Linhas pretas e senuosas formam o logo do curso Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Então vamos lá. A diferença dos conceitos espontâneos e dos conceitos científicos.
Vamos trabalhar isso mais um pouquinho. Slide. Ao lado do texto foto.
Uma menina com carrinho de brinquedo nas mãos. Cotidianos ou espontâneos. Vocês podem encontrar com os dois nomes, tá?
Pode aparecer cotidianos ou espontâneos. é aquilo tudo que a gente constrói a partir da experiência pessoal, concreta e cotidiana das crianças. Então, por exemplo, vou usar vou vou usar o exemplo que acabou de acontecer.
Eu esqueci o nome elipse, né? Embora eu tivesse aprendido, eu tinha esquecido que se tinha um nome próprio. Eu sabia que tinha um nome próprio, mas eu só não sabia qual era, né?
E aí alguém aqui já foi lá e me trouxe um nome que eu não dominaria se eu não soubesse que era um círculo achatado e e e e puxado assim, esticado pros lados. Que que é quando eu penso que é um círculo achatado? É um conceito espontâneo, né, gente?
Porque que o ciclo achatado eh eh eu junto alguma coisa que eu já sabia e tento dar aquilo uma explicação. E aí a gente tem vários exemplos que as crianças vão a partir do seu cotidiano construindo conceitos espontâneos. Lá na primeira aula, eu acho que eu usei esse exemplo com vocês, mas vou usar novamente porque eu acho que ajuda.
As crianças pequenas sabem dividir. As crianças pequenas não têm um menor, claro que não, uma divisão gigante, né? mais uma divisão.
Sei lá, se eu trago 10 balas e eu tenho duas crianças, elas vão dividir cinco a cinco, se não tiver ninguém fazendo maldade com outro, né? Mas eles vão eh eh eles vão dividir uma para nem que seja uma para você, uma para mim, uma para você, uma para mim e eles têm noção clara da divisão. É um conceito espontâneo que eles estão construindo no cotidiano deles, na cultura que eles estão inserindo.
Porque se a gente pensasse que a gente, se a gente fosse animal, qual era a tendência? Se a gente fosse animal, só animal, sem a dimensão cultural e social, qual é a tendência quando eu encontro uma coisa muito gostosa? pegar tudo para mim comer sozinha.
Não é assim. Se um cachorro eh encontra um pedaço de carne, eu tenho duas cadelas. Se eu der mole com um bife de alcatra e uma delas pegar, ela não vai pensar que tem que dividir com a coleguinha, né?
Com a irmãzinha canina. Ela não vai dividir com a irmãzinha, ela vai comer tudo. Mas nós, por estarmos inseridos na cultura, a gente percebe que as coisas se, tipo, minha mãe trouxe 10 balas para dois filhos, é para ser dividido, né?
E aí, inicialmente, eu aprendo a dividir no cotidiano, fazendo as coisas no cotidiano. E aí vamos avançar mais um pouquinho no slide, foto de crianças ao redor de mulher lado, os conceitos científicos e como é que eles são acessíveis às pessoas. Elas eles são acessíveis a partir de um ensino sistemático, que no nosso caso, na nossa sociedade, é na escola, né?
tem sociedades que não são eh eh não tem o modelo escolar como modelo de de para transmissão dos conhecimentos da do das gerações anteriores, mas na nossa sociedade a gente aprende conceitos a partir da escola e esses conceitos não seriam acessíveis às crianças se não fossem mediados por outra pessoa. Quer dizer, o fato de eu est na eh no mundo construindo conceitos espontâneos, dificilmente transformaria esse conceito espontâneo num conceito científico. E aí, vamos lá, não se preocupem, vocês viram a mensagem, eu vou repetir aqui alto.
Hoje não teremos lista de presença. Relaxem, assistam a aula, não precisam ficar perguntando sobre a lista de presença. Aí vamos continuar.
Vou dar um outro exemplo que eu acho que talvez fique um pouco mais claro e que eu acho que eu também já dei, mas eu gosto dele. Então vamos lá. Eh, você sabe atravessar uma rua, né?
Mesmo fora do sinal. Você vê um carro vendo lá longe, você tem ideia se dá ou não dá para você atravessar, certo? Ali já tem um conceito espontâneo um bocado sofisticado, né?
Porque se você pensar, você tá ali avaliando velocidade, distância, uma série de aspectos que estão eh eh que tão presentes naquele processo. Agora, quando você vai estudar física na escola, você aprende a calcular a velocidade, você aprende a calcular tudo isso que você fazia, vamos chamar de intuitivamente. Não é intuitivo porque a gente tá num contexto cultural onde eu sei o que é carro.
Eu tenho uma ideia de qual é a velocidade de um carro. já vivi isso em outras situações. Então não é uma coisa de pura intuição, né?
Tanto que animaizinhos soltos numa rua podem morrer atropelado com mais facilidade do que um uma pessoa que cresceu numa sociedade que tenha carros, né? Uma sociedade motorizada. Mas aí a gente vê claramente a distinção entre o que é um conceito espontâneo e o que é um conceito científico.
Uma pizza, por exemplo, todo mundo sabe dividir uma pizza em casa. Todo mundo sabe, mesmo as crianças menores. Cara, o que a gente aprende na escola é o conceito de fração.
O conceito de fração trabalha cientificamente com um conceito espontâneo que os sujeitos já elaboram a partir da sua vivência na sociedade. Então é, o mais legal do Vigotsk é que ele retoma a nossa importância, porque lá pro Piagia, lembra que ah, o a criança em interação com os objetos, ela vai problematizar o mundo e vai se desenvolver. Pigotes que diz nanina não, ela não vai se desenvolver neste nível, ela vai precisar de alguém apresentar esse conceito científico.
Por quê? Porque ele é extremamente abstrato. Ele não ele não tem relação direta.
Vamos lembrar da física da escola, do ensino médio, quando a gente aprendeu velocidade, movimento, aquelas coisas todas, aquilo é coisa mais abstrata que tinha. E a gente de uma maneira ou de outra passou por isso, porque nós estamos aqui, né? Então a gente sobreviveu a essa aprendizagem, certo?
Enfim, essa é a diferença. E por que que eu tô trabalhando essas ideias? Porque, gente, a gente avança com todos os sujeitos em algum nível de desenvolvimento.
Portanto, não vamos dizer que aquele sujeito não aprende. Ele aprende sim. Ele pode não aprender o que eu tô achando que ele tem que aprender, mas ele ele ele aprende e ao aprender ele se desenvolve.
Yeah.