Caso mais recente agora, fórum que você já relatou aqui, Carla, que deu repercussão na mídia foi o da Tainara. >> O mais recente, sim, né? Eh, e não chegou, a gente diz, graças a Deus a ser um feminicídio, né?
Mas uma um feminicídio tentado, uma tentativa. E quando a gente entende a brutalidade do que foi feito com essa moça, né? Porque muitas pessoas falam: "Ai, graças a Deus ela não perdeu a vida".
Graças a Deus ela não perdeu a vida. Mas qual foi a vida que foi agora, né, foi imposta para essa mulher por conta deste homem, né, uma pessoa completamente sem a menor condição de conviver, né, na nossa sociedade? Porque quando a gente para para pensar, né, a gente até podia falar depois, badaró, sobre a questão de ressocialização, e eu entendo que ela é muito importante em vários casos, mas como é que você ressoaliza uma pessoa que vai ter que conviver com mulheres novamente, né?
Mais de 50% da população, né, mundial é composta de mulheres. Uma pessoa que se mostrou completamente um incapaz, porque o que ele fez com a Tainara, ele simplesmente atropelou com, né, com dolo, com intenção, com vontade. carregou o corpo dessa mulher por 1 km, né, ali na marginal do Titê, no comecinho do dia, né, ela tinha saído, foi para um para uma, foi se divertir, como qualquer pessoa, né, tem o direito de fazê-lo.
Ela trabalha, paga os impostos, é mãe, cuida dos filhos, estava ali se divertindo ele. as informações que a gente recebeu da autoridade policial é que ele manteve um relacionamento, um breve relacionamento com essa moça e não se satisfez porque ela resolveu romper esse relacionamento. Existe uma maldade, uma perversidade tão grande, porque começaram a nascer boatos, rei Badaró, que ela seria uma garota de programa, uma profissional do sexo.
Mesmo que fosse coisa que não é, não lhe dá o direito de fazer isso também com uma profissional do sexo. Sim. >> Ele é tão covarde, ele é um homem tão covarde, covarde de um nível de covardia assim absurda, que ele vai em direção a ela, atropela ela, carrega ela e nem sequer vai prestar.
Ele não presta socorro, ele não assume o que fez. Diz que ah, ele estava fugindo, que ele estava com medo do do outro homem, que era por conta de um outro homem. Eu duvido, eu duvido que que esta pessoa, que este homem fosse agredir qualquer outro homem, porque é muito fácil você agredir uma pessoa que fisicamente >> é mais frágil.
Essa mocinha, né, essa jovem, ela tá com esse vestido que vocês estão vendo, né, que essa é um tomara que caia. No que ela é arrastada, ela vai ficar praticamente nua. E o os outros carros que estão passando, estão vendo um corpo ser arrastado, vão buzinar, vão pedir para, para, para, não sabendo exatamente o que aconteceu.
Você imagina de manhã você tá dirigindo seu carro, você tá vendo uma pessoa sendo arrastada e e aquela pessoa não parar, o desespero, o horror, né? Porque você tá de fato presenciando, você é testemunha ocular de algo brutal, de algo de embrulhar o estômago. Quando ele vai passar no no meio fio ali perto de um ali num posto de gasolina, o corpo vai se desprender e ele vai acelerar e vai embora.
Ele não presta socorro, ele não faz absolutamente nada, ele foge. >> Ele foi maldoso porque ele não estava acelerando, né? Não, ele >> ele não estava em alta velocidade, ele vai ali para torturar.
>> Não, ele vai, ele tava em alta velocidade, inclusive ele tava com freio de mão puxado. >> Hum. >> Ou seja, para ter mais atrito do corpo dela.
Tudo isso, gente, vai ficar comprovado nas perícias técnicas. >> E depois ele ainda esconde o carro, né? >> É.
Vai ficar tudo comprovado se o freio de mão tava puxado, aquela, porque a perícia tem como comprovar tudo isso. Vale até a pena depois chamar Alessandra Moraes aqui, a perita, grande perita. E aí, o que que ele vai fazer?
Ele foge. Aí, veja só, um motorista vai parar para, né, tentar prestar um primeiro socorro para essa vítima. Ele não sabe nem o que ele vai encontrar.
Inclusive, muitas pessoas questionam: "Ai, teve gente filmando, como que as pessoas filmaram? " Bom, você tá falando, né, buzinando, para, para, para, a pessoa não, não, não para. Que bom que, né, nós temos essas filmagens, inclusive para comprovar que ele não parou, né?
E eu entendo que o intuito da pessoa que filmou essas essas imagens, elas foram feitas para ajudar, para comprovar inclusive o dolo, a intenção desse homem. Quando essa pessoa chega e é muito triste porque ele vai encontrar a Tainara já sem um pé, um pé já se desfez ao longo do trajeto, >> ela tinha tantas queimaduras no corpo, tava já seminua. Olha, aquelas imagens são de cortar o coração.
Quando eu recebi aquilo, eu fiquei em estado de choque. Primeiro, me lembrou muito o caso do João Hélion, caso do Rio de Janeiro. É uma criança aí, >> não sei se vocês se lembram, >> que eles vão assaltar, né?
Então eles querem o carro, a mãe avisa que o menino tá preso, eles simplesmente ignoram e ele ainda fala: "É um boneco como se fosse se trata assim, sabe? como se fosse um um boneco de Judas. O menino é carregado, parte da calota craniana fica completamente dilacerado.
Ele fica sem uma parte da cabeça. Ele morre em decorrência da violência, da brutalidade do do ato criminoso. Eu lembro que quando o delegado do caso no Rio de Janeiro me explicou esse caso, né, e a gente fez um documentário sobre ele, é assim, a a é um estado de perplexidade, porque você acompanhou ali, né, no dia a dia, mas quando você vai fazer o documentário que o policial para e te conta tudo que aconteceu, você fala assim: "Não, não é possível que esse tipo de pessoa exista, >> né?
que pessoas façam isso. Mas tá aí, ó. Este homem vai fazer isso com a Tainara.
Ela teve que ter as duas pernas amputadas. Veja só, ela precisa trabalhar, tem filhos pequenos, ela sustenta a sua família, paga seus impostos. Que vida, entende?
Que vida que foi imposta para uma mulher que nasceu perfeita? Ela só tinha saído para se divertir, que ela tem todo o direito de sair para se divertir. Aí entra este ciderado, esse ser abjeto, perverso no caminho dessa mulher.
E o pior de tudo isso, eu vou passar aqui pra Dr. Badar agora fazer mais considerações, inclusive jurídicas, claro, >> é que ele foge, a polícia vai chegar nele, óbvio que vai. >> E ele tem um cúmplice, >> não?
Aí ele ele vai trocar tiro com a polícia. Ele troca uma arma, ele vai trocar tiro. E é lógico, se a polícia chegar, te der uma ordem de prisão, você não obedecer, você atirar na polícia, a polícia vai atirar em você.
Um tiro pega no braço dele, ele fica ferido, ele ainda tem a ousadia na audiência de custódia, que vale também a Badaró explicar isso, o juiz vai perguntar se ele sofreu alguma agressão da polícia e ele vai dizer que sim. Agora ele não conta que ele atirou na polícia primeiro. E eu e eu lembro até a frase do juiz, ele falou: "O senhor sofreu alguma agressão?
" Ele: "Sim, eu eu eu quer é comum, tá? O juiz tem que fazer essas perguntas. " >> Pergunta precisa ser feita.
>> E aí ele responde que sim, o juiz fala perfeito. Ele o juiz falou perfeito no sentido de que OK, eh, para fazer a anotação. >> Uhum.
é que aquilo virou um grande meme, né? Porque as pessoas estão tão revoltadas, tão revoltadas com esse tipo de crime que, né, entrou numa conotação >> que o perfeito a polícia fez certo. >> É, é isso.
Mas não foi isso que o juiz quis dizer. Vamos deixar claro aqui, né, gente? Ele tá preso, né?
Ele já tá acho que numa Ele tá numa preventiva. >> Tá numa preventiva já. Aí ele será, né, julgado.
>> Foi denunciado ontem, Carla. >> É, então a Badora vai explicar isso, mas ele será julgado por tentativa de feminicídio, ou seja, crime doloso contra a vida. Ele vai a juri popular, parafraseando a nossa amiga Alessandra Girarde.
É caixão preta para esse rapaz aí. E entenda o seguinte, esse tipo de crime não é aceito no sistema prisional. A primeira coisa que vai que ele vai quando eles eles chegam é qual é o teu BO?
Hum. Porque lá a grande maioria é composta por ladrões e traficantes. Você tentou matar uma mulher atropelando, sendo carregada.
Então ele inclusive está dizendo que ele está sofrendo maus tratos, gente, >> que o crime considera isso uma safadeza, né? E aí, Badaró, tem toda uma questão, porque de novo, não é só eh é lógico que ele é uma pessoa sem poucas condições, né? Ele não tem grandes condições financeiras, mas a gente não tá falando só de uma questão criminal, né?
Você tem várias áreas do direito, você tem a questão inclusive do dano estético, que essa mulher claro, >> ela tá marcada pro resto da vida, ela vai precisar reaprender a andar, vai precisar de prótese, ela vai precisar de muita ajuda. Ela vai precisar de muita ajuda da sociedade, inclusive. E nós não temos uma sociedade que acolhe, isso é uma realidade, as pessoas com deficiência.