Você já foi ao cinema e antes de começar o nosso debate e Os peridos de sempre para que esse projetos de ensaios possam continuar acontecendo eu peço para que você considere apoiar o projeto e para isso eu deixei na descrição desse vídeo o meu apoia-se E além disso vocês podem ver aqui na tela o meu Pixel e eu vou pedir para você encarecidamente também se inscrever aqui no canal ativar o Sininho e me seguir nas outras redes sociais também aqui na descrição do vídeo Tá bom então vamos pro vídeo Esses dias eu estava refletindo um
pouco sobre a experiência de ir ao cinema na verdade sobre a experiência de consumir arte no geral Especialmente porque quando trabalhamos no meio é comum entrarmos em contato com discursos que tentam aproximar o cinema de um valor de culto arte você com certeza já se deparou com isso também pessoas que falam sobre uma experiência Ideal com o filme uma maneira correta de se assistir cinema quase dizendo pra gente que a razão de ser no cinema Depende de condições específicas condições essas que se o espectador não garantir corre o risco de ter uma experiência errada errada
mas o que é essa experiência ideal primeiro ponto sala escura a sala escura garante a posição voer do espectador uma condição importante que põe o espectador a ver sem ser visto no escuro da sala você ganha uma posição pela qual você se permite a ver coisas que não veria fora dela e apesar da sala de cinema ser uma experiência coletiva ela permite com que você faça isso na medida em que os outros que estão ali estão na mesma posição que você então o espectador de cinema nada mais é do que um Fofoqueiro aquele fofoqueiro que
abre a janela para observar o mundo para além dela e ao abrir a janela ao abrir a cortina um novo mundo se revela um mundo criado como um espetáculo um espetáculo para o seu olhar criado para você ver tela grande a tela grande é fundamental justamente porque a tela do cinema se transforma numa grande janela uma janela que se abre para o seu olhar a um novo mundo um mundo mundo que estará ali na sua frente disposto ao seu olhar uma boa tela grande portanto garante uma imersão maior nesse mundo som Bom cinema é audiovisual
e no cinema áudio é imagem isso quer dizer que aquilo que você ouve no cinema está ali para garantir um aspecto visual um bom som portanto garante também esse caráter imersivo eem um mundo que você estará vigiando E esses são alguns dispositivos que garantem O que é ser no cinema através do fenômeno que surge a partir desses dispositivos nós temos a garantia do ser no cinema criam portanto uma maneira de ser para esse vídeo eu preciso apenas que vocês compreendam o porquê da existência de uma experiência ideal e se você quiser aprofundar um pouquinho mais
esse debate lá no introdução a cinema meu curso online contínuo link na descrição do vídeo vocês podem ver a aula o cinema como espelho onde eu aprofundo ainda mais esse tema agora ainda que haja uma experiência ideal como o nome já nos indica se trata de uma experiência ideal e por ideal compreende que não leva-se em consideração as suas condições materiais se idealiza todo um arcabouço teórico que parte da ideia e que não se confere na prática então voltemos para a questão lá do início do vídeo a sala de cinema pode ser compreendida como um
espaço de culto um culto à arte e para isso o Walter Benjamin nos iria propor o conceito de aura e dentre outras coisas a aura se refere à unicidade de uma obra de arte unicidade essa que lhe confere um valor de culto que está intimamente relacionado a uma tradição Tradição essa que se prende a determinados valores históricos e que portanto fazem daquela obra supostamente imutável igual e Idêntica a si mesmo o valor de culto portanto demanda desse espaço de contemplação pela qual Essa autenticidade será cultuada um espaço único em a poética Aristóteles já tratava a
tragédia grega como um espaço de cultuo dos Deuses as pessoas iam ao teatro para cultuar Dionísio a história muda e junto com essa mudança os valores de cultu momento não precisam seguir os mesmos princípios mas segue promovendo esse contato quase espiritual com a obra de arte contemplar uma obra de arte imbuída de aura seria como entrar em contato com o Divino apesar de Belo Mel sua o valor de culto é acompanhado de uma espécie de segregação citação de Benjamin o valor de culto como tal quase obriga a manter secretas as obras de arte certas estátuas
divinas somente são acessíveis ao Sumo Sacerdote certas madonas permanecem cobertas quase o ano inteiro certas esculturas em catedrais da idade média são invisíveis do solo para O Observador em suma a obra de arte imbuída de aura está disponível ao olhar de alguns espaços que garantem a sua unicidade seu valor de culto e que portanto são expostos a apenas alguns Alguns que são dignos de contemplá-las com a ascensão do capitalismo esses espaços permanecem mas ganham novos contornos há um recorte de classe para definir quem é digno inclusive para formatar um recorte sobre o que é arte
e o que não é arte que carrega também um aspecto de classes bom agora que conceituamos aura Será que a gente consegue responder a nossa questão a sala de cinema é um espaço de culto acontece que o cinema é uma arte já nascida no contexto do capitalismo industrial e portanto é uma arte que é essencialmente Tecnicamente reproduzível ela é feita para ser reproduzida isso significa dizer que ainda que as artes precedentes pudessem ser reproduzidas demandava de mãos habilidosas de um artista específico que iria reproduzir aquela obra que iria copiá-la a obra original não perde portanto
a sua autenticidade na medida em que a cópia nada mais nada menos é do que uma falsificação a reprodutibilidade técnica substitui as mãos pela reprodução técnica e portanto pelo olhar que é instantâneo ao fotografar por exemplo o fotógrafo precisa apenas olhar e em um simples clique ele captura a natureza e através da reprodutibilidade técnica nós podemos acentuar aspectos do original inclusive Recomendo muito que vocês assistam filmes como Blow Up do michelângelo antonioni e blowout do BR de palma para aprofundar esse debates sobre o que é realidade e o que é ficção e como a reprodutibilidade
técnica cria novas realidades a partir do que seria original e aí nesse contexto o que é autêntico onde é possível discutir unicidade o cinema é portanto uma arte destituída de aura é claro que em primeiro olhar você cinéfilo vai ficar puto com isso né Como assim o cinema não tem aura Calma jovem Vamos tentar não atribuir juízo de valor ao conceito caso contrário a gente vai incorrer em erros de análise sobre ele não é como se uma arte aurática fosse boa e uma arte não aurática fosse ruim não é por aí apesar de os conservadores
que acreditam que essa arte aurática é boa e tudo mais promovem esse tipo de pensamento a partir da que a gente chama de tradicionalidade na medida em que a obra de arte não aurática ela Liquida essas tradições e aí a volta pro passado onde as artes eram verdadeiras justamente por causa disso mas vamos voltar a reprodutibilidade técnica tão essencial ao cinema Portanto o destitui de espaço deses realiza o cinema não há um lugar único e autêntico o qual a obra de arte cinematográfica é exposta aí vocês vão falar não Lógico que tem o cinema a
sala de cinema Ué eu sei que ele é exibido no cinema querido calma mas veja o filme pode ser exibido em tudo em todo lugar ao mesmo tempo e eu não vou mais falar sobre esse filme respeito o meu direito tá bom um parque exibidor inteiro pode exibir o mesmo filme no mesmo horário ao longo do Globo isso porque não há autenticidade não há unicidade control c control v e temos dois filmes Inclusive a reprodutibilidade técnica vai ganhando contornos cada vez mais acentuados conforme o capitalismo avança o cinema torna-se permanentemente acessível e junto a ele
a sua capacidade de se reproduzir inclusive na maneira como o capitalismo reproduz a experiência espacial com o filme com mostando cada vez mais o consumo o cinema Sai da rua e vai ao shopping curiosamente fazendo com que as formas que antes tinham funções de cinema sejam abandonadas à sua originalidade e assumam valores de culto as igrejas evangélicas então basicamente as formas que antes cumpriam funções de cinema passam a assumir novas funções com a mesma forma anterior Mas voltando o cinema Sai da rua e vai ao shopping e Lá encontra toda uma cadeia de consumo global
no local centraliza portanto essa lógica de consumo global no local expondo esse espectador esse cidadão a uma cadeia de consumo antes que ele vá ao cinema o cidadão sai de casa pega um transporte público ou seu transporte particular chega ao Shopping paga o estacionamento compra uma blusa uma casquinha um fast food um chocolate a pipoca e finalmente vai ao cinema que Por acaso tá no último andar de Shopping por acaso entretanto esse cidadão ou seria consumidor a ainda demanda do deslocamento da sua casa até o shopping o que aparenta portanto ser uma barreira de acumulação
ao capital e onde houver uma barreira de acumulação o capitalismo é criativo para rompê-lo a custa do que for Nesse contexto surge o cyberespaço que no cinema se configura através do streaming fazendo com que o cinema torne-se permanentemente acessível ao seu consumo não é preciso mais se deslocar Basta dar play na sua televisão ou até mesmo no seu celular celular Ah mas a experiência é ideal não calma calma calma através do cyberespaço para além de consumir cinema você ainda pode comprar sua roupa você pode pedir sua comida tudo que faria num shopping mas do seu
sofá e tu não quer nem descer na portaria para buscar o seu lanche não é mesmo e esse permanente acesso garantido pela reprodutibilidade técnica faz com que o cinema seja destituído do seu valor de culto E à medida que as obras de arte se emancipam do seu uso cultual aumentam as ocasiões para que elas sejam expostas a uma substituição do valor de culto que mantém secretas as obras de arte ao olhar de alguns por um valor de Exposição na era da reprodutibilidade técnica com mais a reprodutibilidade avança mais a obra de arte é exposta substitui-se
o valor de culto pelo valor de Exposição abandonando seus espaços secretos tornando-se permanente mente acessível E assim a Monalisa ou qualquer obra de arte que antigamente estaria disposta apenas ao olhar de alguns é possível ser vista numa pequena pesquisa no Google não só Monalisa como uma série de intervenções a obra do Leonardo da Vin ou até mesmo se você é encantado por arquitetura e apaixonado por Roma você não precisa sair de casa vai no Google Street viw e dá uma viagenzinha ali dá um passeio em Roma essa substituição do valor de culto pelo valor de
Exposição muda Inclusive a maneira como nos relacionamos com a obra de arte em razão dessa produção Nós criamos um mundo que demanda cada vez mais por essa exposição criando espectadores que lidam com essa exposição constante que precisam lidar com essa exposição constante Então você vai a um restaurante por exemplo mas você precisa mostrar que foi o restaurante não importa exatamente se é gostoso o sabor daquela comida mas se é instagramável o suficiente ou você vai a uma exposição de Salvador Dali mas não importa exatamente Salvador Dali mas mostrar que você viu um quadro de dali
Daí vem aquelas fotos de pessoas em exposições de arte olhando pros quadros né brega brega brega demais faça essa experiência vá uma exposição de arte e observe o seu público é uma experiência antropológica as pessoas passam por um quadro tiram uma foto e vão ao próximo e não é nem como se elas precisassem disso essas fotos já estão disponíveis na internet mas o que importa não é oculto a obra mas o seu caráter expositivo mostrar que esteve ali o que faz inclusive com que a indústria cultura retroalimenta sua própria maneira de ser ao passo em
que ela cria esse espectador ela necessita construir um novo espaço de contemplação e cada vez mais nós vemos essas Exposições interativas na medida em que esse espectador ele demanda cada vez mais por esses estímulos agora a hipocrisia aqui de eu falando para vocês irem para uma exposição de arte e ficar olhando pr pra pessoa e não pra obra A hipocrisia Como já dizemos porém o cinema já nasce sob esse contexto uma arte surgida no capitalismo industrial e sob a éde da produti didade técnica respondendo a nossa pergunta portanto a sala de cinema jamais carregaram consigo
um valor de culto o discurso de tentar entregar ao cinema um valor de culto nada mais é de que uma tentativa barata de entregar a ele uma notoriedade frente às outras Artes como se fosse preciso para ser verdadeira arte ser instituído imbuído de aura tal como as artes que ceram mas esse discurso de tentar colocar o cinema nessa posição carrega também um caráter de classes uma tentativa de despor ao cinema ou a um determinado tipo de cinema algo que só cabe ao olhar de alguns e ainda que essa segregação seja conferida na realidade afastando determinada
classe daquele produto que não lhe convém o caráter reproduzível do cinema lhe impõe uma outra condição e a prova disso é que a sua mãe a sua avó ou qualquer outra pessoa que você for perguntar ela prefere que você leia um livro de um Coach qualquer da vida do que assista um filme do Bergman ou do Glauber Rocha o mais conceituado dos produtos cinematográficos continuará sendo menos cultuado que um livro qualquer ou que uma peça de teatro qualquer e veja o que eu tô fazendo aqui não é atribuir valor às Artes mas discutir as suas
condições frente ao que o Benjamin chamou de aura e a partir disso discutir o Imaginário Popular que surge a partir daquelas que possuem frente aquelas que já nascem sobre um contexto de reprodutibilidade técnica e para além do cinema por exemplo a gente pode discutir a posição dos quadrinhos em relação à Literatura e ainda que essas Artes aurática tenham assumido um outro papel na era da reprodutibilidade técnica portanto também sejam cada vez mais Tecnicamente reproduzíveis adquirindo não mais um valor de culto mas de Exposição A diferença é que o cinema já nasce sob esse caráter com
mais exposto e reproduzido melhor implicando inclusive numa nova maneira de se atribuir valor a obra de arte que já não é lastreada na escassez daquele produto e portanto na unicidade daquela obra mas sim na sua capacidade de se reproduzir fazendo com que o cinema consiga arraigar valores inimagináveis veja portanto que a era da reprodutibilidade técnica está intimamente relacionada ao processo do avanço do capitalismo que compreendeu que através da reprodução espacial da obra de arte poderia assumir valores antes inatingíveis agora jogue aí na internet obras de artes mais caras da história e você verá uma série
de lista mostrando quadros pinturas dos mais caros na história obras aurática e ainda que o cinema alcance valores muito maiores do que essas ele nunca estará nessas listas entretanto por mais que não devamos nos esforçar para enxergar o cinema no que ele não é um objeto de cultu momento isso não implica dizer que sua essência reproduzível não possua contradições a reprodutibilidade téc técnica no cinema implica numa jamais vista reprodução de discursos dominantes ou seja há uma substituição do valor ritualístico da obra de arte pelo valor político compreendendo que a reprodutibilidade da arte na era da
reprodutibilidade técnica confirma o seu caráter de reprodução da ideologia dominante de capilarizar um discurso ideológico como senso comum fazendo com que a ideologia dominante seja sentida cada vez mais como verdade e não como uma imposição por estar em tudo em todo lugar ao mesmo tempo não vou falar sobre esse filme já falei e vamos de novo lá pra pergunta do início do vídeo há uma experiência ideal no cinema que a ideia não nos desloque da nossa capacidade de compreender as contradições do capitalismo compreendendo portanto a realidade material das pessoas que a experiência ideal não se
comporte como um valor de culto um culto a maneira correta de se assistir a um filme que no fundo no fundo só carrega um caráter de classe deles nem todo mundo tem tela grande e som bom em casa nem todo mundo tem sequer uma televisão e quando tem muitas dessas famílias precisam dividir um único aparelho e aí o jovem que vem me perguntar se ele pode assistir um filme no celular porque a família dele tá assistindo o programa do Ratinho O que que eu vou falar para esse cara me diz eu vou falar para ele
que ele tá destituído da possibilidade de assistir a um filme porque existe uma maneira ideal de se assistir a um filme Claro que não porque isso se aproxima da ideia de um valor de culpo na obra de arte onde se mantém secreta as possibilidades de se assistir a um filme A uma classe específica Então qual é a indicação busque a maneira mais próxima do ideal possível que a sua condição material lhe permite ao cinema não cabe ooc culto para além das contradições do capitalismo que devemos superar mas que o cinema nos traz é o seu
caráter Popular que o cinema portanto se Espalhe se exponha mas que nós enquanto classe trabalhadora nos apropriem desse meio para que ele não seja uma ferramenta dos discursos dominantes Você quer continuar conversando sobre esse assunto Estou adicionando lá no introdução ao cinema nesse momento uma aula sobre a era da reprodutibilidade técnica do Walter Benjamin por lá vamos aprofundar todos esses debates aqui discutidos o link para fazer parte da introdução a cinema está na descrição do vídeo e como complemento Eu recomendo que vocês assistam também a outras aulas disponíveis lá no iak cinema como espelho cinema
e a reprodução capitalista do espaço contra interpretação de Susa sag beleza é isso curtiram o vídeo