Canção paraar Menino Grande, tá aí para você esse livraço da Conceição Evaristo. Esse que é um dos livros mais importantes dela, da carreira dela. Além desse livro, eu tive o privilégio de ler outro que é Olhos d'Água, que tá na lista de um outro grande vestibular brasileiro que é o vestibular Unicamp.
Bora para algumas informações um pouco mais objetivas. Conceição ela nasce em Belo Horizonte, uma comunidade ela que sempre viveu ali, ó, nesse espaço que é o chão onde ela pisa. Ela vem ali de uma condição bastante periférica e marginal.
Depois ela vai pro Rio de Janeiro. Ela que trabalhou como faxineira. Ela que conseguiu fazer o curso superior dela em letras.
Ela que conseguiu fazer mestrado. Ela que também fez doutorado. Nossa, professor.
Então, se esforçou, conseguiu, chega onde quer, moçada. Ela é uma exceção da exceção da exceção. Inclusive essa fala minha é baseada em uma entrevista dela.
Ela diz: "Olha, eu conheço inúmeras pessoas ao meu lado que tiveram as mesmas condições que eu e não chegaram onde onde eu cheguei. Ou seja, não acredita nessa falácia do que ah, se esforçou, consegue chegar lá". Não é bem assim, tá, moçada?
Existem 1 bilhão de questões aí que podem travar o indivíduo a chegar em algum lugar como ela chegou. De toda maneira, tá aí para você o título do livro. Já vou analisar o título contigo.
Inclusive os slides completaços com o resumo do livro eu posso te passar, mas eu só vou dizer para você no final da aula como que você pode ter os slides, o resumo e exercício desse livraço. O livro foi publicado pela primeira vez no ano de 2018. Não é perfil FVEST cobrar data de lançamento de obra, mas tá aí para você, só para você entender que é uma obra do terceiro tempo modernista.
Movimento esse que para alguns também pode ser nomeado de pós-modernismo. Ué, moçada, uma marca do pós-modernismo, eh, você pega esse livro, eh, quem são os personagens centrais desse livro? São sujeitos periféricos.
Esses sujeitos periféricos, eles estão aqui, ó, pensando a condição de Brasil pós-moderno, a questão da identidade, colocar esses indivíduos periféricos como protagonista dessa obra, mulheres periféricas, negras, jovens periféricas, tudo isso são marcas do terceiro tempo modernista, né, professor? Sim. Esse livro, moçada, é um romance.
É uma obra do gênero narrativo. Eu sei que você sabe que toda obra ou é lírica, dramática, épica ou narrativa. Obra lírica é a poesia.
Obra dramática é o teatro. Obra épica é uma narrativa em verso. E obra narrativa é uma narração em prosa.
Esse livro é um romance. Romance, cuidado com comentário. Anote isso para mim.
Romance é forma, não é conteúdo. Romance é uma maneira de narrar. Romance é uma grande narração sobre assuntos diversos.
Um romance que você conhece aí, clássico brasileiro, Dom Casmurro, Memórias Próximas de Brascubas, O Cortiço, São Romances e o nosso Canção paraar menino Grande também é um romance. Repito, romance é forma, não é conteúdo. Bora lá.
Outro detalhe importante. Por que que o livro se chama Canção paraar Menino Grande? Esse título, moçada, é uma grande provocação da autora.
a condição social masculina. E essa condição social masculina, o que ela faz com as mulheres? Em uma sociedade patriarcal, a escritora, ela vai problematizar a condição social do homem e a condição social da mulher.
A mulher que inclusive ela tem que ninar, acolher, ela tem que educar a figura masculina. Figura masculina é essa que muitas das vezes agride a mulher. violenta a mulher, então silencia a mulher.
Essa canção para aninar menino grande é uma música que dentro do livro ela serve para acalentar a figura do fio jasmim, que é a figura masculina que tá dentro do livro. Em uma das edições do livro, tem o fio Jasmim, o personagem masculino, se olhando ali no espelho e tentando e ajeitar o seu palitó e a sua roupa, justamente porque o fio Jasmim, o personagem masculino, o mais importante, ele na sua infância, ele sofre um trauma, eh, fruto de uma relação escolar com a professora dele. Já falo do enrediro daqui a pouquinho.
Então, e esse livro é uma provocação dessa a a dessa figura feminina que, mesmo diante de todas as múltiplas violências que ela vive, a mulher ainda tem que educar, acalentar essa masculinidade tóxica. Sim, é um livro que problematiza a sociedade patriarcal. Arte engajada é toda e qualquer obra de arte que faz crítica social.
Landinhozinho, que mais, professor? Bom, eh, um detalhe importante é a escrevivência. Isso é um neologismo criado pela própria Conceição Evaristo.
A Conceição Evaristo, em uma entrevista, ela disse que ela fala de acordo com onde os pés dela estão fincados e cravados. É justamente isso. Eu uso o Drmon para explicar isso.
O Drmon é um dos poemas mais conhecidos dele. Ele diz que estou preso à minha classe e algumas roupas ou de branco pela rua cinzenta. Nós estamos presos à nossa classe.
Qual é o seu lugar de fala? Eu, o meu lugar de fala, eu sou um homem hétero de uma sociedade pós-moderna. Esse é o meu lugar de fala, que é um lugar de poder.
Ela, Conceição Evaristo, a escrevivência ela pega fatos reais que ela viu e ela ficcionaliza [roncando] esses fatos reais. Ela inventa, não. A Conceição Evaristo, em certo momento ela ela narra algo da vida pessoal dela enquanto professora.
Ela disse que em certo momento uma das alunas estava ali em sala de aula. A Luna disse que teria que ir lá fora amamentar o filho. Conceição Evarisso deu uma olhada lá assim: "O namorado esposo da menina estava lá fora com a criança e junto da criança um fuzil.
O cara era traficante. Olha que doideira. Olha que doideira.
Você tá vendo que essas essas experiências periféricas marginais é ela autora, ela leva isso para dentro do livro. é ficção, é ficção, mas uma ficção completamente nutrida na realidade. Nome disso, escrevivência.
Escrevivência é um ato político, é um ato social, é arte engajada. Eh, outro detalhe importante pra gente, vamos montar aqui a estrutura narrativa. Quem que narra o livro?
É uma narração em primeira pessoa e muita calma nessa hora. Esse narrador, ele é em primeira pessoa, ele não participa ativamente como personagem, é uma mulher narradora. Ela não participa ativamente como personagem, mas ela se identifica com as histórias daquelas outras mulheres, o que faz com que nós possamos dizer que sim, é um um narrador personagem, porque mesmo não vivendo diretamente as experiências com o fio jasmim, o macho tóxico, ela conhece muito bem aquilo que é a prática do fio jasm, que é a mesma prática dos homens em sociedade.
Então, é um narrador personagem, sim, que não tem nome. Lá no final do livro, se você pegar, dar uma foliada, você vai ver isso assim com mais com com mais fixação ainda da matéria ainda do que aqui somente com minha fala. Professor, a história acontece onde?
Essencialmente nas Gerais, em Minas Gerais. O Fio Jasmin, ele é um maquinista que caminha, que viaja em vários cantos de Minas Gerais, tá? Os personagens importantes estão aí para vocês e isso para mim é um ponto eh complexo do livro, a quantidade de personagens.
E um detalhe curioso, muito curioso. Olha o que que eu fiz aqui para você, ó. Essas mulheres aí que são nove no total, professor, tá faltando uma, eu tô vendo oito.
Calma que tem um motivo. Tá faltando uma, ela tá escondida, daqui a pouco ela aparece para você. De toda maneira, turma, eh, cada uma dessas mulheres são mulheres que o fio Jasmim conviveu, que a vida dele atravessou, o fio da vida dele atravessou a vida dessas mulheres.
Aqui são oito mulheres. Cada uma dessas mulheres carregam uma história, uma vivência. E cada uma história e vivência dessas mulheres é como se fosse um conto.
Preste atenção e muita calma nessa hora. E vamos devagar, porque esse momento é importante. Eu disse para você que o livro é um romance e cada uma da história dessas mulheres é como se fosse um capítulo.
E esses capítulos eles podem ser lidos separadamente. Tem um conjunto, tem um um um identidade em comum que seria o próprio fio Jasmim. Porém, dá pra gente ler cada uma, a história de cada uma dessas mulheres de maneira autônoma.
E aí, moçada, além dessas oito mulheres que não são mulheres casadas com fios jasm, existe a Pérola Maria, que é a personagem que é esposa oficial do fio Jasm, tá? Então, por isso que eu coloco ela aí no finalzinho para você. Detalhe, se eu fosse fazer a sua prova, faria questões sobre a personagem Angelina de Vaneia.
Gosto muito dessa menina. Gosto muito também da personagem Aurora Liberto. São personagens que para mim tem um enredo muito interessante.
E aí, moçada, cada uma dessas mulheres representa um estereótipo, um papel da mulher na sociedade. É, o fio Jasmim, então, ele saía com dois amigos maquinistas andando em Minas Gerais. Em um momento fio Jasmim eles ele vai se encontrando com essas mulheres, com a Juventina, com a Neid, com a Angelina, com a Aurora, com Antonieta, com todas elas.
O Landinzinho vai pegar dois exemplos para ser rápido, porque aqui a plataforma não gosta de aulas longas, mas o livro desse aqui eu precisaria de pelo menos cinco aulas para falar com propriedade e com gosto desse livro. O fio Jasmim, em certo momento, ele chegou em uma cidadezinha do interior mineiro, chegou lá no trem e uma criança olhou para ele e falou assim: "Nossa, você é o noivo da Angelina? " Aí o filho Jasmim falou assim: "Sou e tô aqui para casar com ela".
E o a criança acompanhou o fio Jasmim e levou o fio Jasmim lá na casa da Angelina de Vaneia. conheceu a menina, ela que era a trabalhava no hospital, ela que ajudou a irmã, ela que criou a irmã, ela que não tinha mãe. Ele começa a se relacionar com Angelina Devaneia.
Olha o nome dela. Angelina é uma palavra derivada de anjo. Devaneia, fantasia.
É uma mulher, moçada, muito fragilizada, uma mulher que criou um conceito de amor inexistente. A vida dela inteira e a cidade inteira se preparou para o dia que ela pudesse se casar com alguém. Fio Jasmim foi à casa dela e apresentou.
Falou: "Olha, eu sou o seu noivo". Ah, então você é meu noivo, sim, eu vou me casar com você, pô. Eu fio Jasmin já era casado com a Pérola Maria.
Ele começa a se relacionar com a Angelina de Vaneia. Se relaciona, se relaciona, se relaciona. Ela que era enfermeira, ela que começou debaixo como fachineira de um hospital.
Subiu, subiu, subiu, subiu, subiu de posto. Hoje ela é enfermeira com curso superior. A única pessoa na família dela que tem curso superior é ela, Angelina de Vaneia.
E aí, moçada, a história flui e o fio Jasm vai embora. A Angelina quando viu o fio Jasmim subindo no trem se despedindo dela, ele poôde olhar no olhar dela uma visão triste e melancólica. Dias depois, o fio Jasmim e os maquinistas amigos dele descobrem que ela devaneia, ela se matou, ela tirou sua própria vida.
E sabe por que ela tira sua própria vida? Aqui para mim tá a crítica do conto. A essa mulher ela tira sua própria vida.
Isso não é fraqueza moral, espiritual, psicológica, pelo contrário, é resistência. é resistência de um corpo que já não suporta tamanha violência e tamanha pressão social. Toda a sociedade, toda a sociedade onde ela estava, a cidade pressionava ela para ela se casar.
A morte dela é um grito de liberdade, de alguém que não quer se submeter mais a esse tipo de coisa. A morte dela então foi resistência. Sim.
E olha a crítica do livro. A crítica do livro. Quando o fio Jasmim descobre que essa mulher, ela tirou a própria vida dela, sabe que que ele e os maquinistas amigos disseram?
Ah, que ela é aluada, que ela é doida. Gente, olha a violência contra a figura feminina. Isso é bárbaro, isso é cruel.
Outra personagem que eu gosto muito é a nossa querida Aurora Liberto. Aurora é uma uma jovem que cresceu ali no Rio. Ela ia pro Rio, nadava no Rio, nadava pelada, nadava nua.
E ela cresceu, cresceu, cresceu, cresceu. Hoje ela é adolescente e agora já é adulta. E ela continua com a mesma prática de ir para o rio nadar pelada.
A sociedade inteira gostava de ir para lá ficar contemplando a aurora. Um dia um homem entrou no rio para tentar assediá-la e ela deu uma um chuto nos testículos no pênis do cara que apodreceu e esse homem virou uma vergonha pública. Depois disso, ninguém mais Depois disso, ninguém mais pensou em assediar a nossa Aurora Liberto.
Mas um belo dia o trem do fio Jasm parou ali na cidade da Aurora Liberto. E aí sabe o que aconteceu? Fio Jasmim ficou lá olhando ela e ela, Aurora Liberto, fala assim: "Vem para cá".
Ele entra no rio e os dois se amam no rio ela acha ele extraordinariamente belo. Os dois se amam. No outro dia os dois continuam se amando.
O ato sexual deles é tão intenso que o volume da água do rio aumentou em virtude da seiva produzida pelo fio Jasmim. Quando o fio Jasm foi embora, Aurora Liberto sentiu uma ligeira saudade, mas ela continua a sua vida. Olha só, ela não é uma mulher padrão que sofre pela figura masculina quando esse homem foi embora.
Foi embora, tá tudo certo. Então, gente, o que eu tô querendo dizer para você? Cada uma dessas mulheres representa um um padrão feminino, um comportamento, um estereótipo social aí dessas figuras femininas.
E aí, moçada, para fechar aqui e antes de tudo, se você quer slides, exercícios, comenta aqui, ó, escreve aqui, eu quero os slides ou simplesmente escreva slides, eu mando esses slides para você, combinado? Só para fechar o raciocínio, você que chegou aqui merece esse material bravíssimo, fica de olho na personagem de número oito aí que é Leonora Distinta. Gente, olha, tanto que o livro é bem escrito, inclusive esse livro pode ser chamado de prosa poética, tá bem?
Nome da menina, Eleonora. Olha, dentro do nome dela tá escrito ele. A Eleonora é uma menina homofetiva, ela quebra com padrão hettero normativo, tá?
E é justamente ela que vai fazer uma virada de chave na consciência de gênero, consciência social do fio Jasmim. Ela muda a percepção dele, ela faz com que ele mude de fase. E aí no final do livro Fio Jasmim, ele passa a respeitar as figuras femininas.
De toda maneira te desejo uma excelente preparação rumo à USP e forte abraço.