Armando Guebusa foi o ministro por detrás de algumas das decisões mais marcantes do governo de Samora Machel e o principal representante das delegações enviadas a Roma para a assinatura do acordo de paz de 1992. Entre os anos de 2005 e 2015, foi o presidente de Moçambique. Na década em que liderou o país, temas sociais como a pobreza e o investimento estrangeiro tornaram-se parte da agenda e as tensões entre a Frelimo e a Renamo conheceram novos contornos.
Mas devido a revelações recentes, o legado de Guusa para o país ainda não é consensual. Armando Emílio Guebusa nasceu na província de Nampula a 20 de janeiro de 1943. Na escola fez parte do Núcleo de Estudantes Africanos, organização fundada por Eduard Mondlan, sendo aqui também sucessor de Joaquinchissano na liderança do grupo estudantil.
Em 1963, aos 20 anos, juntou-se à Féelimo. Estudou na Ucrânia e passou a integrar as FIA da Fé Limo em 1968, no decorrer do segundo congresso do partido, que teve lugar em plena guerra. Um episódio que o eleitorado moçambicano recordava com bons olhos era o envolvimento de Guusa nas negociações de paz em 1992.
Eh, as negociações vão começar este mês ou ou não? A nossa proposta é que comecem o mais rapidamente possível. Queremos neste momento reafirmar mais uma vez a nossa confiança e os nossos profundos agradecimentos aos mediadores pelos imensos e incansáveis esforços que têm desenvolvido para levar a bom termo estas negociações.
Mas nem todas as memórias de Gebusa são felizes. é atribuído a Armando Guebusa, hh eh algo que lhe fica marcado de uma maneira negativa, do ponto de vista da população das cidades, particularmente, que foi a concretização hh da movimentação de população considerada desempregada nas cidades para o campo. Isto foi no início dos anos 80.
Eh, mas vamos ser claros, aquilo não foi uma decisão do Armando Guebusa, aquilo foi uma decisão do comité político permanente e do Samora Machel que o Armando Emílio Guusa executou. A forma como foi executada a ordem já é da responsabilidade dele, mas a decisão de dar aquela ordem e de fazer o que se fez não é nem poderia nunca ser a decisão de um ministro, porque era, digamos, uma questão estratégica e política de suma importância. Portanto, colocar às costas de Armando Guebusa a responsabilidade pela movimentação de uma de milhares de pessoas das grandes cidades para o campo que levaram inclusivamente a um aumento do apoio da RENAM também por causa disso.
Não é algo que se possa dizer que é da responsabilidade de Armando Guus poder se há quando muito dizer que também é da responsabilidade dele, mas não primordialmente dele em termos de decisão. O outro o aspecto que é preciso incluir nesta equação é o fato eh de ele aparentemente eh não ter tido boas relações com o presidente de Moçambique, então Samola Machel e de tal modo que ele chegou a ficar sem pasta no governo, ministro sem pasta. O que acontece é que ele entra na sala do congresso.
Eh, eu estava presente na sala do congresso, não como um dos membros, mas a secretariá-lo, juntamente com outras pessoas. Portanto, estou a falar na primeira pessoa h com um grande sécito atrás de si de ofrendas, como se fosse um grande chefe tribal. E quando ele é o único que entra dessa maneira quando chega à altura dele ir falar no quarto congresso da FEL.
E o Samora Machel quando vê aquilo fica possesso, fica a e ele não, como se diz, ele não escondia as suas emoções. Samora Machel era absolutamente visível. Samora Machel eh reage e reage negativamente àquele simbolismo de de grande chefe, vamos dizer assim.
Isto faz perder Armando Emílio Guusa. Falo faz perder falo perder dentro da comissão política permanente e dentro do então comité central da Fé Limo. Falo perder influência e muitos dos seus então colegas, eu não vou dizer que já não gostavam dele ou que gostavam dele.
Isso eu não sei. O que eu sei é que passaram a olhar para ele de maneira diferente e ele sentiu-se fragilizado nessa altura e ficou de facto fragilizado. É por isso que quando Samora Machel morre e Joaquim Xano assume e quebusa não vai para ministro, vai levarador para Lifal, mas utiliza a sua grande capacidade de organizador que é ele tem e tinha a sua capacidade de organizador vai a todas as províncias, a todos os distritos.
De tal maneira que quandoissano chega ao fim, o seu herdeiro, entre aspas, natural dentro da Frel Limo, é quem tinha a maioria dos delegados ao Congresso. Quem tinha a maioria dos delegados ao Congresso era Armando Emílio Gebusa. Aqui está o camarada Armando Emílio Gua.
Em 2002 foi eleito o secretário geral da Fé Limo e anunciou a candidatura à presidência pouco depois. venceu as presidenciais em 2004. Mas o primeiro mandato de Guusa não foi isento de críticas.
A comunicação social falava de um clima de pressão e uma sensação de medo para com a figura de Guebusa. Em 2009, foi reeleito com 75% dos votos. No segundo mandato, a tensão aumentou.
O descontentamento entre a Frelimo e a Renamo era cada vez maior e o clima atingiu o ponto de rotura em 2013. Deram-se ataques de ambos os lados no centro do país, alguns contra civis. Gebusa fez repetidos apelos públicos para os dois lados dialogarem, mas as retaliações também foram notícia, o que levou de cama a recusar encontrar-se com o presidente sem proteção.
As tensões durariam um ano, com a comunidade internacional a especular se a guerra civil seria retomada. A tensão e a desconfiança foi alimentada por episódios como a prisão de um dirigente da RENAM, António Manga, à porta da presidência de Moçambique. Publicamente, Gabusa insistia que o retorno de conflitos armados não era uma opção e que não queria deixar a presidência sem que o problema fosse resolvido.
O líder da RENAMO saiu da clandestinidade, acompanhado por uma delegação internacional para a assinatura de um acordo. Akama e Guebusa assinaram o documento oficial emro de 2014. Ao mesmo tempo que este novo clima de tensão era resolvido entre as duas forças políticas, Gebusa investiu o tempo do seu segundo mandato a impulsionar Moçambique como um país que atraísse investimento estrangeiro e impulsionasse negócios bilaterais.
Guusa dedicou o resto do mandato a tratar de investimentos internacionais entre vários países em Moçambique. Quando os 10 anos permitidos pela Constituição Moçambicana para o exercício de funções começaram a chegar ao fim, Gua declarou publicamente que não queria, depois de sair da presidência deixar o cenário político para trás. Queria continuar na liderança da Fé Limo, enquanto o sucessor Felipe Niuzzi, antigo ministro da defesa, fosse presidente do país.
Na altura, a ideia foi criticada como uma tentativa de manter influência. Guusa, depois de um breve período de hesitação, acabou por sair da liderança do partido em 2015, pouco depois do fim do cargo de presidente. Uma tragédia pessoal, a sua filha foi morta a tiro em casa pelo marido.
E pouco tempo depois, o jornal económico americano Wall Street Journal revela um esquema de empréstimos contraídos por uma empresa estatal moçambicana, enriquecimento ilícito e corrupção. O ex-presidente da República disponibilizou-se a ser ouvido em tribunal, onde declarou nunca ter assinado qualquer documento que lhe desse conhecimento dos comportamentos ilícitos e, na altura ter pedido que a sua presidência não fizesse transferências em nome próprio. [Música] Yeah.