Olá Nunca na história da humanidade houve tantas pessoas forçadas a deslocarem de suas casas como no ano passado foram mais de 108 milhões elas fugiram de guerras perseguições violações de direitos humanos aqui no Brasil apenas em 2022 foram feitas mais de 50 mil solicitações da condição de refugiado a principal porta de entrada é o Aeroporto Internacional de São Paulo em Guarulhos Nós visitamos um dos abrigos da prefeitura que acolhem essas pessoas [Música] [Aplausos] quando uma família chega a gente recebe ela nesse espaço a gente apresenta nossa equipe tem que Amanda e a saga geralmente essa
parte da casa tem um bom acesso ao wi-fi Então as famílias se reúnem muito aqui para falar com parentes que ainda estão no Afeganistão ou em outros países aguardando o visto para o Brasil a gente tem aulas de português e nesse espaço a gente tem quatro quartos de quatro famílias que estão residindo aqui também a gente tem quartos de família são mais quatro quartos dessa região e aqui a gente tem o coração do nosso abrigo que é a cozinha cada família tem um espaço né para colocar a comida que a gente dispõe no dia as
famílias conseguem reproduzir suas receitas do Afeganistão e garantindo que se sintam mais próximas de sua cultura a gente tá lotado então tem 62 vagas preenchidas aqui no espaço [Música] Ele conta que pessoas que trabalhavam no antigo regime ainda são perseguidas pelo Talibã ele agradece o acolhimento diz que agora estão felizes aqui saber Chegou a um ano e oito meses aprendeu português e hoje trabalha como tradutora na casa ela escreveu uma carta para registrar como se sente meio única pedido o governo Brasil é que facilidade o preço do reunião familiar para que aqueles cujos parentes estão
no Afeganistão para sempre já juntar eles no Brasil nós é cedo que a gente mais vê aqui no abrigo [Música] devemos a chefe do escritório Beatriz Nogueira a cientista política e professora de relações internacionais da Universidade Federal do ABC Júlia Bertino Moreira especialista em migração do Médicos Sem Fronteiras Obrigada de pessoas que são obrigadas a deixar as suas casas porque chegamos nessa situação nós chegamos de fato no número recorde de 108 milhões de pessoas até ano passado mas esse ano já estamos falando em 110 milhões de pessoas que seria metade da população brasileira então nós
temos uma combinação de crises humanitárias e conflitos ainda não resolvidos de muitas décadas e novas situações os principais países de origem de refugiados mostram isso nós temos Síria com mais de 6 milhões de pessoas não confio que tem mais de 10 anos Afeganistão com mais de 5 milhões de pessoas um conflito de décadas desde os anos 80 depois nós temos Ucrânia do ano passado também com mais de 5 milhões de pessoas Então essa combinação de situações não resolvidas com situações novas não chegam esse patamar é muito muito Severo professora sim acho que complementando a fala
da Beatriz além de situações que envolvem guerras conflitos violência violações Direitos Humanos temos também a questão da migração de sobrevivência né Ou seja pessoas que migram buscando a sua própria subsistência isso vai estar presente nesses contextos que eles humanitário em que a questão sócio-econômica também se coloca de forma premente além de questões ligadas à estabilidade política isso sem falar em questões relacionadas a desastres naturais sim mas Serena o que assim Beatriz Júlia colocar nos faz pensar que as pessoas elas não deixam suas casas porque querem são muitas vezes elas chegam no limite para tomar uma
decisão como essa é importante pensar isso não é eu sempre falo que os imigrantes deixam sua casa quando não tem outra escolha eu acho que essa é a última escolha no caminho onde ele já tem tentado outras possibilidades né de desgraçamento interno muitas vezes antes de optar pela migração internacional então mesmo que não existam em casos de que não sejam de proteção internacional que não existam Marcos legais né que reconhecem estados dessas pessoas e isso confirma o fato que ele se encontra em situações de ainda maior vulnerabilidade e dificuldade ao longo do caminho antes de
continuar eu queria só você acho que vale a pena abrir aqui para explicar a diferença desses termos né que nós estamos usando aqui quando fomos refugiados deslocado sim o termo deslocado ele foi muito associado ao que nós chamamos de migrações forçadas tanto que tem uma categoria que a Serena citou nos deslocados internos são as pessoas que deixam suas casas seus lares e se movimenta no interior das fronteiras do seu país de origem ou desinência habitual no caso dos apáticos pensando nessa situação específica já o tema migrante ele é muito associado aquela figura de uma pessoa
que se desloca voluntariamente ou seja em busca de melhores condições de vida oportunidade de trabalho e assim por diante eu refugiado ele é uma categoria muito específica que foi cunhada pela legislação internacional eu não posso segunda guerra mundial envolve sobretudo situações ligadas ao fundado temor de perseguição por cinco motivos raça religião nacionalidade ele tem cimento um determinado grupo social e opiniões políticas também temos definições ampliadas como nosso caso na região latino-americana e que reconhecemos como refugiados pessoas que fogem buscando resguardar sua vida segurança e liberdade em situações de violação massiva de direitos humanos vou trazer
aqui Uma pesquisa realizada pela Y para vocês comentarem mostrando o que Metade dos brasileiros vem como obrigação humanitária receber refugiados no país apenas três em cada 10 acreditam que as fronteiras do país deveriam ser fechadas para essas pessoas que que podemos entender resultado dessa pesquisa Beatriz Isso é uma pesquisa muito animadora para nós num ambiente ainda de muito desconhecimento sobre o que são refugiados o tamanho da crise humanitária mundial que envolve e o impacto no Brasil né como você disse já tivemos só ano passado 50 mil solicitações de Refúgio no Brasil uma média de 5.000
solicitações por mês segundo o governo brasileiro e nós estamos falando também de venezuelanos que chegam aqui já tem mais de 450 mil no Brasil essa situação como foi mostrada no vídeo dos afegãos que chegam pelo aeroporto de Guarulhos então num ambiente de muito desconhecimento ainda nesse momento há 206 206 pessoas esperando uma possibilidade de acolhida mas mais de 6 mil já chegaram aqui e 9 mil vistas então a gente tá esperando mais 3 mil pessoas chegarem aqui então uma situação que toca a comunidade que toca o país que toca o ambiente escolar é importante então
que haja esse sentimento de acolhida mesmo não havendo uma discussão tão profunda sobre Quais são as causas de onde as pessoas vêm e quais são os talentos e as capacidades que elas trazem para contribuir para a sociedade são muitos não é muitíssimos pessoas trazem sua cultura sua resiliência imagine uma família vinda do Afeganistão de tão longe famílias grandes numerosas de sete pessoas com crianças que fazem quase a maioria da população refugiada então trazem muita resiliência muito talento cultura vontade de ficar de se integrar de empreender de trabalhar um outro dado aqui de cada cinco pedidos
no mundo dois são latino-americanos a ser acompanha de perto essa situação não é Serena com o trabalho do médico sem fronteiras te chama atenção não é porque é difícil pensar mensurar essas pessoas quando elas rumo ao desconhecido não é muitas vezes dias e dias aí pela estrada traz um pouquinho dessa experiência para gente o caminho dos venezuelanos bem como de muitas outras nacionalidades na América Latina né porque vale a pena lembrar que não tem só venezuelanos que estão se movimentando Dentro do continente da região então eles normalmente viajam andando ou com recursos realmente mínimos tanto
é que dá para ver no início de uma migração que eles possuem mais recursos por exemplo para pagar o transporte depois de um momento né quando a crise se torna mais profunda Essas pessoas vão ter que escolher Como utilizar esse dinheiro se para um transporte para comida então daí estamos enfrentando né nos últimos anos situações cada vez mais difíceis porque né a crise nos países Justamente não é resolvida e as pessoas saem com menos recursos e também a gente viu observou uma mudança Justamente não se perfis enquanto no momento inicial da migração tem a tendência
a sair mais homem adultos quando a crise se torna mais e grave justamente em um país aí que vemos mais mulheres famílias unidades familiares também com criança empreender o caminho e essa é uma dificuldade muito grande sobretudo considerando né a falta de oportunidade de alojamento e também a oferta de comida e tudo mais daí a importância de políticas públicas não é sem dúvida é muito importante a gente tem uma estrutura maior de integração né para uma acolhida mais adequada que atenda especificidades demandas que são colocadas como nós vemos que relacionadas a mulheres questões relacionadas a
crianças então nós agora com neste novo governo estamos discutindo a política nacional de refúgio a patrígia imigrações como iniciativa muito importante nesse sentido né Espero que prospere que seja uma política bem estruturada que dê conta de todas as necessidades urgentes e Beatriz chamou atenção que existe muita desinformação acerca desse assunto existe também preconceito infelizmente existe ainda assim eu acho que aqui na sociedade brasileira agentes ver algumas instâncias de desconhecimento estranhamento e até xenofobia mas eu diria que a principal questão são às vezes preconceitos que já estão aqui na nossa sociedade como racismo como classicismo como
machismo e misoginia que muitas vezes as pessoas refugiadas sofrem também eu já ouvi relatos de que chegam de alguns países africanos por exemplo República democrática do Congo etc falando que Haiti aqui também na nossa região falando que não sabiam necessariamente o que era o racismo Até chegar na sociedade brasileira e isso é uma coisa muito difícil de falar para pessoas que vem de outros países seriam um pouco também sobre o papel do médico sem fronteiras como é que vocês atuam junto aos refugiados médico assim fronteiras atua e nas principais frotas migratórias sobretudo posicionado em fronteiras
que são lugares de grande vulnerabilidade né como expliquei antes por conta de viorações violência né que acontece especificamente nesses lugares porque migrantes refugiados são obrigados cada vez a buscar caminhos menos Seguros é mais difíceis por conta justamente hoje de fronteiras fechadas ou de né presença de Polícia Militar em fronteiras ou nossos projetos são baseado em estratégias de clínicas móveis como a gente chama que se trata de infraestruturas que podem facilmente se montar esse desmontar em vários lugares né e tentamos achar os pontos aonde podemos atender essa população sem colocar em risco os imigrantes eram refugiados
mesmo E também o equipe de mcefãozinho aqui na nossa conversa chamado [Música] voltamos a conversar sobre a situação dos refugiados com a chefe do escritório em São Paulo Beatriz Nogueira a cientista política e professora de relações internacionais da Universidade Federal do ABC Júlia Bertino Moreira e Serena corrente especialista em migração do Médicos Sem Fronteiras Como Nós pensamos aqui nas situações específica do Brasil o que que vale a pena chamar a atenção a gente vale a pena chamar atenção para a potencialidade do Brasil no tocante à integração das pessoas temos um movimento importante de chegada ao
Brasil mas que pode muito bem ser absorvido pelas políticas públicas e pela sociedade brasileira em seus enormes sua grande extensão territorial e municípios aqui no Brasil diferente de outros países nós temos políticas públicas universais de saúde educação e assistência social isso é muito importante para crianças famílias que chegam e possam ter acesso ao cadastro único acesso à saúde pública que muitas vezes não tem seus países acesso à educação logo na chegada isso é um fator fundamental de integração e de acesso à direitos todas essas políticas podem ser aprimoradas é claro com conhecimento maior com capacitação
sobre qual é quais são as necessidades específicas dessa população como integrar nas escolas uma criança afegan que nós vemos que fala um idioma diferente que vende uma série diferente é logo incluída na escola imediatamente e muitas vezes essas populações não estão acostumadas não sabem que esse direito existe fazendo essa conversa com o Brasil e e não permitindo apagamento dessa cultura muito pelo contrário celebrando em conjunção com a cultura brasileira Sem dúvida pensando no que nós precisamos avançar Existe algum ponto que erramos ainda e que acaba reforçando preconceito também professora eu penso que nós gravitamos entre
uma situação de hospitalidade como vimos iniciativas muito importantes e positivas e uma situação de Infelizmente hostilidade como também a Beatriz já ressaltou aqui questão de xenofobia muitas vezes associada ao racismo a questão da misoginia do machismo já presente na nossa sociedade e outra questão que eu acho que vale a pena pontuar é homofobia então o Brasil recentemente né tem tido uma decisão importante inclusive em reconhecer pessoas lgbtqia+ como refugiados porém ao mesmo tempo sabemos que o Brasil lidera o ranking em relação a homofobia e essa é uma problemática muito difícil inclusive né de ser compreendida
e de ser encaminhada porém é importante para nós refletirmos juntos e juntas aqui ainda sobre essa questão nosso preparo para receber os refugiados depois do caminho que já é bem difícil como a gente comentou a situação no país de destino muitas vezes não é fácil como Imigrantes imagina antes de chegar e Justamente a falta de informação também sobre os direitos e a situação no país de acolhida eu acho que também uma questão muito importante e sobre a qual é necessário e que essas pessoas em movimento sejam informadas também para poder tomar decisões agora nessa questão
né de ter acesso a informação e aos direitos as nossas leis dão conta de abarcar todo esse Panorama precisam ser atualizadas nesse sentido eu diria que a legislação brasileira é muito avançada tanto a lei específica sobre refugiados como a nova lei de migração aprovada recentemente só que a implementação e a efetivação dessas leis demandam o engajamento que a gente chama de toda a sociedade uma abordagem de toda a sociedade não é São só governos federais ou países nós estamos falando de governos estaduais ele tá falando de prefeituras que atuam na ponta que tem a escola
que tem a saúde que tem o Cras nós estamos falando de universidades dono para refugiados tem uma parceria com universidades Inclusive a UFABC mas de 39 na catedra Sérgio Vieira de Melo no país inteiro apoiando ensino superior acesso ao ensino superior pesquisa serviços aulas de português atendimento médico organizações internacionais organizações humanitárias igrejas organizações da sociedade civil se não for com toda a sociedade com informação na ponta da língua se ajudando e se complementando em suas potencialidades a integração é não consegue se se efetivar de uma festa toda sociedade a educação que vai na ponta que
chega todo ciclo mercado de trabalho não é e tem nessa mesma pesquisa que você tem daí pessoas no bloco anterior tem um outro dado que mostra que mora a população brasileira se mostra preocupada com a recepção de refugiados 601% dos brasileiros não executaram nenhuma ação manifestando apoio a essa causa nos últimos 12 meses quer dizer ainda há muito que ser feito todas as frentes de atuação importantes e aí também acho que se faz fundamental a questão da informação como A Serena também pontuou Inclusive eu queria destacar aqui o papel da mídia que tem extrema relevância
programas como esse né que vão divulgar qual é a situação de fato dessas pessoas por que que elas estão se deslocando que as leva deixasse os países ou mesmo se deslocar no interior deles e como é que nós podemos ter uma visão mais acolhedora frente essa população então só queria destacar aqui então minha preocupação da gente utilizar alguns termos né então fizemos todo o movimento entre ativistas academia de não se utilizar mais o termo migração ilegal Então se utiliza irregular não documentada e da mesma forma acho que outros temas são são pouco complicados né até
mesmo temos crise migratória que muitas vezes a gente tem Associação como se Os migrantes fossem os causadores da crise na realidade eles se deslocando em situações de crise humanitárias ambientais então outros termos causando crise nenhuma exatamente até como a Beatriz disse né Toda potencialidade dessa população que pode enriquecer não só culturalmente o nosso país como social e economicamente porque eles contribuem contribuem com impostos contribuem com inovações com novas perspectivas no mundo do trabalho então é importantíssimo levar essa informação é uma informação qualificada Olha a equipe do médico sem fronteiras registrou conversas com crianças latino-americanas refugiadas
em albergue no México Vamos ouvir que elas têm a dizer assim [Música] Galinha Pintadinha Eu queria estar no meu país eu sinto saudade porque muitas vezes essas pessoas elas têm esperança de voltar não é Serena Claro ele sempre tem um acho a esperança de voltar para casa deles e eu acho desse vídeo é uma coisa muito importante o quão essa criança está ciente de tudo que tá acontecendo com eles né fronteiras fechadas nas finalidades eles estão deixando passar a gente ou não essa criança muito pequena e já ter entendimento dessas realidades vivenciar essas situações eu
acho que primeiramente uma coisa muito difícil para eles enfrentarem e acho também que os impactos né desses experiências dessas dificuldades não atingir de alguma forma também o desenvolvimento pessoal dessa criança de um ponto de vista né da saúde mental por justamente se depois no país de acolhida não tem esse processo de integração né e de acolhimento dessas pessoas são para a gente ter uma ideia no início desse ano mais de 111 miligrantes foram detidos em condição irregular no México Eles tentaram chegar aos Estados Unidos e um terço deles era justamente de crianças e adolescentes chovendo
sobre essa questão esses números são de Fato muito impactantes e tendem a se agravar né a gente viu ano passado cerca de 250 mil pessoas passaram pelo Estreito de dariem da América do Sul em direção a América do Norte só esse ano até Abril 100 mil a projeção se continuarmos nesse ritmo que 400 mil pessoas passem por um local absolutamente inóspito perigoso em que a toda a sorte de exploração e violência chegando ao final então para vocês no último recadinho rapidamente eu queria terminar evocando um poema de Fernando Pessoa se chama mapa português é muito
conhecido por aqueles versos tudo vale a pena se a alma não é pequena mas queria chamar atenção para os últimos versos que são Deus ao mar o perigo e o abismo deu mas nele que espelhou o céu então pensar os perigos e os abismos que todas as pessoas já passaram e que nós podemos passar Lembrando que o Brasil também já foi país de origem de refugiados durante o regime militar e que nós sejamos aqui no Brasil enquanto brasileiros e brasileiros possamos trazer um pouco dessa Esperança sendo esse céu né melhor condição exatamente Serena só palavrinha
final a dificuldade não termina né ao destino e que eu acho que parte da nossa responsabilidade né civil e cidadão de participar da inclusão e da Integração dessas pessoas e de entender que algumas vezes pode não existir um Marco internacional de proteção para essas pessoas e porém elas precisam ter uma possibilidade de Reconstruir uma vida e de acessar serviços e com base nos direitos humanos Beatriz só palavra eu estou refugiado né é uma outra coisa se pensar não é isso é exatamente isso que eu ia terminar é um convite aqui estou com os refugiados então
é uma causa que pode agregar quem quiser nos apoiar Universidade os governos locais organizações huma nitárias igrejas nós temos empresas setor privado Então essas pessoas estão nas nossas comunidades estão chegando trazem muitos conhecimentos e potencialidades e o contato próximo com essas pessoas é o que dissipa na maioria das vezes preconceitos mitos e turismo então é um convite para vir conosco e esteja hashtag com os refugiados como todas aqui estamos Obrigada pela presença hoje só começa tão importante e até uma próxima opinião fica por aqui acompanha o nosso podcast nosso canal no YouTube obrigada pela sua
companhia até a próxima [Música] [Música] [Música] [Música]