E aí [Música] eu nasci sem voz no dia frio e nublado no Brooklyn em Nova York ninguém falava do que eu tinha só fui saber que era muda anos depois quando abrir a boca para dizer o que eu queria e percebi que ninguém podia me Over lá de onde eu venho a falta de voz é Parte do Meu gênero tão normal quanto os seios no tórax de uma mulher e tão necessária quanto as gerações futuras que crescem dentro de seu ventre mas nunca será explícito Claro lá de onde eu venho aprendemos a esconder isso que
temos fomos ensinados a nos silenciar e que o silêncio pode nos salvar só agora muitos anos depois descobri que isso não era verdade só agora escrevendo essa história sendo a presença da minha voz Este é o primeiro parágrafo do livro Uma Mulher não é um homem daí tá frio aí ta frio é uma altura norte-americana descendente de palestinos os avós e os pais dela viviam nos campos de refugiados lá na região da Síria mais próximo a Palestina e resolvi a imigração para os Estados Unidos para sair daquela situação a ONU olho reconhece 58 Campos de
refugiados mais de um milhão e meio de palestinos vivem nessas condições que são condições bastante precárias então ele não tem muito acesso à água a comida e a coisas básicos como educação e trabalho e alguns deles saem de lá justamente para tentar uma vida melhor nos Estados Unidos ou em qualquer outro lugar e esse foi o caso da família daí tá frio mas ela já cresceu em Nova York ela é norte-americana mas ela queceu dentro dessa cultura então eles tinham uma cultura muito forte é uma cultura muito tradicional e silenciava de fato as mulheres né
então esse livro é um livro basicamente sobre a perspectiva das mulheres palestinas mesmo vivendo aí nessa nessa cultura diferente e é muito interessante porque as entrevistas da autora mostram que ela justamente como ela mudando aos poucos enquanto eu escrevi o livro ela fala que escrever Esse livro foi uma libertação para ela que ela foi criada nessa Sociedade do casamento da mulher provedora da mulher materna né da coisa de a cuidar e mas eu pensando sempre em estudar então ela Ela pediu permissão para o marido a gente se casar e ela só aceitou se casar na
verdade se ela pudesse estudar então as casou teve os filhos é um casamento arranjado um casamento né Que que foi um acordo entre famílias teve dois filhos pois ser professora de literaturas formou foi professora de Literatura e resolveu escrever Então esse é o primeiro romance dela de lançamento é de 2019 depois de celular acabou se divorciando enfim casou novamente e ela reconstruiu a história dela também curta colocado isso tudo no papel essa é uma medição trazida para o Brasil também 2019 pela Primavera editorial que tem um trabalho bem legal sobre obras femininas Então vale a
pena conferir também o livro ele é contar o seu perspectiva de três mulheres aí a fareda e a Deia a história da isso ela começa a se desenrolar lá e 990 o livro começa na verdade com o arranjo do casamento da Iza eles estão na Palestina né a família vive na Palestina e essa outra família que eu faria vai à Palestina buscar uma esposa para o filho e essa esposa ela ela segue aqueles padrões culturais estabelecidos né dentro dessa lógica que são uma mulher que sabe cozinhar uma mulher silenciosa uma mulher obediente uma mulher que
entende dos costumes e é justamente isso que eles vão buscar dentro dessa casa e ao mesmo tempo a família da Isa Ela quer quase como um sentimento de que o casal dentro dessa cultura Ou pelo menos da forma que é colocada no livro é quase como tirar um fardo da família porque é de fato menos uma boca para alimentar já que a mulher ela não trabalha e não traz renda né é uma coisa que a família busca cura esse sentido e também pela pela própria questão da de significar assim né de ser o que a
mulher foi foi feita para ser então é isso eu tenho só tenho 17 anos na época que começa esse livro e ela então se casa com lado que é o filho da ferida esse casamento ele é muito comemorado dentro da cultura Palestina principalmente porque você casar é uma família que mora nos Estados Unidos tem todo aquele glamour aquele brilho e na verdade muito mais básico do que isso a certeza de que não vai faltar comida na mesa né é uma festa muito grande em torno desse casamento Mas aí isso ela já carrega questionamento ali ela
ela liga livros e ela vir a história de romance Ela queria casar por amor e ela não conseguia enxergar amor dentro do casamento dos pais dela né dentro de casa e ela também não tava conseguindo enxergar amor nesse casamento aí arranjando com o ano que vem então a seu marido dela as areda ela ela já traz uma perspectiva de uma pessoa que viveu no campo de refugiado Então ela tinha muito pouco né e para ela morar nos Estados Unidos e ter de novo o básico que é comida e a água e uma moradia né enfim
já é muita coisa já é um motivo de muita comemoração Então ela Traz essa perspectiva e ela não consegue entender essas indignações que partem da isso aí Com certeza que ela carrega ao longo do livro e é uma mulher que ela sempre está voltada para os costumes e para manter esses costumes assim ela é uma mulher muito tradicional dentro da cultura é de manter essa cultura Palestina mesmo que fora do território e por último tem a Déia daí é a filha da isso é com ada e a dela já cresce nessa sociedades né ela mesmo
que ela cresça Ela vai para uma escola muçulmana e ela e as irmãs elas frequentam somente a comunidade Palestina ela já cresce um questionamento mais aguçado e é muito interessante ver como essas Três Gerações encaram essa cultura que é uma cultura muito focada no patriarcado E aí tudo que toda a Trama que se Desenrola ao longo do livro em relação a essas três mulheres essas três formas de enxergar essa cultura uma coisa que eu comecei a me perguntar quando eu li esse livro é sobre o próprio conflito da Palestina com Israel tem uma pesada a
gente escutar bastante sobre esse conflito né vira e mexe e passa no baiano é sobre isso sempre foi uma coisa muito distante pelo menos da minha realidade e na verdade eu pesquisando Descobri que esse conflito começou lá no Império Romano o império romano então Roma né expulsou os judeus do território e os judeus ficaram meio sem ter para onde ir então ele se espalharam aí no mundo né A Perseguição dos judeus é uma coisa que a gente escuta bastante ali a parte da segunda guerra mundial com o holocausto e tudo mas ela começou lá na
Idade Média perguntaram duas coisas né juntar juntou essa perseguição aos judeus com a falta de um território né próprio deles e se formou um movimento que chama o movimento sionista e esse movimento sionista ele ganhou bastante Força aí com a Segunda Guerra e obviamente pela pela dimensão da coisa pela proporção que se tomou a migração dos judeus para o território até então um palestino ela começou a ocorrer cada vez mais então o movimento sionista ele nada mais é do que o movimento que defende a formação de um estado para a Comunidade Judaica e esse movimento
foi se fortalecendo se Oi tá aqui na segunda guerra mundial ele ganhou Aí sim uma proporção bastante relevante e no final da segunda guerra né com a formação da ONU a hora acabou decretando a Fundação do Estado de Israel que até hoje perdura essa formação ela tem uma divisão de Jerusalém né que a então considerada a terra a terra Sagrada por ambos os os povos então tem a Jerusalém oriental que fica do lado da Palestina Jerusalém ocidental que é do lado do de Israel mas existem obviamente aí muitos conflitos territoriais né acerca disso bom agora
imagem 2021 a gente viu mais um episódio desse conflito entre Palestina e Israel do lado palestino tem um grupo terrorista político terrorista Na verdade o ramais que foi o responsável por esse conflito específico contra Israel bons sonhos conflito morreram mais de 212 palestinos e 10 israelenses todos esses conflitos e guerras no mundo de forma geral levam a gente um cenário de imigração bastante intenso tem os conflitos na em relação a isso se a última estimativa da ONU é que um por cento da população mundial fez um deslocamento forçado deslocamento forçado a nada mais é do
que pessoas deslocando de fato por perseguições por guerras ou por conflitos políticos e ideológicos e só para a gente ter uma dimensão na última década esse número mais do que dobrou a gente tinha cerca de 40 milhões de pessoas deslocadas né forçadamente e a gente passou para 80 milhões agora em 2020 falando especificamente de palestinos essa população é estimada em cerca de 5,6 milhões de palestinos vivendo fora do seu território ou deslocadas de seu território é normalmente para países mais próximos para regiões mais próximas mas também aí respingando eventualmente em países mais distantes Esse é
o caso então do que se passa no livro do conceito do livro que essa família mora em Nova York apesar de Nova York não ser o Grande centro da imigração Lara A China é uma cidade extremamente cosmopolita então só em Nova York 37 por cento da população é emigrante essa população emigrante ela é de fato mais focado aqui na América Central na América do Sul mas também tem comunidade de todo mundo tanto é que em Nova York é bastante conhecida pelos bairros né então tem um little Italy tem o livro O Brasil até inclusive e
também dentro de Nova York desde o Brooklyn tem esse bairro que é o beibleach ele abriga diferentes comunidades Na verdade ele começou com noruegueses depois foi para gregos mas ele é sim considerado o coração da comunidade árabe No Brooklin E alá que se Desenrola todas conflito do livro e apesar de cessionário extremamente rico último polita na cidade é é como se no livro A essas pessoas essa essas mulheres elas vivem completamente isoladas então elas não tem muita vivência com a cidade ou muito a troca elas poderiam viver honestamente em qualquer lugar do mundo porque elas
vivem realmente Ou pelo menos o que é O livro é dentro dessa comunidade dentro desses a dessa cultura EA comunicação ela é muito pouca com o mundo externo né então é uma coisa muito a casa trabalho para os homens casa a escola para as filhas para as mulheres mais novas e no máximo uma visita outra a uma pessoa que também segue os mesmos a conceitos e preceitos dessa mesma dessa cultura então é uma é uma disparidade muito grande isso gera também um certo conflito ao longo do livro que é você tá numa cidade que tem
de tudo e de todos mas ao mesmo tempo você tá isolado dentro dessa cidade eu acho que deu para perceber que nesse livro A questão do patriarcado é extremamente relevante e faz parte de todo o conflito que envolve essa narrativa a o papel da mulher ele é representado e ele é falado E lembrando que esse livro é baseado na história da própria autora né então ele tem um quê de bastante verdade aí dentro desse desse contexto e é e vai dando até um certo nervoso assim né porque é difícil para gente que tá em outro
contexto né olhar para isso e achar normal né Essa coisa em torno do Casamento né do casamento desde cedo da escolha de pretendentes então a Déia lá com 17 anos ela tá fazendo entrevista com os pretendentes porque eles falam que um prefeito deles é de fato escolher né Que deve ser uma escolha da mulher uma escolha do homem em casamento Mas aquela escolha mais ou menos assim né você escolhe o pretendente mas você não escolhe a cultura né Assim você não escolhe tudo que vem com ele e me chamou muita atenção nessas negociações ao longo
do livro que as mulheres fazem nessas entrevistas com pretendentes nessas conversas sobre estudar e os homens falam que tudo bem as estudarem depois que elas cumprirem as obrigações que são basicamente casar cuidar do marido ter filhos cuidar dos filhos assim o estudo vem depois Além disso no próprio dia a dia é usado assim até sufocante de ver se essa rotina nessa rotina da servidão e ela é pesada para os dois lados e isso é uma coisa bem legal que a autora traz e até entrevistas da própria autora Ela traz isso a cultura do patriarcado ela
é ruim para os dois lados né E ela retrata também isso lado dos homens então lado em que o marido da Iza Ele carrega é por ser o primogênito Ele carrega a necessidade de levar o dinheiro para casa né de levar o dinheiro para a família e isso tem uma série de consequências né de horas de trabalho de viver uma vida que a basicamente trabalhar e dormir chegar em casa e dormir assim lá não tem muito espaço para qualquer outra coisa além disso e retrata também bastante uma questão do alcoolismo né então dentro da religião
muçulmana beber unrar Ana ele chama lá um pecado mas os homens eles eles bebem eles chegam em casa bêbadas e tudo e isso também é bastante retratado no livro e de alguma forma as mulheres veem isso como uma desculpa ou como um pretexto para violência que elas sofrem dentro de casa então é um livro pesado que também trata de sim de violência doméstica e de como essa cultura ela é normalizada né pelo menos é o que é o retrato do livro né super é normalizado um homem batendo uma mulher e depois eu vou passar uma
maquiagem para disfarçar então só algumas coisas que são tão de estudos para gente que a gente nem imagina que que existe muitas vezes acho que são retratados de uma forma bem bem cru assim no livro eu acho que faz muita diferença a gente lê tipo de coisa para entender como que as coisas funcionam em outros lugares que não os nossos né bom como a gente viu no começo do livro do livro eu li um trechinho para vocês é uma sociedade extremamente silenciada Então as denúncias acerca desse tema elas não são muito aparentes assim né não
tem tantas coisas tantas informações Mas ela já começaram a aparecer Mas não foi o caso por exemplo de algumas mulheres que deram entrevistas sobre a noite de núpcias delas e de como elas se sentirão objetificadas com isso use um caso que veio à tona também 2019 por coincidência a menina se chamava isso ela foi orientada pelos parentes dela pai irmãos enfim dentro de casa ou sofreu violência doméstica e veio a falecer por causa disso é importante ressaltar que nada que isso tem a ver com a religião muçulmana em si tá tanto é que o Brasil
por exemplo que tem uma maioria católica ele tá no ranking aí dos países que mais tem feminicídio e violência contra mulher pouco tem a ver com a religião e mais tem a ver com a cultura e com a forma que as pessoas interpretam a religião bom e recomendo muito que vocês Leiam e que vocês vejam entrevistas da autora ela tem uma história realmente sensacional que vale a pena a gente ler e acompanhar ela prometeu um livro para agora para 2021 vamos ver se vai acontecer se virtualmente também você vai vir aqui para o Brasil uma
tradução em português para gente ler com mais propriedade bom Está frio ela também tem o Instagram bem legal que chama book sangue ela tem uma livraria e uma cafeteria então tem além das fotos serem bonitas e do Instagram só é bonito ele traz alguns livros e alguns lançamentos norte-americanos é que aquela mostrando legal a gente acompanhar aqui também no Brasil além de tudo a primavera editorial né que foi quem trouxe livro ela Põe esse coletinho o Além do livro que eu gente eu amo que na verdade é isso que eu quero fazer aqui no vídeo
também com vocês que é conseguir expandir um pouco o universo do livro né então aqui nesse folhetim tem várias dicas de filmes podcast e outras coisas aí para gente colar esse universo E aí curtiu o vídeo deixa seu like acima que o canal ativa o Sininho um beijo e até o próximo livro