Se você tá lá em Gênesis 2, nós já vamos ler daqui a pouco, mas eu gostaria de começar abrindo com uma frase de Mark Twain. Se você faz parte do grupo de fé e trabalho, você já me ouviu fazendo essa citação, ele disse que os dois dias mais importantes da sua vida são o dia em que você nasceu e o dia em que você descobre o porquê. Quando nós pensamos em trabalho, uma das coisas que tem sido pensado no ambiente corporativo, nas mais nos mais variados ambientes de trabalho, não apenas nas empresas, mas nos consultórios, nas escolas, é a ideia de sentido, a ideia de propósito.
O Senhor tem me permitido, ao longo dos anos e sobretudo de modo mais recente, lidar com diferentes áreas e diferentes profissionais. Essa semana, inclusive, agora esse final de semana, nesse feriado, eu estive eh palestrando em um congresso, um congresso cristão lá em Alfaville, na igreja do meu amigo pastor Sidney Costa, IBMA, o conferência Target. E uma das palestras foi feita por uma professora extremamente renomada do Insper, quem quem conhece esse ambiente educacional.
E eu tava conversando com ela sobre aquilo que Deus tem colocado no nosso coração e aquilo que nós temos feito a partir de uma igreja que equipa e empodera os seus membros a partir da lógica do trabalho. E ela falou: "Pastor, eu tô nesse ambiente mergulhada e eu posso te falar uma coisa. O que falta realmente para pessoas, inclusive muito bem-sucedidas, é sentido e propósito.
Então, as pessoas mais bem-sucedidas no trabalho, na nossa sociedade atual, não estão com problemas financeiros, não estão com problemas de insatisfação, mas ainda assim, mesmo tendo conquistado tudo aquilo que já sonharam, elas sentem um certo vazio. Então, tão importante quanto ter vindo ao mundo, é igualmente importante descobrir o porquê. E o tema do trabalho nos traz múltiplas implicações.
Porque se eu fosse perguntar numa audiência como essa para cada um de vocês, o que é a primeira coisa que você pensa quando você ouve a palavra trabalho, alguns vão dizer expectativa, outros vão dizer desafios, outros vão dizer sonhos, outros vão dizer decepções, outros vão dizer mudança de vida. Nós teremos aqui num ambiente como esse, gente extremamente realizada e satisfeita naquilo que faz. E nós teremos pessoas frustradas e decepcionadas em ter que pensar no simples fato de que amanhã é segunda-feira e começa tudo de novo.
Então essa é a realidade da vida, o trabalho desrespeito a todos nós. E aqui não apenas o trabalho formal, às vezes o trabalho doméstico. E certamente esse é muitas vezes bastante frustrante, bastante ingrato.
Então, a despeito daquilo que você faça e como você faça, quando nós falamos de trabalho, nós estamos lidando com algo que diz respeito a todos nós. Por exemplo, amanhã, quem sabe você já tá pensando: "Eu não acredito que eu vou ter que enfrentar aquele chefe". Mas talvez você não é um colaborador, talvez o patrão é você.
Então, nesse momento, o teu funcionário tá pensando, eu não acredito que amanhã eu vou ter que lidar com aquele sujeito. Então, a as realidades da nossa vida são múltiplas. Mas quando eu penso em falar sobre trabalho, eu penso que falar sobre trabalho é falar sobre princípio.
Princípio no sentido de valor, mas princípio também no sentido cronológico do termo. Porque quando nós olhamos pros primeiros capítulos, ou mais especificamente o primeiro capítulo da Bíblia, o que que nós vemos? Ou nós vemos que no princípio houve trabalho.
O que é a semana da criação senão uma semana inteira de trabalho? Deus trabalha por seis dias e descansa no sétimo. Eu me lembro alguns anos falando em palestra e ambiente corporativo, essa coisa toda.
Eu me lembro quando eu fui convidado para eh palestrar aqui num quero dar muitos detalhes, mas enfim, um grupo de jovens empreendedores da cidade, nada a ver com a igreja. E aí eu estabeleci um diálogo do Evangelho com uma temática que eu acho que é extremamente oportuna. era na época, continua sendo hoje, estabelecendo um diálogo ali com um livro eh do autor, do filósofo Bill Shunan, que vários de vocês já ouviram falar.
E o Bill Chun Han, talvez o maior sucesso dele seja o livro Sociedade do cansaço. Não sei se você já leu, se você não leu, vale a pena ler. E eu falei exatamente sobre ritmos e pausas e ciclos em uma sociedade de performance.
O que que isso quer dizer? Quer dizer que às vezes nós lidamos com o trabalho de maneira equivocada. a gente vai adensar e trabalhar melhor isso.
E quando assim o fazemos, e lembre-se, eu tava numa realidade ali diante de empreendedores, eu fiz uma pergunta, falei: "Olha, quem aqui faz uso de medicação contínua? " Quase todo mundo levantou a mão e só de eu fazer essa pergunta, alguns já começaram a chorar. Por quê?
Porque alguns de nós vivemos em ritmos insustentáveis da nossa sociedade. Admitamos ou não. E a conta vem com o tempo.
Então, no princípio houve trabalho. Toda a criação é essencialmente uma semana de trabalho. Se você tá lá em Gênesis, eu quero ler com você.
de Gênesis 2, versículos 1 e 2. Olha o que diz logo após essa semana de trabalho. A palavra de Deus diz assim: "Assim foram concluídos os céus e a terra e tudo que neles há.
No sétimo dia, Deus já havia concluído a obra que realizara e nesse dia descansou. Deus nos ensina sobre trabalho, Deus nos ensina sobre pausa. Deus nos ensina sobre descanso.
E nós vamos passear por alguns textos. Eu não vou fazer uma exposição de um texto aqui hoje, mas trabalhar uma ideia trazendo algumas referências para nós, pensando em trabalho e na semana de trabalho. A primeira observação que eu gostaria de fazer é que o nosso Deus é um Deus que trabalha.
O nosso Deus é um Deus que trabalha. Ele nos ensina a trabalhar. Ele nos mostra o que é trabalho.
Ele se dedica ao trabalho. Não apenas ele trabalha, e isso é importante, mas ele se alegra em seu trabalho. Você tá em Gênesis 2 agora.
Olha comigo, Gênesis 1, versículo 31, diz o seguinte: "E Deus viu tudo o que havia feito e tudo havia ficado muito bom. Passaram-se à tarde e amanhã. E esse foi o sexto dia.
Meus irmãos, Deus não apenas cria, Deus se satisfaz na sua criação. A cada dia da criação é dito: "E Deus viu que era bom". Deus não viu que era mais ou menos.
Deus não viu que era funcional. Deus não viu que era viável apenas. Deus não viu que era uma coisa que assim ficou legal, mas dava para melhorar.
Isso nos mostra claramente que o fato de Deus se alegrar no seu trabalho implica a obviade de que ele faz tudo que faz com excelência. Então, deixa eu te dizer uma coisa. Deus é um Deus criativo e excelente.
Portanto, excelência glorifica a Deus. Me permita aqui uma confissão. Talvez você pense distintamente de mim.
Não tem problema. Mediocridade não glorifica a Deus. E o que é mediocridade?
Não é algo feito horrivelmente, não. Mediocridade é média, é mediano. Por que ser mediano se dá para ser excelente?
Já conheceu pessoas assim? Lei do mínimo esforço, fazer rapidinho para ficar livre, se livrar logo do problema. Existem duas coisas sobre pessoas medíocres.
E eu sei, medíocres soa como quase um xingamento, não é? É uma observação, um diagnóstico. Pessoas medíocres não apenas não glorificam a Deus, mas não avançam na vida.
Se nós estamos falando de trabalho, mediocridade, número um, não glorifica a Deus. Número dois, mediocridade não vai te levar a um lugar de plena satisfação por uma razão simples. Deus não vai abençoar gente que faz as coisas empurrando com a barriga.
Isso é princípio pra vida. Faça aquilo que Deus te chamou para fazer na plenitude da sua potencialidade, na entrega que você puder oferecer, com o dom que você tem, com o tempo que você tem, no momento em que você pode fazê-lo. E não apenas Deus será glorificado, mas você colherá frutos do seu trabalho pra glória de Deus e pra dignidade humana.
Então, a primeira coisa, Deus não apenas trabalha, mas ele se alegra, ele se satisfaz no seu trabalho. Em segundo lugar, Deus não apenas trabalhou para si, mas para o bem daqueles que ele havia criado. Olha comigo de novo, Gênesis 2.
Olha que interessante a concepção de modo mais explicativo acerca do que aconteceu na criação. Gênesis 2:7 diz: "Todavia, brotava água da terra e irrigava toda a superfície do solo. Então, o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego de vida e o homem se tornou um ser vivente.
" Versículo 9. O Senhor Deus fez nascer então do solo todo tipo de árvores agradáveis aos olhos e boas para alimento. Aqui em Campo Mourão fica muito fácil de entender isso.
Você percebe os ecossistemas de viabilidade da vida? Você percebe que antes de criar o ser humano, no sexto dia, no final, ele cria antes tudo que é necessário pra vida humana subsistir e florescer. Tem água, tem irrigação, tem árvore, tem fruto, tem vegetação, tem animais, tá tudo acontecendo ao redor.
E quando tudo acontece ao redor, Deus planta naquele jardim o homem. Deus molda o homem e sopra sobre suas narinas, de modo que agora o homem se torna alma vivente. Essa é a linguagem bíblica.
Ou seja, quando nós pensamos no trabalho, nós não devemos trabalhar apenas pro nosso próprio benefício. Nós devemos trabalhar pro nosso benefício. Nós devemos trabalhar pro nosso crescimento.
Nós devemos trabalhar pra dignidade da nossa família. Mas não apenas, porque nós olhamos para Deus e nós vemos que um, esse o nosso Deus, criador dos céus e da terra, não trabalha apenas para si, mas para o bem daqueles que ele havia criado. Ou seja, talvez a primeira grande pergunta para nós, como o seu trabalho impacta outras vidas?
Como aquilo que você faz ganha sentido não apenas paraa subsistência? Meus irmãos, nós não somos bichos. Nós não vivemos por uma lógica meramente de sobrevivência, onde eu trabalho e eu como e eu como e eu trabalho e eu vendo almoço para comprar a janta.
Claro, às vezes há realidades e momentos e ciclos difíceis nas nossas vidas. Às vezes os recursos são mais escassos. Às vezes eu tenho que me empenhar um pouco mais para plantar um pouco mais, para colher um pouco mais.
É a realidade inerente da vida. Contudo, a vida não pode ser meramente instintiva. A vida precisa ser vivida a partir da lógica do trabalho em uma em uma condição vocacional, ou seja, o que eu faço e como aquilo que eu faço abençoa não apenas a minha vida, não apenas os meus, aqueles que eu amo, mas como aquilo que eu faço abençoa também aqueles que estão ao meu redor.
Isso significa que nós devemos pensar individualmente, mas também comunitariamente, como o que eu faço impacta outras vidas, como o que nós fazemos enquanto enquanto igreja impacta a nossa cidade, o nosso país e o nosso mundo. Não apenas isso. Deus não apenas trabalha, mas ele convida o homem a trabalhar com ele.
E eu amo isso. Gênesis 2, ainda versículo 15, diz que o Senhor Deus colocou o homem no jardim do Éden para cul para cuidar dele e cultivá-lo. Cuidado e cultivo.
Cuidado da ideia de preservação, de proteção. Há coisas que Deus te deu para que fossem protegidas, preservadas. Mas há coisas que Deus colocou na sua mão, na lógica do trabalho, que precisam ser cultivadas, isso é, desenvolvidas, precisam avançar, precisam ser potencializadas, precisam florescer.
O que é um trabalho que dignifica o homem e que glorifica a Deus? É um trabalho que preserva algumas coisas, preserva alguns princípios, preserva alguns valores, mas também avança. Deus não coloca o homem para ficar à toa no paraíso.
Tem gente que queria viver no paraíso para viver de sombra e água fresca. Não é essa a lógica do Gênesis. Deus coloca o homem ali e fala: "Ó, não tá fazendo nada, vai dar nome pros bichos".
Que bichos? Não sei. Esses que estão aí, você que chama, girafa, leão, elefante.
E não é interessante? Você vê a girafa? Ela não tem cara de girafa mesmo, não é?
Hipopótamo. Só podia chamar hipopótamo, não podia chamar zebra aquilo ali. Hipopótamo.
Então, Adão mandou bem. Então ele tá trabalhando, ele tá guardando, ele tá protegendo, protegendo sua família, protegendo sua casa, cultivando esse jardim que Deus o concedeu. E acabe também a nós a proteção e o cultivo do ambiente onde nós estamos inseridos, a sua casa, a sua empresa, o seu trabalho, o seu ambiente educacional.
Depois que formou da terra todos os animais do campo, o texto vai dizer em Gênesis 2:19, "E todas as aves do céu, o Senhor Deus os trouxe ao homem para ver como esse lhe chamaria. E o nome que o homem desse a cada ser vivo, esse seria o seu nome. " Parece algo simples, mas sabe o que que isso implica, meus irmãos?
O desejo de Deus é que sejamos parte fundamental do trabalho dele no mundo. Deus trabalha. Deus se alegra no trabalho.
Deus não trabalha apenas para si. Deus nos convida a trabalhar com ele. Então você não precisa levantar a mão, mas pergunte-se a si mesmo: "Eu amo o que eu faço?
Eu faço o que faço? Com qual motivação? aquilo que faço causa alguma diferença na vida daqueles que estão próximos a mim ou mesmo aqueles que estão mais distantes um pouco e ainda assim são impactados.
Por que que isso é importante? Porque no mundo pagão, o trabalho era visto como algo negativo. De novo, quem faz parte do fé e trabalho já me ouviu falando sobre isso.
E ainda hoje, em diferentes culturas, em alguma medida também a nossa, nós carregamos alguns estigmas sobre o trabalho. Você vai ver uma imagem aqui de um instrumento chamado tripálium. Isso daqui é um instrumento de tortura.
Imagina, você ficaria todo esticado em duas varetas, três, né? Tripálium, três paus, três palitos. Essa é a ideia, um instrumento de tortura.
Tripálium, trabalho. Ou seja, há um radical ali, uma um campo semântico muito parecido. Ou alguns já falaram do latim labore, né?
Pensadores já falaram ora et labora, ore e trabalhe. Só que o labor para nós traz a ideia, inclusive no português, de labuta, de trabalho árduo, de trabalho prolongado. E muitos cristãos acabam carregando a impressão de que o trabalho não passa de uma consequência da queda.
Isso não é verdade. Existe trabalho antes do pecado. Gênesis 1 tem trabalho.
Gênesis 2 tem trabalho. Mas pastor, eu lembro que lá em Gênesis 3 fala que agora o homem com suor do seu rosto. Sim, antes tinha trabalho, depois da queda o trabalho ficou difícil e doloroso.
É outra coisa. Ah, mas e e a questão do trabalho de parto, então já já tinha trabalho de parto. Aí agradeçam Eva, tá, mulheres?
Mas depois de Eva, depois de Adão, depois da queda, o parto tornou-se doloroso. Então, não é que não tinha trabalho, não, não é que não tinha a as condições da terra, é que agora tem erva daninha, é que agora tem bicho, agora tem praga. É isso que vai acontecer de Gênesis 2 para Gênesis 3.
Há consequências do pecado, mas o trabalho não é fruto da queda. Pelo contrário, na narrativa bíblica, o trabalho é sempre visto como bênção. E é importante ao nós pensarmos sobre isso, se nós compreendemos o trabalho de modo equivocado, nós deixaremos.
E gente, eu tenho dedicado meus últimos anos a pensar sobre isso. Nós deixaremos de aplicar o evangelho em nosso trabalho e cumprir o nosso propósito através dele. E eu vejo isso todos os dias.
E não se engane, é uma tentação também do meu próprio coração. Dois extremos bastante comuns, equivocados de uma visão bíblica do trabalho que não é, ou melhor, de uma visão do trabalho que não é a visão bíblica. Primeiro, a possibilidade de nós encararmos o trabalho como um mal necessário.
Novamente, eu não vou pedir para você levantar a mão, mas você pode refletir um pouco comigo. Quando eu sei que eu estou encarando o trabalho como mal necessário? Quando eu tenho pensamentos, como, por exemplo, ah, eu faço o que eu faço, pastor, porque tem que pagar as contas, né?
Fazer o quê? Eu faço o que eu faço por dinheiro mesmo. Eu faço o que eu faço porque eu preciso suportar, vou fazer o quê?
é o que eu tenho. Eu faço o que eu faço mesmo sem nenhum senso de sentido, propósito e satisfação. Eu costumo brincar ah com a turma porque é o seguinte, dia 31 de dezembro, 31 de dezembro há um sorteio no Brasil feito, se não me engano, pela Caixa Econômica Federal ou Loteria Federal.
É alguma coisa assim. Do que que eu tô falando, gente? É, como é que vocês sabem?
Brincadeira. Mega da virada. Então, vamos lá.
O sujeito tá louco para ganhar na Mega da Virada. Ele joga sozinho, ele joga no bolão. Vai, quem joga?
Os crentes. Não, esse povo ímpio lá fora que não sabe de esse povo eles jogam. Então, esse povo que joga, eles jogam de tudo que é jeito para ganhar os milhões da mega da virada.
Para quê, gente? Pode falar. para parar de trabalhar.
Essa que é a verdade. Talvez uma parcela ínfima pens: "Poxa, isso daí não apenas ia resolver minha vida, mas ia alavancar, potencializar, trazer velocidade, constituir patrimônio assim enlouquecedor. Mas o brasileiro médio, brasileiro mediano, brasileiro medíocre, lembra o significado do medíocre?
Brasileiro médio, ele quer o quê? Ele quer ganhar milhões na mega da virada para nunca mais trabalhar. Aliás, há um outro fenômeno interessantíssimo.
Os ex milionários de Mega Cenena. Você já viu isso na TV? Porque tudo que vem fácil vai fácil.
O cara não sabe lidar com dinheiro. Aí ele ganha um monte de dinheiro, ele vai queimar tudo, meu amigo. Pode ser 1 milhão, pode ser 10, pode ser 100.
Ai, comprei um jato, comprei uma casa. Ah, fiz um leilão, comprei também. Liguei pro Neymar e falei: "Quero sua cobertura".
Acabou. O sujeito ficou pobre. Do jeito que ficou rico, ficou pobre.
Não sabe o que que é um IPTU, não sabe o que que é conta, não sabe o que que é alavancagem, não sabe o que que é gestão, não sabe o que é investimento, não sabe que é dividendo, não sabe nada. Ele ganhou dinheiro. E porque ele não sabe nada sobre dinheiro, porque ele é ganancioso e avarento, ele gastou todo o dinheiro.
Levou 2 anos, 5 anos, 10 anos, 15 anos. Eu vi uma entrevista outro dia de um sujeito muito simples. Gente do céu, tô rindo, mas é triste.
Ele ganhou a tal da Mega Cena, não era da virada. E aí ele ficou pobre. Porque, por exemplo, entre outras coisas, ele chegou no aeroporto e ele falou o seguinte: "Eu quero uma passagem, sei lá, São Paulo para Recife".
É, eu não lembro o trajeto. "Quero uma passagem São Paulo para Recife. " Aí a moça lá no guichê falou: "Olha, não, não, não tem agora".
Falou: "Não, eu quero o próximo voo". Falou: "Não tem próximo voo, tá lotado, tem daqui tantos dias, tá, quanto é que fica para eu frar um avião só para mim? " Aí ela, senhor, fica tanto ele falou: "Sou rico, eu pago".
O sujeito fretou um avião só para ele, ele foi. Aí ele perde toda a grana. Aí a repórter fala: "Mas e aí, o senhor se arrepende?
" Ele falou: "Nem um pouco. Vivi bem". Olha que loucura.
Olha que loucura. Não é por acaso que a gente chama o happy hour de uma coisa que acontece na sexta-feira às 18 horas e não na segunda às 8, né? Então, a hora feliz não é quando a gente começa a trabalhar, é quando a gente entrega.
Então, quando eu enxergo o trabalho como mal necessário, essas coisas passam pela minha mente. Mas há uma outra tentação, uma tentação bastante presente, bastante constante na vida de alguns, que é atribuir ao trabalho o meu valor e a minha identidade. É quando eu me torno aquilo que eu faço.
Algumas pessoas não se preparam, por exemplo, paraa aposentadoria. Algumas pessoas não se preparam para deixar de exercer algumas funções. Por quê?
Porque a função dela se confunde com quem ela é. A depender do seu status social, do seu emprego, da sua empresa. Ele não dá conta de parar e de pisar no freio.
Ele não dá conta de delegar. Ele não dá conta de transicionar. Ele não dá conta de aposentar.
Por quê? Não é apenas porque ele ama o trabalho, é porque ele ama a si mesmo e ele não pode conceber a ideia de não ser mais aquela pessoa demandada e requisitada. Essa pessoa não percebe isso.
Mas essa é a realidade. Eu lembro um irmão muito querido aqui da igreja, ele era gerente de banco e ele me ensinou há muitos anos que na instituição a qual ele fazia parte, 2 anos antes de você aposentar, o banco eh colocava diante de você uma terapeuta, um psicólogo para prepará-lo paraa aposentadoria. Eu achei sensacional.
Por quê? Porque nas palavras dele, um dia você era o gerente do banco e as pessoas vinham e porque tem gente que até hoje acha que ser amigo do gerente do banco é vantagem, tá? Fal, não vou ser amigo do gerente do banco porque ele vai me liberar uma linha ali de crédito maravilhosa.
Enfim, eu já conheci gente que deu festa de aniversário para gerente de banco. Olha que tolice, quebrou do mesmo jeito. Pois bem, um dia você é o gerente do banco, aí chega uma segunda-feira, 8 horas da manhã, você tá de pijama e você fala: "E agora?
" É, é um drama real. Teu telefone não toca mais, teu WhatsApp não tem mais solicitações. Quando isso acontece?
Quando você trabalhou legitimamente no todo da sua vida. Não apenas isso, quando você atribuiu aquela função, aquele cargo e aquela empresa, sua identidade. Pensamentos como eu me torno aquilo que eu faço, não consigo conceber a ideia de perder esse trabalho, esse emprego, essa empresa, esse contrato, quando o seu trabalho, e preste atenção nisso, seja ele qual for, se tornou a sua fonte de segurança, status e identidade.
De modo que se aquilo lhe for tirado, você perde o seu chão. Deixa eu te dizer uma coisa, e eu vou falar isso de modo muito amoroso, me usando como exemplo para que você entenda do que eu tô falando. Não é a Calvar Campo que me sustenta.
Nunca foi. Quem me sustenta é Deus. Ele é o meu provedor e ele tem escolhido prover paraa minha vida e paraa minha família, entre outras realidades, majoritariamente através do serviço e da dedicação exclusiva ao pastoreio dessa igreja.
Mas eu não me engano. Estando aqui ou não, atuando como pastor ou não, quem me sustenta é Deus. Deixa eu te falar uma coisa, isso não é verdade apenas para mim.
Isso é verdade para você. Não é a empresa que você trabalha, não é o patrão que você tem, não são os colaboradores, não são os contratos. Embora você deveria honrar o seu local de trabalho, o seu patrão, a sua oportunidade de emprego, seus colaboradores, seja o que for.
que nós devemos honrar como meio de provisão. Mas em última instância, a nossa confiança não está na nossa capacidade de gerar e gerir riquezas. A nossa confiança repousa sobre aquele que disse que nada nos faltará nenhum dia das nossas vidas.
Amém. O Senhor é meu pastor e de nada terei falta. Porque quando trabalho, e você já me ouviu falando sobre isso várias vezes em vários conceitos, quando o trabalho se torna minha identidade, ele se torna, imagina o quê?
Um falso deus. Falamos sobre isso em João, um ídolo em potencial. E os ídolos não ficam satisfeitos até que eles tenham tudo.
Ele vai roubar o seu tempo, a sua família, o seu lazer, a sua sanidade mental. por exemplo, alguns exercícios para nossa reflexão. Você já perdeu sono por causa de trabalho?
Já ficou ansioso? Já ouviu de algum membro da sua família que você trabalha tanto que nunca tem tempo para eles? Você tem o sentimento de que precisa trabalhar cada vez mais porque nunca é suficiente?
Deixa eu te dizer uma coisa, não lide com essas questões de modo leviano e banal, porque quanto maior a nossa consciência dos ídolos do nosso coração, mais desesperados nós ficaremos pelo verdadeiro Salvador. E sabe por que que a gente tá falando sobre isso, meus irmãos? Porque, infelizmente, sem nem perceber, muitos de nós, muitos cristãos, estão fazendo dessa realidade o objetivo último das suas vidas.
Nós vivemos em uma sociedade absolutamente fragmentada e sistematizada. Por exemplo, muitas pessoas reduziram o evangelho a uma narrativa individual. Isso gera autonomia.
Então, o que é o evangelho? O que é a igreja? É algo que me beneficia.
Reduziram o evangelho a uma experiência pessoal com Deus. O individualismo. Eu me lembro quando eu era pequeno e claro que não com más intenções, mas às vezes o pastor ou o líder de louvor dizia: "Agora levante suas mãos, feche os seus olhos, adore esqueça todo mundo que tá do seu lado".
Ué, se fosse para esquecer, eu ficava em casa. Eu tô aqui é para lembrar mesmo. Eu tô aqui é porque eu tô adorando a Deus em comunidade.
Daqui a pouco nós vamos participar da mesa do Senhor. Faz sentido partilhar a ceia? sozinho.
Não é até impossível. Não existe partilha na solitude, não existe partilha na individualidade. Quando Jesus parte o pão, ele parte com seus discípulos.
Você não fica em casa, fala: "Hum, vou abrir uma fantauva, vou pegar um pão puma, não tô fazendo nada, vou seiar". Não tem o menor sentido. Isso é sacramento.
Isso é realidade sagrada. A salvação como conceito de além mundo, principalmente quando a gente tá lidando com trabalho. Trabalho é aquilo que eu faço nesse mundo, mas salvação não.
Salvação é é eu vou pro céu um dia. É muito mais que isso. A lógica de pessoas que buscam satisfazer suas necessidades em uma sociedade de consumo, essa realidade utilitarista, às vezes até inclusive eh com as próprias coisas do Senhor e com a igreja.
E o trabalho como meio de enriquecimento apenas, não há problema algum se o Senhor lhe permitir frutificar no seu trabalho financeiramente, trazendo-lhe inclusive prosperidade financeira em abundância, nenhum problema, mas trabalho como mero meio de enriquecimento e não um meio de glorificar a Deus. Porque então aquilo que é dádiva, aquilo que é tesouro, aquilo que é presente é cooptado pela ganância dos nossos corações. Então sabe o que que eu creio que a gente precisa, meus irmãos?
Em um mundo de muitas narrativas, de histórias concorrentes que tentam capturar a nossa atenção, nossa mente, nossos afetos, nós precisamos de uma nova narrativa pro trabalho, uma narrativa bíblica que vai emoldurar o trabalho para nós, como por exemplo aquilo que o apóstolo Paulo vai dizer aos Coríntios em Primeira Coríntios 10 versículo 31. Olha a simplicidade e a profundidade desses versículos ou desse versículo. Assim quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa.
Façam tudo para o quê? Para a glória de Deus. Acorde pra glória de Deus.
Durma pra glória de Deus. Faça seu exercício pra glória de Deus. Trabalhe pra glória de Deus.
Gaste em família pra glória de Deus. Lutero e Calvino, dois reformadores, defendiam a ideia de que todo tipo de trabalho é um chamado de Deus. E claro, um dos meus heróis, não posso falar de trabalho sem falar dele, Tim Keller dizia que todo trabalho é uma forma de amar a Deus.
Olha isso que nos salvou gratuitamente em um ato de amor ao próximo. Agora eu quero que você pare e pense como nós iremos desenvolver o nosso trabalho, seja ele qual for, se nós emoldurarmos o conceito de trabalho e carreira a partir dessa realidade que o Keller nos traz como reflexão. Se tudo aquilo que eu fizer no meu trabalho tenha dois objetivos.
O primeiro é uma forma de demonstrar o meu amor a Deus que me salvou. Segundo, uma forma de demonstrar que eu amo o meu próximo. Resumiu-se a lei.
Resumiu-se o que Jesus disse em Mateus 22. Então, em nome de Jesus, amanhã você vai acordar cedo para trabalhar, para fazer o que quer que Deus tenha te chamado para fazer e dado a você a responsabilidade de então fazê-lo. Pense: "Senhor, como eu posso hoje, através do meu trabalho, sinalizar o amor que tenho por ti?
Como eu posso hoje, através do meu trabalho, sinalizar o amor que eu tenho pelo meu próximo? " Muda tudo, empresta sentido, empresta propósito, emancipar a vida humana, desenvolver pessoas, potencializar pessoas. Agora, repito, não faço apenas por mim, não faço apenas pelo ganho, não faço apenas pela minha família, faço por essas coisas, mas vou além.
Portanto, dentro dessa nova narrativa pro trabalho emoldurada por uma cosmovisão bíblica, eu quero trazer quatro sugestões práticas, objetivas, caminhando pro nosso encerramento, do que eu penso ser uma cosmovisão cristã pro trabalho. Primeira, trate coisa como coisa e trate gente como gente. Nós estamos vivendo em um tempo onde tudo parece relação custob benefício.
Isso me irrita profundamente, onde tudo parece base de troca. E não, eu não sou ingênuo ao ponto de pensar que as relações serão sempre e plenamente desinteressadas. Nem toda troca é equivocada, nem toda partilha e nem toda mutualidade é nociva de maneira alguma.
Quando há um encontro, existe troca. Troca de conhecimento, troca de edificação, troca de encorajamento. Eu tenho amizades onde existe verdadeira troca divina abençoadora.
Mas não é disso que eu tô falando. Nós não falamos mais ou pouco falamos sobre encontros desinteressados. Por exemplo, se eu entro em contato com você e eu falo: "Meu irmão, vamos tomar um café?
" Você pode perguntar ou não, mas muito provavelmente a primeira pergunta que virá a sua mente é: claro, vamos. Para quê? É para tomar café.
Precisa ter uma razão. Amigos quando se encontram não precisam de uma razão secundária. Eles só se encontram porque eles querem estar juntos.
Eles querem conversar às vezes coisas importantes, às vezes coisas sérias, às vezes simplesmente gastar tempo junto e jogar a conversa fora. Se esse Luiz no seu livro quatro amores, ele diz que a amizade nasce quando uma pessoa olha para outra e diz: "Eu não acredito. Você também já conheceu gente assim?
Você tem um pensamento, você tem gostos, você tem afinidades, você tem percepções e aí você tá falando com essa pessoa ou você tá ouvindo essa pessoa e fal: "Não acredito, você também. Vocês sabem que eu fui assim absolutamente cooptado pela seita do Gilgits? Não é Gui Daniel Cardial, tá todo mundo aqui.
O povo daqui tá indo pro Jilgitos, o povo do Gilgitos tá vindo pra igreja. Porque ah, você também, ô, aprendi um negócio novo. Ah, legal.
Vamos trocar aqui. Seja lá qual é a tua galera, seja lá quais são as afinidades. Amizades acontecem verdadeiramente a partir de encontros sinceros.
Mas hoje a gente fala o quê? Clientes em potencial, bons contatos, pessoas estratégicas, a gente precifica tudo, inclusive as relações e inclusive sem perceber a relação com Deus. Tudo é troca, tudo é mérito e demérito, mas é a sociedade que a gente vive.
Então, perceba, a igreja precisa ser uma resistência ao espírito utilitarista desse mundo. Então, trate coisa como coisa e gente como gente. Inverter essa lógica é definitivamente uma afronta à sacralidade bíblica.
Número dois, use as adversidades como métrica de avaliação do coração. Meus irmãos, como você reage quando as coisas não vão bem no trabalho? Estamos falando de trabalho.
Sua vida desmorona com a possibilidade de um revest financeiro. Bom, quando eu tenho contas a pagar, compromissos a cumprir, eu sou tomado por algum nível de inquietação. Eu acho que tá dentro da normalidade.
Mas você ficar desesperado, você ficar ansioso por aquilo que ganhou, por aquilo que não ganhou, por aquilo que pode perder, pelo contrato que vai fechar, expectativa é diferente de ansiedade. Planejamento é diferente de desespero. Hoje existe um nome catalogado, uma patologia que diz respeito a essas realidades com desacerbadas.
Se chama TAG, transtorno de ansiedade generalizado. Tem gente que vive em pleno estado de atenção adoecedor e sofre por aquilo que não aconteceu e na maioria das vezes não vai acontecer. É o famoso sofrer por antecipação.
Você, como é que você lida quando coisas podem acontecer ou quando realidades e reveses acontecem? Quando aquela promoção que você aguardava não veio, quando aquela venda não foi efetivada, quando aquele concurso que você se dedicou tanto, você não passou, quando você não ganha o campeonato de jito, né, Gui? No caso eu, não, você.
Filipenses, capítulo 4 versículos 11 e 13, o texto diz: "Não estou dizendo isso porque esteja necessitado, pois aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância. Sei o que é passar necessidade, sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito ou passando necessidade, tudo posso naquele que me fortalece.
" Perceba as nuances da afirmação do apóstolo Paulo. Aprendi é um processo. Ninguém é contente, ninguém é satisfeito ao acaso por osmose.
E há um segredo. O segredo do contentamento passa pela realidade adaptativa de perceber que nos bons momentos e nos maus momentos o Senhor me fortalece em ambos. Porque a vida não é só feita de riso.
Existem lágrimas, às vezes de alegria, às vezes de dor. Como é que nós lidaremos com essa realidade? Terceiro e penúltimo, ou antes do terceiro, na verdade, isso nos faz perguntar acerca do contentamento.
Onde está o nosso tesouro? Onde tá o nosso tesouro? Bom, se você tá aqui na Calvar Campo alguns anos, você já sabe que eu amo o Senhor dos Anéis e deve estar aqui atrás, sim, esse sujeito, essa criatura gol, para quem conhece a história, para quem não conhece, eu vou resumir.
Existe uma criatura, um ser chamado Smigle. Ele é como um hobbit, ele é parecido com um manão. Os hobbits são seres ingênuos, puros, que vivem no condado.
Frodo, protagonista da trama de token, que é um cristão, é um robit. E o Smigle, ele acha, ele encontra esse anel que tá na mão dele. E esse anel ele dá um apelido para ele.
Ele chama esse anel de my precious, meu precioso. Exatamente. E existe um paradoxo acerca desse anel, porque ele é lindo, ele é brilhante, ele te dá longevidade absurda, ele passa a viver 500 anos ali sem verdadeiramente envelhecer.
Mas o que acontece sem que você perceba? Esse anel te consome, te confunde, gera em você uma dubiedade de personalidade. Tanto que é bastante grotesco.
Quando o Golum ele tá conversando, parece que ele tem um alterego. Ele fala coisa boa, ele fala coisa ruim. Ele fala que ele tem que fazer o bem pras pessoas, ele fala que ele tem que matar as pessoas.
Por quê? Porque aquilo tá consumindo. Aquilo literalmente o desumaniza.
Ele se torna um monstro, uma criatura. E essa cena é um tanto emblemática, porque é momentos antes dele cair ali na lava do vulcão, onde ele consegue recapturar o anel. Quando ele pega esse anel, ele tropeça, ele cai.
E a cena logo após essa é dele sorrindo, sendo consumido com anel na mão. Ou seja, o grande paradoxo, aquilo que ele tanto desejou é exatamente aquilo que o matou. Caso você não tenha entendido a imagem ainda, o anel do poder é uma representação do pecado.
Por vezes, aquilo que é dádiva pode se transformar em distração. Portanto, nós precisamos nos perguntar: onde verdadeiramente está o nosso tesouro? Onde repousa a nossa satisfação?
Onde está o nosso contentamento? Terceiro e penúltimo, trabalhe para o bem comum, não apenas para o seu progresso individual. Paulo diz aos Efésios, capítulo 4 versículo 28: "O que furtava não furte mais antes, trabalhe, fazendo algo de útil com as mãos, para que tenha que repartir com quem estiver em necessidade".
Eu me lembro quando eu era pequeno, ah, minha mãe frequentava uma igreja de uma teologia não muito boa. Então, uma coisa que acontecia bastante, e isso não é essencialmente equivocado, mas acontecia bastante, os testemunhos. E geralmente os testemunhos eram o seguinte: "Eu sou eis isso, eis aquilo, eis aquilo e aquilo outro".
Parecia que a lógica da vida cristã dizia respeito a tudo que eu abandonei. E sim, isso faz parte, mas não apenas. O que o apóstolo Paulo tá dizendo?
Aquele que furtava não furte mais. Antes trabalhe, faça algo útil com as mãos para que tenha com quem partilhar. O que que isso diz respeito a nós quando nós falamos de trabalho?
que não é apenas o que deixamos de ser, é em Deus que tipo de pessoa nós estamos nos tornando. Não é que eu fazia coisas erradas, não é que eu sonegava no trabalho, não é que eu era cheio de picaretagem, não é que eu era injusto, não é que eu cometia realidades para o meu patrão ou para o meu colaborador ou pro meu colega de trabalho que eram atitudes tidas como não cristãs. E agora eu tô muito bem porque eu já não sacaneio mais ninguém, não é?
Mais que isso, não é que eu deixei de fazer coisas equivocadas e contrárias ao evangelho, é que agora minha vida potencializa a vida dos outros. Antes eu era alguém que atrasava a vida dos outros. Agora eu sou um abençoador.
Agora eu edifico. Agora minhas palavras são de edificação. Minhas atitudes são de emancipação e autonomia.
Aquele que furtava, não furte mais. Antes trabalhe, faça algo de útil com as mãos para que tenha o que repartir. Antes eu era avarento, por isso eu enganava.
Agora eu sou generoso porque o evangelho transformou minha mente em coração. Percebe a lógica? Brutalmente diferente.
E nessa sociedade em que vivemos, inclusive podemos ser tentados a pensar: "Ah, pastor, não tem mais. Se o evangelho chegou, ele muda tudo. Se o evangelho chegou, ele muda a maneira como eu penso, maneira como eu vejo, aquilo que ouço, muda a obra das minhas mãos.
Não por acaso nós temos aqui na nossa igreja modelado trabalho com princípios a partir de abrir empresas, por exemplo, o nosso café. Nós geramos emprego, nós assinamos carteira das pessoas, nós colaboramos com a sociedade, nós estamos emancipando e dignificando vidas e temos tido a alegria de inclusive lidar com pessoas que trabalham conosco e a partir do testemunho do nosso trabalho no dia a dia, elas estão se sentindo mais repelidas, não. Elas estão vindo pra igreja.
Esse é um excelente testemunho. Clientes, amigos, pessoas que passam por aqui e começam a frequentar os nossos cultos, talvez pela singeleza do nosso trato e por termos entendido ou tentarmos entender essa realidade. Por fim, trabalhe não apenas para cumprir uma tarefa, mas para exercer uma vocação.
Vocação de vocare, convocar, chamar, escolher. Talvez seja um pouco mais fácil olhar para um pastor, falar: "Ah, tá bom, o pastor encontrou sua vocação, que é pregar o evangelho". Não, quer dizer, encontrou, mas não apenas.
Todos somos vocacionados. Deus concedeu dons a cada um de vocês, potencialidades, conexões, amizade, recurso, inteligência, competência, influência a cada um de vocês. Para quê?
Para que Cristo seja visto e glorificado através de tudo que você faz e como você faz. Ou seja, amanhã quando você levantar para trabalhar, você vai levantar com um novo ânimo, com uma nova leitura, com uma nova percepção. Talvez me permita uma sugestão de algo absolutamente simples.
Lembro de um pastor amigo que dizia o seguinte: "A cada manhã, quando ele despertava, ele fazia uma brevíssima oração, um pedido. Ele dizia: "Senhor, o que é que eu e o Senhor faremos juntos hoje? " Olha que coisa bonita e que coisa simples.
Então, amanhã, quando você levantar, faça essa oração. Deus, que que a gente vai fazer hoje nesse mundo doido? Porque Deus, tem muita gente perdida, tem muita gente decepcionada, tem muita gente ferida, tem muita gente que já não tem esperança pro casamento, pro trabalho, pra vida.
Para que que a gente vai fazer na vida dessas pessoas, Deus? Aí isso muda a maneira como você olha pro outro, muda a maneira como você trata o outro, muda a maneira como você reage. Vem um atribulado na tua frente e virar, tá?
Virar. Aí quando vem o atribulado, ao invés de você pensar assim, como é que eu posso ser duas vezes atribulado para cima dele, você pensa: "Opa, essa pessoa não tá bem, acho que ele precisa de ajuda. Tem alguma coisa que eu não tô sabendo?
" Porque se ele ou ela estivessem bem, eles não estariam falando desse jeito, se comportando desse jeito, com essa cara. Deus, me mostra o que eu não tô vendo. Me ajuda a começar por mim, a começar por nós.
Agostinho dizia: "Fizeste-nos para ti, Senhor, e nosso coração anda inquieto enquanto não repousar em ti. " Trabalhe, trabalhe duro, se dedique. Faça tudo com excelência, mas saiba que nada do que você fizer fora de Deus lhe trará plenitude de contentamento e satisfação.
Mas em Jesus o pouco se torna muito. Cinco pães e dois peixes se tornam alimento para uma multidão. Aquilo que pode parecer uma pequena habilidade, uma pequena competência.
Deus, como é que eu vou impactar o mundo? Eu tenho tão pouco, eu faço tão pouco. Coloque o seu pouco ou o seu aparente pouco nas mãos daquele que pode transformar realidades em verdadeiros milagres.
E então você viverá uma vida que a despeito das dificuldades, você viverá uma vida satisfeita e repousada na presença de Jesus Cristo. Amém. Você pode ficar de pé enquanto nós vamos orar.
Deus, obrigado pela tua boa mão que nos sustenta. Obrigado porque em ti nós temos descanso, Senhor. Descanso não apenas físico, porque por vezes o descanso que precisamos uma noite bem dormida, não resolve.
O descanso que precisamos, um remédio não resolve. Por mais que às vezes possa ser um auxílio, não resolve. Há descanso.
Há um tipo de descanso que é o descanso paraa alma. que somente em ti nós podemos encontrar, Senhor. Que meus irmãos, minhas irmãs, o teu povo aqui presente aprenda a trabalhar descansando em ti.
Trabalhar com excelência, com dignidade, com afinco, mas sabendo que o Senhor é aquele que nos sustenta hoje e sempre. Não peço que o Senhor seja conosco, porque o Senhor já o é. Peço que reconheçamos essa realidade todos os dias.
Assim oramos no nome santo de Jesus. Amém. Amém.