Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém. Assim como Nossa Senhora, Nossa Rainha Santíssima, gerou em suas puríssimas entranhas, por fecundação do Espírito Santo, o Verbo eterno feito homem, assim Deus dela se utilizará como instrumento para, no início da vida pública de Nosso Senhor, dar o sinal da passagem da transposição da antiga Aliança da religião veterotestamentária para a Nova e Eterna Aliança, o que aconteceu em Caná.
E não falo isso com regozijo, porque é duro falar essas coisas. O que aconteceu em Caná é de uma tal forma, é como a tal ignorância vista na ausência de catequese que, no mundo novus ordo, rebaixa-se aquilo a apenas uma mera disputa com consectários do Judaísmo, consectários protestantes do Judaísmo, a ponto de não chegar naquilo que deveria se chegar. E é para isso que existiu Caná: em Caná, aquela que gerou o Filho de Deus feito homem, repito, será o instrumento de mediação para que o Filho de Deus comunique a proximidade do fim da antiga Aliança; é só isso que ele está dizendo.
E Deus permite que o mordomo, o maior da casa, não o mordomo, permite que o mordomo diga: “normalmente todo mundo serve o vinho pior depois, não o vinho bom estava chegando”, outro que tinha vin agrado, perdido a sua eficácia, não tinha mais nem cor, nem sabor, nem perfume; era obra morta. Não porque as coisas de Deus sejam imperfeitas, porque em nada o são, mas porque ainda não estava dado o tempo da Graça. Tanto que o próprio São Paulo vai alertar, mais tarde, que a rainha da antiga Aliança, divorciada da Graça, produziria essa raça infernal.
E o vinho novo é a graça de Deus que dará exatamente aquilo que São Paulo, inspirado, dirá: altura, largura, profundidade, peso e dimensão à nossa vida sobre o mundo. Tudo isso com notas e caracteres sobrenaturais divinos, para que nós nos unamos ao nosso Deus feito homem e nos assemelhemos a ele cada vez mais. É tão somente por isso que São Paulo cuida com isso.
Quando ele fala que "tragam os mesmos sentimentos", não diz "tragam mesmo sentimentalismo", porque não há isso em nosso Senhor. Tragam as mesmas realidades interiores que ele trazia em vós mesmos, como imagens opacas, ainda que mais dele, sendo transformadas cada vez mais, até que o perfume, o sabor e a vivacidade da cor estejam operados em nós, do vinho novo da graça de Deus. Quando o próprio São Paulo, por inspiração divina, fala que nós somos o bônus odor Christi, a única imagem que ele tinha na sua mente era a do vinho e, talvez, ainda a da unção do bálsamo, do bálsamo dos zentos.
Meus filhos, quando o sacerdote deitar a gotícula de água dentro do sagrado cálice, está dizendo que Deus assumiu nossa humanidade para salvá-la no mais profundo e faz-nos à sua imagem e semelhança mais perfeita, transformados por ele. Não é uma máscara, não é uma capa, não é; mas é uma vida nova, transformada, afetada no mais íntimo realmente. E não é à toa que o Evangelho não deixa dúvidas de que esse foi o primeiro milagre.
Qual é o primeiro milagre de Nosso Senhor? É Caná. O primeiro milagre é dizer: “está terminando a antiga Aliança e vai começar a nova.
” Os dias da velha Aliança estão contados; eu vou operar a Nova Aliança. Preste atenção! E foi por intercessão, por mediação de nossa Rainha Santíssima, meus filhos, para importar as coisas.
O que queremos é apenas a fé católica. O que queremos é apenas os sacramentos católicos. O que queremos é apenas a doutrina católica, a verdade católica.
Não queremos outra coisa, porque é o que vai nos santificar; é o que vai nos guiar para o céu; é o que vai nos ensinar a verdade; é o que vai governar nossas almas na direção cada vez mais sólida do Reinado de Nosso Senhor sobre nós e sobre o mundo. E, então, a vida eterna. Nós não queremos outras coisas, outra coisa que não isso.
Se nós desejássemos outra coisa que não isso, seríamos os mais pérfidos, os mais dignos de reprovação; mas é verdadeiramente o que nós queremos. Vamos pedir a Nossa Senhora que nos alcance a graça de não estarmos correndo atrás, de não sentirmos saudade de vinho velho. Nós sentimos saudade de sacramentos, que não, de doutrina, que não, de uma fé que não.
Eu sei que os meus filhos estão mais do que consolidados, mas também não nos esqueçamos que, por graça divina, o rebanho está crescendo, e muitos ainda são pequeninos e terão tentações, e terão fraquezas, e terão crises sentimentalistas em relação à vida passada. E que somente a graça de Deus é superabundantemente suficiente para sustentá-los em não voltar atrás. Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.
Amém. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo; para sempre seja louvado.