Maria Verônica do Nascimento é atriz, diretora de produção e de teatro, palhaça, oficineira e jornalista. Atua na área de artes cênicas desde 1987, ou seja, há 38 anos. dirige o Teatro do Beco de Vitória, Espírito Santo e em 2019 tornou-se presidente do Centro de Apoio e Memória do Circo no Estado do Espírito Santo.
Verônica, conte-nos resumidamente um pouco da sua história com a arte do teatro e como se encantou por ela e sentiu que essa seria seu propósito de vida. Então, eh, eu comecei profissionalmente em 1987. Na época eu fazia comunicação social na UFS, jornalismo, mas aí eu eu me formei em jornalismo e não continuei.
Fiquei um ano só e voltei para o teatro porque eu não conseguia viver longe dos palcos. mesmo eu à frente das câmeras, eu me senti um pouco triste porque faltava eh a vivência do palco. Eu larguei, né, a profissão e retornei com com o teatro e dali não parei mais.
Eh, fiz muitas produções, fiz muitas direções de teatro, atuei muito e trabalhei o teatro muito como um como um caminho profissional mesmo, um caminho muito de resistência. mas também de sobrevivência, né? Porque eu como atriz eu tinha que sobreviver da arte e o que que eu fazia?
Então, eu era atriz, eu era professora, ministrava oficinas, eu era produtora e eu era diretora de dos espetáculos. Então, através dessas funções, eu consegui levar adiante essa arte que eu tanto gosto, essa arte que não não finalizei, porque eu considero que quem chega aos 37 anos de atividade é porque realmente é uma vocacionada. Ela é vocacionada, né?
Eu me sinto vocacionada a isso. Eh, por mais que tiveram outras possibilidades de outros trabalhos, de outras vivências, mas eu não consegui ir paraas outras vivências. Eu continuei no teatro e vou estou no teatro e vou continuar no teatro.
A minha família é uma família voltada muito para isso. Eh, me valorizou muito, me incentivou muito. Eu venho de uma família que eram músicos, os meus tios não sabiam ler, né?
Eles eram letrados, mas eles sabiam através do ouvido ler todas as partituras musicais, tocavam todos os instrumentos. Então eu tenho essa essa coisa na raiz, né, da arte e aconteceu de eu ficar e vou morrer dessa forma, né, fazendo teatro. Muito bom.
Como diretora do Teatro do Beco, fale-nos sobre como o grupo surgiu, como ele é formado e quais as suas principais características, tipo linguagem, função social, se circula ou não por outros locais além de Vitória e Espírito Santo. Então, o teatro do Beco é minha última, foi minha última, meu último empreendimento, né? E tá sendo esse do Teatro do Beco.
Eu tive vários empreendimentos durante a vida. Eu tive a fábrica da ilha, eu tive a gráha, eu fui diretora, fui gestora do teatro de de bulhões. Então assim, dois como eu me aposentei, né?
Porque o que que acontece? Eu fiz também um concurso na prefeitura e trabalhei na secretaria de cultura. Então eu desenvolvia muito também trabalhos artísticos dentro da secretaria de cultura, né?
Muitos muitas muitas produções de teatro dentro da secretaria de cultura. E aí eu me aposentei. Então na quando eu me aposentei, eu criei em 2015 o teatro teatro do Beco.
Esse Teatro do Beco é um teatro que é um teatro de periferia, é um teatro realmente chamado be situado dentro de um beco. Ele trabalha muito a questão da democratização, do fazer teatral. Ele trabalha com a fluição, ele trabalha com fomento.
Então o que que acontece? A gente faz vários espetáculos, tanto com atores profissionais como também com a comunidade. Tem uma escola aqui que chama CMF Padre Encheta, que é uma parceira do teatro do Beco.
Então a gente faz muitas atividades com os alunos e também desenvolve as nossas atividades do beco nessa escola por ser um espaço onde tem um bom auditório, tem uma boa duas quadras boas. Então a gente desenvolve muito das nossas atividades dentro do do desse espaço que é padreta. E o que que a gente faz?
A gente faz prática de montagem. Às vezes muitos alunos estão, às vezes eles não estão, mas o que que acontece? Eles trabalham, eu, a gente trabalha essa, essa interação através de palestra e através de dar uma resposta, né, para a escola nas práticas de montagens.
E aí a gente faz as práticas de montagem e apresenta para os os turnos, tanto matutino como vespertino. Agora mesmo a gente vai desenvolver com eles, agora é com eles, com os alunos, uma escola de circo. Começando, começando, por exemplo, escola de circo pertence ao Centro de Apoio Memório Circo, né, do qual sou presidente.
Mas o que que acontece? Como a gente trabalha concomitantemente o Teatro do Beco com o Centro de Apoio e Memório, Circo, o Teatro do Beco e o Centro irão desenvolver uma escolinha de circo para os alunos da CMF para Danchieta, desenvolver malabarismo, palhaçaria, né, essas essas atividades mais de chão, né, porque pela questão de segurança, tal, a gente vai desenvolver mais as atividades cessas que cabe no chão. É isso.
A gente tem um trabalho muito social. Sempre tive isso por ser muito ativista, né? Já fui presidente do sindicato dos artistas em dois mandatos aqui.
Sindicato dos artistas e técnicos espetáculo de versões do Estado do Espírito Santo, eh, por dois mandatos, fui secretária geral da América Latina também dos atores. Então, eu tenho um ativismo muito grande, sabe, né? Que me que está dentro de mim.
Então assim, é uma é uma vocação. Eu não consigo fazer uma outra coisa que não seja. Quando não tô dando aula, eu tô dirigindo.
Quando não tô dirigindo, eu tô atuando. Quando não tô atuando, eu tô produzindo meus espetáculos. É isso.
E como é formado esse grupo e se circula só? Então esse grupo, esse grupo ela é uma produtora, né? Ele era um coletivo, né, de pessoas.
Continua esse coletivo, mas hoje ele era um meio, né? para trabalhar precisava se ter uma certa organização para ser contratado. Aí o que que eu fiz?
2017 criei o teatro do Beco com 2015, com e aí agora não. E aí dali surgiu um coletivo que sempre me acompanhou, que são os atores dentro do Teatro do Beco, que é a Sueli Bispo, a Margarete Maia, agora vem muitos novos, tem a Cláudia, tem a Bárbara, tem várias pessoas, né? Nós estamos mais ou menos esse coletivo, nós somos mais umas 10 pessoas.
E aí ele sempre se renovando, sabe? Ele sempre, não é que se renovando, sempre foi chegando, mas o a base dele mesmo, base mesmo de levar de levar mesmo adiante é eu, né? é a Sueli, é a Regina Schimit, que é figurinista e e o Iuri Lopes, nós temos um ator muito interessante que tem síndrome de Dal dentro desse coletivo.
E o Iuri que faz toda a parte de é o apresentador quando tem espetáculo, é o ator quando tem outro alguns espetáculos também. Agora mesmo a gente fez um festival de artes cênicas, o dia a do B. Então a gente cada um teve sua função.
A Sueli faz a sua a divulgação, eu faço toda a organização e a produção. A Regina tava na produção e o URI era um dos apresentadores desse festival. A gente tem um trabalho muito de incluir, né, de dar acesso, né, as a todas as pessoas que queiram fazer.
E o Uri tá comigo há 3 anos e o também é uma pessoa bem vocacionada, tá bem não, né? Ou ela é vocacionada ou não. Ela é uma pessoa vocacionada.