Olá, pessoal. Espero que esse vídeo se encontre bem. A temática da aula ser exposta é o valor intrínseco à filosofia antiga, que faz com que ela seja ainda relevante aos nossos estudos, não apenas em nossos vieses acadêmicos, mas ao nosso viver cotidiando, influenciando tanto as nossas relações ordinárias quanto nosso inserir na sociedade.
Ao homem é impossível de se desvincular da filosofia, uma vez que dotado de razão, o seu realizar move-se em última instância pelo imprescidível e inafastável desejo por conhecer. Aristóteles já nos dizia na metafísica: "Todo homem tende por natureza ao saber". E é esse desejo que o filósofo brasileiro Ivan Lins denominava de insoptitável impulso, que mesmo inconsciente, mesmo recôndido no âmago do nosso ser, nos propulciona a verdadeiramente viver e guia-nos conforme a nossa natureza, isto é, conforme o aspecto, a diferença específica que nos distingue de todos os demais seres, a nossa capacidade racional.
Não por outro motivo, o filósofo espanhol Mário Bund já dizia que nenhuma pessoa pensante pode evitar por completo filosofia. Isso se deve em grande medida porque as questões humanas são, em última instância, as investigações e as dúvidas da própria filosofia. Nos dizem Antíser e Reali que há teorias, argumentações e debates filosóficos, pois existem problemas filosóficos.
E é de se reconhecer, esses percalços filosóficos são tão reais quanto a própria vida. dela surgem, a ela permeiam e impedem de dela ser verdadeiramente fruída, quando não encarados diretamente, quando não enfrentados e quissá solucionados. Os problemas filosóficos são assim os problemas da vida, os entraves e os assombros que assolam a todos nós que não renunciam, não renunciamos ao pensamento, compreendendo, por conseguinte ao fim e ao cabo, a existência humana em todo o seu pulsar.
Por isso, viver sem filosofar é algo impensável. cuja tentativa configuraria não apenas um desejo vão de lutar contra a maneira em que se é no mundo, mas como a forma em que se apresenta na realidade das coisas, ou seja, como o homem é por natureza. Mas se a filosofia é algo tão inerente ao homem, por que é necessário defendê-lo?
O problema e, por conseguinte, a razão que nos leva a tratar deste tema é o pensamento errôneo de que a filosofia nada serve, cuidando-se apenas de lações e abstrações desconexas da realidade, dignas tão somente de discursos diletantes e de erudições vazias. É o que nos apresenta Nicola Baiano e peço licença para abrir aspas agora. ainda hoje perdura o preconceito de que a filosofia se afadiga com problemas que não t a mínima relação com a existência humana e continua encerrada numa esfera longínqua e inacessível, onde não chegam as aspirações e necessidades dos homens.
Trata-se, todavia, de preconceitos injustos fundados em falsas aparências e na ignorância do que condenam. Fecho aspas. No mesmo sentido, é o pensamento de Carl Jaspers, segundo qual a filosofia ela adquire uma relevância e um apreço externo?
por exemplo, as cátedras e universidades, em virtude da sua tradição, mas também um desprezo interno das pessoas, a compreende como uma forma de pensar inútil e sem nenhuma utilidade prática. As pessoas dizem: "É demasiado complexa, não a compreendo, está fora do meu alcance". e, portanto, abdicam dela, renegam-a.
Consequência direta desse pensamento danoso são as reformas que se observam, por exemplo, nas grades curriculares de escolas e universidades, relegando o estudo da filosofia a um plano secundário quando não ignorado. Segundo Mário Lozano, em 1999 em Bolonha, foi realizado com uma conferência para uma alteração da grade curricular, de modo que as universidades se tornassem ambientes mais aptos à formação profissional para o mercado e não tanto mais de produção da inteligência. E a consequência disso foi um elevar da sociedade, da economia de mercado, a um status de sociedade de mercado, excluindo ou pelo menos reduzindo as matérias filosóficas na União Europeia.
Cenários semelhantes nós podemos perceber, nós podemos perceber no Brasil quando a Base Nacional Comum Curricular homologada em 2018, que reformou o ensino médio, estruturou o ensino docente do ensino médio em quatro grandes áreas, de forma que somente a língua portuguesa e a matemática se fazziam presente em todos esses anos, esses três anos. Dessa maneira, percebe-se uma tentativa de estruturar o ensino de forma profissionalizante, relegando a formação cultural de inteligência dos indivíduos, ou melhor, dos alunos, a um plano secundário. Assim, disciplinas como a filosofia acabaram sendo relegadas a um estudo comum, à história, à geografia, que em que pesem fazer parte das ciências humanas são tão diferentes entre si.
Ou seja, há um prejuízo ao estudo filosófico. Mas é preciso destacar e reconhecer, esse não é um problema reservado tão somente ao nosso contemporâneo. Hegel, em seu discurso inagoral na Universidade de Hildeberg, em 1816, já destacava um momento em que a filosofia, um tempo pregresso em que a filosofia tinha sido relegada a um plano secundário preterida face às questões da vida cotidiana e de matrizes utilitárias e tecnicistas.
Não por outra razão, Joaquim Carlos Salgado e Michel Vilet destacam em obras separadas, apartadas, claro que é este tecnicismo com seu caráter imperialista que almeja se sobrepujar sobre o valor filosófico o principal inimigo da filosofia nos tempos modernos. Versar sobre filosofia, portanto, é sempre um labor em duplo grau. Cuida-se primeiro de justificar a importância do que se trata para somalmente após poder se tratar do tema de que se deseja.
Maior trabalho ainda nesse cenário e chegamos ao cerne da aula, é de se expressar sobre a filosofia antiga, cujo andar dos anos e o distanciamento entre os tempos imprime sobre as pessoas a sensação de que é um estudo ultrapassado e, por conseguinte, ainda mais inútil. Um perpassar tempo, um obo tão objetivo da vida, mas cujo sentir é tão relativo, nos traz a vã ilusão de uma alteração tão grave da realidade concreta, que o distanciamento exercido entre o an antes e o agora já não permite nenhum diálogo à relação. O passado e o presente, portanto, nesse cenário, se tornam apenas momentos distintos da construção histórica humana.
Não se se tornam não apenas momentos distintos da construção histórica humana, mas instantes intocáveis. herméticos e, por consequência inconciliáveis. Não há comunicação entre o ontem e o hoje.
Os conceitos ou pensamentos outrora elaborados agora são relegados, esquecidos sobre a poeira do tempo e quando conservados são atualmente como memórias que sa de um viver que já não nos condiz ou de um pensar que tanto difere do nosso. O homem, nesse cenário, ele adquire um caráter de somente evolução, mas não de construção. Ele é sujeito de alteração, mas não de aprimoramento.
No entanto, esses são critérios intrínsecos à avaliação das ciências na natureza, das ciências exatas, mas não da filosofia. O conhecimento filosófico, diferentemente dos conhecimentos científicos ou dos demais conhecimentos científicos, cujo avançado tempo e emergir de novas descobertas faz com que as ideias antigas sejam superadas e relegadas a um plano de mera historiografia, é um estudo cujo saber, se verdadeiramente perquirido, se sinceramente al hommejado, é perene e, por consequentemente eternamente útil e por conseguinte eternamente útil. A natureza humana, as suas dores, as suas virtudes, os seus princípios, os seus vícios, diferidos alguns aspectos aspectos contingenciais, permanecem em essência os mesmos durante toda a história da humanidade.
Os problemas que a realidade impõe ao homem, a subsistência que o fornece, o espanto que lhe causa, apesar de toda a evolução científica e tecnológica, atuam sobre o imaginário humano atual em seu núcleo mais fundamental, da mesma forma que atuava esse dia nos homens do tempo de exíodo, deo, dos séculos de Platão ou de Aristóteles, e dos anos de Santo Agostinho e Santo Ambrosio. Por isso não existe contributo filosófico inútil, por mais antigo que ele seja, que não tenha algo a nos auxiliar no na resolução dos nossos problemas e dos nossos questionamentos que nos assolam hoje. O agora, ele somente subsiste e é ígidamente exercido quando levado em consideração o passado, quando bem fundamentado nesse passado.
mas já um bom futuro, abdicantes dos conhecimentos e das pessoas que nos legaram o presente por questões como a distância do tempo, além de arrogância e imprudência. Em filosofia não existe estudo perdido ou inútil. Toda a verdadeira pesquisa, ela é relevante, servindo seja de substrato ao desenvolvimento de novas questões, seja enquanto esclarecimento de problemas que nós temos hoje, que perpassaram a história e ainda nos acompanham.
Não por outra razão, é sempre necessário revolver o olhar os filósofos do passado na tentativa de melhor compreender o presente e quem sabe para escutar o futuro. Abro aspas novamente a Nicola Baiano. A história da filosofia é profundamente diferente da da ciência.
As doutrinas passadas e abandonadas já não têm para ciência significado vital e as ainda válidas fazem parte do seu corpo vivo. E não há necessidade de nos voltarmos para a história para aprendê-las e torná-las nossas. Em filosofia, a consideração histórica ao invés é fundamental.
Uma filosofia do passado, se foi verdadeiramente uma filosofia, não é um erro abandonado e morto, mas uma fonte perene de ensinamento de vida. Todo verdadeiro filósofo é um mestre ou companheiro de pesquisa, cuja voz não chega enfraquecida através do tempo, mas pode ter para nós, para os problemas que h nos ocupam, uma importância decisiva. Necessário que nos disponhamos à pesquisa com sinceridade e humildade.
Não podemos alcançar, sem a ajuda que nos vem dos filósofos do passado, a solução dos problemas de que depende a nossa existência individual e sociedade. No mesmo sentido é o pensamento de Jorge Delveco. Segundo qual os problemas que escutamos hoje, pesquisamos hoje, lutamos contra hoje são exatamente os mesmos problemas pelos quais passaram e lutaram contra os filósofos da antiguidade.
Eternas são aqui relativas à vida. A amizade, o amor, a morte, a justiça, a existência de Deus, a possibilidade de conhecer são temas que perpassam a natureza, que fazem parte da natureza humana e ultrapassam tempos a história. E sobre esses temas, filósofos antigos trataram: "Impossível pensar amizade sem lembrar das obras da abundância de amigos de Plutarco ou sobre amizade de Cícero.
Questionar acerca da justiça não lembrar da República de Platão ou ética nicômaca de Aristóteles. pensar em nossos vícios e nossas virtudes, nosso eu interior, nossa relação com Deus, sem pensar nas confissões de Santo Agostinho. Não é possível questionar o perpassado tempo, a fugacidade da vida, o encontro inevitável com a morte, sem meditar sobre os escritos de Cênca, principalmente sobre o texto sobre a prividade da vida, ou nos debruçarmos sobre as meditações de Marco Aurélio.
O desejo por conhecer não nasce na contemporaneidade e nem é questão de preocupação somente dos filósofos contemporâneos. É algo intrínseco ao ser humano e, portanto, originário nos tempos mais remotos. Por isso, revolver o olhar à filosofia antiga é também um exercício de humildade.
Não obstante nós termos afirmado que filosofar é algo inerente ao homem, não significa que seja algo fácil. Tampouco se trata apenas de uma aventura, uma brincadeira. É um exercício que requer trabalho, requer reflexão e muito esforço.
Por isso, tentar vencer essas questões, esses problemas sem ajuda daqueles que vieram anteriormente a nós é de todo uma arrogância e uma imprudência. Heráclit já destacava essa dificuldade quando afirmava que aqueles que procurando ouro cavam muita terra e encontram pouco. Por isso destacou André Ques Ponville, e eu abro aspas aqui, filosofar e pensar por conta própria, mas só se consegue fazer isso de um modo válido, apoiando primeiro no pensamento dos outros, em especial dos grandes filósofos do passado.
Por isso a compreensão da realidade das coisas, fecho o aspas, por isso a compreensão da realidade das coisas, ela somente é possível com uma plena atenção ao passado. Sem isso, se torna uma compreensão turva, parca e, por conseguinte, errônea, equivocada. O presente ele urge do passado tanto quanto o futuro de nós depende.
Fechar os olhos ao que nos está longo pura e simplesmente por essa distância é turvar a vista o entendimento do que nos está próximo. Impossível é a plena compreensão da vida e tanto mais das questões humanas, se esquecendo dos atores que passaram pelo picadeiro da vida, por todos os filósofos e pensadores que, por mais antigo que o fossem o são, desenvolveram suas pesquisas e tanto nos ajudaram. Por isso, vislumbrar a filosofia antiga é um exercício de compreensão do contemporâneo.
A plena depreensão da nossa realidade carece de o íntegro conhecimento daqueles indivíduos dos quais dedicados ao estudo no universo, que tanto nos espanta e tanto nos faz admirar, conceitos tratados por Platão, por exemplo, no Teteto nos antecederam e nos formaram. Diante de tudo isso, o estudo filosofia antiga se faz imprescindível, não apenas como um modo de adquirir conhecimento ou de ilustrar melhor nossas falas, argumentos ou escritos, mas como um meio de melhor viver a nossa vida presente, de encarar melhor os nossos problemas e a nossa natureza e de nos encontrarmos onde nós estamos, compreender porque estamos onde estamos. Estudar filosofia antiga é precisamente dialogar sobre temas atuais com pensadores de outra época.
é ter essa troca de informação, esse diálogo com pessoas experientes que somente não estão distantes no tempo, mas não estão distantes no pensar. é encontrar amparo em amigos da antiguidade e companheirismo em pesquisadores alicerces das questões que nos tanto incomoda e tanto nos aflige. Por isso, não podemos nos deixar levar pelo pensamento corriteiro de que o distante não nos cabe, de que o passado é obsoleto e de que o humano apenas tão apenas evolui e não se constrói.
Enquanto construção que somamos e verdadeiramente somos, precisamos olhar para toda a nossa história e por isso não podemos deixar de lado a filosofia antiga. O filósofo americano White Head destacava que a filosofia é somente uma nota de rodapé das obras de Platão. Por mais exagerado que seja, essa compreensão demonstra relevância que a filosofia antiga exercem sobre a nossa vida e por não podemos deixar em momento algum de pesquisar sobre ela e estudá-la.
Agradeço a todos pela atenção.