Olá, meus amigos! Bom dia, tudo bem? Espero que sim.
Sejam bem-vindos de volta a mais uma meditação histórica. É um baita prazer encontrá-los aqui mais uma vez! Obrigado a todos vocês que têm acompanhado, que têm curtido, que têm comentado, compartilhado, né?
Eu sei de gente que joga no grupo da família e fala: "Olha, lê isso daí! Veja isso daí que vocês precisam. " Agradeço a todos vocês e quero lembrá-los também da Sociedade da Lanterna, né?
Quem quiser ter uma leitura mais aprofundada da filosofia, frequentando outros textos e conversando sobre outros filósofos, a gente vai ver o estoicismo de maneira aprofundada a partir de fevereiro na Sociedade da Lanterna. O link sempre acompanha aqui na descrição do vídeo. Então venha para a SDL, que eu tenho certeza que vocês vão gostar muitíssimo.
Pois bem, hoje vamos à meditação de Epicteto, intitulada pelos autores aqui de "Sobre Ser Invencível". Cito Epicteto: "Então, quem é o invencível? Quem é invencível na vida?
" Eu acho interessante porque, em alguns momentos, eu sempre falo sobre a questão da fraseologia, da construção das frases e das escolhas das palavras, né? Às vezes, os estóicos usam palavras de maneira muito intensa, que até assustam, né? Quem está acostumado com as coisas da filosofia vive sempre tateando termos, ajustando.
Olha, não dá para generalizar, não! Os caras veem com os dois pés no peito, dizendo: "Bom, quem é o invencível? É aquele que não pode ser perturbado por nada que esteja fora de sua escolha racional.
É aquele que não pode ser perturbado por nada que esteja fora daquilo que ele pode escolher racionalmente. Essa é uma pessoa invencível. Essa pessoa você não consegue dobrar, essa pessoa você não consegue irritar, essa pessoa você não consegue deixar ansiosa, essa pessoa você não consegue perseguir, essa pessoa você não consegue atacar de nenhuma forma.
O que você fizer com essa pessoa, ela tem um escudo de proteção que não depende de nada, a não ser dela, que é a compreensão racional da realidade e a compreensão do universo no qual ela pode agir versus o universo no qual ela não pode agir. " Gente, eu fui nadador durante muitos anos. Fiz parte da Seleção Brasileira, fui dezenas de vezes campeão mineiro, brasileiro de natação, sul-americano, ganhei campeonatos em nível mundial.
Enfim, tive uma carreira profissional como nadador e eu ainda era muito moleque quando surgiu um atleta russo chamado Alexander Popov. Quem é mais da minha geração há de se lembrar desse cara, Alexander Popov. Ele veio ao Brasil algumas vezes, ou pelo menos uma, tenho certeza, competiu aqui na época.
Os adversários brasileiros eram o Xuxa e o Gustavo Borges, e uma coisa que chamava muito a atenção no Popov era o fato de ele ser imperturbável. Você via o cara na sala de espera ali, porque existe uma antessala antes de você entrar na prova, onde ficam os atletas. É tenso demais, é muito ruim, é uma cheira de adrenalina, cortisol, tudo que é difícil está ali naquela salinha, naquela antessala que leva pra piscina.
Então, você está ali; a piscina tem oito raias, você tem pelo menos oito atletas que estão competindo diretamente com você. Eventualmente, as outras séries já estão também ali, os caras já estão sentados ali. Então, aquela galera competindo diretamente com você e as notícias que a gente tinha, e a câmera mostrava, e tudo era o Alexander Popov como se ele estivesse, sei lá, numa reunião com o gerente do banco para ver se ele ia ter um cartão black ou um cartão não black.
Assim, negócio de estar no meio de uma Olimpíada, estar no meio de um campeonato mundial. Esse cara tem uma cena maravilhosa: uma vez, teve um campeonato aqui, eles montavam uma piscina na praia, e mostra ele quando o juiz diz, né? "Take your Marks", suas marcas.
O cara baixa para sair e ele dá uma soprada pros lados, assim, ó! Ele sopra os adversários como se ele dissesse, num ato simbólico: "Já era para vocês! " O cara já venceu a prova antes de entrar na piscina, entende?
Não tem nada que você possa dizer pro cara que vai abalar. Então, esse cara é invencível. Esse cara é invencível e, de fato, ele ganhou tudo que tinha e o que não tinha na sua época.
Pois bem, seguindo nessa linha, vamos ao comentário dos nossos autores. Eles dizem: "Você já observou um profissional experiente lidando com a imprensa? Nenhuma pergunta é difícil demais, nenhum tom é mordaz ou ofensivo demais.
" O cara está aqui, ó! O que vem, ele rebate; o que vem, ele dá risada; ele coloca as pessoas nos seus devidos lugares. Eu me lembrei aqui, acho que eu já comentei desse caso com vocês, daquele comandante de jato comercial que pousou o avião no rio Hudson, nos Estados Unidos, porque entraram pássaros nas turbinas.
O avião acabou não conseguindo voltar pro aeroporto e ele simplesmente fala: "Vou pousar no rio Hudson. " E a voz do cara, depois, pega a caixa-preta, vai analisar o que aconteceu. A voz do cara é como se ele tivesse, sei lá, passeando com um cachorrinho na rua: "Olha, vou pousar no rio, já preparem aí os resgates, etc.
, etc. " O cara pousou! Como assim?
Experimentado, racional. Nós temos que ser como esse, nós temos que ser como um Popov na vida. Na vida, nenhum tom é mordaz ou ofensivo demais.
Eles se desviam de cada golpe com humor, equilíbrio e paciência, humor, equilíbrio e paciência, mesmo quando ofendidos ou provocados. Escolhem não se esquivar ou reagir. São capazes de fazer isso não só graças a um treinamento e à sua experiência, mas porque compreendem que reagir emocionalmente só tornará a situação pior.
Então, você vai treinando: quando a ira aparecer, você controla; quando a raiva aparecer, você. . .
Controla quando a vaidade aparecer. Você controla quando, quando você ouvir aquela coisa que te agride. Você se pergunta: "Por que me agride?
" Você controla. E aí você vai ficando bom nisso, nego. Você vai ficando bom nisso.
Isso é um fato. Eu sei que é difícil fazer, né, taluk? Né, meu taluk?
Eu sei que é difícil fazer, mas você vai ficando muito bom nisso. Os jornalistas esperam que os entrevistados tropecem. Eu fico desconcertado.
Já viu aqueles debates políticos, né? Que o cara solta aquela. .
. Assim, virou entretenimento! A gente não tem mais debate político; a gente tem entretenimento político.
Aí o cara fala aquele negócio só para desestabilizar o outro. E, quando você desestabiliza o outro, acabou, meu amigo. Você faz dele gato e sapato.
Na hora que você vê que o cara se entregou, que o cara tremeu, que o cara sentiu o golpe, é o famoso "sangrar em tanque de tubarão. " Você não sangra em tanque de tubarão. Você não dá esse prazer às pessoas, mas não é por uma questão de vaidade.
É porque você é invencível, porque você é imbatível, porque você percebeu como fazer para não sangrar em tanque de tubarão. Posso continuar? Tá.
Obrigado, meu amor! Assim, para se saírem bem em coletivas de imprensa, bons entrevistados internalizaram a importância de se manterem calmos e sob controle. Esses caras mais especializados em debates, né?
Essas coisas. Eles fazem treinamentos, inclusive para, por exemplo, seu adversário perceber que você começou a suar, percebe que você está transpirando nervoso e tudo. Aí que ele parte para cima.
Gotejou o sangue no tanque de tubarão. É pouco provável que você vai enfrentar hoje uma multidão de repórteres inquisitivos, bombardeando com perguntas insensíveis. Poderia ser útil, porém, ter em mente essa imagem.
Essa imagem! A imagem de pressão de gente vindo para cima de você. Porque vem à sua maneira.
Pode ser quem for. Pode ser o seu cônjuge, pode ser o seu filho, pode ser o seu chefe, o seu colaborador da empresa ou quem for. Venha quem vier, você vai fazer um exercício de autocontrole.
Adianta se perder no ódio? Na EA? A gente já viu aqui diversas meditações que vão nesse sentido.
Então tenha em mente essa imagem para usá-la como modelo para lidar com qualquer sobrecarga, motivo de estresse ou frustração que lhe sobrevenha. A frustração é o quê? O desejo de controlar o que está fora.
Você não conseguiu controlar o que está fora porque é realmente impossível. Você se frustra por quê? Porque você é burro!
Burro! Você quer controlar o que não tem controle. Você está sentado lá na última poltrona da classe econômica e está querendo controlar o avião.
Aí não vira para a direita, meu filho! Você não tem mancho, você não tem competência, não tem nada. A vida não te oferece essa possibilidade.
Aqui. Aí você sofre, burro. Nossa escolha racional, nossa proairesis!
Lembra? Esse termo já apareceu aqui outra vez. Coloquei no quadrinho para vocês.
A escolha racional! Eu tenho aqui e tenho aqui! Irracionalmente vou ouvir a voz do coração, que é a decisão dos jegs.
Então vai lá, enfia a cara no muro! E tem uma outra que é a decisão racional. A é igual a A, meu filho!
Isso é regra lógica. A não vai ser igual a B, não vai ser igual a C. Nunca uma cadeira é uma cadeira.
Por mais que você queira que ela seja um copo, ela não será um copo. Então, a decisão racional é tratar uma cadeira como cadeira. Entenderam a imagem?
Nossa escolha racional, nossa prohairesis, como os estóicos a chamavam, é uma espécie de invencibilidade que pode ser cultivada. É possível ignorar os ataques hostis e lidar tranquilamente com a pressão. Os problemas: bati o carro lá no centro da cidade, enchente, problema em casa, não sei quê.
Eu saio o quê? Vou dar tiro? Vou xingar?
Vou. . .
pô, pra cadeia, vou arrumar problema? Vou triplicar o meu problema? Cara, lembrei aqui de um negócio.
Eu estava indo dar uma aula em um curso do Instituto Mises Brasil, numa faculdade de São Paulo. Peguei o Uber, saí do hotel, peguei ali uma daquelas marginais e, conversando com o motorista do aplicativo, passando do lado, esdo moto no corredor, e um carro preto cruzou na frente da moto no corredor. Das motos!
Cruzou inadvertidamente, porque em São Paulo você faz isso. Os motociclistas, os motoqueiros, ficam loucos na vida. E esse motoqueiro, numa moto meio crosa assim, buzina em cima do cara.
E, no que ele deu buzina em cima do cara, uma coisa que ele poderia simplesmente não ter feito: "Por quê? Cruzou na minha frente. " O que que eu faço?
Vou embora, sigo a minha vida. Vale a pena o estresse? Vale a pena eu tentar dar lição de moral no outro motorista?
Eu estou falando isso para vocês, mas estou falando para mim também, viu? Porque isso daí acontece com todo mundo. Eu sei que esse cara do carro preto partiu atrás do cara da moto.
E a gente, no aplicativo, no que ele partiu para cima do cara da moto, que estava com uma mulher na garupa, imediatamente fechou o trânsito por causa de congestionamento. São Paulo não tem congestionamento, né? Só está dando 700, 800 km de congestionamento de São Paulo.
Ele veio com tudo atrás e levantou essa moto. A perna da mulher virou ao contrário, meu amigo! Virou ao contrário.
E aí eu fiquei pensando: por um pequeno ato de insanidade, de descontrole pontual, esse cara vai ter um problema por muito tempo na vida dele. Vai responder a processo criminal. Era um carro que você vê de uma pessoa humilde, não sabe nem se tem seguro, se não tem seguro.
Vai ter prejuízo financeiro, machucou seriamente uma pessoa. Na hora que esfria. .
. Fui! O que eu fiz?
Da minha vida, então, eu não preciso esperar esquentar para esfriar. Eu fico frio o tempo inteiro; isso é treino. E, como em nosso modelo, quando terminamos, podemos apontar de volta para a multidão e dizer: "Próximo, vem que eu tô preparado!
Pode vir o que vier, porque eu vou lhe dar, da melhor maneira possível, boas decisões para vocês. " Ó, quase caíram os meus óculos aqui! Boas decisões para vocês, e a gente se encontra aqui amanhã.
Beijo grande! Até!