Bom dia, moçada! Tudo bem? Mais uma reflexão estoica.
Espero que todos estejam em paz, todos com saúde, tocando as suas vidas na medida das possibilidades e refletindo sobre o que é mais importante: refletindo sobre a própria vida. Hoje, 10 de fevereiro, trago uma meditação extraída de CCA, intitulada "A raiva é um combustível ruim". A raiva é um combustível ruim.
Cito CCA: "Não há nada mais espantoso que a raiva, nada mais curvado sobre a própria força se bem-sucedida. Nada mais arrogante. A raiva bem-sucedida traz arrogância.
Se frustrar é nada mais insano, como ela não é forçada a recuar pelo cansaço. Mesmo na derrota, quando a sorte elimina seu adversário, ela crava os dentes em si mesma. Ela se volta contra si mesma.
" Essa questão da raiva é recorrente para os estoicos. Eles chamam muito a nossa atenção para que não nos deixemos levar por emoções extremas, por emoções fortes, e a raiva é uma dessas emoções a serem evitadas a todo custo. Eu me lembro bem, antes dos estoicos, da lição platônica segundo a qual a ira tem sua importância, desde que dominada pela razão.
A ira cega — a raiva cega — não resolve nada. Ela se torna inflamável; ela se destrói e destrói o seu portador. A raiva descontrola o seu portador.
Então, temos que fazer um exercício, e eu sei o quanto é difícil esse exercício. Particularmente, sei que em momentos que estamos prestes a estourar, tomados pela raiva, devemos fazer um exercício mesmo de retenção; um controle de não se deixar explodir, de não se deixar levar e dominar por um sentimento baixo como a raiva. Os nossos comentadores dizem, como os estoicos disseram muitas vezes: ficar com raiva quase nunca resolve as coisas, em geral, as torna piores.
Fica engraçado, né? Porque a raiva cria uma nuvem sobre o olhar do sujeito, então ele perde a capacidade de avaliar com nitidez a situação. Quantos crimes passionais vocês não veem?
Quantas medidas nós tomamos na vida sob efeito de raiva e nos arrependemos depois, numa dali a meia hora, mais calmos? Se você nunca toma uma decisão com raiva, para o bem ou para o mal, você nunca toma uma decisão com raiva. Porque não é o melhor instrumento; não é a sua melhor faculdade de tomada de decisão.
Então, mesmo que você esteja com raiva, sei lá, numa discussão conjugal, que todos nós temos, você se afasta, respira, esfria e depois volta para conversar. Mas, naquele momento, avançar com a adrenalina alta não é uma boa ideia. Ficamos perturbados, então a outra pessoa também fica, e todos se veem perturbados enquanto o problema continua longe de ser resolvido.
Muitas pessoas bem-sucedidas vão lhe dizer que a raiva é um combustível poderoso na vida. A gente vê muito isso nas redes sociais, né? A raiva, quer dizer, quero esfregar isso na cara de vocês!
Vocês me chamaram de perdedor, agora vocês. . .
Porque eu fui movido pela raiva, a raiva de ser chamado de gordo, de burro, criou excelentes corpos e mentes. Ele cita alguns exemplos: a raiva de ser rejeitado motivou muitos a trilhar o próprio caminho. Mas essa é uma visão que só conta a metade da história; é uma visão turva, essas histórias todas coloridas.
Por isso, na meditação, o cênico diz: se bem-sucedida, a raiva se torna arrogante. Essas histórias deixam de lado a poluição produzida como efeito colateral e o desgaste que ela provocou no motor. Numa imagem: você conseguiria chegar no mesmo destino se constrangisse essa raiva e desse a ela uma destinação potencial guiada por uma racionalidade, logo, não apaixonada, não dobrada sobre si, não iracunda?
Vamos dizer, você chega a um ponto, mas chega completamente desgastado emocionalmente, destruído, tomado por outras emoções que não são boas, num ambiente muito enfumaçado. Ignoro o que acontece quando aquela raiva inicial se esgota, passando a precisar ser gerada cada vez mais para manter a máquina em movimento. Então, você foi humilhado numa certa situação.
Nossa, não conseguiu passar na catraca do ônibus, teve que pegar duas poltronas no avião. Seu gordo, obeso, não sei o que, seu obeso mórbido. E aí você fica com raiva: "Vou emagrecer e não sei o quê".
Mas só que, quando passa a raiva, você tem que se retroalimentar. Você tem que ficar puxando isso o tempo inteiro, em vez de tomar uma decisão racional, que é o melhor pra sua saúde, o melhor pra sua existência; algo que não dependa da ira para ser conduzido, para avançar, que não estresse a máquina mais e mais para atingir um determinado objetivo. Até que, finalmente, a única fonte que resta é o ódio de si mesmo.
O ódio é um fardo pesado demais para suportar. Martin Luther King advertiu seus companheiros, líderes dos direitos civis, em 1967, ainda que eles tivessem todos os motivos para responder ao ódio com ódio. Eu gosto muito dessa ideia: você pode até conseguir alguns objetivos realizados com a raiva, com o ódio, mas é um desgaste tão grande ter isso como combustível para agir.
É muito boa essa ideia do desgaste que isso causa no sujeito. O mesmo se aplica à raiva; na verdade, aplica-se à maior parte das emoções extremas, das emoções que nos afastam de nós mesmos, do bom senso, da racionalidade, da prudência, que é um instrumento fundamental para os estoicos e não só para os estoicos. Essa sabedoria prática tão importante que temos que desenvolver, e elas são um combustível tóxico.
Você queima esse combustível gerando muita fumaça dentro de você. Há uma grande abundância dela por aí no mundo, não resta dúvida, mas os custos que a acompanham nunca valem a pena. Você pode ter uma causa extraordinária pela frente; se puder, não tocá-la pela raiva.
Pelo ódio ou que, ainda que exista uma dimensão de raiva dentro de você, você consiga controlar isso e guiar isso como se fosse um cavalo selvagem querendo perder o controle dentro de você. Tanto melhor os efeitos serão, a médio e longo prazo, muito mais aprazíveis e efetivos. Um excelente dia para vocês!
A gente se encontra aqui amanhã para mais uma meditação estóica. Beijão, pessoal!