Vou perguntar uma coisa: crianças são preconceituosas? Mas espera aí, deixa eu perguntar outra coisa: elas nasceram assim? Vamos conversar!
Uma pergunta, que sempre aparece, é assim: mas as crianças não têm preconceito? ! As crianças têm preconceito!
Elas não nasceram preconceituosas. O que seria, então, preconceito? Preconceito é um conceito que aparece, antes mesmo de se conhecer.
Nós generalizamos e criamos, então, um “pré” conceito. Só que criança não tem repertório para isso. Portanto, o conceito, quem passa para as crianças somos nós, os adultos.
Respondendo a minha pergunta: crianças são preconceituosas? Sim! Mas elas nasceram assim?
Não! Os adultos, no entorno, e eu não estou dizendo quais são os adultos, mas sim, estou dizendo que os adultos que convivem grande parte com essas crianças, são os responsáveis por dar um repertório para eles. Repertório não é só vocabulário, conteúdo, não.
Conceito vem de repertório. Exemplo dá repertório. As crianças ouvem coisas.
As crianças veem coisas. As crianças participam de coisas. Portanto, as crianças concluem coisas.
E os adultos fazem algo que é absolutamente inadequado, ineficaz, que é defender essas crianças ou justificar o que é feito. “Mas veja, um amigo do clube faz isso. Mas foi uma pessoa que ele conheceu, foi nas redes sociais.
. . ” Calma!
Não importa quem foi. Importa o que a criança vai fazer com isso. O que mais importa é que o adulto precisa se desarmar, para a gente poder combater.
O adulto precisa tomar para ele, porque foi o adulto que formou uma criança, isso ninguém pode contestar. Nós precisamos nos desarmar. Nós precisamos deixar de justificar, para entender que, algumas coisas são passadas para aquelas crianças, para que eles imitem.
Tanto ouvimos falar de educação antirracista, cuidado com o respeito, questões ligadas à igualdade. Nós precisamos dar a oportunidade para as crianças, para que eles façam algo diferente. E nós não estamos dando essa oportunidade, quando entramos para nos defender.
O adulto tem que lembrar, que tem que defender as crianças e não a nós mesmos. Negando algo, inegável, nós estamos nos defendendo. Então, vamos pensar uma coisa: se a criança não nasce “pré” conceituosa, que tal deixarmos que eles mesmos criem os conceitos?
Ou mostrarmos para eles que, sim, nós muitas vezes erramos, mas que eles sabem fazer. Eles sabem fazer as escolhas. E mais do que isso: eles sabem criar os seus conceitos, a sua visão de mundo, a sua leitura de mundo.
Talvez essa seja a forma de criarmos crianças, assim como eles veem, sem preconceitos. Eu quero poder fazer assim: criança nasce preconceituosa? Não.
E torna-se preconceituosa? Não. Até que um adulto lhe prove o contrário, não!
Vamos conversar? !