Já estamos com Lourival Santana aparecendo aqui na tela nosso enviado especial da CNN até kabul ao Afeganistão Lourival primeiro bem vindo viu como sempre é sempre muito boa essa experiência de poder ouvir o seu relato e trazer para gente as suas impressões a respeito do que ocorre neste momento no Afeganistão começando pela reportagem que a gente acabou de ver me chamou muito atenção Lourival que o entrevistado ele foi quase monossilábico com você né demonstrando um desconforto com a sinceridade e também não olhava nos seus olhos não olhava nem para câmera Então por meio de gestos
Ele demonstrou o quantos confortável ele tava de poder se abrir esse é um sentimento que você observa aí pelas ruas das pessoas quase que tomando cuidado com o que vão dizer em como vão agir por causa desse novo governo ou é uma postura já vista desde sempre bom dia mais Bom dia Elisa Bom dia Rafael vocês vão ver agora os talebando passando calebam passando aí vou até sair um pouquinho aqui são esses homens que controlam todo o país acabou e todo o resto a gente se identifica pelas armas vão passar daqui a pouco não não
vão passar aqui mais sim Esse homem é um homem simples esse que nós vimos agora que nós entrevistamos né um homem pobre né ele Imagina ele tem uma tenda de roupas usadas para mulheres numa feira no mercado né E então eles estavam intimidado duplamente pelo controle dos telebang que estavam ali por perto não visivelmente porque a gente se deslocou né para uma área mais fechada mais privada e também pelo fato de estar dando uma entrevista né Ele é um homem muito simples achei muito contundente o que ele disse a vida que nunca foi boa então
a experiência das pessoas mais pobres parece as pessoas as questões que a gente discute aqui que são super importantes para outras pessoas para Elite para classe média classe alta e para nós né as questões dos direitos das mulheres dos direitos das minorias para os pobres não são as vezes estão relevantes assim é se eles não pertencem a uma minoria como arrasar aqui é perseguida né então para ele a questão maior é a segurança então ele num outro momento da conversa Ele disse que agora está mais seguro porque eu tava ele é muito drástico né na
justiça dele já temos a informação de como começarão a cortar as mãos das pessoas que forem acusadas de roubo como prever a interpretação mais radical da xaria então para ele para outras pessoas muito Humildes com as quais eu conversei o telemã está trazendo segurança o tá levando representa o fim da guerra Então nesse sentido é um benefício outras pessoas dirão que não que às vezes elas perderam algum benefício algum salário alguma pensão né E aí ela se sentem que foram prejudicadas Hoje eu passei por alguns a polícia de tráfego os guardas de trânsito né são
os únicos que continuam nas ruas do regime superior e eu comecei a fotografar-los E aí um deles falou assim por que que tão me filmando faz quatro meses que a gente não recebe o salário ou seja deterioração né da situação já vinha antes da queda do governo no dia 15 de agosto muita corrupção é o governo desviando muito dinheiro e não pagando salários isso explica em grande medida Porque que o exército afegão não resistiu ao Talibã ele não tá recebendo salários os benefícios das famílias cujos parentes morriam na guerra e foram 60 militares afegãos que
morreram na guerra contra o Talibã tudo isso diminuiu muito deprimiu muito moral do exército e da população afegan e ajuda a explicar a fácil tomada de poder do tá levando aqui no Afeganistão no dia 15 de agosto Rafael e Elisa nós estamos acompanhando Lourival Santana ao vivo em cabull no Afeganistão nosso enviado especial ao Afeganistão desde o final de semana nos trazendo relatos sobre o cotidiano o dia a dia em KaBuM no Afeganistão depois da volta ao poder pelo Talibã Lourival essa imagem que você mostrou para a gente aí agora pouquinho foi impressionante a gente
conseguiu ver com exatidão aqui a passagem desses talifãs com armas né rifles espingardas qualquer coisa nesse sentido eu queria saber de você como é que é no dia a dia aí na rua eles eles abordam eles têm autoridade para abordar qualquer um a partir de qualquer espécie de desconfiança se eles notam uma mulher com uma vestimenta que eles consideram não adequada eles fazem exatamente o que qual é o intuito da circulação além da intimidação né do sujeito circular pela rua com uma espingarda na cintura o que que eles fazem de prático com as pessoas por
aí arma padrão é o fuzil ak-47 que é venerado por todos os guerrilheiros do mundo inteiro essa arma do desenhado pelo Kalashnikov Russo mas que é fabricada amplamente na China e distribuída pelos bazares de armas da Ásia e de outras partes do mundo a África e até a América Latina eu vi por exemplo hoje uma situação de uma batida de trânsito né E era uma moto que estava envolvida e um carro e eu vi os Talibã chegando e é realmente aterrorizante quando está levando chegam porque é um movimento não é um não é uma organização
hierárquica as regras de engajamento não estão definidas se é que algum dia estarão eles chegam e se comportam de acordo com que cada indivíduo tá considera ser o correto agir naquela maneira um certo sentido eles têm grande autonomia e por isso é muito prever como eles vão se comportar eles podem ser doces ser suaves ser educados paternais Mas eles podem ser cruéis perversos violentos agressivos hostis tem todo tipo de situação mas tudo isso essa imprevisibilidade ela contribui para o controle sobre a população não existem regras não existem direitos neste momento os afegãos não tem direito
nenhum os Talibã é que tem o direito de agir como eles quiserem se eles quiserem chegar espancando com muitas vezes Ele chegam eles fazem isso se eles quiserem chegar confiscando os bens das pessoas eles podem fazer se eles quiserem chegar apenas impondo a ordem levam embora hoje por exemplo tive a notícia de um de quatro garotas na verdade moças entre 24 anos de idade colegas de uma pintura que eu entrevistei hoje elas são da etnia e estavam tentando ir embora para o Paquistão passar na fronteira de Toca pela qual eu passei no sábado do Afeganistão
para o Paquistão e elas não estavam com homens elas não eram não são casadas né E aí essa mulher que eu entrevistei que contou a história ela estava com o marido dela e aí ficaram todos detidos são todos dessa etnia arrasaram eles são da seita Chita islâmica que está levando não reconhecem não aceitam assim como os razaras que são de origem mongol está levando também não os aceitam como afegão E aí esse esse casal ficou preso dois dias porque estava em casal tinha um homem acompanhando a mulher essas quatro moças de 20 a 24 anos
estão presos Até hoje ninguém tem mais notícia delas entende então é tudo muito aleatório a situação a sensação dos afegãos é de que não há regras não se sabe o que pode acontecer Lourival a gente tem mais uma vez a imagem do momento em que você começou a conversar conosco e apareceu o grupo armado passando atrás de você eu até observando fiquei com a sensação de taião mais uma vez a imagem do grupo passando segurando as armas enquanto o Lourival estava conversando com a gente ao vivo quatro fuzis ak-47 como Lourival acabou de nos explicar
circulando pelas ruas como se houvesse uma normalidade Lourival você como imprensa como repórter na hora que um grupo como esse passa por você em algum momento você foi abordado Você Foi questionado de o que você tava fazendo o que você tava filmando existe essa sensação de incerteza ou não no quesito noticiário e compartilhar a sua visão para o mundo ninguém te questionou de coisa alguma todas as vezes que nós vamos fazer qualquer coisa que eles se houver tal levar ao redor nós pedimos permissão nós não começamos nada sem pedir permissão quando eu cheguei aqui não
havia tá legal então nós simplesmente Montamos o nosso equipamento e começamos aqui o nosso trabalho e aí no meio no início do trabalho passar não está alemã E aí eu senti uma insegurança porque como eu não tinha autorização deles eu não sabia como eles reagiriam a existem alguns aspectos em primeiro lugar eu estou vestido como um afegão com barba sou um homem considerado mais velho aqui né a população a longevidade aqui não é muito grande eu tenho 54 anos mas Sou tratado com uma certa deferência por causa da barba que está ficando branca as minhas
feições são afegãs É claro que eu estava falando uma língua estrangeira eles perceberam isso é claro que eles viram que eu era jornalista mas no caso desses quatro que passaram aqui Certamente eles estão entendendo que é importante deixar a imprensa trabalhar essa é a visão da liderança do Talibã é claro que desde que não esteja cobrindo protestos coisas que sejam desagradáveis para os Talibã nesse caso então eu tenho imagens não vou mostrar para vocês porque são imagens chocantes de jornalistas é espancados que eu recebi as imagens deles açoitados tirar uma camisa para mostrar o que
aconteceu com eles teve um que foi espancado com o próprio microfone né da sua safet Express e há vários jornalistas presos muito jornalistas estrangeiros e afegãos estão presos neste momento há vários dias já né então também com relação aos jornalistas é um pouco imprevisível mas eu devo dizer que existe todo um código de ação aqui que nós adotamos né Nós temos segurança nós temos toda uma equipe que trabalha para planejar os nossos passos aqui são muito refletidos temos permissão do mujared Office que é o escritório do Combatente da jihad não é uma permissão fácil de
conseguir eu devo dizer que infelizmente nós tivemos que pagar uma propina bastante alta para conseguir essa permissão mas ela nos protege bastante então em geral um taller mais disciplinado ele vai passar e talvez provavelmente não teremos nenhum problema relato importante do Lourival Santana sobre as dificuldades evidentes para o trabalho de um Jornalista no Afeganistão dominado novamente pelos talibãs a gente nota inclusive que o Lourival muitas vezes tira os olhos da câmera E observa o movimento aí do Entorno não é Lourival que é fundamental ficar atento a tudo o que tá acontecendo no entorno também exatamente
por esse ambiente de de insegurança que você no nos trouxe agora né E você tem alguns ajudantes aí nessa empreitada não é normal eles são afegãos também eles têm autorização para trabalhar com você sim Exatamente são tem um Jornalista afegão que é jornalista é de televisão o hashime que tem 26 anos de idade mas é um ótimo jornalista E tem também um câmera Man Um repórter cinematográfico chamado para o ex arif que é um grande profissional também temos um motorista e temos por trás todo uma empresa que nós contratamos que é uma empresa que reúne
segurança com produção jornalística todo uma estrutura para a gente poder trabalhar aqui Sem eles eu não seria capaz de fazer nada Rafael e Elisa vocês entendem sabem muito bem disso Chega um sinal aqui para a gente absolutamente perfeito como se você tivesse falando com a gente aqui da Avenida Paulista né são imagens nítidas já tarde da segunda-feira no Afeganistão o Lorival tem uma a última curiosidade é como é que lidam com a pandemia por aí né a gente também consegue notar pelo movimento aí atrás de você em outras participações também que as pessoas não não
usam a máscara de proteção que praticamente o mundo todo usa né esse assunto é tratado aí existem dados oficiais existe vacinação contra a covid aí no Afeganistão Afeganistão tem uma população de 38 milhões e apenas 400 mil estão internamente imunizados a principal vacina que chegou aqui foi a coronavac mas também chegou a vacina da astrazeneca que veio da Índia a covark sim e poucas pessoas usam máscara por exemplo um barbeiro que eu entrevistei ontem ele estava de máscara por ser um protocolo né de quem tá num lugar fechado também um vendedor de baterias que eu
entrevistei portanto um comerciante já um farmacêutico que eu entrevistei não estava de barba Ele me disse que ele tava totalmente imunizado tomou as duas doses da sinovac e as pessoas não usam máscara assim como não usam cinto de segurança por exemplo o capacete coisas assim elas convivem com o risco vocês viram passar aqui um pouco antes um homem que estava sem na perna isso é muito comum aqui no Afeganistão tantas guerras tantas Minas é um campo minado Afeganistão muitos acidentes muitas pessoas faltando perna braço etc bom é com relação ainda a isso da pandemia houve
um ao longo de dois ao longo de um mês dois meses atrás uma quarentena rígida que diminuiu muito estão chegando vamos ver o que que vai acontecer agora mas ah não acho que não não tudo bem desculpa é diminuiu muito o caso de de covid aqui viver esse farmacêutico me testemunhou isso porque ele sabe porque ele vende os medicamentos e tudo né então dois meses atrás a situação estava bem pior do que agora e isso graças a uma quarentena de um mês Rafael e eles eu tenho duas dúvidas mas vou tentar aqui colocá-las em uma
só na questão comportamental dos direitos primeiro falar da questão das mulheres que agora podem estudar podem ir para faculdade mas elas têm de ficar de um lado e os homens de outro e divididas por uma cortina E aí eu queria que você nos Contasse também uma questão comportamental estética da barba que para muita gente é pode só parecer uma questão estética mas tem gente que passa de barba e tem gente que passa apenas com bigode Que mensagem carrega esse estar apenas de bigode aí no Afeganistão o homem afegão assim como homem do mundo árabe muçulmano
de maneira geral claro que o Afeganistão não é um país árabe mas o mundo árabe muçulmano de maneira geral o homem Ele usa bigode né Isso é um traço da masculinidade de toda essa cultura então um homem de bigode significa que ele não aceita a imposição da teocracia do taleban ou no caso do Irã da teocracia Chita do Irã certo então é um ato de bastante coragem neste momento está só de bigode ou está sem nada é no rosto por falar em coragem eles é Hoje eu estive um bairro Norte de caboclo entrevistando essa pintura
que Eu mencionei que está escondida porque não é aceito que uma pessoa uma pessoa seja pintora no mundo do Talibã é proibida a pintura e qualquer manifestação artística já Mataram um cantor e música Mulheres então eles consideram mais grave ainda e nesse bairro é um bairro da população rasara que tem a origem mongol tem as feições muito nítidas parecidas com os Mongóis e eles são xiitas nesse bairro que fica distante do centro de cabul eu vi muitas mulheres havia muitas mulheres na rua muito diferente daqui que tem bem menos daqui do centro de caboclo e
em segundo lugar essas mulheres estavam só com recheado só com o cabelo coberto que é absolutamente impressionante porque está claro que o taleban exige o nicap que é cobrir o rosto inteiro então conversando com essa pintura que ela também faz roupas ela me explicou que antes do Talibã muitas mulheres andavam de jeans e de camiseta Elisa e Rafael E aí aqui são três e três da tarde Dorival Santana falando ao vivo direto de Cabu no Afeganistão na programação da CNN Brasil Lourival tem produzido uma série de reportagens em cabul no Afeganistão para que nós aqui
no Brasil possamos entender como a vida dos afegãos mudou para alguns continua tão ruim quanto era antes para outros especialmente para os mais pobres relatos impressionantes como este que nós capturamos ao vivo agora aqui no novo dia em determinado momento né alertado aqui pelo nosso editor-chefe o Guilherme nós notamos que o Lourival mantém os olhos na câmera mas também no movimento né para perceber Exatamente isso olha a chegada a possibilidade da chegada de talibãs como ele mesmo disse Nunca se sabe exatamente como os talibãs vão reagir porque não há uma um código de conduta definido
né fica muito a critério de cada Talibã então um pode chegar e fazer um pedido com educação com doçura né o Lourival até usou a expressão e outro pode chegar de forma absolutamente violenta nunca se sabe vejam aí os quatro talibãs que passaram pelo Lourival Santana carregando fuzis ak-47 e coletes à prova de bala também