salve pessoal tudo bem com vocês esse vídeo aqui ele já foi prometido já tem bastante tempo né E por diversos motivos eu acabei adiando a conversa né mas aproveitando essa atmosfera aí de início de ano Achei que seria bom momento ali para poder abordar o assunto conversar algo mais pessoal com vocês né eu queria compartilhar uma questão mais pessoal do por que eu não me considero um marxista né já que eu sei que muita gente já me perguntou sobre isso já fizeram Pergunta lá no discord já conversamos um pouco já a gente já entrou nesse
debate né e vez ou outro a gente conversa um pouquinho sobre isso E aí é bom eh fazer esse vídeo comentando dando uma percepção mais pessoal minha né E aí antes de tudo é importante deixar claro que eu não pretendo fazer Nenhuma crítica sistemática ou nemum estudo né acadêmico sobre o Marxismo né não se trata aqui também de negar a relevância histórica do pensamento do Marx né nem de descartar as contribuições aí que a tradição marxista trouxeram paraa compreensão da economia da sociedade A questão aqui é só uma reflexão íntima né um depoimento sobre como
que eu enxergo o mundo a política e a minha posicionamento a minha atuação dentro desses meio aí né eu sei que que eu vou dizer pode causar questionamento e objeções e tá tudo bem Eu não me importo né a ideia aqui não é convencer ninguém mas apenas esclarecer Porque que o Marxismo não é a lente teórica pela qual eu interpreto a realidade ao longo do vídeo eu vou tentar explicar meu ponto de vista minhas premissas e o que me leva a não adotar o Marxismo como minha principal orientação política né então por que que eu
não me considero marxista [Música] antes de entrar no tema do vídeo eu gostaria de agradecer quem tem acompanhado o canal até aqui eu gostaria de pedir para deixar o joinha se inscrever Quem ainda não é inscrito ativar as notificações Quem quer ser avisado quando novos vídeos saírem queria agradecer aos membros do canal pelo apoio fundamental que tem dado é esse apoio que me permite seguir fazendo esse trabalho e melhorando ele com o tempo já fica a sugestão para quem quiser apoiar para que se torne membro temos vídeos exclusivos lives exclusivos e outros benefícios é só
clicar em seja membro a embaixo e ver os detalhes direitinho eu vou colocar o QR Code na tela aqui caso queira apoiar o canal a partir do pix e para quem tá chegando agora no canal fica o meu abraço de boas-vindas bom gente vamos lá como eu já falei na introdução eu quero deixar claro aqui nesse começo que isso não é uma tentativa de deslegitimar o Marx ou de chegar e falar o que que o Marx é o que que ele tem que ser feito eh os grandes problemas da teoria do Marx é uma questão
pessoal né o Marx ele foi um Pensador influente foi um dos mais influentes da história suas ideias moldaram o mundo moldaram boa parte do mundo no Século XX e é inevitável que ele deve ser debatido né só que conforme eu fui desenvolvendo minha visão de mundo eu percebi que existem certos pontos que eu enxergo como estruturais no Marxismo que eu não consigo adotar como fundamentos paraa forma como eu enxergo a realidade penso a política e aí tentando sumarizar aqui esses pontos né eu cheguei em quatro pontos mais Gerais que eu queria desenvolver o primeiro é
que eu não sou materialista né o segundo mundo é envolve a questão da Liberdade que para mim é uma questão essencial na vida política na vida social que eu acho que não foi bem resolvida no pensamento nas reflexões do Marx e terceiro a concepção dialética do Marxismo Ela me parece enfraquecida quando ele desloca ela do da sua eh da sua originalidade ali no idealismo alemão né e eh por fim o debate que o Marxismo faz dessa questão do socialismo científico né seria ali uma ciência da história alguma coisa próxima do tipo me soa problem ático
E aí eh eu sumarizar essas quatro questões e agora eu vou desenvolver cada uma dessas questões especialmente eh para poder ampliar para poder eh mostrar a minha percepção sobre cada uma delas e colocar ali também alguns pontos que eu penso eh em relação a questões pessoais minhas Mesmo que às vezes acabam não batendo com certas concepções que eu vejo no Marxismo né bom a primeira razão pela qual eu não sou marxista é que eu não sou materialista né E aqui é importante esclarecer que o que eu quero dizer com isso né porque o termo materialismo
muitas vezes é confundido com realismo e isso confunde eh a cabeça das pessoas né confunde com a questão com outros debates ali que estão colocados na modernidade né já existe um debate filosófico bem complexo na epistemologia sobre a questão da origem do conhecimento de um lado a gente tem ali teria né o racionalismo que deposita na racionalidade o substrato ali que vai permitir o conhecimento e o racionalismo por muitas vezes foi chamado de metafísica do Ática ou algo do tipo né Por quê pelo fato de que depositava na razão os conteúdos necessários para que o
conhecimento seja possível esse depósito meio que arbitrário né e gerou essa acusação de dogmatismo né Aí você tem nesse caso ali um grande nome dessa dessa metafísica seria o descart por exemplo né o descart Seria um grande metafísico dogmático porque ele coloca na razão certas questões ali que não são necessariamente da Razão ou que ele depositou ali sem fund entar muito bem as coisas e tudo mais né E aí do outro lado você tinha ali o empirismo né que sustentava que a realidade impõe na nossa consciência sua forma de ser né nesse caso você tem
muito associada essa ideia da tábula rasa né da consciência como um papel em branco que vai sendo moldada pela experiência Esse foi um dos grandes debates da filosofia moderna né E aí envolveu figuras ali como o descart o John Lock o David humy o libis e depois ali mais para frente o Emanuel Kant para mim o Kant é um dos maiores filósofos da história e a abordagem dele sobre como a gente percebe o mundo molda profundamente minha visão de mundo então Inclusive eu acho que esse debate sobre qual que é a origem do do conhecimento
né se é o empírico ou se é o racional para mim é um debate irrelevante porque a grande questão não tá aí o cant ele propõe o chamado idealismo transcendental né que sugere que a nossa percepção da realidade ela é inevitavelmente moldada pela estrutura da nossa consciência a gente não percebe o mundo como ele realmente é mas como ele aparece pra gente de acordo com as nossas categorias mentais e de acordo com a nossa forma de perceber as coisas e aqui ele opera uma síntese entre as duas concepções né Eh não existe conhecimento sem experiência
mas ele só é possível dado a estrutura da nossa consciência capaz de estabelecer as mais variadas conexões essa ideia ela foi revolucionária ela se tornou a base do que depois veio a ser desenvolvido pelo idealismo alemão que influenciou o próprio Marx né O que me incomoda é que na hora que ele desenvolve ali a sua perspectiva materialista o Marx parece passar batido por essa questão fundamental que eu comentei ali do Kant da consciência né ele pega emprestado o conceito do idealismo alemão especialmente do Hegel né E aí ele eles falam que ele vira de cabeça
para baixo né colocando a realidade material como base determinante da Consciência Humana Só que parece que ele não dá muita atenção a essa questão do cant e o sentimento que me passa né que fica algo faltando né a relação entre consciência e realidade é muito mais complexa do que a abordagem materialista parece admitir né e para mim a subjetividade humana ela não pode ser inteiramente reduzida a fatores materiais porque ela também molda e transforma a própria realidade que a gente vive né esse ponto me faz não me identificar com o materialismo marxista tendo em vista
que muitas vezes inclusive ele aparenta ser um empirismo disfarçado por quê se eu defendo que a base da minha consciência é a materialidade nesse sentido aí de enxergar isso como sinônimo de realidade eu acabo trazendo pro centro do palco uma premissa que é empirista mesmo que tentem deslocar a questão eh da dialética né para falar não mas aí tem a questão da dialética de tentar passar a impressão de que resolveria nessa questão eu não acho que resolve tudo volta ao mesmo problema se o empírico determina o meu conhecimento sobre o mundo e minha ação sobre
o mundo nesse sentido não vejo como fugir aí de um certo empirismo nesse sentido a minha posição é mais próxima a do cant a realidade tá aí não existe discussão só que a gente tem acesso a ela de forma intermediada e isso é algo inevitável dado a nossa condição humana e aqui cabe um adendo importante né que é a crítica que muitos círculos marxistas muitos os comentários fazem ao idealismo que na minha opinião ela é profundamente equivocada eu já fiz uma live aqui sobre idealismo com Humberto que é um grande especialista na área vou deixar
é o Card aí vou deixar o link também na descrição que ele amplia muito mais aqui do que eu vou ampliar né mas muitas vezes essa crítica ela é feita com a visão distorcida quase que caricatural do idealismo né como se ele tivesse associado a crenças espirituais ou místicas algo até próximo de um espiritismo kardecista né envolvendo ideias aí de que a alma ou o espírito eh tão ali num sentido religioso contemporâneo né Eu acho que isso demonstra uma incompreensão do que realmente significa o idealismo né quando se fala em idealismo no campo filosófico trata--se
de um debate sobre a estrutura do conhecimento e a relação entre a consciência e a realidade não são não tá falando ali se forças espirituais comandam o mundo ou se devemos explicar que questão somente a partir de ideias né que é uma outra concepção mal definida né Essa distorção reforça para mim a fragilidade de algumas críticas feitas ao idealismo a partir de uma visão vulgarizada essa visão de que o Marxismo lida com as coisas como elas realmente são né E aí Já vi várias vezes essa explicação né lidar com as coisas como elas realmente são
a matéria pela matéria explicar a materialidade a partir dela mesma isso acaba recaindo numa postura empirista no fim das contas você acaba caindo num postura empirista A ideia é que mesmo sem tá Clara é de que a gente pode acessar a realidade de forma direta sem mediação sem categorias né como se o mundo pudesse ser percebido de maneira pura algo que eu não tenho acordo e essa mediação da consciência Na minha opinião ela é inevitável e aí ao afirmar né que o Marxismo vê as coisas como elas são ou de que ele encontra o fundamento
da sua teoria na própria realidade você acaba mesmo que De forma inconsciente assumindo uma posição empirista ou até mesmo positivista né que acredita nessa possibilidade de uma observação objetiva e neutra que eu acho que é bastante complicada na prática isso tende a apagar o papel das categorias interpretativas e das mediações conceituais ali que inevitavelmente a gente usa para compreender a realidade aqui eu vou trazer um exemplo bem claro que eu até falei recentemente no canal né que eu fiz um vídeo sobre os debates lá que o Gustavo Machado fazia com z ancat lá no redcast
e eu falava do conceito de Capitalismo que os anarcocapitalistas T que é um conceito Platônico né que é um conceito que eles idealizam o que que é o capitalismo e eles viram e falam que o que existe hoje não é capitalismo E aí as mazelas do capitalismo Eles não conseguem trazer pra conta do capitalismo porque para eles isso não é capitalismo né só que aí a crítica marxista ela é uma crítica boa nesse ponto que ela vai virar e vai falar olha eu não me interesso pelo conceito eu tô preocupado com o que tá apresentando
aqui que que esse fenômeno me apresenta aqui esse é o capitalismo E aí ela vai estudar esse fenômeno só que aí a gente consegue estabelecer essa conexão também pro conceito de socialismo porque o socialismo ou até mais o comunismo ele não seria um conceito Platônico também porque quando eu vou avaliar o capitalismo eu tenho que avaliar o capitalismo que realmente existe e eu acho que aqui todo mundo concorda Mas e quando eu vou avaliar o socialismo eu tenho que avaliar o socialismo que realmente existe ou que realmente existiu ou eu tenho que avaliar o que
tá colocado na obra do Marx porque aí entra o problema porque muitas vezes quando a gente vai falar ah o socialismo comunismo e tudo aí as pessoas respondem Ah mas isso nunca foi aplicado E aí elas voltam nessa definição que eu considero platônica né E aí buscam lá não porque o comunismo seria essa fase superior de transição ali teria o socialismo só que isso tá dentro de uma obra de um autor tá dentro de um pensamento de um autor não tá na realidade o socialismo que realmente existiu Foi aquele da União Soviética foi aquele do
leste europeu da China do Vietnam da Coreia então assim é uma questão que tá colocada no mínimo é uma questão que tá colocada Então para mim isso é problemático porque amplifica né uma questão epist etológica mais complexa né e acaba gerando algumas dificuldades para entender a realidade e aí acaba enfraquecendo né em última instância uma pretensão crítica que o próprio Marxismo busca sustentar o segundo ponto né é a questão da Liberdade Esse é um ponto até mais rápido né porque me parece que essa questão da Liberdade no Marxismo é uma promessa que ela não é
totalmente cumprida o Marx ele aponta uma crítica fundamental a falta de liberdade no capitalismo especialmente ao mostrar como que os indivíduos estão presos à necessidade de vender a sua força de trabalho para sua sobreviver essa análise ela é boa ela oferece um potencial poderoso ali para pensar a questão de uma sociedade mais livre né já que ela tá expondo ali como que no capitalismo a liberdade ela tá condicionada pela posse de meus materiais e no fim das contas você meio que não é livre dentro do capitalismo só que o desenvolvimento dessa noção eh de liberdade
no Marxismo me parece incompleto por quê no idealismo alemão a liberdade ela é entendida ela é pensada como algo intrínseco à consciência humana como a capacidade de pensar o mundo no seu sentido originário a consciência ela é um ato de liberdade pro idealismo alemão desde o primeiro ponto e aí por exemplo você pega ali na filosofia do firt né que é o fundador do idealismo alemão quando você olha pro Hegel você tem esse processo de desenvolvimento histórico né o Hegel joga isso pra história e esse desenvolvimento histórico e dialético ele vai ampliando a liberdade nesse
processo de autoconsciência né E aí essa abordagem mais profunda da Liberdade como um ato criativo e constitutivo da consciência Ela me parece ser deixada de lado pelo Marx né que reduz a uma questão de controle sobre as condições materiais de existência e tudo mais esse deslocamento pode ter sido necessário para desenvolver uma crítica mais contundente ao capitalismo mas eu acho que acaba pagando um preço né a liberdade como um conceito filosófico ela fica limitada a uma questão material sem explorar outras dimensões mais amplas da ação humana da construção simbólica do mundo né E essa abordagem
da Liberdade centrada na garantia material é algo que para mim limita um certo debate sobre liberdade no campo marxista a ideia aí de que assegurar mor de emprego alimentação resolveria eh a questão da Liberdade esse essa superação né das amarras materiais eu acho que ignora alguns aspectos mais amplos da experiência humana não se trata né de negar a importância dessas questões materiais mas reduzir uma definição plena de liberdade eu acho que me parece insuficiente Eu sinto que isso é feito E aí você pega né nas experiências socialistas né Eh você teve essa tentativo de assegurar
direitos materiais e isso é muito usado para falar que há Liberdade nesses países né mas eu acho que não é só isso o que a gente pode considerar como a questão da Liberdade né E aí eu acho que cria um paradoxo né é garantir uma liberdade fundamental que eu acho que é muito importante acaba eh diminuindo eh outras liberdades ou outra discussão sobre outras liberdades ou acaba condicionando né num sentido até meio determinista né E aí ao contrário do que se costuma dizer né Essas restrições elas não são exclusivas do socialismo né também existem essas
restrições sobre o capitalismo né O problema é que dentro de uma visão marxista mais tradicional essa discussão sobre liberdade parece restrita ao campo econômico Enquanto essa liberdade existencial intelectual e criativa muitas vezes é vista como derivada né de certas condições materiais e aí discutir isso seria idealismo nessa caricatura que eu comentei antes né E aí só para mostrar para vocês como que isso não é algo banal se a gente parte de uma visão materialista estrita na qual a realidade é definida pelas condições materiais e a consciência surge como reflexo dessas condições como que seria possível
compatibilizar isso com a ideia de liberdade uma capacidade de iniciar uma cadeia causal Independente se tudo é determinado pelas estruturas materiais e econômicas parece que não tem muito espaço para uma ação genuinamente livre o ser humano se tornaria um produto inevitável das suas circunstâncias determinado Ali pela sua posição na estrutura social e pelos meios de produção isso coloca a liberdade numa posição secundária ao meu ver quase que como uma ilusão tanto que tem gente que defende isso inclusive né a consciência humana seria apenas ali um epifenômeno uma consequência necessária de fatores materiais anteriores assim isso
pode até ser defendido né mas eu acho que é difícil compatibilizar com uma perspectiva de transformação do mundo pensar transformação social envolve quebrar uma sequência de fatos e de eventos que são naturalizados e que envolve quebrar certas determinações a meu ver por outro lado se a gente adota uma perspectiva de dessa perspectiva Idealista correta né como a tradição do idealismo alemão propõe a consciência ela tem um papel ativo na construção da realidade A verdade não seria apenas uma conceção feita ali pelo contexto material mas uma capacidade intrínseca da própria existência humana o ser humano seria
capaz de iniciar novas cadeias causais criando uma dimensão de liberdade que não está presa a uma sequência material pré-estabelecida essa diferença de abordagem revela para mim uma limitação no pensamento marxista tradicional ao subordinar a consciência as estruturas materiais a ideia de Liberdade como criação como início de algo novo ela se perde por isso que nesse ponto eu me coloco muito mais do lado do idealismo do que dessa forma de materialismo e aqui a gente entra na questão da dialética né que tem relação com esses dois pontos anteriores né no sentido marxista a dialética ela é
reinterpretada de uma forma materialista né E aí o Marx Ele pega a ideia hegeliana de um processo de desenvolvimento histórico de uma consciência que se desenvolve por meio ali de de embates de disputas de posições contrárias né E aí vira isso de cabeça para baixo colocando a matéria e as relações sociais no centro desse movimento né ele substitui essa questão da autoconsciência hegeliana pela luta de classes né como esse motor da história e aí a história não é mais um processo de desenvolvimento da consciência um desenvolvimento ancorado na realidade à volta da pessoa inclusive né
ao contrário do que certa caricatura pensa né mais um processo de transformação das condições materiais impulsionado por conflitos sociais e econômicos aqui tá uma das principais dificuldades com essa abordagem para mim por quando Marx tira essa dimensão da consciência livre e coloca o material como base a dialética perde ao meu ver parte da sua profundidade filosófica no Hegel a dialética ela tá ligada à ideia de Liberdade como realização da autoconsciência à medida em que ela se compreende e supera as suas limitações né supera suas determinações num sentido até material né já no Marx ela meio
que vira uma mecânica histórica né um processo que muitas vezes até se falam em leis econômicas leis sociais e a questão é que sem essa dimensão consciente ativa dialética marxista Na minha opinião ela se torna uma estrutura determinista de passada de processo dialético e é um processo que Avança por contradições né E aí contradições no sentido de contrários que é sempre bom destacar isso porque isso é uma grande incompreensão sobre a dialética mas aí sim de uma forma necessária inevitável sem margem real paraa liberdade criativa que os idealistas estavam defendendo né E isso limita o
potencial transformador da própria dialética reduzindo ela a um mecanismo é histórico previsível e muitas vezes pode ser até fechado para novas interpretações a dialética no sentido reggeli ano é um processo de consciência e da realidade e em que o embrião da superação das coisas está presente nelas mesmas Então você tem uma compreensão de mundo e essa compreensão já carrega em si os elementos que vão negar essa própria compreensão e superar em direção a uma nova compreensão esse processo é dependente de uma série de coisas que quando essa dialética é transportada para um ambiente material ficam
totalmente perdidas por exemplo tem junto ali dessa questão da dialética uma compreensão mais totalizante da realidade que se fala ali do absoluto né no sentido do do Hegel isso tá ancorado na premissa da dialética hegeliana mas o Marx retira essa compreensão e a meu ver fica algo capenga Quando você pensa nesse processo da dialética com um fio unificador transcendental né E aí você pensa na história você pensa Ness questão do absoluto você acha esse elemento transcendente mesmo que ele seja uma abstração mas e sem isso sem você pensar nessa questão essa transcendência ela recai pra
própria história aí você cria mecanismos que a própria história vai ter que buscar essa transcendência porque senão você acaba caindo num relativismo né se você for parar para pensar e aí eu acho que são questões que são colocadas que são questões eh debatidas interessantes isso é um debate muito abstrato Então eu imagino que vai ficar muito confuso para algumas pessoas mas eu acho que é um debate que tá colocado que eu acho que é um debate que a gente tem que observar né e por fim a gente chega Nessa discussão que para mim é é
a principal discussão na minha opinião é um dos principais objetivos aqui eh dessa discussão que eu vou inclusive ter nesse ano né que eu vou estudar mais a fundo isso né que é a discussão da ciência ou do socialismo científico né Essa questão da cientificidade do Marxismo é algo que para mim nunca ficou bem resolvido a ideia herdada do idealismo alemão presente ali no contexto que ele respira intelectualmente né É a de um sistema total de compreensão do mundo é algo mais próximo de uma filosofia abrangente do que o método empírico das ciências modernas ou
será que o Marx tá falando ali de um contexto positivista ali da época né mais próximo ali do que a gente entende hoje por ciência o engels ele complica ainda mais essa questão ele tenta explicar o Marxismo em termos mais próximos das ciências naturais ele vai aplicar leis ali quase que deterministas a história e a sociedade como se fossem leis físicas né Ele fala em leis da dialética né E aí depois a gente tem compreensões ali da Rosa Luxemburgo falando em necessidade histórica do socialismo tudo isso é uma terminologia determinística né E cientificista nesse sentido
mais positivista do termo e aí você tem né A questão da inevitabilidade do colapso do do capitalismo né E aí quase que você descreve ali fenômenos naturais inevitáveis né isso cria uma tensão interna né que você tem ali uma tensão entre uma visão filosófica e uma visão quase científica no sentido positivista que acaba confundindo no fim essa pretensão de cientificidade pelo menos da forma como ela é colocada por algumas leituras acaba criando uma abordagem dogmática e fechada eu falo do engels por causa dele ter bagunçado um pouco essa questão mas o próprio Marx escorrega né
na crítica ao programa de gota por exemplo que é uma das principais obras que ele tenta pensar né E talvez uma das poucas obras né que ele tenta pensar uma sociedade socialista ali ele entra num debate de período de transição e tudo mais e aí o Marx Quando ele vai atacar as ideias do lassali né ele fala que ele vai responder aquilo de forma científica né E aí ele começa a refletir sobre uma sociedade que não existe E aí fica um negócio difícil de chamar de científico né só que ele tenta forçar o carimbo né
E aí ele faz essas reflexões questões de período de transição eh de Comunismo de socialismo de Ditadura do ploretariado nessa ideia que ele tá chamando de científica mas na verdade não tem nada de científico ali esse dogmatismo que acaba incorrendo em certas interpretações ele decorre de uma certa pretensão de cientificidade do Marxismo né e é um problema da prática política de muitos movimentos inspirados pela teoria marxista né E aqui entra um gargalo importante se uma teoria ela é considerada científica e as outras não ela passa a ser tratada como superior isso cri é uma hierarquia
intelectual que desestimula o debate que sufoca alternativas e transforma uma determinada teoria que você chama de científica numa espécie de doutrina na prática Essa visão rigidamente científica lhe gerou partidos e movimentos que acreditam de ter um conhecimento superior tornando-se até intolerante né se você for parar para observar certas expressões políticas H outras perspectivas dentro de um mesmo Campo essa postura em vez de gerar um movimento plural e democrático ela produz estruturas que acabam se centralizando né sendo um pouco mais autoritárias baseados na crença de que apenas uma linha de pensamento tá correta ou que as
linhas desviantes são revisionistas e tudo mais e isso acaba gerando problemas em muitas vezes né E aí qualquer desvio acaba sendo condenado e Atacado como uma grande heresia e isso é algo que acabou sendo existente até nas próprias experiências socialistas né como a gente pega por exemplo eh casos de manuais de Economia política da União Soviética né e aqui eu vou ler dois trechos para vocês verem o tamanho né abre aspas foram Marx engels e Lenin que fundaram a teoria do período de transição do capitalismo para o socialismo eles armaram a classe trabalhadora todos os
trabalhadores com os con com conhecimento científico dos caminhos da construção do socialismo E aí no segundo ponto os fundadores do comunismo científico colocaram-se e resolveram os problemas da política econômica do período de transição do capitalismo para o socialismo Logo no início da luta revolucionária do do proletariado ou seja eles entregaram o conhecimento científico e cabe agora os aplicar es implantarem isso fica um sentimento de algo pronto fechado que não precisa de revisão de correção é só você ter um manual ali e aplicar eu sei que essa crítica existe até dentro de certas Vertentes marxistas sim
tá gente mas isso é um problema que aconteceu eu tenho por mim que isso acaba dificultando demais né pensar em um unidade em termos de transformação da sociedade se você já parte da ideia que um tipo de conhecimento tá num patamar superior ao outro e aqui eu só queria fechar com uma questão né Eu acho que dá para você pensar o socialismo no sentido científico se você pensar ele num socialismo com atitude científica no sentido do quê Eu preciso estudar Como que o capitalismo efetivamente funciona e como que o capitalismo efetivamente age com as pessoas
age na sociedade e esse meu estudo ele tá ancorado para pesquisar eh certas relações certos desdobramentos que estão na realidade mas que estão pulverizados ali em outras eh pesquisas em outros clubes em outros outos eh disciplinas né então não é que eu tenho aqui um corpo teórico um corpo de premissas um corpo de de concepções que essa concepção é científica e as outras não mas é sim uma atitude minha de olhar pra realidade de uma forma mais científica aí eu acho que dá para discutir essa questão do socialismo enquanto socialismo científico ou algo próximo do
tipo E aí para fechar né é nada é definitivo nem o que eu falei aqui é definitivo eu me pauto por um ceticismo por uma ideia de que eu sempre posso est errado né então Eh isso me segura inclusive para poder fazer certas afirmações e me permite sempre ir renovando sempre ir ir renovando as minhas ideias né inclusive Isso me deixa com o pé atrás de abraçar de forma abertas certas concepções certas compreensões né eu vou me dedicar estudar cada um desses pontos aqui que eu apresentei para vocês né nesse ano Tô pretendendo escrever mais
também de forma acadêmica escrever sobre essa questão do socialismo científico eu já tenho muito tempo que eu tô querendo escrever e me aprofundar um pouco mais sobre isso né então esse debate vai est aqui sempre vai est refinado vai est aprimorado vai tá até corrigido né No que tiver que ser corrigido E aí a gente vai conversando né Queria agradecer que acompanhou esse vídeo até aqui esse vídeo pode ter sido meio chato para alguns né mas eu acho que é um debate interessante vou deixar minhas redes no na descrição meu canal no telegram meu canal
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