Olá, pessoal! Sejam bem-vindos ao canal. Meu nome é Samira Posses, eu sou urologista e atendo em São Paulo tanto público masculino como público feminino.
O tema do vídeo de hoje é uma queixa recorrente, principalmente das mulheres, no consultório: a candidíase vaginal. Lembrando que a candidíase é um fungo que pode afetar também a região genital masculina, gerando um quadro que a gente chama de balanopostite. Mas hoje a gente vai se ater à candidíase vaginal, que é uma das principais causas de coceira, de prurido na região vaginal.
A candidíase é uma infecção fúngica que afeta muitas mulheres em algum momento da vida delas. Ela é causada pelo crescimento excessivo da Candida, principalmente a Candida albicans, que se prolifera de forma excessiva na região vaginal. Dentre os principais fatores de risco para infecção por Cândida estão o uso indiscriminado de antibióticos, que vão exatamente matar as bactérias que são benéficas e já colonizam o nosso organismo, permitindo o crescimento excessivo da cândida.
Outro fator de risco é a gravidez, devido às alterações hormonais necessárias e à alteração do sistema imunológico da gestante. Falando nessa questão hormonal, um fator de risco importante é o uso de contraceptivos. E aí incluem-se tanto a pílula anticoncepcional oral como, por exemplo, o DIU hormonal.
Isso pode causar um desbalanço na flora normal e facilitar a infecção, a proliferação da cândida. O uso de roupa íntima apertada e abafada também é um fator que favorece. Um fungo, pessoal, ele se prolifera no ambiente úmido e escuro.
Então, as pacientes que estão acostumadas a usar roupa justa, roupa molhada ou roupa úmida, e que vão à praia ou à piscina, devem se habituar a trocar essa roupa íntima com frequência. E o principal fator de risco para a proliferação por Cândida é o diabetes. O excesso de glicose no sangue vai diminuir a proteção do corpo e facilitar a proliferação desse fungo.
Já falamos dos fatores de risco; agora, vamos aos principais sintomas. A candidíase tem diagnóstico essencialmente clínico. A história do paciente, com exame físico, já consegue levar ao diagnóstico.
A mulher geralmente relata coceira, corrimento, muitas vezes insuportável, com irritabilidade associada e um corrimento esbranquiçado, com grumos que se assemelham a um queijo cottage. Além disso, outras principais queixas são dor ao urinar e dor durante a relação sexual. O tratamento da candidíase vaginal se baseia principalmente na utilização de antifúngicos.
E aí podemos destacar o fluconazol e o clotrimazol. Eles podem ser administrados via oral ou na forma tópica de creme vaginal, lembrando, pessoal, que esse vídeo não tem intuito de prescrição; é uma orientação em relação ao tratamento. Todo tratamento deve ser acompanhado pelo seu médico, inclusive não pode ser interrompido com a melhora dos sintomas; ele tem que ser levado até o final.
Além disso, é muito importante a avaliação conjunta no casal. Muitas vezes, o parceiro ou parceira também tem sintomas e deve ser tratado para que a infecção não se perpetue. Um questionamento muito comum na nossa rotina é sobre o tratamento natural da candidíase, e as pessoas questionam sobre a utilização de probióticos, iogurte, óleo de tomilho e óleo natural de alho.
Então, pessoal, é assim: o tratamento específico da patologia não pode se dissociar da utilização do antifúngico, mas existem alguns elementos naturais, alguns tratamentos naturais que podem auxiliar na prevenção e na melhora dos sintomas. E aqui vou deixar para vocês dois estudos científicos que falam basicamente sobre isso. Bom, os dois estudos falam basicamente a mesma coisa.
O primeiro foi publicado em 2020 na revista Fitoterapia e analisa a eficácia do tratamento com óleo de coco, óleo de orégano e probióticos no tratamento da candidíase vaginal. A conclusão foi que eles têm potencial terapêutico, mas que novas pesquisas são necessárias para avaliar a sua real eficácia clínica. O outro estudo, que vai na mesma linha, é uma revisão publicada em 2018 sobre a utilização de óleos essenciais, como o óleo de cravo e óleo de tomilho.
Então, pessoal, em suma, esses estudos mostram o potencial terapêutico desses tratamentos naturais; porém, eles não são ainda suficientes para afirmar a eficácia do tratamento clínico. É importante consultar seu médico e não abrir mão do tratamento com antifúngico, que é o que realmente vai tratar a infecção. Mas, baseado numa avaliação, seu médico vai dar a melhor orientação sobre se é necessário ou não utilizá-los.
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Fiquem com Deus!