Lembra, no ano novo, que a gente diz, esse ano eu quero que tudo seja diferente, que a minha vida mude, e que se continua fazendo a mesma coisa que fazia no ano passado? O que vai ser diferente? Por que seria?
A grande mudança é a mudança que nós promovemos dentro de nós, de visão de mundo, de resposta às circunstâncias, senão não vai mudar nada, dadas as mesmas causas, as mesmas consequências. Marco Aurélio era um filósofo estoico, ele tem essa frase que eu chamo de teoria da responsabilidade, que ele diz o seguinte, nada acontece ao homem que não seja próprio do homem, portanto nada acontece a Lúcia, por exemplo, que não seja próprio da Lúcia, a cada um de vocês que não seja próprio de vocês. Ou seja, as coisas não vêm por engano, as coisas não erram em endereço, Elas vêm para nós exatamente porque a nossa necessidade de experiência para crescer chamou, invocou essas coisas para a nossa vida.
É como se a gente estivesse vindo ao mundo com um cartão cifrado, das experiências que eu tenho que passar para poder crescer. Eu vim aqui para parar a minha cólera, para parar a minha ansiedade, para me organizar melhor, digamos que eu tenho esses defeitos e quero, nessa vida, chegar a apolir essas arestas, me livrar desses defeitos. Tudo que pode proporcionar experiência que te ajude a se livrar desses defeitos, tende a ser atraído para a tua vida, como se fosse um cartão magnético.
Por quê? Porque a tua necessidade de experiência está chamando. Então nada acontece ao homem que não seja próprio do homem.
Isso aí é muito interessante porque é um pensamento que nos ajuda a banir a ideia do acaso. As coisas acontecem comigo por acaso, por azar. Eu acho essa história de azar um conceito curiosíssimo.
Por que cargas d'água um ser humano teria azar? Por que ele foi premiado em algum concurso cósmico para tudo dar errado para ele? Então o que é azar?
Azar é uma coisa absolutamente sem fundamentação lógica. Não tem sentido nenhuma pessoa ter azar. Ela pode estar tendo uma série de experiências negativas que querem conduzi -la para uma outra direção, que não é aquela que ela está tomando.
Mas não é azar isso. A vida é toda pedagógica, ela quer dizer alguma coisa com isso. Então, às vezes, as pessoas muito céticas, quando a gente fala de uma vida direcionada e com sentido, acreditam em azar.
Eu não acredito em azar. Honestamente, não. Eu acho uma invenção sem lógica nenhuma.
Ninguém tem azar. Tem experiências repetitivas que estão querendo dizer alguma coisa. Quando você toma uma decisão correta, quando você toma uma decisão que te coloca na direção correta, há uma tendência a ver fatos da natureza que vêm como um viés de confirmação.
Da mesma maneira, quando você toma um caminho errado, podem vir fatos que têm um viés de negação. Ou seja, aquilo que a gente chama, às vezes, de coincidência. Muitas coisas batendo para você ir para ali ou não ir para ali.
Ele chama isso de sincronicidade. E vem muito do poder pessoal do próprio homem. Ou seja, ele quer tanto crescer, que quando ele acha o caminho, a natureza toda aponta naquela direção e confirma.
Às vezes, vem uma sequência de coincidências que você diz, não é possível, como pode isso? E você vai olhar e aquilo ali realmente aponta uma direção que você necessariamente deveria tomar se você quer continuar crescendo. É claro que tem que haver cuidado para que você não comece a gerar fantasias.
Inventar coisas e gerar fantasias. Mais uma vez, um antigo clássico tibetano, ele diz o seguinte, que a vida é inteiramente pedagógica. Se você não aceita mais aprender com a vida, é como se você tivesse atado uma bola de aço ao seu tornozelo.
Não dá mais nenhum passo. Ele diz que se você não aceita aprender mais nada, terminou a vida. Porque se não tem capacidade de aprendizado, não tem sentido para a vida.
Então, quando a gente não aceita aprender mais nada, a gente escolheu morrer. A vida só executa. Entra uma pessoa na minha vida que cria um determinado problema, digamos que ela é chata, ela é chata, coitada, porque foi o melhor que ela logrou ser.
Ela não é chata por tua causa, não é uma questão pessoal. Agora, ela entrou na sua vida porque você chamou. Se não fosse ela, seria outra.
Se não fosse essa situação, seria uma outra simbolicamente equivalente. Mas você vai passar por aí por quê? Porque necessita dessa experiência.
E aí nós acabamos com aquela transferência de culpa, assumimos as responsabilidades da vida. Nada acontece comigo que não seja próprio meu. Eu vou passar por todos os lugares que vão bater nos pontos que eu preciso trabalhar, para que eu saiba quais são e para que eu possa começar a trabalhá -los de fato.
Porque a vida tem lógica, vai me dar o que eu preciso para crescer. Então, ao invés de terceirizar culpas, procurar culpados, eu necessitei dessa experiência. E por quê?
Ela veio bater em que ponto? O que ela veio corrigir? Então, a vida toda é dotada de lógica, de sentido.
Quando a gente confia na vida, é uma outra visão. Respeitar o curso dos acontecimentos. Entendendo que nada é casual e tudo caminha para um propósito justo e necessário.
Ou seja, aí é o quê? Confiança na vida. Saber que a vida é cosmos e não caos.
E embora a vida tenha tomado uma direção que não seja agradável para mim, provavelmente é a direção que mais vai me fazer crescer. A natureza não torce para que eu esteja me divertindo, ela torce para que eu cresça. E confiar de que todos os acontecimentos correm de uma maneira a me levar ao ponto de maior crescimento, de maior expansão de consciência.
Isso é respeito pela natureza, pela vida, pelo curso dos acontecimentos. Isso nos dá uma capacidade de suportar a diversidade enorme. O que mais nos faz sofrer é acharmos que estamos no meio do caos e que não existe propósito para as coisas que estamos vivendo.
Quando entendemos que as coisas têm um propósito, é muito mais suave suportar mesmo os momentos desagradáveis. Que entendemos que por trás daquilo há algo positivo, por trás daquilo haverá um crescimento, por trás daquilo abrirá uma nova oportunidade, um novo degrau para mim. Ou seja, o respeito pela vida, que se baseia na confiança na vida, é uma das coisas que mais torna a nossa caminhada suave e mais nos dão segurança.
Nós sabemos que nada acontece por acaso, que as coisas fluem sempre como se a natureza tramasse para o nosso crescimento. Elas fluem na direção de nos dar a maior maturidade, a maior humanidade que é possível. Respeitar a vida.
Não é curioso? Ah, que droga ter acontecido isso! Não!
Não é agradável para mim que tenha acontecido isso, mas com certeza vai me fazer crescer. Percebem quanta exigência o respeito tem? Quanto ele vai lapidando a gente para que sejamos tremendamente requintados, delicados, precisos nas nossas posições.
O respeito conduz à sabedoria. Você entra numa fila, a fila que você entrou não anda. E a do vizinho anda.
A do vizinho do outro lado também anda. Aí você diz, que droga, que azar! Deixa eu mudar de fila, passa para cá.
O que acontece? Essa fila para de andar e a que você estava anda. Aí acontece isso onde?
No supermercado, no banco, no trânsito, em tudo quanto é lugar que você vai. E você reage como? Puxa, como eu sou azarado!
Podia acontecer com você isso, não comigo. Isso é uma visão totalmente aleatória e superficial. Qual a outra possibilidade?
Olhar para isso e perguntar, o que a vida está querendo me dizer com isso? Será que ela está sugerindo que eu sou um pouco ansioso? Será que ela está querendo dizer que o meu senso de alta importância está muito elevado, porque eu acho que todo mundo pode esperar menos eu?
O que ela está querendo me dizer com isso? Aí eu faço uma proposta de resposta. Digamos, eu acho que é a ansiedade.
Vou combater seriamente a ansiedade. Vou tentar corrigir. Aí você percebe que às vezes a gente acerta.
Ela é isso mesmo. E as experiências param de acontecer. Já não fica mais acontecendo aquele mesmo fato continuamente.
Ou seja, a vida te disse, você ouviu, agora passou para uma outra cena. Como uma série escolar. Entendi o que tinha na primeira série, passo para a segunda, passo para a terceira.
Todo o nosso método pedagógico nada mais é do que uma imitação do método pedagógico da natureza. Então, quando nós começamos a nos posicionar diante das mensagens que ela manda e a mudar, nos reposicionar diante da vida, você vai percebendo que as mensagens vão mudando. Isso com o final, passando alguns anos, você vai ter uma curiosidade enorme.
Que te dá a impressão de que tem um interlocutor nos bastidores da vida conversando com você. Mandando, ele manda uma bola, você pega, se reposiciona, ele manda outra. Você tem a impressão de que tem alguém nos bastidores da vida conversando com você.
Da curiosidade de ver o rosto desse interlocutor oculto que está se comunicando com você. Se aprendeu a falar a língua da vida. A língua da vida é símbolo.
E há que realmente nos preparar cada vez mais. Acreditar, dar um voto de confiança para a vida, para a natureza. De que ela seja cosmos e não caos.
De que não exista acaso. E começar a estabelecer esse diálogo. Para você perceber como as coisas vão sincronicamente acontecendo.
E como é inteligente o movimento da vida. Como ela te traz exatamente aquilo que você necessitava. Momentos de crise ou transformação pessoal.
São os que mais geram sincronicidades. Porque a sincronicidade é uma coincidência significativa. Não é aleatória, ela é dotada de um significado.
A própria narrativa que ele faz de um caso de sincronicidade. Uma paciente dele sonhava com um escaravelho. Ser um símbolo egípcio.
Muitas vezes se usa nessa estrutura simbólica de comunicação do homem com o meio. Símbolos universais. Que aquela pessoa reconhece que tem significado para ela.
O que torna muito difícil de verificação científica. Porque não há como saber quando vai acontecer uma sincronicidade. Você pode viver mil crises internas e não haver sincronicidade nenhuma.
Pode haver uma situação que você não prevê que gere uma sincronicidade. Você acreditar que o mundo é cosmos e não caos. Que as coisas não acontecem à toa.
Que todas elas tenham significado. E que a vida quer te levar a um lugar. Que é a plenitude da condição humana.
Valores, virtudes e sabedoria. Quando você aprende a falar a língua da vida, tudo o que ela manifesta como símbolo aponta para esse objetivo. Ou seja, a vida é inteligente, não é caótica.
E é direcionada, tem um propósito. Ela sabe onde ela quer te levar. E os verdadeiros símbolos te ajudam a ir nessa direção.
Entenderam bem isso? Então, premissa. Quem acredita que o mundo é caos, não vai querer saber de símbolos.
Isso não tem nenhum significado, não tem nenhuma possibilidade. Símbolo vai apontar para onde se ninguém quer chegar a lugar nenhum. Então eu uso sempre esse exemplo.
Se você quer construir uma casa, primeiro você contrata um arquiteto. Que vai lá e faz a planta da casa. Aí depois vem o engenheiro, vem o mestre de obras.
Começa a construir olhando para a planta. Sabendo onde ele quer chegar. E por isso é que ele tem chance de construir realmente a sua casa do jeito que você quer.
Se ele não tivesse uma planta, não soubesse o que estava construindo, não ia fazer nada. Ia espalhar material de construção para todo lado e não faria nada. Nós também não temos um objetivo, uma planta do que queremos construir em nós.
Não fazemos nada. Espalhamos energia, vida para tudo quanto é canto, de uma maneira totalmente dispersa. E não fazemos nada.
E a vida, então, ela tem um objetivo e é inteligente. Essas são duas premissas fundamentais para que a gente possa entrar no assunto do símbolo. Que aí, lógico, se eu quero chegar a algum lugar, os símbolos são placas de sinalização que apontam para lá.
Eu sempre costumo pedir para as pessoas imaginarem que tivesse havido um desvio no meio do caminho da vida e o ser humano não tivesse sido criado. As plantas estariam aí, os animais estariam aí, estariam aí os planetas, as estrelas. Tudo seria o que é, independente de o homem estar ou não aqui para observar.
As coisas são o que são. O que o homem pode chegar a perceber ou não, que é a ignorância ou a sabedoria. Mas a opinião humana não conforma a realidade.
Não somos nós que fazemos a vida ser o que é. Existe um Dharma, existe uma lei. Uma lei que nos leva de volta para a unidade, que nos leva todos de volta para os braços do Pai.
E essa lei a gente pode percebê-la ou não. Nós não criamos. Nós somos parte de uma realidade que é maior do que nós.
Esse hábito de achar que somos tão importantes que a nossa opinião cria o mundo à nossa volta, nos coloca predadores, antropocêntricos. Nós somos parte de uma vida que segue o seu rumo. Eu gosto muito de uma passagem que Cao Yung, num documentário que ele fez uma ocasião, uma entrevista para BBC, perguntaram para ele se ele acreditava em Deus e ele disse eu não acredito, eu sei, eu sinto, eu tenho um contato com isso, isso é uma realidade para mim.
Eu acho essa uma experiência que eu busco sempre, manter essa realidade ao meu alcance. Que a gente possa percebê-lo em todas as coisas e cada vez mais percebê-lo dentro de nós. Graças a que eu sou o que sou?
A consciência que tenho, os princípios que eu tenho, o nivelzinho de conhecimento que tenho foi graças a quê? As coisas favoráveis que aconteceram ou as dificuldades? Muito mais as dificuldades, muito mais.
Perceba uma coisa curiosa, quando acontece alguma coisa muito boa, a gente não fica reflexivo, a gente fica eufórico, não para para refletir na vitória, mas quando tem uma deporta, aí a gente fica, o que será que eu errei? Onde foi o problema? E justamente por isso é a hora que a gente cresce mais.
Quando você entende isso, eu paguei X, mas recebi Y e os dois equivalem, eu fecho as contas com o passado. Alguém não foi legal comigo, me tratou mal, aí sem querer eu fico triste, porque eu não esperava ser maltratado, não esperava ter uma reação agressiva de alguém comigo, levar um perdido. Com certeza, mas uma das coisas que mais te chateia quando acontece esse tipo de coisa é porque eu participei de alguma maneira, eu fui ingênuo, eu não parei para pensar, eu confiei numa pessoa que não deveria, eu fui desatento.
Quando você sente que você foi coerente com seus princípios e ainda assim aconteceu alguma coisa, isso é um consolo muito grande, que são coisas que absolutamente não dependem de você. Talvez os históricos diziam aquilo que depende e o que não depende de nós. Então isso te dá uma segurança muito maior, uma tranquilidade muito maior.
Até mesmo um dos fatos mais inquietantes da vida humana, que é a perda doente, querido. O que mais faz o homem sofrer, em geral, é o que eu não fiz por ele, o que eu não disse, o que eu não dei a ele que ele merecia, ou seja, algum tipo de arrependimento, algum tipo de angústia pelo que não foi feito e deveria ter sido feito. Se eu me sinto em paz, eu dei o meu melhor para essa pessoa e fiz tudo o que eu podia fazer dentro do que eu via como o melhor, é mais fácil aceitar até mesmo o fato desses.
Se você fechar os olhos por um instante e escutar o seu coração, quantas palavras não ditas encontrará lá dentro? Quantos pedidos de perdão ficaram pelo caminho? Quantos abraços foram negados pelo orgulho?
Quantos eu te amo se perderam? A vida é um sopro e ainda assim, passamos anos carregando mágoas, ressentimentos, dores silenciosas que nos aprisionam. Mas e se eu lhe dissesse que em apenas sete dias você poderia começar a reparar as arestas, curar feridas?
O desafio 7D não é para qualquer um, ele exige coragem, porque a transformação real nunca acontece na zona de conforto. Mas para aqueles que aceitarem, eu garanto, o impacto será profundo. Você despertará para uma vida mais plena, leve, verdadeira.
A pergunta é, você está pronto para se libertar do peso do passado e dar a si mesmo a chance de viver com mais amor e paz? A decisão está em suas mãos.