Módulo 7 aula 19 Agora vamos falar sobre uma outra estratégia que nós utilizamos em programas baseados em ABA. Alguns comportamentos são, na verdade, sequências de comportamentos, sequências mais longas, envolvendo várias respostas que precisam ser dadas em sequência para que aquele comportamento tenha um resultado significativo. Por exemplo, escovar os dentes.
Vai depender de várias respostas que podem começar em: pegar a escova de dentes, pegar o tubo de pasta, abrir o tubo da pasta de dentes, colocar a pasta sobre a escova e escovar de um lado. Então tem toda uma sequência que precisa ser realizada mais ou menos numa ordem específica para que aquilo seja significativo. Colocar, vestir uma roupa, colocar um casaco, fechar o zíper, amarrar os cadarços, forrar a cama, lavar a louça e um tanto de outras coisas que são coisas que fazemos todos os dias e que muitas vezes vamos precisar ensinar para os nossos clientes.
Essas são as chamadas cadeias comportamentais. Uma cadeia comportamental é uma sequência de respostas conectadas que levam a um comportamento final. E é esse comportamento final, geralmente, que reforça todos os elos dessa cadeia comportamental.
A primeira coisa que nós precisamos fazer para trabalhar com cadeias comportamentais é uma análise de tarefas. Essa cadeia comportamental, então, é considerada uma tarefa e nós vamos analisar essa tarefa para poder ensinar os elos dessa cadeia comportamental. A análise de tarefa, é o procedimento de quebrar a cadeia comportamental em comportamentos menores e definir qual é a ordem, qual é a sequência desses comportamentos dentro da cadeia comportamental.
Uma cadeia comportamental pode ter poucos passos, como quatro, cinco, seis passos, ou pode ter muitos passos, como 16, 18, 20 passos ou até mais passos. Um exemplo de uma cadeia comportamental seria ir até o banheiro para lavar as mãos. Então, primeiro, preciso ir até o banheiro, acender a luz, me aproximar da pia, abrir a torneira, colocar as mãos na água, pegar o sabonete, esfregar o sabonete nas mãos, devolver o sabonete.
Tem uma sequência muito bem definida, que pode ou não ser alterada e geralmente a gente vai analisar essa tarefa para entender em que contexto essa sequência de comportamentos ou essa cadeia comportamental precisa ocorrer para a gente adaptar essa cadeia para um cliente específico. Então, aqui no meu exemplo de lavar as mãos, algumas coisas vão fazer diferença. Por exemplo, se nesse banheiro o sabonete é líquido ou ele é em barra, se a toalha é de papel ou é de pano, se a toalha está pendurada ou está num dispenser de toalhas de papel.
Então, todos esses elementos precisam ser analisados para um cliente específico quando a gente quer ensinar inicialmente essa cadeia comportamental. É claro que se eu estou ensinando essa habilidade específica, entrar no banheiro e lavar as mãos, eu vou começar o ensino dessa maneira mais organizada, com uma análise de tarefa, mas eu devo prever essas variações, por exemplo, do tipo de sabonete, do tipo de toalha para secar as mãos, para que esse cliente possa, no futuro, conseguir executar essa tarefa, lavar as mãos, em qualquer banheiro, em qualquer local, onde ele tenha lá uma pia, um sabonete e a toalha. Outro conceito importante para nós aqui é o conceito de encadeamento.
Então, após fazer a análise dessa tarefa e definir quais são os elos dessa cadeia, nós precisamos fazer o encadeamento. Encadeamento são os métodos que nós utilizamos para conectar sequências específicas de respostas, para produzir esses comportamentos novos, que são cadeias comportamentais, são essas sequências. Existem basicamente três formas de fazer o encadeamento.
O encadeamento para frente, o encadeamento total da tarefa, ou também chamado de treino da tarefa total, ou treino da tarefa inteira, e o encadeamento de trás para frente. Vamos falar sobre cada um desses tipos de encadeamento. Importante salientar que quem faz a análise da tarefa é o supervisor ou a supervisora do caso.
É esse profissional que supervisiona o caso, que conhece as estratégias para fazer uma análise de tarefas. Algumas delas vão ser mais simples, outras vão ser mais complexas, e algumas vão exigir algumas estratégias adicionais, que só esse profissional teve a formação para poder fazer. O primeiro tipo de encadeamento, encadeamento para frente.
Nesse tipo de encadeamento, cada comportamento da análise de tarefa é ensinado na sua ordem sequencial natural. O reforçador é entregue quando o critério para o primeiro comportamento da sequência for atingido. E em seguida, o critério aumenta para o primeiro e o segundo comportamentos da sequência.
Cada novo passo requer que os passos anteriores tenham sido executados corretamente e na sequência correta. Então eu vou pegar toda a sequência e vou ensinar uma de cada vez de maneira cumulativa. Então vamos pegar aqui o exemplo de lavar as mãos na pia do banheiro.
Na primeira etapa, eu vou ensinar só o primeiro passo dessa sequência, que poderia ser, por exemplo, entrar no banheiro. À medida que esse cliente consegue entrar no banheiro de maneira independente, eu vou para a segunda etapa desse ensino, que vai envolver os passos 1 e 2. Então o passo 1 entrar no banheiro e o passo 2 acender a luz.
No meu exemplo aqui, então ele precisa executar o primeiro passo de modo independente e o segundo passo é o que eu vou ensinar. Uma vez que ele aprenda a fazer os dois passos de maneira independente e na sequência correta, eu vou para a terceira etapa, que seria ensinar os passos 1, 2 e 3 acumuladamente. Então esse cliente vai ter que entrar no banheiro, acender a luz e se aproximar da pia.
Lembrando que nessa etapa 3, o que eu estou tentando ensinar é se aproximar da pia. Ele já alcançou os critérios para a etapa 1 entrar no banheiro e etapa 2 acender a luz. Na etapa 4, então eu vou pegar os passos 1, 2, 3 e 4 e me concentrar no ensino do passo 4, que seria abrir a torneira.
Então assim por diante nós vamos ensinando cada passo na sequência natural desse comportamento, dessa sequência de comportamentos. No encadeamento total da tarefa, que é a nossa segunda forma de ensinar, a gente vai ensinar todos os passos ao mesmo tempo, na mesma sessão. Nesse caso, as dicas de resposta são apresentadas para cada passo conforme a necessidade do seu cliente.
Nesse ensino de encadeamento total da tarefa, o nível de dica necessário é registrado em cada um dos passos da sequência. E o reforçador só é entregue após a realização da tarefa completa. Então tem um reforçador que é entregue ao final.
Mas perceba que nesse caso aqui nós estamos trabalhando com todos os elos da cadeia ao mesmo tempo. Então eu não preciso que o cliente saiba fazer o primeiro passo ou o segundo passo ou o terceiro passo, porque eu vou ensinar todos ao mesmo tempo quando a tarefa é realizada. Esse ensino tem uma vantagem.
Então eu estou ensinando todos os passos. Ele tende a ser mais rápido em termos de eficiência. Esse cliente vai aprender a executar essa tarefa total mais rapidamente do que nos outros dois tipos de ensino de encadeamento.
Então nesse caso aqui, por exemplo, eu poderia dar ajuda física numa situação em que o cliente não dá conta de executar parte dessa tarefa, um elo dentro dessa tarefa de, por exemplo, lavar as mãos na pia, do banheiro. E depois, as partes que ele consegue fazer de modo independente, eu vou deixar ele fazer de modo independente e só vou ajudar naquelas etapas que ele precisa de alguma ajuda. No terceiro tipo de ensino de cadeias comportamentais, a gente tem um encadeamento de trás para frente.
Nesse caso, todos os passos da análise de tarefa são executados pelo aplicador com ajuda total, ou seja, ajuda física total, mão sobre mão, na sequência correta. Então na sequência natural, passo um, passo dois, passo três, até o último passo. E é nesse que a gente se concentra para tornar o indivíduo independente.
Enquanto no encadeamento para frente, a gente se concentra na sequência natural, no primeiro passo, depois no segundo, depois do terceiro. A gente, nesse caso aqui, executa toda a tarefa com ajuda física total, desde que esse cliente consiga, isso não seja um problema para esse cliente específico. E a gente vai retirando essa ajuda, começando do último e depois do penúltimo e depois do antepenúltimo passo e assim sucessivamente.
Então, quando o cliente dominar o último passo, é que a gente vai passar a exigir o penúltimo passo e o último passo cumulativamente e a gente vai voltando nos elos da cadeia. Então, os demais passos vão sendo acrescentados com o domínio do passo anterior, por isso ele é chamado de trás para frente. Pensando lá no nosso exemplo de lavar as mãos na pia, então primeiro eu entraria junto, daria ajuda física para esse cliente, para esse cliente entrar no banheiro, para acender a luz, aproximar da pia, todos esses passos, e me concentraria na primeira etapa desse ensino, no encadeamento de trás para frente, em sair do banheiro.
Uma vez que esse cliente saia do banheiro de forma independente, eu vou me concentrar em apagar a luz. Então, ele vai apagar, eu vou ensinar ele a apagar a luz, quando ele estiver fazendo isso de modo independente, ele vai apagar a luz e sair do banheiro de modo independente. Então, a gente passaria pelo elo anterior, que seria, por exemplo, colocar a toalha de volta no gancho na parede e depois ele vai fazer o restante de modo independente, apagar a luz e sair do banheiro e assim a gente vai voltando nesse ensino.
Essas três estratégias podem funcionar e podem ser mais indicadas a depender de qual é a habilidade que está sendo ensinada. Quem decide qual é a estratégia de encadeamento que vai ser empregada nesse ensino, novamente é o supervisor ou a supervisora. Os técnicos comportamentais, aplicadores e ATs devem aprender qual é a tarefa, e devem conhecer essas estratégias de encadeamento para utilizar corretamente.
E é claro que para algum cliente pode haver dúvidas e são, às vezes, necessários esclarecimentos e isso deve ser feito junto à supervisora, o supervisor, coordenadora ou coordenador do caso.