[Música] Pode uma espécie animal extinta há 400 anos voltar a ocupar o território europeu? A resposta é: sim, pode. Apesar de dividir opiniões e levantar questões éticas.
O grande auróque, representado em inúmeras gravuras ropestres, está de regresso aos prados verdejantes, graças aos avanços da genética e de uma equipa de conservacionistas apostados na renaturalização do Vale do COA. Regresso ao Vale Selvagem. É a grande reportagem de [Música] hoje.
Junto às águas serenas do Erges, que serpenteiam a fronteira na região centro do país. A manada de bisontes rapousa numa clareira do [Música] bosque. O instinto selvagem desperta os animais para a presença de estranhos.
Ele sabe que nós estamos aqui. As fémeas ficaram debaixo da azinheira e ele está-se a mostrar de propósito. Eles neste momento estão alerta.
Qualquer barulhinho eles estão prontos a arrancar. Antevendo a ameaça, os bisontes correm em debandada pelo matagal. [Música] Sem rumo aparente, rasgam trilhos na [Música] vegetação, onde servos e se escondem dos predadores.
A fuga desordenada perturba a tranquilidade do vol feitoso, a maior propriedade privada do país, com 7500 haares de florestas que acolhem temporariamente a manada de bisontes originária da Polónia. Em breve, os animais serão levados para o Vale do CA, terra selvagem onde perduram as marcas de 30. 000 anos de presença humana.
[Música] Longos e tortuos são os caminhos que levam ao sítio do fariseu, na margem esquerda do COA, próximo da Foz, onde as águas se casam com o Douro. Uma semana de novoeiro. Pronto.
As nuvens que cobrem o vale dificultam a tarefa dos grifos que buscam alimento nas margens, mas não perturbam a viagem até à mais surpreendente descoberta arqueológica do COA. [Aplausos] Gravada na pedra está a imagem de um auroc em tamanho natural, naquela que até ao momento é a maior gravura do paleolítico superior do mundo. Temos aqui neste limite a insção da caldo que está aqui o início da pata traseira e temos esta linha que vai continuar até garupa, o dorso vai seguir até a orelha e um dos cornos que está parcialmente conservado.
Sem a orientação dos técnicos do parque arqueológico do COA, é praticamente impossível distinguir o grande Aurok, mas a rocha do fariseu está pejada de representações visíveis a olho nu. Temos 37 figuras que foram identificadas. Todas aos quase quase só cinco não são orocos.
Temos aqui que pode ser um cavalo, mas o resto uma serva, um e uma cabra, que são as outras espécie típica da arte do corpo. Querindo, vê-se bem. O valor simbólico do Auroc está bem patente nas gravuras do COA.
O boi selvagem atravessou várias civilizações, cruzou-se com diferentes raças europeias de bvinos e acabou por desaparecer no século X7. O último aquec abatido em 1627 na Polónia. Mas se a história é tão cristalina, como explicar a presença de duas manadas de Auroques em território português?
A resposta está no programa Tauros, que é um programa de recuperação, de retrocruzamento para recuperar funcionalidades, tanto na mesma fisiológicas como comportamentais daquilo que era o AuroC no passado. Este Auroque 2. 0 zero resulta do cruzamento de ADN de seis raças europeias de bovinos, das 30 que mantiveram algumas das características genéticas do touro selvagem, como a maronesa, a mirandesa ou a lentejana caminhada, acho que estão para ali é tentar encontrá-los.
Criada em 2008 nos Países Baixos, a Fundação Tauros fornece animais aos programas de renaturalização da paisagem, como o Rewiilding Portugal, com alguma cobertura, neste caso para eles no Vale do Ca e no Val Feitoso, propriedade que acolhe provisoriamente uma manada de Tauros. Estão ali? Sim, senhora.
Os resultados são animadores. Aqui nesta propriedade já tivemos dois nascimentos. na nossa nas nossas propriedades, tivemos outros dois nascimentos, ou seja, quatro no total desde que os tauros chegaram.
E pronto, é bastante aceitável para animais que vivem simplesmente o que a terra dá não são suplementados, têm provado que são bastante resilientes, são bastante rústicos. Resilientes, rústicos, extremamente zelosos do espaço que ocupam. Gonçalo Matos aconselham-nos a manter uma prudente distância de segurança da manada.
tão aptos a coexistir connosco. Claro, não nos vão atacar, mas estão-nos a pedir que guardemos respeito. Até porque é um animal de respeito, não é?
Um animal de respeito. É um animal em que o macho pode chegar a 2 m de altura e pode passar muito facilmente dos 1000 kg. É um animal que galopando 20 25 km/h faz estragos.
A reabilitação destes seres colossais desaparecidos da Terra há 400 anos. levanta questões éticas e divide opiniões. É muito interessante, é muito apelativo, mas nós, autoridade nacional de consção natureza e da biodiversidade, temos que perceber se de facto isso é viável ou se é apenas um postal do passado que já não já não se repete.
Na minha opinião, há alguma promiscuidade nos termos que são usados nisto? Porque fala-se recorrentemente de Auróquist auróquia, cientificamente isso não faz sentido. Por outro lado, temos bovinos nacionais, raças autóctonos, bem adaptadas, com muita diversidade genética e que cumprem exatamente o mesmo papel.
Responsável pela presença de Tauros no Vale do Cua, Pedro Prata argumenta que as raças autóctonas não estão preparadas para sobreviver em ambiente selvagem e não vê quaisquer entraves éticos à recuperação de uma espécie que foi declarada extinta. Há espécies que se extinguiram no passado próximo por causa da atividade humana. Se a extinção tem uma causa humana identificada, a sua desinstinção, ou seja, a recuperação por meios humanos, para mim é perfeitamente justificável.
Pedro Prata lidera o projeto português que tenta restabelecer os padrões ecológicos originais de um território em acentuado processo de despovoamento. Em apenas 10 anos, os municípios do Vale do COA perderam 15% da população com o consequente abandono de terras e atividades agrícolas. O COA é uma área que liga diversas áreas protegidas, desde a Malcat a Serra da Estrela, ao Dour Internacional e às outras áreas protegidas do lado espanhol.
É uma área em que a despopulação, o abandono de algumas atividades extrativas ao longo das últimas décadas permitiu um regresso destes valores naturais e tem um potencial de conectividade e de regresso muito grande porque está nesta encruzilhada de grandes corredores ecológicos da Península Ibérica. A criação de corredores ecológicos no território europeu é um dos objetivos de longo prazo da Rewilding Europe, uma organização não governamental fundada em 2011 nos Países Baixos, financiada pelo Banco Europeu de Investimento e pela Fundação Arcádia, com base no Reino Unido, A ONG está presente em 14 países do velho continente. No Valdo do Goa, a atividade da Rewiilding Portugal é acompanhada de perto pelo Instituto Português de Conservação da Natureza.
O Valco é um território que tem algum potencial de renaturalização, de rewelding e pode acontecer a médio prazo que se transforme num território com interesse para inserir na na rede nacional de áreas classificadas. mais do que estarmos lá com os nossos carros para sermos vistos também junto com o Rio Helding, é acompanhar o trabalho que a Rio Helding faz. Isso não só para ver se o que está a ser feito está a ter os resultados pretendidos, mas sobretudo se está alinhado com as políticas nacionais.
Para além do necessário alinhamento com as políticas ambientais pré-estabelecidas, a intervenção na paisagem tem de ser feita com pinças junto de uma população envelhecida e por natureza desconfiada em relação a tudo o que vem do exterior. Como a lua, uma American Bully, que é a presença habitual no centro Rewilding de Val Madeira. Isto foi agora há dois anos, não é?
Ah, há dois anos que aqui isto foi reaberto, ainda bem, ainda bem, porque não estávamos aquiar tudo todos. É esta forma que eles têm de ver a nossa região dos animais, da plantação das coisas, dar uma nova vida. Eu acho isso ótimo.
A pouco e pouco, as populações do Vale do Coa vão assimilando o trabalho desenvolvido pela equipa de 21 elementos da Rewiilding Portugal. Mas nem tudo são rosas. As relações entre os produtores de gado e os responsáveis pelos programas de preservação do lobo Ibérico continuam tensas.
Os ataques sucedem-se. Em 7 anos, Bruno André perdeu cerca de 120 animais. Foram 100.
000 de prejuízo que o produtor nunca recuperou na totalidade. Quem implementa as leis, sequer uma espécie protegida, tem que assumir as consequências que vêm atrás disso, porque é assim, há prejuízos, têm que ser pago. Acho que o estado que havia de olhar pela pecuária, pagar o justo valor e atempadamente.
Protegido por lei, o lobo ibérico é fundamental ao equilíbrio da cadeia alimentar. A proliferação de javalis que destróem as culturas agrícolas deve-se em grande parte à quebra de população do seu principal predador. O último senso divulgado em dezembro aponta para 280 lobos distribuídos pelo Jerez e pela zona sul do Douro.
No Vale do Coa, território de passagem onde subsiste um antigo fojo usado na captura de lobos. Há quem acredite que a espécie está a ser reintroduzida. O lobo não veio, não se carregou no, na tecla e veio a pé da Espanha ou de outro país qualquer, não é?
Eu, para mim foi introduzido, não é verdade, nem é de todo o nosso trabalho. Nós gostaríamos que o lobo, as águias, as cobras, todos esses bichos que nos acusam de soltar, que eles de facto se multipliquem, havendo condições para isso. Isso só se consegue com um território capaz de os exportar.
Anda Mike, anda cá, anda Mike. Os cães de gado e as redes de malhaço são as formas mais eficazes de prevenir os ataques de lobos. Mais nos últimos 5 anos, a Rewilding Portugal ofereceu 108 cães de gado devidamente treinados e distribuiu 52 vedações.
Um investimento de 350. 000 € financiado pela União Europeia ao abrigo do programa Life Wolflux de promoção e proteção do lobo Ibérico a sul do Douro. Marta Machorro foi contemplada com o Mike e a Pitucha, dois puçantes serras da Estrela.
Eu tive um prejuízo de um vitelo que morreu com o ataque de lobo. Pronto, foi nitidamente o ataque de lobo. Vimos o sítio da do ataque na zona do pescoço, vimos a poça de sangue, pronto, tudo.
Eh, a partir do momento que comecei a ter os cães de guarda da da Serra da Estrela, nunca mais vimos sinal de nada. Eles têm um comportamento exemplar, porque, por exemplo, se as vacas se dividirem num em dois lotes, porque acontece, eles dividem-se, fica um com um grupo e fica o outro com outro grupo. É muito bom mesmo.
Aos 44 anos, Marta Machorro trocou o rigor da matemática aplicada trazida dos bancos da Universidade de Coimbra pelas incertezas do mundo rural. As doenças, as alterações do clima e as investidas dos lobos podem deitar por terra um ano inteiro de trabalho. A vedação disponibilizada pela Rio Wilding mantém os predadores à distância.
Ela vai ficar enterrada. Cada folha tem 2,20 m de altura. Ou seja, ele a probabilidade do lobo escavar por baixo é mesmo muito reduzida e também não vai conseguir saltar de forma nenhuma.
À semelhança dos lobos, as aves necrófagas são muitas vezes olhadas com desprezo e repulsa pelos principais colonizadores do território. Pedro Ribeiro é uma honrosa exceção. Tem que ver aqui no mapa onde é que está aquele ninho especialista em grifos, milhafres, abutres e corvos.
Este conservacionista formado em Évora regista os movimentos das aves que nidificam no Vale do COA. Pronto, já temos aqui mais umas más notícias. O primeiro ninho que vemos hoje, que infelizmente está ocupado por grifos e não por abutra preto.
Este abutra preto vai ter que procurar outro ninho ou construir outro ninho de de raiz. O abutre preto é uma das espécies necrófagas mais ameaçadas do país. A equipa de Pedro Ribeiro espalhou câmaras de fotoarmadelhagem pela Serra da Malcata, onde nasce o rio Coa.
As câmaras disparam ao mínimo sinal de movimento. Torres eólicas, postes de alta tensão, caça furtiva e envenenamento são as principais ameaças das aves necrófagas, que funcionam como brigadas de higiene e limpeza de um território onde a recolha e incineração de animais mortos nas explorações agrícolas custam cerca de 15 milhões de euros anuais. É claro que os abutras não vão tirar todos esses 15 milhões de euros, mas fazem uma moça muito grande se nós podermos deixar estes animais, estas carcaças ao ar livre, porque os abutres limpam uma carcaça de uma ovelha em 20 minutos.
Não precisamos de chamar alguém a gastar combustível fóssil, a vir recolher o animal, depois a incinerar, que também vai libertar as suas os seus gases. Portanto, eles têm um papel mesmo fundamental. [Música] Cristina Campna e Albano Alavedra vivem exclusivamente da pastorícia.
O casal luz holandês mantém uma relação muito peculiar com as cabras do rebanho. Isto são à volta de 251 animais. Temos algumas velhas.
Nem eu, nem a Cristina. Vendemos as velhas para Pronto, porque já estão velhas. Não, deixamos-las aqui para morrerem.
descansadas no sítio onde produziram bastante para a gente. Portanto, isto é quase um lar da terceira idade. Isolado na montanha a 15 km do Sabogal, Albano anda há vários anos a tentar criar um campo de alimentação de aves necrófagas ao abrigo de um despacho de 2019 que prevê a disponibilização de cadáveres de animais próximo dos habit naturais dos abutres.
Mas o projeto esbarra sistematicamente na burocracia. É isso que eu não compreendo, que é uma coisa que vai beneficiar uma espécie que teve quase envias de distinção e eles criam uma burocracia terrível num sítio destes que está longe de todo o centro urbano, que só eu é que e a Cristina mais os meus filhos é que habitamos cá e pronto. E criaram uma burocracia maluca e andamos nisto uns três, qu 5 anos, sei lá, eu perdi a conta.
E o que é que fez aos seus animais que foram morrendo neste período em que não houve legalização? Isso recuso-me a responder porque é proibído. O Instituto de Conservação da Natureza reconhece que o processo de licenciamento dos campos de alimentação é demorado por causa das exigências sanitárias e da necessidade de controlar a expansão das colónias de aves necrófagas.
No Vale de Goa já estão quatro a funcionar. Ao todo, no país são 31. So this was for mining area.
O Paulo de Toirões no concelho de Almeida entrou definitivamente na rota turística do Valdo Goa. [Música] Os lagos e as charcas temporárias da antiga mina do Volfrâmio, que a Rio Wilding está a recuperar despertam a curiosidade de um número crescente de visitantes. [Música] Guia de natureza desde o ano 2000, Fernando Romão tem visto a agenda de marcações crescer graças ao projeto de renaturalização do Vale do Coã.
30 a 40% sensivelmente tem havido gradualmente uma procura porque a Ralding faz um bom trabalho de comunicação e isso reverte-se em visitas e em procura para em conhecer a área ou quem é que visita as áreas Rio Island maioritariamente sobretudo estrangeiros de Inglaterra, a Holanda, a Estados Unidos, alguns países escandinavos. Uhum. sobretudo Fernando Romão é um dos fundadores da rede COA selvagem que reúne agentes económicos da região intervencionada pela Rilding Portugal.
Em 7 anos, a rede acolheu 62 empresas ligadas ao turismo, à hotelaria, à restauração, ao artesanato e aos produtos da terra. Sen também sabe e a dona Augusta. A mercearia do fradinho em Trancoso é uma das montras da rede coa selvagem.
O negócio nasceu da união de vontades de André e Daniela. Ele de Trancoso, ela de Freixo de Nomão, que sempre sonharam ter uma loja de produtos da região. Muitos dos produtores que são membros da rede com a Selvagem, que têm produtos como mel, azeite, vinho, os que estão próximos de nós, quase todos estão aqui.
Sim. Achamos que é um projeto bastante diferenciador porque está a construir meios para que a economia sustentável e circular da nossa região possa ir mais além. Muito obrigado.
Uma boa tarde. No ano passado havia já uma franja significativa de negócios que referia que cerca de 15% da faturação vinha deste tipo, da participação na rede, da existência da rede. Esses valores estão a crescer.
Hoje em dia já existem membros que refletem 50% de faturação, membros a falar de 30% da faturação. Portanto, acredito que será preciso ainda mais antes para ver o real potencial que este turismo tem. Vamos lá.
Century. O aparente sucesso da rede coa selvagem desportou a curiosidade da Rewiilding Europe, que está a montar uma central de reservas especificamente vocacionada para as áreas do turismo de natureza. O modelo português pode vir a ser replicado noutras regiões da Europa.
Os responsáveis do projeto sabem que a proliferação de negócios em zonas ecológicas sensíveis levanta questões éticas que é necessário desmontar. Se nós não temos poder nenhum ou não tivemos no passado em extrair tanto da natureza, penso que haver lucro financeiro deste uso fruto em respeito da mesma não só não não tem qualquer problema, como hoje em dia, acho que é a solução mais indicada. [Música] As gravuras rupestres do COA continuam a ser a principal âncora da atividade turística da região.
Em conjunto com os ossos encontrados nas escavações arqueológicas, que são reservas importantes de ADN, as gravuras têm permitido reconstituir o modo de vida dos primeiros habitantes da Península Ibérica e dos animais que veneravam, como o Auroque e o cavalo. Rio Wilding Portugal tem apostado na introdução de cavalos Sorraia, uma das espécies mais ameaçadas do planeta. Saia na saída, depois à direita.
Longos meses de negociações com um produtor alemão de equídios culminaram com a aquisição de uma egoada de surraias. Tá bom, tá bom. Agora também abas.
A viagem de 2500 km foi acompanhada à distância pelo gestor de manadas da Rio Aldin. Gonçalo só descansou quando as égoas saíram do camião. Isto sempre foi o mais desafiante.
Foi o que nós sempre quisemos. Foi, temos que ir a buscar algumas éguas Alemanha, nem que sejam duas, nós faláamos, nem que sejam duas e nunca nós pensamos que íamos conseguir adquirir sete animais de uma vez. E pranhas.
E pranhas. Estamos a contar que daqui a 4 c meses começamos a ter algum fruto desta aquisição que tivemos. Estima-se que existam cerca de 150 cavalos surreia em todo o mundo.
A maior parte em Portugal, de onde são originários. O que significa que são todos primos ou irmãos. É uma raça com saber elevadíssima.
É um milagre biológico esses animais reproduzirem. Já se fizeram embriões da dessa dessa raça, mas é uma raça extremamente ameaçada, não só pelo reduzido efetivo, mas também pela diversidade genética que foi perdendo ao longo dos anos. A compra das éguas alemãs é saudada pelo Banco Português de Germoplasma Animal.
Sediado em Santarém, o banco luta há anos pela preservação da raçaina, registada por Rui de Andrade, o criador de cavalos, que em 1920 reuniu e estudou a primeira manada. [Música] [Música] As éguas adquiridas pela Rio Wilding Portugal descendem de uma manada de surraias que Rui de Andrade cedeu a um criador alemão de cavalos a título experimental nos anos 50 do século passado. A ideia era perceber até que ponto é que os equídios selvagens do sul se adaptavam aos rigores climáticos do norte da Europa.
O Dr Cheffar era um curioso zoécnico, ouviu falar nisto, teve conhecimento de vários trabalhos do meu avô sobre zoocnia. Entrou em contacto com o meu pai, veio cá, a gente mostrou-lhe o que tinha e disse-lhe: "Olhe, é isto". Disse: "E pá, isto interessa-me não sei que não mais"ais.
Pronto, selecionamos um grupo que ele depois levou para a Alemanha, a gente manteve o contacto e ele foi noos mostrando os resultados e de facto os cavalos continuaram iguais. Foi esta capacidade de adaptação a ambientes hostis que levou a Rio Wilding Portugal a optar pelos Sorreias. E lindas que vem acompanhadas à distância com recurso a coleiras de geolocalização.
As éguas importadas da Alemanha vão ser largadas em breve no Vale do Coa. O instinto de sobrevivência dos animais vai ser posto à prova. A equipa de Gonçalo Matos só intervém em casos de extrema necessidade.
No caso do Sorraia, porque é um património genético muito importante para o nosso país e se calhar se vimos uma ferida superficial, algo superficial, não vamos fazer nada. Vamos deixar que o animal prove a sua resistência, mas é claro que se for algo que nós sabemos logo a prior que requer intervenção veterinária, vamos fazer os possíveis para ajudar esse animal. As manadas de cavalos, bisontes e tauros que a Rio Wilding Portugal está a introduzir no Vale do Coa têm um papel preponderante na modulação da paisagem.
Os grandes herbívoros atuam como sapadores florestais. Aumentando o impacto da grande herbivoria sobre os ecossistemas, estamos a reduzir, por um lado, a acumulação de biomassa fina, que é combustível. Por outro, estamos a modificar a estrutura da própria eh vegetação, o que faz com que, mesmo em caso de incêndio, a sua intensidade não seja tão alta, o que permite a recuperação das espécies pioneiras.
[Música] Ao ritmo da natureza, os grandes herbívoros vão alterando a imagem de um vale que ocupa apenas 2% do território continental português. é um pequeníssimo contributo para o processo de renaturalização da Europa, continente com a segunda maior densidade populacional do planeta, que ao longo de séculos colonizou os seus espaços selvagens, gerando desequilíbrios climáticos e ambientais, cuja fatura vamos continuar a pagar.