toca livros apresenta decidi compor nos vagares deste verão na minha Quinta do mosteiro antigo solar Dos Condes deo As Memórias da minha vida que neste século tão consumido pelas incertezas da inteligência e tão angustiado pelos tormentos do dinheiro encerra penso eu e pensa meu cunhado Crispim uma lição lúcida e forte em 1875 nas vésperas de Santo Antônio uma desilusão de incomparável amargura abalou meu ser por esse tempo minha tia Dona Patrocínio das Neves mandou-me do Campo de Santana onde morávamos em romagem a Jerusalém dentro dessas santas muralhas num dia abrasado do mês de nizan sendo
pôncios Pilatos procurador da Judeia hus lama legado Imperial da Síria e j caiafa sumo pontífice testemunhei miraculosamente escandalosos sucessos depois voltei e uma grande mudança se fez nos meus bens e na minha moral são estes casos espaçados e altos numa existência de Bacharel como em Campo de erva ceifada fortes e ramalhos sobreiros cheios de sol e murmúrio que quero traçar com sobriedade e com sinceridade em quanto no meu telhado voam As Andorinhas e as moitas de cravos vermelhos perfumam o meu Pomar esta jornada à terra do Egito e à Palestina permanecerá sempre como a glória
superior da minha carreira e bem desejaria que dela ficasse nas letras para a posteridade um monumento Airoso e maciço mas hoje escrevendo por motivos peculiarmente espirituais pretendi que as páginas íntimas em que a relembro se não assemelhassem a um guia pitoresco do oriente por isso apesar das solicitações da vaidade suprimir neste manuscrito suculentas resplandecentes narrativas de ruínas e de costumes de resto esse país do evangelho que tanto fascina humanidade sensível é bem menos interessante que o meu seco e paterno AL nem me parece que as terras favorecidas por uma presença Messiânica ganhem jamais em graça
ou esplendor nunca me foi dado percorrer os lugares Santos da índia em que o Buda viveu arvoredos de migada outeiros de velana ou esse doce Vale de Raja por onde se alongavam os olhos adoráveis do mestre perfeito quando um fogo rebentou nos juncais e ele ensinou em singela parábola como a ignorância é uma fogueira que devora o homem alimentada pelas enganosas sensações de vida que os sentidos recebem das enganosas aparências do mundo também não Visitei A Caverna de Ira nem os Devotos areais entre Meca e Medina Que tantas vezes trilhou Maomé O Profeta excelente lento
e pensativo sobre o seu Dromedário mas desde Figueiras de Betânia até as águas caladas de Galileia conheço bem os sítios onde habitou esse outro intermediário Divino cheio de enternecimento e de sonhos a quem chamamos Jesus nosso senhor e só neles achei bruteza secura sordidez Soledade e entulho Jerusalém é uma vila turca com vielas andrajos acaçá entre muralhas cor de lodo e fedendo ao sol sob o badalar de sinos tristes o Jordão fio d'água barrento e peco que se arrasta entre arais nem pode ser comparado a esse Claro e suave Lima que lá baixo ao fundo
do mosteiro banha as raízes dos meus amieiros e todavia vede estas meigas águas portuguesas Não correram jamais entre os joelhos do Messias nem jamais as ar as asas dos anjos armados e rutilantes trazendo do céu à Terra as ameaças do Altíssimo entretanto como há espíritos insaciáveis que lendo de uma jornada pelas terras das você acabou de ouvir o trailer agora fique com o começo deste audiolivro prefácio de a relíquia Esta é uma gravação librivox todas as gravações librivox estão em domínio público para mais informações ou para ser um voluntário por favor Visite librivox.org a relíquia
de essa de Queiroz prefácio decidi compor nos vagares deste verão na minha Quinta do mosteiro antigo Solar dos cones deo As Memórias da minha vida que neste século tão consumido pelas incertezas da inteligência e tão angustiado pelos tormentos do dinheiro encerra penso eu e pensa meu cunhado Crispim uma lição lúcida e forte em 1875 nas vésperas de Santo Antônio uma desilusão de incomparável amargura abalou meu ser por esse tempo minha tia Dona Patrocínio das Neves mandou-me do Campo de Santana onde morávamos em romagem a Jerusalém dentro dessas santas muralhas num dia abrasado do mês de
nizan sendo pôncios Pilatos procurador da Judeia Hélios lama legado Imperial da Síria e j caiafa sumo pontífice testemunhei miraculosamente escandalosos sucessos depois voltei e uma grande mudança se fez nos meus bens e na minha moral são estes casos espaçados e altos numa existência de Bacharel como em Campo de erva ceifada fortes e ramalhos sobre cheios de sol e murmúrio que quero traçar com sobriedade e com sinceridade enquanto no meu telhado voam As Andorinhas e as moitas de cravos vermelhos perfumam o meu Pomar esta jornada à terra do Egito e à Palestina permanecerá sempre como a
glória superior da minha carreira e bem desejaria que dela ficasse nas letras para posteridade um monumento Airoso e macio isso mas hoje escrevendo por motivos peculiarmente espirituais pretendi que as páginas íntimas em que a relembro se não assemelhassem a um guia pitoresco do oriente por isso apesar das solicitações da vaidade suprimir neste manuscrito suculentas resplandecentes narrativas de ruínas e de costumes de resto esse país do Evangelho que tanto fascina a humanidade sensível é bem menos interessante que o meu seco e paterno alentejo nem me parece que as terras favorecidas por uma presença Messiânica ganhem jamais
em graça ou esplendor nunca me foi dado percorrer os lugares Santos da índia em que o Buda viveu arvoredos de migada outeiros de velana ou esse doce Vale de Raja por onde se along avam os olhos adoráveis do mestre perfeito quando um fogo rebentou nos juncais e ele ensinou em singela parábola como a ignorância é uma fogueira que devora o homem alimentada pelas enganosas sensações de vida que os sentidos recebem das enganosas aparências do mundo também não Visitei a caverna dira nem os Devotos areais entre Mecca e Medina Que tantas vezes trilhou Maomé Prof exelente
e pensativo sobre seed figas de Betânia conç bosio deci Eos Jes Senor eó nza secura sordidez Soledade e ent Jerusalém é uma vila turca com vielas andrajos aca entre muralhas cor de lodo e fedendo ao sol sob o badalar de sinos tristes o Jordão fio d'água barrento e peco que se arrasta entre arais nem pode ser comparado a esse Claro e suave Lima que lá baixo ao fundo do mosteiro banha as raízes dos meus amieiros e todavia vede estas meigas águas portuguesas Não correram jamais entre os joelhos de um Messias nem jamais as roçaram as
asas dos anjos armados e rutilantes trazendo do céu à Terra as ameaças do Altíssimo entretanto como há espíritos insaciáveis que lendo de uma jornada pelas terras da escritura anelam conhecer desde o tamanho das Pedras até o preço da cerveja eu recomendo a obra copiosa do meu companheiro de romagem o alemão topus Doutor pela Universidade de Bon e membro do instituto imperial de escavações históricas são sete volumes em quarto atados impressos em leipzig com este título fino e profundo Jerusalém passeada e comentada em cada página desse sólido itinerário o d tpsi fala de mim com admiração
e com saudade denomina sempre o ilustre Fidalgo lusitano e a fidalguia do seu camarada que lhe faz remontar aos barcas enche manifestamente o erudito plebeu de delicioso orgulho Além disso O esclarecido tpsi aproveita-se através desses repletos volumes para pendurar ficticiamente nos meus lábios e no meu crânio dezeres e juízos ensopados de Beata e babosa credulidade que ele logo rebate e derroca com sagacidade e facúndia diz por exemplo diante de tal ruína do tempo da cruzada de Godofredo o ilustre Fidalgo lusitano pretendia que nosso senhor indo um dia com a Santa Verônica e logo alastra a
tremenda turde da argumentação com que me deliu como porém as arengas que me atribui não são inferiores em sábio chorume e arrogância teológicas de bossu eu não denunciei uma nota A Gazeta de colônia porque tortuoso artifício a afiada razão da Germânia se enfeita assim de triunfos sobre a rumba Fé do meio-dia há porém um ponto de Jerusalém passeada que não posso deixar sem enérgica contestação é quando o díssima tpsi alude a dois embrulhos de papel que me acompanharam e me ocuparam na minha peregrinação desde as vielas de Alexandria até as quebradas do Carmelo naquela forma
rotunda que caracteriza sua eloquência Universitária o Dr topsi diz o ilustre Fidalgo lusitano transportava ali restos dos seus antepassados recolhidos por ele antes de deixar o solo sacro da Pátria no seu velho solar torre maneira de dizer singularmente falaz e censurável porque faz supor a Alemanha erudita que eu viajava pelas Terras do Evangelho trazendo embrulhados num papel pard os ossos dos meus avós nenhuma outra imputação me poderia tanto desa prazer e descon não por me denunciar à igreja como um profanador leviano de sepulturas domésticas menos me pesam a mim Comendador e proprietário as fules da
igreja que as folhas secas que às vezes caem sobre o meu guarda-sol de cima de um ramo morto nem realmente a igreja depois de ter embolsado os seus emolumentos por enterrar um molho dosos se importa que eles para sempre jazam resguardados sob a rígida paz de um mármore eterno ou que andem chocalhos nas dobras moles de um papel pardo mas a afirmação de tpsi desacredita perante a burguesia liberal e só da burguesia Liberal onipresente e onipotente se alcançam nestes tempos de semitismo e de capitalismo as coisas boas da vida desde os empregos nos Bancos até
as comendas da Conceição eu tenho filhos tenho ambições ora a burguesia Liberal Aprecia recolhe assimila com a lacid um cavalheiro ornado de avoengos e Solares é o vinho precioso e velho que vai apurar o vinho novo e cru mas com razão detesto Bacharel filho dalgo que passeie por diante dela enfunado e teso com as mãos carregadas de ossos de antepassados como um sarcasmo mudo aos antepassados e aos ossos que a ela lhe faltam por isso intimo o meu douto tpsi que com seus penetrantes óculos viu formar os meus embrulhos já na terra do Egito já
na terra de Canaã a que na edição segunda de Jerusalém passeada sacudindo pudicos escrúpulos de acadêmico e estreitos desd De filósofo divulgue Alemanha científica e Alemanha sentimental qual era o reio queh esses papéis pardos tão francamente como eu oelo a meus concidadãos nestas pginas de repouso e de Fas a realidade semprea embaraçada eando n pesadas roupagens da história Ora mais livre e saltando so a Caraça Vistosa da fara fim do prefácio sessão um de a relíquia Esta é uma gravação librivox todas as gravações librivox estão em domínio público para mais informações ou para ser um
voluntário por favor Visite librivox.org a relíquia de essa de Queiroz Capítulo 1 Parte 1 meu avô foi o padre Rufino da Conceição licenciado em Teologia autor de uma devota vida de santa e Prior da amendo irinha meu pai afilhado de Nossa Senhora da Assunção chamava-se Rufino da Assunção Raposo e vivia em Évora com a minha avó Filomena Raposo por alcunha a repolhuda doceira na rua do lagar dos dízimos o Papá tinha um emprego no correio e escrevia por gosto no farol do alentejo em 1853 um Eclesiástico ilustre Dom Gaspar de Lorena deor que é em
Galileia veio passar o São João a Évora a casa do côn Pita onde o Papá muitas vezes à noite costumava ir tocar violão por cortesia com os dois sacerdotes o Papá publicou no Farol uma crônica laboriosamente respig no pecúlio de pregadores felicitando Évora pela dita de abrigar em seus muros O insig prelado Dom Gaspar lume fulgente da igreja Íssima torre de santidade o Bispo de chassim recortou este pedaço do Farol para o meter entre as folhas do seu breviário e tudo no papá lhe começou a agradar até o asseio da sua roupa branca até a
graça chorosa com que ele cantava acompanhando-se no violão a chácara do Conde ordonho mas quando soube que este Rufino da Assunção tão Moreno e simpático era o afilhado carnal do seu velho Rufino da Conceição camarada de estudos no Bom Seminário de São José e nas Veredas teológicas da Universidade a sua afeição pelo Papá tornou-se estremos antes de partir de Évora deu-lhe um relógio de prata e por influência dele o Papá depois de arrastar alguns meses a sua madra pela alfândega do porto como aspirante foi nomeado escandalosamente diretor da Alfândega de Viana ciras cam-se de flor
quando papá chegou às Veigas suaves de entre Minho e Lima e logo nesse Julho conheceu um cavalheiro de Lisboa o Comendador G Godinho que estava passando verão com duas sobrinhas junto ao Rio numa quinta chamada o mosteiro antigo solar Dos Condes De Lindoso a mais velha destas senhoras Dona Maria do Patrocínio usava óculos escuros e vinha todas as manhãs da quinta à cidade num burrinho com o criado de farda ouvir missa a Santana a outra dona Rosa gordinha e trigueira tocava a arpa sabia de cor os versos do amor e melancolia e passava horas à
beira d'água entre as sombras dos amieiros rojando o vestido branco pelas relvas a fazer raminhos silvestres o Papá começou a frequentar o mosteiro um guarda da Alfândega levava-o violão e enquanto o Comendador e outro amigo da casa o margaride tor delegado se emem bebiam numa partida de Gamão e Dona Maria do Patrocínio rezava em cima o terço o Papá na varanda ao lado de Dona Rosa de fronte da lua redonda e branca sobre o Rio fazia gemer no silêncio Os bordões e dizia as tristezas do con de ordonho outras vezes jogava ele a partida de
Gamão Dona Rosa sentava-se então ao pé do Titi com uma flor nos cabelos um livro caído no regaço e o papá chocalhando os dados sentia a Carícia prometedora dos seus olhos pestan Duos casaram eu nasci numa tarde de sexta-feira de paixão e a mamã morreu ao estalarem na manhã Alegre os foguetes da Aleluia jais coberta de goivos no cemitério de Viana numa rua junto ao muro úmida da sombra dos chorões onde ela gostava de ir passear nas tardes de verão vestida de branco com a sua felpuda que se chamava Traviata o Comendador e Dona Maria
não voltaram ao mosteiro eu cresci tive o sarampo o papai engordava e o seu violão dormia esquecido Ao canto da sala dentro de um saco de Baeta Verde num julho de grande calor a minha criada gervásia vestiu meu fato pesado de velud preto o Papá pôs um fumo no chapéu de palha era o luto do Comendador Ginho a quem o Papá muitas vezes chamava por entre dentes malandro depois numa noite de inudo o Papá morreu de repente com uma apoplexia ao descer a escadaria de Pedra da nossa casa mascarado durso para ir ao baile das
senhoras Macedos eu fazia Então 7 anos e lembro-me de ter visto ao outro dia no nosso Pátio uma senhora alta e gorda com uma mantilha rica de renda Negra a soluçar diante das manchas de sangue do papá que ninguém lavara e já tinham secado nas Lajes a porta uma velha esperava rezando encolhida no seu mantel de bae Tilha as janelas da frente da casa foram fechadas o corredor escuro sobre um banco um Candieiro de latão ficou dando a sua luzinha de Capela fumarenta imtal ventava e chovia pela vidraça da cozinha enquanto a Mari choramingando abanava
o fogareiro eu vi passar no Largo da Senhora da Agonia o homem que trazia às costas o caixão do papá no alto frio do Monte a Capelinha da senhora com a sua cruz Negra parecia mais triste ainda branca e nua entre os Pinheiros quase a sumir-se na névoa e adiante onde estão as rochas gemia e rolava sem descontinuar um grande mar de inverno à noite no quarto de engomar minha criada gervásia sentou no chão embrulhado num saiote de quando em quando rangiam no corredor as botas do João guarda da Alfândega que andava a defumar com
alfazema a cozinheira trouxe-me uma fatia de pão de ló adormeci e logo achei-me a caminhar à beira de um rio claro onde os chos já muito velhos pareciam ter uma alma e suspiravam e ao meu lado ia andando um homem nu com duas Chagas nos pés e duas Chagas nas mãos que era Jesus nosso senhor passados Dias acordaram me numa madrugada em que a janela do meu quarto batida do Sol resplandecia prodigiosamente como um prenúncio de coisa Santa ao lado da cama um sujeito risonho e gordo fazia-me cócegas nos pés com ternura e chamava-me brejeiro
a gervásia disse-me que era o senhor Matias que me ia levar para muito longe para casa da tia patrocin e o Senor Matias com a sua pitada suspensa olhava espantado para as meias rotas que me calçar a gervásia embrulharam me no chale manta Cinzento do papá o João guarda da Alfândega trouxe-me ao colo até à porta da rua onde estava uma liteira com cortinas do leado começamos então a caminhar por Comprida das estradas mesmo adormecido eu sentia as lentas campainhas dos machos e o Senor Matias de fronte de mim fazia-me de vez em quando uma
festinha na cara e dizia ora camos uma tarde ao escurecer paramos de repente num sítio ermo onde havia um lamaçal o liteiro furioso praguejava sacudindo o archote aceso em redor dolente e negro cjav um piral o senr Matias enfiado tirou o relógio da algibeira e escondeu-o no cano da bota uma noite atravessamos uma cidade onde os candieiros da rua tinham uma luz jovial Rara e brilhante como eu nunca vira da forma de uma tulipa aberta na Estalagem em que apeamos o criado chamado Gonçalves conhecia o senr Matias e depois de nos trazer os bifes ficou
familiarmente encostado à mesa de guardanapo ao ombro contando coisas do Senor Barão e da inglesa do Senor Barão quando recolhíamos ao quarto alumiados pelo Gonçalves Passou por nós bruscamente no corredor uma senhora grande e branca com um rumor forte de sedas claras espalhando um aroma da almiscar era a inglesa do Senor Barão no meu leito de Ferro desperto pelo barulho das sjes eu pensava nela rezando ave Marias nunca roçar corpo tão belo de um perfume tão penetrante ela era cheia de graça o senhor estava com ela e passava Bendita entre as mulheres com um rumor
de sedas claras depois partimos num grande coche que tinha as armas do Rei e rolava a direito Por uma estrada Lisa ao trote forte e pesado de quatro cavalos gordos o Senor Matias de chinelas nos pés e tomando a sua pitada dizia-me aqui além o nome de uma povoação aninhada em torno de uma velha igreja na frescura de um vale ao entardecer por vezes numa encosta as janelas de uma calma Vivenda faiscavam com um fulgor Douro novo o coche passava a casa ficava adormecendo entre as árvores através dos vidros embaciados Eu via luzir a estrela
de Vênus alta noite tocava uma corneta e entrávamos atando as calçadas numa vila Adormecida de fronte do portão da Estalagem moviam-se silenciosamente lanternas morti em cima numa sala aconchegada com a mesa cheia de talheres fumavam as terrinas os passageiros arrepiados tirando as luvas grossas de lã e eu comia o meu caldo de galinha estremunhado e sem vontade ao lado do Senor Matias que conhecia sempre algum moço perguntava pelo doutor delegado ou queria saber como iam as obras da câmara enfim num domingo de manhã estando a chuviscar chegamos a um Casarão num Largo cheio de lama
o Senor Matias disse-me que era Lisboa e abafando no meu chale manta sentou me num banco ao fundo de uma sala úmida onde havia bagagens e grandes balanças de ferro um sino lento tocava a missa diante da porta passou uma companhia de soldados com as armas sob as capas de oleado um homem carregou os nossos baús entramos numa sede e Eu adormeci sobre o ombro do Senor Matias quando ele me pôs no chão Estávamos num pátio triste Lajeado de pedrinha miúda com assentos pintados de preto e na escada uma moça gorda cochichava com um homem
dopa Escarlate que trazia ao colo o mealheiro das Almas era Vicência A Criada da tia Patrocínio o Senor Matias subiu os degraus conversando com ela e levando-me ternamente pela mão numa sala forrada de papel escuro encontramos Uma senhora muito alta muito seca vestida de preto com um grilhão Douro no peito um lenço roxo amarrado no queo caía-lhe num bioco lúgubre sobre a testa e no fundo dessa sombra Negre dois óculos defumados por trás dela na parede uma imagem de Nossa Senhora das Dores olhava para mim com o peito trespassado de espadas Esta é a titi
disse-me o Senor Matias é necessário gostar muito da Titi é necessário dizer sempre que sim a titi lentamente a custa ela baixou o carão chupado e esdh eu senti um beijo vago Dea frialdade de pedra e logo a titi recuou enojada Credo Vicência que horror acho que lhe puseram azeite no cabelo assustado o beicinho já a tremer ergui os olhos para ela murmurei simti então o Senor Matias gabou meu gênio o meu propósito na liteira a limpeza com que eu comia a minha sopa à mesa das estalagens está bem rosnou a titi secamente era o
que faltava portar-se mal sabendo que eu faço por ele vá Vic leveo lá para dentro lave essa remela veja se ele sabe fazer o sinal da cruz senr Matias deu-me dois beijos repinicado a Vicência levou-me para a cozinha à noite vestiram me o meu fato de velud bilho e a Vicência séria da vental lavado trouxe-me pela mão a uma sala em que pendiam cortinas de Damasco Escarlate e os pés das Mesas eram Dourados como as colunas de um altar a titi estava sentada no meio do canapé vestida de seda preta tocada de rendas pretas com
os dedos resplandecentes de anéis ao lado em cadeiras também douradas conversavam dois eclesiásticos um risonho e nedio de cabelinho encaracolado e já Branco abriu os braços para mim paternalmente o outro moreno e triste rosnou só Boas Noites e da mesa onde fiava um grande livro de estampas um homenzinho de cara rapada e colarinhos enormes cumprimentou atarantado deixando escorregar a luneta do nariz cada um deles vagarosamente me deu um beijo o padre triste perguntou-me o meu nome que eu pronunciava tedco o outro amorável mostrando os dentes frescos aconselhou-me que separasse as sílabas e dissesse Teodorico depois
acharam parecido com a mamã os olhos a titi suspirou deu louvores a nosso Senhor de que eu não tinha nada do raposo e o sujeito de grandes colarinhos fechou o livro fechou a luneta e timidamente quis saber se eu trazia saudades de Viana Eu murmurei atordoado sim titi então o padre mais idoso in nedio chegou-me para os joelhos recomendou-me que fosse tement a Deus quetinho em casa sempre obediente a titi o te teorico não tem ninguém senão a titi é necessário dizer sempre que sim a titi eu repeti encolhido sim titi a titi severamente mandou-me
tirar o dedo da boca depois disse-me que voltasse para a cozinha para Vicência sempre a seguir pelo corredor e quando passar pelo Oratório onde está a luz e a cortina Verde ajoelhe Faça o seu sinalzinho da Cruz não fiz o sinal da cruz Mas entre abri a cortina e o oratório da Titi deslumbrou prodigiosamente era todo revestido de seda roxa com painéis enternecedor em caixilhos floridos Contando os trabalhos do Senhor as rendas da toalha do altar roçavam o chão tapetado os santos de marfim e de madeira com auréolas lustrosas viviam num bosque de Violetas e
de camélias vermelhas a luz das velas de Cera fazia brilhar duas salvas nobres de prata encostadas à parede em repouso como broquéis de santidade e erguido na sua cruz de pau preto sob um docel nosso senhor Jesus Cristo era todo Douro e reluzia cheguei-me devagar até junto da almofada de veludo Verde Pousada diante do altar cavada pelos piedosos joelhos da Titi ergui Jesus crucificado os meus lindos olhos negros e fiquei pensando que no céu os anjos os santos Nossa Senhora e o pai de todos deviam ser assim de ouro cravejados talvez de pedras o seu
brilho formava a luz do dia e as estrelas eram os pontos mais vivos do Metal precioso transparecendo através dos véus negros em que os embrulhava a noite para dormirem o carinho Beato dos hom depois do chá a Vicência foi me deitar numa alcinha pegada ao seu quarto fez ajoelhar em camisa junt mãos erg a face para o cé e ditou os padre nosos que me cumpria rezar pela saúde da Titi pelo repouso da mamã e por alma de um Comendador que fora muito bom muito Santo e muito rico e que se chamava Godinho fim do
Capítulo 1 Parte 1 sessão do de a relíquia esta gravação librivox está em Domínio Público a relíquia de essa de Queiroz Capítulo 1 Parte 2 apenas completei n anos a titi mandou me fazer camisas um fato de pano preto e colocou-me como interno no colégio dos isidoros então em Santa Isabel logo nas primeiras semanas liguei ternamente com um rapaz mais crescido que eu filho da firma telis Crispim e Companhia donos da fábrica do fiação a Pampulha o Crispim ajudava a missa aos domingos e De Joelhos com seus cabelos compridos e louros lembrava a suavidade de
um anjo às vezes agarrava no corredor e marcava a face eu tinha feminina e Macia com beijos devoradores à noite na sala de estudo a mesa onde foliáceo idolatrado e prometendo me caixinhas de penas de Aço a quinta-feira era o desagradável dia de lavarmos os pés e três vezes por semana o sebento padre suares vinha de palito na boca interrogar-nos em doutrina e contar-nos a vida do Senhor ora depois pegar e levaram de rastos à casa de caifás Olá o da pontinha do banco Quem era caifás emende emende adiante também não irra Cabeçudos era um
judeu o dos piores ora diz que lá num sítio muito feio da Judeia há uma árvore toda de espinhos que é mesmo de arrepiar a ceta do Recreio tocava todos a um tempo e de estalo fechamos a cartilha o tristonho pátio de Recreio ariado um saibro cheirava mal por causa da vizinhança das latrinas e o Regalo para os mais crescidos era tirar uma fumaça do cigarro as escondidas numa sala térrea onde aos domingos o mestre de dança o velho cavin frisado e de sapatinhos decotados nos ensinava mazurcas cada meixa Vicência de capote e lenço me
vinha buscar depois da missa para ir passar um domingo com a titi Isidoro Júnior Ant antes de eu sair examinava me sempre os ouvidos e as unhas muitas vezes mesmo na bacia dele dava-me uma ensaboadas Furiosa chamando-me baixo sebento depois trazia-me até à porta fazia-me uma carícia tratava-se de seu querido amiguinho e mandava pela Vicência os seus respeitos à senhora dona Patrocínio das Neves nós morávamos no Campo de Santana ao descer o chiado eu parava numa loja de estampas diante do lânguido quadro de uma mulher loura com os peitos nus recostada numa pele de tigre
e sustentando na ponta dos dedos mais finos que os do Crispim um pesado fio de pérolas a claridade daquela nudez fazia-me pensar na inglesa do Senor Barão e esse aroma que tanto me perturbar no corredor da Estalagem respirava o outra vez finamente espalhado na rua cheia de sol pelas sedas das senhoras que subiam para a missa do Loreto espartilhada e graves a titi em casa estendia me a mão a beijar e toda manhã eu ficava foliando volumes do Panorama Universal na saleta dela onde havia um sofá de riscadinho um armário rico de pau preto e
litografias coloridas com ternas passagens da vida puríssima do seu Favorito Santo o Patriarca São José a titi de lenço Roxo testa sentada à janela por dentro dos vidros com os pés embrulhados numa manta examinava solicitamente um grande caderno de contas às 3 horas enrolava o caderno e de dentro da sombra do Lenço começava a perguntar doutrina dizendo Credo desfiando os mandamentos com os olhos baixos eu sentia o seu cheiro Acre e adocicado a rapé e a Formiga aos domingos vinham jantar conosco os dois eclesiásticos o de cabelinho encaracolado era o Padre Casimiro procurador da Titi
dava-me abraços risonhos convidava a declinar áb árvores curos c proclamava com afeto talento e o outro Eclesiástico elogiava o colégio dos isidoros formosíssima estabelecimento de educação como não havia nem na Bélgica Esse chamava-se padre Pinheiro cada vez me parecia mais moreno mais triste sempre que passava por diante de um espelho deitava a língua de fora e ali se esquecia a esticá-la a estudá-la desconfiado e Aterrado ao jantar o Padre Casimiro gostava de ver o meu apetite vai mais um bocadinho da velinha guisada rapazes querem-se alegres e bem comidos e Padre Pinheiro palpando o estômago felizes
idades felizes idades em que se repete a vitela ele e a titi falavam então de doenças Padre Casimiro Coradinho com o guardanapo atado ao pescoço o prato cheio o copo cheio sorria beatific quando na praça entre as ávores começavam a luzir os candinheiros de gás a Vicência punha o seu chale velho de xadrez e ia levar-me ao Colégio a essa hora nos domingos chegava o sujeitinho de cara rapada e vastos colarinhos que era o Senor José Justino secretário da Confraria de São José e Tabelião da Titi um cartório a São Paulo no pátio tirando já
o seu palitó faz-me uma festa no queixo e perguntava a Vicência pela saúde da senhora dona Patrocínio subia nós fechá o pesado portão eu respirava consolad porque me entristecia aquele Casarão com os seus damascos vermelhos os santos inumeráveis e o cheirinho à capela pelo caminho a Vicência falava-me da Titi que a trouxera havia se anos da Misericórdia assim eu fui sabendo que ela padecia do fígado tinha sempre muito dinheiro em Ouro numa bolsa de seda verde e o Comendador Godin o tio dela e da minha mamã deixar-lhe 200 contos em prédios em papéis e a
quinta do mosteiro ao pé de Viana e pratas e louças da Índia Que rica que era titi era necessário ser bom dar sempre a titi à porta do colégio a Vic dizia Adeus amorzinho e dava-me um grande beijo muitas vezes de noite abraçado ao travesseiro eu pensava na Vicência nos braços que lhe vira arregaçados gordos e brancos como leite e assim foi nascendo no meu coração pudic uma paixão pela Vicência um dia um rapaz já de bulso chamou-me no recreio bisia desafiei para as latrinas ensui lhe lá a face toda com um murro bestial fui
temido fumei cigarros o Crispim saíra dos isidoros eu ambicionava saber jogar a espada e o meu alto amor pela Vicência desapareceu um dia insensivelmente como uma flor que se perde na rua e os anos assim foram passando pelas vésperas de Natal acendia um Braseiro no refeitório eu envergava o meu casacão forrado de Baeta e ornado de uma gola de astracã depois chegam as andinas aos beira do nosso telhado e noat da Titi em lugar de camélias vinha um braçadas dos primeiros cravos vermelhos perfumar os pés Douro de Jesus depois era o tempo dos banhos de
mar e o Padre Casimiro mandava a titi um gigo duvas da sua quinta de Torres eu comecei a estudar retórica fim do capítulo 1 parte do São de a relíquia esta gravação librivox está em Domínio Público a relíquia de essa de Queirós Capítulo 1 Parte um dia o noso bom procurador disse que eu não voltaria mais para os isidoros indo acabar os meus preparatórios em Coimbra na casa do Dr Rox lente de teologia fizeram-me roupa branca a titi deu-me num papel a oração que eu diariamente devia rezar a São Luís Gonzaga padroeiro da Mocidade estudiosa
para que ele conservasse em meu corpo a frescura da castidade e na minha alma o medo do senhor o Padre Casimiro foi me levar à cidade Graciosa onde dormita Minerva detestei logo o drout roo em sua casa sof vida dura e claustral e foi um inefável gosto quando no meu primeiro ano de direito o desagradável Eclesiástico morreu miseravelmente de um anás passei então para a divertida hospedagem das pimentas e conheci logo sem moderação todas as independências e as fortes Delícias da vida nunca mais rosnei a delid oração a São luí Gonzaga nem dobrei o meu
joelho viril diante de imagem Benta que usasse a auréola na nuca embebedam me com alarido nas camelas afirmei a minha robustez esmurrando sanguinolent um marcador do trone fartei a carne com saborosos amores no terreiro da erva vad ao Luar ganindo fados usava Moca e como a barba me vinha basta e negra Aceitei com orgulho a Cunha de Raposão todos os 15 dias porém escrevia a titi na minha boa letra Uma Carta humilde e piedosa onde lhe contava a severidade dos meus estudos o recato dos meus hábitos as copiosas rezas e os rígidos jejuns Os Sermões
de que me nutria os doces desagravar na cé e às novenas com que consolava al em Santa Cruz noo dos dias feriados os meses de verão em Lisboa er depois Dolorosos não podia sair mesmo a espar oabo semlor da ti uma liça Serv não ousa fumar ao café devia recolher virginal a noitinha e antes de me deitar tinha de rezar com a velha um longo terço no oratório eu próprio me condenara a esta detestável devoção tu lá nos estudos costumas fazer o teu terço perguntar-me com secura a titi e eu sorrindo abjeta Essa é que
nem posso adormecer sem ter rezado o meu rico terço aos domingos continuavam as partidas o padre Pinheiro mais triste queixava-se agora do coração um pouco também daiga e havia outro comensal velho amigo do Comendador Godinho fiel visita das Neves o margaride o que fora delegado em Viana depois juiz em mangualde rico por morte de seu humano Abel secretário da câmara patriarcal o doutor aposenta-se farto dos Altos E vivia em ócio lend os periódicos num prédio seu na praça da Figueira como conhecera o papá e muitas vezes o acompanhara o mosteiro tratou me logo com autoridade
e por você era um homem corpulento e solene já Calvo com um carão lívido onde destacavam as sobrancelhas cerradas densas e negras como carvão raras vezes penetrava na sala da Titi sem atirar da porta uma notícia pavorosa então não sabem um incêndio medonho na baixa apenas uma fumaça numa chaminé mas o bom margarite em Novo num Sombrio acesso de imaginação compusa duas tragédias e dali lhe ficara este gosto mórbido de exagerar e de impressionar ninguém como eu dizia ele saboreia o grandioso e sempre que aterra a titi e os sacerdotes sorvia gravemente uma pitada eu
gostava do Dr margar camarada do papá em Viana muitas vezes lhe ouvira cantar ao violão a chácara do Conde ordonho tardes inteiras vaguear com ele poeticamente pela Beira d'água no Mosteiro quando a mamã fazia raminhos silvestres à sombra dos amieiros e mandou-me as amêndoas mal eu nasci à noitinha em sexta-feira de paixão Além disso mesmo na minha presença ele gabava francamente a titi o meu intelecto e a circunspecção dos meus modos o nosso Teodorico Dona Patrocínio é moço para deleitar uma tia vossa excelência minha rica senhora tem aqui Um Telêmaco eu corava Modesto ora foi
justamente passeando com ele no Rocio num dia de agosto que eu conhecia um parente nosso afastado primo do Comendador G Godinho o Dr margaride apresentou-o dizendo apenas o Xavier teu primo moço de grandes dotes era um homem enxovalhado de bigode louro que fora Galante e desbaratar furiosamente 30 contos herdados de seu pai dono de uma cordoaria em Alcântara o Comendador Ginho meses antes de morrer da sua pneumonia tinha o recolhido por caridade a secretaria da Justiça com R 20.000 por mês o Xavier agora vivia com uma espanhola chamada Carmen e três filhos dela num casebre
da rua da fé eu fui lá num domingo quase não havia móveis a bacia da cara a única estava entalada no fundo roto da palinha de uma cadeira o Xavier toda manhã deitara escarros de sangue pela boca e a carm despenteada em chinelas arrastando uma bata de fustão manchada de vinho embalava sorumba pelo quarto uma criança embrulhada num trapo e com a cabecinha coberta de feridas imediatamente o Xavier tratando por tu falou-me da tia Patrocínio era sua esperança naquela sombria miséria a tia Patrocínio serva de Jesus proprietária de tantos prédios ela não podia deixar um
parente um Godinho definhar ali naquele cazebre sem lençóis sem tabaco com os filhos em redor esfarrapados a chorar por pão que custava a tia Patrocínio estabelecer lhe Como já fizera o estado uma mesadinha de r. mil réis tu é que lhe devias falar Teodorico tu é quem lhe devias dizer olha essas crianças nem meias tem anda cá Rodrigo dize aqui ao tio Teodorico que comeste hoje ao almoço um bocado de pão de ontem e sem manteiga sem mais nada e aqui está nossa vida Teodorico Olha que é duro menino enternecido prometi falar a titi fal
a titi eu nemia contar a titi que conhecia o Xavier e que entra nesse casebre impuro havia uma espa emagrecida no pecado e para que eles não percebessem o meu ignóbil terror da Titi não voltei à Rua da fé no meado de setembro no dia da Natividade de Nossa Senhora soube pelo Dr Barroso que o primo Xavier quase a morrer me queria falar em segredo fui lá de tarde contrariado a escada cheirava a febre a concha na cozinha conversava por entre soluços com uma outra espanhola magita de mantilha preta e corpinho triste de cetim cor
de cereja Os Pequenos no chão rapam um tacho da sorda e na alcova o Xavier enrodilhado num cobertor com a bacia da cara ao lado cheia de escarros de sangue tocia despedaçam és tu rapaz então que é isso Xavier ele exprimiu num termo obsceno que estava perdido e estirando-se de costas um brilho seco nos ol falou-me logo da Titi escrever-lhe uma carta linda de rachar o coração a fera não respondera e agora ia mandar para o jornal de notícias um anúncio a pedir uma esmola assinando Xavier Godinho primo do rico Comendador G Godinho queria ver
se dona Patrocínio das Neves deixaria um parente um Godinho mendigar assim publicamente na página de um jornal mas a é necessário que tu me ajudes rapaz que a enterne SAS quando ela ler o anúncio conta-lhe esta miséria desperta lhe o brio dize-lhe que é uma vergonha ver morrer ao abandono um parente um Godinho dize-lhe que já se rosna olha se hoje pude tomar um caldo é que essa rapariga A Lolita que está em casa da Benta bexigosa nos trouxe aqui quatro coroas vê tu a que eu cheguei comovido conta comigo Xavier olha se tens aí
cinco tostões que não façam falta dá-os a concha deios a ele e saí jhe que ia falar a titi solenemente em nome dos godinhos em nome de Jesus depois do almoço ao outro dia a titi de palito na boca e vagarosa desdobrou o jornal de notícias e de certo achou logo o anúncio do Xavier porque ficou longo tempo fitando o canto da terceira página onde ele negrea aflitivo vergonhoso medonho então pareceu me ver voltados para mim lá do fundo nudo cazebre os olhos Aflitos do Xavier a face amarela da concha lavada de Lágrimas as pobres
mãozinhas dos pequenos magras À Espera da codia de pão e todos aqueles assados ansiavam pelas palavras que eu ia lançar a titi fortes tocantes que os deviam salvar e dar-lhes o primeiro pedaço de carne daquele verão de miséria abri os lábios mas já titi recostando na cadeira rosnava com um sorrisinho feroz que se aguente é o que sucede a quem não tem temor de Deus e se mete com bebidas não tivesse comido tudo em relaxes cá para mim homem perdido com saias homem que anda atrás de saias acabou não tenho perdão de Deus nem tenho
meu que padeça que padeça que também nosso senhor Jesus Cristo padeceu baixei a cabeça murmurei e ainda nós não padecemos bastante tem a titi razão que se não metesse com saias ela ergueu-se deu as graças ao Senhor eu fui para o meu quarto fechei lá a tremer sentindo ainda regel e ameaçadoras as palavras da Titi para quem os homens acabavam quando se metiam com saias também eu me metera com saias em Coimbra no terreiro da erva ali no meu baú tinha eu documentos do meu pecado a fotografia da Teresa dos X uma fita de seda
e uma carta dela a mais doce em que me chamava único afeto da sua alma e me pedia 18 tões eu coera essas relíquias dentro do forro de um colete de pano receando as incessantes rebusca da Titi por entre a minha roupa íntima mas lá estavam no baú de que ela guardava a chave dentro do colete fazendo uma dureza de cartão que qualquer dia poderiam palpar os seus dedos desconfiados e eu acabava logo para titi abri devagarinho o baú Desc o forro tirei a carta delici da Teresa a fita que conservara o aroma da sua
pele e a sua fotografia de mantilha na Pedra da varanda sem piedade queimei tudo amabilidades e feições e sacudi desesperadamente para o saguão as cinzas da minha ternura nessa semana não ousei voltar à Rua da Fé depois um dia que chuvisca fui lá ao escurecer encolhido so meu guarda-chuva um vizinho vendo-me espreitar de longe as janelas negras e mortas do casebre disse-me que o Senor Godinho coitado fora para o hospital numa maca desci triste ao Comprido das grades do passeio e no Crepúsculo úmido tendo roçado bruscamente por outro guarda-chuva ouvi de repente o meu nome
de Coimbra lançado com alegria ó Raposão era o Silvério por AL o rinchão meu condiscípulo e companheiro de casa das pimentas estivera passando esse mês no alentejo com seu tio ricaço ilustre o barão da alconchel e agora de volta ia ver uma Ernestina rapariga que morava no Salitre numa casa cor deosa com roseiras à varanda queres tu vir cá um bucado Raposão está lá outra rapariga bonita a Adélia tu não conheces a Adélia Então que diabo vem ver a Adélia é é um mulherão era um domingo noite de partida da Titi eu devia recolher religiosamente
as 8 horas cocei a barba indeciso o rinchão falou da brancura dos braços da Adélia e eu comecei a caminhar ao lado do rinchão enfiando as luvas pretas munidos de um cartucho de pastéis e de uma garrafa de madeira encontramos a Ernestina a cozer um elástico nas suas botinas de durque e a Adélia estendida num sofá de Chambre e ensaia branca com os chinelos caídos no tapete fumava um cigarro lânguido eu sentei-me ao lado dela comovido e mono com o meu guarda-chuva entre os joelhos só quando Silvério e Enestina correram dentro à cozinha abraçados a
buscar copos para uma madeira ousi perguntar à Adélia corando Então a menina de onde é era de lamigo e eu novamente acanhado só pude gaguejar que era tristonho aquele tempo de chuva ela pediu-me outro cigarro cortesmente dizendo-me o cavalheiro apreciei estes modos as mangas largas do seu roupão escorregando descobriam braços tão brancos e macios que entre eles a morte mesma deveria ser deleitosa fui eu que lhe ofereci o prato onde a Ernestina colocar os pastéis ela quis saber o meu nome tinha um sobrinho que também se chamava Teodorico Isto foi como um fio Sutil e
forte que veio do seu coração enrodilhar no meu por que que o Cavaleiro não põe o guarda-chuva ali a um canto disse me ela rindo o brilho picante dos seus dentinhos Miúdos fez desabrochar dentro em mim uma flor de madrigal é para não me tirar daqui Dao pé da menina nem um instantinho que seja ela fez-me uma cócega lenta no pescoço eu abobado de gozo bebi o resto do Madeira que ela deixara no cálice a Ernestina poética e cantando fado alinhou-se nos joelhos do rinchão então A Adélia revirando languidamente puxou-me a face e os meus
lábios encontraram os seus no beijo Mais sério mais sentido mais profundo que até aí abalara o meu ser nesse doce instante um relógio medonho com o mostrador fingindo uma Face de lua e que parecia espreitar de sobre o mármore de uma mesa do mogno dentre dois vasos Sem Flores começou a dar 10 horas fanhoso irônico pachorrento Jesus era a hora do chá em casa da Titi com que terror eu trepei esbaforido sem mesmo abrir o guarda-chuva as vielas escuras e infindáveis que levam ao campo de Santana em casa nem tirei as botas em em ladas
enfiei pela sala e vi logo lá ao fundo no sofá de Damasco os óculos da Titi mais negros assanhados esperando por mim e fuzilando ainda balbuciei titi mas já ela gritava esver dinh de Cólera sacudindo os punhos Relaxa sões em minha casa não admito quem quiser viver aqui a de estar às horas que eu marco lá bostes e porcarias não enquanto eu for viva e quem não lhe agradar Rua sob a Rajada estridente da indignação da senhora dona Patrocínio Padre Pinheiro e o tabelião Justino tinham dobrado a cabeça embaçados Dr margaride para apreciar conscienciosamente a
minha culpa puxou o seu pesado relógio Douro e foi o bom Casimiro que interveio como sacerdote como procurador influente e suave Don tem razão tem muita razão em querer ordem em casa mas talvez o nosso Teodorico se tivesse demorado um pouco mais no Martinho ao ouvir falar de estudos de compêndios exclamei amargamente nem isso Padre Casimiro nem no Martinho estive sabe onde estive no Convento da Encarnação É verdade encontrei um condiscípulo meu que ia lá buscar a irmã hoje era festa a irmã tinha ido passar o dia com uma tia uma comendadeira estivemos à passear
no pátio a irmã vai casar ele andou a contar do noivo e do enxoval e do apaixonada que ela está eu morto por Me safar mas com cerim do rapaz que é sobrinho do barão alconchel e ele a falar da irmã e do namoro e das cartas a tia patrocí de furor Olha que conversa que porcaria de conversa que indecente conversa para o pátio de uma casa de religião cala Alma Perdida que até devias ter vergonha e fique entendendo para outra vez que ven a estas horas não me entra em casa fica na rua como
um cão então o Dr margaride estendeu a mão pacificadora e solene está tudo explicado o nosso Teodorico foi imprudente mas o sítio onde esteve é respeitável e eu conheço o barão alconchel é um cavaleiro da maior circunspecção e um dos mais abastados do alentejo talvez mesmo um dos mais ricos proprietários de Portugal o mais rico direi mesmo lá fora não haverá Fortuna territorial que lhe Ceda nem que se lhe compare só em porcos só em cortiça centenares de contos milhões erguera-se o seu vozeirão empolado rolava Serras Douro e o bom Casimiro murmurava ao meu lado
com brandura Tome o seu chazinho Teodorico vá tomando o seu chazinho creia que a tia não deseja senão seu bem puxei com a mão a tremer a minha chave na de chá e remexendo desfalecido o fundo de Açúcar pensava em abandonar para sempre a casa daquela velha medonha que assim me ultrajar diante da magistratura e da igreja sem consideração pela barba que me começava a nascer forte respeitável e negra Mas aos domingos o chá era servido nas pratas do Comendador G Godinho Eu via as maciças e resplandecentes deante de mim o grande bule terminando em
bico de pato o açucareiro cuja asa tinha a forma de uma cobra assanhada e o paliteiro Gentil em figura de macho trotando sobre os seus alforges e tudo pertencia a titi Que rica que era a titi era necessário ser bom agradar sempre a titi por isso mais tarde quando ela penetrou no oratório para cumprir o terço já eu lá estava de R oito e suando ao de ouro que me perdoasse ter ofendido a ti fim do Capítulo 1 Parte 3 toca livros baixe o aplicativo e termine essa história conosco