[Música] eu sou inita arújo eu participo da diretoria do cizo E é em nome dos seus integrantes que eu dou agora um abraço a todas e todos que nos vem e que nos ouvem eh o cizo está realizando o seu 13º pentálogo com o tema do fato ao acontecimento travessias sócio semióticas conosco de um ciclo de diálogos científicos sobre o avanço do Conhecimento em torno do conceito de acontecimento nós convidamos pesquisadores da comunicação e da semiótica e também de outras interfaces o objetivo do ciseo com essa troca de ideias hipóteses e resultados entre os pesquisadores
convidados é estimular a criatividade o desenvolvimento de novas ideias e o pensamento crítico Além disso o diálogo científico ele Visa promover a transparência e a colaboração que são essenciais para atualização conceitual No âmbito dessas áreas de pesquisas e de práticas simbólicas nesse encontro de hoje nós vamos ter um painel cuj os participantes tratarão do tema do acontecimento porém no seu reverso tratarão do não acontecimento porque falar do não acontecimento justamente num evento que trata do acontecimento de uma forma bastante Ampla e sem absolutamente desconsiderar as diversas abordagens autorais que já foram feitas inclusive neste pentálogo
Né o acontecimento ele é marcado sempre pela visibilidade né ele remete a situações cuja narrativa ou cujo enunciado ganham visibilidade e ganham Ampla circulação circulação que atribui ao corrido uma existência concreta ainda que simbólica uma vez que estamos falando sempre do domínio do simbólico né nos tempos que nós estamos vivendo né Essa visibilidade e circulação dependem dos aparatos mediáticos digitais ou não né mas sempre midiáticos que por sua vez Integram estruturas econômicas e de poder que definem o que vai ou não se tornar visível né define que situações e que aspectos e dimensões de cada
situação né serão ou não transformadas em acontecimento ao L atribuir uma vida simbólica o no acontecimento ele tem sido abordado por alguns autores como produto de ou de um de um trato indevido de critérios jornalísticos né ou identificados com as chamadas fake News né ou como no caso específico de bodar Como um evento produzido exclusivamente para desviar a atenção do que seria um acontecimento mais importante mais relevante os pesquisadores que vão participar desse painel eles compartilham o relevo conferido a aos processos de invisibilização e silenciamento como exercício de poder e definição do que deve ser
visto do que deve ser lembrado ou ignorado e Esquecido para nós o não acontecimento caracteriza justamente o lado o aspecto A dimensão dos Fatos e das situações ocorridas nos diversos territórios as quais não foi conferido visibilidade mediática né isso tanto pode ocorrer como prática sistemática ou episódica mais intencional caracterizando eh forma de silenciamento como nos propõe orland mas também podem decorrer da própria estrutura social econômica e política dos países que relevam alguns setores das populações ou das regiões onde Habitam a um lugar subalternizado o que caracteriza melhor as formas de silêncio assim esses participantes falarão
aqui de interditos de existência de não lugares das zonas do não ser das formas de produção da não existência mas falarão também das formas de forma de resistência a esses apagamentos mediáticos o painel foi intitulado silêncios e silenciamentos mediáticos a produção do não acontecimento em crises ambientais e nós vamos ter cinco Participantes que vão abordar diferentes articulações em torno desse mesmo tema falando de diferentes lugares de observação de análise e de enunciação todos eles compartilham o pertencimento um pertencimento eh ao grupo técnico de comunicação e Saúde da Brasco que Associação Brasileira de saúde coletiva após
as as apresentações de cada um dos cinco nós vamos abrir uma roda de debate em torno das várias Possibilidades semióticas do não acontecimento Vamos então iniciar o painel com o jornalista Adriano lavor Moreira Doutor em ciências pela foc Cruz e mestre em comunicação futura pela UFRJ o Adriano ele integra a equipe de Jornalismo do programa rades comunicação e Saúde da Fiocruz eh do Qual foi editor eh por 7 anos ele é coordenador do atual do grupo de trabalho da da Brasco que acabei de mencionar e é colaborador do Observatório de saúde nas nas mídias da
Pi Cruz o Adriano nos vai falar sobre o silêncio que atravessa as fronteiras do acontecimento a ausência de migrantes e refugiados ano por gentileza bom dia boa tarde boa noite a todos dependendo do horário que esteja assistindo eh eu agradeço o convite para participar deste pentálogo quando tenho o prazer de reencontrar os colegas nesita Anderson Raquel Gadelha e Sandra Raquel e dividir com eles e vocês as inquietações que me chegam a partir do Tema Que propomos silêncio e silenciamentos midiáticos a produção do não acontecimento em crises ambientais eu me dispus a pensar sobre o silêncio
que atravessa as fronteiras do acontecimento a partir da ausência de migrantes e refugiados na discussão sobre mudanças climáticas o que trago aqui no entanto são reflexões que vão além da constatação da invisibilidade de pessoas em situação de trânsito ou de fuga nas discussões sobre A emergência climática que acontece em diferentes níveis e contextos na sociedade contemporânea a minha contribuição para o debate propõe trazer elementos que nos possibilitem discutir com o intuito de compreender as relações entre a produção de visibilidades e de invisibilidades e a produção do não acontecimento eu não pretendo portanto direcionar o olhar
para a natureza conceitual do não acontecimento mas sim propor uma Reflexão que considera a visibilidade um dos inúmeros e inevitáveis contextos que circundam circulam e atravessam o não acontecimento e que o não acontecimento é capaz de gerar interceções e interdições que podem favorecer dizer desigualdades visíveis e silêncios muitas vezes invisíveis a visibilidade é portanto a chave desta proposta mas não é o seu objeto de análise ontem 12 de novembro de 2024 o auto comissariado das Nações Unidas para Os refugiados divulgou um relatório que informa que dos 120 milhões de refugiados no mundo pelo menos 90
milhões vivem sobre o impacto das mudanças climáticas ainda de de acordo com o documento desastres naturais como secas e enchentes muitas vezes agravados pela ação humana forçaram 220 milhões de pessoas a se deslocar dentro do seu próprio país a divulgação de um documento de esporte desencadeia uma rede de comunicação muito potente de Onde emergem muitas vozes autorizadas gestores ativistas influenciadores pesquisadores especialistas daqueles que sofrem no entanto pouco se ouve e pouco se vê este exemplo recente ilustra como a falta de visibilidade interfere na ausência de protagonismo de migrantes e refugiados numa discussão como essa sobre
as sobre as mudanças climáticas seja na tomada de decisões seja nos encontros multinacionais seja nas coberturas Jornalísticas internacionais ou mesmo na produção acadêmica pode se argumentar eles são visto sim imagens contundentes circulam nas redes diariamente Campos de refugiados a abarrotados de pessoas filas de migrantes caminhando em direção à fronteiras estrangeiros retidos nas áreas de trânsito dos aeroportos das grandes cidades corpo sem vida boiando no Mediterrâneo eles estão sim sob os olhares das câmeras Mas mesmo quando a luz lhes é dirigida rostos são Desfocados nomes são omitidos e vozes são silenciadas em detrimento dos higienizados pronunciamentos
oficiais das frias análise da ciência dos taxativos vereditos da Justiça das qualificadas vozes de especialistas sejam da saúde do meio ambiente ou dos direitos humanos e ainda dos protestos dos movimentos sociais nas tragédias clássicas o protagonista é aquele herói trágico cuja própria falha de caráter se combina com seu destino para provocar a Sua ruína do mesmo modo hoje as pessoas em situação de fuga no mundo izam apenas a sua própria queda são silenciados pelas mesmas narrativas que visam contar a sua história e são vítimas e também consideradas responsáveis o seu destino inevitável o da não
existência refugiados Portanto protagonizam o não acontecimento e a não existência personificam a não existência em sua passagem pelo Brasil em 2024 o jovem escritor francês Eduard Lui que havia Sido a estrela da festa literária de Parati flip deste ano narrou como a realidade de violência e homofobia que vivia no interior da França foi determinante para sua escrita em uma entrevista concedida à TV Loui declarou que a literatura o salvou do contexto em que vivia o mesmo contexto que o possibilitou narrar sua autobiografia política Durante a entrevista o autor de uma série de livros todos baseados
na sua experiência de vida e de sua família De escrevo autobiografia porque a pessoa que está lendo do conforto do seu sofá sabe que aquilo está acontecendo ou acaba de acontecer e dificilmente podemos desvirar o olhar como às vezes fazemos na rua o escritor uso ainda o conceito de transfuga de classe para explicar o desconforto experimentado na vida pós fuga quando aquele que fugiu sente-se de certo modo culpado por ter deixado os outros para trás mesmo se Recusando a assumir esse lugar eh Lui revela a dificuldade de manter sua identidade num contexto diverso para ele
não havia alternativa era preciso fugir para sobreviver mas a fuga não garantiu sua Total Liberdade eu lembrei imediatamente do encontro que eu tive com mulheres refugiadas venezuelanas em Manaus em junho quando fazia uma reportagem sobre direitos sexuais e reprodutivos de meninas e mulheres migrantes e que está na capa da rades de Setembro as entrevistadas também não tinham alternativa a não ser fugir também elas se referiram ao desconforto de ter escapado de sua condição de Sofrimento em detrimento de amigos e parentes que ficaram por lá elas também relataram estratégias que utilizavam para não parecerem migrantes para
escapar dos olhares enviesados que ora as enxergavam em suas diferenças ora as ignoravam em suas necessidades mesmo Livres continuavam fugindo das memórias E dos silêncios as venezuelanas que entrevistei assim como Lui são protagonistas de uma fuga Sem Fim impressa em seus corpos e mentes que as invisibiliza diante de questões que não estejam previstas no seu roteiro trágico a que foram submetidas como elas também experimentam fugas cotidianas muitas outras pessoas tantas outras vulnerabilidades em comum os vulneráveis têm a sua condição do acontecimento são figurantes do acidente são vítimas do Relatório são números da Notícia são mortes
protagonizam somente o trágico destino de não acontecer suas histórias poderiam estar incluídas no texto que Foucault se debruça sobre a vida dos homens infames ele diz são fragmentos de discurso carregando os fragmentos de uma realidade da qual fazem parte diante deste cenário de silêncios e silenciamentos a não existência dessas pessoas precede produz e se alimenta do não acontecimento são engrenagens que Mantém a a máquina de iniquidades produzir o não acontecimento e alimentar não existências é portanto uma estratégia que fortalece as estruturas que mantém a crise ambiental inalterada por um lado mantém-se a discussão Acima das
vidas humanas até que o trágico as apanhe com a força das águas de um enchente no Rio Grande do Sul ou as sucumba diante das forças da devastação da Lama em Minas Gerais de outro tenta-se neutralizar a resistência Dos atingidos desqualificando suas trajetórias e a sua própria existência há como resistir Eduard Lui dá uma dica ele diz que eh ao apostar no no que eu entendi como potência disruptiva do não acontecer ele fala a questão portanto não é mais mostrar mas sim confrontar está além da visibilidade Lui fugiu das surras do pai foi ameaçado de
morte pelo próprio irmão e mudou de nome para não mais ter que encarar no espelho a identidade que Insiste em o perseguir mesmo assim ele prossegue contando a sua história que reverbera em muitos lugares e toca muitos corações e mentes é isso que eu considero potência disruptiva do não acontecer Talvez a nossa função comunicadores seja essa olhar mais atentamente para os indivíduos na sua singularidade escutá-los permitir que contem suas histórias talvez Talvez assim a singularidade de suas existências possa protagonizar um futuro Distinto onde diferentes vozes se unam na defesa de um ambiente mais saudável e
seguro para todos com a força implícita das não existências que seguem em frente com a potência do não acontecimento que é sinônimo do quase do ainda e daquilo que o carioca bem criado diz já é muito obrigado muito obrigada Adriano tava Meo no meu microfone eh muito obrigada eh eu convido agora a pesquisadora Sandra Raquel Santos Azevedo jornalista Doutor em sociologia e mestre em educação pela UFPB e professora da fpb no departamento de jornalismo a Sandra coordena Observatório do semiário e ela é autora de vários livros também ela integra o grupo de pesquisa de comunicação
Comunitária e mídia local e coordena um outro grupo que é o grupo pesquisa em jornalismo gênero e educomunicação a Sandra vai falar sobre a desertificação do semiárido e reivindicações Por Justiça climática a produção mediática do não acontecimento Sandra por favor queremos ouvi-la eu quero agradecer éo convite né do Sueco paraa participação desse pentálogo muito me honra né estar ao lado dos colegas né dentro da uma construção importante eh da comunicação e saúde eh a minha fala minha partilha nesse nesse dia né nesse momento eh de hoje ela tá centrada a partir da realidade eh De
Onde Eu Venho também que é o semiári do Brasileiro né e um debate que não é tão recente porque o debate sobre desertificação né ele atravessa eh também eh o espaço de construção de sentidos do próprio território né do semiárido mas eu gostaria de construir uma partilha eh no sentido de pensar rituais de enfrentamento né ao não acontecimento eh que acontecem a partir da experiência eh das mulheres eh antes eu gostaria de Colocar a importância eh de alguns dados né eh segundo o laboratório de análise processamento de imagens por satélites hoje eh 12,8 85% do
semiárido ele enfrenta um processo de desertificação já então o tema da desertificação ela aparece né em muitos setores eh especialmente também eh na mídia né como representação dessa perda deers cidade redução de produtividade desequilíbrio ambiental empobrecimento então a desertificação Ela é um processo no qual há um manejo né inadequado dos recursos naturais dentro dos espaços áridos semiáridos né e subúmidos secos né comprometendo o sistema produtivo eh a gente pensa também que esse percurso né Eh ele é atravessado por uma série também de ações do ponto de vista da coletividade né dos sujeitos sociais no sentido
da Preservação do território e também de construção de uma convivência eh a partir das experiências de conhecimentos E saberes dos povos tradicionais eh que ocupam né e transformam eh eh o lugar eh e mais recentemente é necessário que a gente coloque eh que o agravamento da questão da desertificação também tá relacionada e aos impactos né da implementação de projetos de energia eólica nos territórios né recentemente até grandes reportagens eh na mídia tradicional eh e também a partir de da Central Única de trabalhadores eh vem sendo visibilizado publicizado Publicizados assim a a dimensão eh problemática relacionada
às energias renováveis né Eh e os impactos da presença das torres de energia eólica dentro dos territórios e a realidade do país é que há uma forte presença né E aí a gente quer considerar essa presença eh como um acontecimento né na verdade um acontecimento que impacta o meio ambiente a saúde a agricultura familiar no semiário do Brasileiro incidindo né também na questão da produção Eh de alimentos entretanto é importante que se diga também que do ponto de vista e experiências das populações que vivem nas áreas onde os parques são implantados né esse lugar de
resistência eh Ele é tratado como não acontecimento né porque dentro de uma narrativa eh conservadora sobre a transição energética essas questões elas não são eh evidenciadas elas não aparecem com tanta força né então elas se se se colocam dentro de uma de uma presença de Uma narrativa ou de uma disputa narrativa como não acontecimento embora seja parte da realidade hoje cotidiana né porque essa essa dimensão eh de não tratar a realidade social no discurso né na narrativa ela também eh se coloca dentro da experiência de um modelo centrado no que muitos ativistas estudiosos nomeam como
falsas soluções a paraa crise climática então no contexto dessa fala eh eu quero eh afirmar que as falsas soluções elas são não Acontecimento também eh na medida em que elas eh eh mascaram né Elas são constituídas a partir de uma opacidade eh eh de dados né as falsas soluções elas são definidas como qualquer iniciativa ou projeto que AF firme avançar na proteção do planeta né como fórmulas também que inclui equívocos né enganos falências técnicas né embora se sustentem publicamente como espaços de inovação tecnológica né dentro de um discurso que diz enfrentar a mudança Climática mas
que mantém consolida um sistema de consumo excessivo né E também a depredação natural e acumulação de riqueza né sentada também numa dimensão eh do extrativismo e também da da da reprodução da desigualdade social eu gostaria de pontuar também os os esforços das organizações sociais que se apresentam né eh e e colocam características dessas fals noas soluções né Eh especialmente a instauração pouco participativa e Democrática eh pouco transparentes dos processos de gestão né e também uma promoção né dentro dessa dimensão eh Da falsa solução como não acontecimento eh de conceitos também eh que circulam no mercado
como a ideia de economia verde eh soluções que aparentemente são baseadas na natureza mas que sustenta uma visão de mercado que sacrifica de fato Os territórios Então nesse sentido eh consideramos que as lutas Por Justiça climática se estaram no campo Comunicacional uma vez que nós estamos submersos e submersas no extrativismo de dados que forjam muitas vezes falsas narrativas trazendo opacidade ao debate sobre mudança climática e na medida que também reconhecemos o esforço fundamental de um sujeito social importante no debate sobre o clima eh que são as mulheres né especialmente as mulheres que têm enfrentado eh
e construído né Eh um debate sobre desertificação e justiça climática e a Gente toma como exemplo né e reconhece eh A Marcha pela vida das mulheres e pela agrec olia que é um movimento que acontece há mais de 15 anos né dentro do território do semiárido paraibano e que mobiliza em torno de 5.000 mulheres né e e que se junta também hoje a outras mulheres de outros eh estados brasileiros pautando poder público os meios de comunicação e a sociedade defendendo um território agroecológico eh e também eh trazendo para as famílias Né agricultoras é um Horizonte
né de romper com essa dimensão do não acontecimento que são as falsas Soluções que é o grande argumento das empresas que se instauram né então nós respeitamos e reconhecemos essas trajetórias né Especialmente porque eh ontologicamente eh entendemos a ecocrítica que as mulheres fazem a partir dessa relação com o meio ambiente e das suas experiências e dos saberes tradicionais Eh na convivência com o semiárido né no lidar com as mudanças climáticas não a partir do tempo presente mas a partir também de um tempo histórico nos seus territórios né observando as irregularidades das temperaturas o aumento da
evaporação das águas e os e problematizando eh a dimensão do clima a partir de diferentes aspectos Então as mulheres têm sido porta-vozes né de uma ecocrítica importante que precisa ser eh compreendida eh dentro de um ritual de Participação social construindo uma dimensão importante de acontecimento na verdade né em contraponto ao não acontecimento da falsa solução né também reafirmando eh eh os riscos de um modelo assentado em grandes Empreendimentos de geração centralizada de energia renovável como constituinte de uma ameaça à Vida e ao trabalho das populações da Agricultura Familiar e dos povos tradicionais mais então nós
observamos o risco dessa Opacidade em torno da realidade da implementação dos grandes projetos e também achamos importantes pontuar é que esse ritual de fazer a marcha né ao longo desses anos e nos últimos 3S anos tocando eh abordando a questão da justiça climática eh traz também né nos Ancora eh nos sentidos complexos né em relação eh a dimensão eh dos riscos para o bioma da Catinga Mas também como esse esse a existência da Marcha enquanto um ritual eh narrativo né eles nos eh eh Nos Ancora no sentido comum de ser estar e de agir frente
às falsas soluções né frente aos não acontecimentos ao não acontecimento que é a falsa solução então eh consideramos que a experiência eh narrativa das mulheres Elas têm se constituído como um elemento de vínculo né de valor de reconstrução desse território e de enfrentamento eh A falsa solução como não acontecimento e um simulacro eh na questão Eh da mudança climática Então é isso que eu gostaria de de deixar de compartilhar eh aqui né e está também aberta para que a gente possa ampliar esse debate e me senti muito honrada eh pela vida né das mulheres por
por por ser parte também dessa história eh de construção de um modo de ser de uma narrativa como um modo de ser um modo de estar né e um modo também de compreender a transformações que hoje se colocam a partir Eh das questões climáticas mas mantendo e preservando também eh os sentidos da própria da própria história muito obrigada Sandra vamos debater isso daqui mais um pouco daqui ao final e nós vamos ouvir agora o jornalista José gadia Silva Juno mestre em letras pela doutorando agora em informação e comunicação em saúde pela fio Cruz né o
José gadel ele atuou na Rede Amazônica Rondônia como repórter editor e Apresentador de de telejornal ele atuou também no ensino técnico e superior de rádio e TV e hoje ela assessor de comunicação da Fiocruz Rondônia e também é autor de vários livros sobre Amazônia e então e ele nos traz o tema da crise hídrica em rios Amazônicos território e vivência na produção do não acontecimento mediático Jé gadelia por favor queremos ouvi-lo Boa tarde Vocês me ouvem eu tô passando uma apresentação São alguns slides queria saber se ele já aparece no modo apresentação também podem me
dar um ok ok Eh quero agradecer também a oportunidade de est aqui muito me honra esse convite como disse a professora Inesita eu vou falar sobre a crise hídrica em rios Amazônicos território e vivência na produção do não acontecimento midiático e qual é a nossa questão a Questão que eu proponho aqui principal é discutir exatamente de que forma o não acontecimento no reverso do acontecimento se projeta eess se trans forma em um acontecimento refletindo sobre a natureza desse novo acontecimento e quais fatores estão ligados a essa transformação importante destacar que esse território de onde nós
falamos possui uma relação histórica com a invisibilidade inclusive no campo Midiático o que já sinaliza para uma força produtora de não acontecimentos e a construção de um discurso estereotipado sobre a Amazônia o que também sinaliza paraa construção de acontecimentos que desvirtuam as nossas realidades gerando que talvez possamos chamar de um falso acontecimento ou a ilusão de um dado acontecimento a professora Vera França ela nos diz que os acontecimentos não são simples ocorrências mas fatos que Têm poder de afetação que desregulam em alguma medida as nossas vidas pois há os bons e os maus aconte entos
os desejáveis e os completamente indesejáveis destrutivos né destruidores provocam sentidos convocam as nossas lembranças e reorient o futuro e a mídia tanto pode ser esse espaço onde os acontecimentos surgem e se reproduzem como um espaço em que os acontecimentos são repercutidos é quando entram em cena as narrativas do contexto Midiático nesse sentido por meio da prática jornalística se desenvolve um sistema complexo de caracterização e definição do que é ou não relevante sendo tarefa do jornalista farejar esses acontecimentos e narrá-la o não acontecimento a partir da crise hídrica do Rio Madeira e junto com ele a
de outros Rios aqui da Amazônia ceniz eu trago algumas informações para contextualizar no dia 21 de de Junho a agência nacional ou Melhor o serviço geológico do Brasil noticiou que o Rio Madeira registrava mínimas históricas para o mês de junho sendo o período o mês de junho o período em que as chuvas normalmente ainda acontecem aqui na região então a gente observa um caráter de emergência em torno dessa questão que já é preocupante por natureza e nos faz levantar vários questionamentos e essa notícia era divulgada exatamente quando algumas cidades aqui do Norte ainda registravam O
período de cheia no dia 29 de julho a agência Nacional de águas declarava a situação de escassez hídrica nos rios madeira e Purus que são dois dos principais afluentes da margem direita do rio Amazonas e no dia 31 de julho o mesmo órgão publicava no Diário Oficial da União resoluções declarando situação crítica de escassez de recursos hídricos no madeira no por uso em seus afluentes e em agosto como vocês certamente já vinham acompanhando e acompanham Várias manchetes Brasil a fora anunciavam os meses de julho e agosto como os piores da história anunciando crises de desabastecimento
falta de água enfim vários outros acontecimentos na Perspectiva do olhar mediático né na Perspectiva do factual Então o que eu trago aqui pra gente nesse contexto eh eu trago eu busquei trazer alguns exemplos concretos de não acontecimentos Que fogem a dinâmica do acontecimento na Perspectiva midiática mas que eu considero acontecimentos que são invisibilizados destituídos de significação ou de uma necessidade de compreensão e análise e o primeiro deles que eu trago projetado aí nessas duas fotos de um mesmo barranco mas em épocas e eh ângulos diferentes diz respeito à dimensão dos riscos e dos acidentes nos
Barrancos onde vivem as populações ribeirinhas a dimensão dos riscos e dos Acidentes se agrava em torno da estiagem com nível do Rio muito baixo surgem os bancos de areia pro transporte das crianças e dos próprios ribeirinhos isso representa um risco muito grande de acidentes a fumaça especialmente nessa crise hídrica falhando totalmente a visibilidade o nível baixo do Rio prejudicando ainda mais porque o risco de um acidente se torna iminente tanto des esbarrar em pedras ou em bancos de areia quanto em voadeiras e aqui tem Inclusive um relato de uma dessas moradoras de uma das Comunidades
com quem eu venho dialogando e ela conta a dificuldade eh exatamente Nesse contexto da crise e de ter inclusive presenciado um acidente com a criança que fazia o transporte com uma voadeira né que fazia o transporte de crianças ribeirinhas um outro exemplo que eu trago aqui é o grupo de WhatsApp que é uma ferramenta potente de comunicação mas nesse contexto nas Comunidades que margam rio e que dispõem de sinal de internet a comunicação gira em torno basicamente dos avisos e do monitoramento da localização do barco que também possui antena de internet como o barco é
o principal meio de transporte e único para acesso à maioria das localidades o grupo de WhatsApp do barco Salmo 23 traz um desfecho positivo diante de um cenário de caos claro que aí circula uma infinidade de comunicações e assuntos dignos de Análise mas eu destaco aqui essa via do não acontecimento que se torna um acontecimento na dimensão comunicacional e se traduz numa potente estratégia de ajuda Mult na reorganização da Vida Diante do Caos o que em termos midiáticos pode não ser considerado um acontecimento para essas pessoas que vivem na zona do não ser no conceito
de fanom que é um conceito que a gente traz aqui o grupo de WhatsApp é um acontecimento comunicacional e Simbólico que acaba definindo e conduzindo a vida tanto quanto elas quanto essas pessoas dependem do Rio e aqui esse slid representa bem o que é esse grupo do WhatsApp eles monitoram a localização do barco em tempo real eles passam os avisos fazem perguntas e vão conduzindo as suas vidas por meio do grupo do WhatsApp esse outro exemplo aqui ele traz um trabalho numa comunidade de beirinha que foi desenvolvido por um professor e os Alunos eles trouxeram
né as suas percepções em vários desenhos o rio no período da estiagem mas os bancos de areia representam para essas famílias para essas crianças o lazer a brincadeira e eles descrevem né nesse caso aqui o aluno descreve Quando o rio seca Eu e minha família vamos para a praia e na praia a gente joga bola e vôlei mais um outro exemplo aqui de um desenho né desenvolvido nessa escola a a aluna aqui de 8 anos a Ana ela desenha o Coraçãozinho ali agradecendo ao professor pela oportunidade de poder trazer a Sua percepção mas ela faz
o desenho de um de uma praia né que para ela é uma praia mas na verdade é um barranco que se forma nesse momento por conta eh do nível baixo do Rio os bancos surgem e ela traz a representação de uma praia trazendo aí alegria nesse momento de estiagem esse outro exemplo aqui eh diz respeito ao acesso à água potável mas só Comentando um pouquinho aqui sobre o desenho anterior que eu acho que é importante a gente notar a percepção que as crianças T da paisagem durante a seca e esses significados que são atribuídos ao
rio que giram em torno agora dos momentos de lazer com a família e dos bancos de areia que surgem vão surgindo né e se tornam praias em que Pese toda a afetação da seca extrema enquanto o acontecimento em sua dimensão mais factual no jornalismo é interessante Notar por um lado que aquele cenário de devastação também se torna um espaço para o lazer das crianças e de outro esse fenômeno vem sendo trabalhado Na escola na dimensão do simbólico do pertencimento né a cultura cabua Ribeirinha e por fim o último exemplo aqui que eu trago para vocês
é enquanto o Ministério Público Federal Ministério Público do Trabalho a Defensoria Pública da União estavam processando estado prefeitura a Prefeitura de Porto Velho Né e a união eh por falta de água potável a gente percebe os movimentos que surgem para garantir água potável nessas comunidades e aqui um grupo que se organiza o grupo musical minhas Raízes que nasce em uma dessas comunidades e eles desenvolvem vários projetos buscando eh eh levar melhorias né paraa qualidade de vida dessas comunidades e eles organizaram uma live solidária para arrecadar recursos para construção de um Poço semi-artesiano pensando né na
possibilidade de melhorar as condições de vida e levar água para essa comunidade e a gente reforça então que isso traz um problema maior pela desproporção com que a ausência afeta essas populações em em relação a outros grupos pois elas já são afetadas por inúmeros fatores adversos e a própria escassez de políticas públicas a gente tá falando aqui de uma região que contempla 70% da reserva de água doce do País né mas quando a gente fala na acessibilidade de água potável a gente presencia esses acontecimentos eu vou parar aqui a minha apresentação eh e é importante
destacar então que nesse contexto em que a gente traz esses exemplos de não acontecimento a gente faz uma referência O que traz o próprio fanon sobre o mundo do colonizado e o mundo do não colonizado né do colonizador e do colonizado melhor dizendo e ele vai explicar Exatamente Isso como que o colonizado vive uma vida eh acocorada uma vida ajoelhada de privações e de limitações de ausências e o colonizador vive uma vida de abundância e de Fartura sendo que a cidade do colonizado ela se sustenta sobre a existência da cidade né Eh Ou melhor a
cidade do colonizador se sustenta sobre a existência da cidade né do mundo do colonizado E aí a gente traz exatamente eh esse pensamento para cada acontecimento que é exposto que de fato Acontece pelas vias midiáticas existe no seu reverso um não acontecimento que fica nas sombras em termos de acesso pro resto do país mas que para aquelas pessoas que vivem na sua singularidade e que protagonizam as suas realidades contraditórias no espaço do não ser e das Fronteiras Aquilo é o acontecimento e se torna um acontecimento não por um por uma correspondência ao que está na
estrutura do noticiável né mas porque Tem uma relação com o vivido com a dimensão do pert ento e do simbólico nessas comunidades eu finalizo aqui a minha fala muito obrigada gadelia eh E nós agora vamos ouvir Cláudio malinverni que vai nos trazer o tema dos corredores ecológicos silêncio invisibilidade no acontecimento mediático da febre amarela A Cláudia é jornalista Doutora e mestre em ciênci pela USP é pesquisadora do Instituto de Saúde do Estado de São Paulo e lá Ela dirige o centro de pesquisa desenvolvimento para o sul e São Paulo né E também coordena o mestrado
profissional de saúde coletiva como pesquisadora a Cláudia investiga os processos de mediatização da vida e a produção de sentidos públicos sobre saúde a partir de discursos e práticas discursivas jornalísticas Cláudia a a palavra é toda sua Eh bom então eu na verdade eu tô fazendo um contraponto aos estudos que eu fiz em no final dos anos 2000 sobre a amplificação social da percepção o risco na pandemia na epidemia de febre amarela eh que naquele momento era só um surto um surto muito comum e virou um acontecimento jornalístico mas hoje eu vou vou falar um pouco
do movimento contrário né o da invisibilização do silenciamento De um acontecimento em torno de uma segunda Eh epidemia Marília dessa vez mais grave que aconteceu no verão 2017 2018 e para essa discussão eu preciso contar um pouquinho sobre o que são esses corredores ecológicos lá em 2018 a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo divulgou um um os resultados de um estudo inédito que levou a mudanças muito significativas e benéficas na estratégia de controle da doença no estado Eh Apesar de muito inovador ele tinha uma base tecnológica muito simples ele tem na verdade ele
continuou sendo implicado ele mapeia a trajetória do vírus através do monitoramento das mortes de macacos por episo tias em corredores ecológicos digamos artificialmente criados pelos pesquisadores que trabalharam nesta estratégia eles usam a mesma lógica dos corredores definidos por lei que são porções de Ecossistemas que promovem a ligação entre áreas fragmentadas da vegetação nativa por onde se deslocam os animais e ocorre dispersão de sementes e a gente sabe agora também de arboviroses eh o trajeto dos corpos dos Macacos então eles iam morrendo e os pesquisadores iam fazendo todos os exames laboratoriais eh para saber se tinham
morrido de FB amarela para quem não sabe o macaco é o hospedeiro primário Eh do vírus amílico tá isso permitiu aos técnicos monitorar o comportamento do mosquito V já que ele não sobrevive eh em temperatura em regiões isotérmicas então eles sabiam que eles tinham que ir para uma região específica porque o vírus não sobrevive em temperaturas extremas e aí eles conseguiram desenhar esses esses corredores eh Vitório Paulista né quando eles fizeram isso eles Conseguiram definir e priorizar a vacinação das pessoas que estavam em 54 cidades identificadas como áreas de risco e eles se anteciparam a
chegada do vírus essa estratégia também permitiu que eles previssem com três meses de antecedência isso é muito importante a chegada da febre amarela corredor eh Ecológico deã é uma cidade do município da grande de São Paulo no extremo norte quase fronteiriça com São Paulo que permitiria a entrada do vírus na capital E nessa região A Grande São Paulo gente moram 20 milhões de pessoas é uma região que alguns anos sofre por infestação de aedes egipt que todo mundo conhece como transmissor da deng mas que na verdade também transmissor da for da forma urbana da febre
amarela então isso paira sobre nossas cabeças tropicais eh como um um fantasma que é o retorno da febre amarela Urbana E aí eles conseguiram o Governo do Estado de São Paulo conseguiu Antecipar a campanha de imunização em agosto de 2017 em dezembro quando o vírus chegou na irip Porã 80% das a cidade já tinha sido vacinada a população já tinha sido vacinada outro achado impressionante do estudo foi determinar a velocidade com que o vírus percorreu eh a distância entre a Amazônia em direção ao sul do país no no período do surto só para vocês terem
uma ideia em 2015 esse movimento que ocorre em ondas Epidemiológicas era lento e quase inpo chegar aqui no no na Sudeste Sul relativamente a m digamos assim na última na última epidemia eh essa chegada aconteceu em três ondas ao longo de 7 meses vocês terem uma ideia em 2000 em janeiro de 2017 a última onda a o vírus avançou a uma velocidade de 2,7 Km por dia o triplo das anteriores e é aqui que entra a questão ambiental por quê Porque que pros pesquisadores que criaram esses Corredores e portanto eles agregam mais uma camada de
complexidade ao fenômeno o problema está nos invernos mais quentes na região da grande São Paulo está acontecendo há quase 10 anos que impede que anula praticamente o período de hibernação viral e contraditoriamente também em razão do crescimento da área de reflorestamento do est no estado nos últimos 2 anos isso Aumentou a área de interligação das regiões de Mata E aí apesar do caráter Inovador e dos benefícios indiscutíveis dessa estratégia dos corredores pro sistema de vigilância a cobertura jornalística sobre esse acontecimento Foi bastante tímida para dizer o mínimo gente eh eu fiz uma pesquisa rápida para
essa mesa que a gente tá fazendo aqui no Google que é o maior bus site eh buscador que pelo menos com o qual eu trabalho entre 2016 que foi do estudo em 2019 eu encontrei só cinco textos jornalísticos Sobre a estratégia mas três deles eram usados exatamente para sustentar uma crítica à letargia do Governo do Estado em começar a vacinação aí eu fiquei me perguntando o por da não cobertura desse acontecimento afinal de contas no contexto de uma profunda crise climática e a agudização das viroses como a freber amarela é um reflexo disso a criação
de uma tecnologia Nacional focada na inteligência de baixo custo e de enorme Impacto na saúde pública não devia ter sido assunto mediático de destaque se devia Então por que é que no caso desses corredores o jornalismo não usou o seu poder para amplificar a visibilidade dessa estratégia Afinal e isso gente já é bastante consolidado Teoricamente os os meios de comunicação tem enorme relevância na visibilização dos acontecimentos cotidianos tornados notícias mais do que isso quando a gente Pensa em risco a saúde sim a febre amarela é um risco latente permanente secular no Brasil a gente sabe
que o jornalismo tem um papel fundamental na ampliação ou invisibilização social eh da percepção social do Risco Por que então a mídia jornalística escolheu e escolhe invisibilizar o estudo parecendo pelo contrário ter sido um ator importante nesse processo de cenciamento do não dito a gente sabe que tem Inúmeras pistas né muitas sobre amamento mas eu vou me concentrar em três delas a primeira para mim tá no fato daquilo que muitos estudiosos nomeiam como a problemática reação eh relação do jornalismo de massa comas complexos como os ambientais em especial quando envolvem riscos indicam também que o
jornalismo generalista orientado pelos seus fundamentos deontológicos e epidemiológicos tende a ser silenciar riscos ambientais em razão de uma Dificuldade em enquadrá-los e aprendê-los em seus modelos de produção de Notícias eles são o jornalismo é guiado pela novidade pelo factual eh e a gente precisa entender isso por fim e aí me parece eh importante pensar na falta de concretude da tragédia cotidiana deste nosso país que vive há séculos assolado pela amarela de um modo ou de outro quer dizer a ausência de imagens fortes e comoventes dramáticas escandalosas e Imediatistas na minha visão inviabilizaria a cobertura factual
sistemática e tematizada em que poderíamos aprofundar a cobertura e outras perspectivas outros recortes menos modor do flagelo da febre amarela nós vamos ouvir agora o jornalista Anderson Machado que falando sobre as enchentes no Rio Grande do Sul entre a espetacularização e silenciamentos a construção midiática do não Acontecimento o Anderson é jornalista ele é doutor em Comunicação Social pela PCA do Rio Grande do Sul mestre em saúde coletiva pela urs e atualmente tá desenvolvendo uma pesquisa de pós-doutoramento em comunicação na P também e ele é pesquisador do campo das racionalidades médicas com investigações sobre o Imaginário
das biociências e das práticas integrativas na mídia eh o Anderson eh coordena o consórcio coordenador de comunicação do consórcio Acadêmico brasileiro de saúde integrativa e ele integra também o grupo de Tecnologia do Imaginário da PUC Eh vamos ouvi-lo agora a palavra é toda sua Muito obrigado então vou iniciar a minha fala aqui tá mostrando algumas imagens né a respeito do relembrar um pouco da do acontecimento né digamos assim discuti os não acontecimentos que concorreram com a questão das enchentes né que assolaram o Rio Grande do Sul em Maio de 2024 Colocar aqui a tela então
a a apresentação Então vai debater ess a construção midiática das enchentes né A questão da espetacularização e os silenciamentos né do não acontecimento né em torno eh de tudo que aconteceu no Estado do Rio Grande do Sul em 2024 então eu trago aqui algumas algumas imagens apenas ilustrativas para iniciar a a discussão eh né falando dessa dessa desse período de chuva que a isolou a o Rio Grande do Sul a partir de do final de abril e que tomou muita força na primeira semana de de Maio e que atingiu diversas regiões eh do Estado né
o Vale do Taquari que já tinha sido atingido eh já no último ano anterior né ao longo de de 12 meses já era a terceira enchente que estava acontecendo num grau muito forte algumas cidades como tavam já com um processo muito forte de de destruição né da de e eh até inclusive bairros inteiros sendo atingidos de uma forma com a velocidade Das águas né E essa proporção no mês de maio tomou uma um uma proporção maior né pro volume de água né em torno de eh em algumas cidades 400 MM em 48 horas então um
volume muito grande de de água que a a atingiu os rios da da da que compõe a bacia do Vale do riio par Vale Taquari e que chegaram até o Guaíba que abastece a região metropolitana de Porto Alegre e isso potencializou imagens né que repercutiram né sobre passar aqui á dei um pulo aqui algumas imagens então sobre H Como que essa a a a força e a velocidade da água né atingindo bairros inteiros de diversas cidades né com em algumas cidades né com o altura da água chegando a quase passando dos 30 m de de
altura né então e resgates bastante dramáticos que aconteceram durante esse período né então eh não só as cidades do interior foram atingidas mas Porto Alegre também foi atingida uma dessas imagens aí a imagem da Praça da alfanda que tá acontecendo agora eh agora já Baixou as águas né é onde acontece a feira do livro de Porto Alegre e que o coração de Porto Alegre também foi atingido o Centro Histórico de Porto Alegre bairros importantes né foram atingidos né E que mobilizou né nos primeiros momentos um resgate muito grande né Eh diversas eh regiões do Estado
também ficaram né com isoladas por conta da queda de eh de Barreiras de Pontes né e e muitas pessoas ficaram isoladas nas suas casas sem poder sair Então o resgate Foi algo muito importante nesse período né e e alguns Alguns algumas mobilizações importantes como foi em Canoas por exemplo aqui na região metropolitana de Porto Alegre em que foi necessário né e na nas ilhas também aqui no Bairro Arquipélago de Porto Alegre né uma mobilização muito grande de resgates por barcos por jetski Eh toda uma uma em Eldorado do Sul também né Eh essa imagem dos
carros aí de de Eldorado do Sul né a cidade Inteira debaixo d'água então todo um processo de mobilização que precisou ser ser necessário e ser articulada para eh atender essa urgência dos resgates né e por fim aqui trago algumas imagens para essa reflexão né sobre algum um um dos símbolos que acabou se destacando nessa nessa cobertura que foi a imagem desse cavalo que foi encontrado H em cima de uma de uma de uma cobertura de um de um galpão né E que foi batizado né pela mídia nas em algumas das reportagens da Mídia como o
cavalo caramelo e essa e a e a a força com que essa imagem que percutidas nas redes sociais né como um símbolo né tanto aqui também tem uma charge né mostrando né a a força digamos assim ele e como um símbolo de de de reconstrução e de e de força digamos assim pro povo Gaúcho né que estava bastante assolado né por essa situação e embaixo ã né algumas imagens de outros resgates de animais né mostrando o impacto também digamos assim da Quantidade de animais que ficaram perdidos que precisaram ser realocados em em abrigos né e
que não foi esse o único cavalo que foi resgatado mas esse o cavalo caramelo né como foi batizado ele que acabou sendo ganhando destaque Depois virou realmente uma personalidade do estado que ganhou premiação na expo inter que é uma grande feira que acontece aqui no no Rio Grande do Sul Então como um como um um um símbolo que foi Utilizado mediaticamente para ã impulsionar né a população para tanto no sentido do do apoio para paraa população Gaúcha se restabelecer quanto a própria população mesmo conseguir ter forças para eh continuar Depois dessa tragédia então alguns pontos
que que eu trago para essa para essa reflexão é de trazer o acontecimento então de perceber fazer uma diferenciação que porque eu acho que eh o o Existem muitos né como a existem pseudo eventos né e acho que Pudo eventos eles fazem parte da rotina midiática né da produção de conteúdo né que os Pudo Eventos São aqueles acontecimentos né que vão serem criados né como eh a partir de algum algumas ações que vão eh tentar furar o acontecimento jornalístico né entendendo o acontecimento jornalístico como algo que é importante que é relevante que é que é
de destaque para eh incorporar né o espaço midiático né e o pseudo evento são aquelas ações que Vão acontecer né e eh uma ação social um um as campanhas mesmo de saúde né que mobilizam né algum alguma temática para chamar a atenção da população né então são ah artifícios que costumeiramente acontecem e que vão H concorrer com os acontecimentos né então um dos dos pseudo eventos que de certa forma concorreu no no primeiro final de semana Eh que que aconteceu essa tragédia foi o show da Madona e o show da Madona também Mobilizou porque que
a a cobertura do show era maior do que o que tava acontecendo no Rio Grande do Sul E e essa a a crítica que mobilizou a essa a a essa cobertura que não tava dando atenção no que tava acontecendo no Rio Grande do Sul tava só restrito a a mídia local né de como que isso ganhou força em termos nacional a partir da repercussão negativa né nas nas redes sociais em em torno disso então Eh o não acontecimento aqui que eu quero chamar Atenção é para como que a a questão das fake News né entram
como não acontecimento concorrendo com eh o que tava acontecendo no Rio Grande do Sul e acho que é importante de destacar é da gravidade e da sequência com que com que a a a velocidade e a e o somatório de eventos que iam acontecendo um depois do outro eh se somando a a e tornando a a o os episódios cada vez mais dramáticos né dessa desse dessa situação Então você tinha uma cidade você tinha de repente Vale do do do Taquari que já tava acontecendo a situação depois entrou pra região metropolitana e a cada dia
parecia que a a em vez de se estabilizar e começasse a se organizar a situação a situação se tornava cada vez pior porque daí outro bairro eh chegou a Porto Alegre depois chegou à zona sul do estado em Pelotas Rio Grande né então ah houve uma escalada muito grande de acontecimentos e as pessoas e eu mesmo teve a situação também de que eu Precisei sair de casa porque a água chegou a uma quadra da minha casa né do do meu apartamento eh então precisei também sair aquela preocupação Qual qual é a informação que a gente
deve deve seguir né Estamos correndo risco não estamos né E essa questão do risco é o ponto que que eu gostaria de trazer paraa reflexão que é exatamente isso de como que esses essas fake News que que surgiram eh durante esse período elas Foram negativas exatamente para prejudicar a questão do Resgate Porque eu acho que H em outras situações pegar como exemplo o caso de de burm adinho né que teve aquele momento ali naquele dia às 12:28 que é marcado paraa cidade como o o o horário em que houve o rompimento da barragem no dia
seguinte houve toda a questão do Resgate toda a mobilização mas houve um um o um hum o episódio em si já estava encerrado depois disso foi só o o rescaldo né de resgate de ação de Atendimento às famílias a questão com a empresa mas no caso do Rio Grande do Sul essa situação foi se ainda estava em curso a tragédia ainda tava acontecendo e essas fake News elas entraram num processo de de prejudicar a situação né eu trago só aqui eh um um uma mensuração do Instituto democracia em cheque que na no período de 14
a 21 de Maio fez uma um cálculo digamos assim que naquele período ali que já já estava se estabilizando as situações ainda questão Dos resgates as famílias eh que estavam sendo atendidas né e o que que você faria né no pós enchente com as águas baixando naquele momento tinha mais de 35 milhões e meio de publicações naquela semana falando sobre enchente né com em torno de 27 milhões de engajamento as fake News tinham 2 milhões de posts sobre fake News então Eh um valor muito m considerável né de de um volume grande de de contrainformação
que estava Circulando naquele momento em que eh colocavam especialmente em cheque as questões eh do poder público eh do papel da mídia na informação e o como que a a a a população poderia se articular né para resolver essas situações então alguns temas assim que apareceram né descredibilizando né especialmente o governo federal descredibilizando usando a mídia né colocando a informação de que não estava chegando a as doações né colocando em cheque as campanhas que Estavam acontecendo né Eh colocando eh em cheque mesmo a questão né de de dos serviços de saúde que estavam sendo atendidas
a população e colocando alguns alertas que precisaram ser desmentidos né E E com isso todas asas informações né drenando né o espaço que deveria ser dedicado para informações primordiais como informação de onde buscar donativos onde buscar Socorro onde eh ter e a apoio o poder articular as informações que estavam totalmente desencontradas Nas cidades né algumas cidades que estavam ainda sem comunicação então o era um momento realmente que a informação ela precisava ser objetiva e para minimizar os riscos né então Eh eu e eu percebi também que esse mesmo processo aconteceu né na Flórida na passagem
do do furacão Milton em que também as fake News também prejudicaram o a saída da de da população que morava em áreas de risco né a dificuldade de poder eh convencer a as famílias a Saírem de casa em locais que eram eh propensos à subida da água por conta de Notícias que descredibiliza né o papel dos meteorologistas né dos Estados Unidos né então aqui também aconteceu nesse Episódio lá também então eu finalizo a minha fala trazendo exatamente essa reflexão a partir do de como digamos a comunicação de risco ela é afetada e os aspectos de
como que a tomada de decisão no momento crítico do momento em que um episódio de Grande proporção está acontecendo e que essas informações acabam tirando né a credibilidade dos meios jornalísticos tirando a credibilidade dos meios eh né da do do poder público que pode atuar E e convergir essa situação e trazendo né desorientação desconfiança né inclusive por uma ação positiva que foi por exemplo ação né que as fake News de alguma forma também traziam a ideia de valorizar a a ação popular ação da iniciativa privada né como a ideia do da Frase que foi muito
eh cultivada do o povo pelo povo né que era uma uma visão bastante positiva no sentido de como as pessoas estavam mobilizadas para auxiliar vindo de várias partes do Brasil mas que de alguma forma também reforçava esse discurso de que não era para dar credibilidade às informações e as orientações do poder público né o poder público articulado né que também teve obviamente suas dificuldades de dar uma resposta rápida imediata mas que Também tinha né o aparato para conseguir dar conta do tamanho da tragédia né então uma uma forte fala eh sobre uma narrativa antisistema né
colocando voluntário a ideia do Herói da pessoa que conseguiu se destacar e conseguiu salvar ela mesmo as pessoas indo para dentro da água e e colocando episódios nas quais com falhas do do do estado e e da do do aparato estatal né digamos com essa dificuldade de conseguir atender ao público então eu eu finalizo Para poder Falar acho que o contraponto que essa que esse episódio traz que é da de olhar para essa essa lama né e é o lado simbólico de como que a essa enchente né ao mesmo tempo ela Traz essa lama essa
lama que ainda tá marcada nas paredes né se você circular né no centro de Porto Alegre dos bairros atingindo essa marca ainda tá muito visível e ela é realmente alta a ponto de poder tapar e se vocês caminhando e vendo que digamos a água te Taparia né porque foi uma água muito alta né e que essa lama né que ficou marcada né Ela traz um lado também um um lado simbólico né e a gente tava debatendo né sobre o quanto digamos a lama né trazendo a figura da análise do José de Castro né sobre a
lama como algo fértil que como Mangue que Brota a vida né e eu acho que brotou a solidariedade brotou Esse aspecto né da troca da da da articulação que a a não só os gaúchos Conseguiram fazer mas acho Que o Brasil todo conseguiu se articular para a atender as necessidades desse momento mas também a lama tóxica né como a fake News conseguiu eh prejudicar o trabalho eh da Imprensa da da das autoridades eh que precisavam atuar de Defesa Civil e os os outros aparatos que precisavam auxiliar e poder dar as orientações corretas no momento necessário
Então acho que fica Esse aspecto para reflexão e do aspecto né de como a gente pode debater o risco né Provocado pela por esses outros eh outras situações que concorrem com o acontecimento principal no momento de tragédia muito obrigada Anderson Anderson foi o último das pessoas que que estavam convidadas a falar nesse painel Então nós vamos agora obrigada então Anderson Obrigada José gadelia Sandra a Cláudia o Adriano e agora nós vamos iniciar o nosso debate aqui né E para coordenar esse debate Eu conv Adriano também obrigada E nós para Coordenar esse debate vou convidar a
Raquel Aguiar a Raquel ela é cientista social e ela é jornalista também Doutor em informação e comunicação pela Fiocruz e é mestre em ensino de biociência e saúde também pela fuz e Desde 2005 a Rael coordenadora de jornalismo com ação social do Instituto Osvaldo Cruz eh e ela é membro do grupo de pesquisa em comunicação saúde é também consultora do Observatório saúde nas mídias e do grupo de pesquisa mediatização de Práticas sociais do CNPQ Raquel então o debate está em suas mãos né Eh a palavra é sua para nos conduzir as nossas reflexões em torno
do que da dessas apresentações de cada ponto que foi levantado pra gente discutir um pouco sobre então sobre esse tema do não acontecimento e como é que ele pode ser visto né através dessas múltiplas facetas que foram aqui apresentadas Oi gente Oi para todo mundo vocês estão me escutando Bem muito bem que bom estar aqui com vocês hoje na nossa gravação né a gente tá num evento tão diferente e que bom tá Também depois assincronamente com pessoal que vai assistir a gente né Eh só uma correção eu não sou cientista social eu cheguei a fazer
Ciência Sociais mas eu me apaixonei tanto pela comunicação que eu tava cursando ao mesmo tempo que aí o que que aconteceu fui pro mestrado e aí a coisa né foi seguindo e Eu quase foi na trave foi na trave e ouvindo vocês eu cheguei à conclusão de que eu sou uma filha das enchentes né como moradora do Rio de Janeiro nascida no Rio de Janeiro né n muita das coisas que foi falada aqui eu projetei para pequenos Sofrimentos que todos nós vivemos né derivados das questões da crise ambiental e climática a gente fala de muitas
coisas algumas coisas muito grandes muito relevantes né sistêmicas mas a gente vive no dia a dia pequenas Coisas que t a ver com a mesma crise que a gente tá falando nessas grandes proporções né E foi engraçado assim gente que eu fui convidada para falar aqui com vocês eu pensei gente será que é isso mesmo Será que eu tenho estofo agora na minha vida para falar de bodr lar porque eu me lembro né bodil foi contemporâneo de quando na minha geração se estudava né então ele tava ativo ele tava produzindo aquilo era pulsante com aquele
momento né e ele é um daqueles Filósofos versáteis muito sofisticados muito refinados né Muito eh antenado com a contemporaneidade que ele tava vivendo eu diria assim que ele é quase que um boman da época dele né com aquele brilhantismo aquela energia aquela sagacidade e situando historicamente eu acho que esse é o meu primeiro ponto situar historicamente que quando ele pensa não acontecimento o ano era 1991 se vão 35 anos praticamente e ele tava pensando no que tava acontecendo Mediaticamente né como Inesita falou brilhantemente né a gente tá falando aqui de práticas simbólicas né ele tava
falando sobre Guerra do Golfo os múltiplos apagamentos que estava acontecendo ali e tava falando do 11 de setembro então o ambiente onde ele coloca esse pensamento eu queria dar esse passo da gente pensar assim qual é o ecossistema do pensamento do bodr Lar pra gente pensar tudo isso que a gente tá falando aqui né então Pensando esse ecossistema dele além da gente falar no não acontecimento a gente tem um conceito fundamental para ele que é ideia de simulacro né que a Sandra já deu uma passeada ali sobrev por isso quando ela tava falando e também
de hiper realidade né então ele é o cara que em 70 publica a sociedade do consumo ele é um cara que entende exatamente o que a Sandra trouxe a gente tá falando de um paradigma extrativista né o consumo ele é um Paradigma Extrativista e isso hoje tá se refletindo diretamente no engrossamento dessas crises que já estav acendo tanto no clima quanto no ambiente e que agora ganham contornos que são contornos e que as pessoas às vezes não conseguem respirar na cidade onde vivem a gente tá falando de direitos muito básicos das pessoas né como direito
ao ar né Eh enfim esse é o recorde que a gente resolveu falar né então ele fala desse hiper real que é aquela Ultra Representação midiática isso você imagina ele falando isso antes de conhecer o que era um tiktok da vida antes de conhecer o que era o Instagram da vida vida né e ele ao mesmo tempo vai falar daquilo que é o simulacro que é aquilo que é conferido dentro do simbólico como algo que existe no simbólico né e no contraplano disso do simulacro e da hiperreal didade a gente tem o não acontecimento é
o metaverso Né o metaverso dessa conversa é a ideia de Não acontecimento que tem a ver com uma interdição na vida simbólica e que portanto naturalmente tem que ter a ver com legitimidade e ausência de legitimidade né então esse Esse é o grande ecossistema de pensamento do bodr larem que a gente tá falando né E isso tem dois elementos dois dispositivos que me parecem fundamentais quando a gente pensa no painel todo que a gente assistiu primeiro o apagamento das vítimas Esse é o dispositivo normal de Funcionamento de toda operação de conservação de status qu e
de desigualdade né mas ao mesmo tempo tem uma coisa muito intrigante que acontece no que a gente tá vendo hoje sobre crise climática e crise ambiental que é uma tentativa de apagamento da versão dos fatos em si dos fatos climáticos em si ou da atribuição de causalidade humana para Tais fatos climáticos então aí a gente entra no campo do que na época do bodr lar não existia com esse nome Existiam em outras manifestações E agora se radicalizou que é a ideia de negacionismo né então a ideia de negacionismo com recorte ideológico que ela carrega né
é um ponto que de certa forma né a gente tá falando em todos os momentos que a gente tem aqui essa discussão Então se por um lado nas vítimas a gente tem a ideia de negligência quando a gente tá falando da recusa de fatos ou de versões de causalidade daqueles fatos a gente tá Falando de negacionismo e tudo isso é muito atual né gente o Adriano ele traz uma ideia que ele discute as bordas ele discute as fronteiras né então ele tá discutindo os não pertencimentos quem são as pessoas que saem de um lugar se
D deslocam para outras né esses grandes refugiados né Essa nova diáspora que a gente tá vendo tanto não acontecimento deles quanto não pertencimento deles a lugar nenum né a Sandra de uma forma muito delicada vai trazer pra gente a Ideia da aplicação de tudo isso ao semiárido e no Brasil a gente tem sistematicamente uma tentativa de desconstrução e de deslegitimação da ideia de seca né que era a Grande ideia era o grande alicerce de resistência do Nordeste de militância do Nordeste de protagonismo do Nordeste pela reivindicação política né então tem historicamente uma tentativa de apagamento
disso que obviamente não se sustenta mais dado caos que tá instalado Hoje o Gadelha traz toda essa reflexão em cima dos ribeirinhos e Gadelha e Sandra vão falar de mobilizações contrárias gestadas dentro de todo esse bolo né a Sandra traz a ideia da Marcha o o g traz a experiência do WhatsApp do barco né e dentro da teoria do bodr Lar a gente tem que pensar isso como a dicotomia e a dinâmica que ele pensa na sociedade entre a carnavalização de um jeito de um lado e como contramovimento a ideia de canibalização Então são duas
Estratégias que dentro desse arcabouço teórico seriam de canibalização né Desse formato do de cosm colocação do mundo a Cláudia ela vai falar de um campo muito interessante que é o o entrecruzamento da crise ambiental com a crise sanitária é um overlap de crise né Cláudia E isso tem um apelo muito importante no País da gente diante de endemicidade que se reativam em momentos epidêmicos em Picos epidêmicos né então você tem lá um tipo de doença que é Latente ela tá ali e ela tem alguns momentos que ela sai da curva típica dela E aí ela
ganha visibilidade Então ela se torna uma um um acontecimento com hiperreal até se a gente quisesse né jogar com os conceitos do godril e finalmente o Anderson ele vai trazer uma tragédia extremamente recente pra gente né que ainda tá muito angustiante para todo mundo quando a gente pensa as enchentes do Rio Grande do Sul e ele acrescenta a ideia do debate sobre fake News né que quando a gente lembra desse ecossistema de pensamento do B lá a gente com certeza vai ter que acionar o ponto do simulacro né Aquilo é uma construção sistemática de simulacro
E para finalizar eu queria Recordar aqui um trecho de um livro super bacana do do aon crenac que é ideias para dear o fim do mundo que tem tudo a ver né com o que a gente tá falando aqui ele diz o seguinte uma certa altura que a nossa humanidade não reconhece que aquele rio Que tá em coma ele é também o nosso avô Então esse não reconhecimento essa recusa de legitimidade tem a ver com o apagamento do passado também né Isso é uma chave interessante pra gente pensar enfim Esses são os meus pensamentos iniciais
eu queria convidar primeiro nossa querida anfitriã Inesita né para fazer os comentários iniciais também e a gente fazer gerar a roda desse debate aqui obrigada Ah tudo Tá tudo ligado não V vou vou realmente eh só comentar duas coisas assim são muitas muita coisa interessante eh muito interessante essa essa trazer de volta o bodar né que houve um tempo realmente que ele era eh Top né assim queridinho das das discussões e depois a pensar também nesse nesse processo de apagamento das referências que vai que vão acontecendo Aos poucos né que a gente que quem vem
de um certo tempo atrás vê como referências que que a gente vê que estão muito atuar mas que vão sendo aos poucos esmaecidas e não se fala mais né ela não se sabe mais né quem vem depois não sabe mais quem são essas pessoas né eh pensar nisso nesse processo de apagamento do passado de apagamento né de em função de uma hipervalorização eh do presente tem uma alguma coisa interessante aí mas o que eu queria eh Comentar assim a a o o esse esse lugar o não pertencimento olha Quantas coisas que a gente fala o
não acontecimento o Não ele está ligado ao não pertencimento ao não ligar ao não lugar ao não ao a zona do não ser né eh e e como eh a jadila começa falando eh que historicamente eh eh a Amazônia era um não lugar e ela é é ela é no lugar ela deixa de ser um um não lugar quando se Começa essa crise eh ambiental começa a ficar muito forte aí ela aparece como um lugar mas que lugar é esse é qual Amazônia que Amazônia é essa que que vira um lugar porque existe para cada
fragmento de Amazônia que está enfocada por olhar de fora como um lugar a ser com uma preocupação no mundo quantas vidas e quantos a eh eh espaços ali são hoje não lugares porque essa vida invisível ali que movimenta que foi sempre ocupou desde sempre está ali na Na Amazônia a a invisibilidade quanto mais porque é interessante quanto mais luz se joga num aspecto que interessa para mediaticamente mais sombra se lança sobre esse aos que não sobre os que não interessam né é a mesma coisa com eh com qualquer um desses temas que vai se fazer
assim porque quando quando Sandra pergunta pergunta por que é que a marcha das mulheres por exemplo não não recebe qualquer atenção mediática que é uma uma movimento importante as mulheres No semiário São pessoas muito importantes na na capacidade de resistência a a de convivência com a seca e tudo por que por que não e no entanto um grande holofote se instala sobre os parqu eólicos o futuro do Brasil como energia eólica pela energia eólica ignorando-se completamente aquilo que está produzindo está sendo produzido como quando houve eh a mesma coisa com a revolução verde ou com
qualquer outra forma de de Novidade que se trouxe que Salv salva que iriam salvar o mundo e que Tod todo o resto que ela encobria ficou na sombra e aí eu vou só fazer um último comentário eh aqui por enquanto Justamente a a ideia de não acontecimento do do bodria e o princípio eh eu olho acho bem interessante mas ele tá falando o 11 de setembro é o não acontecimento porque o que estava eh acontecendo de o grande acontecimento Realmente era a guerra que o estas Unidos estava movendo no oriente médio e que ele queria
que houvesse alguma coisa que deixasse ali que se desviasse a atenção então é muito interessante porque queria que o acontecimento fosse o outro não acontecimento mas para que aquilo Ficasse na sombra e não fosse visto né mas não é assim hoje o não acontecimento que que nós estamos falando aqui há uma intenção de Silenciamento H uma intenção de silenciamento não de produzir um outro um outro acontecimento forte uma de silenciamento há uma intenção de silenciar sobre a marcha das mulheres há uma intenção de silenciar acredito sobre a a a vida o que está acontecendo o
par as as vidas todas particulares que acontecem na Amazônia há uma intenção de silenciar sobre a possibilidade de um corredor eh eh Ecológico a intenção de de silenciar a voz da dos da dos Refugiados porque que é aquilo que ninguém sabe o que vai fazer com isso e e e então a intenção Clara de silenciar há há uma intencionalidade de deixar na sombra que isso para mim parece que vai marcando muito a as as experiências que estão eh sendo apresentadas faladas aqui né então tem uma uma coisa assim interessante de ver né nos tempos atuais
e e pensando um pouco na na ideia de podar de que é o acontecimento que é Produzido para ocultar o outro a no reverso produz o acontecimento aqui é exacerbado quanto mais luz se joga aqui mais sombra se faz aqui e a pergunta é se isso é inevitável eh ou que ou o que que se pode fazer ou se há alguma coisa que pode fazer só comentar a suposição das crises né porque além da ambiental sanitária tem uma crise de Anunciação uma de autoridade de de autoridade um diversas outras crises aqui que vão afetando nossos
espaço de legitimidade Né de de legitimidade tudo que vão na na nesse caso os corredores ecológicos vão assim culando ali e produzindo realmente uma situação bastante curiosa para não dizer ao menos Adriana tô pensando em tudo aqui e me veio à cabeça que isso tudo também tem a ver com a crise de legitimidade do próprio jornalismo eh hoje não é mais prerrogativa dos Jornalistas e do jornalismo criar o Acontecimento eh na medida em que os acontecimentos eles emergem eh de muitos outros pontos da sociedade incluindo-se as empresas Eh vamos dizer assim a indústria de fake
News que o Anderson tanto se referiu no final eh da apresentação dele então acredito eu que há uma disputa de narrativas em curso e o próprio jornalismo está perdendo Campo por não entender que essa gramática da construção do fato está Mudando Então hoje por exemplo se você abrir qualquer rede social eh Muito provavelmente o que você vai ver não é o que eu vejo porque tem uma narrativa de venda introjetada dentro de uma narrativa de acontecimento então a mim parece olhando o Instagram no dia de hoje eh 13 de novembro de 2024 que a discussão
do dia é a jornada de se por um mas isso é o que aparece para mim não é o que aparece para um idoso vendo o Facebook que está na casa vizinha minha Provavelmente porque os algoritmos são Mecan eh do mercado que estão de uma certa forma interferindo no que se vê o que se deixa de ver quando tínhamos a grande mídia comandando o espetáculo vamos dizer assim naquela narrativa antiga do um para vários eh você tinha um certo controle da narrativa midiática Mas hoje ela é algo que que é que está em disputa o
tempo inteiro Então eu fico por um lado confuso eh do que está tá realmente acontecendo mas por outro isso Me aponta uma certa Esperança Quando eu escuto o Eduard Luiz voltando aqui ao autor francês que eu eh me referi que tanto Tô impressionado coloca que a a violência que o que ele narra da sua na da sua trajetória pessoal era uma corrente elétrica que percorria todos e ele veio o pai que batia nele por homofobia era tão vítima da violência quanto ele isso me parece muito revolucionário porque me parece que é uma Subversão do olhar
para eh a construção do Poder não sei se eu posso estar sendo muito eh otimista mas eu acho que talvez seja essa chave eh que a gente pode eh testar para ver se abre algumas portas de entendimento pelo menos do que a gente vem construindo nesse momento eu tenho ficado muito assustado com as narrativas que eu estou assistindo sobre inteligência artificial por exemplo eh algumas delas são muito catastróficas outras são muito otimistas eu ainda não Encontrei uma narrativa que me desse uma real dimensão do que aquilo representa neste momento para a vida humana Então realmente
a gente tá num ponto de interseção entre muitas realidades entre muitas temporalidades que eu acho que estamos em disputa não sei se vocês concordam comigo Adriano traz um dado interessantíssimo né se a gente pensar esse micromundo microcosmos que cada algoritmo vai lançar para cada perfil de Usuário né Eh a gente tá falando de vários simulacros operando simultaneamente né se a gente pensar nesse paradigma do bodr Lar temos inscrições da Cláudia do Anderson tá E queria fazer só um comentário Inesita traz um ponto lindo sobre a questão da intencionalidade do apagamento né isso lembra pra gente
que o silêncio ele não é o silêncio o apagamento o rótulo que a gente quiser dar né para esse ato para esse Conceito ele não é da Ordem do resíduo ele não é aquilo que sobra depois que algo foi dito ele é construído ativamente né Então esse é o modo de operação que gera todas as desigualdades é o modo de operação simbólico e narrativo Cláudia Vamos lá eh vamos não eu eu tô aqui pensando no que Adriano falou eh eu tenho uma crítica bem contundente contra eh a essa ideia de que a mídia jornalística perdeu
o monopólio da notícia eu acho que ela Se rearranjo nesse ecossistema da chamada autocomunicação de massa que o castelos fala com muita propriedade mas ela tem se utilizado pelo menos a mídia paulista que tem assim uma vocação PR canalice mesmo eh ela tem se eh ela tem se utilizado desses discursos para aí sim construir um simulacro de neutralidade ou de debate de ideias Quando você pega um texto de um cidadão que tá envolvido até o pescoço com a tentativa de golpe e bota ele para falar de democracia eh me parece que a folha de São
Paulo está muito confortavelmente dialogando com este segmento com esse nicho de mercado que é a Extrema direita então assim eu eu não acho que eles perderam o monopólio da Lícia eu acho que eles re arranjaram se reorganizaram em torno de um núcleo duro que continua produzindo Sentidos na esfera pública com muita eficiência Basta ver a campanha muito dissimulada a favor do nosso queridíssimo Ricardo Nunes né travestido de de matérias informes publicitários da prefeitura não acho que mudou nada quanto a isso Adriano o que eu acho mesmo é que se a gente não entender esses aparatos
sociotécnicos como instituidores de realidades E aí a gente ficar tentando encontrar um Uma uma boia de salvação a gente tá muito lascada porque isso veio para ficar seja a inteligência artificial Seja lá o o nome que tem Essas tecnologias daqui paraa frente elas vieram para ficar os adolescentes hoje estão com um problema muito sério de eh de processamento de informação porque Eles assistem séries eu não tô falando nem de leitura de texto na velocidade máxima então eles estão perdendo a capacidade de de de Compreensão de deixa simbólicas porque como eles ouvem aceleradamente eles não não
percebem as deixas simbólicas que é um que é um um um ingrediente fundamental na análise do discurso por exemplo eh eu só acho isso Eu só acho que não perder o monopólio não só se reciclou e polêmica Anderson Nossa vocês trouxeram vários pontos aí eh que eu acho que vale realmente eh eu fico acho com um ponto Que que eu acho que nesita traz eu acho que é a questão da intencionalidade Eu só acho que o uma questão que eu acho que que eu abordei ali eu acho que talvez a a diferença porque eu acho
que a questão da intencionalidade de do direcionamento dos eh que eu chamei el de pseudo eventos né que não deixam de ser também não acontecimentos né eh eles estão sempre concorrendo acho no no aspecto então sempre vai ter essas eh o a a parte cultural né o mercado né da da Da né diversas ações que vão acontecer paralelamente os shows as as atrações os interesses né do da dos veículos Então vão ter várias situações que vão estar concorrendo mas eu acho que o que que é esse mote digamos assim da intencionalidade de ações que vão
realmente capturar narrativa não é só uma questão de concorrer porque eu acho que que eh o na questão pensando o noticiário tradicional ele é composto por essa mescla né da da tragédia da Cultura de alguma coisa né que é a matéria mais eh fofinha digamos assim vai vai ter esse esse esse cardápio vai ter vai estar composto por essas diferentes ações né Eu acho o grande problema que aparece aqui na na nossa discussão são essas essas capturas e que tiram essa ação né né e eu acho que realmente de entender eh o a as tensões
que existem digamos entre o papel da mídia que muitas vezes captura essa ação e o quanto também a a rede social eu Acho que a gente ainda tá tentando ainda enxergar né o como que isso acontece né pegando o exemplo do de de como foi a a as enchentes aqui tinha uma concorrência grande do que tava acontecendo digamos assim nas redes sociais e o que a a a mídia tradicional tava tentando trazer né e o que o público também tava querendo ver né então Eh naquele momento né Eu também fico analisando eh como foi a
cobertura nacional dos grandes veículos pegando Televisão especialmente do quanto digamos assim pensando como é que era paraa audiência do público que não era do Rio Grande do Sul acompanhar esses outros assuntos que não eram sabe de ter esse respiro de outros assuntos também né então acho que o do do eu acho que a Talvez o resgate seja o resgate da Cidadania né E aí sim a gente consegue trazer de volta o os acontecimentos que são realmente relevantes né e não aquilo que é capturado né com uma outra Intenção né Por uma outro uma outra finalidade
Obrigada Anderson pela minha fila aqui é a Sandra eu eu f eu eu levantei a minha mão não apareceu Já duas vezes mas Inesita mas eu acho que a Inesita é eu então temos aqui Inesita gad e Sandra correto é pode ser visita Sandra Gadelha bom eh rapidinho que eu queria pegar essa coisa do silêncio a in Orlândia ela voltar ao que você falou Raquel a in Orlândia ela estabelece a diferença Entre silêncio e silenciamento eu acho que nos casos que a gente tá aqui a gente tá tratando dessas duas formas quando Adriano fala as
invisibilidades fora do roteiro fora do roteiro do da mediático do jornalista o roteiro não previsto o roteiro não previu porque eh eh incluir aquelas pessoas e elas estão fora do do roteiro previsto então elas Jamais vão ser contempladas a voz delas mas eh as lógicas vão levar a contemplar no caso Dos Migrantes você fala são os os fragmentos né de deles da vida do corpo mas não não há o que eles pensam eh a respeito daquilo eh isso é Por que que não tá incluído a pergunta para mim é assim por que que não isso
aí é silêncio não é silenciamento no sentido me parece que não é não tá se falando no silenciamento intencional Ah eu não vou dar voz aos refugiados porque el não são pessoas que vale a pena falar mas existe toda uma Lógica construída todo um processo pensado de como é que inclui este ou aquilo que já está pronto e funciona naturalizado funciona para se criar um roteiro de uma reportagem Mas por que que esse E por que que não Tá previsto né porque na maioria das vezes aqui pelo menos em em três casos que nós estamos
falando aqui nós estamos falando de pessoas que são localizadas na na na zona que gadelia trouxe a fou a zona do não ser São pessoas que a vida não deles Não interessam eh estão estão diria voltando a a fala de Adriano do trágico destino do não acontecer Houve um tempo que se criou há muito tempo atrás se criou expressão nordestinados e houve uma grande movimento para impedir que isso que esse termo que esse termo se desenvolvesse porque ele era muito ruim porque estabelecia como um destino você ser um nordestin O Nordestino que sofria todas essas
dificuldades a coisa que era Naturalizada era assim deveria ser assim o nordestinado não não tem direito nenhum a tentar escapulir sair daquilo ou de mudar essa situação ou de reverter ou de valorizar aquilo que tem de bom eh no no nordeste né então Eh se define que é um é um trágico destino do não do não acontecer trágico destino que você vai ser mesmo vai vai pro cemitério do mediterrânea o é cinema naturaliza se o o barco que que AF folga com todos aqueles que estão escapando da fome da Guerra naturaliza se né o mediterrâneo
é um cemitério hoje né de de de refugiados mas naturaliza se isso e o roteiro jornalístico não inclui o direito disso são apenas objetos de de uma notícia mas não são pessoas e não são pessoas que têm direito também eh e tem o que dizer não é só direito de dizer e ten o que dizer e principalmente tem muitas vezes tem até de entrar no debate pela solução disso então tem a uma diferença sim do o silenciamento e eu pergunto alguns casos Tem tem um silenciamento no caso do Corredor agroecológico tem claramente um silenciamento sobre
isso né Tem um silenciamento eh porque no caso da Marcha das mulheres tem é claro silenciamento sobre isso porque tem interesses muito interesses no contraponto dessa marcha no contraponto do Corredor econmico tem muitos interesses econômicos sobretudo Então existe um processo ativo de silenciamento né E existe o processo de Silêncio que é construído vai sendo construído e naturalizado e ninguém problematiza que eu acho que hoje esses movimentos todos eh que surgiram vindo ários ou não mas vendo estão começando a problematizar essa a naturalização dessa desse dessa desse lugar da zona do não ser ou do não
lugar onde essas pessoas vivem Nordeste Amazônia né Senegal não sei o que foi então é isso era só esse esse comentário que eu tava querendo continuar um pouco a história Do silenciamento Mas vamos lá eh Sandra né Uhum agora eu eu gostaria acho que tem agradecer a Raquel a Inesita também por ter conectado né articulado tantos pontos e tantas percepções também das nossas falas e reflexões eu acho que tem uma coisa muito interessante no que Adriano pontuou porque há uma uma mudança muito radical do ponto de vista do hábitos no jornalismo enquanto construção de uma
Narração sobre a realidade social sobre a construção social da realidade eu acho que as mudanças também sociotécnicas né Elas eh de certo modo do da maneira que a gente tem percebido hoje eh tem gerado um desmonte muito grande eh isso é muito Claro eh no cotidiano da formação e também do mercado né o próprio mercado de trabalho foi se redefinindo embora também Concorde com Cláudia eh de que eh esse lugar eh da informação do ponto de vista de uma perspectiva Empresarial Né ele se mantém né dentro de uma lógica dentro de uma ideologia né dentro
de dentro de uma ideologia Mas tento pens também ainda esse sentido eh do valor democrático do interesse público que se constrói no etos eh da da comunicação e das formas de construção também da opinião pública né quando a gente falava eu lembrava muito do texto do lipman ainda né das imagens em nossa mente n da construção das imagens na nossa mente daquilo que na na Na Gênesis né do debate sobre a construção da opinião pública e hoje eh refletindo e e agindo né a gente tá na na praxe sobre essas questões eh a gente percebe
um processo que eu acho que é muito feliz o beong churan no livro da crise da narração em que ele pontua né Eh aí ele vai trabalhar eh com uma percepção muito sensível né Eh de perceber que todo esse avanço tecnológico também criou um processo eh de Desarrapado né Eu acho que talvez porque venhamos de uma relação de muita consciência eh de um saber ancestral no modo de de ser estar no mundo eh as mulheres de forma organizada elas também vão representar é uma comunidade narrativa importante porque a a a construção de uma presença na
realidade faz com que haja um sentido de conexão não conexão informacional né no sentido técnico da Coisa ou de como até a palavra se vulg vulgarizou Mas também de que essa construção dessa narração ela se dá a partir do vínculo que as mulheres têm com esse território e com as pessoas e com o compromisso da Marcha das mulheres né Eh a marcha é um ritual né uma expressão que coloca na opinião pública o embate Mas a vida cotidiana de muitas mulheres dentro das associações é esse lugar da escuta é esse lugar de saber o que
é que tá acontecendo é esse lugar Lugar de reunir histórias né é esse lugar eu lembro muito né nessita do diagnóstico né é esse lugar da percepção eh profunda né da realidade de vida das pessoas e conseguir construir a partir desse compromisso cotidiano né de escuta eh um enfrentamento eh político a partir de uma perspectiva de uma narração eh muito importante né Eh que promove uma ruptura eh com o não acontecimento na verdade né e consegue ir Eh também construindo uma um uma uma comunicação muito própria né da mulher das mulheres também enquanto esse sujeito
eh de representação eh política no debate sobre a justiça climática sobre o clima inclusive tanto de uma perspectiva do que acontece localmente mas dentro de uma dimensão macropolítica porque essas empresas representam uma forma uma permanência de um projeto Colonial na verdade né é a presença do projeto Colonial né e colocar também Frente a agenda pública e a agenda internacional eh O que representa né uma falsa solução né O que mascara na verdade eh as questões eh muito significativos do ponto de vista da Autonomia né dos territórios e também da própria questão eh da da do
do do meio ambiente né porque um sistema que eh prejudica a produção de alimentos ele compromete a segurança alimentar um sistema que na base de sua realização provoca com o adoecimento das pessoas Dentro dos territórios né ele cria uma desestrutura eh muito grande um sistema que promove uma concentração de terra né que faz com que se reconfigure as relações de de de pertencimento e as relações de trabalho é um um sistema eh que é desumano né que é desumanizador então eu acho eu vejo como eh um muita potência né Eu acho que vejo também como
o gade traz imagina que coisa profunda esse sentido de na arte na arte educação esse lugar da Consciência e da ressignificação né então assim é de uma força também eh Então acho que tudo que a gente traz também aqui eh mostra muito essa força eh de um campo de significação que que transforma né vai influindo dentro da realidade eh eh também então agradeço assim Acho que tem sido uma oportunidade muito importante Eh esses esses esses Entrelaçados né das nossas falas das nossas perspectivas eh das nossas histórias assim dentro do contexto eh Desse trabalho aqui dentro
dessa mesa aqui no no pentálogo gente eu importa muito pouco o ob né de cada um quando a gente começa a discutir na rodada né a gente consegue chegar a camadas que são muito convergentes gad Oi tão me ouvindo te ouvimos bem tá Eu queria fazer um comentário em dois sentidos aqui assim ouvindo tudo que vocês estão falando é maravilhoso né e seguindo em duas direções quando Inesita comenta da questão das crises né E o Adriano também citou a crise eh eh né Adriano citou em algum momento a crise da narrativa jornalística né Adriano n
e as outras crises que a gente presenciou aqui eu não consigo fazer um exercício de de de olhar para tudo isso e e não observar a importância agora que cai o conceito da zona do não ser e do ser do fanom né eu ousaria dizer até que nessa perspectiva Essa zona do não ser né da da qual para não fala ela é muito importante pra gente conseguir olhar Para o não acontecimento na perspectiva de que esse não acontecimento ele existe né a partir do nosso lugar de enunciação e do nosso lugar de fala a gente
consegue perceber o não acontecimento e atribuir a ele um sentido e um significado mas a gente sabe que da mesma forma que tal tal assim como para a zona do não ser estal o não acontecimento Eu Acredito que para o a zona do ser que aí é como o fão Fala O Colono existe o Acontecimento e a gente consegue imaginar que esse acontecimento ele tá aí correspondendo a um cânone jornalístico né e e e e nessa nessa crise que o Adriano comentou né Eh eh a crise né do do nosso papel do do jornalista a
gente vivencia isso muito na prática e estando na assessoria de imprensa a gente consegue perceber as fragilidades em diferentes meios tanto quando a gente observa quando as demandas dos veículos de comunicação Chega chegam pra gente quanto a gente também observando o que a a mídia jornalística eh no no seu cotidiano ela enuncia mas o que eu queria dizer é que se a gente não eu penso da seguinte forma se a gente não tensionar eh essa esse espaço do do ambiente eh hegemônico ou do espaço hegemônico que legitime que é por natureza eh eh legitimador também
de narrativas a gente não vai conseguir sair eh desse desse ambiente de fragilidade e De crise se a gente não considerar a necessidade de observar e de olhar também para esse esse esse a maneira com que a gente atua a maneira com que a gente age enquanto esse esse profissional esse jornalista né Por que que hoje se tem uma imagem né Eh de Amazônia que não é muito diferente de Amazônia de de há anos atrás da época em que houve a invasão e a distribuição de terras aqui por quê a própria mídia né E aí
entra esse esse esse o papel desse Jornalista que não tensiona o seu lugar de enunciação ou que minimamente não busca refletir sobre ele para produzir essas narrativas sobre a Amazônia né do do lugar romântico do lugar atrasado do exótico quando que na verdade a gente vive outras realidades né Essa as realidades Tais quais essa mídia nessa configuração é desse acontecimento ela divulga ela noticia são realidades que vão eh eh eh no contraponto daquilo que a gente vê Aqui estando e vivendo na Amazônia como alguns desses exemplos que eu trouxe aqui a questão do desenho das
crianças na escola eh é assim é eh é muito profundo porque a gente consegue perceber a criança que que tem uma ideia de praia Muito provavelmente ela viu na televisão uma ideia de praia mas que a praia para ela é o barranco é o barranco E aí ali ela se diverte no meio dessa crise desse caos todo né E por que que a gente não não consegue perceber Ou pelo Menos a gente não visualiza espaços atribuindo importância a esses acontecimentos agora a gente tratando como acontecimentos nesse amplo espaço né dos discursos hegemônicos né aí entra
Eu imagino também fazendo esse exercício a questão da crise é que Adriano comentou do papel do jornalista o lugar de Anunciação ele é moldura ele é responsável também eh por fazer né por fazer Acontecimentos por invisibilizar acontecimentos então é esse lugar de enunciação que eu queria trazer também nesse contexto e pensando na Perspectiva desses dois conceitos que para mim eles eles eles eh me ajudam muito bem na compreensão desse acontecimento do não acontecimento que é a zona do ser e a zona do não ser do fanom E aí só para fechar Raquel eu traria aqui
dois exemplos também assim mais do do cotidiano né do nosso Linguajar do do linguageiro e o beradeiro é uma expressão que a gente ouve muito não sei se vocês já ouviram quem nos acompanha vai ouvir falar Em algum momento mas o beradeiro há muito tempo ele veio carregado desse sentido eh Marginal o beradeiro é o que mora na beira do rio né nos Barrancos Povoa habita aos Barrancos mas é esse sujeito grosseiro sem cultura sem educação preguiçoso muitas vezes carregado com Esse estereótipo de preguiçoso E então se levanta o movimento trazendo o beiradeiro no sentido
de que o beiradeiro é esse sujeito amazôn tem toda a sua simplicidade mas que ele levanta com orgulho essa palavra e esse termo para dizer e bate no peito eu sou beradeiro então o beradeiro é um movimento hoje nesses espaços ribeirinhos e mais um não acontecimento que a gente consegue imaginar como um acontecimento é no contraponto aí do que Esses espaços legitimados eh na na na na nos próprios cursos de jornalismo na na própria enfim formação os jornalistas a gente vê muitas fragilidades nesse sentido eram esses os meus comentários o beiradeiro como uma identidade né
que é justamente canibalizar para para positivar né pega no avesso gente já estamos nos aproximando pro nosso final Então vamos ver o que a gente ainda tem de Comentários finais queria agradecer Sandra Por levantar a bola da opinião pública né que aí me dá oportunidade de citar mais uma obra do bodr que a gente esquece que é dele né que é a sombra das maiorias silenciosas né uma grande contribuição do pensamento do bodr Lar também né e resgatar aqui né já nessa rodada final vai ser já a minha última fala e pedir as últimas falas
de todo mundo pra gente se encaminhar pro fim a inesia tá falando da naturalização né a Naturalização daquilo que é eh considerado ou não como acontecimento ou intitulado como como designado né pro canto dos não acontecimentos tudo isso é de um grau de violência né e a naturalização de tudo isso é o que justamente faz o apagamento dessa violência e é a naturalização desse processo todo né que a gente tá falando que é a chave da manutenção das desigualdades né não num uma camada mais subterrânea do que a gente tá discutindo Né a gente trouxe
aqui o não ser do fanom a gente trouxe uma série de articulações sobre várias linhas de pensamento e a gente tá no fundo falando de formas de perpetuação de desigualdade e principalmente formas de acomodação social da perpetuação dessa desigualdade e a naturalização do que é considerado acontecimento ou não acontecimento tem a ver com isso queria levantar nossa rodada final pra gente poder encaminhar para Inesita já pra gente ir concluindo Adriano por favor então Cláudia eh eu concordo contigo eh eu não acho não sou ingênuo de achar que as empresas perderam a força Eu só acho
que elas não são mais unânimes eh no sentido de eu não não acredito no monopólio mais eu acho que isso tá sendo furado de uma certa maneira eh por outras empresas Eu acho que isso melhorou Nem entende eh mas essa é uma questão mais para outra discussão de todo modo eh eu fico pensando aqui são 30 e TR anos que eu estou dentro de uma redação jornalística o modo de produzir jornalismo mudou muito a gente tem muitas muitas outras referências e ao mesmo tempo tem uma precarização do trabalho eh absurda coisa que eu me sinto
muito blindado por estar dentro da fio cluis Então o meu olhar eh além de tá blindado ele tá especializado porque eu sou mais maduro e também estudei mais sobre isso então eu penso que a chave Talvez seja essa seja eh democratizar a gramática do acontecimento a gente sabe produzir um acontecimento eh Talvez seja seja a nossa função eh e aí eu não sei se eu se eu pareço messiânico se eu pareço vocacional se eu pareço doutrinário nesse sentido mas eu considero minha profissão vocação e a escolha que eu fiz ela é muito nessa linha que
eu sigo eh eu me sinto meio que na obrigação mesmo de de tentar Trazer comigo à luz determinados eh Temas vulnerabilizados eh eu sempre estarei do lado dos vulneráveis então eu sempre vou olhar de qual maneira e por onde estão falando essa semana eu vi um documentário num desses stream eh chamado que mostra exatamente a crise o auge da crise do Mediterrâneo quando atravessaram eh migrantes dentro de um barco que morreram 500 80 pessoas e me impressionou porque a narrativa é construída pela voz de três refugiados e muita coisa eles gravaram no celular então é
muito contundente a é muito pesado é mais pesado do que qualquer filme de terror que eu tenha visto na minha vida e a aquilo como o Lui fala tá aconteceu ontem foram até foi há 10 anos mas é ontem e essa naturalização me parece Raquel concordo plenamente com você que é o que mais teremos que enfrentar a Partir de agora porque cada dia mais há de se reforçar Esse silêncio como coloca Inesita essa naturalização do silêncio a gente não pode ser cúmplice disso eh eu acho que com isso eu encerro a minha participação agradeço sendo
a contribuição de cada um de vocês que é sempre muito bom é sempre muito areja muito as ideias da gente que tá o tempo o tempo inteiro pensando a relação entre comunicação e desigualdade e já agradeço a atenção de quem tá nos assistindo e um Grande abraço Obrigada Adriano vou convidar Cláudia Isso falas finais de cada um poder já ir afunilando pro final eh então gente eu eu sempre fico muito feliz e exist quando ch me chama para alguma coisa em em geral aceito porque é coisa de alto nível mesmo é um uma uma maneira
de estar na academia muito especial muito afetiva e isso é bacana demais eh eu eu não sou tão otimista assim não Aliás eu sou bem pessimista eu acho que a gente tá enredado pela Nova pela atual fase do capitalismo o capitalismo digital Essas são as mercadorias que a gente tem hoje inclusive em termos de afeto a a eu acho que o que a gente faz é lutar e resistir para não enlouquecer né porque porque senão não sobra nada eh mas eu eu sou muito pessimista quanto à crise da autoridade epistêmica que que tá sustentando Esse
regime de pós-verdades e e de pós-verdade todos os Fenômenos que se penduram nesse guarda-chuva eu sou muito pessimista em relação à nossa capacidade eh de construir lutas e de fazer resistências talvez porque eu seja funcionário de um governo declaradamente né sou funcionária pública de um governo declaradamente Ultra ne Liberal que é um termo que eu tenho preferido usar no lugar de neoliberal eh e acho que a gente tem feito um esforço danado e conseguido muito pouco Eu não consigo ver escapatória Mas eu também acho que a crise agudiza para depois a gente ter alguma esperança
como como a parte frágil do capitalismo né alguma coisa parecida com social as sociais democracia e e volta nessa tragédia que se repete sempre no caso brasileiro sempre como Tragédia mesmo na história eh mas é bom é bom demais estar com vocês Espero que tenha conseguido contribuir com alguma coisa e espero mais que isso que a gente consiga juntos E afetivamente passar pelo Deserto né gente aqui em São Paulo eu disse assim pro meu povo gente vamos nos recolher e ficar entre os nossos entre os pares entre os convertidos a gente precisa desse tempo para
curar feridas sucessivas aqui em São Paulo e eu acho que ess é um espaço de afeto maravilhoso obrigada enita pelo pela lembrança obrigada a vocês pelos ensinamentos Foi muito massa Obrigada Anderson por favor então uma satisfação debate para fazer parte desse debate e ouvi-los também e acho que uma troca muito rica e eu acho que o O Incrível de perceber que com temas com objetos completamente diferentes né a gente o nosso desafio né de como falar de coisas tão diferentes né mas ao mesmo tempo a gente conseguiu achar né e e Agradeço também a Raquel
por essa condução também fazer esse fil com o Vriar que eu acho que foi muito interessante né de de fazer essa costura foi muito boa e a o convite da Inesita Para nos trazer essas reflexões eh eu acho que um ponto acho que para puxar esse esse debate do Adriano e da Cláudia sobre eh qual a perspectiva que a gente pode ter eh eu acho que a gente vai ter que reconfigurar e reconfigurar o nosso olhar sobre como as respostas vão ser dadas né talvez eu acho que a Desesperança da Cláudia Talvez esteja eh quando
a gente olha e às vezes eu também olho pelo lado da desesperança de ver digamos assim esse maquinário and nesse sentido né porque realmente a máquina tá toda voltada para isso e ele se Rep poderar primeiro do dos meios digitais e para pras coisas acontecerem né mas eu acho que por outro lado também eu acho que tem uma força da articulação do do senso de comunidade e pegando o exemplo do que Aconteceu Sul teve o lado digamos desse dessa questão da fake News muito forte mas teve também um outro lado muito forte da articulação das
pessoas e elas conseguiram organizar e trazer pautas inclusive eh assuntos assim de criar um abrigo específico para mães sabe de atender a a atenções ou para para para Famílias com com com crianças autistas com com especificidades muito específicas sabe poder articular e buscar apoio sabe para algumas Necessidades muito e eu acho que isso pode ser sabe a a saída mas mas ao mesmo tempo também isso se perde depois com com andar digamos assim quando volta à normalidade a gente perde as as articulações né mas tem essa Esperança por aí né de haver uma nova forma
de comunidade um novo senso né digamos assim talvez a ferramenta esteja aí né ah basta agora a gente reapropriar ela e reutilizar ela de uma maneira que possa trazer Novos Rumos né Eu acho que Resgatar esse esse senso de humanidade resgatar né o o senso de pertencimento né a partir do das redes né Eu acho que de retomar de novo talvez seja essa a esperança de que isso possa acontecer né já que esse é um novo cenário essa é a nova arena que que acontece né os debates que a comunicação acontece né Anderson Obrigada Sandra
por favor eh abr agora né A que vocês me escutam eh acho que eu eu tenho um sentimento de De agradecimento forte né nessa tecitura a gente foi construindo eh esse diálogo do durante ao longo de algum tempo né dentro de uma questão que nos mobiliza que nos envolve né que atravessa também nossas práticas acho que precisa um tempo para processar essas questões que são muito profundas né que são muito eh densas ao mesmo tempo também de de grande beleza né Eu acho que o que o Anderson vai trazendo né o Gadelha né porque a
gente também de certo modo eh Tá falando paraas pessoas que estão nos ouvindo né e a gente enquanto interlocutores eh de construção de alternativas frente às crises né de de transformação de situações de crise né e de como também eh a palavra né as narrativas a narração eu diria não narrativas não é nesse sentido da narrativa digital mas a narração o diálogo né enquanto vínculo vai construindo também eh Pontes possíveis né para viver né nesse mundo Para também preservar eh contribuir com formas de preservação também eh do planeta né em suas diferentes espécies né a
gente tentar romper também com a hierarquização com né ter uma de ter uma postura especista né Eh então acho que é o sentimento de que o pentálogo eh oportuniza né eh temas tão interessantes né tão Fundos e que eu acho que eu preciso um tempo para processar eh também né Eh muitas questões que que Que surgiram desse desse diálogo e que resultam também no fortalecimento das nossas vidas das nossas práticas e eu acho que Cláudia fala uma coisa muito importante é essa construção com afeto né com esperança né com esse sentimento de reciprocidade eh no
no fazer né no compartilhamento dessas das ideias dos conhecimentos e das experiências que que estão na nossa base que são também um reflexo da nossa história né da nossa caminhada então meu sentimento é de Gratidão né Eh a todos e todas vocês e as pessoas que nos dão esse essa atenção né da escuta eh a Aline também que traz o suporte o cuidado com com esse espaço de registro de memória e a Inesita né pela esse olhar de inovação né E esse olhar de Sabedoria né sobre sobre a nossa área também eu agradeço participar desse
momento também vocês Ah já assumo as palavras da Sandra como do grupo gad por favor Oi é um Sentimento muito grande de gratidão também primeira vez discutindo e aprendendo sobre o não acontecimento e o acontecimento e aqui eh compartilhando com pessoas tão eh experientes né E conhecedoras então para mim é um privilégio muito grande eu espero que a gente tenha contribuído para as pessoas que que estão a nos acompanhar aqui né Eh nessa gravação sobre essa temática e uma eu me identifiquei muito também com a fala do Adriano e assim o quanto que é importante
né a gente tá aqui falando sobre o não acontecimento mas também refletindo sobre a nossa prática e uma coisa que eu eu sempre quando eu tenho oportunidade de dizer eu digo uma coisa que eu nunca me arrependi foi de ter escolhido a profissão de ser jornalista né eu acredito nessa missão nesse papel social e quando eu falo pros meus alunos eh isso tem que brilhar os teus olhos se Isso não brilhar os teus olhos de alguma forma tem alguma coisa errada pensa nisso pensa sobre isso então hoje eu não estou né como um ex-jornalista midiático
eu atuo em assessoria de imprensa mas o jornalismo é uma profissão que eu acredito que a cada dia que eu eu que eu acordo que eu levanto do Travesseiro eu agradeço porque ela me faz significar assim como está com vocês hoje aqui discutindo sobre essas questões me faz ressignificar também a minha prática Profissional então eu acho que esse é um ganho muito grande eu tô aqui nesse tensionamento também na pesquisa de doutorado e isso aqui certamente para mim tem tem tem surtido um efeito muito grande no conhecimento acerca acerca disso coisas que a gente não
pensava ou não olhava para esse assunto do não acontecimento como a partir de agora a gente começa a pensar e a refletir eu acredito que isso a gente Carrega carrega pro nosso dia a dia Então esse é O é é a minha palavra final de agradecimento porque mais uma vez a gente percebe né Eh a relevância desse momento e agradecer a professor Inesita pelo convite por ter acreditado em nós também para estarmos aqui a Raquel por conduzir aí agradecer a todos e a Line também obrigado Então aquiel vou vamos Então vamos encerrar isso gente eh
o o pentálogo era eh É sobre o acontecimento mas o pentálogo é evento Como a gente falou de sempre que vai sempre procurar estudar associação semióticas e a comunicação e nessa Associação né trazer discussões né sobre temas que vão afetar a nossa a nossa vida eh científica acadêmica profissional e pensar o tempo todo então quando eu vi que o tema era acontecimento me ocorreu já propor o não acontecimento porque ficamos dentro de uma esfera da de da semiótica da Produção de sentidos e a esfera comunicacional mas ao mesmo tempo também já estava ali embutido uma
ideia de desnaturalização porque quando você pensa qualquer coisa pelo seu reverso já tá problematizando o verso né então Eh já tinha uma semente disso E aí e começou quando eu fiquei vendo vocês todos falarem né comecei a ver emergiu o primeiro vário posso dizer primeiro eh vários sentidos de no acontecimento não tem um só partiu-se de um mas não teve Um um sentido sobre não acontecimento mas todos remetendo para uma discussão eh próxima uma da outra outra né que tornou mas eh que mostrou que todos tinham fio comum é uma questão comum aqui que foi
Poa de formas diferentes mas aquelas com muita confluência para usar o termo do bispo do Antônio Bispo Rosário bpo Bispo eh uma confluência Eh aí depois também eu vi que tava se esboçando dois mund quer dizer dois eh Dois Mundos de Existência Dois Mundos o mundo do acontecimento e o mundo do do não acontecido do acontecido que teve visibilidade e ali o mundo do não acontecido e uma série de questões e quando é que esse mundo do não acontecido virava acontecido mas fal para um grupo de pessoas e não porque não era divulgado então fiquei
pensando nisso de repente tentando pensar nisso e de repente Adriano Adriano fala democratizar a gramática do Acontecimento e a Sandra tinha acabado de falar da escuta da idade da importância de se pensar da escuta e pensando na prática jornalística se a a e aí me veio assim uma ideia não de fecho Porque a gente já começou a e podemos levar isso à frente esse encontro aqui eh em em artigo em quem sabe o livro mas já para continuar discutindo que só começa aqui né encontrar essa essa possibilidade mas já pensei pensei assim se uma certa
Utopia Se o se o jornalista eh o jornalismo pudesse eh modificar ampliar as suas formas de escuta no sentido da democratização da gramática do acontecimento né Eh talvez não ex não existisse o não acontecimento hum no sentido da invisibilização da desigualdade nesse sentido que foi o original de onde nós partimos talvez não existisse porque se se você democratiza a gramática acontecimento através da escuta você consegue trazer as outras Pessoas outras vozes há há já um jornalismo eh institucional ou particulares que que faz isso a revista R que o Adriano editor ela faz isso é possível
essa escuta ampliada e e a visibilização daquilo que está invisibilizado né mas assim como Utopia para um para um uma escala acontecer isso numa escala maior mas assim eu não quero nem então encerrar isso é só uma abertura é só um primeiro passo que a gente dá para para Conversar esse e depois temas que vão decorrendo eu agradeço muito vocês terem vindo eu sei que hoje em dia é difícil a gente Abrir esses espaços agradeço muito em nome do cizo agora eu tô deixando aqui o meu crashar que que eu compartilho com vocês de membro
do do GT de comunicação da BR para botar o meu cachinho de diretoria junto com a Line que também é da diretoria do cizo e agradecer a a vocês todos terem aceito esse convite pra Gente produzir essa essa esse início de uma bela discussão e Aline é uma querida e tá sempre ajudando a gente eh também eh agradecendo agradec muito esse apoio viu Aline sei que você tá aí ouvindo também aí na retaguarda também Agradecemos muito Raquel eh especialmente que convidei para um lugar diferenciado da crítica pela já porque ela tem no no lugar de
onde ela fala ela tem essa possibilidade o tempo todo tá exercitando essa capacidade de de Síntese de escuta escuta crítica e síntese também então obrigada também querida obrigada para todos vocês e acho que podemos então encerrar n [Música]