Oi, galera. Eu sou Caroline Sardá. Eu sou criadora de conteúdos sobre história, feminismo e política. Também sou publicitária, sou militante feminista e hoje eu tô aqui no Zona Direta para responder as perguntas que vocês deixaram para mim do último debate, 20 contra um, contra 20 antifeministas. Vamos ver o que que vocês mandaram para mim hoje. >> Carol, onde você compra paciência? O que É revolução sexual? Você já agradeceu a princesa Isabel pelo seu direito ao voto? Como a abolição do patriarcado vai diminuir a violência contra a mulher? >> É importante entender que é a existência
do patriarcado que estrutura a violência contra a mulher. Porque quando a gente fala eh sobre a violência de gênero, é justamente essa violência que faz com que as mulheres sejam submissas, dóceis. O patriarcado desenvolve essa violência Para que a gente se mantenha sempre nos mesmos lugares e nas mesmas posições que ele quer que a gente esteja, então, como dona de casa, como submissa, como dócil, como não subversiva. Em diversos momentos da história, essa violência foi utilizada para dominar esses corpos. Isso é muito falado, inclusive no Calibanha bruxa da autora Silvia Federite, que é uma feminista
marxista. Então ela vai falar como historicamente o patriarcado, enquanto ele foi se Estruturando, eh, ele foi utilizando a violência para que as mulheres fossem para essas posições subalternas na sociedade. Porque se não fosse a violência de gênero, não existiria o patriarcado. As mulheres seriam muito mais subversivas, elas iriam para cima do sistema. E como que o patriarcado responde a essa subversão? Responde a essas mulheres que não são dóceis, que querem dominar espaços e ocupar lugares com violência. E nós percebemos muito Isso, principalmente em casos eh de violência doméstica, onde as mulheres dentro dos seus lares
sofrem violência doméstica porque não lavaram o prato direito, porque não arrumaram a cama ou simplesmente por serem mulheres insubmissas e que não aceitam determinadas decisões dentro do lar pela visão do homem ser o provedor, o homem que traz o dinheiro para casa e ela fica naquela dependência financeira dentro desse lar que é inclusive Institucionalizado pelo capitalismo, que separa, né, essa essa divisão do trabalho da mulher e do homem e que dentro do lar acontece essa violência doméstica justamente para definições dos papéis, a mulher ficar nesse lugar de submissão, de docilidade e o homem utilizando essa
violência para mantê-la nessa posição. Então, a abolição do patriarcado faria justamente que essa violência que a gente vê, principalmente dentro dos lares, por conta da Dependência financeira, por conta dessa posição que a mulher tem que estar dentro do sistema, ela seria abolida. Então, por isso que eu defendo essa superação tanto do patriarcado quanto do capitalismo, porque tanto a Silvia Federite quanto Angela Davis, quanto Guerda Leer vão trazer nos seus livros essa estruturação do sistema capitalista e do patriarcado a partir da violência, da dominação dos corpos e das pessoas para que elas fiquem naquele lugar. >>
Carol, o que você acha do conservadorismo? Ai, eu acho tão retrógrado, eu sei que é uma resposta clichê, mas eu acho que o conservadorismo ele só é bom para quem quer manter as coisas como está. E essa pessoa geralmente vai estar numa posição de privilégio, porque se ela quer manter as coisas como estão, ela não tem essa empatia pelas opressões e violências que estão acontecendo agora na sociedade. E não pensa como isso tem Que ser transformado, como isso tem que ser superado. Então, eu acho que o conservadorismo ele é muito antiquado, ele é muito retrógrado
e eu sei que as pessoas que defendem o conservadorismo defendem justamente por isso, porque tem uma visão do passado muito nostálgica e querem voltar a esse passado ou manter as coisas como estão agora. E eu já discordo disso. Eu acho que a gente tem que sempre superar, sempre melhorar e sempre ter uma visão de futuro, não Apenas uma visão de passado nostálgico, que a gente nem tem certeza se foi tudo isso mesmo. Então eu defendo o futuro, o progresso pra frente e não para trás. Quem foi a melhor e a pior pessoa para se debater
no Zona de Fogo? Ótima pergunta. Eu acho que assim, e eu não conseguiria dizer apenas, acho que uma melhor. Eu gostei muito da Sandra e da Moara, acho que é o nome dela, Sandra e a Moara, né? Eh, porque as duas trouxeram eh críticas importantes pro Movimento feminista e eu acho que elas estavam ali para ouvir, para ter uma troca real, para entender, eh, também para receber críticas e também para tecer críticas ao feminismo. Então acho que ali o debate fluiu muito bem, os caminhos fluíram muito bem e eu acho que a pior não foi
nem por questão de argumento nem nada assim, mas por questão de postura que foi a Vivi Tobias, aquela do Blazer azul com a coisa de crucifixo, mas pelo pela Postura dela mesmo, que ela não quis escutar, que ela não quis me ouvir, ela não me deixava falar e tudo que eu falava ela meio que distorcia de alguma maneira. Então ela não tava tão aberta como as outras antifeministas e até os outros homens também que estavam ali na roda para dialogar, né, pra gente chegar em algum ponto comum, entender as discordâncias, ela sentou, começou a gritar
e saiu, sabe? E falou um monte de coisas absurdas. Mas claro, outras Pessoas também falaram algumas coisas absurdas, só que a postura dela para mim foi uma das piores assim no debate, porque enquanto todas as outras pessoas vinham, me cumprimentavam, trocavam uma ideia mais tranquila, esperava eu falar, eu esperava a pessoa falar também, ela foi muito mais para sentar, gritar, falar o que ela queria sem me ouvir. Então acho que ali não foi muito um debate, né? foi mais um monólogo dela. Então eu tentei falar enquanto ela Falava para as pessoas também saberem minha opinião,
porque senão ela ia sentar, gritar e sair, né? Então para mim foi isso. Eu colocaria duas melhores, que foi a Moara e a Sandra, que para mim por serem mulheres negras, elas trouxeram vivências e uma realidade, uma perspectiva do feminismo que é muito importante pra gente ter essa autocrítica, mas que a Vivi Tobias, ela só sentou, gritou e e saiu que nem pombe xandrista, sabe? Foi mais ou menos Isso. >> Carol, o que você argumenta quando tentam usar Celina Guimarães ou César Zama para invalidar a luta das sufragistas? essa pessoa provavelmente é seguidor raiz meu,
porque eu tenho muito conteúdo sobre isso. Eh, as antifeministas elas são muito conhecidas por tentar tirar as conquistas das sufragistas e das mulheres no geral e tentar atrelar a pequenos indivíduos, conservadores e Pessoas específicas da história. Então, no caso do César Zama, por exemplo, as pessoas citam ele por conta do livro Perversão e Subversão da Ana Campanholo. E no livro ela vai explicar a história do sufrágio feminino falando que quem concedeu e lutou por esse direito no Brasil foi um conservador baiano chamado César Zama. Inclusive durante o debate, quando as pessoas ficam ali tentando entender
quem que foi o cara que concedeu o direito ao voto, não sei que Não sei que lá, eu jurava que a Ludmila ia sentar na minha frente e falar César Zama. Mas aí ela perguntou, né, pros universitários ao redor quem que era a pessoa e era Getúlio Vargas, né, que fez todo um lobby junto com as sufragistas, eh, convenções, banquetes, congressos, trocava telegrama, elas, eles eram muito próximos, tem até fotos e registros, né, sobre isso no Brasiliana Fotográfica, que é um arquivo histórico bem legal. E a Celina Guimarães, as pessoas citam, Porque ela foi uma
das mulheres que foi uma das primeiras a tirar o título de leitora no Rio Grande do Norte. E as pessoas acham que a Celina Guimarães chegou num belo dia e só decidiu tirar o título de eleitora e que ninguém lutou para que esse título de eleitora pudesse ser tirado. Sabe que ela só chegou num belo dia e ah, não, agradeço ao meu marido pelo meu direito de votar e tudo mais. Só que existe até entrevista da Celina Guimarães, quando ela já tava Mais velha ali pelos seus 70 anos, pra página Historiz que tá lá registrada,
onde ela agradece as sufragistas, porque se não fossem a sufragistas terem dialogado com o Juvenal Martin de Faria, que era governador do Rio Grande do Norte na época, elas não teriam tido acesso ao voto, porque ele era conhecido e próximo das sufragistas, porque a mulher dele também era a favor do direito ao voto. E ele queria ser um dos primeiros governadores do Brasil a Decretar dentro do seu estado o direito ao voto para as mulheres. Inclusive é lá que a gente vai ter a primeira prefeita do Brasil, né, Azira Soriano, em 1927, se eu não
me engano, que é ainda muito antes de 32, quando as mulheres oficialmente vão ter o direito ao voto no Código Eleitoral. Então, quando as pessoas citam Celina Guimarães, eu falo pra galera e estudar realmente a Celina Guimarães e o que que tava por trás da história para ela tirar o título. Porque Uma coisa é você ir tirar o título lá que já tá garantido, outra coisa é você reivindicar para que as mulheres possam tirar esse título, que foi justamente o que as sufragistas da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino fizeram. Elas deram banquetes, elas viajaram pelo
Brasil inteiro, conferências, congressos, trouxeram até sofragistas dos Estados Unidos e de outros países para dialogar e entender como que elas tinham conquistado direito Ao voto em outros países. Então eu acho sempre importante entender todo esse contexto histórico. E para quem quer entender um pouco mais sobre a história de luta, sobre o voto feminino no Brasil, eu sempre indico um livro gratuito que tá disponível na no perfil lá do site da Câmara dos Deputados, que é o voto feminino no Brasil da historiadora Teresa Cristina Marques. Ela tem basicamente toda a ordem cronológica do direito ao voto,
todos os Personagens principais envolvidos, as federações, partido republicano, Leolinda Daltro, Berta Lutes, Almerinda Farias Gama e até mesmo César Zama. Então você consegue entender qual que foi a relação dele com o sufrágio, que ele fez lá uma emenda no em 1900, em 1830 por aí. E milhares aí de anos depois, décadas de anos depois, veio Getúlio Vargas para aí sim conceder o direito ao voto para as mulheres. Só depois de muita luta, de muita Reivindicação, que foi o que eu até falei no debate, que foi a reivindicação tanto das sufragistas que eram feministas declaradas, como
Berta Lutz, Leolinda Daltro, quanto setores cristãos, conservadores, liberais, tiveram sim, mas as mais conhecidas no Brasil, por elas terem mandado cartas, terem feito conferências, petições, impressos, os feministas falando sobre isso, sobrevoavam o Brasil falando, né? Eh, foram as sufragistas. Então, por Isso que é sempre importante a gente estudar os livros de história que abordam esse tema, que foi até o que eu falei pra Ludmila lá na hora, que às vezes você não tá lá, né, para você saber o que aconteceu. Por isso que é bom você comprar um livro de história, porque tem todas as
informações que você precisa saber sobre o passado. Olha que mágico, indico para vocês. Mas foi o que mais a galera falou nesse corte da do pô, tem livro de história, cara. Tudo Bem, não tava lá. Mas é o que a galera fala, geralmente quando é estudante em sala de aula, pô, professor, eu não tava lá, como é que eu vou te responder? Carol, onde você compra a paciência? Tô precisando. Cara, pior que todo mundo pergunta isso, mano. Eu em todos os lugares que eu fui essa semana, em todos meu nas redes sociais, eu leio as
mensagens também, as os comentários lá do debate, todo mundo perguntando: "Meu Deus, onde que essa Menina tira paciência? Eu teria usado a cadeira lá lá logo no começo já tinha pego a cadeira, já tinha virado a mesa." Gente, o que acontece? Eu acho que depois de tanto tempo participando de debates, lendo, estudando, se informando, principalmente sobre o oponente também, não só sobre o meu movimento, mas sobre o antifeminismo, quando você chega nesses lugares, você não se assusta tanto, porque você meio que já espera que elas vão falar aquilo. Às vezes você espera até que elas
vão falar coisas piores do que elas falam. Então você não se assusta tanto na hora, mas a paciência vem de um lado muito pedagógico, de você entender que aquela pessoa às vezes não conhece nada sobre o feminismo, até mesmo do antifeminismo, como a gente pode ver. E a gente ter essa empatia com essa pessoa de falar: "Poxa, realmente, né, você não sabe sobre essa pauta, você não entende sobre esse tema". E a paciência que eu fui Tendo ao longo do debate foi justamente porque eu fui percebendo que essas pessoas se diziam antifeministas e não sabiam
o que que era antifeminismo, sabe? Então a empatia foi acima de tudo de falar: "Caraca, então deixa eu te entender, deixa eu te ouvir, entender sua vivência, entender tua história, o motivo de você ser antifeminista para aí sim a gente debater." Por isso que eu acho que uma das mais difíceis de de debater foi a própria Vivi, porque eu Não consegui entender os caminhos que ela tava querendo ir. Quanto as outras pessoas, foi muito mais tranquilo nesse sentido. Eu acho que aqui eu realmente eh me exaltei foi com a Vivi Tobias, porque ela sentou, começou
a gritar e, como eu falei, saiu que nem pombe xandrista batendo palma e toda feliz contra método contraceptivo. E essa foi a que eu mais me exaltei porque ela não me deixava falar, então não tinha como ter paciência com alguém que não te Deixa falar, não te escuta. E eu acho que em outro momento também com a Chic, acho que foi o nome dela também que do aborto, que ela tava lendo um textão e ela não parava de ler, aquilo começou a me deixar angustiada por causa do tempo. Eu olhava o tempo e olhava as
pessoas ao redor e eu pensava: "Meu Deus do céu, tem mais um monte de pessoa para debater aqui. Essa menina fica lendo esse negócio e não resume". E aí vai batendo uma certa impaciência, viu gente? Porque Aí vocês viram a minha impaciência porque a pessoa tava lendo, lendo, lendo e eu tava: "Meu Deus do céu, só resumo. Qual que é seu argumento? Eu quero entender para onde, quais camisas que a gente tá indo". Aí surge uma impaciência, mas no restante foi muito tranquilo porque eu via que elas não sabiam o que que era feminismo, não
sabiam o que que era antifeminismo e eu senti que foi oportunidade de dialogar com essas mulheres, sabe? De me colocar Também no lugar delas e tentar entender os motivos delas serem antifeministas. Já as outras ali que foi gritarceira, que foi mau humor, que foi ali é desrespeito, já foi mais complicado ter paciência, né? Porque olha, >> por que aborto é questão de saúde pública? Bem, já é consenso da maioria das organizações que nós temos, principalmente a Organização Mundial da Saúde, que foi algo que eu citei lá inclusive no debate falando que é um Consenso, que
aborto é uma questão de saúde pública, porque a saúde pública ela trata da vida e também trata de infecções, dessas relações envolvendo cirurgias e tudo isso. Quando nós temos o aborto inseguro, ilegal, as mulheres e pessoas que gestam acabam recorrendo a clínicas clandestinas. Nessas clínicas, elas podem sofrer hemorragia, elas podem morrer, o que aumenta a mortalidade materna e que é algo tratado dentro da saúde pública. Elas podem sofrer Infecções. E tudo isso que a gente cita aqui, desde a mortalidade materna, infecções, hemorragias, vai ter que ser tratado dentro do serviço público de saúde por meio
de curetem, de tratamentos que vão ter que ser vão ter que ser feitos por conta dos abortos. Se isso for feito de maneira legal dentro do sistema público de saúde por remédios como misoprostol, eh, que a gente consegue de alguma maneira cuidar dessa mulher dentro do sistema público de Saúde, a gente tem a garantia, na maioria das vezes, de que ela não vai morrer por uma hemorragia ou que não vai ter uma infecção porque vai estar dentro de um centro médico com pessoas especializadas fazendo aquilo e não de forma clandestina. Então, o aborto é uma
questão de saúde pública, porque em todos os países que foi legalizado o aborto, reduziu a mortalidade materna, reduziu as infecções, reduziu as hemorragias. O que nós temos hoje são Mulheres que vão em espaços públicos, como tem no Uruguai, em outros lugares como México também, que elas vão nesses locais públicos e fazem um aborto sem ter toda aquela criminalização, sem ter toda aquela revitimização e culpabilização dessa mulher que simplesmente não quer manter uma gestação. E aqui, por isso que eu sempre falo, eu defendo aborto, tanto no caso de estupro, de anencecefalia, formação fetal, risco a vida
gestante, ou se a Mulher ou a pessoa que gesta não quiser continuar com essa gestação. E aí é importante falar pras pessoas que sempre têm dúvidas se ai o aborto vai virar método contraceptivo, né, que a galera sempre fala. Método contraceptivo, galera, é para você evitar a concepção. Aí entra o anticoncepcional, a camisinha, o diafragma. todos os métodos contraceptivos, como implan. O aborto é depois de já concebido que você interrompe essa gestação. Então não tem Como você usar aborto como método contraceptivo, por isso já não faz nem sentido na educação sexual. Para vocês terem noção,
por isso que a gente defende tanto a educação sexual pedagógica nas escolas, nas universidades, junto com as famílias. A gente defende o planejamento familiar, a gente defende os métodos contraceptivos e o aborto sendo público, seguro e gratuito. A gente, enquanto feminista marxista, não defende nem que existam Clínicas privadas para que as mulheres eh abortem. Pelo contrário, porque se isso existir, apenas mulheres ricas vão poder abortar, apenas mulheres que tm condição financeira vão poder abortar. Então, por isso que a gente defende o aborto seguro, público e gratuito para que essas mulheres possam utilizar dentro dos serviços
públicos de saúde. Existem países hoje, como por exemplo El Salvador, que o aborto é extremamente criminalizado em todos os casos, Inclusive nos casos de sopro, de malformação fetal e aence enencefalia. E atualmente, pessoal, até mulheres que estão sofrendo abortos espontâneos, que elas estão querendo gestar, que elas estão querendo parir, mas acaba acontecendo alguma coisa que a gestação é interrompida, elas estão sendo presas porque eles não têm como comprovar que ela não tentou interromper. Já tem mais de 10 casos que eu vi em Salvador de mulheres atualmente que estão falando Que elas estão sofrendo com essas
questões da criminalização, porque à medida que você vai criminalizando, você já não tem mais nem como ter certeza se aquele aborto foi enduzido ou se foi espontâneo em países que são criminalizados. E nós vimos diversos relatos, inclusive no meu debate com a Sandra, que foi uma das coisas importantes que ela pautou, o como isso é tratado dentro da saúde pública, porque até mulheres que sofrem abortos Espontâneos hoje acabam ficando infértil porque não tem a devida atenção de qualidade nos serviços públicos. Então, aí que a gente teve, chegou numa concordância, né, eu e ela, porque a
gente entendeu que sim, abortar é uma questão de saúde pública, porque até mesmo as mulheres que abortam eh sem querer abortar, de forma espontânea e que estão querendo gestar, estão querendo parir e ser mães, elas não são bem tratadas nos serviços públicos de Saúde, elas não são vistas como seres humanos dignos de direitos, porque é criminalizado. Muitas dessas mulheres saem do hospital algemada, ao invés de ser acolhida, de ser ouvida, de ter acesso à informação, de métodos contraceptivos, de planejamento familiar, de acolhimento psicológico para essa mulher que sofreu aborto, ela vai pra prisão. Então, por
isso que eu acho que aborto é uma questão de saúde pública e não de segurança pública, Porque uma mulher que aborta, ela tem que ser acolhida independente se foi um aborto induzido ou se foi espontâneo e não presa numa cadeia, não com uma algema. Então, essa é minha opinião. >> O que é ser mulher? >> Essa é uma pergunta que atravessa a história, viu, gente? Principalmente porque ser mulher é uma posição social historicamente oprimida e construída pelo patriarcado e pelo sistema capitalista. Então, quando eu perguntei No meu debate sobre o que era ser mulher para
essas pessoas, é porque justamente ser mulher faz com que a gente sofra as violências que nós sofremos dentro do sistema, que é ser mulher que faz com que a gente sofra violência doméstica, violência sexual, supprosos, eh, de guerra, inclusive que a gente seja as principais em situação vulnerável dentro da sociedade. É justamente por ser mulher e ser construída dentro dessa sociedade como mulheres que nós somos Oprimidas. você pode ser eh vista como uma mulher diferente de acordo com a sua nacionalidade, com a sua raça, com a sua religião, com a sua etnia, com a sua
identidade, com a sua expressão. Dependendo do que você entende do que é ser mulher, independente da sociedade, da época, do período, da história, vai ser diferente. Porque ser mulher é justamente essa posição social que historicamente vai ser oprimida pelo sistema e que vai se adequar de acordo Com o sistema. Então, ser mulher na antiguidade era uma coisa, ser mulher na idade contemporânea é outra. Ser mulher no ocidente é uma coisa, ser mulher no Oriente é outra. A ser mulher dentro da religião cristã é uma coisa, ser mulher dentro da religião islâmica é outra. O ser
mulher, ele vai se adaptar, ele vai mudar, porque ele é construído socialmente. >> Você acha que em algum momento teremos mais sociedades matriarcais? >> Essa até é uma pergunta interessante, porque existe uma crítica sobre essa pergunta no livro A criação do Patriarcado da Guerda Learner. Porque quando a gente pensa que as sociedades são patriarcais, logo nós pensamos, pra gente mudar isso, só uma sociedade matriarcal, certo? errado. Porque quando a gente pensa em feminismo marxista, nós não queremos mudar a hierarquia. Nós não queremos que as mulheres dominem os homens ou que os homens dominem as Mulheres.
Nós não queremos dominação, nós não queremos controle, nós não queremos existência de poder. Nós não queremos um acima do outro. Nós queremos equidade. Nós queremos que homens e mulheres sejam vistos como equânimes na sociedade e não como a mulher acima do homem ou o homem acima da mulher. Inclusive a título de curiosidade, já tiveram sociedades neolíticas, que é falado na criação do patriarcado da Garna Leerner, que eram sociedades Matrilineares. Isso não quer dizer que eram matriarcais, porque não existia dominação de mulheres sobre homens. Mulheres não mandavam nos homens. Mulheres não coibiam homens por base da
violência, simplesmente eram sociedades centralizadas na mãe, né? Então, sociedades onde a mãe era vista como o poder dentro da família, a cabeça dentro da família, é diferente das sociedades patriarcais, onde o homem é a cabeça da família, e também sociedades africanas, Sociedades indígenas que tiveram ao longo da história que foram matrelineares, mas nenhuma matriarcal, porque não existe essa dominação de mulheres sobre homens. Isso nunca aconteceu na história, pelo contrário, matrilineares só porque eram mães centralizadas dentro da família, dentro da estrutura familiar. E eu acho particularmente que a nossa luta enquanto feministas não deve ser para
um matriarcado, mas sim para um sistema, Para uma sociedade sem nenhuma estrutura de poder, porque as estruturas de poder que fazem com que todos nós sejamos oprimidos. E a gente não quer que sejam mulheres no poder oprimindo outras mulheres ou outros homens. Correto? >> Carol, você já agradeceu a princesa Isabel pelo seu direito ao voto? Caraca, imagina se eu não agradeço pelo direito, não. Se as pessoas negras já não agradecem pela abolição da escravatura, porque sabe que envolveu Movimentos abolicionistas, você acha que eu vou agradecer pelo direito ao voto? Para, né? Pelo amor de Deus.
>> Carol, por que a ocupação algoabenário onde supostamente acolhe mulher vulnerável, mas parece um cativeiro? >> Égua, a minha resposta mais sincera, né? Égua. Mas gente, eu acho que essa visão de cativeiro é porque são ocupações em prédios e terrenos abandonados. São lugares que se você passaria na frente Você veria como um ponto de uso de droga, um ponto de violência, de abandono do Estado, enquanto essas mulheres, por força própria, com as próprias mãos, vão lá, ocupam esses prédios e terrenos abandonados e fazem toda a estrutura. E eu acho que também essa visão de cativeiro
surge muito de uma criminalização dos próprios movimentos sociais, sabe? Porque o movimento quando ele entende que nós temos muitos Prédios abandonados e muitas mulheres em dependência econômica dentro de casa, dependência financeira e não tem como sair do lar, gente, honestamente, nenhuma mulher vai olhar se a parede tá bem pintada ou se tem uma boa estrutura quando ela tá fugindo da violência doméstica. qualquer espaço é muito melhor do que um lar violento. A gente sabe disso. E essas mulheres estão sempre pedindo ajuda, sempre pedindo contribuição, principalmente do Estado, Porque o papel da moradia não é do
alga Benário, o papel da moradia é do Estado, tá na Constituição. E é o algaabenário que tenta fazer isso na prática porque o Estado é negligente. Se hoje nós temos ocupações do Algabenário, é porque o Estado está sendo negligente e as mulheres estão tendo que fazer isso pelas próprias mãos. Não são homens que estão fazendo isso. São mulheres que estão ocupando esses terrenos, esses prédios abandonados, ajeitando toda a Fiação, fazendo toda a limpeza, toda a pintura, toda a organização, toda a gestão de horários de entrada de saída de pessoas para que essas mulheres tenham algum
lugar para ir. Então eu acho que antes da gente questionar sobre o cativeiro, a gente tem que conhecer esses lugares, conhecer essas pessoas, essa realidade, conversar com esses coletivos e a gente se posicionar de alguma maneira para que esses lugares sejam ainda melhores para essas mulheres E que o estado seja mais presente para que elas não precisem ir para prédios abandonados, para que elas tenham casas, como foi prometido aí pelo governo Lula, Bolsonaro, todo mundo, que tivesse a casa da mulher brasileira. Se a gente tivesse mais casas da mulher brasileira ou se a gente tivesse
mais lugares feitos pelo próprio estado, nós não teríamos que ocupar prédios e terrenos abandonados, sabe? Então acho que a gente tem que ter empatia com essa Questão e entender de verdade o que que são as ocupações do Algabenar e porque que elas têm essa aparência que algumas pessoas acham. é um prédio abandonado. É um prédio que talvez seria utilizado como ponto de droga, de venda ou uso de droga e que hoje está sendo utilizado como uma casa de ocupação de mulheres vítimas de violência, mulheres que estão saindo das suas casas, onde é o conforto delas,
onde é a onde tá a cama delas, a família delas e tudo que elas amam, Porque elas estão sofrendo violência lá e elas não podem mais ficar lá. Então elas precisam de algum lugar para ir. E o Algabenário tá fazendo esse papel extremamente importante que o estado está negligenciando, infelizmente. >> O que você achou da experiência como candidata a deputada? >> Eu gostei bastante. Eu acho que foi muito legal. Eu fiz uma uma campanha bem chuta, assim, eu fui a segunda mais votada do partido. Mais de 8.000 votos De catarinenses que confiaram muito na minha
atuação como militante e acreditaram que eu poderia também atuar dentro do estado. Só que eu acabei também sofrendo muita violência política de gênero, muito hate, muitos comentários agressivos e que me fizeram repensar muito assim se eu continuaria pensando a política institucional, porque eu faço política fora das instituições, eu faço política na rua, nas manifestações, nas redes, nos Debates. E hoje a política institucional já não me interessa mais tanto por conta da violência política de gênero mesmo, porque é muito violento, é um lugar ainda muito patriarcal e ainda é muito difícil de se posicionar. >> Carol,
como é ser a mais? >> Eu adorei Carol mais mais. Eu não sei, gente. Eu realmente acho muito engraçado a galera eh exaltar a gente pela forma que a gente debate, mas simplesmente porque a gente gosta de sentar conversar Com as pessoas e ver o caos acontecer também. Carol, dá um conselho para quem pensa em se afastar do feminismo. Ah, eu sempre falo para essas pessoas tentarem de alguma maneira ter contato com o feminismo das bases mesmo, ir numa manifestação feminista, ir atrás de um coletivo feminista, ir nas ocupações feministas, ler alguma coisa relacionada ao
feminismo, às obras feministas, para que você se reconecte com o feminismo de Verdade, porque às vezes você tá se afastando do feminismo porque você não tá vendo ele na prática. E é isso que muito afasta as pessoas, tanto as pessoas que não conhecem o movimento, quanto as pessoas que já se identificam como feministas, mas que não abraçam tanto a pauta assim, apenas se denominam, mas que não conhece e já pensa: "Ah, vou me afastar porque já não me vejo tanto aqui". Talvez é porque você não vê a prática, porque você não Vê as ocupações que
eu acabei de falar, ocupações feministas, você não vê as redes de apoio, os coletivos, você não tá envolvida enquanto militante dentro do movimento, às vezes como uma advogada probono, uma psicóloga que atende de maneira também probono essa galera. Então eu acho que é como você tá organizada dentro desse movimento, se você tá conectada realmente com as bases do movimento ou se você ainda não tem esse contato e tá ainda superficial, Sabe? Então, na minha visão, é realmente voltar paraa base, é ir num uma manifestação feminista, é ir numa marcha, é conhecer um coletivo, é entrar
em contato com outras feministas para tentar de alguma maneira se organizar, fazer algum projeto na sua cidade, porque o feminismo ele é importante paraa nossa luta. E se você não consegue se organizar em nada desses espaços, então que a sua luta seja dentro dos espaços que você está, né? que você às Vezes trabalha em algum lugar e você pode ter uma atuação feminista ou você quer consumir feministas, compartilhar trabalho de feministas, assinar petições, sempre tem alguma maneira de você participar no que cabe para você, no que funciona para você, sem se sem cobrar, é claro,
desde que não vire antifeminista, tá? Aí tá tudo certo. >> A exploração das fêmeas de outras espécies não deveria estar dentro do escopo do feminismo. >> A título de curiosidade, já está. Como a gente estava falando antes sobre os movimentos feministas serem muito diversos. Uma das vertentes que fala exclusivamente sobre essa questão das fêmeas, né, da do caso das vacas, das galinhas, de outras eh fêmeas, de outras espécies, né? é o ecofeminismo. O ecofeminismo é o que mais fala disso. Inclusive, tem um livro que eu posso indicar para você que tá assistindo que é política
sexual da carne. Esse livro Fala basicamente sobre isso, a relação da do patriarcado com todos os tipos de explorações de fêmeas de todas as espécies que existem, inclusive é o ecofeminismo, que também faz muitas críticas ao especismo e essas questões. Então fica aí a título de curiosidade também. Dentre todas essas vertentes que eu falei antes que questionaram por que tem tantas vertentes dentro do movimento feminista, tendo ecofeminismo também, que é justamente essa que vai analisar o Caso das fêmeas de outra espécie. >> Como que fala para uma antifeminista que ela só pode dar opinião por
causa do feminismo? Ai, é muito engraçado porque elas vão negar o máximo possível, elas vão dizer que elas podem dar opinião graças ao marido delas. Ou elas vão agradecer algum homem por ter o direito de opinar. Pode ter certeza. Elas vão arranjar algum homem na história, em algum lugar do mundo. Ou Como aconteceu com a Leade, elas vão dizer que algum homem deu direito de todas as mulheres falarem ao redor do mundo, igual sufrágio. >> Se você fosse para um debate contra a Ana, qual tema escolheria? Antifeminismo, de verdade, eu escolheria antifeminismo, porque eu quero
ver alguma antifeminista me dizer o que que é antifeminismo. Alguma antifeminista precisa me dizer o conceito de antifeminismo, precisa me Dizer o que que o antifemismo já fez na história, precisa me citar alguma coisa relacionada a antifeminismo. Eu não vejo a hora de debater com alguma antifeminista, independente seja Campanholo, Ingrid da Silveira, qualquer uma dessas que seja Júlia Zanata, Cristo Nieto, Biaquicees, todas essas antifeministas, para perguntar para essas mulheres o que de achas que é antifeminismo, porque parece que nem as alunas delas sabem. Eu fico desesperada Com isso. Eu vou em debate com antifeminista, vocês
devem ter visto no 20 contra um. Terminou o debate, a galera não sabia o que que era antifeminismo. Todo mundo terminou sabendo o que que era feminismo, a luta das feministas, quais que eram, quais projetos que a gente pautava e as antifeministas. M diz: "Você ficou sabendo o que que foi o antifeminismo? Qual foi a história do antifeminismo?" Não, porque elas não sabem. Aí eu queria Muito debater com a Ana e toda essa galera aí que é mais, né? tá no topo aí das antifeministas, as líderes, as professoras, as que ensinam as outras antifeministas, para
que alguma delas sente na minha frente e debata de verdade sobre antifeminismo, porque assim, não dá para você falar que antifeminismo é sobre é dizer que a mulher é poderosa, sabe? Não dá, não dá, honestamente, porque é é entender a mulher num espaço de submissão, de Subserviência, sabe? de acolhedora, de de tudo isso, não tem nada a ver com sera. Então, é muito complicado que eu espero debater com ela para que a gente chegue, né, numa conclusão e que a audiência que tá assistindo consiga aprender alguma coisa, sabe, que possa falar: "Não, realmente antifeminismo é
isso, feminismo é isso e a partir disso eu escolho o meu lado". Mas aí fica muito difuso quando a galera não sabe definir o que é antifeminismo, quando Chega aqui e fala para mim: "Ah, nós somos as primeiras feministas dessa geração". Pelo amor de Deus, tem que ler o livro da Ana Campola, então, porque lá tá falando que tem antifeministas lá desde a primeira onda, já que tem mulheres já contrárias ao voto já desde a primeira onda. Tem que conhecer na segunda onda as mulheres que foram contrárias aos direitos civis nos Estados Unidos, sabe? Então
eu queria de verdade debater com Alguém, independente de quem seja, que entenda de verdade o feminismo. E para mim, eu acho que a campanha OL é essa pessoa, porque ela lançou livro sobre o tema. Ela tem mais aí de seis livros, acho que lançados sobre o tema. E eu acredito que ela vai ser uma dessas pessoas que vai conseguir sentar na minha frente e defender o antifeminismo com a Finco de dizer: "Olha, o antifeminismo faz isso, pá, pá, pá, pá". Coisa que não aconteceu no meu debate, Que eu acho que não só eu fiquei nessa
expectativa, como você que tava assistindo também ficou nessa expectativa de saber o que que as antifeministas estão propondo pros homens, o que que elas estão propondo de alistamento eleitoral, o que que elas estão propondo de violência contra homens. Eu gostaria de poder questionar a deputada sobre isso, mas infelizmente, pessoal, acho que a gente vai ficar devendo para vocês, não da minha parte, Mas da parte dela, que já falou, né, publicamente que ela não debate comigo porque eu fiz piada lá com o falecido. Mas é isso, pessoal. Infelizmente o debate não vai acontecer e não é
por minha causa, mas por causa dela. Então cobrem ela. >> Carol, o que você acha dessa geração de jovens conservadores? Na minha visão, esses jovens conservadores, eles são um sintoma das crises do capitalismo, porque eles não vêm uma perspectiva de Futuro. Eles vêm que o mundo tá se acabando, que tá aumentando o desemprego, que tá aumentando as crises econômicas, eh, sociais, culturais, políticas, o mundo todo tá em crise, tá em guerra, tá em conflito. E aí esses jovens eles não vem possibilidade de futuro porque eles nem devem imaginar que vai ter futuro pelo andar da
carruagem do capitalismo, né? Que não vai mais existir e mundo daqui 5 anos. Então, na minha visão, esses jovens Estão ficando cada vez mais conservadores, porque eles querem voltar a um passado ou manter as coisas como estão por ser algo mais seguro ou por ser um um passado nostálgico que eles não estiveram presentes. Então, para eles, as pessoas que vivenciaram esse passado, os pais, as mães, falam: "Não, nossa, no passado era muito melhor quando não tinha esse negócio de direito das mulheres, quando não tinha esse negócio aí de direitos LGBTs, quando não Existia esse negócio
de cotas raciais, esses direitos aí de reparação histórica. O passado era muito melhor quando a mulher era submissa, a dona de casa, que o homem que era provedor, não existia crise, tava tudo bem estabilizado na sociedade. Então, esse jovem acaba sendo alienado por todo esse discurso conservador que tenta evitar eh de alguma maneira que esse jovem perceba essas crises do capitalismo e tente retroceder e conservar um passado que Ele nem conhece e que ele defende porque é o que ele ouve dos pais, eh, dos colegas, de amigos conhecidos, mas ele não conheceu esse passado. Eu
digo isso principalmente relacionado às meninas antifeministas que defendem muito o antifeminismo, um conservadorismo, uma volta a um passado ideal que elas achavam maravilhoso, as donas de casa com seus belos vestidos, bem aquela coisa mística feminina que a Bet Friedland falava das mulheres com seus Vestidos rodados, eh é ombro, e coisas bufantes e fazendo seu próprio pão e sua própria manteiga, sendo que é basicamente opressão, exploração, é querer voltar tá? Um passado onde as mulheres eram exploradas e oprimidas justamente por esse trabalho não remunerado e não valorizado e querer voltar a um passado que ela nem
conhece. Porque se ela for perguntar para uma avó de 60, 70 anos se ela gostaria de voltar aos anos 40, 50, que era desse dessa Perspectiva que essas mulheres tinham, ela vai dizer: "Não, que isso? Hoje vocês podem aí, ó, estudar, ir pra faculdade, viajar, vocês podem conta bancária, vocês podem assinar com o próprio nome de vocês, quem voltar o passar do qu, gente. Então é isso. Eu acho que os jovens estão ficando mais conservadores porque eles não vem perspectiva de futuro. E eu acho que quem tira essa perspectiva de futuro deles é justamente o
sistema que a gente Tá inserido, que vê esses jovens vê essa escala 6 por1, esse desemprego, essa exploração e eles não querem se ver nisso. Eles querem voltar a um passado onde as mulheres eram submissas, donas de casa e os homens eram quem ia pro trabalho e provia. Então é um passado que é ideal dentro da cabeça deles, que não é um passado real, porque se a gente voltar a esse passado, a partir de dados, de estatísticas, a gente vê as violências que as mulheres sofriam, as Opressões dentro do lar, o como essas mulheres não
tinham também perspectiva, sabe? Então eu acho que é esse entendimento que eu tenho dos jovens mais conservadores, que é eles não terem perspectiva de futuro. E a nossa função enquanto militantes, enquanto feministas, enquanto marxistas trazer esse projeto de futuro para esses jovens. >> O que acha do feminismo liberal? >> Eu acho que o feminismo liberal ele teve Muitas construções ao longo da história e negável na primeira onda feminista. era o feminismo que a gente tinha, né, das sufragistas, da luta pelos direitos civis, os direitos políticos, as mudanças na legislação também são muito reivindicadas para essas
feministas reformistas. é innegável essa construção, mas ao mesmo tempo eu acho que elas continuam muito na superfície da luta, que elas ainda estão querendo apenas reformas dentro do sistema Capitalista, pois elas defendem o sistema capitalista enquanto sistema econômico e acham que as mulheres vão poder se empoderar individualmente, crescer a partir da meritocracia, vão conseguir de alguma maneira eh uma posição de domínio, de prestígio, de poder dentro desse sistema capitalista e que essa mulher será liberta por conta disso. Mas como eu parto de uma perspectiva do feminismo marxista, eu acho que todas as mulheres têm que
ser Livres. Então eu acredito no empoderamento coletivo, na emancipação coletiva das mulheres, da libertação de todas as mulheres e não apenas de uma única mulher que conseguiu poder, conseguiu ser CEO, conseguiu alcançar política. Não que eu não vá apoiar essa mulher, mas eu acho que não é porque essa mulher individualmente vai crescer na sociedade, como muitas feministas liberais defendem, que as outras mulheres vão estar livres, porque essa Mulher CEO pode acabar oprimindo a zeladora da empresa, sabe? Então, enquanto existir dominação, opressão, hierarquia, onde a gente pensar apenas em formas individuais, individualistas de libertação das mulheres,
a gente não vai libertar todas as mulheres. E ao longo da história, o feminismo liberal ficou muito conhecido como um feminismo excludente, um feminismo branco, onde era apenas preenchido por mulheres brancas de classe média e elitistas Mesmo, eh, até acadêmicas, mulheres que tinham acesso a conhecimentos que outras mulheres não tinham. Então, por isso que até o sufrágio feminino ao redor do mundo ficou muito conhecido como um movimento muito de mulheres brancas. Mesmo que no Brasil a gente tivesse eh sufragistas negras, como a Almerina Farias Gama, ainda era um movimento que pensava em reformas, né? Uma
forma de reformar o código eleitoral, de inserir as mulheres na política, mas não de Entender o por que as mulheres não podem fazer parte da política. Por que que esse sistema está se estruturando de uma maneira que exclui as mulheres, os analfabetos, os negros, os deficientes, as pessoas pobres, entendeu? o sistema enquanto uma grande estrutura que precisa ser modificado e que os problemas são estruturais e não individuais. E aí que eu eu discordo muito das feministas liberais que elas acham que simplesmente fazendo algumas Reformas aqui, algumas mulheres conseguindo se emancipar, se empoderar individualmente, elas estarão
livres. Eu defendo a liberdade de todas as mulheres e eu acredito que essa essa liberdade só vai existir com a superação do sistema capitalista que as feministas liberais defendem. Tem uma frase muito interessante do livro Feminismo pros 99%, que para quem quiser entender uma crítica boa ao feminismo liberal, é importante ler feminismo paraos 99% Manifesto, que a tese dois desse livro fala o como o feminismo liberal está falido e como ele não inclui as mulheres, como ele quebra o teto de vidro, que é muito utilizado pelas feministas liberais, nós precisamos quebrar o teto de vidro
enquanto outras mulheres catam os cacos de vidro. E é esse feminismo que a gente tem que questionar, esse feminismo que a Moara, a Sandra e outras mulheres sentaram na minha frente para criticar. E é esse Feminismo que eu também critico junto com elas. >> Carol, o que é revolução sexual? >> Ah, isso foi o que a gente entrou em debate, né, lá no 20 contra um e que não conseguiu dar tempo da gente contextualizar direitinho pro pessoal. Mas revolução sexual, em suma, galera, foi um movimento da luta feminista, um período ali da luta feminista, onde
a gente começou a reivindicar na segunda onda, entre os anos 60 e 80, os direitos Reprodutivos e sexuais das mulheres, a autonomia feminina, a liberdade sexual. E aí entrou a luta pelos métodos contraceptivos, a existência do anticoncepcional, né, que vai ser uma libertação para as mulheres também o entendimento do sexo não ser só para procreação, mas também ser um espaço de prazer. o orgasmo feminino, o planejamento familiar também foi algo muito pautado nessa revolução sexual, como as mulheres podiam planejar suas Famílias, não ser simplesmente castas e depois abertas à vida, mas poder planejar de alguma
maneira quantos filhos quer ter, como evitar uma gestação e coisas do tipo, o debate sobre o aborto legal e seguro, dentre outras pautas relacionadas também até a questões do trabalho, os lugares que mulheres ocupavam dentro do mercado de trabalho, eh profissões que mulheres ainda não podiam participar. Então essa revolução sexual, muitas pessoas acham Que foi ai para as mulheres poderem sair e darem para quem elas quiserem, que foi o que eu ouvi no debate, né? Que ai, porque as mulher as feministas querem que as mulheres saiam com um monte de homem, não sei quê. Pelo
contrário, foi basicamente que a gente trouxe um entendimento pra sociedade que até então o sexo era visto apenas como uma forma de procriar. E por conta disso não existiam então métodos contraceptivos, planejamento familiar, educação sexual, Debate sobre aborto, dentre outras questões que também envolvem a sexualidade, como o próprio prazer, o orgasmo, a masturbação, que são temas que para conservadores, para pessoas que são contrárias também ao direito das mulheres, é puro o tabu, né? por tabu. E quando a gente pauta qualquer um desses temas, como educação sexual, métodos contraceptivos, que eu ouvi no debate antifeminista falar
que é contra métodos contraceptivos, elas consideram Libertinagem. Então, por isso que muitos conservadores acham que a revolução sexual eh trouxe libertinagem para as mulheres e coisas do tipo, mas foi porque trouxe autonomia para as mulheres, que antes elas não tinham acesso a métodos contraceptivos para evitar uma gestação. Então, elas tinham um filho atrás de filho. Vocês podem perguntar pras avós de vocês, pras bisavózs, como que era no passado, bem nessa época aí da da revolução sexual Feminista, como que era a questão do método contraceptivo, do planejamento familiar, do casamento, né? até mesmo do casamento com
crianças. Então tudo isso foi questionado por feministas e é isso que é a revolução sexual, que muitas pessoas acham que foi um movimento pela libertinagem, pelo contrário, foi pela autonomia feminina. E aí você tem que se questionar, né, nessa provocação, por que que a autonomia feminina é vista como libertinagem? >> Não entendi. >> Ele nem tá segurentando. Muito bom. Não entendi o argumento da Chics. Será que ela já conseguiu concluir? Eu também não sei. Eu acho que ela tá até hoje lá no no 20 contra um concluindo, sabe? Eu acho que ela ainda tá lendo
o negócio. E eu queria muito saber também sobre aquela outra menina que tinha uns brilhinhos no rosto, qual que era a segunda fábula que ela ia trazer? Porque ela tinha duas, não Tinha? Ela falou: "Tenho duas coisas para trazer". Aí ela começa a trazer a primeira fábula e eu acho que tiraram ela antes da segunda. E aí eu queria, eu queria muito saber qual era a segunda fábula que ela ia trazer, que a galera, infelizmente, levantou as bandeiras e tirou ela antes da gente saber, cara. Ah, eu fiquei sentadinha lá assim, só esperando. Não, beleza,
conte sua fábula. Mas adoro ouvir histórias, né, gente? mesmo sendo até tava ali feliz da Vida escutando as histórias da Bíblia, mas tiraram ela depois da segunda. Eu nem entendi da onde ia sair o argumento dela ali, sinceramente. Mas é isso, né, galera? Histórias, histórias. >> Como começar a estudar feminismo? >> Ah, isso todo mundo me pergunta. Eh, uma dúvida muito recorrente, porque a galera não sabe se começa a estudar por livros, se começa a ver filmes, documentários, se vai se organizar num coletivo. Mas então, para você que quer começar a Estudar feminismo agora e
não sabe por onde, eu super recomendo que você comece por livros super didáticos, como feminismo pros 99%, o manifesto que eu citei agora h pouco, ele é separado por teses, então você consegue saber as lutas do movimento feminista na atualidade. Tem o feminismo é para todo mundo, da Bel Hooks políticas arrebatadoras, que ele também é bem curtinho, uma linguagem bem acessível, bem didática, porque a Bel Hooks ela é Bem acessível e ele explica todas as políticas importantes pro movimento feminista tanto ao longo da história até os dias atuais. E claro, não dá para esquecer de
citar para vocês eh feminismo no Brasil, memórias de quem fez acontecer, que também é um livro sensacional para quem quer entender a luta feminista no Brasil, porque para você defender a luta do feminismo atual, é sempre importante você entender a luta histórica do Feminismo. Então, esses três livros para quem tá começando a estudar são essenciais, mas caso você queira algo mais aprofundado, mais específico, aí gente, eu já recomendaria você, por exemplo, ler Mulheres, raça e classe da Ângela Davis para estudar sobre feminismo e interseccionalidade de opressões, como raça, classe, gênero, além dessa visão de gênero
e também já ter acesso às autocríticas do movimento feminista sobre exclusão de mulheres Negras ao longo da sua história. Recomendo também lê Silvia Federite Calibanha Bruxa. Não tem como você deixar isso de fora da tua lista de leitura, porque você precisa entender como a caças bruxas esteve relacionada à transição do feudalismo pro capitalismo. como que foi o controle do corpo das mulheres, a perseguição às mulheres nas fogueiras e aos hereges e toda essa galera que fez com que o capitalismo fosse o que é hoje e que as mulheres Fossem colocadas nessa posição de submissas, de
dóceis, de donas de casa, do espaço privado e não do espaço público, o como o capitalismo tentou controlar essas mulheres subversivas na base da fogueira. Então, esses livros são os principais aí que eu recomendo e que toda pessoa que quer começar a estudar feminismo deveria ler. Mas não só isso, porque feminismo não é só teoria, também é prática. Então eu recomendaria que você fosse conhecer Algum coletivo feminista da sua cidade ou entrasse nos perfis de coletivos feministas que tem nas redes sociais, como o coletivo Juntas, que é do Pessoal, o coletivo Alga Benário, o coletivo
Ana Montenegro. Tem também o nem empresa nem morte que fala muito sobre descriminalização do aborto. Para quem tem muito tabu sobre a descriminalização do aborto, quer saber um pouco como desmitificar algumas falácias. Essa página é uma campanha Brasileira assim maravilhosa, que traz muitas informações didáticas mesmo sobre o aborto, as principais falácias, as principais mentiras, desinformações com tudo desmentido, com base científica mesmo. Muita bagagem teórica também para vocês lerem. E claro, ir nas manifestações, ir nos atos, acompanhar páginas de pessoas que são feministas, de ativistas feministas, das próprias deputadas feministas, você procurar os projetos dessas deputadas
e você Conseguir eh identificar ali quais são os projetos envolvendo as mulheres. Recentemente, eu deixo aí de indicação para vocês, saiu uma inteligência artificial muito legal do da revista ASMina chamada Quitéria, que ela é uma inteligência artificial que você consegue ter acesso a todas as propostas legislativas de feministas e antifeministas relacionadas a gênero e causas LGBT. Então, você entra nessa inteligência artificial, você consegue Ver todas as propostas que são contrárias ou a favor à luta das mulheres e consegue se manter atualizada. E claro, sempre se mantém informada, sempre se mantém atualizada das notícias e presente
junto dos movimentos sociais de base. É isso, pessoal. Agradeço muito pelas perguntas que vocês enviaram. Imagino que não deu para responder todas que vocês queriam que eu respondesse, porque deve ter muitas ainda que surgiram Durante o debate na cabeça de vocês. Várias provocações. Para quem quiser continuar acompanhando a minha atuação, meu trabalho e a minha militância, só me acompanhar nas redes sociais como Caroline Sardá. E aí eu deixo uma pergunta para vocês. Estamos há quantos dias esperando a Campanholo trazer as fontes da checagem dela do debate? >> Até agora eu acho que ela não trouxe,
né? Até o momento que acho que isso daqui foi postado, a gente não teve, né? É isso, meninos. >> Ai, pode cortar, pode cortar. Ai