Bom dia, meus amigos! Tudo bem? Espero que sim!
É uma honra falar com vocês mais um dia, dia 21 de janeiro, sobre um ritual matinal proposto por Epicteto. Bem interessante! Isso é muito estoico, essa ideia de termos os nossos momentos de pausa e de reflexão.
Um tanto é o que nós estamos fazendo aqui todos os dias, né? Pararmos alguns minutos para recolocar alguns elementos do nosso cotidiano. E, dessa vez, o Epicteto propõe algumas perguntas que talvez possam guiar as nossas reflexões e o nosso dia a dia.
Antes de falar disso, não se esqueça de curtir o vídeo, o canal e aquela coisinha toda, toda aquela ritualística, pra gente levar mais longe as nossas meditações. Eis o Epicteto: Pergunta a ti mesmo o seguinte, antes de mais nada, todas as manhãs: 1. O que me falta para estar livre da paixão?
O que me falta para estar livre do peso daquilo que me tira do eixo, daquilo que me dobra, daquilo que me submete, daquilo que me tira de uma compreensão racional das coisas, daquilo que faz com que eu celebre uma visão de mundo que está se sobrepondo à realidade dos fatos? O que me falta para estar livre dessas coisas que me distanciam de uma boa compreensão da realidade? 2.
E quanto à tranquilidade? O que é que tem me tirado a tranquilidade? E por que eu deixo que o que me tira a tranquilidade me tire a tranquilidade, se a solução está dentro de mim e não fora?
Medite sobre isso: O que eu sou? O que eu sou? Um mero corpo?
Um proprietário? Ou uma reputação? Nenhuma dessas coisas.
Eu não sou nada disso. Eu não sou o meu corpo. O corpo que eu ocupo neste momento.
Você pode me tirar um braço e eu continuo o que eu realmente sou. Você pode adoecer o meu corpo; meu corpo pode sofrer as agruras da vida, mas isso não determina quem eu sou. Eu sou um proprietário?
O sujeito é tão pouca coisa que ele é só aquilo que ele tem: ele é o carro, ele é a bolsa, ele é o celular, ele é o apartamento. Basicamente, ele não é nada a não ser sombra de uma vida insuficiente, porque nada disso é dele, isso lhe pode ser tirado. Assim, eu sou uma reputação?
Eu sou o que pensam de mim? Imagine que vida desgraçada é essa que se constrói sobre aquilo que pensam dela, uma concessão que não está sob meu domínio. Então, se eu termino uma meditação e não recebo, pelo menos, cinco elogios nos comentários, aí hoje meu dia não foi bom.
Mas que vida é essa? Não! Eu faço o que eu preciso fazer da melhor maneira possível, e é isso que me cabe; o resto é só consequência, e uma consequência que não diz respeito a mim.
O que eu sou então? Eu sou um ser racional, uma razão que, como vai ensinar a razão séculos e séculos depois, não é automática. Mas os estoicos já estão dizendo isso: todos nós temos a faculdade da razão, mas a maioria de nós passa uma vida inteira sem acionar essa razão para compreender as coisas da realidade.
A gente abre mão de ser racional! Nós abrimos mão desta ferramenta fantástica que temos à nossa disposição. Depois, o que é exigido de mim?
O que eu devo exigir de mim? Antes de tudo, que eu medite sobre as minhas ações. Lembrem-se vocês que, depois de.
. . como é que é?
Abril, maio, junho, julho e agosto, nós vamos ter a parte das meditações que tratam das ações. Você precisa meditar sobre as suas ações; as ações não podem ser feitas como, constantemente que nós fazemos, sem pensar bem em todos os seus efeitos, em toda a sua extensão. Vou fazendo: "Ah, hoje eu vou fazer isso, vou fazer aquilo, vou para aquela reunião e vou me encontrar com tal pessoa.
" Não sei, mas que sentido tem isso? Antes de tudo: "Ah, não é coisa do dia a dia, nem tô pensando a respeito. " Vai tocando a sua vida assim, daqui a pouco você acorda com 80 anos e vai falar: "Corri para onde?
" Pergunte-se: "Como me desviei da serenidade? Como me desviei de uma vida serena? O que fiz de hostil, antissocial ou desatencioso?
" Interessante é que os estoicos. . .
eu insisto nesse ponto: eles não estão falando para um homem que deve se transformar num homem das cavernas. A vida em sociedade não é um homem que está seguro de si, não tem medo do mundo. Um barco que está seguro a respeito da forma como foi construído não tem medo do alto-mar; vai para o alto-mar sereno, como deve ser.
O que deixei de fazer? Em todos esses casos, passem em revista esses aspectos da vida que vocês vão ver que essa reflexão vai trazer coisas bem interessantes. Todos os dias, a partir de hoje, façam essas perguntas difíceis a si mesmos.
Proponha a si mesmo a reflexão. Deixe a filosofia e o trabalho árduo guiá-lo para respostas melhores, uma manhã de cada vez ao longo de uma vida. Essa vida estoica, essa meditação histórica, não acaba com esse livro; isso a gente leva pra vida.
É algo que deve estar no nosso cotidiano. Deixa eu só terminar com uma historinha que eu até contei num encontro recente da sociedade da lanterna. Uma entrevista muito interessante com um padre que, ao que parece, tem uma doença terminal.
Ele está em cuidados paliativos e tem tentado ali buscar alguma forma de extensão da vida com qualidade. Mas eu vi um corte de um podcast no qual ele diz assim: "Passei a vida toda atrás de diplomas. " Porque nós buscamos o tempo inteiro o reconhecimento do outro, do quanto nós somos bons.
Se eu tiver que ser bom sem o reconhecimento dos outros, é como se não valesse a pena ser bom. Se eu tiver que fazer alguma coisa muito legal, mas se eu não puder mostrar para os outros que eu estou fazendo isso, é como se eu não tivesse feito. Em tempos de rede social, então, é o que há.
Cuidado com isso, hein! Aí ele diz: hoje eu leria os mesmos livros, eu faria o mesmo percurso intelectual, eu me reconstruiria seguindo mais ou menos o mesmo caminho, mas nunca desejando o reconhecimento que diplomas, títulos, honra que eles podem conferir. Essas coisas não valem nada, no fim e ao cabo.
Essas coisas não valem nada. Cuidado com essas vaidades que costumam nos afundar. Beijão, gente!
Até amanhã, juízo!