Bora pro rolezinho Então vamos lá esse aqui é o conto de abertura do livro né e ele é muito significativo né não é à toa que é o conto que dá início né a experiência de o sol na cabeça é um conto que vai trazer vários temas eh relevantes aqui para o livro né então a gente tem um conto que funciona praticamente assim como um índice de temas eh que a gente vai encontrar depois eh ao longo das outras narrativas também então tem tem algo de interessante nesse processo de antecipar grandes temas que vão aparecer
ao longo da obra mas também bem a gente tem a questão da linguagem né a linguagem é algo muito peculiar nesse conto a gente tem aqui uma linguagem que remete bastante mesmo ao ambiente social e cultural né do jovem da Periferia Então a gente tem a linguagem oralizada carregada de gírias já falamos inclusive que no Livro como um todo não existe o predomínio né dessa dessa linguagem o livro como um todo ele vai trazer o predomínio de uma linguagem padrão culta né uma uma eh uma forma de expressão mais e vamos dizer dentro daquilo que
a gente seraria como a linguagem formal né só que esse texto ele tá carregado mesmo né das expressões bem coloquiais das gírias daquela linguagem que é um código próprio né do jovem da Periferia do jovem da favela do Rio de Janeiro tá e inclusive esse conto acaba sendo desafiador Nesse sentido porque você precisa ter uma espécie de tradução entre aspas para algumas expressões Quem fez a experiência de leitura dele deve ter em alguns momentos parado um pouco para tentar inferir o significado de uma palavra muitas vezes é é possível pelo contexto Às vezes você tem
que dar uma pesquisada para poder entender então vamos tentar fazer aqui não só uma leitura do conto mas uma tradução de algumas das expressões que ele acaba empregando tá mas muito legal porque a linguagem ela acaba trazendo pra gente também essa essa vivência né ela ela vai trazer pra gente essa percepção eh das questões né culturais que envolvem o personagem né do ambiente dele né do modo dele de ser pensar né e de se comunicar então muito legal a a experiência da linguagem desse conto eh algo que a gente vai encontrar paralelo parecido com a
história do Periquito e do macaco que é um conto que tem mais na metade do livro também na num conto chamado travessia no final que é o último conto então vamos lá no início no meio e no fim a gente tem experiências mais radicais de de linguagem oralizada com esses três contos que eu citei tá contos bem destacados Vamos pro rolezinho então ó conto narrado em primeira linguagem oralizada Como o próprio título já antecipa né rolezin Tá então a gente já tem aqui uma né uma pista de que a linguagem ao longo do conto vai
ser assim mesmo tá o parágrafo Inicial ele situa o narrador no espaço de sua casa sob o forte calor do Rio de Janeiro Olha aí o sol na cabeça né acordei tava ligado o maçarico sem neurose não era 9 da manhã e a minha Cachanga parecia que estava derretendo Cachanga a casa do cara né não dava nem para mais para ver as infiltração na sala tava tudo seco só ficou as manchas a santa a pistola e o dinossauro tava dado que o dia ser daqueles que tu anda na rua vê o sol todo embaçado tudo
se mexendo nem Alucinação para tu ter uma ideia até o vento que vinha do ventilador era quente que nem o bafo do capeta Então olha só né O texto ele já começa sobre o signo do calor né acordei tava ligado maçarico significa dizer que tá um dia muito quente né sem neurose Isso aqui é uma expressão bem né usada na na gíria carioca aqui né sem neurose Não era nem 9 da manhã então quer dizer ele quer dizer que sem exagero tá Não era nem 9 horas da manhã e a minha casa parecia que estava
derretendo não dava nem mais para ver as infiltrações na sala estava tudo seco só ficaram as manchas a santa a pistola e o dinossauro que a gente pode inferir é que seja o formato das manchas que havia na parede por conta das infiltrações certo bom já tava dado que o dia ia ser daqueles que tu anda na Rua e vê o sol todo o céu todo embaçado tudo se mexendo que nem Alucinação então né aquele calor escaldante ele constrói uma imagem aqui poderosa para nos transportar para essa sensação de calor né para tu ter uma
ideia até o vento que vinha do ventilador era quente que nem o bafo do capeta tá então a gente tem um pouco dessa hipérbole aqui para trabalhar a sensação do calor isso tem muito a ver com a juventude né que é você sentir as coisas de maneira intensa né então a gente tem algumas características interessantes aqui que já já se revelam sobre o narrador sua personalidade seu ambiente social né você vê as manchas de infiltração na parede o calor escaldante você não vê um ar-condicionado aqui né a parede che cheia de infiltração você já percebe
né que é o quê é um jovem pobre certo você já pode imaginar que ele seja um jovem da Periferia por alguns dados que aparecem aqui né Inclusive a presença né da pistola por exemplo o cara enxerga uma mancha na parede ele vê uma pistola né quer dizer acho que existe essa essa praticamente essa onipresença das Armas aqui na vida do do jovem da Periferia do jovem da favela né Então até na mancha da parede ele vê uma pistola são Dados às vezes que a gente nem Para para pensar mas eles são bastante significativos e
reveladores né do ambiente social em que vive o protagonista tá eh bom a gente tem também essa presença da Santa né então um aspecto também da religiosidade da Fé Mais tarde a gente vai perceber também o sincretismo religioso eu vou conversar com você um pouco sobre esse conceito e como ele aparece nesse conto e também no livro tá então é bom a gente ficar atento para algumas pistas que já estão dadas logo no primeiro parágrafo Tá mas é isso jovem né periférico né no seu ambiente social aqui calor escaldante do Rio de Janeiro e aí
vamos ver o que que acontece na sequência né a seguir evidencia-se uma série de conflitos vividos pelo narrador n eh situações que ele precisa desenrolar né que esse é o termo que ele usa eh para ter um momento de lazer e alívio do calor com o pouco dinheiro que a mãe lhe deixara Tá então vamos lá né a vida do jovem pobre é um perrengue atrás do outro basicamente é isso que ele vai registrar no conto né olha só tinha dois contos em cima da mesa que minha mãe deixou pro pão arrumasse mais 1,80 já
garantia pelo menos uma passagem só precisava meter o calote na Ida que é mais tranquilo é que já tinha revirado a casa toda antes de dormir catando moeda para comprar para comprar um varejo bagulho era investir os dois contos no pão divulgar um café e partir pra praia de barriga forrada o que não dava era para ficar fritando dentro da dentro de casa calote para nós é lixo tá ligado o desenrolo é forte Olha só cara vamos tentar traduzir aqui então vamos nessa ó e a mãe deixou pouco dinheiro né dois conto em cima da
mesa tá então tinha r$ 2 em cima da mesa que a minha coroa minha mãe deixou para o pão e se eu conseguisse mais 1,80 já garantia pelo menos uma passagem só precisava meter o calote na Ida ou seja ele teria passagem né mas apenas uma passagem então Eh entre pagar a passagem da ida e pagar a da volta ele meteria o calote na Ida certo e depois pagaria a passagem da volta meter o calote na Ida é mais tranquilo então você percebe né que existem certos malabarismos que são necessários aqui pro jovem da Periferia
conseguir fazer o básico que é se divertir né sair de casa num dia de sol e pegar uma praia tá então ele vai ter que se equilibrar entre ter dinheiro para comer e ter dinheiro para pegar o transporte coletivo e ir até a praia então Eh no final ele ainda diz o seguinte calote para nós é lixo o que que ele quer dizer com isso calote não é nada tipo assim eh o menor dos problemas é ter que dar o calote na ou seja ter de viajar de ônibus sem pagar certo isso para nós é
lixo quer dizer não é o maior dos problemas que eu tenho para resolver tá ligado o desenrolo é forte ou seja os problemas que eu tenho para resolver né vão muito além esse Então esse probleminha da do dinheiro da passagem é o mínimo tem outros problemas bem maiores para resolver aí tá então é isso a gente tem uma série de decisões a serem tomadas de problemas a serem resolvidos dentro da perspectiva desse personagem Tá bom então já tinha revirado a casa antes de dormir catando moeda para comprar um varejo que que é comprar um varejo
é maconha tá então bagula investi os dois contto no pão divulgar um café e partir pra praia de barriga forrada tá então é isso ele entende que ele vai eh investir os r$ 2 da mãe no pão né conseguir um café e ir pra praia de barriga forrada o que não dava era para ficar fritando dentro de casa então praticamente é é um imperativo é uma necessidade sair de casa nesse dia de sol de calor insuportável tá então ele teria que dar um jeito dar o calote na no no buzão é é o de menos
Então vamos lá o narrador ele reúne amigos para irem juntos à praia nesse momento fica evidente a presença das drogas no cotidiano dos jovens da Periferia tanto o consumo como recreação quanto o trabalho junto ao tráfico como modo de subsistência te liga só pega a ideia Passei na casa do vitim depois nós ganhou pra Cachanga do pouca telha aí partimos pra treta do Tico e do Teco até então tava geral na mesma meta duro sem maconha querendo curtir uma praia a salvação foi que o Teco tinha virado à noite dando uma moral pros amigos na
indola aí aí ganhou uns baseado uns farelo sobrou do Kilo arrumou até uma cápsula o caô é que ele queria ficar morgando em casa em vez de Partir com nós Teco é maluco até parece que ia conseguir dormir com aquela lua geral falou que na praia ele ia ficar Tranquilão só palmeando as novinhas dando uns mergulhos para refrescar a carcaça quando chegasse em casa ia est morgadão dormir que nem criança ele disse que deixavam os baseado com nós mas que ia marcar em casa mesmo sorte foi que vitin conseguia instigar ele a dar um belengo
para ficar na atividade acho que era isso mesmo que ele queria um parceiro para meter o nariz com ele para não ficar sozinho na onda Oprimido esses molequ gosta muito papo rector nunca vi 10 da manhã o sol da eles metendo an nareba Então olha só né Eh depois de sair de casa né com aquele plano de ir pra praia tendo tomado o seu seu café comendo um pão tomando um café vou pra praia né passei na casa dos meus amigos Passei na casa do vitim depois a gente foi pra pra casa pra Cachanga do
Poc telha e partimos pra treta do Tico e do Teco então a gente foi até a casa do Tico e do Teco até então tava geral na mesma meta né então todo mundo tava na mesma situação duro quer dizer sem dinheiro sem maconha e querendo curtir uma praia a salvação foi que o Teco tinha virado a noite dando uma moral pros amigos na indola essa parte Talvez seja um pouco mais difícil de compreender dar uma moral para os amigos na endola seria você ajudar os amigos a embalar a droga certo é isso então eh a
a indola é você colocar a droga mesmo em né enfim em trouxinhas né enfim você fazer uma embalagem para as drogas que serão vendidas seria isso tá então ele ajudou no processo da embalagem da droga seria isso aí ganhou uns baseado uns far que sobrou do Kilo arrumou até uma cápsula então quer dizer ele acaba ganhando drogas de presente por ter ajudado os amigos tá certo o caou é que ele queria ficar morgando em casa invés de Partir com nós Claro passou a noite em claro tal trabalhando certo queria ficar em casa agora descansando Tá
certo só que a galera insistiu então Teco é maluco até parece que ia conseguir dormir com aquela lua quer dizer muito calor para ficar em casa mesmo que dormindo geral falou que na praia ficar Tranquilão só palmeando às no vha quer dizer você ia poder ficar lá né cuidando as meninas e tal dando um mergulho para refrescar a carcaça quando chegasse em casa ia tá morgadão ia dormir que nem criança ele disse que deixava um baseado com nós mas que ia marcar em casa mesmo tá então é interessante que até na na na na escrita
né a gente tem essa essa tentativa de reproduzir a oralidade né os a a reproduzir foneticamente a palavra né tipo mermo né em vez de mesmo em casa mermo tá sorte foi que o vitim conseguiu instigar ele a dar um belengo para ficar na atividade ou seja o amigo então Vitinho acabou Insistindo muito com o Teco dizendo olha cara vamos lá dá um belengo aí que você vai ficar na atividade ou seja aqui é para cheirar cocaína e ficar né mais e disperto ficar mais ativo tá então seria Isso o amigo acabou convencendo o o
Teco a cheirar cocaína para ficar mais né eh mais bem disposto Tá certo e aí a conclusão que o narrador tira é que talvez o Teco quisesse estivesse esperando por isso mesmo que alguém quisesse cheirar com ele para ele não ficar sozinho naquela mesma vibe entendeu então aqui ele fala né Oprimido porque a percepção do narrador sobre o efeito da cocaína é essa você vai ver que em alguns contos mais de um ele fala né sobre negativamente sobre a cocaína colocando também que esse é um né é um efeito vamos dizer que o sujeito fica
mais paranoico né então o cara fica Oprimido tá então esses molequ gostam muito papo reto nunca vi 10 da manhã um sld da eles metendo an nareba quer dizer ele tá aqui surpreso com o fato de que os caras estão cheirando cocaína às 10 horas da manhã tá mas vamos lá só um detalhe tá a gente já falou aqui né é uma coisa que chama atenção é essa banalização da presença da droga no cotidiano desses garotos tá tem um momento do conto aqui inclusive que o próprio narrador ele fala que começou a fumar maconha com
10 anos de idade certo ele vai lá bate um papo com o vendedor ambulante acaba descobrindo que o vendedor ambulante tinha começado a filar aos 10 anos de idade Ah eu também e tal tá então tipo é é muito banal a presença da droga dentro desse contexto sociocultural que a gente tá analisando aqui tá vamos lá protagonista afirma nunca cherei aqui tá escrito assim mesmo no conta nunca cherei a narrativa é entremeada por flashbacks em que o protagonista tem lembranças do irmão mais velho por exemplo nesse momento há uma recordação sobre uma conversa de de
homem para homem em que o irmão Alerta sobre os impactos da cocaína e de Outras Drogas pesadas ele né Eh o narrador se lembra que um dia o irmão chegou do trabalho né chamou ele para uma conversa de homem para homem falou da morte de um amigo que morreu de overdose e tal né e alertou bem para para que ele jamais se envolvesse com essa droga ou com drogas pesadas né que ficasse na maconha e tal que era uma droga leve então a maconha Ela é bem naturalizada mesmo na presença aqui né Eh na no
cotidiano desse desse protagonista Tá certo ela acaba sendo colocada também como algo parte né da da experiência social dele e tal tá mas as outras drogas elas não são tratadas da mesma forma Tá bem então chama atenção o modo como se naturaliza o uso da maconha papo reto eh se dá enquanto os dois queimam um então quer dizer o irmão mais velho chega para conversar com o irmão mais novo sobre drogas e diz tá vamos né acende um baseado aí vamos conversar de homem para homem não quero te ver metido com droga pesada enquanto isso
eles estão fumando uma maconha certo é isso bom na sequência o narrador comenta sobre o ônibus lotado e mais uma vez faz uma referência negativa a cocaína a observar o comportamento dos amigos Olha só várias gente então ele vai descrevendo O buzão né O buzão lotado várias gente cadeira de praia geral suando apertado Tava osso o que salvou a viagem foi ficar marolando vendo Vitinho Tec os dois estava trincadão mordendo as orelhas papo reto eu não entendo para que que o negro usa uma droga para ficar Oprimido batendo neurose com tudo certo então aqui você
percebe que o narrador não tem né não não entende o que que os caras vem de de bom em ficar né Eh eh daquele jeito né Ficar Oprimido segundo diz o narrador Tá bom então é isso aqui a gente vai tendo uma percepção né também sobre não só sobre a relação do personagem do seu ambiente com as drogas e tal mas olha só como é que é você ir pra praia num dia de sol escaldante e tal você pega um buzão lotado aí você tem ali né cadeira de praia geral suan tudo apertado e tal
enquanto isso os amigos ali sou o efeito né da cocaína sendo motivo até de deboche por parte do narrador Mas vamos lá o protagonista recorda de uma situação em que dois Paraíba sob o efeito da cocaína passaram a acreditar que estavam sendo perseguidos por policiais eh e aí depois ele diz ó operação policial de verdade só teve alguns dias depois né ele se lembra que teve um lá que só podia e fumar na laje e tal ele foi lá tava fumando na laje junto com um amigo depois acabou chegando um outro camarada deles lá trazendo
dois Paraíba e tal e os caras estavam cheirando ali alucinado e tal Só que aí o o amigo esse do narrador que era meio debochado começou a fazer os paraíbas acreditar que tinha polícia cercando o lugar e tal e os paraíbas saíram correndo desesperado e tal naquela paranoia né bem característica ali da do do efeito da da cocaína segundo narrador então Os caras saíram e nós ficamos dando risada deles e tal tá mas enfim Aí depois ele diz assim olha operação policial de verdade teve só ó operação mesmo só teve quatro quase uma semana depois
que foi até quando Tiraram a vida do Jean sem neurose gosto de nem go gosto nem de lembrar tá ligado o menor era bom só queria saber de jogar o futebol dele jogava fácil até hoje vagabundo fala que era papo de virar profissional já tava na base do Madureira logo ia acabar chamando ele para Flamengo um Botafogo da vida pronto Tava feito mostra saudade daquele filha da na moral até no enterro tirou onda tinha umas quatro namoradas chorando junto com a mãe dele esses polícia é tudo covarde mesmo dando baque no feriado com geral na
rua em tempo de acertar uma criança tem mais que encher esse escu azul de bala mesmo papo reto Então olha só né e aqui a gente tem uma uma lembrança né de uma situação traumática que foi perder um amigo pra violência policial né o amigo que era cara que jogava bola e tal não era nenhum traficante nada disso né E essas operações policiais aqui que são tema né E que vão acabar aparecendo Em alguns momentos o conto do da história do Periquito e do macaco por exemplo ele já vai e explicitamente fazer referência a a
presença da up no morro né quer dizer a unidade pacificação e tal né e a visão do do do morador aqui da favela eh Ela é bem negativa né sobre sobre essa intervenção eh policial no morro sobre essa intervenção das forças repressivas do Estado ali porque acaba sobrando PR os inocentes né Você tem um ambiente de de guerra né do lado da sua casa né não que o tráfico seja algo a ser eh eh exaltado elogiado mas eh parece que a presença da polícia ela é muito mais opressiva pro morador né do que a do
que o cotidiano ali né Eh sob a a a coordenação entre aspas do dos traficantes então ali você tem muito dessa sensação de est constantemente sendo eh vigiado de est constantemente sendo alvo de uma violência seletiva praticada por policiais isso vai aparecer inclusive nesse conto aqui tá então você percebe ali por exemplo que os caras estão lá fazendo né operação no final de semana dando tiro e tal e bala perdida pegando criança pegando jovem pegando inocente aqui ele fala então do garoto que gostava de jogar bola que tinha um futuro brilhante no futebol inclusive e
tal e acabou morrendo dessa maneira estúpida só que aí o comentário do narrador é esses polícia é tudo covarde mesmo dando um bque no feriado um geral na rua em tempo de acertar a criança tem mais é que encher esse escu azul de bala papo reto então aqui o narrador ele tem esse ressentimento em relação n à polícia aos policiais Tá certo ele vê polícia como antagonista Tá bom vamos adiante a chegada na praia é marcada pela presença do Sol da Diversão Mas também da presença opressiva da polícia Chegamos na praia sol estalando várias novinhas
pegando a cor com a pro alto maó lazer saí Voando para água mandando vários mergulhos neurótico furando as ondas a água tava gostosinha nem acreditei quando voltei e vi o bonde todo com maior cara de C O bagulho era que tinha uns can ali parado escando nós tava geral na intenção de apertar o baseado e os can ali esses políci de praia é tem dia que eles fica sufocando geral eu acho que das duas uma ou é tudo maconheiro querendo pegar a maconha dos outros para fazer a cabeça ou então tudo é traficante querendo vender
a erva para Gringo pros Playboy sei lá sei que é que quando vejo um cana querendo muito trabalhar fico logo bolado coisa boa não é Então olha só mais uma vez a percepção negativa do protagonista sobre os policiais né Por eu tava lá curtindo meu banho de mar e tal quando voltei pra areia meus amigos estavam todos com a cara de cu né Por quê Porque tinha policiais à volta e a gente queria fumar maconha não tinha como né só que aí ele desconfia né e da presença da polícia ele pensa cara quando tem polícia
na volta ali e tal que que é eles querem pegar ou eles querem pegar a droga da gente para consumir Ou eles querem pegar a droga da gente para vender coisa boa não é então o juízo né que o que o narrador faz sobre os policiais né De qualquer maneira é de uma polícia corrupta certo é isso que ele tá falando aqui né quando eu vejo um cana quer dizer um policial querendo muito trabalhar fico logo bolado coisa boa não é Tá Mas vamos lá quando a polícia Finalmente vai embora aí surgiu outro perrengue falta
seda para enrolar o bagulho né então eles não TM papel para enrolar o cigarro de maconha e aí pedi o papel pros garotos burgueses que frequentavam a praia era certeza de ser trata tado com preconceito se liga na ideia o Tico e o pouca telha tentaram a sorte e não deu outra tinha dois menor ali perto de nós com maior cara de quem dá um dois é a ideia de que os os os garotos que estavam ali perto tinha um cara de quem fumava maconha é isso desde que nós chegou eles estava ostentando passava mato
e eles compravam passava biscoito eles comprava açaí comprava sacolé comprava devia est mesmo era na ma larica neurótica tipo assim os cara né compravam tudo que era de comer e comiam porque eles deviam estar na larica a larica é né o o efeito um dos efeitos aqui né do consumo da maconha quer dizer começa a abrir o apetite e o cara começa a comer que nem um cavalo tá então seria isso uma larica neurótica eu já tinha palmeado pelo menos uns dois menorzinhos que estava escoltando eles quer dizer eu já tinha observado que tinha pelo
menos uns dois menozinho né tinha dois garotinho que já tava de olho neles nos Garotos nos Playboys que estavam ali que que dois menorzinho tava escultando os playboy estavam de olho para PR pegar a oportunidade de de roubar seria isso né então eu já tinha percebido Mas enfim só no aguardo para dar o bote eles lá panguando achando que o bagulho é Disneylândia Sem contar os camuflados de trabalhador que ficam só de olho em quem tá de malote esperando a boa né então a visão que o que o narrador tem né sobre a praia é
uma visão experiente de quem conhece os tipos que tão ali tem né o policial corrupto né tem o sujeito que tá disfarçado de trabalhador esperando a oportunidade de de de roubar Alguém tem os menorzinhos que estão de olho ali também para fazer um pequeno furto né E tem os playboy que acham que estão na Disneylândia bom Então olha só eh o que me deixa mais puto é isso menor menor maneira de dizer garoto né Então tá se dirigindo ao ao ao leitor né como se a gente tivesse estabelecendo um diálogo mesmo é interessante porque o
conto ele vem num fluxo de relato é como se o narrador tivesse contando para você alguma coisa e te Incluindo aí vamos dizer nessa conversa como se você fosse um dos Menor né olha só o que me deixa mais puto é isso menor tava os dois lá de bobeira aí quando chegou o tico mais um pouco a telha para pedir um bagulho para eles na humilde ficaram na neurose meio que protejendo a mochila Olhando em volta para ver se não tinha polícia não tem mais é que você roubar mesmo esse filha da não fosse minha
mãe eu ia meter várias paradas na pista sem neurose só de raiva é que a coroa neurótica Ainda mais depois do bagulho que aconteceu com o meu irmão Ela sempre me manda o papo de que se eu for parar no Padre Severino ela nunca mais olha na minha cara O bagulho é doido então aqui né o narrador ele acaba comentando um pouco sobre o seu ressentimento né ele disz p é a gente só chegar perto na humildade e ser tratado como se a gente fosse bandido às vezes dá vontade até de roubar mesmo então olha
só a gente tem uma espécie de espiral do ressentimento né é o é o é o playboy que vai na praia né E já tá traumatizado de ser roubado é o garoto pobre que tá na praia que é visto como ladrão sem ser E aí esse garoto ele já fica com ódio do Playboy né E já diz assim Ah quer saber né Eh já dá vontade até de roubar mesmo esses filha da então a gente tem essa essa espiral de de ressentimento social aqui que é algo que o contto acaba registrando e que vai aparecer
também como tema em outro conto na sequência que é o conto espiral Tá bom então a situação revela que o abismo social entre jovens da Periferia e os garotos burgueses acaba gerando uma espiral de ressentimento esse será inclusive o tema do próximo conto chamado espiral Outro ponto a ser observado é a revelação de que algo trágico aconteceu com o irmão do narrador ficando a expectativa de que esse fato seja revelado a seguir então vamos prestar atenção aqui né no final desse desse fragmento aqui né olha só tem mais é que ser roubado mesmo esses filha
da não fosse minha mãe eu ia meter várias paradas na pista sem neurose só de raiva eu só não vou roubar só não não não faço isso por causa da minha mãe nã que a coroa é neurótica Ainda mais depois do bagulho que aconteceu com o meu irmão quer dizer então isso acaba ficando aqui em suspense o que que aconteceu com o irmão dele que coisa que fato grave aconteceu com o irmão do narrador né que teria gerado um trauma familiar aqui tá ela a minha mãe sempre me manda o papo de que se eu
for parar no Padre Severino que é o reformatório né Seria tipo a a a Febem né a Fundação Casa enfim vai ter vários nomes diferentes mas a gente tá falando de reformatório né tipo presídio para menor se a gente for deixar de lado dos eufemismos né então se eu for parar no reformatório ela nunca mais olha na minha cara tá B é doido bom então vamos lá COB é o narrador desenrolar o problema da seda Você viu que eles não tinham papel para enrolar o cigarrinho de maconha né então eh conseguiu o papel conversando com
o vendedor ambulante no calçadão né na conversa Alerta sobre a presença da polícia na praia Então olha só o o ambulante que era um rastafare que vendia pulseirinha e tal né conversa com o garoto e tal e o narrador né naquele papo bom dele lá e tal beleza pior que foi tranquilo para arrumar seda pedi para um rasta que tava vendendo pulseira do reg maluco responsa me salvou até um cigarro me deu o papo para ficar na atividade quer dizer para ficar de olho né que os verme tava na maldade naqueles dias quem é os
verme os verme é a polícia tá mais uma vez referência negativa aqui a a polícia né os verme estava na maldade naqueles dias mataram Um Boliviano na areia aí os canana tava sufocando na praia com medo de morrer mais gente sepá até morador um gringo E aí ia tá merda braba tá ligado manchete no jornal Balanço Geral Eco aí mas os verme tavam de bobeira no bagulho não ia morrer mais ninguém ali não tava tranquilo a parada tinha sido papo de cobrança maluco que passou o boliviano tinha dado até um tempo da praia o rasta
mandou ficar na atividade se fosse fazer qualquer correria mas eu disse para ele que tava na boa só queria curtir mesmo uma praia fumar meu baseadinho na humilde Olha só então no papo o rasta deu um alerta ali ó garoto se você for fazer alguma coisa aí aprontar alguma você liga que a polícia tá de olho tá não tô na boa só vim aqui fumar meu baseado aqui a gente tem alguns registros importantes também né sobre esse ambiente de de violência e tudo mais né olha só perceba a crítica contundente a seletividade com que atua
a polícia bucana e a imprensa No que diz respeito à violência a polícia tava ali de olho segundo né o relato aqui do narrador segundo ele tinha ouvido do do do ambulante ali do Rasta né a polícia tava ali por um motivo tinha acontecido uma morte tinha acontecido recentemente ali de Um Boliviano ser assassinado na praia né então a polícia tava ali para evitar que acontecesse Alguma morte que chamasse a atenção o problema não é acontecer a morte o problema é essa morte virar notícia é isso acabar gerando algum tipo de comoção pública morte acontece
toda a hora que se a polícia não tá muito aí né paraas vidas que estão em jogo ali a polícia só tá aí pr pra reputação política vamos dizer da instituição né e tal percebe aqui ó né mataram Um Boliviano ali na areia aí os cana tava sufocando na praia com medo de morrer mais gente sepá até um morador ou um gringo E aí ia dar merda braba tá ligado quer dizer vai que morre um morador a gente tá falando de morador da zona sul e não é da favela a gente tá falando de morador
do Bairro né então quer dizer se morre um burguês né ou se morre um gringo quer dizer se morre um turista vá aí dá merda braba vira manchete no jornal Balanço Geral esses caô Tá então quer dizer o narrador ele tem uma percepção de que eh parece que algumas vidas importam e outras não né de que existe uma seletividade na atuação da polícia assim como existe também uma seletividade na na imprensa para aquilo que ela considera notícia para aquilo que realmente tem valor que que tem valor pra imprensa né vida de pobre né o garoto
aquele que morreu lá no no no morro vítima de uma bala perdida Muito provavelmente ele não vai né Eh não vai ser noticiado né mas aqui ó vai aparecer no Balanço Geral vai aparecer no jornal se morrer um turista se morrer um morador do Bairro da Zona Sul entendeu então é interessante essa percepção né sobre a injustiça né sobre o modo como determinadas vidas parecem né ter valor e outras parecem não ser eh valorizadas pelas instituições aqui tá então mas o s verme tava de bobeira no bagulho não ia morrer ninguém ali não Aí depois
ele explica né que segundo o relato do do Rasta o boliviano tinha morrido por causa de uma cobrança ou seja coisa de dívida de droga tá então quem passou o boliviano quem matou o boliviano matou o cara né executou o sujeito por dívida de droga e sumiu então não ia acontecer mais nada ali então a polícia tava ali marcando bobeira tá Seria isso seguindo protagonista relata então o prazer do banho de mar da contemplação da natureza so o efeito da maconha e não deixa de se divertir com a cena dos garotos burgueses sendo roubados n
então aquilo já tava meio que prenunciado ali né a gente já tinha aquela cena lá dos dois segurando a mochila tinha uns menorzin de olho pois é o ressentimento faz com que o narrador veja os Playboys como merecedores daquela situação ao mesmo tempo solidariza-se com os menó que praticaram furto vítimas dos mesmos preconceitos e violências praticados pela sociedade burguesa e quando eu tô falando de violências praticadas pela sociedade burguesa por exemplo você eh tem de passar por tudo isso que o narrador passou para ter um dia de lazer comum tipo assim você não ter dinheiro
sequer para pegar um transporte coletivo você pegar o transporte e se vê como uma sardinha em lata né quer dizer você ser tratado todo o tempo como um criminoso impotencial você tá sempre sendo né alvo de algum tipo de olhar de preconceito o preconceito é uma violência simbólica né alguém olhar para você e fazer você se sentir um merda é uma violência simbólica Mas é uma violência alguém olhar para você e fazer você se sentir um bandido sendo que você não é é uma violência né então a gente tem muitas violências aqui violências simbólicas e
às vezes até violências físicas né quer dizer a a morte da daquele garoto vítima de uma bala perdida a violência física extrema né enfim colocar os menor no paredão ali revistar né e e dar por descer a porrada no no garoto porque ele tá eh passando pela rua e ele passa a ser visto como um suspeito Deixa de ser só uma violência simbólica e passa a ser também uma violência física né mas então olha só né a gente tem aqui eh uma percepção do narrador de que e os menorzinhos que estão lá para para furtar
eles estão muito mais próximos da minha realidade do que os playboy né eu me solidarizo com com o menorzinho que vai lá e pratica um pequeno furto né e acho mai legal inclusive que aqueles Playboy filha da que olharam para mim com preconceito tenham sido Roubados né então acaba se dando mesmo eh esse ressentimento social e acaba se dando esse processo né vamos dizer de eh de de de separação né entre o morro e o asfalto e de uma percepção de antagonismo entre né entre quem pertence a um universo e quem pertence ao outro né
uma espécie de de guerra velada que a gente tem dentro da nossa sociedade né bom mas a onda máxima foi quando nós estava saindo da água os playboy que fez miserinha de seda tava tirando foto pagando de Divo no bagulho quando foram ver não viram nada dois menor passou voando levaram as mochilas com tudo dentro depois se enfiaram no meio da praia lotada os play ficou de bucha com celular na mão panguando aí passou mais um menor e levou o celular também achei que foi bem feito para deixar de ser otário e eu e os
menor rimo para da cara deles os comédia Meteu o pé levando só a kanga depois fiquei pensando nos menorzinhos que saíram no Pinote os menor era tudo rataria mas o rasta já tinha dado papo que a praia tava lombrada fiquei torcendo para eles não cair na mão dos verme tá ligado Então olha só né Ele lembra do episódio em que os playboy tinham negado o papel de seda para eles né então quer dizer nos trataram que nem lixo aí depois vieram os menorzinhos roubaram deles bem feito ficaram lá né pagando de Divo na praia tirando
selfiezinha e tal ah perdeu o playboy bem feito quem mandou se otário tá certo aí a gente ficou rindo da cara deles e só que depois eu fiquei pensando nos menorzinhos que roubaram ali né aqueles que praticaram furto torcendo para eles não serem apanhados pela polícia porque a polícia tava né tava na atividade ali então conforme já já tinha sido alertado lá pelo rasta né é isso galera então seguindo o desfecho do conto coloca o protagonista frente a frente com a polícia o narrador e seu grupo estavam indo em direção ao ponto do ônibus e
são alvo de uma abordagem abusiva situação que evidentemente não ocorreria com garotos brancos de classe média um outro detalhe aqui é o o conto assim como o livro inteiro ele não fica muito dando a descrição do personagem de acordo com a né a a a cor da pele dele dizendo Ah então ele não ele não se autoidentifica como preto narrador né Não fala que seus né companheiros ali são pretos né ou eh enfim que alguém ali seja Branco ele não fala de nada disso certo mas o que que a gente pode inferir né como é
que a gente poderia caracterizar boa parte da população da periferia no Brasil certo a gente tem uma um resquício né do do tempo da escravidão a gente vai percebendo o quê que a favela acaba sendo vamos dizer assim praticamente sucessora da Cala a gente não vai generalizar mas a maior parte da população periférica do Brasil né é preta ou mestiça a gente tem isso como uma realidade posta né a maior parte das vítimas de violência policial de abordagens abusivas né Se a gente for ver o encarceramento em massa da população preta no Brasil isso é
tudo revelador né de um racismo estrutural né ou seja de de a gente não tá falando apenas de eh episódios né de de racismo como por exemplo injúria racial ofensas né e tudo mais a gente tá falando de uma prática social ostensiva que vai colocar o negro numa condição de marginalidade que vai dificultar o acesso do Preto a determinados espaços né a determinados direitos e isso se dá de uma maneira sistemática e se reproduz né então a gente tá falando mesmo de um problema estrutural da sociedade em que a gente vive tá então o nosso
escritor o Geovan Martins ele se identifica né como um escritor Preto ele traz as questões né Eh do racismo na sociedade brasileira como um compromisso da sua literatura Tá certo então é interessante a gente perceber isso e embora o conto não fique aqui fazendo essa descrição das personagens quanto a cor da pele né a gente sabe que a gente tá tratando aqui sim de determinados preconceitos que também né acabam eh no bojo do racismo certo então isso vai ser mais explicitamente colocado no conto espiral por exemplo né tem outros contos em que talvez eh essa
questão do preconceito racial ela fique mais perceptível para você tá mas enfim Olha só eu posso né fazer esse raciocínio para você eh a respeito da da da da prática policial por exemplo eh Posso garantir que não aconteceria com um garoto branco de classe média dele est passando pela rua e de repente ver a polícia botar ele na parede começar a revistar um grupo de garotos brancos né com roupas de marca serem colocados no paredão e revistados veja que não é só uma revista né olha o que acontece aqui porque que a gente pode dizer
que é uma abordagem abusiva de maneira muito eh Evidente Olha só quando nós estava quase passeando pela fila eles armaram contra os menor de cara contra o muro o filha da manda nós encostar também então a gente tava voltando para casa tava anoitecendo a gente tava indo em direção ao ponto de ônibus e aí tinha um grupo de garoto sendo revistado quando os policiais nos viram nos botaram no paredão também tá manda nós encostar também aí veio com um papo de que quem tivesse sem dinheiro de passagem ia paraa delegacia quem tivesse com muito mais
que da passagem ia paraa delegacia quem tivesse sem identidade ia pra delegacia meu sangue Ferveu na hora sem neurose pensei Tô até explicar pra coroa que focinha de porco não é tomada Ela já me engoliu na porrada Então olha só o garoto aqui se tiver com sem dinheiro da passagem vai pra delegacia se tiver com mais muito mais dinheiro que o da passagem vai pra delegacia Como assim né então eu se eu tiver sem dinheiro eu sou bandido se eu tiver com dinheiro eu sou bandido de qualquer jeito eu sou bandido né quer dizer então
eu tô sendo julgado aqui tô sendo tratado de uma maneira absolutamente preconceituosa né E pelo aparato repressivo do Estado o estado me trata como um não cidadão né como não gente isso é né E aí depois como é que eu vou explicar pra minha mãe que eu caí na mão da polícia lá e tal quer dizer a minha mãe até eu explicar pra minha mãe que eu não cometi nenhum crime Ela já me encheu de porrada também bom bom o clímax narrativo é acompanhado de uma revelação importante sobre o irmão é E aí a gente
vai acabar sabendo até o nome do irmão porque aparece no relato Luiz havia sido assassinado por supostamente ter x novado que é interessante porque além de gírias a gente tem também a presença de neologismos né ele acaba criando aqui um verbo x novar né olha só né meu irmão nunca quia x novar ninguém tá então neologismo criado a partir do termo X9 né que seria o dedo duro é aquele que denuncia aquele que delata alguém é o X9 né então depois diz ah meu irmão nunca quia xnar ninguém tá então eh a gente acaba descobrindo
que o irmão tinha sido assassinado por supostamente ter Xis novado a atividade do tráfico né misturaram-se aqui os sentimentos de indignação pela humilhação imposta pela polícia e de revolta pelo ocorrido com o irmão mais velho olha o trecho né e é um desfecho que acaba dando né vamos dizer assim e é um é é um duplo desfecho né porque a gente tem o desfecho da Aventura do dia e um desfecho da história do irmão que tinha ficado lá como uma espécie de narrativa dentro da narrativa que é muito interessante né Então olha só não pensei
duas vezes larguei o chinelo lá mesmo e saí voando o cana gritou na hora que i aplicar passei mal papo reto fui correndo com cu na mão queria nem olhar para ver qual ia ser lembrei do meu irmão de nós jogando golzinho na rua ele era sempre o mais rápido era neurótico na corrida eu tava correndo quase que nem ele no desespero quase chorei de raiva eu sei que que luí não era X9 meu irmão nunca ia xnar ninguém morreu foi de bucha no lugar de um vacilão desses daí que o mundo tá cheio isso
sempre me encha de ódio Então você percebe né que ele vai correndo né quase chorando de raiva da situação que ele tá passando e lembrando que ele tá correndo como o irmão e lembrando do irmão que morreu dentro desse desse ambiente de violência né que é o ambiente do do Morro da Favela e tal então quer dizer misturam-se aqui os sentimentos né de indignação pelo imposta pela polícia e de revolta pelo ocorrido com o irmão mais velho tudo de mistura ele vai com né A gente parece que vê o garoto correndo com lágrima no olho
tá ligado e depois olha só o último parágrafo é particularmente interessante tá olha só vamos ler o parágrafo depois a gente faz o comentário meu corpo todo gelou Parecia que tava feito era minha vez minha coroa ficar sem filho nenhum sozinha naquela casa mentalizei seu tranc Rua que protege minha avó depois Jesus das minhas tias e eu não conseguia correr menor papo reto meu corpo Parecia que tava todo travado e eu tava todo duro tá ligado geral na rua me olhando Virei a cara para ver se ainda tava na mira do Verme mas ele tinha
dado as costas para continuar revistando os menor Passei batido Passei batido é cara acabei escapando dessa tá o conto termina assim Mas você percebeu meu corpo todo gelou como é que começa o conto né do Maçarico lá o sol escaldante certo minha changa a minha Cachanga parecia que ia derreter né até o o o vento do ventilador parecia o bafo do capeta tudo era o sol escaldante O começo é o sol e apesar do desconforto do Sol né na Cachanga né a gente tem o sol como algo que faz a gente sair pra vida de
ir pra rua de né de ir pra praia de de curtir o momento os essa coisa solar tem a ver com Juventude tem a ver com Aventura tem a ver com né com vitalidade e chega no final meu corpo todo gelou parecia que tava feito era minha vez do tipo ele teve uma sensação de morte tipo assim eu achei que eu ia morrer Ele lembra do irmão que morreu certo então quer dizer parece que a vida tá Por um Fio né quer dizer um simples passeio de um jovem né e num dia de calor se
transforma aqui numa aventura em que a vida tá Por um Fio né Então esse é o rolézin um inocente rolezinho né então o último parágrafo é particularmente interessante há uma oposição do Gelo horror medo em relação ao calor vitalidade diversão do início da narrativa outro fato interessante é a presença do sincretismo religioso né que será abordado também em outros contos tem lá O Mistério da Vila e tal por exemplo é um ponto que se destaca muito por isso né O que que é o sincretismo religioso essa mistura de vários credos né de várias eh maneiras
de de você se relacionar com né Eh com o Divino com aquilo que você é são essas várias influências religiosas que se misturam aqui então isso é bastante comum na cultura brasileira né Então olha só eh aqui a gente tem a mistura da busca por proteção no Exu Tranca Rua né quer dizer seu tranca rua é um Exu certo então quer dizer a gente tem aqui a a a a religião de matriz africana se misturando ao cristianismo que é o Jesus das minhas tias então trancar Rua da minha avó o Jesus das minhas tias eu
tentei me pegar com tudo né em busca de proteção certo bom ao final o protagonista escapa enquanto seus companheiros permaneciam emparedados pela polícia é isso tá então observações importantes aqui né sobre essa simbologia né do Sol e do gelo em oposição e também essa questão do sincretismo religioso e para finalizar voltando ao título concluímos que a narrativa se coloca como uma síntese do rolé tipo assim rolézin e aí a gente leu toda essa história o que acontece isso aqui é basicamente o registro do que que é o dia em que o garoto sai para dar
um rolezinho como é que funciona É assim então quer dizer eh concluímos que a narrativa se coloca como uma síntese do rolé ou seja um registro exemplar de como costuma ser o cotidiano dos jovens da Periferia quando busca um pouco de lazer nos dias quentes do Rio de Janeiro falta de dinheiro pro básico transporte coletivo superlotado e inacessível olhares preconceituosos ameaça constante de violência policial sensação de viver um mal disfarçado aparti né porque tem determinados espaços que parecem não ser pertencentes né a ao grupo social do preto do periférico né Tem lugares que você não
pode frequentar sem sentir medo né de ser de ser tratado como um bandido ou quem sabe até de ser assassinado Tá certo então o que que é isso senão um apide que tem lugar de branco tem lugar de preto tem lugar de rico tem lugar de pobre né então aqui o conto ele acaba sendo praticamente um um registro né daquilo que seria Teoricamente um dia banal mas que para um garoto pobre da favela ela é um dia de de aventura no limite entre a vida e a morte tá bom ficamos por aqui com rolezinho você
não pode perder o resto dos Contos aí desse livro Fantástico que é o sol na cabeça