hoje vamos fazer a nossa aula então de apresentação do Machado de Assis a vida do Machado de Assis eh ela começa em 1839 quando ele nasce vocês sabem que o Machado de Assis tem uma uma origem humilde ele é neto de de escravizados alforriados e tem grande parte de sua formação feita de maneira autodidata a partir daquilo que ele vai estudando eh então eh ele é mestiço a ascendência negra do Machado de Assis eh aparece tem Aparecido hoje como uma discussão bastante importante uma forma eh de presentificar né a a a identidade na da Perspectiva
da literatura afro-brasileira ou da literatura negro-brasileira eh mas por muito tempo foi escamoteada eh a gente vai ver um pouco a vamos nós vamos falar um pouco disso a partir das do Machado de Assis bom e durante a vida né ele vai começar trabalhando ele vai começar a carreira dele na imprensa digamos assim como tipógrafo então aquele aquele funcionário que ia montando a os tipos né Para que fossem impressos e na na forma de impressão de então e vai passar depois a escrever a escrever crônicas a escrever crítica de teatro a escrever a participar mesmo
daquele jornalismo diário Bom a partir disso então ele passa a publicar contos a publicar eh ele ele escreve livro de poemas não é romances e nós temos então uma uma larga publicação do Machado de Assis ele escreve romances que geralmente são considerados por uma certa crítica romances que são próximos aos romances do José de elencar nos quais a a parece que a intenção né do dos dos personagens é justamente uma espécie de ascensão social Então dentro dessa de de desses romances se apresentam romances como yá Garcia né Helena eh embora a crítica diga que nesses
romances também já é possível perceber a a acidez não é de certa forma que vai aparecer naqueles então que vão ser considerados o uma aqueles que vão ser considerados uma mudança dentro da linha eh dos romances do Machado de Assis que é justamente n é o Memórias Póstumas de brascubas que é publicado em 1881 e em em 1899 é publicado também Don casmo posteriormente vai ser publicado Quim casas Borba eh é interessante eh também perceber que a produção literária do do Machado de Assis ela contém eh em sua trajetória muitos contos são mais de 200
contos publicados pelo Machado de Assis e é de perceber que o Machado de Assis ele vai treinando a escrita nesses contos então há muitos contos eh em muitos contos estão temas que depois serão eh apropriados Nos romances basta aqui a gente pensar quer dizer num conto eh como o entre Santos que é um conto cujo tema é uma promessa eh feita por alguém né Por um por um personagem que é eh que tem muita dificuldade de doar dinheiro tem muita dificuldade eh em ser Generoso e e ele precisa fazer uma uma promessa para um santo
eh para para conseguir então a para pedir a saúde a melhora da Saúde da da da esposa e no final das contas isso é impossível para ele então é interessante pensar como que esse esse clima né esse essa atmosfera eh da dessa dessa promessa que acaba se transformando numa espécie de troca financeira não é e também de de barganha entre o santo e aquele que reza é é é o mesmo clima que vai aparecer de certa forma lá no no Dom Casmurro Quando descobrimos que o Bentinho não podia se casar eh de uma primeira vista
com a Capitu porque a mãe dele havia prometido que ele deveria se tornar um padre eh Então veja que esse tipo de ambientação já estava presente presente ou já estará presente eh nos contos do Machado de Assis é interessante perceber então a relação que existe entre a Obra do Machado de Assis entre a produção romanesca e os contos Quem trata eh de uma maneira muito interessante disso é a professora Marta de Sena da Que que foi professora da frj e da Fundação Casa de Rui Barbosa vocês podem acompanhar isso nos artigos dela bom eh eh
com a publicação de Memórias Póstumas de brascubas e depois com dom casmul nós podemos dizer que o Machado de Assis ele atinge a maturidade da sua carreira e também passa a ser respeitado como um grande escritor embora ainda eh houvesse muitas críticas a ele eh mas eh o fato é que em 1897 ele vai participar da fundação da Academia Brasileira de Letras como uma das principais instituições culturais do Brasil aquele momento e Eh Ou pelo menos do Rio de Janeiro né E vai eh em Então se tornar presidente da Academia Brasileira de Letras então nós
podemos dizer que o Machado de Assis esse escritor de origem humilde eh esse escritor mestiço no Rio de Janeiro do final do século XIX Temos que sempre lembrar que a abolição da escravidão no Brasil aconteceu só a partir de 1888 pois bem esse escritor diante né dessas de todas essas dificuldades inserido nessa sociedade então pode eh lograr já o reconhecimento em vida e em 1908 o Machado de Assis falece eu vou eu passo agora então a apresentar para vocês algumas imagens do Machado de Assis as maneiras como ele foi retratado então vejam aqui né Nós
temos uma uma imagem do Machado de Assis que é essa fotografia tirada por Marc Ferris em 1890 vejam que nessa foto aparecem os da ascendência africana não é afro-brasileira do Machado de Assis e é muito importante né perceber que a iconografia sobre o Machado de Assis vai a medida em que ele vai se transformando numa figura importante vai também eh digamos embranquecendo de certa forma então vejam Aqui nós temos à direita eh um uma imagem que é a imagem do Machado de Assis eh a imagem oficial no site da da da da Academia Brasileira de
Letras eh do do Machado de Assis eu coloquei aqui uma data Eh mais ou menos eh imaginada que é 1897 que é justamente a data eh da eh da da fundação da Academia Brasileira de Letras né bom vejam não é que é é muito interessante Então como eh a questão do Machado de Assis como mestiço e aparece no eh na forma como se conta sua biografia em certos momentos não é mas todos os momentos que nós vimos nós vemos o movimento e digamos bastante racista da da da sociedade brasileira como é o caso do final
do século XIX parece que essa imagem vai também um pouco embranquecendo né Eh então isso pode se relacionar àquilo que que temos eh conversado nessa disciplina sobre eh essas teorias higiênicas racistas do final do século XIX no Brasil desculpa eh então vejam em 2017 2018 a Faculdade Zumbi de Palmares fez esse eh esse movimento né com essa hashtag Machado de Assis real eh em que se tomou aquela fotografia do Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras né que aparece no site da Academia Brasileira de Letras e houve então uma eh uma recolação da foto
do Machado de Assis da imagem dele e agora não é eh se destaca a a pele a cor da pele do Machado de Assis não é então nós temos aqui um movimento de afirmação importante e esse movimento então sugeri que as pessoas trocassem né as fotos do Machado de Assis em que ele aparece com com os traços afro-brasileiros escamote e colocasse Então essa nova foto do Machado de Assis né então foi um movimento muito muito interessante e vejam não que esse ano 2020 foi lançado foi lançada uma nova tradução do Machado de Assis pro inglês
feita pela Flora Thomson Dev depois vocês vão poder acanhar a a entrevista dela eu vou disponibilizar o link para vocês e e a flora que traduziu Memórias Póstumas de brascubas né Ela é uma estudante de Machado de Assis fez um doutorado da Universidade de Brown sobre ele lança ess essa tradução e a a edição passa a ter muitos exemplares vendidos a primeira edição se rapidamente eh então é interessante né Nós pensarmos na trajetória da recepção desse escritor e pensar né como que agora o Machado de Assis esse romancista e da literatura brasileira eh esse romancista
mestiço e agora ele passa também a se transformar numa espécie de de ícone para e a afirmação da identidade afro brasileira para a afirmação dos direitos eh dos negros da população negra eh sobretudo nesse mundo em que nos encontramos né E como que ele vai eh como que esse livro passa a vender bastante justamente no momento em que nós vemos as as manifestações não é nos Estados Unidos eh contra o racismo né então é é é interessante nós percebemos essas essas leituras do Machado né isso por quando o machado de Assis eh lançou seus primeiros
livros um dos críticos mais importantes no Brasil no final do século XIX um dos críticos que mais escrevia que era mais respeitados era o Silvio Romero o Silvio Romero era um crítico eh que nós podemos eh classificar como um crítico naturalista Ou seja é um crítico que levava muito a sério as noções do determinismo eh ele muito influenciado Por que definia então que a a raça o meio momento histórico né são elementos muito importantes para se para se definir as características eh de uma determinada literatura eh ele faz uma crítica ferrenha ao Machado de Assis
porque observa o Machado de Assis como um escritor anacrônico justamente porque eh não consegue relacionar a obra considerada que nós consideramos hoje realista do Machado de Assis a partir do Memórias Póstumas de brascubas eh a exatamente a a literatura que era produzida no Brasil naquele período nós vimos na aula passada as diferenças né marcantes entre o estilo do Memórias Póstumas por exemplo e um O Cortiço então ele considera o Machado de Assis um escritor anacrônico e não consegue perceber também eh que o machado de Ass tenha um vínculo com Brasil essa é uma essa é
uma questão muito importante dentro da crítica do Machado de Assis o vínculo com o Brasil num primeiro momento ele vai ser considerado um escritor que não tem muitos traços brasileiros ou não está muito preocupado com a realidade brasileira por isso num primeiro momento e não dada a Machado de Assis um aspecto não é dada obra de Machado de Assis um de obra realista Então olha só o que que o que o Silvio Romero diz aqui por exemplo nesse texto que é de 1897 justamente o ano fundação da Academia Brasileira de Letras n que é o
se chama Machado de Assis estudo comparativo de literatura brasileira bom então ele diz o seguinte olha tal o motivo pelo qual de caso pensado arquitetou aqueles do quartos sabori que se chamam brascubas e Quincas borma onde certos basques nacionais fingem descobrir não sei que profundos abismos de ciência oculta magia faquir ismo ou cabala que os anestesia e embriaga como os mangas de Antônio Conselheiro aos jagunços de Canudos por mim não pude nunca descortinar onde pousa onde pousam desculpa tantos e despenhadeiros do pensamento tantos grotões da filosofia onde a gente se possa fogar puro convencionalismo é
tudo aquilo carismo leitor então vejam aqui não é que o Silvio Romero chama o Machado de Assis de convencionalismo Observe então a Obra do Machado de Assis como uma obra artificial Antônio Cândido num estudo sobre o método crítico de de Silvio Romero vai dizer que na verdade o Silvio Romero não conseguia avaliar positivamente a obra de Machado de Assis porque acreditava que o Machado de Assis que era um brasileiro e Dada a sua a sua condição eh de mestiço é como se aquele livro que ele tentasse escrever que tratasse da alta filosofia fizesse eh fizesse
referência por exemplo autores como Shakespeare fosse um livro falso já que né nesse país e nessas condições não seria possível eh se escrever um livro Como Se escrevia por exemplo no século X na Inglaterra então percebam que esse tipo de determinismo e esse tipo de pessimismo em relação ao Brasil marca eh também uma recepção que poderíamos considerar hoje como uma uma recepção eh contemporânea racista né do Machado de Assis então é é muito interessante a gente perceber isso né Eh então puro convencionalismo é tudo aquilo caríssimo leitor tenhamos um pouco de ceticismo diante desse desse
pessimismo e desse humorismo pacap das secretarias do estado aqui a crítica passa a ser pessoal né porque o Machado de Assis ocupou muito tempo secretarias de estado ele teve uma carreira como como como funcionário público tenhamos um pouco de ceticismo então bons cidadãos neutros na eterna Quietude do gracejo oficioso Ao Vencedor as batatas o o eh o trecho né que aparece em quin casas Borba também Quinas Borba né Eh a felicidade é um par de Botas são como sínteses a felicidade é um par de Botas já aparece no no memórias próximas de brascubas São como
sínteses de Tais profundezas por mim confesso que aprecio mais humorismo do outro era mais espontâneo então vejam que Machado de Assis aqui é extremamente criticado e há justamente uma dificuldade se considerar a Obra do Machado de Assis como uma obra realista justamente por eh quando comparado aos outros escritores brasileiros daquele momento ela se apresentava de forma muito diferente pelas questões como já observamos bom quando fazemos uma então a gente pode pensar não é que esse momento depois o José Veríssimo que é outro escritor que é mais que é mais ou menos contemporâneo ao Silvio Romero
eh vai sim elogiar a Obra do Machado de Assis mais para frente a Lúcia Miguel Pereira eh o Astrogildo Pereira que é um e que é um um integrante do Partido Comunista vai fazer eh uma crítica bastante eh interessante da Obra do Machado de Assis porque vai considerá-la uma obra de crítica social então conforme nos aproximamos da década de 30 o Machado de Assis eh vai retomando também Esse aspecto realista não que ele fosse não que ele fosse considerado um realista como flé ou como zolá naturalista não mas se percebe que há um Realismo na
Obra do Machado porque e Apesar de ele não registrar a vida por exemplo no Cortiço Como fizeram outros escritores ele capta alguns aspectos da lógica da sociedade brasileira mesmo assim é interessante perceber que há uma salva dentro da recepção crítica do Machado de Assis por parte por exemplo dos escritores ali em torno do modernismo Paulista né do osvald de Andrade do Mário de Andrade Então nesse momento como Eh esses escritores defendiam uma literatura por exemplo né cuja linguagem fosse próxima à linguagem do cotidiano talvez por isso o machado de arcis não pudesse eh entrar eh
num quer dizer era era não pudesse entrar num rol de grande escritor né era um escritor elogiado mas mesmo assim com muitas ressalvas nós podemos perceber aqui nesse trecho por exemplo da crítica do Mário de Andrade uma espécie de eh prevalência de de continuidade um pouco da ideia do do próprio Silvio Romero na na na eh na Perspectiva em que observa o Machado de Assis como uma espécie de ressentimento mais uma leitura que vai destacar a a digamos o trabalho formal do Machado de Assis não é a perfeição da forma no Machado de Assis então
eu apresento aqui para vocês agora vejam esse daqui é um exemplar das Poesias completas de Machado de Assis na biblioteca do Mário de Andrade de Andrade né de anotar eh nas margens do seus seus textos como como muitos de nós fazemos e esses livros grande parte deles pelo menos está conservada lá na biblioteca do Instituto de estudos brasileiros na USP então isso daqui é uma foto eh do do do livro e do comentário então diante dessa desse de um poema do livro Americanas de Machado de Assis Machado de Assis também escreveu poemas né e diante
desse poema de do poema chamado a última jornada Mário de Andrade escreve Isto é mais que Sublime verso Geniais eh de uma pureza né de um equilíbrio de uma comoção maravilhosas Olha só no artigo então sobre Machado de Assis num uma série de artigos sobre Machado de Assis que Mário de Andrade publica no Diário de Notícias em 1939 ele vai dizer o seguinte tenho pelo gênio de Machado de Assis uma enorme admiração pela obra dele um fervoroso culto mas eu pergunto leitor para que respondas ao segredo de tua consciência se amas Machado de Assis vejam
que aqui é todo jogo com a própria forma né de Machado de Assis escrever a interlocução com leitor aparece aí né e eu pergunto leitor e esta inquietação me melancolia acontece isso da gente ter às vezes por um grande homem a maior admiração o maior culto e não poder amar como arte no entanto ele foi o maior tesão que já tivemos e esta é a sua formidável Vitória e sua maior lição ele vence ele domina tudo pelo artista incomparável que soube ser tomando a sério a sua arte Machado de se aplicou em conhecê-la com uma
técnica maravilhosa é impossível de imaginar maior domínio do metiê percebam então que aqui está outro aspecto da crítica sobre o Machado de Assis que é muito importante que é a crítica que observa a natureza formal da obra de Machado de Assis então vejam passamos por algumas eh algumas tendências na crítica sobre Machado a primeira delas do Silvio Romero é pensar se Machado é ou não anacrônico se a literatura dele é ou não Nacional né é ou não nacionalista em certo aspecto aqui observamos então outra questão que é a questão formal Apesar então de de do
de o Mário de Andrade dizer que não ama o Machado de Assis mas afirma que foi o maior artesão que já tivemos né e eu e e e passamos agora por um por um outro momento que é justamente próximo Aí a 39 40 42 43 que é o momento em em que o governo de Getúlio Vargas vai eh instaurar uma uma política em torno da ideia de identidade nacional e de União a partir justamente da missen Nação e da eh e e e da política da de uma espécie de democracia racial portanto percebam que para
o governo de Júlio Vargas será muito importante uma figura Como Machado de Assis porque ele representa a possibilidade otimista eh de alguém de de um escritor poder eh vencer digamos eh sendo né Eh tanto compartilhando das da da ordem não é não sendo eh não sendo um revolucionário em certo aspecto né Eh pelo menos isso na na visão do do governo do Getúlio vares não é eh e também sendo mestiço Então não é de se estranhar que a partir de 39 o próprio governo brasileiro né Eh faça por meio do Ministério da Educação e saúde
uma exposição sobre o Machado de Assis bom dentro da trajetória da recepção crítica do Machado de Assis é de se pensar Então como que a obra dele vai ganhando outro valor não é então partimos lá daquela recepção que era uma recepção preocupada em saber se ele é anacrônico ou não se a obra dele eh tem relação com com o Brasil ou não para uma crítica mais estilística há também uma crítica que vai por exemplo tentar traçar semelhança entre a biografia do Machado de Assis e a sua obra também ainda um pouco dentro daquela tradição naturalista
e aqui como nós recebemos já para o estado novo vai eh uma crítica alinhada ao estado novo vai vai interessar justamente e o Machado de Assis como uma espécie de modelo e eh é na década de 60 sobretudo a recepção do memórias do do Dom Casmurro e que nós vamos perceber então a Helen calr que vai eh se perguntar por esse narrador do Machado de Assis né pelo narrador que aparece ali pelo brascubas ela vai dizer olha esse livro precisa ser lido não como um livro eh que um livro policial que é necessário eh no
qual é necessário se encontrarem as provas que eh mostram e que que a Capitu traiu o o Bentinho Não é disso que se trata o que se trata é pensar justamente quem que é esse narrador é um livro em primeira pessoa eh portanto há que se desconfiar desse narrador e essa desconfiança do narrador pode inclusive levar à percepção de uma crítica muito profunda a Essa sociedade eh paternalista machista do final do século XIX no Brasil eh do próprio Machado de Assis então a crítica poderia estar aí bom de certa maneira nessa esteira eh e também
naquela que o próprio Raimundo faoro eh vai estabelecer eh conforme vai eh nos afirmar o Hélio de Seixas Guimarães no livro Machado de Assis o escritor que nos lê e é interessante perceber agora então que o Machado de Assis a partir da década de 70 é é recebido em inúmeros trabalhos como um escritor realista mas não realista de Escola Realista AF flober aqui é diferente ele é realista porque de certa forma consegue desvendar e criticar uma uma situação dentro da a sociedade brasileira como nós já afirmamos nessas aulas eh um dos grandes críticos Então dessa
geração aí que da da década de 70 a tratar da Obra do Machado de Assis observando como que os narradores ali presentes fazem uma espécie de eh de de crítica dessa classe dominante é o Roberto schwarz que escreve eh Ao Vencedor as batatas escreve o Mestre na periferia do capitalismo também também e tem um ensaio sobre Dom Casmurro chamado a poisia envenenada e de Dom Casmurro e e na crítica do Roberto schwarz na qual ele vai desenvolver a ideia da eh das ideias fora do lugar justamente eh que ele vai então observar como que esses
narradores né tanto brascubas quanto o o Bento Santiago que são narradores absolutamente finos né com uma espécie de superfície cultural eles acabam então Eh demonstrando toda a violência na sociedade na qual estão inscritos e para fazer e para tratar disso ele vai mostrar como que na Obra do Machado de Assis sobretudo nesses romances como Memórias Póstumas e Dom Casmurro há então vários tipos sociais que aparecem ali e que acabam não é por representar a estrutura de parentela dessa sociedade nós trataremos mais disso quando eh na na aula sobre Dom Casmurro mas eu quero aqui em
todo caso indicar para vocês esse esse eh essa fala do Robert que está eh num vídeo não é sobre o sobre o Machado de Assis e que estará disponível no link e aliás esse vídeo que é do da TV Escola é muito interessante porque traz schwarz eh também o s chalub o Alfredo bos e vários críticos aí que comentam a obra eh do do Machado bom e para terminar ainda na esteira dessa leitura que considera a Obra do Machado de Assis realista porque ela percebe como a sociedade brasileira funciona Quais os preconceitos qual o tipo
de estrutura eh que está nela presente eu termino essa aula com as palavras do John Gladson que foi um que é um pesquisador importante sobre Machado de Assis e que foi responsável pela edição das Crônicas do Machado ele diz o seguinte então em grande medida o que fazem esses narradores né Braz Bento Santiago Aires do memorial e não simplesmente eles fazem não simplesmente com argumentos sutis ou apresentado ou apresentados os fatos de modo convincente por outro lado a arma fundamental de que dispõe esses narradores é o preconceito social concordamos com eles porque Compartilhamos suas atitudes
e é possível que a possível Inocência de capt levou tanto tempo para ser descoberta e talvez por isso foi descoberta por uma mulher veja o que interessante ele tá dizendo a maneira como o Machado de Assis monta os seus narradores faz com que eles sejam tão sutis pareçam tão cultos que o leitor da época que o leu não podia ter nenhuma outra reação sen não concordar com esses narradores porque compartilhava com esses narradores dos mesmos preconceitos daquela sociedade então é por isso de acordo com Gladson que teria ficado tanto tempo encerto o fato de que
só havia uma versão a versão do Dom casm portanto não era possível acreditar já de início ele estava tentando convencer o leitor da traição da capit mas não havia o lado dela ele continua uma das instituições mais profundas de Machado foi a de que desculpa uma das intuições mais profundas de Machado foi a de que não há contradição alguma entre semelhante sofisticação que está mais ligada ao fenômeno social do que gostaríamos de admitir e a estupidez Então essa sofisticação dos narradores tá ali par e passo com a estupidez Machado foi capaz de iludir o leitor
por ter sido capaz de lisong ou seja de agradar seus preconceitos vejam que interessante essa frase né E então é possível que esse leitor acreditasse do Dom Casmurro observe-se porque o Dom Casmurro o narrador agradava a própria estupidez do leitor como se a gente pudesse pensar o seguinte o leitor achava que aquilo era verdade porque era tão estúpida quanto aquela personagem na manutenção e na crença dos preconceitos que eram base daquele momento segue-se que dentro de certos limites é claro quanto mais nos afastamos da sociedade em que Ele viveu e para qual escreveu tanto mais
chance temos de nos afastar desses preconceitos mais chance temos de nos afastar desses preconceitos e de compreender o que ele pretendia o que nos leva à conclusão saudavelmente modesta de que o que nos permite enxergar a verdade é menos nosso talento do que a boa sorte de estarmos afastados desses eh preconceitos então termina minha aula por aqui muito obrigado pela atenção e boa noite