Você sabia que no coração do século XIX, enquanto a igreja enfrentava perseguições abertas com fisco de bens, revoluções armadas, exílios forçados, havia também quem trabalhasse contra ela com um método muito mais silencioso e justamente por isso muito mais perigoso. Não se tratava mais de atacar a igreja de fora, tratava-se de transformá-la por dentro para então abatê-la. O documento que revela esse plano chama-se instrução permanente da alta venda.
E a história que nós iremos contar hoje é a história desse texto, a sua origem, a sua intenção e como ele chegou até nós. No início do século XIX, a Europa ainda vivia sob o trauma da Revolução Francesa. Igrejas haviam sido destruídas, ordens religiosas dissolvidas, bispos deportados.
O próprio papa havia sido feito prisioneiro. Mas ao contrário do que muitos pensavam, o espírito revolucionário não se dissipou com o fim da revolução da francesa ou com a queda de Napoleão. Ele apenas adaptou-se e, em muitos lugares, mudou de método.
Em toda a Europa, mas principalmente na Itália e na França, floresciam sociedades secretas, essas mesmas sociedades secretas que haviam sido o principal veículo do espírito revolucionário e que haviam feito a Revolução Francesa. Geralmente se pensa, quando se se reflete a respeito dessas sociedades secretas, geralmente se pensa na maçonaria, mas havia uma outra umbilicalmente ligada à maçonaria, mas italiana, a carbonária. Os carbonários constituíam uma rede difusa de sociedades secretas revolucionárias que atuavam principalmente na Itália.
Atuaram principalmente na Itália entre 1800 e 1831. E no interior da carbonara existia um núcleo dirigente, uma instância superior responsável pela formulação de estratégias. Esse núcleo se chamava alta venda.
E foi nesse círculo restrito à alta venda que nasceu a instrução permanente da alta venda. Esse documento não é um panfleto, não é um manifesto, é um plano, um plano frio, calculado, pensado para atravessar gerações. Logo nas suas primeiras linhas, os autores deixam claro que não pretendem ver o resultado do seu esforço.
Eles sabem que vai demorar, eles sabem que demorará. Mas para eles o tempo não é um obstáculo, é um aliado. Assim diz: "O soldado morre, mas o combate continua".
Essa frase, ela resume o espírito do documento. E qual era o objetivo? Não era destruir a igreja diretamente, atacando-a.
Não era criar uma religião alternativa. Não era substituir o Papa por inimigo declarado da igreja, não. O objetivo era formar um ambiente, criar pouco a pouco uma mentalidade nova entre os próprios católicos, difundir ideias que parecessem compatíveis com a fé, mas que na verdade provinham da revolução.
nada brusco, nada violento, nada que despertasse suspeitas imediatas. E eles declaravam que iriam conquistar a igreja sem que ela percebesse. E para isso o texto ele indica o caminho.
E ele indica o caminho com uma precisão quase pedagógica. Lá se diz: "É preciso começar pelos jovens, pelos seminaristas, pelos futuros padres. Deve-se criar a reputação de bons católicos.
frequentar a igreja, circular nos seminários, entrar nos mosteiros, não como inimigos, mas como amigos. E há ali, há particularmente ali uma imagem bastante reveladora usada pelos autores da instrução. Eles eles evocam a pesca milagrosa.
A pesca milagrosa é de São Pedro. Só que agora eles não lançam redes ao mar, dizem eles. Eles lançam as redes nas sacristias.
E o objetivo final é qual? É uma revolução conduzida pelas autoridades da igreja com linguagem eclesiástica, com aparência de catolicismo, mas orientada por princípios que nasceram fora da igreja e até contrários a ela. É isso que está escrito lá, uma revolução, como eles próprios dizem, contiara e pluvial.
Eu sei o que você está pensando. Isso é pura teoria da conspiração, mas não foi isso que os papas pensaram. Esse documento, a instrução permanente da alta venda, caiu nas mãos do Papa Gregório X, que foi pontífice de 1831 a 1846, que guardou este documento.
E depois, por uma decisão consciente e deliberada, ela foi publicada. Não foi por um polemista, não foi por um panfletário, foi por um historiador. O homem encarregado dessa publicação chamava-se Jaqu Cretieno Joli.
Era um historiador francês, católico, rigoroso, respeitado, que recebeu do Papa Pio Io, que foi papa de 1846 a 1878, a incumbência de tornar pública a instrução permanente da alta venda. E com qual o objetivo? Alertar.
Alertar os católicos. Não por uma curiosidade, mas paraa vigilância dos católicos. E foi assim que em meados do século XIX veio à luz a obra Igles Roman em face de la Revolução.
A Igreja Romana, a Igreja Católica em face da revolução. Nela, Cretino Joli não apenas narra os embates da igreja com as forças revolucionárias, mas mas publica pela primeira vez os textos autênticos da alta venda, não apenas esse, mas vários outros. e o faz com aprovação pontifícia explícita.
Pampiono, que conhecia como poucos o ódio revolucionar a igreja, não apenas autorizou a publicação, como garantiu a autenticidade dos documentos ali conservados. E anos depois, Papa Leão X seguiria o mesmo caminho. Ao receber uma outra obra que que continha também integralmente a instrução permanente, o Papa Leão X ficou tão impressionado que ordenou a sua publicação e a sua difusão, certo?
Inclusive o mesmo Leão X na encíclica Humanos Gênos, ele conclama os católicos a arrancarem a máscara, essa expressão que ele usa, arrancarem a máscara das sociedades secretas e a compreender os seus objetivos reais. Para esses papas não havia dúvida. O plano existia e ignorá-lo seria imprudência.
A instrução permanente da alta venda é, portanto, um documento histórico de primeira grandeza que expressa, como nenhum outro creio, a lógica profunda do conflito entre a igreja e o espírito revolucionário moderno. Um conflito que não se trava apenas com perseguições externas, mas com infiltrações e com conspirações. E é precisamente por isso que a escola de história da igreja decidiu trazer ao público brasileiro a obra monumental de Crtanu Joli.
Esse livro ele foi composto no próprio século XIX, no calor dos acontecimentos, quando a revolução ainda avançava, quando os papas ainda resistiam, quando a igreja ainda tentava compreender a natureza exata do inimigo que a cercava. E Ketchenojoli escreve como historiador, mas também como testemunha, como testemunha de uma época. E ele reconstrói com com grande ricor documental o embate entre a Igreja Católica e as forças revolucionárias desde 1789, analisando não apenas os acontecimentos políticos, também eles, mas também os princípios filosóficos, os princípios religiosos que o sustentavam.
E nesse livro ele ele narra sim as perseguições, narra os exílios, narra a descristianização das sociedades, mas também dá a entender a lógica interna da revolução, a sua visão de homem, de sociedade, de autoridade, de religião e mostra o conflito entre o papado, entre grandes papas e a revolução. E nesse contexto, a publicação dos documentos da alta venda assume um caráter central. Foi nesse livro que, pela primeira vez os católicos puderam ler de forma integral, de forma autêntica, os textos secretos que descrevem um plano de subversão interna da igreja.
Ler a Igreja Católica em face da Revolução é compreender porque os papas falaram como falaram, porque eles condenaram o liberalismo com tanta clareza. Porque eles viam na conciliação com os princípios de 1789, não um progresso, mas um perigo mortal paraa fé. É compreender que para eles a revolução não era um um avanço político, mas uma visão de mundo incompatível com o catolicismo.
Por isso, esse livro ele é essencial. Ele é essencial para quem deseja entender, estudar seriamente a história da igreja no mundo moderno e a sua luta com este mesmo mundo moderno. A tradução que nós estamos produzindo segue o texto integral do original francês e visa devolver aos católicos a memória de um combate esquecido e de uma e de uma lucidez que nós não podemos perder.
É um trabalho feito para durar, para formar, para devolver aos católicos brasileiros o processo ou dar ou antes dar aos católicos brasileiros uma obra de referência que moldou a compreensão da igreja sobre a revolução. Então, se você deseja ir além dos slogans, além das leituras apressadas, além das interpretações rasas, esse livro é para você. São quase 1000 páginas divididas em dois tomos que está sendo eh editada pela nossa equipe para que você possa compor a sua biblioteca e estudar.
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