. Que não foi esse aro, influência até hoje na vida de milhares de pessoas no seu dia a dia. Sim, mas eu acho que é um desabafo.
Mas eu não. . .
é um desabafo para que as pessoas falem “mais um mimi”. Não, não é. É porque a gente, que é artista e vive o dia a dia, está passando hoje por uma dificuldade imensa de sobrevivência, porque as pessoas não entendem que existe todo um signo e uma simbologia através de um comentário na internet, um comentário errôneo que, às vezes, é proposital para atingir uma massa.
E essa massa começa a fomentar pensamentos que fecham portas e dificultam o trabalho das pessoas que querem trabalhar de forma correta, de forma honesta, como a gente faz. Mais fora tudo isso, eu sou muito feliz, principalmente por estar aqui ao seu lado, agradecendo imensamente por você fazer parte da minha vida, tanto profissionalmente, como um incentivo artístico e, principalmente, educacional. Se hoje eu tenho um pequeno conhecimento no português, eu não posso deixar de olhar nos olhos de verdade do Roberto e, do fundo do coração, dizer que todos os meus amigos com quem converso até hoje, do Getúlio, todos eles têm um carinho imenso por você.
Quando eu falo “professor Roberto”, eles enchem-se de orgulho, batem no peito e falam sobre um dos melhores professores que eu tive na minha vida. E é verdade. É do coração: muito obrigado por você ser esse professor e incentivador, e essa figura maravilhosa que está me trazendo hoje, dando oportunidade para que as pessoas me conheçam e saibam que eu existo.
Estou aqui lutando, tá bom? Obrigado de coração, você eternamente deixará sua marca no coração de muita gente. Obrigado, Rodrigo!
Sou eu que agradeço. Agradeço. Tá bom?
Muito obrigado por você ter escolhido continuar em Sorocaba. Obrigado por você ter sido meu aluno. Eu lembro de você lá, garotinho, com toda a paixão.
Você continua com a mesma paixão de antes. Eu sei quanta coisa você tem a dizer, mas quantos anos você tem agora? 41?
41. Muitos que têm 82 anos e eu dobro, não fizeram um décimo do que você já fez. Você é ligado por esse amor, por essa paixão; você realmente é um grande exemplo.
E nós temos que agradecê-lo, você tem acreditado. Vamos continuar acreditando; isso é muito importante. Você tem aí um filho maravilhoso, uma mulher maravilhosa; você é apaixonado por tudo aquilo que faz.
Então a gente tem que continuar acreditando, tá bom? Tem que continuar acreditando nos momentos difíceis, e nas times que não é por nós. Nossa aula tinha que interferir até nos livros que nós dávamos também, entendi.
Então a gente acreditar que é um momento e que as coisas vão passar e vão melhorar. Vamos continuar acreditando. Obrigado!
Obrigado! Escrevendo tudo maravilhoso. Obrigado!
Que Deus te abençoe, viu? Obrigada! Amém!
A você também, que Deus te abençoe! Então, muito obrigado a vocês que nos acompanharam até agora, e a nossa gratidão ao Rodrigo que veio aqui para enriquecer ainda mais as narrativas compartilhadas, que com certeza só estão trazendo coisas boas para todos nós. Muito obrigado e até a próxima!
Bom, obrigado!