Já tem? Já ouviram falar sobre isso? Então, a primeira coisa que nós vamos pensar é: o que é conflito?
O conflito é qualquer situação que te traga desconforto, que te traga uma mudança de perspectiva, uma mudança de pensamento, uma mudança de olhar. Conflito é algo natural; ele acontece em qualquer lugar, com qualquer pessoa, em qualquer situação. Nós encontramos conflitos dentro das nossas casas, nós encontramos conflitos na internet, encontramos conflitos no ambiente de trabalho, no ambiente escolar.
O conflito é natural porque somos pessoas diferentes que fomos criadas de formas diferentes, por pais que já tinham pensamentos diferentes. Tiveram que chegar a um acordo de como os filhos. .
. Olha, às vezes não teve acordo; já começa a divergência aí dentro. Então, o conflito é natural de acontecer em qualquer lugar, se tiver ser vivo.
O ser vivo, assim, estou falando do ser vivo, que não acontece o conflito ali entre os homens e as zebras? Acontece! Acontece conflito entre os predadores, acontece conflito entre tipos diferentes de plantas.
Vocês sabiam que existem algumas plantas que não podem ser cultivadas juntas porque uma rouba o ar da outra e elas não conseguem se desenvolver juntas? Isso também é um conflito. Então, quando eu falo que existe conflito em qualquer lugar, eu estou realmente falando que existe conflito em qualquer lugar, entre qualquer ser vivo.
E isso é natural. O que resta a nós, réis mortais, é utilizar esse conflito de forma positiva ou ter uma visão desse conflito de forma negativa. Aí cada um vai tomar a sua decisão de como ele vai encarar essa situação que aparecer na sua vida.
Conflito é natural; nós precisamos ter isso muito bem arredondado dentro das nossas mentes. O nosso objetivo como mediador não é evitar o conflito, não é pedir que o conflito não exista. Ensinar as pessoas que um conflito não existe?
Muito pelo contrário! A função do mediador é utilizar esse conflito como um trampolim, como um olhar positivo, uma forma de evolução. O conflito traz todas essas possibilidades.
Então, as coisas que o mediador tem que falar para as partes, como for entrar na mediação, quando já estiverem ali no momento da mediação, é de normalizar o conceito, que ele acontece, que ele é natural, que ele precisa, inclusive, acontecer para que ocorra a evolução. Tudo bem? Então, o conflito é o quê?
O conflito é natural. A próxima slide. .
. E quando nós falamos de conflito, a gente tem que trazer um pouquinho pra dentro do nosso assunto, que é mediação escolar. Eu trouxe para vocês três matérias que encontrei na internet, mas eu fiquei assustada com a quantidade de matérias que encontrei colocando "conflito" e "escola" no mesmo buscador.
Escolhi essas três para trazer para vocês um pouquinho de ambientação. Ok? Então, a Unicef nos diz que metade dos adolescentes do mundo está vítima de violência na escola.
É um em cada dez estudantes brasileiros é vítima de bullying, um anglicismo que se refere a atos de intimidação e violência física ou psicológica, que ocorrem em ambiente escolar. O Brasil lidera índice de violência contra professores. O que podemos fazer?
Os casos de violência contra professores dentro das escolas seguem cada vez mais frequentes no país e apontam para as consequências na saúde física e emocional de profissionais da educação. Segundo a Revista Nova Escola, como que nós vamos encarar a escola com todos esses problemas? Só indo mesmo preparado para a guerra, não é mesmo?
Brincadeiras à parte, o que acontece é que a escola é o lugar onde o conflito acontece de todas as formas e de todos os níveis possíveis, porque nós estamos tratando de crianças e adolescentes que vêm de um seio familiar. Então, dentro de uma sala de aula, nós já temos uma diversidade muito grande de pensamentos, uma diversidade muito grande de comportamentos. E nós temos o professor, que é só um naquele momento, no ensino médio, com até 50 crianças — na verdade, 40 adolescentes — dentro da sala.
Como lidar com toda essa diversidade? Precisa saber formas de resolução de conflitos, principalmente porque lembra que eu falei do que é comunidade escolar? A família desses alunos também faz parte da comunidade escolar.
Então, quando você tem um conflito dentro da sala de aula, se ele não é resolvido de forma eficiente, de forma positiva, a família vem atrás, muitas vezes já posicionadas, porque ela vai saber do conflito pelo prisma do filho. Eles vão saber somente daquilo que o filho relatou; então, quando eles vêm à escola para falar sobre aquele conflito que não saiu resolvido, já chegou em casa de uma forma já posicionada, chega na escola já armada, chega na escola não muito ali querendo diálogo, mas querendo solução, querendo que alguém olhe para o seu filho e resolva a situação. Então, muitas vezes, acontece da família já chegar com raiva, acusando o professor, acusando o diretor de determinado comportamento ou de determinada situação.
Então, quando nós estamos falando sobre conflito dentro da escola, a gente encontra de tudo um pouco. E, agora, fez o seguinte: nós, como mediadores, sabemos da importância de saber todos os fatos, de escutar todas as pessoas que estão relacionadas àquele conflito. Mas quem sabe disso?
A família não sabe disso. O professor, que não tem tempo porque ele precisa dar conta de 50 alunos, mais um conteúdo muito extenso, com feriados no meio da semana que impedem de ter aula. .
. O que eles vão fazer? Eles vão resolver da melhor forma que eles sabem, usando autoritarismo, abafando o caso, deixando para lá e seguindo a vida, não?
Conteúdo! Só que nós, ir lá na BNCC (Base Nacional Comum Curricular), dentro daquelas 10 competências, nós precisamos que a escola também esteja disponível fazendo a sua obrigação de ensinar a alta empatia, de ensinar o autocuidado, de ensinar a comunicação e a argumentação. Porém, nós, como mediadores, precisamos também ter a empatia com esses profissionais, de saber que têm uma carga de.
. . Trabalho muito grande com 5 de dentro de sala de aula e, às vezes, não dá tempo de olhar para o aluno com um olhar diferenciado.
Então, o mediador escolar tem que chegar na escola sem julgamentos. É, sim, sempre tendo a verdade, o olhar empático de saber qual é a expectativa e a realidade dentro de uma sala de aula de um professor. A expectativa é que realmente essas habilidades sejam desenvolvidas com os alunos: argumentação, comunicação, empatia; mas a realidade é que se tem pouco tempo, muito conteúdo e muitos alunos.
Esta é a realidade. E qual é a realidade da família? A gente também precisa ter empatia com a família.
A família vai estar preocupada em fazer o trabalho de conseguir a renda familiar para pagar as contas e prover para os seus filhos, para toda a sua família. Ela vai escutar um problema que ocorreu na escola, que o filho contou. É claro que ela já vai ficar com raiva, porque a escola devia ter resolvido.
Porque não tenho tempo para isso, porque trabalho o dia inteiro, chego em casa e tenho que resolver o problema que vem da escola. Nós, como mediadores, também temos que ter empatia com essa situação e saber que a polarização vai vir de todos os lados. Cabe a nós utilizar as ferramentas e ensinar como resolver o conflito de forma positiva.
Então, acontecem muitos, muitos problemas, muitos conflitos vindo de todos os lugares: vão de dentro da sala de aula, vêm entre os professores, vêm dentro da família. Mas nós vamos falar um pouquinho mais sobre isso daqui a pouquinho. Estou falando de conflito e trouxe aqui para vocês algumas imagens que são engraçadinhas, mas preocupantes.
Na primeira, temos uma situação de bullying. Bullying é um termo muito importante para vocês conhecerem, se estiverem trabalhando com mediação escolar, porque bullying é uma forma de violência que acontece, principalmente, nas escolas. Para ser considerado bullying, precisa ser dentro de um ambiente escolar, tem que ser uma situação vexatória, uma situação de conflito que aconteça entre os mesmos participantes de forma contínua.
No caso, temos duas crianças, uma delas provavelmente xingando o outro colega que está tão triste que chega a chorar em cima dele. Para ser considerado bullying, essa situação tem que acontecer todos os dias, uma vez por semana, ou periodicamente. E quando a gente fala de bullying, não é somente o xingamento, tá?
Também envolve agressão física, esconder o material do colega e não devolver. Esses conflitos acontecem na escola, gente! Acontecem na sala de aula, onde um aluno pega um lápis, esconde e finge que não foi ele, só para deixar o outro colega triste, preocupado, se sentindo excluído.
Nós sabemos que uma das necessidades do ser humano é se sentir incluído, é se sentir pertencente, né? Então, bullying é qualquer uma dessas situações, mas não é qualquer uma dessas situações que acontecem de forma periódica entre a mesma criança contra o mesmo aluno. E nós temos as minhas regras e as sanções.
Um outro conflito que acontece com frequência em sala de aula são alunos que têm indisciplina. Uma das ferramentas que os professores utilizam, geralmente, na primeira semana de aula, é informar os combinados com as crianças. Se fazem os combinados e deixam na parede da sala ou em algum lugar que o professor achar interessante deixar dentro da sala de aula, que são os combinados que precisam ser seguidos.
Geralmente, quais são os combinados que são formados? Respeitar os professores e funcionários da escola, não falar enquanto a professora está explicando, respeitar o coleguinha, não xingar, não bater. São algumas das regrinhas que eu estou falando.
A professora anota e deixa ali. É uma ferramenta que ela utiliza e, caso ocorra alguma situação que já havia sido combinada e não seria tolerada em sala de aula, o que é isso? Lembram um pouquinho do contrato verbal da declaração de abertura, na verdade?
Então, quando estamos no âmbito da mediação, no processo de mediação, o que acontece muito? A gente fala para as partes: "Com licença, poderia esperar um pouco a sua vez? Porque a gente tinha combinado na declaração de abertura que canalizaria a sua vez.
" Então, deixa ele terminar de falar, que o senhor vai ter só sua própria hora de fala. Mas o que a gente faz? A gente relembra aqueles combinados que fizemos na declaração de abertura, as regras da turma.
Também, o professor utiliza dessa forma. Porém, isso causa conflito, porque, às vezes, o aluno não quer cumprir, mesmo que ele tenha participado do processo de construção daquelas regrinhas. E aí, como faz?
O professor manda para fora da aula, manda para a orientação, que foi o problema. Deixa o menino lá na orientação, volta para a sala com os outros alunos. E lá na orientação, a orientadora vai conversar com o aluno.
Se for algo mais grave, vai chamar os pais, vai dar uma advertência, vai dar uma suspensão, o que for dentro da medida do status que a própria escola tiver. Ok? E qual é o outro conceito que acontece muito?
O que comentei com vocês agora é que os pais vão para a escola. Os pais podem vir, não para ajudar a resolver o conflito, mas sim para trazer um conflito eles próprios. A forma de se olhar o professor mudou muito ao longo dos anos.
Antigamente, havia um respeito e zelo muito grande por aquilo que o professor representava diante de tudo que falava. Hoje em dia, o professor é muito questionado dentro da sua prática, é muito questionado quando. .
. O seu planejamento, a sua forma de avaliação. Então, alguns pais fazem isso: vir à escola confrontar o professor.
Às vezes, de forma direta, como está nessa tirinha. É bem direta, mas às vezes ela acontece de uma forma mais velada. Uma experiência que já aconteceu comigo algumas vezes, com alunos diferentes em escolas diferentes.
Já estou achando que é um padrão de comportamento de certos pais, ou talvez um fenômeno que a gente precise estudar um pouco mais a fundo e conversar mais sobre isso. Certa vez, mandei uma mensagem à mãe do aluno, avisando que ele não estava com a atividade feita porque ele não quis realizá-la no momento em que foi solicitado, durante a aula. Ele não quis terminar de fazer o registro, porque o professor faz a cópia no quadro, o menino corrige e copia no caderno, e responde ao processo.
O planejamento da aula é esse: o aluno não quis copiar. Eu conversei com ele e ele resolveu copiar, porém, com uma letra que não dava para ler, e decidiu não fazer a atividade. Falei novamente, usando um nome fictício, e perguntei ao João se ele não queria fazer, se poderia deixá-la para casa, mas que seria corrigido no dia seguinte.
Eu disse que era interessante ele fazer a atividade porque era para o aprendizado dele. Deixei passar porque percebi que ele não estava se sentindo muito bem; algo tinha acontecido que o deixou meio chateado naquele dia. Então, eu o deixei ter seu momento emocional e avisei que precisaria informar à mãe sobre sua decisão.
Tudo bem, então. Escrevi o bilhete, peguei a agenda e avisei sobre o que escrevi: informei que o aluno copiou a atividade, não da forma que ele costumava copiar, e que resolveu não realizar a atividade em sala de aula. Conversei com ele, mas ele preferiu não fazer.
No dia seguinte, a mãe me mandou um bilhete agradecendo por eu informar a ela o que tinha acontecido com seu filho, já que geralmente as professoras escondem as situações. Então, ela estava agradecendo por eu ter compartilhado com ela essa dificuldade e por eu ter deixado que ele resolvesse em casa, trazendo a atividade no dia seguinte. A atividade veio feita e eu achei que a situação estava resolvida.
Entretanto, uma semana depois, recebi um recado enorme no caderno de redação da criança, da mãe, questionando por que a professora, no caso eu, não estava corrigindo as redações dele, que tinha muitos erros. Ela fez uma carta com questionamentos, com situações nas quais ela não estava muito feliz comigo. Eu achei isso muito curioso e como não soube o que responder, entreguei para a coordenação, que é a minha próxima opção aqui dentro da escola.
Se há algum problema, eu vou à coordenadora. Eu entreguei a carta para ela e falei: "Não entendi por que ela está falando isso. " A coordenadora respondeu: "Não é porque todos os cadernos dessa origem?
Peguei e entreguei para ela, conversando, e disse assim: 'Conferir as minhas correções, veja se eu fiz alguma correção errada ou se deixei passar alguma coisa, e então você responde para a mãe porque eu não sei como responder'. " Joguei a bola para ela. No final do dia, ela me convidou para conversar e disse: "Anne, respondi para ela, mas não fica preocupada, porque conferi suas correções, estão todas certas, não tem nada que precisa ser corrigido.
Então, não precisa se preocupar, porque essa mãe está só desabafando sobre alguma coisa. " Deixei para lá, mas percebi que com essa família específica, sempre acontecia isso: se eu mandava algum questionamento para a família ou se dava alguma informação sobre o comportamento do aluno, como ele ter brigado com um colega ou ter algum conflito na hora da educação física, sempre que eu o informava, o comportamento do aluno não saía como o padrão esperado. Alguns dias depois, eu esperava receber uma carta da mãe reclamando de mim.
Tudo isso acontece porque, se o conflito não é resolvido, se você não chama as pessoas envolvidas para conversar e descobrir quais são verdadeiramente os interesses e os sentimentos por trás disso, você vai se encontrar em várias situações que poderiam ser evitadas. Se, na época, essa situação tivesse acontecido comigo e eu tivesse o conhecimento sobre mediação escolar e comunicação não-violenta, eu teria resolvido isso de uma forma diferente. Já chamaria a família para conversar e entender qual era a dinâmica daquele aluno, para descobrir quais eram realmente os interesses e a verdadeira questão que estava aparecendo nos conflitos, que não estavam saindo resolvidos, pois o conflito estava sempre se reapresentando.
Ter esse olhar empático, separar a pessoa do problema, é de extrema importância. Se nós, como mediadores, não prestamos atenção no que falamos com muita repetição e exemplos, falamos bastante ali na mediação judicial. Se não descobrirmos as questões reais e os sentimentos por trás das situações, vamos cair na cilada de sempre ter o mesmo conflito, de formas diferentes, para serem resolvidos, porque ele não foi conversado ali no âmago da questão.
E, dentro da escola, a mediação precisa ter essa empatia; ela precisa ter. Esse olhar cuidadoso do ouro é porque, em uma relação continuada, essa criança vai estar na escola todos os dias e essa mãe vai estar todos os dias indo e malhando essa criança na escola. Então, é uma situação que você pode deixar desagradável pelo mundo inteiro e por mais de um ano inteiro, porque esse aluno às vezes continua na mesma escola por mais de um ano.
Você vai cruzar com essa mãe que teve esse conflito nos corredores por vários anos e vai ficar aquele sentimento, aquele desconforto toda vez que passar, porque as questões, os interesses reais e os sentimentos não foram resolvidos, não foram trabalhados profundamente, que é o que a mediação traz como oportunidade. Tais como ocorre a oportunidade do diálogo profundo, o diálogo do real e não somente aquela conversa de voo, escutar para argumentar. Muito pelo contrário, nós trazemos a possibilidade de escutar para compreender, assim como falar para ser compreendido.
Então, isso é muito importante, porque é uma situação continuada, é uma relação continuada. Uma situação que acontece hoje, se ela não for resolvida da forma correta, de uma forma positiva, ainda vai trazer conflitos, ainda vai aumentar as espirais de conflito até o final do ano, talvez por mais tempo. Então, o mediador escolar tem essa possibilidade, ele tem essa importância nas escolas.
É um nicho de trabalho que pode ser muito bem explorado, porque, mesmo tendo as diretrizes, mesmo tendo o projeto de escola com portas abertas, não existe ainda um acompanhamento nas escolas direcionado ao conflito. Não há orientador que vá resolver a indisciplina, mas a forma como eles resolvem a indisciplina geralmente é com autoritarismo: "Se você não se comportar, seu pai vai ser chamado para a escola"; isso está na base das ameaças. "Se você repetir esse comportamento, você vai ficar sem intervalo"; "Se você continuar brigando com a professora, você vai ficar uma semana sem poder jogar futebol.
" Então, vocês percebem? Punição não resolve; dessa forma, ameaça não resolve o conflito. Um mediador tem muito espaço para trabalhar dentro da escola, porque os conflitos que não são resolvidos de forma positiva não são tratados como oportunidades de melhoria.
Eles são realmente adaptados ou utilizados do autoritarismo para resolver, porque não resolvem. Esse tipo de conflito acaba acontecendo sempre, sempre, sempre com as mesmas partes, até o final do ano. Então, os profissionais ficam cansados, as crianças ficam cansadas e a escola acaba tendo um peso muito grande por conta de conflitos que poderiam ser resolvidos se de uma forma produtiva, de uma forma diferenciada do que está sendo feito hoje em dia.
Então, o espaço que o mediador escolar tem é muito amplo para fazer projetos, acompanhar as escolas nesses projetos, fazer formação com os profissionais, fazer formação com as escolas, fazer formação com os alunos. Existe muita possibilidade de trabalho de conflito dentro da escola, porque, na base diária, vários conflitos acontecem no mesmo dia dentro da escola. Veja bem, a escola não tem uma turma só; ela atende crianças desde o Pré até o Ensino Médio.
Então, há muita possibilidade de resolução de conflitos para o mediador trabalhar e fazer uma mudança social, ensinando como lidar com esses conflitos de formas positivas. Qual é o melhor lugar para começarmos uma mudança de cultura dentro das escolas? Se a gente ensina as crianças a trabalhar de forma produtiva um conflito, elas levarão isso para o resto da vida.
Imagina que coisa linda começar uma mudança de cultura dentro da mediação escolar. As possibilidades são infinitas. Eu posso ir para o próximo slide.
Não tem problema. Dentro da moderna teoria do conflito, nós temos as espirais do conflito. Segundo o modelo de espiral de conflito, há uma progressiva escalada em relações conflituosas, resultante de um ciclo vicioso de ação e reação.
A reação forma-se mais severa do que a ação que a precedeu e cria uma nova questão, um ponto de disputa. Então, olha só, meu conflito começou aqui. Só que não foi resolvido de uma forma positiva, nem foi resolvido.
Então, o meu conflito descobre um outro ponto de problema e vai aumentando. Cada uma dessas voltas é um conflito novo que surge a partir daquele primeiro. Quando chegamos lá em cima da espiral do conflito, nem lembramos mais qual foi a sua origem, porque ali está dizendo que a reação torna-se mais severa que a ação que a precedeu.
Fisicamente, não é mesmo? Se eu tenho uma resposta, se tenho uma ação contra mim, eu dou uma resposta de igual ou maior intensidade. E aí, a espiral do conflito só aumenta e a minha origem acaba sendo esquecida.
Bom, então precisamos resolver, descobrir as questões, descobrir os interesses reais, porque, às vezes, o mediador chega na situação e o conflito já está lá em cima. Aí precisamos usar todas as técnicas, todas as ferramentas para descobrir o interesse real, para descobrir a origem da questão e poder dar as possibilidades de diálogo e as possibilidades de resolução. Se a gente não conseguir chegar no interesse real, o conflito continua a aumentar, porque o que é importante não foi resolvido.
Então, novamente, lembramos da questão dos interesses reais e sentimentos. Nós precisamos chegar ao fundo da questão; precisamos descobrir o que realmente está fazendo essas pessoas estarem em conflito. Se não descobrirmos, resolveremos aquele problema, mas teremos que resolver o outro daquelas mesmas pessoas, porque o principal não foi conversado, o principal não foi falado.
Então, espirais de conflito são algo que precisamos observar com atenção. Precisamos ter uma escuta ativa. Afiada para descobrir nas entrelinhas sobre aquilo que as partes estão falando, isso é de extrema importância.
Isso é fundamental. No próximo slide, 1, e ainda na moderna teoria do conflito, Morta, um bestas apresentou a importante classificação de processo de resolução de disputas como destrutivos e como construtivos. O processo descritivo se caracteriza por ter uma tendência a expandir o conflito, fazendo com que o conflito se torne independente de suas causas iniciais, assumindo feições competitivas nas quais cada parte busca se sair vencedora.
Então, nós temos aqui duas formas de encarar o conflito: nós temos a forma construtiva e temos a forma descritiva. Se nós escolhemos encarar o conflito de forma destrutiva, nós temos esta situação: nós temos uma espiral que vai aumentando, que vai crescendo, e que aqui está mudando a sua natureza daquela entende oficial daquele conflito inicial. Quando a gente diz, muitas vezes, já aconteceu de eu escutar crianças brigando e eu perguntar por que vocês estão brigando, e eles falarem que nem sabem.
O motivo inicial não foi resolvido; eles continuaram brigando, continuaram brigando, continuaram brigando. A espiral foi crescendo, foi crescendo, foi crescendo, e eles nem lembravam mais qual era a causa de tanto estardalhaço, de tanta briga, de tanta confusão. Então, quando nós temos uma visão descritiva de um conflito, muito provavelmente a natureza desse conflito se modifica, e ele também aumenta, ficando muito mais difícil para as partes saírem de suas posições e chegarem a um campo comum, porque já esqueceram qual foi o início daquela confusão.
Por quê? Porque eles ficaram tão polarizados, ficaram tão preocupados em ganhar a discussão, em ganhar a disputa, em sair vencedores, que perderam toda a perspectiva. E aí, o que faz agora?
O mediador utiliza das suas ferramentas para escutar ambas as partes e descobrir o interesse real que havia por trás de tudo aquilo. No próximo slide, elementos típicos de um processo construtivo. Como eu falei para vocês lá no início, o conflito é natural, o conflito é normal.
Nós é que temos que decidir como vamos encarar: se vai ser de uma forma descritiva, ou seja, deixando a espiral do conflito crescer e modificando a natureza daquele conflito inicial, ou se podemos encarar de forma produtiva. Na forma produtiva, nós conseguimos mais elementos, como a gente sabe que nosso conflito está sendo resolvido de forma produtiva, está tendo uma boa comunicação, entre aspas, e a informação é compartilhada. Existe confiança e respeito mútuo, percepção das semelhanças de valores e crenças, aceitação da legitimidade do outro, e o processo é centrado no problema e não nas posições.
E quando nós estamos em audiência judicial, mesmo quando fazemos a nossa declaração de abertura, pedimos para ter uma boa comunicação, uma escuta empática, um "fale", e o outro "escute", que cada um vai ter o seu momento de fala. Outra coisa que nós fazemos é aceitar a legitimidade do outro. Enquanto eles ainda não têm essa habilidade de fazer um pelo outro, nós fazemos por meio da validação de sentimentos.
A validação dos sentimentos é uma ferramenta que utilizamos para mostrar para eles que tudo bem se sentirem daquela forma. E a partir disso, como que a gente resolve isso? Então, utilizamos esses tópicos, inclusive nas ferramentas, dentro da declaração de abertura: informação compartilhada.
Quando estamos na mesa de mediação, escutamos as informações de um, escutamos as informações do outro, e às vezes surgem informações novas. O que está acontecendo? Está acontecendo um compartilhamento, está tendo a oportunidade de ver a situação pelo olhar do outro, de entender como o outro se sentiu, de conseguir informações que, no momento do conflito, não sabia.
Então, tem esse momento da troca de informações, de realmente trazer todo mundo com os mesmos dados, para que as partes saiam para uma outra conversa, continuando aquela conversa, em vez de ficar naquele conflito. A percepção de valores e crenças acontece quando o mediador faz aquelas recontextualizações, quando ele faz a validação de sentimentos comuns, quando fala sobre os interesses comuns. Por isso, mais uma vez eu vou afirmar: é fundamental para o mediador conseguir trazer semelhanças de valores e crenças para as partes, para que elas entendam que têm similaridades que as aproximam do outro.
Precisamos entender quais são as questões, os interesses reais e os sentimentos. Para isso, precisamos escutar com muita atenção o que elas estão dizendo e o que está por trás da fala delas também. E, a partir do momento que as partes, que estão conflituosas, que estão polarizadas, percebem que têm algo em comum, a conversa já se modifica, já abre a possibilidade de entrar em opções, em entrar na negociação, de conseguirem chegar a um resultado comum, benéfico para todos.
Elas percebem que já têm algo em comum e conseguem chegar a uma solução que seja boa para todo mundo. Então, olha só! Sejam capciosas, sejam capciosos.
Temos aqui confiança e respeito mútuo. A gente também fala isso na hora da declaração de abertura. Pedimos para quem não tem empatia com o outro que haja com respeito, que nós estamos naquele momento de oportunidade de diálogo, que cada um vai ter a sua vez, cada um vai ser respeitado em sua fala.
E isso começamos a abrir uma ponte de conversa, abrir uma ponte de diálogo entre eles. O mediador tem que estar muito centrado e muito equilibrado. Se as partes estão muito polarizadas, o mediador deve dar o exemplo de comportamento: respeitar a fala de um, respeitar a fala do outro, respeitar os sentimentos que eles estão ali.
Naquele momento em que eles demonstram ou não demonstram, percebem do equilíbrio do mediador, o respeito com que ele trata a aceitação e a boa comunicação. Eles começam também a encontrar esses fatores entre eles mesmos. Oi, e o processo centrado no problema é aquela técnica da negociação que a gente fala: separe a pessoa do problema!
A pessoa não é definida por aquele conflito que a trouxe para a mediação; ela é muito mais. Ela é um ser humano, então a gente precisa olhar com empatia. A partir do momento em que nós temos essa postura de separar a pessoa do problema, eles também, por reflexo, começam a fazer isso uns com os outros e a fazer isso consigo mesmos.
E aí vem aquela coisa muito bonita, né? No momento da mediação, muitas vezes acontece um pedido de desculpas; às vezes, ocorre uma admissão de que, realmente, ele era um bom vizinho, que foi só no dia da festa que teve a música alta. O exemplo acontece muito no dia a dia da mediação.
Quem já teve a oportunidade de fazer o estágio, quem já teve a oportunidade de assistir a mediações reais ali no tribunal, percebe que isso acontece: o pedido de desculpas e a admissão de que a outra pessoa é uma boa pessoa, que ela realmente fez coisas positivas antes; que foi só aquela situação que foi diferente. Tudo isso, quando ocorre, já muda toda a situação, todo o ar da mediação. Geralmente, quando a fala desse tipo parte deles mesmos, já entra numa facilidade de diálogo, já entra em uma possibilidade de negociação.
Então, se eles não conseguem fazer isso por eles mesmos, o mediador, como um terceiro, utiliza as técnicas para que eles cheguem nesses tópicos típicos de um processo construtivo, de uma forma positiva de resolver uma situação, um conflito, de resolver um problema. Ok? O conflito é inerente à condição humana e pode representar uma oportunidade para a construção do diálogo e da cooperação.
Ele pode significar perigo se o impasse permanecer e a situação conflitiva continuar. É aí que a nossa espiral do conflito aumenta e a natureza do conflito se modifica; ele começou de uma forma e terminou de outra completamente, porque o impasse permaneceu e a situação conflitiva continuou. E ele pode significar oportunidade se forem criadas novas opções e possibilidades para que os indivíduos criem e solucionem problemas cotidianos.
Quando nós conseguimos chegar neste ponto em que as partes do conflito que estão ali na mediação percebem que têm opções de resolução, que elas têm várias possibilidades de escolha, quando elas se sentem participantes da resolução, participantes da criação de uma saída daquela situação, elas se sentem contentes, mais capazes e acabam trazendo mais possibilidades. Então, isso é muito importante: a mediação. Nós precisamos estar preocupados, como mediadores, se as partes estão participando porque elas querem participar; ou seja, o princípio da voluntariedade.
Elas também estão participando da solução, porque o mediador está ali como uma ponte, ele não está ali como alguém que vai resolver o problema. Não é o mediador que vai trazer uma solução; é ele que vai mostrar que existem possibilidades! As partes têm que se sentir como se estivessem resolvendo a questão, porque, para realmente acontecer, elas devem se sentir protagonistas da sua mediação.
Elas precisam se sentir protagonistas da solução; elas que criaram o conflito precisam participar da conclusão da resolução daquele conflito. Então, quando elas sentem essa responsabilidade, a possibilidade de cumprirem com o acordo e de conflitos parecidos acontecerem diminui muito, porque elas são protagonistas. Elas aprendem a resolver seus próprios conflitos.
O mediador age apenas como uma ponte, como um terceiro imparcial; ele não está ali como o mágico resolvedor de problemas. Nós somos mágicos resolvedores de problemas, nós somos pontes de diálogo, pontes de possibilidades, pontes de criação. Ok?
Então, essa ideia é muito, muito, muito importante para levar no coração de vocês. Ela está dentro do documento "Diálogos nas mediações de conflitos nas escolas", que foi feito e traz formas e possibilidades de resolução de conflitos para as escolas.